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Plano de Gestão da Pesca no Estado do Acre

Via Superintendência Federal da Pesca, entidades de pescadores e o próprio pescador: um caminho em fases, das primeiras ações até um ambiente de plena atividade econômica em água doce. O plano inteiro está nesta página, em 20 capítulos.

Versão 1.2 · 04/10/2026Baixar em PDFConferido todo dia na fonteFV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado
Como navegar

O menu ao lado leva a cada capítulo. As referências a projetos abrem a ficha no catálogo de projetos. P1 a P8 são os relatórios de pesquisa do plano; FB é o estudo do Frio a Bordo e PT é o dossiê de piscicultura em tanques. A busca do topo encontra cada capítulo.

Documentos: plano em PDF, folha do pescador em uma página e situação da conferência diária. Relacionado: o gargalo documental e a matriz de portas de entrada.

01 · Sumário executivo

A pesca no Acre hoje é renda de benefício. Este plano a transforma em renda de atividade: produzir, conservar, beneficiar e vender. A Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura no Acre (SFPA/AC) articula, as entidades de pescadores operam e o pescador é o titular da renda. O caminho tem cinco fases, começa com documento e pacto em outubro de 2026 e chega à atividade plena por volta de 2031.

21.777Público. pescadores com RGP ativo em 02/10/2026; 55,1% no Juruá
R$ 34,1 miRenda de benefício. de seguro-defeso a 10.638 pessoas no ciclo 2025/26
12–18 mil tMercado aberto. de déficit estimado de pescado por ano; parte do peixe de Rio Branco vem de Rondônia
0 · 0 · 1Estrutura hoje. fábrica de gelo com operação comprovada, SIF de pescado e SIE
R$ 35,4 miCrédito que já chegou. em 3.007 operações de microcrédito de pesca em 2025; secou em 2026
R$ 1,085 biDinheiro disponível. do FNO reservados ao Acre em 2026, com linha para pesca
R$ 30–59 miCusto do plano. em cinco a seis anos, sem contar o crédito: um a dois ciclos de defeso
1.000 tMeta de chegada. por ano vendidas com nota e inspeção, e 4.000 famílias com renda de atividade acima do defeso

A tese em quatro frases

O Acre tem pescador e tem comprador. Não tem frio em operação, inspeção de pescado nem nota fiscal na mão do pescador. Por isso quase nada do que se pesca entra no mercado formal, e o maior fluxo de dinheiro do setor é o seguro-defeso. O plano fecha esses vãos na ordem em que um depende do outro, e mede o avanço por uma razão simples: quanto se vende com nota para cada real de benefício pago.

Os dezesseis achados que definem o plano

  1. A renda é de benefício. O seguro-defeso pagou R$ 34,1 milhões a 10.638 pessoas em 2025/26, cerca de R$ 3.207 por beneficiário FV (com ressalva). A captura não tem estatística; o teto estimado é de 1,7 mil t por ano INF (capítulo 02).
  2. O mercado existe, e a merenda já compra peixe do Acre. O déficit estimado é de 12 a 18 mil t por ano INF. A rede estadual de ensino homologou em 2026 cerca de R$ 3 milhões em pescado regional sem espinha, congelado, de duas cooperativas acreanas FV (PNCP). O comprador existe; o pescador artesanal, sem cooperativa própria, ainda está fora dessa venda INF.
  3. O gargalo é frio, inspeção e nota, não peixe. Cinco fábricas de gelo foram anunciadas e nenhuma tem operação publicada. Não há estabelecimento de pescado com inspeção federal, e só um com inspeção estadual FV (P6 §3 e §4).
  4. Três documentos destravam quase tudo. RGP ativo com REAP em dia, CAF e nota fiscal são o requisito comum de Pronaf, FNO, PAA, PNAE e do próprio seguro-defeso. No RGP a SFPA/AC tem competência expressa de assessoramento e julga recurso em primeira instância; no CAF e na nota fiscal ela orienta e articula FV (P1 §4).
  5. O microcrédito já chegou, e parou. Foram 3.007 operações de pesca no Pronaf Grupo B em 2025, contra 7 em 2024. Em 2026 o fluxo caiu de 256 operações em março para 10 em julho, no período das suspensões de RGP FV (P2 §1). Acima de R$ 15 mil quase não há crédito de pesca.
  6. O ministério é pequeno; o dinheiro grande está em outro lugar. A ação de pesca artesanal do MPA tem R$ 25,57 milhões para o país em 2026. Não existe programa federal vigente de fábrica de gelo, câmara fria ou alevinos. O volume está no FNO, no Pronaf e no PNAE FV (P1 sumário).
  7. As janelas grandes de captação de 2026 fecharam. A maior, de R$ 80 milhões, encerrou em maio. Entidade privada precisa de dois a três anos de CNPJ para captar. O ano de 2026 serve para habilitar; 2027 é o ano de captar FV (P3 sumário).
  8. O Acre já fez manejo de pirarucu, sem escala. Feijó pescou 99 peixes em cinco safras e o doador pagou a maior parte do custo. Carauari, no Amazonas, no mesmo rio Juruá, vendeu 180 t em 2025. A diferença está em comprador, preço acordado e vigilância paga FV (P4 §1).
  9. Os fracassos têm a mesma causa. O dinheiro entrou pelo ativo e não pelo contrato de venda. A indústria Peixes da Amazônia consumiu mais de R$ 80 milhões e faliu em 2024; fábricas de gelo foram reformadas sem operador FV (P4 §4).
  10. O que durou mundo afora tem três coisas. Direito de uso formal, receita própria que paga a vigilância e organização que já existia. O modelo mais próximo é o manejo de paiche em Loreto, no Peru FV (P5 sumário).
  11. O Acre não tem lei, órgão, conselho nem fundo de pesca. É o único estado da amostra nessa situação FV. O arranjo recomendado começa por um pacto coordenado pela SFPA/AC e por uma cooperativa de pescadores, e segue para consórcio intermunicipal e lei estadual INF (P7 sumário).
  12. O frio do plano é o Frio a Bordo. A perda acontece dentro do barco, antes de o peixe chegar a qualquer estrutura em terra. O plano troca a fábrica de gelo por unidade de energia portátil com freezer a bordo e estação solar em terra, cedidas à entidade para uso compartilhado. O desempenho ainda precisa ser medido em piloto INF (FB §2 e §10 · capítulo 17).
  13. O Acre não precisa de mais tanque. Tem 6.465 ha de lâmina d'água e 22,9% dela está parada FV. A piscicultura entra como renda do defeso para a família do pescador, com três condições: frio antes do peixe, ração contratada antes do alevino e resposta sobre o seguro-defeso antes de incluir pescador com RGP ativo INF (PT §0 e §14 · capítulo 18).
  14. As metas de frio e de piscicultura têm seis projetos com conta aberta. O principal é o tambaqui de viveiro reativado vendido à merenda: 1 ha, R$ 78,4 mil até a primeira venda, de R$ 914 a R$ 2.259 por mês, e prejuízo ao atravessador INF. O limite de R$ 40 mil por CAF por entidade pede viveiros de cerca de 0,3 ha por família e três entidades compradoras FV (o limite) (projeto 13 · capítulo 19).
  15. Ração barata vem de compra organizada, não de fábrica nova. A compra em carreta baixa a ração de R$ 5,00 para R$ 4,20 por kg. Adubar o viveiro segura de 8% a 9% da ração, em ensaio feito com adubo químico; o plano testa a cama de frango curtida no lugar dele. Uma fábrica nova precisaria vender de 1.701 a 3.927 t por ano para empatar, e alcança de 350 a 1.100 t INF (projeto 14 · projeto 16 · capítulo 19).
  16. Em 2026 só cabe pactuar, medir, protocolar e regularizar documento. A lei eleitoral veda a distribuição de bens no ano inteiro. Obras e equipamentos começam em 2027 FV (P7 §5).

Os projetos-meta em destaque

As metas de frio e de piscicultura têm seis projetos com conta aberta. O principal é o tambaqui de viveiro reativado vendido à merenda. Nenhum foi medido em campo no Acre: são desenhos para o piloto de 2027 INF (capítulo 19).

R$ 914–2.259Tambaqui para a merenda. por mês, por hectare de viveiro reativado; R$ 78,4 mil até a primeira venda; prejuízo ao atravessador
R$ 77,15Cozinha com inspeção. por kg de pescado sem espinha, pago pela merenda estadual em 2026; é a porta de venda
R$ 4,20Central de ração. por kg em carreta, contra R$ 5,00 no saco: R$ 8.208 a menos por hectare por ciclo
40 haMódulo de 8 ha. de viveiros reativados até 2031: um módulo por regional, com câmara fria e técnico pago
20 famíliasTanque de quintal. no piloto de 2027; R$ 8,3 a 15,4 mil até a primeira venda; comida na mesa e renda complementar
100 unidadesFrio a Bordo. até 2031, com 15 em três pilotos em 2027; R$ 40 a 64 mil por embarcação

O ecossistema em uma página

O ecossistema tem seis andares e três colunas que atravessam todos. Cada andar depende do de baixo: não há crédito sem documento, entreposto que se pague com peixe degradado no barco, merenda sem inspeção.

9 · Governança: pacto, consórcio, lei e fundo8 · Conhecimento: ATER, ICT, preço e dado7 · Finanças: crédito, captação, fundo rotativo 6 · Mercado5 · Beneficiamento e sanidade4 · Frio e logística3 · Produção2 · Organização1 · Pescador regularizado Hoje: merenda compra de 2 cooperativas; pescador artesanal fora. Alvo: contrato por regional, 1.000 t por ano.Hoje: nenhum SIF, um SIE. Alvo: 10 municípios com SIM e 3 entrepostos regionais com inspeção.Hoje: sem frio no barco e sem gelo em operação comprovada. Alvo: 100 unidades Frio a Bordo e 10 estações.Hoje: captura sem estatística. Alvo: acordos de pesca, pirarucu com cota, 300 famílias na piscicultura em tanques.Hoje: nenhuma cooperativa só de pescadores. Alvo: 5 cooperativas, uma por regional.Hoje: 21.777 com RGP, metade sem defeso. Alvo: RGP, REAP, CAF e nota fiscal em dia. FASES 1–4FASES 1–3FASES 1–3FASES 1–3FASES 0–3FASES 0–1

Lê-se de baixo para cima. As três colunas à esquerda sustentam todos os andares. Detalhe de cada camada no capítulo 04.

O caminho em cinco fases

Fase Período O que acontece Custo estimado Marco de saída
0 · Preparar out–dez/2026 Pacto assinado, medições, mutirão documental no defeso, primeira cooperativa, lei do Frio a Bordo protocolada baixo Acordo de cooperação assinado e totais das filas de regularização publicados
1 · Regularizar e organizar 2027 RGP, CAF e nota em massa; Frio a Bordo em 3 pilotos; piloto de tanques com 20 famílias; 2 SIMs; primeira venda do pescador artesanal ao PNAE; mutirão de crédito R$ 1,5–3,0 mi 15 unidades Frio a Bordo com uso medido, 500 pescadores emitindo nota
2 · Produzir e conservar 2028–2029 3 entrepostos com inspeção; Frio a Bordo nas 5 regionais; pirarucu com cota; 100 famílias na piscicultura, com viveiros reativados e venda direta ou por unidade com inspeção; filé na merenda R$ 6–12 mi 300 t por ano vendidas com nota
3 · Beneficiar e vender 2029–2031 Selo e venda fora do estado; couro; polos de piscicultura familiar; 100 unidades Frio a Bordo; 5 cooperativas mais R$ 2–4 mi Merenda estadual contratada
4 · Atividade plena 2031 em diante Indústria com SIF por contrato, insumos por contrato com a capacidade que já existe, fundo estadual R$ 20–40 mi 1.000 t por ano no mercado formal, meta de 2031, mantida com indústria e insumos contratados

A passagem de fase é por marco medido e publicado, não por data. O detalhe das ações, com responsável, custo e fonte, está no capítulo 11.

Quem faz o quê

Ator Papel no plano Primeira entrega
SFPA/AC Articula: convoca o pacto, organiza a regularização, orienta a habilitação das entidades, aproxima bancos e órgãos Ofício de convocação da 1ª reunião
Entidades (colônias, sindicato, associações) Operam: fila e mutirão documental, emissão de CAF, representação no pacto; recebem em cessão de uso e operam o Frio a Bordo Filas de regularização por município
Cooperativa de pescadores Vende com nota, toma crédito, opera o entreposto e a compra coletiva de ração Assembleia de constituição
Estado e municípios Donos da infraestrutura pública, inspeção, compra da merenda, lei e fundo Ato da Sefaz sobre a nota do pescador; 2 SIMs piloto
Bancos Crédito com projeto simplificado e acompanhamento Mutirão de crédito em 8 polos
ICT, Sebrae e parceiros Medem, formam e assessoram Boletim semanal de preços
Pescador Titular do documento, da nota e da renda RGP e REAP em dia; acesso ao PesqBrasil todo mês

De onde vem o dinheiro

Cada tipo de gasto tem uma fonte natural, e misturar as fontes é a origem de boa parte dos fracassos (capítulo 13).

O que o plano não faz

Como ler este documento

Cada afirmação traz uma marca de confiança: FV é fato verificado em fonte aberta, NE é dado buscado e não encontrado, INF é inferência ou proposta do plano. As referências no formato P1 a P8 apontam para os oito relatórios de pesquisa que sustentam o plano; FB é o estudo técnico do Frio a Bordo, PT é o dossiê de piscicultura em tanques e CP é o catálogo de projetos de criação de peixe, com o número da pasta; as fontes abertas estão listadas no capítulo 20. Parte dos portais oficiais estava fora do ar pelo período eleitoral, e por isso algumas linhas de base seguem como não encontradas até a medição da Fase 0.

O que este capítulo decide

Lista de capítulos · Próximo: 02 Onde estamos

02 · Onde estamos

O Acre tem público, tem dinheiro federal que já chega e tem território organizado em cinco regionais. Não tem estatística de captura, frio em operação, inspeção de pescado nem unidade estadual de pesca (P8 §1) INF. Este capítulo fixa a linha de base em 02/10/2026. Tudo o que o plano promete nos capítulos seguintes é medido contra estes números.

Os dez números do ponto de partida

Dez números descrevem o setor: muita gente, quase toda no interior, com renda pública de benefício e sem a estrutura mínima para vender peixe com nota.

# Indicador Valor Data Fonte
1 Pescadores com RGP ativo 21.777, em 22 municípios; 12.007 (55,1%) no Juruá 02/10/2026 Painel RGP/MPA (P8 §2) FV
2 Seguro-defeso pago R$ 34,1 mi a 10.638 pessoas, 49% do painel ciclo 2025/26 MTE, divulgado pela SFPA/AC (P8 §2) FV (com ressalva)
3 Pagos no 1º lote do defeso 154 pescadores, 0,7% do painel 17/02/2026 MTE (P8 §2) FV
4 Perfil 47,5% mulheres; 65,1% filiados a entidade; 56,6% alfabetizados 02/10/2026 e 2024 Painel RGP e Boletim RGP 2024 (P8 §2) FV
5 Piscicultura 2.294 t, queda de 37% sobre 2019 (3.629 t); R$ 35,7 mi 2024 IBGE/PPM (P8 §2) FV
6 Captura (pesca extrativa) sem estatística oficial de desembarque 02/10/2026 P8 §2 NE
7 Déficit de pescado 12–18 mil t por ano; produção abaixo de 4 mil t 2024 Seagri/PRDA e cálculo (P6 §1.1) INF
8 Inspeção zero estabelecimento de pescado com SIF; 1 com SIE, não nominado; SIM não localizado em nenhum dos 22 municípios set/2026 SIGSIF; Idaf (P6 §3.1) FV e NE
9 Frio 5 fábricas de gelo citadas, zero com operação comprovada; unidade do Frio a Bordo demonstrada em 7 municípios, zero em operação contínua 02/10/2026 P6 §4.1 FV e NE; Frio a Bordo FV (relato do projeto)
10 Entidades 17 colônias e federação identificadas, além de sindicato, associações e cooperativa citados no quadro regional; 9 com CNPJ ativo e dirigente confirmados; 1 inapta; 6 municípios sem entidade localizada 02/10/2026 Mapa OSC/IPEA (P8 §7.2) FV

Quatro ressalvas acompanham a tabela.

  1. Duas contagens de pescadores. O Boletim RGP 2024 traz 15.304 ativos, com extração de 27/02/2025. O painel é 42% maior porque soma dois sistemas e é atualizado todo dia. O salto não tem explicação oficial (P8 §3) FV. O plano usa 21.777 para dimensionar público e 15.304 para perfil.
  2. Piscicultura. A P6 cita 2.296 t para 2024, de uma extração anterior. Vale a soma municipal do IBGE de 02/10/2026: 2.294 t (P8 §10.2) FV. A série da Peixe BR, de outra metodologia, marca 3.270 t em 2024 e 2.830 t em 2025.
  3. Déficit. A conta bruta dá de 7 a 21 mil t por ano. A faixa de 12–18 mil t é o centro das duas estimativas de consumo e é a que o plano adota (P6 §1.1) INF.
  4. Defeso. O período biológico vai de 15/11 a 15/03. O MTE registra 01/11 a 31/03 como janela de pagamento. As duas datas coexistem (P8 §3) FV. O tambaqui tem defeso de 01/10 a 31/03 e o pirarucu tem defeso próprio (tabela de defesos continentais do Ibama) FV.

