Dossiê PescaPolíticas públicas para pescadores

Início›Projetos›08 Tanque-rede em açude›Descrição técnica

01 — Descrição técnica: tambaqui em tanque-rede dentro de açude particular

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta nossa; NE buscado e não encontrado. 1. O que é o projeto Tanque-rede é uma gaiola de tela que boia. O peixe fica preso dentro, em alta densidade, e a água do açude…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta nossa; NE buscado e não encontrado.

1. O que é o projeto

Tanque-rede é uma gaiola de tela que boia. O peixe fica preso dentro, em alta densidade, e a água do açude entra e sai pela tela. Todo o alimento é ração. O projeto usa tanques pequenos (6 m³) com tambaqui, dentro de açude, represa ou lago que fica dentro da propriedade.

Não é projeto para rio. Os rios Acre, Purus, Juruá e Iaco são da União FV. Tanque-rede em rio exige cessão de águas da União, licença e outorga federal, e não há precedente no Acre FV. Os rios acreanos sobem e descem muitos metros entre a cheia e a seca, têm água barrenta e correnteza forte na cheia INF. E o caso mais parecido, o de Tucuruí (PA), acabou em um ciclo (arquivo 06).

O ponto central: dentro de um açude parado, o tanque-rede não aumenta o quanto o açude aguenta de peixe. Ele só muda onde o peixe fica. O limite continua sendo o oxigênio do açude.

2. Quando um açude serve

Exigência Valor Marca e fonte
Profundidade no ponto dos tanques pelo menos o dobro da altura do tanque, o ano inteiro. Tanque com 1,5 m dentro d'água pede 3,0 m no fim da seca; com 1,2 m, pede 2,4 m FV Embrapa Amapá, Comunicado Técnico 152, 2018
Nível da água conhecer a variação entre chuva e estiagem, e o histórico de vários anos FV mesma fonte
Oxigênio dissolvido acima de 4 mg/L; acima de 70% da saturação em todas as épocas; medir antes do nascer do sol e entre 15h e 16h FV mesma fonte
Transparência 60 a 200 cm no disco de Secchi; evitar água muito verde (eutrofizada) FV mesma fonte
Renovação de água o açude precisa de entrada e saída de água; sem isso, fezes e sobra de ração se acumulam debaixo dos tanques FV mesma fonte
Temperatura 26 a 30 °C FV mesma fonte
pH 6,5 a 8,5 FV mesma fonte
Vizinhança sem lavoura com veneno acima do açude; sem esgoto; sem planta aquática e galho solto FV mesma fonte
Segurança perto da casa; tampa com cadeado; luz à noite FV mesma fonte
Área mínima 0,1 ha de espelho d'água por tanque de 6 m³ (10 tanques por hectare) INF conta na seção 5
Barragem maciço firme e vertedouro que aguenta chuva forte INF

Açude que seca, que fica com menos de 2,4 m em setembro, que fica verde-escuro ou que não tem saída de água não serve INF.

A medição de 12 meses (batimetria e régua)

A Embrapa manda conhecer o nível do corpo d'água nos meses de chuva e de estiagem antes de instalar FV. Na prática INF:

  1. Batimetria: medir a profundidade com corda e peso, em linhas de 10 em 10 metros, e desenhar o mapa do fundo. Faz-se uma vez, de preferência em setembro.
  2. Régua de nível: estaca graduada na parte funda, lida toda semana por 12 meses.
  3. Oxigênio e temperatura: uma vez por mês, de madrugada e à tarde, na superfície e a 1,5 m. Em dia de friagem e depois da primeira chuva forte, medir de novo.
  4. Transparência: disco de Secchi, uma vez por mês.

Sem um ano de leitura, não se sabe se o açude tem 3 m em setembro nem o que acontece com o oxigênio na friagem. Dados medidos de açudes acreanos: NE.