A renda hoje é de benefício

O maior fluxo de dinheiro do setor é o seguro-defeso, e o que a pesca artesanal produz não é medido por ninguém.

Fluxo Valor Período Quem recebe Fonte
Seguro-defeso R$ 34,1 mi em 21.051 parcelas 01/11/2025 a 16/05/2026 10.638 pescadores P8 §2 FV (com ressalva)
Auxílio extraordinário da seca (MP 1.192/2023) R$ 18,2 mi, R$ 2.640 por pessoa pago a partir de dezembro de 2023 6.882 pescadores FV (com ressalva) P8 §2; o número do Acre não pôde ser lido em fonte oficial em 03/10/2026. O auxílio pago a partir de 06/01/2025 (MP 1.277/2024) foi outro, de R$ 2.824 (Agência Brasil)
Valor da piscicultura R$ 35,7 mi 2024 piscicultores; número de produtores NE P8 §2 FV
Valor da captura não medido sem série pescadores artesanais P8 §2 NE
Manejo de pirarucu em Feijó R$ 70.911 em cinco safras 2012 a 2016 grupo de 8 a 14 pescadores P4 §1 FV
Emendas com objeto pesca executadas ordem de R$ 2 mi 2021 a 2026 entidades e prefeituras P8 §2 INF
Crédito rural de custeio para piscicultura R$ 842 mil; investimento zero 2022 piscicultores P8 §2 FV
Microcrédito Pronaf Grupo B para pesca (pescado e embarcações) R$ 35,4 mi em 3.007 operações; eram 7 em 2024; em 2026 caiu de 256 por mês em março para 10 em julho 2025 pescadores P2 §1 FV

A conta tem três passos INF.

  1. Benefício. R$ 34,1 mi divididos por 10.638 pessoas dão R$ 3.207 por beneficiário no ciclo. São duas parcelas por pessoa, em média (21.051 ÷ 10.638).
  2. Atividade. Não existe série de desembarque. O único limite conhecido é indireto: o Estado admite menos de 4 mil t por ano somando cultivo e captura, e o cultivo responde por 2.294 t. Sobra um teto de 1,7 mil t de captura comercializada (P8 §2) INF, estimativa frágil. A R$ 10 a R$ 20 por kg pagos ao pescador, faixa do mandi em Sena Madureira em 2026 (P6 §1.2), esse teto valeria de R$ 17 mi a R$ 34 mi por ano.
  3. Comparação. No melhor cenário, toda a captura do estado empata com um ciclo de defeso. Dividido pelos 21.777 registrados, o teto dá de R$ 780 a R$ 1.560 por pescador por ano. É menos da metade de um seguro-defeso.

O passo 2 é um limite superior, não uma medida. Serve para mostrar a ordem de grandeza e a primeira tarefa do plano: medir.

Três fatos completam o quadro. A maioria dos pescadores declara renda abaixo de R$ 1.045 por mês (P8 §2) FV. Um ciclo de defeso equivale a 17 vezes o que as emendas com objeto pesca executaram em seis anos INF. E o benefício não chega a todos: metade do painel não recebeu, por uma cadeia de exigências documentais que inclui recadastramento, CIN, REAP e CadÚnico (P8 §3) FV. A imprensa fala em "mais de 8 mil" barrados por REAP não entregue; o número não está em base aberta NE.

O microcrédito de 2025 entra na tabela como sinal, não como renda: é dívida a pagar com a venda do peixe. Mostra que o pescador com documento em ordem toma crédito, e que cerca de 4.200 contratos de 2025–26 vencem até 2028 com parte dos tomadores hoje sem RGP ativo (P2 §1) INF.

O plano não reduz benefício. Acrescenta renda de atividade ao lado dele e usa o valor do defeso como régua.

Quadro por regional

O pescador está no Juruá, o peixe de cultivo está no Alto e no Baixo Acre, e todas as regionais estão sem frio a bordo e sem frio em operação comprovada.

Regional Pescadores (% AC) Piscicultura 2024 (2019→24) Entidades Frio e mercado Acesso Prontidão (0–5)
Juruá (5 municípios) 12.007 (55,1%) 792 t (−5%) 5 colônias, 1 sindicato e a federação estadual Usina de gelo da Z-1 reformada em 2022, operação NE; feiras em Cruzeiro do Sul (8 t anunciadas) e Mâncio Lima (15 t anunciadas) BR-364 sazonal; 2 municípios só por rio ou avião INF 4,5
Tarauacá/Envira (3) 1.381 (6,3%) 250 t (−24%) 2 colônias; Jordão sem entidade Gelo e câmara fria de Feijó parados; feira de Tarauacá (R$ 853 mil) e Feira do Pirarucu BR-364; Jordão só por rio ou avião INF 2,0
Purus (3) 2.255 (10,4%) 75 t (−37%) 3 colônias e 1 associação Fábrica de gelo da colônia de Sena sem condensador; feira irregular BR-364; Santa Rosa só por rio ou avião INF 3,5
Alto Acre (4) 1.787 (8,2%) 487 t (−21%) 2 colônias, sem confirmação cadastral; uma cobre 4 municípios Fábrica de gelo de Assis Brasil com compra homologada (R$ 138.500, 23/07/2026), sem operação comprovada; feira de Brasiléia (20 t anunciadas) BR-317 asfaltada 3,5
Baixo Acre (7) 4.347 (20,0%) 691 t (−60%) 4 colônias (1 inapta), 1 associação, 1 cooperativa; 4 municípios sem entidade Espaço para fábrica de gelo na colônia da capital, "em instalação"; maior feira do estado (160,5 t) Tudo por rodovia 4,5
Acre (22) 21.777 2.294 t (−37%) 17 identificadas sem frio a bordo e sem frio em operação comprovada: zero fábrica de gelo operando, zero unidade a bordo em uso contínuo

Fontes: P8 §4.1, §4.2 e §6; P6 §4.1 FV, com acesso por rio e prontidão marcados INF. A situação do frio a bordo vem do relato do projeto FV (relato do projeto). Os volumes das feiras de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Brasiléia são expectativa ou oferta anunciada antes do evento, não venda medida.

A coluna de frio mostra o que foi anunciado em terra. O peixe, porém, se perde antes: dentro do barco, entre a captura e o desembarque (FB §2). Por isso o plano adota o Frio a Bordo como camada de frio (capítulo 17).

O índice de prontidão soma cinco itens: representação, mercado, frio, acesso e escala (P8 §6) INF. Prontidão não é prioridade. O Juruá é o mais pronto e o mais necessário. O Tarauacá/Envira é o menos pronto e o único com manejo de pirarucu em operação.

Duas divergências entre as pesquisas ficam registradas. A P8 trata a fábrica de gelo de Assis Brasil como anúncio sem obra; a P6 localizou o pregão de 12/06/2026, e é ele que vale. O edital estimava R$ 198.772; a compra foi homologada em 23/07/2026 por R$ 138.500 (PNCP) FV. Instalação e operação não aparecem em fonte NE. A P6 estima cultivo menor por regional, com soma parcial de espécies; vale a soma municipal completa da P8.

O seguro-defeso por regional não existe em fonte oficial NE. O rateio proporcional ao RGP indica cerca de R$ 18,8 mi no Juruá, só como ordem de grandeza (P8 §4.1) INF.

O que já existe e funciona

Nove coisas têm evidência de operação em 2025/26 e servem de apoio ao plano (P8 §8) FV. A nona, a compra de pescado regional pela merenda estadual, foi conferida no portal de compras em 03/10/2026.

O que funciona Evidência Limite
Seguro-defeso (MTE) R$ 34,1 mi a 10.638 pescadores no ciclo 2025/26 Metade do painel não atravessa o funil documental
Painel Unificado do RGP Base viva, consultável, com 22 municípios, sexo e filiação É a única estatística do setor
SFPA/AC como balcão de RGP Analisa, defere, julga recurso e recebe mutirão Sede em Rio Branco; 55,1% do público está no Juruá
Feiras do Peixe Rio Branco vendeu 160,5 t em 3 dias no Ceasa (abr/2026); Sebrae apoia 11 a 12 municípios Três dias por ano; maioria de cultivo; na capital entra peixe de Rondônia
Merenda estadual com pescado regional O Credenciamento SEE 12/2025, para 2026, homologou em 07/04/2026 R$ 2,99 mi em pescado regional sem espinha, congelado, a duas cooperativas acreanas: 48.408 pacotes de 800 g, cerca de 38,7 t (PNCP) O pescador artesanal está fora dessa venda: não há cooperativa só de pescadores INF. Assinatura do contrato e entrega NE
Manejo de pirarucu Feijó, Tarauacá e Manoel Urbano; 19 acordos de pesca, 7 regulamentados De 2,5 a 7 t por ano; sem financiador desde 2017
Alevinagem privada 6,9 milhões de alevinos em 2024, maior volume desde 2015 Laboratórios não nominados; estação pública com produção NE
Programa municipal de Cruzeiro do Sul Secretaria com "Pesca" no nome, 656 tanques, mutirões de ATER Atende piscicultor, não pescador
Formação Técnico em Recursos Pesqueiros no IFAC de Cruzeiro do Sul; 48 bolsas da FAPAC Sem núcleo de aquicultura na Embrapa Acre

O que existe só no papel

O que falta ao Acre já foi anunciado mais de uma vez: gelo, frigorífico, programa e órgão existem como promessa ou como obra parada (P8 §8 · P6 §4 · P4 §2) FV.

Item O que foi anunciado ou gasto Situação em 02/10/2026
Cinco fábricas de gelo Cruzeiro do Sul R$ 522 mil (2022); Rio Branco R$ 1,39 mi (2024); Assis Brasil R$ 138.500 homologados, contra R$ 198.772 estimados (2026); Sena, condensador; Feijó, "reimplantar" Nenhuma com capacidade e operação publicadas
Frio a Bordo Unidade de energia portátil com freezer demonstrada às entidades de 7 municípios: Sena Madureira, Xapuri, Porto Acre, Acrelândia, Plácido de Castro, Bujari e Rio Branco Nenhuma unidade em operação contínua; nada medido em campo FV (relato do projeto)
Frigorífico Peixes da Amazônia Complexo de R$ 82–86 mi em Senador Guiomard Falência decretada em 2024; arrematado por R$ 13,151 mi em 28/11/2025; sem plano público
Frigorífico de Cruzeiro do Sul Cerca de R$ 10 mi, 7 t por dia (2016) Status NE
REM Acre, piscicultura R$ 4,52 mi planejados R$ 0 executado
Projeto PRDA/Sudam R$ 11,37 mi para 300 produtores Sem convênio
Motores de embarcação R$ 1,55 mi em emendas Parados
Coordenação estadual de pesca Prometida em 25/04/2025 Não criada; também não há conselho nem lei estadual
Pescador artesanal na merenda 62,5% das escolas servem peixe; a rede estadual já compra pescado regional processado de duas cooperativas (R$ 2,99 mi homologados em 2026) Nenhuma cooperativa de pescadores artesanais fornece INF; chamada de pescado in natura e chamadas municipais não localizadas NE

A lição é a mesma em todos os casos: houve ativo sem operador e sem meta publicada (P6 §7.5) INF.

O gelo tem uma lição a mais. As cinco fábricas ficam em terra, e a perda acontece no barco. Por isso o plano não aposta em religar nem em construir fábrica de gelo: adota o Frio a Bordo, com piloto em 2027 e uso medido desde a primeira unidade (capítulo 17) INF. O Frio a Bordo entra nesta tabela porque, em 02/10/2026, também é só demonstração.

Lacunas de dado que o plano fecha primeiro

Nove lacunas travam decisões do primeiro ano. Oito são fechadas na Fase 0, com ofício, pedido de acesso à informação ou vistoria (P8 §9 · P6 §8). A nona só fecha com o piloto do Frio a Bordo, em 2027.

# Lacuna Por que trava Como fechar
1 Seguro-defeso por município Sem ele não se sabe onde o funil documental barra mais Pedido de acesso à informação ao MTE
2 REAP pendente e RGP suspenso por município Define o tamanho do mutirão em cada regional Pedido ao MPA; listas das portarias
3 Desembarque por espécie e município Sem captura medida não há meta de produção nem cota Diário de produção por entidade, nota do pescado e contagem em porto e feira
4 Diagnóstico do frio existente Mostra o que já existe em terra e evita pagar de novo o que já foi pago; não é lista de investimento Vistoria nas cinco fábricas de gelo anunciadas: t por dia, operador, energia, preço
5 Lista de SIE e SIM de pescado Decide onde nasce o primeiro entreposto Ofício ao Idaf e às 22 prefeituras
6 Cadastro de 7 entidades e 6 municípios sem entidade Define quem assina termo de cessão e quem homologa o REAP Receita, Mapa OSC, federação, SFPA/AC
7 Inscrição do pescador na Sefaz para emitir nota Sem nota não há venda formal Ofício à Sefaz-AC
8 Acordos de pesca e cotas de pirarucu por lago Sem cota não há manejo legal em escala Ibama, IMAC, relatório final do projeto de 2017
9 Desempenho do Frio a Bordo em campo: quilos conservados por unidade por mês, perda evitada e custo de operação NE A unidade foi demonstrada em 7 municípios e nenhuma opera de forma contínua FV (relato do projeto); sem medida não se dimensiona a rede Piloto de 2027, com registro mensal publicado por entidade (capítulo 17)

As demais lacunas entram no painel de acompanhamento (capítulo 14).

O que este capítulo decide

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03 · Visão e metas: o que é plena atividade econômica

Plena atividade econômica é o ponto em que o pescador ganha mais vendendo peixe do que recebendo benefício. O plano mede esse ponto com cinco condições e onze metas. Todas as metas são propostas INF e têm ano: ano 1 é 2027, ano 3 é 2029 e ano 5 é 2031. A linha de base é a de 02/10/2026 (capítulo 02).

Definição operacional

Um pescador artesanal está em plena atividade quando cumpre cinco condições, todas verificáveis em documento INF.

# Condição Como se verifica Situação em 02/10/2026
1 Regular: RGP ativo e REAP em dia Painel do RGP e registro do REAP 21.777 ativos; REAP em dia NE (P8 §9)
2 Produtor identificado: CAF e nota fiscal própria CAF e notas emitidas na Sefaz-AC NE; não se sabe se a Sefaz inscreve pescador sem imóvel rural (P6 §3.4)
3 Com frio: acesso a unidade do Frio a Bordo ou a frio no desembarque, com uso medido e rateio de manutenção publicados Registro mensal de quilos conservados e do rateio de manutenção aprovado em assembleia, publicado pela entidade operadora Zero unidade do Frio a Bordo em operação contínua FV (relato do projeto); zero fábrica de gelo com operação comprovada (P6 §4.1)
4 No mercado formal: venda com nota a comprador com inspeção ou contrato público Registro no SIM ou SIE; contrato PNAE ou PAA Zero SIF de pescado, 1 SIE, SIM NE (P6 §3.1). A merenda estadual já compra pescado regional processado de duas cooperativas: R$ 2,99 mi homologados em 2026 (PNCP) FV. O pescador artesanal está fora dessa venda INF
5 Renda de atividade maior que a de benefício Vendas com nota no ano comparadas ao seguro-defeso recebido NE; a régua é R$ 3.207 por beneficiário no ciclo 2025/26 (P8 §1)

O estado chega à plena atividade, na Fase 4, quando três coisas acontecem ao mesmo tempo: 1.000 t por ano de peixe acreano vendidas no mercado formal; as cinco regionais com estação do Frio a Bordo, inspeção e cooperativa em operação; e pelo menos 4.000 famílias na condição 5.

A definição é estreita de propósito. Só entra o que alguém consegue conferir em painel, nota, contrato ou relatório. O pescador é o titular da renda, a entidade opera e a SFPA/AC articula.

As onze metas

As onze metas cobrem a cadeia inteira: documento, organização, frio, cultivo, inspeção, mercado, crédito e renda.

# Meta Linha de base (02/10/2026) Ano 1 (2027) Ano 3 (2029) Ano 5 (2031)
1 Pescadores com RGP ativo e REAP em dia 21.777 ativos; REAP em dia NE; 10.638 (49%) receberam o defeso 70% dos ativos 85% 90%
2 Pescadores e piscicultores familiares com CAF emitindo nota fiscal NE; nenhuma emissão localizada 500 1.500 4.000
3 Toneladas vendidas com nota e inspeção NE, próximo de zero 100 t 300 t 1.000 t
4 Contratos do PNAE em que cooperativa de pescadores artesanais fornece o pescado 1 contrato estadual (R$ 2,99 mi em 2026), fornecido por duas cooperativas; nenhum com cooperativa de pescadores artesanais; municipais NE 1 5, um por regional 10 municipais e 1 estadual
5 Operações de crédito de investimento acima de R$ 15 mil para pesca e aquicultura familiar, por ano 33 operações do Mais Alimentos, R$ 635 mil, em 2025; nenhuma a cooperativa ou agroindústria de pescado 100 400 1.000
6 Unidades Frio a Bordo em operação, com uso medido e publicado 0 em operação contínua; unidade demonstrada em 7 municípios 15 unidades em 3 estações-piloto (Juruá, Purus/Envira e vale do Acre) 60 unidades, com estação nas 5 regionais 100 unidades e 10 estações
7 Municípios com SIM registrando pescado NE; nenhum localizado nos 22 2 5, um por regional 10
8 Cooperativas ativas com CAF jurídica 3 cooperativas citadas; CAF jurídica e número de pescadores cooperados NE 1 3 5, uma por regional
9 Áreas de manejo de pirarucu autorizadas Nenhuma com manejo ativo autorizado; 7 acordos de pesca regulamentados, de 19 1, com contagem feita 3, com 300 pirarucus por safra 5, com cota definida pela contagem
10 Renda de atividade por família participante, em vendas com nota por ano NE Medida em amostra por regional R$ 2.500 R$ 3.500, acima de um seguro-defeso
11 Piscicultura em tanques: famílias com peixe de cultivo vendido com nota, em tanque de quintal ou viveiro reativado; e viveiros parados reativados em módulo associativo 0 família no programa; 0 ha 20 famílias (piloto); 0 ha 100 famílias; 8 ha (1 módulo) 300 famílias; 40 ha (1 módulo por regional)

Fontes das linhas de base: P8 §2, §7.2 e §9; P6 §3.1, §3.2 e §4.1; P4 §1. A linha de base da meta 4 vem do resultado do item 44 do Credenciamento SEE 12/2025 no PNCP, conferido em 03/10/2026 FV. A linha de base da meta 6 vem do relato do projeto FV (relato do projeto); as metas 6 e 11 são detalhadas nos capítulos 17 e 18.

De onde vem cada número

Cada meta tem uma origem declarada na pesquisa ou uma conta simples sobre ela. Onde a linha de base é NE, a Fase 0 mede e o grupo gestor recalibra.

  1. RGP e REAP. O defeso já alcança 70% do Boletim RGP (10.638 de 15.304). A meta do ano 1 leva essa cobertura ao painel inteiro, cerca de 15,2 mil pessoas. Os 10% que sobram no ano 5 toleram cadastros que a revisão do RGP ainda vai cancelar: já houve 394 cancelamentos e 407 suspensões (P8 §2 e §3) FV. A meta é regularidade, não cadastro novo.
  2. CAF e nota. Quinhentos emitentes é o indicador de saída do primeiro estágio da cadeia (P6 §7.1) INF. Os números de 1.500 e 4.000 saem da meta 3: volume vezes preço, dividido pela renda-alvo. A meta depende de um ato da Sefaz-AC que inscreva o pescador com RGP.
  3. Toneladas formais. Trezentas toneladas com nota é a saída do segundo estágio, e 1.000 t é a meta de chegada do terceiro (P6 §7.2 e §7.3) INF. A pesquisa situa as 1.000 t entre o mês 36 e o 72; o plano fixa o ano 5. O ano 1 vale um terço do ano 3 e é o número mais provisório da tabela.
  4. PNAE. A merenda estadual já compra pescado regional processado. O Credenciamento SEE 12/2025, para 2026, homologou em 07/04/2026 o item "pescado regional sem espinha congelado" a duas cooperativas acreanas: 48.408 pacotes de 800 g, R$ 2,99 mi (PNCP) FV. O pescador artesanal está fora dessa venda, porque não há cooperativa só de pescadores INF. Chamada de pescado in natura e chamadas municipais não foram localizadas NE. Por isso a meta não conta compra de pescado, que já existe: conta contratos em que cooperativa de pescadores artesanais fornece. Um contrato é o marco de saída da Fase 1. Cinco contratos no ano 3 seguem a regra de um por polo (P4 §5) INF. Dez no ano 5 acompanham os dez municípios com SIM, porque para a merenda municipal o SIM basta. O contrato estadual exige SIE. O mesmo credenciamento estimou R$ 13,49 mi em agricultura familiar, só para sete municípios do Baixo Acre, e homologou R$ 26,37 mi (PNCP) FV.
  5. Crédito. O microcrédito já chegou: o Pronaf Grupo B contratou 3.007 operações de pesca no Acre em 2025, R$ 35,4 milhões, contra 7 em 2024, e caiu em 2026 no mesmo período das suspensões de RGP (P2 §1) FV. O que falta é o degrau seguinte. Acima de R$ 15 mil houve 33 operações do Mais Alimentos em 2025, e nenhuma a cooperativa ou agroindústria de pescado. Por isso a meta mede o crédito de investimento. A régua é uma operação para cada quatro ou cinco emitentes de nota INF. O microcrédito é acompanhado no painel por dois números: operações por ano e adimplência dos contratos de 2025–26.
  6. Frio a Bordo. A perda acontece dentro do barco, entre a captura e o desembarque, e por isso a meta conta unidades a bordo, não fábricas de gelo (FB §2). Quinze unidades são três pilotos de cinco embarcações, cada um com estação solar em terra: Juruá, Purus/Envira e vale do Acre. Sessenta no ano 3 são mais 45 unidades e estação nas cinco regionais. Cem unidades e dez estações são a rede do ano 5 INF. A embarcação equipada custa de R$ 40 mil a R$ 64 mil, e o piloto de cinco, de R$ 200 mil a R$ 320 mil, estimativas do estudo INF (FB §10). Só conta a unidade com registro mensal de quilos conservados publicado. Nenhuma unidade é entregue em 2026. As cinco fábricas de gelo citadas seguem sem operação comprovada (P6 §4.1) e ficam na Fase 0 como diagnóstico do frio existente. O detalhe está no capítulo 17.
  7. SIM. Dois pilotos, em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Cinco no ano 3 são as prioridades 1 e 2 da pesquisa: somam Brasiléia, Sena Madureira e Feijó. Dez no ano 5 incluem a prioridade 3 (P6 §3.2) INF. Cada SIM custa de R$ 130 mil a R$ 200 mil por ano, ou de R$ 60 mil a R$ 90 mil em consórcio.
  8. Cooperativas. Uma nasce na Fase 0. Três são as donas dos três entrepostos regionais. Cinco, uma por regional, com pelo menos 60% dos cooperados com CAF (P6 §7.2) INF.
  9. Pirarucu. Feijó é a primeira área porque já faz despesca anual. Trezentos pirarucus por safra é a meta de ano 3 dos casos brasileiros (P4 §5) INF. Feijó pescou 99 peixes em cinco safras, de 2012 a 2016 (P4 §1) FV. Sem estoque de 1.000 adultos somados não há cota de 300, e por isso o ano 5 não tem número antes da contagem.
  10. Renda. Trezentas toneladas a R$ 14 por kg, divididas por 1.500 famílias, dão R$ 2.800; o plano adota R$ 2.500. Mil toneladas a R$ 15 por kg, divididas por 4.000 famílias, dão R$ 3.750; o plano adota R$ 3.500, acima dos R$ 3.207 do defeso. Os preços são os de saída dos estágios 2 e 3 (P6 §7.2 e §7.3) INF. Para comparação, uma comunidade de Carauari, no Amazonas, fez cerca de R$ 6 mil por família em uma safra de pirarucu (P4 §1) FV.
  11. Piscicultura em tanques. O Acre não precisa de mais tanque: tem 6.465 ha de lâmina d'água, 22,9% parada, e produtividade real de 0,46 t por hectare por ano (PT §0) FV. O gargalo é ração, frio, abate legal e lei estadual, e por isso a meta conta famílias que vendem com nota, não toneladas. Vinte famílias são o piloto de 2027, com tanque de quintal acoplado a uma estação do Frio a Bordo. Cem no ano 3 é o teto da expansão de 50 a 100 famílias. Trezentas no ano 5 são os polos por regional. Os 8 ha são o primeiro módulo associativo com câmara fria e inspeção; os 40 ha são um módulo por regional INF. A conta só fecha com preço: o custo é de R$ 11 a R$ 13,5 por kg, e a R$ 12 ninguém ganha (PT §4) INF. A meta vale sob três condições: frio antes do peixe, ração contratada antes do alevino e resposta sobre o seguro-defeso antes de incluir pescador com RGP ativo. O detalhe está no capítulo 18. Os projetos que entregam a meta, com a conta aberta, estão no capítulo 19. Os 40 ha de 2031 produzem de 189 a 287 t por ano, de 1,7 a 2,6 vezes o contrato da merenda estadual de 2026; a meta depende de as prefeituras também comprarem INF (projeto 13).

A conta fecha

As metas são coerentes entre si: mercado, renda e custo fecham na mesma aritmética INF. A conta do frio fica aberta até o piloto, e o plano diz isso na tabela.

Verificação Conta Resultado
O mercado absorve? 1.000 t sobre um déficit de 12–18 mil t por ano De 5% a 8% do déficit; o mercado não limita (P6 §1.1)
Há frio para isso? A capacidade por unidade do Frio a Bordo, em quilos conservados por mês, ainda não foi medida NE Sem conta por enquanto. É a primeira medição do piloto de 2027; a rede de 60 e de 100 unidades é conferida com esse número (capítulo 17)
A renda supera o benefício? 1.000 t a R$ 15 por kg são R$ 15 mi por ano, para 4.000 famílias R$ 3.750 por família, contra R$ 3.207 do defeso
Quanto pesa na tese? R$ 15 mi de venda formal sobre R$ 34,1 mi de defeso R$ 0,44 de atividade para cada R$ 1 de benefício; hoje é próximo de zero NE
Quanto custa a cadeia? Três estágios (R$ 1,5–3,0 mi, R$ 6–12 mi e R$ 20–40 mi) mais o acréscimo da Fase 3 (R$ 2–4 mi) R$ 30–59 mi em cinco a seis anos, sem contar crédito e fundo de aval: entre 0,9 e 1,7 ciclo de defeso (P6 §7 · capítulo 13)

A última linha é a mais importante. Toda a estrutura de frio, inspeção e venda custa, em cinco a seis anos, o equivalente a um ou dois ciclos de seguro-defeso. O orçamento detalhado está no capítulo 13.

O que as metas não prometem

O plano não promete mais pescadores registrados, mais captura, mais toneladas de cultivo nem o fim do benefício.

As metas 1, 2, 3, 8 e 10 têm linha de base NE e são provisórias. O grupo gestor as recalibra uma única vez, ao fim da Fase 0, em ata pública. A meta 6 tem regra própria: os números de 2029 e 2031 são conferidos com a medição do piloto de 2027, porque o desempenho da unidade ainda é NE.

O que este capítulo decide

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04 · O ecossistema necessário

A renda de atividade só aparece quando nove camadas funcionam ao mesmo tempo, e nenhuma das nove está completa no Acre em 02/10/2026. O estado tem o público: 21.777 pescadores com RGP ativo, 55,1% no Juruá FV (P8 §1). Tem o mercado: déficit de 12 a 18 mil t de pescado por ano INF (P6 §1.1). Falta o que liga um ao outro: documento, organização, frio, inspeção, nota e contrato.

A tese do plano depende dessa ligação. A pesca no Acre hoje é renda de benefício: o seguro-defeso pagou R$ 34,1 mi a 10.638 pessoas no ciclo 2025/26 FV (com ressalva) (P8 §1). Para virar renda de atividade, a SFPA/AC articula, as entidades operam e o pescador é o titular da renda.

As nove camadas em uma tabela

Cada camada tem um dono, uma primeira ação e um custo de ordem conhecida. Nenhuma primeira ação pede ativo novo antes de medir o que já existe.

Camada Hoje (02/10/2026) Alvo Primeira ação Custo indicativo Dono
1. Pescador regularizado 21.777 com RGP ativo; 10.638 receberam o defeso (49% do painel); regra da nota do pescador na Sefaz-AC NE RGP com REAP em dia, CAF e nota fiscal em 6 de 12 meses Mutirão documental por entidade; ofício à Sefaz-AC CAF gratuito; ato da Sefaz: zero; custo de campo NE Colônias e sindicato (fila); SFPA/AC (análise)
2. Organização 17 entidades identificadas, 9 com CNPJ e dirigente confirmados; zero sindicato de pesca no CNES; nenhuma cooperativa só de pescadores Uma cooperativa com CAF jurídica por regional, ao lado da entidade representativa Assembleia de constituição com 20 pescadores de RGP ativo R$ 30–60 mil por cooperativa INF Pescadores, com Sescoop e Sebrae
3. Produção Captura sem estatística NE; pirarucu manejado 2,5–7 t/ano; piscicultura 2.294 t (2024), 0,46 t/ha, com 22,9% da lâmina d'água parada 1.000 t/ano no mercado formal; acordos de pesca homologados; 300 famílias com peixe de cultivo vendido com nota (2031) Ofícios ao IBAMA/AC e ao IMAC; licença de aquicultura antes de nov/2026; consulta ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e aquicultura Acordo de pesca: baixo; ração-alvo R$ 3,80–4,20/kg INF; piloto de 20 tanques de quintal: R$ 150–200 mil INF Entidades de manejo; IBAMA, IMAC e Seagri
4. Frio e logística Zero fábrica de gelo com operação comprovada (5 anunciadas); Frio a Bordo demonstrado em 7 municípios, zero unidade em operação contínua; nenhum caminhão refrigerado identificado 15 unidades Frio a Bordo em 3 estações-piloto, com uso medido (2027); 100 unidades e 10 estações (2031) Diagnóstico do frio existente, com vistoria das 5 fábricas anunciadas; escolha das 3 entidades-piloto Embarcação equipada: R$ 40–64 mil; piloto de 5 embarcações com estação: R$ 200–320 mil INF Poder público (dono); entidade (opera por cessão de uso, com comitê e rateio de manutenção)
5. Beneficiamento e sanidade Zero SIF de pescado; 1 SIE; SIM de pescado NE nos 22 municípios 2 SIMs piloto; depois 3 entrepostos com SIM e SIE Ofício ao IDAF e às 22 câmaras; lei de SIM em Rio Branco e Cruzeiro do Sul SIM: R$ 130–200 mil/ano (R$ 60–90 mil em consórcio); entreposto: R$ 0,6–1,2 mi INF Prefeitura ou consórcio (SIM); cooperativa (entreposto)
6. Mercado Feira do Peixe (160,5 t em 3 dias em Rio Branco, 2026); merenda estadual já compra pescado regional processado de duas cooperativas (R$ 2,99 mi homologados em 2026), sem pescador artesanal na venda; PAA sem registro Contrato anual de merenda com cooperativa de pescadores artesanais; 300 t/ano com nota ao poder público Chamada pública específica de pescado; feira semanal do pescador Compra: zero; ponto de feira: R$ 20–40 mil INF SEE e prefeituras (compram); cooperativa (vende)
7. Finanças Microcrédito chegou em 2025 (3.007 operações do Pronaf B em pesca, R$ 35,4 mi) e secou em 2026; investimento acima de R$ 15 mil quase não existe; nenhum fundo de pesca; entidade nova espera 3 anos para captar Pronaf com CAF; cooperativa com crédito; fundo estadual em lei Credenciar entidades como emissoras de CAF CAF gratuito; fundo: valor a definir em lei NE Entidades (CAF); bancos; ALEAC (fundo)
8. Conhecimento ANATER sem chamada de pesca; nenhum boletim de preços; curso técnico do IFAC em Cruzeiro do Sul ATER de pesca por regional; preço e desembarque medidos Série semanal de preços em 3 praças Cerca de R$ 3 mil/mês INF IFAC, UFAC, Embrapa; Sebrae; entidades
9. Governança Sem lei, conselho, fundo ou coordenação estadual de pesca Pacto em 2026; consórcio em 2027; lei com conselho e fundo Ofício do superintendente convocando a 1ª reunião Zero (ACT sem transferência de recursos) SFPA/AC

Fontes da tabela: P8 §1 e §8; P6 §0, §3, §4 e §7; P7 §0, §2 e §6; FB §2 e §10; PT §0 e §4. A compra de pescado regional pela merenda estadual vem do resultado do item 44 do Credenciamento SEE 12/2025 no PNCP, conferido em 03/10/2026 FV.

A regra de sequência

Não se constrói camada de cima sem a de baixo: todo ativo que o Acre perdeu foi erguido sobre uma camada que não existia. As fábricas de gelo foram anunciadas sem operador, e o frigorífico da Peixes da Amazônia foi dimensionado antes da base produtiva (P4 §4).