3. O tanque-rede de pequeno volume e alta densidade

Item Especificação Marca e fonte
Tamanho indicado em barragem 4 a 6 m³ úteis; 2,0 × 2,0 m, com altura de 1,20 a 1,80 m FV Embrapa Amazônia Oriental, apostila de tanque-rede de pequeno volume
Por que pequeno troca a água mais rápido e aguenta mais peixe por m³ que o tanque grande FV Embrapa, 2015
Tela de engorda aço galvanizado revestido de PVC, malha de 19 a 25 mm FV Embrapa Amazônia Oriental
Vida útil da tela revestida 5 a 10 anos, segundo fabricantes FV Embrapa Amapá 2018
Tela de aço inoxidável dura mais e suja menos; custa 3 a 4 vezes mais FV Embrapa Amapá 2018
Armação tubo metálico galvanizado de 1 polegada; 4 boias por tanque; não usar cano de PVC FV Embrapa Amapá 2018
Tampa da mesma tela, com cadeado; por cima, sombrite de 40% FV Embrapa Amapá 2018
Comedouro anel de tela fina, de 40 cm abaixo a 20 cm acima da água, para a ração não escapar FV Embrapa Amapá 2018
Berçário (recria) bolsão de malha de 5 mm dentro do tanque, para alevino de 2 a 5 g FV Embrapa Amapá 2018
Malha por tamanho de peixe 5 mm até 15 g; 10 mm acima de 15 g; 15 mm acima de 50 g; 25 mm acima de 100 g FV Embrapa Amapá 2018
Posição na água borda 20 a 30 cm acima do nível FV Embrapa Amapá 2018
Preço fabricantes só informam sob consulta; estimado em R$ 2.900 por tanque de 6 m³ posto no Acre NE / INF, base no arquivo 02

Tanque adotado neste projeto INF: 2 × 2 × 1,7 m, com 1,5 m dentro d'água, o que dá 6 m³ úteis. É o mesmo volume que a Embrapa Amazônia Ocidental usou com tambaqui em lago do Amazonas: 6 m³ (2 × 2 × 1,5 m), de tela revestida de PVC com malha de 25 mm FV (Comunicado Técnico 14, 2002).

Como dispor os tanques

        vento  --->
   margem ==========================================
            [T1]   [T2]   [T3]   [T4]   [T5]      (linha 1, sobre a parte funda)
              3 m entre tanques
            [T6]   [T7]   [T8]   [T9]   [T10]     (linha 2, a 5 m ou mais da linha 1)
   barragem ========================= vertedouro ==
   passarela ou canoa; depósito de ração e aerador na margem

4. Espécie: tambaqui, e o aviso sobre os dados

Por que tambaqui: é o peixe que o Acre já cria e come (846 t em 2024, a R$ 15,07 por kg ao produtor FV); usa ração de 28% a 32% de proteína na engorda; e aguenta oxigênio baixo melhor que os outros, porque estica o lábio inferior para respirar na superfície FV.

O tambaqui em gaiola é bem menos documentado que a tilápia. A própria Embrapa escreveu em 2015: "ainda não dispomos de um pacote tecnológico de criação em tanque-rede para as principais espécies criadas no Brasil, com exceção da tilápia-do-Nilo", e apontou "discrepâncias de resultados" entre os trabalhos com tambaqui FV (Embrapa Agrossilvipastoril, Cálculo de povoamento de viveiros e tanques-rede, 2015). Os números abaixo mostram essa dispersão.

O que já foi medido com tambaqui em tanque-rede

Lugar e sistema Densidade (peixes/m³) Dias Peso (g) Biomassa final Fonte
Tanque de 1 m³ 34 240 427 no fim 14,5 kg/m³ Chellapa et al., 1995, citado pela Embrapa 2015
Tanque de 6 m³ (três taxas de ração) 15 120 517 a 791 no fim 7,7 a 11,8 kg/m³ Chagas et al., 2007, idem
Tanque de 6 m³ em lago de várzea de cerca de 8 m 50 240 55 → 945 45,8 kg/m³; mortalidade de 3% Gomes et al., 2006, idem
Tanque em lago temporário de 0,55 ha, com 1,4 a 2,5 m de fundo 20 270 74 → 1.028 cerca de 20 kg/m³ Silva e Fujimoto, 2015, na tabela da Embrapa Amapá
Tanque de 6 m³ em represa de 5 ha 95 300 80 → 1.500 não informada Souza et al., 2014, idem
Tanque de 18 m³ em reservatório de hidrelétrica 35 215 35 → 1.500 a 2.000 não informada projeto Tec Rede, 2017, idem
Tanque de 48 m³ (4 × 4 × 3 m), lago de Palmas (TO) 24, 32 e 40 kg/m³ por fase 9 meses 50 → 1.000 40 kg/m³; conversão 1,74; custo de R$ 9,80/kg Embrapa Pesca e Aquicultura, 2023
Idem, população só de fêmeas 40 kg/m³ 10 meses 1.700 no fim — Embrapa, dez/2025

Todas as linhas são FV, transcritas das fontes. A tabela da Embrapa Amapá saiu embaralhada na extração do arquivo; os valores foram remontados na ordem das colunas e devem ser conferidos no original antes de uso em projeto técnico.

Leitura: só duas linhas são de corpo d'água pequeno (o lago de 0,55 ha e a represa de 5 ha). A primeira usou 20 peixes por m³. Nenhuma é do Acre NE. Os resultados bons vêm de lago fundo, reservatório grande ou experimento com pesquisador ao lado.