O que se quer O que precisa existir antes Por quê Fonte
Entreposto Gelo de água potável e câmara fria próprios É exigência física mínima do SIM e do SIE P6 §3.3
Entreposto que receba peixe em bom estado Frio a bordo Entreposto sem frio a bordo: o peixe chega degradado. A perda acontece no barco, antes de qualquer estrutura em terra FB §2
Tanque de piscicultura povoado Frio instalado ou com cronograma firme; ração contratada por 12 meses; resposta sobre o seguro-defeso Frio antes do peixe, ração antes do alevino; a renda de cultivo pode tirar o seguro do pescador com RGP ativo capítulo 18
Venda à merenda (PNAE) Nota fiscal, oferta regular e inspeção A Lei 11.947/2009, art. 14, §2º, dispensa a compra se faltar um dos três P6 §3.4
Crédito do Pronaf RGP ativo e CAF O RGP artesanal é a chave do CAF P7 §4.2
Seguro-defeso REAP do ano anterior e nota em 6 de 12 meses Lei 15.265/2025 P7 §4.3
Nota fiscal Inscrição estadual de produtor O aplicativo Nota Fiscal Fácil exige inscrição na Sefaz-AC P6 §3.4
Manejo de pirarucu Acordo de pesca homologado, TI ou UC; PJ; contagem Cota e área de manejo dependem de autorização do Ibama caso a caso; a IN IBAMA 34/2004 só fixa defeso e tamanho mínimo FV P7 §4.5
Captação por entidade privada 3 anos de CNPJ ativo Lei 13.019/2014 P7 §0
Venda segura de tambaqui Licença de aquicultura A exceção da lista de ameaçadas vale só para cultivo licenciado P6 §3.5
Qualquer equipamento Comprador contratado, operador e meta publicada Sem isso, o ativo vira anúncio P6 §7.5

A consequência é a ordem de entrada INF. Primeiro documento, organização e governança (camadas 1, 2 e 9). Depois produção ordenada e frio (3 e 4). Em seguida inspeção e mercado (5 e 6). Finanças e conhecimento (7 e 8) acompanham todas as fases.

Camada por camada

1. Pescador regularizado

O documento é o primeiro gargalo: metade do público não atravessa o funil documental do próprio benefício.

2. Organização

A entidade representativa existe; a entidade econômica não.

3. Produção

O Acre produz menos de 4 mil t por ano e não mede a captura; a produção cresce por ordenamento e insumo, não por tanque novo.

A piscicultura em tanques tem trilha própria desde a Fase 0, com piloto em 2027 INF. A tese do estudo é direta: o Acre não precisa de mais tanque. Tem 6.465 ha de lâmina d'água, 22,9% parada, e a produção caiu de 6.072 t em 2015 para 2.294 t em 2024 (PT §0) FV. O gargalo é ração, frio, abate legal e lei estadual. A conta só fecha com preço: o custo é de R$ 11 a R$ 13,5 por kg; a R$ 12 ninguém ganha, a R$ 15 todos ganham (PT §4) INF.

Fase O que a trilha faz Escala e custo
Fase 0 (out–dez/2026) Consulta formal ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e aquicultura; levantamento de 20 famílias para o piloto, sem RGP ativo, ou cônjuge e filho, até a resposta; cotação coletiva de ração; minuta da Política Estadual de Aquicultura Familiar Nada é entregue em 2026
Fase 1 (2027) Piloto de 20 tanques de quintal: tanque suspenso de lona de 10 a 20 m³, bomba solar e biofiltro, com tambaqui, curimatã e piau, acoplado a uma estação do Frio a Bordo; contrato coletivo de ração por 12 meses; licença ou dispensa no IMAC e cadastro no Idaf; projeto de lei da política estadual protocolado R$ 7–9 mil de estrutura por família; R$ 150–200 mil no total, com recurso privado, edital ou Pronaf B
Fase 2 (2028–2029) Expansão; reativação de viveiros escavados parados para famílias com terra, com calcário, oxímetro, ração e assistência, sem escavar; primeiro módulo associativo com câmara fria e inspeção; pescado de cultivo na chamada do PNAE 50 a 100 famílias; módulo de 8 ha
Fase 3 (2029–2031) Polos de piscicultura familiar por regional, sempre com frio, ração coletiva e técnico 1 técnico para 30 famílias; 300 famílias e 40 ha reativados em 2031
Fase 4 (ano 5+) Alevinagem com origem no Acre; ração por contrato com a capacidade que já existe, sem fábrica nova (capítulo 19) A definir com comprador e operador

Três condições valem para toda a trilha INF.

  1. Frio antes do peixe. Estação do Frio a Bordo instalada ou com cronograma firme.
  2. Ração contratada antes do alevino. Contrato coletivo de 12 meses, a até R$ 5,50 por kg posto no polo.
  3. Resposta sobre o seguro-defeso antes de incluir pescador com RGP ativo. A renda de piscicultura pode tirar o seguro.

O modelo de dois tanques de quintal de 15 m³ rende cerca de R$ 171 por mês a R$ 15 por kg; o tanque único do piloto dá de R$ 35 a 75 por mês em caixa, sem repor o equipamento INF (projeto 01). É segurança alimentar e renda complementar, não emprego INF. A trilha não inclui tanque-rede em rio, tilápia, pirarucu como vitrine nem meta em toneladas de cultivo. O detalhe está no capítulo 18.

4. Frio e logística

A perda acontece dentro do barco, e não há frio medido em nenhum ponto da cadeia. Por isso a camada de frio do plano é o Frio a Bordo, e não a fábrica de gelo (capítulo 17).

O Frio a Bordo não substitui a câmara fria e a máquina de gelo próprias do entreposto, que entram na Fase 2 (camada 5), nem o caminhão refrigerado.

5. Beneficiamento e sanidade

O Acre está no pior quadrante sanitário da Amazônia, e a escada começa pelo SIM.

6. Mercado

O mercado existe e já compra peixe, inclusive pescado regional na merenda estadual; só não compra do pescador artesanal acreano.

7. Finanças

O dinheiro não chega porque faltam o documento do pescador e a pessoa jurídica que o recebe.

8. Conhecimento

O Acre não mede o que pesca nem o que paga pelo peixe, e a assistência técnica de pesca não tem chamada aberta.

9. Governança

O Acre é o único estado da amostra sem lei, órgão, conselho, fundo e programa de pesca FV (P7 §3).

Os três estágios da cadeia, traduzidos para as fases do plano

A pesquisa organiza a cadeia em três estágios, e eles se encaixam nas fases do plano INF (P6 §7).

Estágio da pesquisa Fase do plano Entregas Custo estimado Indicador de saída
Antes do estágio 1: medir Fase 0 Preparar (0–90 dias) Diagnóstico do frio existente, com vistoria das 5 fábricas de gelo anunciadas; escolha das 3 entidades-piloto do Frio a Bordo; consulta ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e aquicultura; ofícios à Sefaz, ao IDAF, ao IBAMA e às câmaras; pacto constituído; nenhum bem distribuído Custo de campo NE Respostas dos ofícios; diagnóstico do frio existente publicado
1. Sobrevivência (0–12 meses) Fase 1 Regularizar e organizar (ano 1) Frio a Bordo em piloto com uso medido: 3 estações-piloto e 15 unidades; piloto de 20 tanques de quintal; nota do pescador; mutirão; licença de aquicultura; 2 SIMs piloto; feira semanal; série de preços R$ 1,5–3,0 mi, dos quais R$ 0,6–1,0 mi nos 3 pilotos do Frio a Bordo 15 unidades Frio a Bordo em 3 estações-piloto, com uso medido; 500 pescadores emitindo nota; 2 SIMs com estabelecimento de pescado
2. Organização (12–36 meses) Fase 2 Produzir e conservar (anos 2–3) 3 entrepostos regionais, com câmara e máquina de gelo próprias; mais 45 unidades Frio a Bordo, com estação nas 5 regionais; cooperativa por regional (3 até 2029, 5 até 2031); contrato de merenda com filé, com cooperativa de pescadores artesanais como fornecedora; compra coletiva de ração; piscicultura em 50 a 100 famílias e primeiro módulo associativo de 8 ha; couro de pirarucu; 5 SIMs em consórcio R$ 6–12 mi, dos quais R$ 1,8–2,9 mi no Frio a Bordo 3 entrepostos com SIE ativo; 60 unidades Frio a Bordo com uso medido; 300 t/ano com nota ao poder público; tambaqui a R$ 14/kg ou mais ao produtor, com contrato
3. Atividade plena (36–72 meses) Fase 3 Beneficiar e vender (anos 3–5) e Fase 4 Atividade plena (ano 5+) Unidade com SIF ou contrato com indústria privada; alevinagem; ração com contrato; mais 40 unidades Frio a Bordo, até 100 unidades e 10 estações; polos de piscicultura familiar por regional; lei com fundo; selo de origem R$ 20–40 mi, mais R$ 2–4 mi de acréscimo da Fase 3 1.000 t/ano no mercado formal (cerca de R$ 15 mi/ano a R$ 15/kg; a pesquisa estima R$ 12 mi); pescado acreano em parte das 1.800 t/ano que a merenda hoje compra de fora; R$ 15/kg ou mais ao produtor

O entreposto e a entrada das cooperativas de pescadores na merenda estadual ficam na Fase 2; a Fase 3 amplia mercado, selo de origem e compra federal INF. Todos os valores são estimativas para o estado inteiro (P6 §7.1 a §7.3). Os valores do Frio a Bordo são do estudo do projeto (FB §10) INF. Somados os estágios e o acréscimo da Fase 3, o plano custa R$ 30–59 mi em cinco a seis anos, sem contar crédito e fundo de aval (capítulo 13).

Três regras de gestão acompanham os estágios: meta publicada para todo equipamento, comprador antes do equipamento e pescador como fornecedor, nunca sócio de indústria INF (P6 §7.5). Elas estão detalhadas no capítulo de riscos.

O que este capítulo decide

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05 · Programas e instrumentos federais a acionar

O MPA é pequeno e executa pouco; o dinheiro grande para o Acre está no FNO, no Pronaf e no PNAE. Os três exigem o mesmo trio documental: RGP ativo, CAF e nota fiscal. Organizar esse trio é competência expressa da SFPA/AC FV (Decreto 11.624/2023, art. 25, VIII; P1 §4.1).

Três números sustentam a frase, todos com data-base 02/10/2026:

O próprio Acre já mostrou o mecanismo. O Pronaf B financiou 3.007 operações de pesca no estado em 2025, com R$ 35,4 mi, e caiu a 10 operações em julho de 2026, depois da suspensão de RGP por falta de REAP FV (P2 §1). A relação de causa é INF.

A consequência para o plano é direta INF. A passagem da renda de benefício para a renda de atividade começa por documento. Sem RGP ativo não há Selo, crédito nem venda para a merenda. O plano trata documento como infraestrutura e põe a SFPA/AC como balcão único de documento e projeto.

Um aviso de método vale para o capítulo inteiro. O gov.br está com páginas desativadas de 04/07 a 25/10/2026, por causa do período eleitoral. Valores vindos de imprensa setorial pedem conferência oficial antes de uso público (P1 §1, aviso metodológico).

Tabela-mestra dos instrumentos federais

O Acre tem acesso real a crédito e a compra pública; para frio, alevinos e ATER pesqueira não há programa federal aberto. A tabela reúne os 16 instrumentos que importam, inclusive os que não existem ou não alcançam o estado, para que o plano não conte com eles.

Programa Órgão O que entrega Requisito Valor 2026 Como o Acre acessa Fonte
FNO 2026 (Pronaf, Amazônia Rural, Rural Verde, MPO) MIDR, Sudam, Banco da Amazônia Crédito rural, inclusive "pesca (captura e transformação de pescado)"; microcrédito até R$ 15 mil por operação RGP + Permissão Prévia de Pesca; CAF no Pronaf e no MPO Acre: R$ 1,085 bi (em R$ mi: Pronaf 239,6; Amazônia Rural 633,55; MPO 54,25) FV Agências do Banco da Amazônia; FNO Itinerante P1 §2.3
Pronaf Azul (Plano Safra 2026/27) MDA e MPA; bancos Pronaf B até R$ 12 mil a 0,5% a.a.; custeio até R$ 250 mil e investimento de até R$ 250 mil na pesca e R$ 450 mil na aquicultura, a 2% a.a. RGP ativo + CAF + projeto técnico R$ 97,3 bi para a agricultura familiar (Brasil) FV Caixa e Banco da Amazônia; a entidade organiza a demanda P1 §1.1; P2 §1; Resolução CMN 5.324/2026
PNAE FNDE/MEC e Entidades Executoras Compra institucional; mínimo de 45% da agricultura familiar CAF; inspeção sanitária; teto de R$ 40 mil por CAF, por ano, por Entidade Executora Per capita 2026 NE Chamada pública das 22 prefeituras e da rede estadual P1 §2.6
PAA MDS, MDA, Conab Compra com doação simultânea CAF; organização formal; inspeção sanitária Limites 2026 NE Conab no Acre; PAA municipal P1 §1.11
Selo da Pesca Artesanal do Brasil MDA e MPA Certificação de origem para PAA, PNAE e mercado privado CAF + RGP ativo ou deferido + produto regularizado Sem custo Plataforma Vitrine do MDA, com conta gov.br P1 §1.9
Nota fiscal do pescado (rastreabilidade) MPA e MAPA Nota fiscal como prova de origem do pescado Emissão de nota pelo pescador ou aquicultor Sem valor Sefaz/AC, nota de produtor P1 §1.9
Emendas nas ações 20Y0, 20Y1, 20Y2 e 21GE MPA, via Transferegov Equipamento de uso coletivo, beneficiamento, ATER, registro Proponente habilitado: ente público ou OSC com 3 anos de CNPJ 20Y1: R$ 25,57 mi; 20Y0: R$ 30,53 mi (Brasil) FV Seagri, prefeituras, colônias P1 §3
Fundo Amazônia, chamada BNDES/Conab BNDES e Conab Recurso não reembolsável para logística, beneficiamento, armazenagem e mercado Organizações da agricultura familiar e de povos tradicionais, incluídos pescadores artesanais R$ 80 mi (2026) FV Encerrada em 03/05/2026 (data de fonte secundária); resultado por estado NE P1 §2.7; P3 §0
PSA Pirarucu MMA e Conab Pagamento por serviço ambiental a quem maneja pirarucu Manejo autorizado pelo Ibama; só Amazonas em 2026 R$ 7 mi (2026) FV Não alcança o Acre; cabe pleito de extensão P3 §0
FDA 2026 Sudam (Caixa, Banco do Brasil, Banco da Amazônia) Financiamento de até 50% do projeto, com prazo de até 12 anos Empresa privada; 20% de recursos próprios R$ 1,27 bi (Amazônia Legal) FV Frigorífico ou entreposto privado, ou cooperativa de porte INF P1 §2.2
ATER pesqueira (ATEPA) ANATER/MDA Contratação de entidades de ATER por chamada pública Entidade credenciada na ANATER Editais 005 e 006/2026, sem lote para o Norte Chamada para o Acre NE P1 §1.3
Embrapa Pesca e Aquicultura Embrapa (Palmas/TO) Tecnologia para tambaqui e pirarucu; projeto PeixeMais Amazônia Parceria institucional Sem valor Demanda da SFPA/AC com a Embrapa Acre; hoje sem projeto no estado P1 §2.8
Sebrae/AC Sebrae Capacitação e ponte com o crédito público Não há requisito formal 258 produtores atendidos por mês FV Atendimento direto P1 §2.9
Kits de beneficiamento, gelo, câmara fria, caminhão frigorífico MPA Nada: não há programa vigente Não se aplica Último edital nacional: 2010 Só por emenda (20Y1, 21GE), para uso coletivo. No plano, o objeto de frio é o Frio a Bordo INF P1 §1.4
Distribuição de alevinos Codevasf Alevinos de espécies nativas Estar na área de atuação da Codevasf Não se aplica Acre fora; nenhum projeto de lei o inclui P1 §2.1
Seguro-defeso (referência) MTE/Codefat 1 salário mínimo por mês no defeso RGP há 1 ano + REAP + CadÚnico + biometria Teto 2026: R$ 7,9 bi (Brasil) Aplicativo CTPS Digital P1, tabela-mestra

O requisito se repete em quase todas as linhas. RGP ativo depende de REAP entregue. O CAF substituiu a DAP e abre Pronaf, PAA, PNAE e Selo. A nota fiscal prova origem e venda (P1 §1.9 e §2.4).

Quatro divergências entre fontes ficam registradas. A primeira foi resolvida na norma em 03/10/2026; as outras três pedem conferência depois de 25/10/2026 (P1 §1.1 e §2.3):

O que o MPA tem e não tem

O MPA tem cerca de R$ 105 mi por ano de programa finalístico para o Brasil inteiro e executou 13% disso até 02/10/2026 FV (P1 §3.1). O gargalo é a capacidade de executar convênios, não a falta de dotação nominal INF.

Objeto 2025 2026 (até 02/10)
Órgão 58000 (MPA), dotação atualizada R$ 250 mi (LOA) R$ 300,75 mi; empenhados R$ 200,09 mi; pagos R$ 115,16 mi
Programa 5801, Pesca e Aquicultura Sustentáveis R$ 106,64 mi; executados 36,5% R$ 105,34 mi; executados R$ 13,66 mi (13,0%)
Ação 20Y0, Desenvolvimento da Aquicultura R$ 24,43 mi; executados 17,4% R$ 30,53 mi; executados R$ 1,58 mi (5,2%)
Ação 20Y1, Pesca Artesanal R$ 30,76 mi; executados 40,6% R$ 25,57 mi; executados R$ 3,17 mi (12,4%)
Ações 20Y2 e 21GE Não obtido NE Não obtido NE

Fonte: Portal da Transparência, consulta de 02/10/2026 (P1 §3.1).

A dotação da pesca artesanal caiu 16,9% de 2025 para 2026, enquanto a da aquicultura subiu 25% FV. A ação 20Y1 inteira vale menos que uma fatia do FNO só para o Acre. A rubrica "Agropecuária, Pesca e Aquicultura" do estado tem R$ 357,46 mi em 2026 FV (P1 §2.3 e §3.1).

O que o MPA tem

Os editais de 2026 são vitrine, não escala INF. Somados, valem R$ 9,34 mi para o país.

O que o MPA não tem

  1. Programa de fábrica de gelo, câmara fria, caminhão frigorífico ou kit de beneficiamento. O último edital nacional com esses objetos é de 11/05/2010, com cerca de R$ 30 mi. Em 2026 eles entram só por emenda, nas ações 20Y1 e 21GE, e para uso coletivo FV (P1 §1.4). O plano não pede fábrica de gelo. O frio do plano é o Frio a Bordo, que entra por três portas INF: emenda a ente público, nas ações de fomento à pesca artesanal (20Y1) e de infraestrutura (21GE); lei estadual; e crédito para energia solar (capítulos 06 e 17).
  2. Programa de alevinos. A distribuição federal de alevinos nativos é da Codevasf, que só atua na área definida pela Lei 14.053/2020. Cinco projetos de lei ampliam essa área e nenhum inclui o Acre FV. Incluir o estado exige lei federal e é pauta de bancada, de prazo longo INF (P1 §1.5 e §2.1).
  3. Chamada de ATER pesqueira para o Norte. A ANATER abriu em 2026 edital para o bioma Pampa. Chamada para o Acre, da ANATER ou do MPA, NE (P1 §1.3).
  4. Cessão de águas da União aplicável ao Acre. O instrumento pressupõe reservatório de lâmina estável. Parque aquícola ou contrato no Acre NE; a aplicabilidade é baixa INF (P1 §1.2).
  5. Pronaf com encargos da reforma agrária. A Lei 15.399/2026, art. 6º, manda equiparar os encargos do pescador artesanal aos da reforma agrária. O Pronaf Azul anunciado não traz a equiparação INF (P1 §1.1).

O efeito sobre o plano é claro INF. Os eixos de alevinos, tanques e beneficiamento do plano de trabalho do superintendente da SFPA/AC não têm fonte federal nomeada. Dependem de emenda ou do FNO (P1, sumário, item 5).

Os mercados institucionais

O mercado institucional é maior que qualquer edital do MPA, e o que limita o Acre é inspeção sanitária e frio, não a regra de compra INF (P1 §2.6).

Instrumento Regra que importa Requisito do pescador Lacuna em 02/10/2026
PNAE (Resolução CD/FNDE 4, de 26/02/2026) Mínimo de 45% do recurso federal em compra direta da agricultura familiar (art. 29); teto de R$ 40 mil por CAF, por ano, por Entidade Executora (art. 38); 50% das compras de cada unidade familiar em nome de mulher CAF; nota fiscal com CPF; produto inspecionado "Pescado", "pesca" e "ribeirinho" não aparecem no texto FV; Resolução FNDE 11/2026 não lida NE
PAA Operado pela Conab; há acordo de cooperação entre MPA, MDS, MDA e Conab para ampliar a compra de pescado artesanal CAF; organização formal; produto inspecionado Limites 2026 por fornecedor NE
Selo da Pesca Artesanal Certifica a origem e é a credencial para PAA, PNAE e mercado privado CAF + RGP ativo ou deferido + produto regularizado Pedido só pela Vitrine do MDA
Nota fiscal do pescado A nota passa a ser o documento de origem aceito por estabelecimento inspecionado Emitir nota; há dispensa para o transporte pré-comercial artesanal Rotina de emissão na Sefaz/AC a organizar INF

Fonte: P1 §1.9, §1.11 e §2.6.

A conta para o Acre mostra o tamanho do mercado INF. O estado tem 23 Entidades Executoras. Uma cooperativa vende até o número de cooperados com CAF multiplicado por R$ 40 mil. Com 50 cooperados, o teto é de R$ 2 mi por ano para uma única Entidade Executora (P1 §2.6).

O pescador artesanal entra no PNAE como agricultor familiar com CAF, sem prioridade nomeada FV. O acordo entre MPA, MEC e FNDE para pôr pescado artesanal na merenda está em fase de diagnóstico e não tem meta de compra FV (P1 §2.6).

O PAA já fez contrato de porte com a pesca artesanal. Em 2026 a Conab assinou R$ 1,9 mi com pescadores do Vale do Ribeira (SP), o maior contrato da estatal com o segmento FV (P1 §1.11).

A inspeção sanitária não é do MPA. SIM, SIE, SISBI e Selo ARTE são competência do MAPA, do Estado e do município FV (P1 §1.12 e §4.3).

Outros órgãos

Fora do MPA, seis órgãos têm instrumento que serve à pesca do Acre, e só o Banco da Amazônia tem dinheiro já reservado ao estado FV (P1 §2).

Órgão Instrumento O que serve ao Acre Limite
MIDR e Banco da Amazônia FNO 2026 R$ 1,085 bi reservados ao estado. O FNO Rural Verde atende pescadores artesanais não alcançados pelo Pronaf. O FNO Itinerante leva crédito a município sem agência Exige RGP e Permissão Prévia de Pesca. Acima de R$ 15 mil quase não há operação de pesca no Acre (P2 §1). Detalhe no capítulo de crédito
Sudam FDA 2026 "Pesca, aquicultura e indústria de beneficiamento de pescado" é setor prioritário. O fundo cobre até 50% do projeto. A Faixa de Fronteira tem prioridade Só empresa privada, com 20% de recursos próprios e rito de análise longo. Serve a frigorífico, não ao pescador INF
Sudam Carteira do PRDA Projeto da Seagri, "Recuperação da Produção Aquícola", R$ 11,37 mi, 300 beneficiários (abril/2024) Projeto de pesca artesanal do Acre na carteira NE
BNDES Fundo Amazônia Chamada BNDES/Conab de R$ 80 mi, com pescadores artesanais elegíveis. Programa de pesquisa de R$ 150 mi inclui produtos da pesca. Sebrae Coopera 2026 tem R$ 107 mi Resultado da chamada por estado NE. Tratado no capítulo de captação
Embrapa PeixeMais Amazônia; bioeconomia da pesca artesanal (TO e RR) Pedir a extensão dos dois projetos ao Acre, com a Embrapa Acre como unidade local INF Nenhum projeto no Acre. A Embrapa Acre não lista linha de pesquisa em peixes FV
MMA PSA Pirarucu Único mecanismo público que paga ao pescador por manejo. É o modelo a reivindicar Só Amazonas em 2026 (P3 §2.1)
ICMBio e Ibama Acordos de pesca em unidade de conservação federal; cota de manejo de pirarucu Base legal do manejo em área protegida Fora de unidade de conservação, o ordenamento é do MPA, pela ação 20Y2

Fonte: P1 §2.2, §2.3, §2.7, §2.8 e §1.12.

Há ainda um dado útil para dimensionar ações. Na seca de 2023, o auxílio extraordinário federal listou beneficiários do seguro-defeso por município: Cruzeiro do Sul 2.110, Sena Madureira 1.040, Feijó 261 e Manoel Urbano 151 FV (P1 §2.10).

Emenda parlamentar como instrumento

Emenda ao MPA só entrega se chegar com proponente habilitado e plano de trabalho no Transferegov no 1º trimestre do ano INF (P1 §3.1). A execução baixa do ministério mostra que emenda sem proponente pronto vira dotação não gasta.

Elemento Regra em 2026 Fonte
Ações que recebem emenda 20Y0 (aquicultura), 20Y1 (pesca artesanal), 20Y2 (ordenamento e registro) e 21GE (entreposto, frigorífico, pesca esportiva) P1 §3.3; Portaria MPA 545/2025
Objetos aceitos na pesca artesanal Unidade de apoio de uso coletivo para embarque, desembarque, beneficiamento, armazenamento e transporte; equipamentos e insumos para organizações; governança territorial; comercialização, PAA e PNAE P1 §3.3
Modalidade 1 Convênio ou contrato de repasse pelo Transferegov, com ente público ou OSC habilitada P1 §3.3
Modalidade 2 Transferência especial, só para ente federativo (CF, art. 166-A), com mínimo de 70% em despesa de capital (LC 210/2024) P1 §3.3
Proponente Ente público, ou OSC com 3 anos de CNPJ ativo P1, tabela-mestra
Critério de prioridade Vínculo com o Programa Povos da Pesca Artesanal; capacitação com foco em mulheres e juventude P1 §1.6 e §1.7

O volume de emendas existe; falta pesca dentro dele. O Acre tem R$ 378,3 mi em emendas registradas para 2026, em todas as áreas FV. O valor que chegou à pesca do estado em 2025 e 2026 é NE, porque a consulta por órgão e estado estava bloqueada (P1 §3.2).

O exemplo do Amazonas mostra o que destrava FV. Uma emenda de deputado federal do Amazonas virou convênio de R$ 2 mi entre o MPA e o governo estadual, assinado em 24/06/2026. A convenente foi a secretaria estadual de pesca (Sepa/AM). O objeto foram 37 lanchas com motor de 25 HP e 500 motores rabeta para pescadores do interior (P1 §3.3).

A lição é institucional INF. O Amazonas capta porque tem secretaria estadual de pesca capaz de licitar e distribuir. O Acre não tem unidade estadual de pesca com orçamento próprio. Os convenentes possíveis são três. A Seagri já é proponente no PRDA. A prefeitura de Cruzeiro do Sul tem secretaria com "Pesca" no nome. Uma colônia com 3 anos de CNPJ ativo também habilita (P1 §1.4 e §3.3).

O plano não copia o objeto amazonense em 2026. A regra de ano eleitoral veda a distribuição de bem ou benefício por agente político (Lei 9.504/97, art. 73). A emenda entra no plano para bem de uso coletivo, executada por ente público ou entidade, a partir de 2027 INF. O objeto de frio passa a ser a unidade do Frio a Bordo e a estação solar em terra. Nesse caso a emenda vai a ente público: o bem é público e segue para a entidade por cessão de uso com encargo e reversão. Nenhuma unidade é entregue em 2026.

A razão do objeto é técnica. A perda acontece dentro do barco, entre a captura e o desembarque, antes de o peixe chegar a qualquer estrutura em terra (FB §2). Um piloto de 5 embarcações com estação custa de R$ 200 mil a R$ 320 mil INF (FB §10).

O caminho da emenda tem cinco passos INF:

  1. Escolher o proponente: Seagri, prefeitura ou colônia com 3 anos de CNPJ.
  2. Habilitar o proponente no Transferegov, com orientação da SFPA/AC.
  3. Redigir objeto de uso coletivo compatível com a ação 20Y1 ou 21GE e com o Programa Povos da Pesca Artesanal: unidades do Frio a Bordo e estação, cedidas à entidade.
  4. Inserir o plano de trabalho no 1º trimestre do ano da emenda.
  5. Acompanhar o empenho, que é decisão do MPA em Brasília.

O precedente acreano

O Acre já teve acordos de pesca e manejo pagos com dinheiro federal: o projeto Pesca Sustentável aprovou 19 acordos de pesca entre 2014 e 2017 FV (P1 §2.7).

Item Dado do projeto
Fonte e executor Fundo Amazônia/BNDES; execução do WWF-Brasil
Valor e período R$ 3.205.943,00, de 17/04/2014 a 31/12/2017
Municípios Feijó, Tarauacá e Manoel Urbano
Acordos de pesca 19 aprovados coletivamente, 7 regulamentados
Manejo 10 lagos manejados com critérios de certificação
Organizações fortalecidas Colpaf, Aspakno e Askapa
Beneficiários diretos 1.627
Renda individual do pescador De R$ 650,00 para R$ 802,87, alta de 24%
Parceiros Ibama, Funai, Imac, Seaprof, PM Ambiental, UFMG, USP e Ufac
Situação Concluído

Este é o precedente mais importante encontrado INF. Acordo de pesca e manejo de pirarucu já foram feitos no Purus e no Tarauacá/Envira, com órgão estadual na mesa.

A pergunta a responder é o que sobrou desde 2017. Se os acordos ainda vigem, com homologação do Imac, o Acre tem base para pleitear o PSA Pirarucu e as chamadas do Fundo Amazônia INF. O levantamento dos 19 acordos e das 3 organizações entra na Fase 0 INF.

O que a SFPA/AC faz sozinha × o que depende de Brasília

A SFPA/AC pode, sem ato de Brasília, organizar documento, projeto e articulação; não pode empenhar, celebrar convênio, editar norma nem mudar regra de crédito FV (Decreto 11.624/2023, Anexo I, art. 25; P1 §4).

A SFPA/AC faz sozinha Depende de Brasília ou de outro órgão
Mutirão de RGP e REAP e regularização documental, inclusive itinerante, com prefeituras e entidades (art. 25, VIII) Normas de registro, REAP, licença e defeso: MPA, com MMA e Ibama
Orientar colônias e prefeituras na habilitação no Transferegov e na redação de objetos para as ações 20Y0 e 20Y1 (art. 25, III e V) Dotação e empenho de emendas; celebração de convênios e termos de fomento: MPA central e Congresso
Orientar o pedido do Selo da Pesca Artesanal e do CAF (art. 25, III) Concessão do Selo: MDA e MPA, pela Vitrine do MDA
Articular os bancos (Banco da Amazônia e Caixa: FNO Itinerante, Pronaf Azul, microcrédito) e o Sebrae (art. 25, II) Condições do Pronaf, do Plano Safra e do FNO: CMN, MDA, MIDR e Banco da Amazônia
Articular Seagri, Imac e Seaprof para acordos de pesca, inspeção estadual e municipal e Selo ARTE (art. 25, IX) Inspeção sanitária: MAPA, Estado e município. Cota de pirarucu e PSA: Ibama, ICMBio e MMA
Demandar a Embrapa para estender projetos ao Acre (art. 25, IV) Editais nacionais: MPA, pela Secretaria Nacional de Pesca Artesanal
Organizar a etapa estadual da Conferência e enviar delegados e propostas (art. 25, I) Limites do PAA e regras do PNAE: MDS, Conab e FNDE
Executar recursos já descentralizados à superintendência (art. 25, VII) Seguro-defeso e auxílios extraordinários: MTE e Codefat
Propor acordo de cooperação técnica com prefeituras, sem repasse financeiro Inclusão do Acre na área da Codevasf: Congresso, por lei

Fonte: P1 §4.2 e §4.3.

O acordo com prefeitura tem precedente no Pará FV. O MPA e a prefeitura de Bragança assinaram acordo de cooperação técnica em 20/05/2026 para regularizar pescadores e embarcações e capacitar servidores municipais. O acordo não tem recurso financeiro. O município tem 3.600 pescadores (P1 §3.3). No precedente, a assinatura foi do Ministro; a SFPA/AC propõe e opera, e a assinatura pode exigir Brasília INF.

A divisão da tabela organiza as metas do plano INF. As metas da SFPA/AC são contáveis e dependem só dela: RGP reativados, REAP entregues, entidades habilitadas no Transferegov, operações de Pronaf Azul contratadas, propostas enviadas. As metas que dependem de Brasília ficam em lista separada: emenda empenhada, convênio celebrado, edital vencido. A superintendência não tem orçamento próprio relevante; o seu valor é o de balcão único (P1 §4.3).

Agenda federal 2026-27

A data que não se repete é 11 a 13/11/2026, etapa nacional da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, em Brasília. As resoluções orientam o próximo PPA FV (com ressalva: data confirmada só em imprensa) (P1 §1.10).

Data Evento O que o Acre faz Fonte
04/07 a 25/10/2026 Páginas de notícia e de programas do gov.br desativadas Não usar número de imprensa em peça pública sem conferir P1 §1
A partir de 26/10/2026 Páginas oficiais voltam ao ar Fechar as lacunas: emendas do MPA por estado e ação, ações 20Y2 e 21GE, limites do PAA 2026, Resolução FNDE 11/2026, resultado da chamada de R$ 80 mi, delegados do Acre P1, sumário, item 12
11 a 13/11/2026 Etapa nacional da 4ª Conferência, em Brasília Delegados chegam com propostas redigidas P1 §1.10
1º trimestre de 2027 Janela útil para emenda ao MPA Proponente habilitado e plano de trabalho no Transferegov P1 §3.1
Até 30/06/2027 Vigência dos encargos do FNO (Resolução CMN 5.329/2026) e do ciclo do Plano Safra 2026/27 Contratar operações de Pronaf Azul e de microcrédito na Caixa e no Banco da Amazônia P1 §2.3
2027 e 2028 Plano Safra 2027/28 e PPA 2028-2031 Acompanhar se as resoluções da Conferência entraram no texto INF P1 §1.10

O Acre quase ficou fora da Conferência. A etapa estadual saiu em 03/07/2026, último dia do prazo FV. O número de delegados e de propostas aprovadas é NE (P1 §1.10 e §4.2).