5. Quantos tanques por hectare de espelho d'água

Não achamos regra publicada para tambaqui em açude pequeno NE. A conta abaixo é nossa INF, montada sobre dois limites verificados:

Conta, com o limite mais prudente:

Módulo Espelho d'água mínimo Produção por ciclo (35 kg/m³)
4 tanques 0,4 ha 800 kg
10 tanques 1,0 ha 2.000 kg
20 tanques 2,0 ha 4.000 kg

Com aerador de emergência, oxigênio medido toda madrugada e boa renovação, dá para ir além INF. Mas isso só se decide com o açude medido. Açude que também tem peixe solto comendo ração divide o mesmo limite.

6. Densidade, ciclo e conversão adotados

Parâmetro Recria Engorda Marca e fonte
Peso 2–5 g → 40–50 g 50 g → 1.000 g FV Embrapa Amapá 2018
Densidade 300 a 400 peixes/m³ 35 peixes/m³ (baixa); 50 (padrão); até 100 (alta) FV
Duração 60 a 90 dias cerca de 240 dias (8 meses) FV
Sobrevivência 80% 95% a 100% FV
Conversão alimentar 0,8 a 1,1 1,8 FV
Produção — 65 a 75 kg/m³ por ano FV
Ciclo total 9 a 10 meses FV

O projeto usa 35 peixes por m³ na engorda. A Embrapa diz que a baixa densidade "previne problemas com níveis de oxigênio" e é "mais segura para piscicultores pouco experientes" FV. Em açude parado, essa é a escolha prudente. A variante de 50 peixes por m³ está no arquivo 02.

7. Alevino e juvenil

8. Ração e alimentação

No tanque-rede, o peixe só come o que o criador dá FV. A ração tem de ser extrusada, que boia FV. É mais cara que a comum.

Fase Peso (g) Ração por dia (% do peso vivo) Tratos por dia Proteína
Recria 1–3 até 20–40 10% 3 a 4 40% a 50%
Recria 55 a 200 5% 2 36% a 42%
Recria final 200 a 700 3% 2 32% a 36%
Engorda 75 a 1.000 3% caindo a 1% 2 28% a 32%
Terminação acima de 1.000 1% 1 a 2 28%

Fonte: Embrapa Amapá 2018, Tabela 5 FV; proteína conforme o dossiê.

Corte de ração pela temperatura da água FV: abaixo de 21 °C, suspender; de 21 a 23 °C, dar a metade; de 23 a 25 °C, tirar um quarto; de 31 a 32 °C, tirar um quarto; acima de 33 °C, suspender.

Quantidade: cerca de 351 kg de ração por tanque por ciclo INF (arquivo 02). A ração deve ser comida em menos de 15 minutos; sobrou, reduzir no trato seguinte FV.

9. Manejo

Todo dia: oxigênio e temperatura antes do primeiro trato. Dois tratos na engorda. Ver se o peixe sobe para comer. Conferir amarração, boias, tampa e cadeado. Tirar e anotar os mortos.

Toda semana: transparência. Escovar o comedouro e a tela se houver limo (a tela entupida não troca água) FV.

A cada 15 dias na recria e 30 dias na engorda: pesar 3% a 5% dos peixes e recalcular a ração FV. Medir pH, amônia e nitrito a cada 15 dias FV.

A cada 1 ou 2 meses: trocar o tanque sujo por um limpo; por isso se mantém tanque de reserva FV (Embrapa Amazônia Oriental).

Depois de cada ciclo: tirar o tanque da água, lavar e deixar secar ao sol FV.

Trabalho: é mais atenção que hora. O tratador precisa ser sempre a mesma pessoa FV e alguém precisa olhar o açude de madrugada nos meses de risco.

10. O risco que mata: falta de oxigênio e "virada" do açude

Em açude parado, a água de cima é quente e tem oxigênio; a de baixo é fria e quase sem oxigênio INF (conhecimento técnico geral). Três situações misturam as duas camadas ou derrubam o oxigênio de uma vez:

  1. Friagem (junho a agosto): a água de cima esfria, afunda, e a de baixo sobe.
  2. Primeira chuva forte e vento depois da seca: entra água barrenta e o açude "vira".
  3. Vários dias nublados com água muito verde: as algas param de produzir oxigênio e passam a consumir.

O peixe solto foge para onde há oxigênio. O peixe na gaiola não foge. Com 35 kg/m³, a morte pode ser de todos os tanques em uma madrugada.

O que as fontes dizem:

Defesas INF: densidade baixa; medir oxigênio de madrugada; aerador na margem, pronto para ligar; cortar a ração na véspera de friagem anunciada; despescar antes do fim da seca se o nível cair abaixo do dobro da altura do tanque; não povoar acima do que o açude aguenta.

11. Sanidade, predadores e furto

12. Despesca e conservação