Cinco pleitos federais saem deste capítulo e devem chegar redigidos à etapa nacional INF:

  1. Pronaf. Internalizar no Manual de Crédito Rural o art. 6º da Lei 15.399/2026, que equipara os encargos do pescador artesanal aos da reforma agrária. Destinatários: CMN e MDA.
  2. ATER. Abrir chamada da ANATER com lote de pesca continental para o Acre.
  3. PSA. Estender o pagamento por serviço ambiental à pesca manejada de rio no Acre.
  4. Embrapa. Estender ao Acre o PeixeMais Amazônia e o projeto de bioeconomia da pesca artesanal.
  5. Codevasf. Registrar a demanda de inclusão do Acre, sabendo que depende de lei e não entra no plano de curto prazo.

Fonte dos pleitos: P1, sumário, item 9, e §1.3, §2.1 e §2.8.

O que este capítulo decide

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06 · Crédito e financiamento reembolsável

O microcrédito já chegou ao pescador acreano: o Pronaf Grupo B contratou 3.007 operações de pesca no Acre em 2025, R$ 35,4 milhões, contra 7 em 2024 FV (SICOR/BCB; P2 §1). O fluxo secou em 2026, quando o RGP foi suspenso. O que não existe é crédito de investimento acima de R$ 15 mil, crédito a cooperativa e garantia.

A frase corrige o senso comum de que "o crédito não chega". Ele chegou como microcrédito individual, sem projeto e sem garantia real. Parou no documento e nunca subiu de faixa.

O que os dados mostram

Em 2025 a pesca foi metade das operações de microcrédito rural do Acre. Acima de R$ 15 mil houve 33 operações, e nenhuma a cooperativa de pescado FV (P2 §3.7).

Linha Operações Valor Ano Banco
Pronaf Grupo B, produtos de pesca (pescado e embarcações) 7 R$ 38 mil 2024 Por produto NE
Pronaf Grupo B, produtos de pesca 3.007 R$ 35,37 mi 2025 Por produto NE
Pronaf Grupo B, produtos de pesca 1.176 R$ 12,68 mi jan–set/2026 Por produto NE
Pronaf Grupo B, todos os produtos 5.993 R$ 70,6 mi 2025 Caixa: 4.604 operações, R$ 57,6 mi. Banco da Amazônia: 1.389, R$ 13,0 mi. BB, Sicredi e Sicoob: zero
Pronaf Grupo B, tanques escavados 193 R$ 1,88 mi 2025 Por produto NE
Pronaf Mais Alimentos com pescado, embarcação ou tanque 33 R$ 635 mil 2025 Por produto NE
Custeio de piscicultura 8 R$ 558 mil 2025 Por produto NE
Pronaf Industrialização, cooperativas de outros produtos 7 R$ 90,5 mi 2025 BB, Banco da Amazônia e privados
Agroindústria ou cooperativa de pescado Nenhuma identificada NE Não se aplica 2024–2026 Não se aplica

Fonte: SICOR/BCB, consulta em 02/10/2026 (P2 §3.7). O ano é o civil de emissão. A contagem é de operações, não de pessoas.

Quatro leituras saem da tabela.

  1. A penetração foi a maior da Amazônia. As 3.007 operações equivalem a cerca de 14% do RGP estadual em um ano, contra cerca de 2% no Pará e no Amazonas INF. A conta supõe um pescador por operação, o que não é verificável.
  2. Quem emprestou foi a Caixa. O salto coincide com a chegada do AgroAmigo ao Norte, em dezembro de 2024, com agente de crédito que vai ao produtor FV. A relação entre o AgroAmigo e o Grupo B da Caixa é INF.
  3. O dinheiro ficou perto da capital. Rio Branco concentrou R$ 13,30 mi, 38% do valor. Tarauacá teve R$ 0,13 mi e Manoel Urbano, R$ 0,04 mi FV.
  4. O tíquete é o teto. A média foi de R$ 11,8 mil por operação, para um limite de R$ 12 mil FV. O pescador tomou tudo o que a linha permitia e não teve degrau seguinte.

A queda de 2026 é mensal e acompanha o calendário das suspensões de RGP FV (P2 §3.7).

Mês Operações de pesca em 2025 Operações de pesca em 2026
Janeiro 142 184
Fevereiro 117 393
Março 233 256
Abril 329 112
Maio 426 98
Junho 219 56
Julho 247 10
Agosto 208 38
Setembro 427 29

Três atos marcam a virada FV: a Portaria MPA 644, de 05/03/2026; a suspensão automática do RGP de quem não entregou o REAP, em 07/04/2026; e a Portaria MPA 646/2026. A pesca caiu de 50% das operações do Grupo B em 2025 para 5,6% em julho de 2026.

A causa é INF. A leitura mais provável é dupla: recurso represado e perda de elegibilidade por RGP suspenso. Separar as duas exige pedir aos bancos o motivo de recusa das propostas (P2 §3.7 e §6).

As linhas vigentes

As linhas existem e estão baratas no ciclo 2026/27; o que falta é demanda qualificada, com documento, projeto e garantia FV (P2 §2 · P1 §2.3).

Condições válidas até 30/06/2027, salvo indicação. Juros ao ano.

Linha Operador Público Finalidade Teto Juros Prazo e carência Exige
Pronaf B e AgroAmigo Caixa (principal); Banco da Amazônia Pescador artesanal, aquicultor, ribeirinho; renda bruta familiar até R$ 60 mil Motor, canoa, rede, caixa térmica, freezer, tanque pequeno R$ 12 mil. AgroAmigo: R$ 15 mil mulher, R$ 12 mil homem, R$ 16 mil jovem 0,5% Até 3 anos; bônus de adimplência de 25% a 40% RGP ativo e CAF; proposta simplificada; sem garantia real
Pronaf Custeio, faixa de pesca e aquicultura BB, Banco da Amazônia, Caixa, Sicredi, Sicoob Pessoa física com CAF Ração, alevinos, gelo, combustível, petrechos R$ 250 mil 2% Até 2 anos RGP e CAF; orçamento ou plano
Pronaf Mais Alimentos BB, Banco da Amazônia, Caixa, cooperativas de crédito Pessoa física com CAF Embarcação, motor, câmara fria, tanque, aeração R$ 250 mil na pesca; R$ 450 mil na aquicultura 2% Até 10 anos; carência de até 3 RGP e CAF; projeto técnico; licença ou outorga na aquicultura; garantias
Pronaf Mulher Os mesmos Mulher de unidade familiar com CAF Investimento na atividade R$ 450 mil na aquicultura; R$ 250 mil nas demais 2% na faixa 1; até 7,5% nas demais Até 10 anos; carência de 3 CAF; projeto
Pronaf Jovem Os mesmos 16 a 29 anos, com formação técnica ou ATER Implantação e modernização R$ 50 mil, em até 3 operações 2% Até 10 anos; carência de 3, ampliável a 5 CAF; formação ou ATER
Pronaf Agroindústria BB, Banco da Amazônia, cooperativas de crédito Pessoa física, empreendimento familiar, cooperativa Gelo, frio, beneficiamento, comercialização Cooperativa: R$ 50 mi, limitado a R$ 80 mil por associado. Empreendimento: R$ 450 mil. Pessoa física: R$ 250 mil Até 7,5% Até 10 anos; carência de 3 CAF da pessoa jurídica; projeto; garantias
Pronaf Bioeconomia Banco da Amazônia, BB Pessoa física com CAF Energia solar, sociobiodiversidade, extrativismo sustentável R$ 250 mil 2% Conforme a finalidade CAF; projeto técnico
FNO Amazônia Rural Banco da Amazônia Produtores, associações e cooperativas Pesca (captura e transformação), aquicultura, agroindústria; inclui ATER e seguro do bem Capacidade de pagamento 8,21% (7,80% com bônus) ou IPCA + 2,56%; custeio a 8,62% Até 12 anos, carência de até 6; custeio em 2 anos RGP e Permissão Prévia de Pesca; anuência para embarcação; projeto; garantias usuais
FNO Rural Verde Banco da Amazônia Populações tradicionais fora do Pronaf, incluído o pescador artesanal; cooperativas Atividades sustentáveis, energia renovável Capacidade de pagamento 8,02% (7,64% com bônus) Os do Amazônia Rural Comprovação da condição; projeto
FNO microcrédito rural (MPO) Banco da Amazônia Produtor com CAF e receita de até R$ 360 mil Linhas do Pronaf, exceto A e A/C R$ 15 mil por operação; dívida total de até R$ 30 mil As do Plano Safra Regras do Pronaf CAF; aval ou aval solidário
FNO Empresarial e MPE Banco da Amazônia Pessoa jurídica: peixaria, entreposto, cooperativa Investimento e capital de giro Giro no Acre: R$ 324 mil (micro) e R$ 2,76 mi (pequena) Taxa não rural do FNO; valor NE Conforme o projeto CNPJ; garantias
FDA, da Sudam Caixa, BB, Banco da Amazônia Empreendimento privado; beneficiamento de pescado é setor prioritário em 2026 Indústria: frigorífico, entreposto de porte Até 50% do projeto em área prioritária NE Até 12 anos; carência de 1 ano após a entrada em operação Mínimo de 20% de recursos próprios; consulta prévia à Sudam

Fonte: P2 §2 e §3; P1 §2.2 e §2.3. Todas as linhas FV, salvo células marcadas. A renda do Grupo B foi conferida em 03/10/2026 na Resolução CMN 5.323/2026 (MCR 10-2-3-b). Os tetos do AgroAmigo e do Mais Alimentos foram conferidos na Resolução CMN 5.324/2026.

O dinheiro reservado ao estado dá a medida FV. O FNO de 2026 prevê R$ 1,085 bilhão para o Acre: R$ 239,6 mi no Pronaf, R$ 357,5 mi em "Agropecuária, Pesca e Aquicultura" e R$ 54,25 mi no microcrédito (P1 §2.3). A pesca não aparece desagregada. Se pesca e aquicultura capturassem 2% da rubrica agregada, seriam cerca de R$ 7 mi por ano INF (P2 §3.3).

O Frio a Bordo cabe em parte nessas linhas INF. A energia solar é finalidade do Pronaf Bioeconomia e do FNO Rural Verde; o freezer está no Pronaf B; a câmara fria, no Mais Alimentos. Os limites são os da tabela. O capítulo não traz regra para a unidade de energia portátil a bordo: o enquadramento precisa ser confirmado com o banco NE. No plano, a unidade e a estação são bem público cedido à entidade (capítulo 17). O crédito é complemento, para a cooperativa que amplia a estação ou para o pescador que quer equipamento próprio.

Na piscicultura em tanques, cada porte pede um degrau INF. O tanque de quintal custa de R$ 7 mil a R$ 9 mil de estrutura (PT §11 e §12) e cabe no microcrédito. O módulo associativo de 8 ha, com câmara fria, exige crédito de investimento da cooperativa. Nos dois casos valem as três condições do capítulo 18: frio antes do peixe, ração contratada antes do alevino e resposta sobre o seguro-defeso.

Duas ausências completam o quadro (P2 §3.4 e §3.5). O Acre não tem agência de fomento, fundo de pesca nem fundo de aval FV. E não há seguro para o risco da pesca: o Proagro cobre lavoura e a garantia de preço do Pronaf não lista pescado FV. A única garantia que funciona é a pessoal do Grupo B.

A cascata documental

A barreira número um é documental e anda em cascata: sem RGP ativo não há CAF, e sem CAF não há Pronaf FV (P2 §1, item 9, e §4).

O FNO repete a exigência: pede o comprovante do RGP e a Permissão Prévia de Pesca. Pescador com RGP suspenso não contrata FNO rural nem Pronaf de pesca (P2 §3.3). O CAF é presencial, gratuito e vale 3 anos FV.

As suspensões nacionais somam 131.695 licenças na Portaria 548/2025, 35.750 na Portaria 582/2025 e cerca de 236 mil na Portaria 644/2026. O número do Acre não foi publicado NE. Quantos pescadores acreanos têm CAF ativo também é NE (P2 §4 e §6).

Barreira Causa O que remove Quem
RGP suspenso ou REAP não entregue Portarias de saneamento de 2025 e 2026; suspensão automática em 07/04/2026 Mutirão de REAP e de recurso administrativo; pedido ao MPA do número de suspensos por portaria e por município; acordo com os bancos para não negativar quem tem recurso pendente SFPA/AC analisa; MPA decide; entidades mobilizam; Assembleia Legislativa requer a informação
Falta de CAF ativo Emissão presencial, em entidade cadastradora do município; rede de emissores no Acre NE Credenciar Emater-AC, prefeituras e entidades como cadastradoras nos 22 municípios; balcão de CAF no mutirão; CAF jurídica para cada cooperativa MDA credencia; Seagri, Emater e entidades emitem
Ausência de projeto técnico e de ATER Banco pede plano ou projeto; não há técnico de pesca publicado na ATER estadual Projetos-padrão por kit, pré-aprovados com os bancos; ATER paga dentro do financiamento; chamada de ATER para pesca Seagri, Emater e bancos padronizam; MDA e Anater financiam; IFAC forma técnicos
Distância das agências Banco da Amazônia em Rio Branco e Cruzeiro do Sul; 49% do valor de 2025 no entorno da capital Agente de crédito itinerante; correspondente na sede da entidade; contratação no polo Caixa e Banco da Amazônia; prefeituras cedem espaço
Garantia para subir de faixa Acima do Grupo B valem as garantias usuais do banco; o Acre não tem fundo de aval Grupos de aval solidário de 5 a 10 pescadores; adesão dos bancos ao FGO do Pronaf; fundo de aval estadual Assembleia Legislativa e Governo do Estado; bancos; entidades
Negativação e inadimplência Dívida antiga e contratos de 2025–26 com tomador sem RGP Balcão do Desenrola Rural; parcela casada com o fim do defeso; ATER depois do crédito; painel de adimplência Bancos; MDA; entidades; SFPA/AC
Nenhuma organização coletiva apta Cooperativa sem CAF jurídica, sem gestão e sem contrato de venda Regularizar CNPJ, estatuto e contabilidade; constituir cooperativa por regional; assinar a venda antes de pedir o crédito Entidades, com Sebrae, OCB e Seagri
Sem cobertura de risco Proagro é de lavoura; seguro de embarcação artesanal NE Seguro do bem financiado dentro do FNO; pleito de garantia de renda para a pesca; fundo de aval para o risco residual MPA e MDA, por norma; Estado, pelo fundo
Licença ambiental na aquicultura O Acre não tem licenciamento simplificado por porte Lei estadual com dispensa ou rito simplificado Assembleia Legislativa; IMAC
Informação A cartilha federal está em página restrita; o passo a passo oficial é uma imagem Cartilha estadual de 4 páginas e áudio para rádio, com kits, documentos e endereços SFPA/AC e Seagri

Fonte: P2 §4. As causas são FV; as remoções são INF.

A ordem importa INF. RGP, CAF e distância travam o microcrédito. Projeto, garantia e negativação travam o investimento. Organização, risco e licença travam o crédito coletivo e a piscicultura. O mutirão ataca o primeiro grupo; os instrumentos novos atacam os outros dois.

O risco que já está contratado

Cerca de 4.200 contratos de pesca assinados em 2025 e 2026 vencem até 2028, e parte dos tomadores está hoje sem RGP e sem seguro-defeso INF (P2 §1, item 10, e §4).

A soma é direta: 3.007 operações em 2025 e 1.176 de janeiro a setembro de 2026, R$ 48,05 mi no total FV (P2 §3.7). Os contratos têm até 3 anos. A inadimplência dessa safra ainda não apareceu, e não há série pública do Pronaf de pesca no Acre NE.

O risco é coletivo: uma onda de atraso fecha a porta que se abriu em 2025, inclusive para quem paga em dia.

Seis medidas protegem a carteira INF (P2 §4, barreira 6, e §5):

  1. Pedir a carteira por município. A SFPA/AC e a Seagri solicitam aos dois bancos o número de contratos de pesca, o calendário de parcelas e a adimplência.
  2. Regularizar primeiro quem deve. Tomador de 2025–26 com RGP suspenso entra na frente da fila do mutirão documental. Sem RGP ele perde o seguro-defeso, que é o caixa da parcela.
  3. Pactuar a regra de não negativar. Os bancos não liquidam antes do prazo nem negativam quem tem recurso de RGP pendente.
  4. Casar a parcela com a renda. O vencimento vai para depois do seguro-defeso ou da alta da pesca.
  5. Fazer o pós-crédito. Três visitas de ATER no primeiro ano, lembrete de parcela pela entidade e painel trimestral de adimplência por município.
  6. Abrir balcão do Desenrola Rural. O programa dá desconto de até 80% na liquidação de dívida do Pronaf lançada em prejuízo nos fundos constitucionais e de até 65% na renegociação. Também reabre o Pronaf B a quem tem restrição FV (Decreto 12.381/2025). Os descontos de 90% e 96% valem só para o crédito de instalação da reforma agrária. O prazo termina em 20/12/2026, segundo o contexto local da pesquisa (P3 §3). O balcão precisa estar no mutirão documental de novembro e dezembro.

A lista nominal de tomadores fica com o banco, a SFPA/AC e a entidade, com finalidade declarada. Não é compartilhada com terceiros.

O mutirão de crédito

O mutirão recomendado é um funil em três tempos, Documento, Proposta e Contrato com pós-crédito, e não um dia de banco INF (P2 §5).

A lição vem do Amazonas FV. O mutirão de Manacapuru e Itacoatiara, em dezembro de 2024, tinha meta de mais de dois mil pescadores e fechou em R$ 755 mil, cerca de 65 contratos (P2 §3.6). O gargalo era documento, não fila. No Acre a fila já existe; falta documento válido antes e acompanhamento depois.

Passo O que se faz Quem faz Quando
0. Termo de crédito Termo de cooperação, metas por banco, kits padronizados, regra de não negativar SFPA/AC convoca; Caixa, Banco da Amazônia, BB, cooperativas de crédito e Seagri assinam Mês 1
1. Diagnóstico Cruzar por município RGP ativo e suspenso, CAF, contratos e recusas SFPA/AC e Seagri; bancos informam a carteira Meses 1 e 2
2. Pré-triagem Lista em três filas: apto; falta CAF; RGP suspenso, REAP pendente ou negativado Entidades, com um técnico de apoio Três semanas antes
3. Dia do Documento Balcões de REAP e recurso, CAF, CadÚnico, Desenrola Rural e abertura de conta SFPA/AC, Emater, prefeitura, bancos Dias 1 e 2 no polo
4. Dia da Proposta Escolha do kit, proposta simplificada, parcela para depois do defeso ATER e agente de crédito Dias 2 e 3 no polo
5. Contratação Assinatura no local ou em até 15 dias Caixa e Banco da Amazônia no Pronaf B; BB, Sicredi e Sicoob no Mais Alimentos Do dia 3 ao 15º dia
6. Compra coletiva Cotação única por entidade para motor, malhadeira, caixa térmica e freezer, com nota fiscal Entidade ou cooperativa, com apoio do Sebrae De 15 a 45 dias
7. Pós-crédito Três visitas de ATER, lembrete de parcela, painel de adimplência ATER, entidade e banco De 12 a 36 meses
8. Segundo degrau Adimplentes formam grupo de aval solidário e acessam Mais Alimentos, Mulher e Jovem Bancos e ATER A partir do mês 12
9. Terceiro degrau Cooperativa toma Pronaf Agroindústria, FNO ou Pronaf Bioeconomia para entreposto com câmara fria, beneficiamento, energia solar e ampliação da estação do Frio a Bordo Cooperativas; Banco da Amazônia 2027 e 2028

Os kits transformam o projeto em formulário INF: kit rabeta, kit conservação com caixa térmica e freezer, kit petrechos, kit canoa ou batelão e kit tanque suspenso (P2 §4, barreira 3). O kit conservação é para quem compra equipamento próprio; a unidade do Frio a Bordo é bem público e não entra em kit de crédito individual.

Oito polos cobrem os 22 municípios (P2 §5):

  1. Rio Branco e Baixo Acre: Porto Acre, Bujari, Senador Guiomard.
  2. Sena Madureira, com Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus.
  3. Feijó.
  4. Tarauacá, com Jordão.
  5. Cruzeiro do Sul, com Mâncio Lima e Rodrigues Alves.
  6. Marechal Thaumaturgo e Porto Walter.
  7. Alto Acre: Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Xapuri.
  8. Plácido de Castro, Acrelândia e Capixaba.

A prioridade é de quem ficou fora em 2025: Tarauacá, Manoel Urbano, Jordão e Santa Rosa do Purus.

O calendário segue o defeso, de 15/11 a 15/03, quando o pescador está na sede. O documento se resolve de novembro a janeiro. Proposta e contrato saem de fevereiro a abril, com a primeira parcela para depois da alta da pesca. Há uma segunda rodada em agosto e setembro. O termo de cooperação com os bancos é assinado em novembro de 2026 e o primeiro polo roda em janeiro ou fevereiro de 2027.

Item Base de cálculo Estimativa INF
Equipe itinerante, 12 a 14 pessoas, 4 dias Diárias de servidores e técnicos R$ 12–18 mil por polo
Deslocamento Terrestre no Baixo e no Alto Acre; aéreo ou fluvial no Juruá, no Tarauacá/Envira e no Purus R$ 5–40 mil por polo
Internet por satélite, notebooks, impressoras, biometria Rateio R$ 3–5 mil por polo
Estrutura, alimentação, rádio Por polo R$ 5–8 mil por polo
Subtotal por polo e por rodada Soma R$ 25–70 mil
Programa anual 8 polos, 2 rodadas R$ 0,4–1,1 mi por ano
ATER depois do crédito R$ 300–500 por contrato por ano; 2.500 contratos R$ 0,75–1,25 mi por ano, sem ônus ao Tesouro se embutida no crédito

Fonte: P2 §5. São ordens de grandeza e pedem cotação antes de irem a orçamento.

O custo do mutirão fica entre 1,5% e 3% do crédito que ele mobiliza INF. Quatro fontes pagam a conta (P2 §5). A ação 20Y2 do MPA entra por emenda. A ATER da Seagri e da Emater tem R$ 1,8 mi e R$ 2,44 mi na lei orçamentária de 2026. Os bancos dão contrapartida. As prefeituras cedem espaço e logística.

Quatro salvaguardas valem em todos os polos INF. O Dia do Documento vem antes da proposta. O crédito individual sai com kit e compra coletiva. O calendário fica fora do período eleitoral, com bancos e Ministério Público Federal na governança. E nenhuma entidade cobra taxa sobre o crédito: CAF e proposta são gratuitos FV.

O que falta criar

Falta o degrau entre o microcrédito de R$ 12–15 mil e o investimento de R$ 50–250 mil: garantia, canal, tomador coletivo e projeto (P2 §3.5 e §3.6).

Instrumento O que é Por que falta Quem cria Prazo e valor INF
Fundo de aval estadual O Estado garante o tomador sem bem para dar em garantia; o modelo é o do Paraná, de 2004 O Acre não tem fundo de aval nem agência de fomento FV Assembleia Legislativa e Governo do Estado, por lei 6 a 12 meses; aporte de R$ 3–5 mi, que alavanca R$ 30–50 mi a dez vezes. É garantia, não despesa
Aval solidário Grupo de 5 a 10 pescadores adimplentes que se avalizam É a garantia aceita no microcrédito do FNO FV e o passo antes do fundo Entidades e bancos A partir do mês 12 do mutirão
FGO para o Pronaf Fundo garantidor federal autorizado em lei a cobrir Pronaf Operação por banco NE Bancos, por adesão Depende de consulta aos bancos
Posto de pesca em cooperativa de crédito Segmento de pesca dentro de Sicredi, Sicoob ou Credisis, com a entidade como canal de associação Cooperativa de crédito de pescadores não existe no Acre, e não se achou caso brasileiro NE Cooperativas de crédito e entidades Parceria, sem fundar instituição nova
Crédito à cooperativa Pronaf Agroindústria, FNO Amazônia Rural e Pronaf Bioeconomia para o bem coletivo Nenhuma operação de pescado identificada; faltam CAF jurídica, gestão e contrato de venda Cooperativas, com Sebrae e OCB 6 a 18 meses para habilitar
ATER de projeto Kits padronizados e técnico pago dentro do financiamento Só 33 operações do Mais Alimentos em 2025 Seagri, Emater, bancos, IFAC 3 a 6 meses para padronizar; ATER de 2% a 5% do valor financiado
Cobertura de risco Seguro do bem financiado e garantia de renda para a pesca Proagro é de lavoura; seguro de embarcação artesanal NE MPA e MDA, por norma Médio prazo

Fonte: P2 §3.5, §3.6 e §4.

O crédito à cooperativa já funciona no Acre, fora da pesca. Sete operações do Pronaf Industrialização somaram R$ 90,5 mi em 2025 FV. O banco empresta quando há gestão, CAF jurídica e contrato de venda INF. Nenhum dos três existe hoje na pesca (P2 §3.6).

O limite por associado dá a conta do entreposto INF. A R$ 80 mil por associado, um entreposto de R$ 1,2 mi exige 15 cooperados com CAF. Uma cooperativa de 20 pessoas físicas alcança esse número.

Há um pleito normativo pendente FV. A Lei 15.399/2026, art. 6º, equipara os encargos do pescador artesanal aos da reforma agrária, e a regra não foi internalizada no Pronaf (P1 sumário, item 3).

O plano não cria banco nem funda cooperativa de crédito INF. Usa os canais que já operam e pede ao Estado um único instrumento novo, por lei: o fundo de aval.

Conflitos de fonte a resolver antes de divulgar número

Seis números divergiam entre fontes. Os três do Pronaf foram resolvidos na norma, em conferência de 03/10/2026 FV. Os outros três o plano só divulga depois de conferidos com o MPA ou com o banco (P2 §6 · P1 §2.3).

  1. Taxa do Pronaf B em 2026/27. Resolvido: 0,5% ao ano. O 1,5% da nota técnica da Faemg é de outra linha.
  2. Teto de renda do Pronaf B. Resolvido: renda bruta familiar de até R$ 60 mil no ano agrícola 2026/27 (MCR 10-2-3-b; Resolução CMN 5.323/2026). Os R$ 50 mil valiam até 30/06/2026.
  3. Teto do Mais Alimentos. Resolvido: R$ 250 mil na pesca e R$ 450 mil na aquicultura (Resolução CMN 5.324/2026). Os R$ 270 mil da imprensa não existem na norma.
  4. Portaria MPA 646/2026. 12.644 licenças e recurso em 30 dias na página do MPA, contra 17.788 e 60 dias em repositório de legislação.
  5. AgroAmigo e SICOR. 2.100 contratos no Acre até agosto de 2025, segundo o programa, contra 5.993 operações do Grupo B no ano, segundo o Banco Central. Falta saber o que é AgroAmigo e o que é Pronaf B comum na Caixa.
  6. Teto do microcrédito do FNO. R$ 15 mil por operação no plano de aplicação do banco, contra "cerca de R$ 21 mil" na imprensa. Prevalece o documento do banco.

Quatro dados não foram encontrados NE e saem por ofício ou pela Lei de Acesso à Informação (P2 §6):

  1. Suspensos e cancelados do RGP no Acre, por portaria e por município.
  2. Pescadores com CAF ativo e entidades cadastradoras por município.
  3. Motivo das recusas de proposta em 2026.
  4. Adimplência dos contratos de pesca de 2025, por município.

Metas de crédito por fase

A meta de crédito sobe por degraus: retomar o microcrédito em 2027, multiplicar o investimento até 2029 e chegar ao crédito coletivo com os entrepostos INF.

Fase Microcrédito (Pronaf B, AgroAmigo, MPO) Investimento acima de R$ 15 mil Crédito coletivo Condição de entrada
0 · Preparar (out–dez/2026) Nenhum contrato novo como meta; carteira de 2025–26 mapeada por município Kits em desenho com os bancos Nenhum Termo de cooperação de crédito assinado em novembro; quatro pedidos de dado protocolados; balcão do Desenrola Rural até 20/12/2026
1 · Regularizar e organizar (2027) 2.500 contratos no ano, R$ 30–37 mi; adimplência de 95% ou mais 100 operações no ano Nenhuma operação; primeira cooperativa com CAF jurídica 8 polos, 2 rodadas; RGP e CAF resolvidos no Dia do Documento
2 · Produzir e conservar (2028–2029) 2.500 contratos por ano mantidos; adimplência de 95% ou mais 400 operações por ano em 2029 3 operações, uma por entreposto, em Pronaf Agroindústria ou FNO Fundo de aval em lei, com R$ 3–5 mi; grupos de aval solidário; contrato de venda assinado antes do pedido
3 · Beneficiar e vender (2029–2031) Mantido, por demanda De 400 para 1.000 operações por ano Capital de giro para as 5 cooperativas; crédito por família na piscicultura do Juruá Cooperativas com CAF jurídica e venda institucional recorrente
4 · Atividade plena (2031 em diante) Por demanda 1.000 operações por ano Indústria por FNO Empresarial ou FDA, com tomador privado Fundo de aval alavancando R$ 30–50 mi

As metas de investimento repetem a meta 5 do capítulo de visão: 100, 400 e 1.000 operações por ano em 2027, 2029 e 2031. A pesquisa falava em 150 operações por ano a partir do mês 12; o plano adota 100 no primeiro ano INF. Pelo tíquete médio da pesquisa, de R$ 47 mil a R$ 67 mil, 100 operações somam de R$ 5 mi a R$ 7 mi INF (P2 §5).

O microcrédito de 2027 equivale a um ciclo de seguro-defeso, que pagou R$ 34,1 mi em 2025/26 FV (com ressalva) (P8 §1). O defeso é renda de benefício; o crédito compra motor, rede e equipamento de conservação, e vira renda de atividade.

A trilha de piscicultura usa os mesmos degraus e não cria meta nova de crédito INF. O piloto de 2027, com 20 tanques de quintal, cabe no microcrédito da Fase 1. O primeiro módulo associativo entra no crédito coletivo da Fase 2 (capítulo 18).

Nenhum desses valores entra no custo do plano. O crédito é contratado e pago pelo pescador e pela cooperativa. O plano custeia o mutirão, a ATER e a garantia (capítulo de orçamento).

O que este capítulo decide

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07 · Fundos e captação de recursos não reembolsáveis

As janelas grandes de 2026 já fecharam; 2026 serve para construir habilitação e histórico, e 2027 é o ano de captar INF (P3 §0).

Quatro fatos sustentam a frase, com data-base 02/10/2026:

Há um padrão em todas as fontes FV (P3 §0, achado transversal). A pesca artesanal é público elegível em quase todos os editais da sociobioeconomia. Nenhuma fonte de 2026 financia bem individual, como motor, rede ou canoa. Tudo é coletivo, pede CNPJ de 2 a 3 anos, prestação de contas formal e, nos editais grandes, experiência comprovada de venda.

Por isso captar é consequência de organizar. O dinheiro não reembolsável paga o que a entidade usa em comum: o Frio a Bordo, beneficiamento, assistência técnica, gestão. A renda de atividade fica com o pescador, que é o titular; a entidade é a operadora que habilita o projeto.

Uma nota sobre a marcação. Na pesquisa de origem, NE marca também o fato visto só em fonte secundária. Neste capítulo, esses casos aparecem como "noticiado", sem a marca FV. As páginas de notícia do gov.br, da agência do BNDES e do REM Acre estão fora do ar até 25/10/2026 por causa do período eleitoral.

Tabela-mestra das fontes

Dezesseis fontes importam para a pesca do Acre; sete têm aderência alta, e nenhum edital entre elas aceita inscrição nova em 02/10/2026 (P3 §1).

Fonte Gestor O que financia Quem pode pedir Faixa de valor Próximo prazo Aderência ao Acre
Chamada Conab 01/2026 "Amazônia Viva" FV Conab e BNDES (Fundo Amazônia) Obras civis, máquinas, armazenagem, logística, energia renovável, insumos, ATER até 50%; 24 meses Cooperativas, associações e OSC da agricultura familiar, incluídos pescadores artesanais; em rede, cada integrante com 2 anos de CNPJ R$ 500 mil a R$ 2,5 mi Encerrada em 03/05/2026 (data de fonte secundária); 2ª rodada em 2027 INF Alta (cooperativa ou associação)
Amazônia+10, Desafio 5 "Economia das Águas" FV Confap, fundações estaduais (FAPAC), Fundo Amazônia Pesquisa e inovação em manejo pesqueiro, pesca comunitária e aquicultura familiar Rede: ICT da Amazônia Legal + ICT de outro estado + organização socioprodutiva com 2 anos de CNPJ R$ 6 mi a R$ 8 mi (até R$ 10 mi) Mérito em 13/10/2026; proposta final em 08/12/2026; resultado em 30/04/2027 Alta, só se houve pré-proposta acreana
AMABIO 001/2025 FV Banco da Amazônia e AFD Equipamentos de pesca e de beneficiamento, consultoria, oficinas, marca coletiva; não paga obra nem veículo Associações, OSCIPs, cooperativas e microempresas com 2 anos de CNPJ; veda sindicato, ICT, órgão público e MEI Até R$ 150 mil, 12 meses 2ª edição NE; jun-jul/2027 se for anual INF Alta (colônia-associação, cooperativa)
Emenda parlamentar individual FV SRI/PR, MPO, MGI; Transferegov Qualquer objeto; obra a partir de R$ 400 mil; demais a partir de R$ 200 mil Estado e município, por transferência especial; consórcio público, por finalidade definida; OSC com 3 anos de CNPJ e contas aprovadas De R$ 200 mil ao teto da cota Indicações para 2027: jan-mar/2027 INF Alta (prefeitura, consórcio); média (OSC)
Edital Raízes FV Fundo Brasil de Direitos Humanos Direitos, autonomia, fortalecimento organizativo OSC, grupos e coletivos sem CNPJ, com parceira fiscal na contratação Até R$ 60 mil Resultado a partir de 22/10/2026; edição 2027 INF Alta (colônia, grupo informal)
Fundo Casa Socioambiental FV Fundo Casa Fortalecimento institucional, governança territorial, sociobiodiversidade, mulheres, juventudes Organizações comunitárias de povos tradicionais R$ 50 mil a R$ 60 mil Nenhuma chamada aberta; 2 a 3 por ano INF Alta (colônia, grupo de mulheres)
Termo de fomento, Lei 13.019/2014 FV Qualquer ente, por chamamento público Projetos de OSC com recurso público OSC com 1, 2 ou 3 anos de CNPJ (município, estado, União) Livre Conforme o chamamento Alta, quando o ente abre
Finep AgriFam-ICT 2026 FV MCTI/Finep Pesquisa; Linha 4, aquicultura de espécies nativas, com R$ 25 mi ICT executora; parceria com colônia ou cooperativa pontua R$ 3 mi a R$ 7 mi, 36 meses Encerrado em 13/05/2026; próxima edição NE Média-alta (UFAC, IFAC, Embrapa)
Prêmio Fundo Amazônia FV BNDES Reconhecimento a iniciativas de proteção territorial e organização social Organizações e coletivos informais R$ 50 mil 2ª edição em 2027 INF Média (acordo de pesca)
Edital Culturas Pesqueiras FV MPA, UFPA e FADESP Oito linhas culturais: mestres, festivais, gastronomia, formação Pessoa física, MEI, colônias, sindicatos, cooperativas, coletivos R$ 13 mil a R$ 38,98 mil Encerrado em 31/03/2026; 2ª edição NE Média (histórico e visibilidade)
Prospera Sociobio FV MMA e KfW; implementação da FAS Núcleo de sociobioeconomia: negócios comunitários, ATER, crédito, comercialização Encerrado; líder no Acre é a SOS Amazônia Até R$ 11,7 mi por território Execução de 2026 a 2029 Média (por parceria)
APC, Embaixada do Japão (noticiado) Embaixada e consulados do Japão Obras e equipamentos de uso comunitário ONGs, associações e prefeituras Teto de cerca de US$ 100 mil Fluxo contínuo Média (equipamento coletivo)
Coopera+ Amazônia (noticiado) MDIC, Sebrae, OCB; Fundo Amazônia Consultoria, ATER, equipamentos, comercialização; sem repasse direto Cooperativas extrativistas de AC, AM, MA, PA e RO R$ 103 mi a R$ 107 mi no total 2º ciclo sem data Baixa hoje: a pesca está fora
REM Acre Fase II (noticiado) Governo do Acre, com KfW Cinco eixos; piscicultura pela Seagri; sem linha de pesca Secretarias estaduais; não há edital aberto R$ 4,5 mi planejados para piscicultura Fase III NE Baixa (pleito à Seagri)
PSA Pirarucu, edital MMA/Conab 01/2026 FV MMA e Conab Pagamento por serviço ambiental a quem maneja pirarucu Colônias, associações e cooperativas com manejo autorizado pelo Ibama; só Amazonas R$ 7 mi em 2026; R$ 15 mi em 2026-27 Chamada 2027 a pleitear INF Nula hoje; pauta de extensão
TFFF (noticiado) Banco Mundial e governo do Brasil Pagamento por floresta em pé; mínimo de 20% para povos indígenas e comunidades locais Regra de repasse indefinida US$ 7,26 bi comprometidos Pagamentos de 2027 em diante Média, no longo prazo

Fonte: P3 §1. As linhas reembolsáveis (FNO, Pronaf, FDA) estão no capítulo de crédito.

Cinco programas foram verificados e não alcançam o Acre em 2026 FV (P3 §0, item 8, e §1). São o Floresta+ Amazônia 01/2026, o edital 05/2026 do iCS, o 49º edital do Fundo Ecos, a seleção Petrobras Socioambiental 2026 e o edital 2026 do FNMA. O plano não gasta esforço com eles neste ciclo.

Cerca de 30 outras fontes filantrópicas e internacionais foram buscadas sem janela aberta para pesca continental em 2026 NE. Bezos Earth Fund e Moore operam por convite, com doações a partir de US$ 1 mi a intermediários grandes (P3 §1 e §2.2).

Habilitação que não se acelera

Onze exigências decidem quem pode pedir, e a mais dura, a idade do CNPJ, não se compra nem se apressa FV (P3 §4). Entidade registrada no fim de 2026 só habilita nas fontes de 2 anos no fim de 2028.

Exigência Onde aparece Tempo para resolver O que fazer agora INF
CNPJ com 2 anos Amazônia Viva (redes), AMABIO, Amazônia+10 24 meses a partir do registro Usar colônia ou federação antiga como proponente; registrar já o que for novo
CNPJ com 3 anos Emenda para OSC (Portaria Conjunta 2/2026, art. 4º-A); termo de fomento com a União; Floresta+ 36 meses Até lá, emenda só por prefeitura ou consórcio
Prestações de contas aprovadas Emendas; termo de fomento; pontuação implícita nos demais Só com histórico Executar um projeto de R$ 50 mil a R$ 60 mil em 2026-27
Experiência comprovada de venda Amazônia Viva (3 pontos) 12 meses de operação, no mínimo Vender com nota para PNAE, PAA e feiras; guardar notas e contratos
Certidões: CND federal, FGTS, CNDT, CEPIM, CADIN, lista do trabalho escravo, conta específica Amazônia Viva; AMABIO; Transferegov 30 a 90 dias se houver débito Diagnóstico fiscal de cada entidade; pendência de GFIP ou INSS trava a colônia
Objeto social compatível no estatuto Todas; a AMABIO veda sindicato 30 a 60 dias Reforma estatutária e registro
CAF da pessoa jurídica e RGP ativo dos beneficiários Amazônia Viva Depende do RGP e de emissor de CAF no município Mutirão de RGP, REAP e CAF conduzido pela SFPA/AC
Balanço e escrituração contábil Emendas; termo de fomento 1 exercício fechado Contratar contador e fechar o exercício de 2026
Rede com ICT e carta de anuência Amazônia+10; Finep AgriFam 60 a 90 dias Assinar cartas com UFAC, IFAC ou Embrapa
Titularidade do terreno para obra A AMABIO veda obra sem titularidade; a Conab exige para obra civil Meses a anos Escolher terreno público já regular, de prefeitura
Capacidade de custear a operação (LC 210/2024, art. 10, V) Toda infraestrutura de frio, inclusive unidades e estação do Frio a Bordo Antes do pedido Plano de operação e manutenção com custeio próprio; no Frio a Bordo, rateio de manutenção aprovado em assembleia e fundo de manutenção

Fonte: P3 §4.

A chamada da Conab é o modelo para montar o dossiê FV. Ela pede CNPJ ativo e estatuto, uma proposta por organização, certidões, conta específica e declaração de adicionalidade. O critério que mais pontua é o histórico de comercialização (P3 §2.1).

A ordem do trabalho sai da tabela INF. Primeiro o que leva meses e não custa dinheiro: certidões, estatuto, contabilidade. Depois o que só o tempo resolve: idade do CNPJ e histórico de venda. O terreno da estação e o plano de operação precisam estar prontos antes de qualquer pedido do Frio a Bordo.

Tickets pequenos para gerar histórico

Quatro fontes de R$ 13 mil a R$ 60 mil aceitam colônia sem histórico ou grupo sem CNPJ, e é por elas que a entidade consegue a primeira prestação de contas aprovada FV (P3 §0, item 5).

Fonte Valor Quem entra Situação em 02/10/2026 Uso no plano INF
Edital Raízes, Fundo Brasil Até R$ 60 mil; 35 projetos na Amazônia Legal Grupo sem CNPJ, com parceira fiscal só na contratação; pescadores artesanais e ribeirinhos elegíveis Fechou em 21/08/2026; resultado a partir de 22/10/2026 Primeiro projeto executado; fortalecimento da entidade
Fundo Casa Socioambiental R$ 50 mil a R$ 60 mil Organizações comunitárias; pescadores citados na chamada "Direitos Territoriais" Chamadas de 2026 fecharam em 19/05 e 25/08; nenhuma aberta Grupo de mulheres da pesca; governança da entidade
Prêmio Fundo Amazônia "Conhecer e Reconhecer" R$ 50 mil; 50 iniciativas Organizações e coletivos informais 1ª edição encerrada em 06/07/2026 Inscrever acordo de pesca como gestão territorial
Edital Culturas Pesqueiras, MPA/UFPA/FADESP R$ 13 mil a R$ 38,98 mil Pessoa física, MEI, colônias, sindicatos e coletivos Fechou em 31/03/2026; 114 selecionados Visibilidade e primeiro contrato com o MPA

Fonte: P3 §0, item 5, e §1.

O valor desses projetos está na prestação de contas, não no dinheiro. Um ticket de R$ 50 mil executado e aprovado em 2027 vale como histórico nas chamadas de R$ 500 mil de 2028 INF.

Três preparos cabem ainda em 2026 INF:

  1. Cadastrar cada entidade nos boletins do Fundo Casa e do Fundo Brasil.
  2. Deixar pronta uma proposta-padrão de R$ 50 mil, para enviar em até 15 dias quando a chamada abrir (P3 §2.2).
  3. Definir a parceira fiscal dos grupos sem CNPJ. A federação estadual ou uma colônia já constituída podem cumprir o papel (P3 §2.2).

O capital de um ticket pequeno também pode lastrear um fundo rotativo de central de compras INF (P3 §2.4). O matchfunding da Benfeitoria, noticiado com teto de R$ 30 mil, serve só como capital semente de R$ 10 mil a R$ 30 mil.

Calendário 2026-2027

O calendário tem três datas certas até dezembro de 2026 e concentra as janelas prováveis entre janeiro e agosto de 2027 (P3 §3). Toda janela de 2027 marcada com INF é projeção por recorrência, não anúncio.

Mês Janela Valor Ação para o Acre
Out/2026 (dia 13) Amazônia+10: resultado de mérito da fase 1 FV R$ 6 mi a R$ 8 mi por projeto Se houver rede acreana, mobilizar a organização parceira e a FAPAC
Out/2026 (dia 22) Resultado do Edital Raízes FV Até R$ 60 mil Se aprovado, abrir conta e indicar a parceira fiscal
Out/2026 (dia 25) Fim do bloqueio eleitoral: páginas do BNDES e do gov.br voltam ao ar FV Não se aplica Checar o resultado por estado do Amazônia Viva e anúncio de 2ª rodada; reavaliar o pipeline
Nov/2026 Cronograma de emendas de 2027 costuma sair após a LOA INF A partir de R$ 200 mil (equipamento) ou R$ 400 mil (obra) Preparar com a prefeitura o objeto de uso coletivo na ação 20Y1: unidades e estação do Frio a Bordo
Dez/2026 (dia 8) Amazônia+10: proposta final FV R$ 6 mi a R$ 8 mi por projeto Só para rede já classificada
Jan a mar/2027 Indicação de emendas individuais de 2027 INF A partir de R$ 400 mil (obra) ou R$ 200 mil (demais) Prefeituras do Juruá e do Purus como beneficiárias de transferência especial
Fev a mai/2027 2ª chamada Conab/Fundo Amazônia e novas chamadas do Fundo Casa INF R$ 500 mil a R$ 2,5 mi; R$ 50 mil a R$ 60 mil Dossiê pronto; proposta em rede de 3: cooperativa e 2 colônias com 2 anos de CNPJ
Abr a jul/2027 Prêmio Fundo Amazônia, 2ª edição INF R$ 50 mil Inscrever acordo de pesca ou manejo
Abr/2027 (dia 30) Amazônia+10: resultado final FV Não se aplica Acompanhar
Jun a jul/2027 AMABIO, 2ª edição, se for anual INF Até R$ 150 mil Associação ou cooperativa com 2 anos pede equipamentos de pesca e de beneficiamento
Jul a ago/2027 Raízes 2027; Fundo Ecos; Floresta+ INF Até R$ 60 mil (Raízes) Enviar a proposta-padrão; conferir se há lote para o Acre
2027, sem data Chamada 2027 do PSA Pirarucu; 2º ciclo do Coopera+ Não definido Ofícios ao MMA e ao Sebrae/OCB no Acre
2027 em diante TFFF começa a desembolsar (noticiado) Não definido Acompanhar a regra de acesso

Fonte: P3 §3.

A data exata da janela de empenho das emendas de 2026, em dezembro, é NE (P3 §3).

Qual proponente para qual fonte

Cada fonte aceita um tipo de pessoa jurídica, e o erro mais caro é pedir com a entidade errada: a AMABIO, o edital médio mais aderente à pesca, veda sindicato FV (P3 §0, item 6, e §5).

Proponente Fontes de maior aderência O que não serve Observação
Colônia ou associação antiga, sem histórico de projeto Raízes; Fundo Casa; Prêmio Fundo Amazônia; Culturas Pesqueiras; AMABIO, se constituída como associação; Amazônia Viva e Amazônia+10 como integrante de rede Emenda direta, sem 3 anos de CNPJ e contas aprovadas Começa pelos tickets pequenos
Sindicato Raízes; Fundo Casa; Culturas Pesqueiras AMABIO, que veda sindicato Para as fontes médias, o pedido sai por associação ou cooperativa ligada
Cooperativa Amazônia Viva 2027; AMABIO 2027; 2º ciclo do Coopera+, se a pesca for incluída; Prospera, como negócio comunitário do núcleo da SOS Amazônia Finep Amazônia, que exige perfil de empresa e mínimo de R$ 2 mi; fundos de impacto, que só entram com faturamento Cooperativa nova fica fora do Amazônia Viva até 2028
Prefeitura ou consórcio público Emenda para unidades e estação do Frio a Bordo e para beneficiamento: por transferência especial à prefeitura; por finalidade definida ou convênio ao consórcio. Convênio no Transferegov com MPA ou MMA; APC do Japão FDA, que só atende empreendimento privado Exige cessão de uso à entidade e plano de operação
ICT (UFAC, IFAC, Embrapa) Amazônia+10, Desafio 5; próxima edição da Finep AgriFam-ICT AMABIO, que veda ICT CNPq e CAPES sem chamada específica de pesca NE
Governo do Estado REM Acre, por pleito de linha de pesca; programa do GCF com o Banco Mundial; TFFF Editais para OSC Horizonte de 2027 em diante

Fonte: P3 §5.

Três regras práticas saem da tabela INF:

  1. Entidade antiga pede, entidade nova executa junto. Até 2028, a proponente das chamadas de 2 anos é colônia ou federação já registrada.
  2. Frio a Bordo e obra vão por ente público. A prefeitura recebe, compra as unidades, instala a estação em terreno regular e cede o uso à entidade.
  3. Pesquisa vai por ICT, com a entidade como parceira. A carta de anuência da colônia ou da cooperativa pontua na Finep e é obrigatória no Amazônia+10 (P3 §2.1).

O município em área da Sudam tem contrapartida reduzida em convênio federal: de 0,2% a 8%, conforme a LDO de 2026 FV (P3 §2.4).

Parceiros a procurar em vez de editais

Parte do dinheiro que chega ao Acre já tem dono; nesses casos o caminho é parceria, não edital (P3 §0, itens 3 e 4, e §2.2).

Parceiro O que tem O que pedir INF
Associação SOS Amazônia Lidera o território Rio Branco–Brasiléia no Prospera Sociobio, com a proposta "Terraízes"; até R$ 11,7 mi por território; execução de 2026 a 2029 FV Incluir a cadeia do pescado no Núcleo de Sociobioeconomia do Acre
Sebrae e OCB no Acre Coopera+ Amazônia, com imersão no Acre em setembro de 2026; cadeias atuais: babaçu, açaí, cupuaçu e castanha (noticiado) Incluir uma cooperativa de pescado no 2º ciclo
MMA, departamento responsável pelo PSA PSA Pirarucu, hoje restrito a unidades de conservação do Amazonas FV Ofício pedindo a inclusão de unidades de conservação e acordos de pesca do Acre na chamada de 2027
Instituto Juruá Lidera o território Juruá-Tefé (AM) no Prospera; atua em Carauari e na divisa Ipixuna/Guajará FV Apoio técnico em manejo e contagem de pirarucu; não é financiador
ASPROC e Coletivo do Pirarucu A ASPROC executa o projeto "Juruá Sustentável e Solidário", de R$ 38,9 mi (2025-29), do Fundo Amazônia FV (P4 §2). O Coletivo é articulação, não fundo Intercâmbio sobre venda coletiva e entrada no arranjo comercial do pirarucu manejado
FAS Implementa o Prospera Sociobio para MMA e KfW FV Interlocução sobre a pesca nos núcleos apoiados
WWF-Brasil Executou o projeto Pesca Sustentável no Acre, com R$ 3,2 mi do Fundo Amazônia, de 2014 a 2017 FV Retomar o trabalho como parceiro territorial de intermediário já financiado
Seagri e IMC Operam o REM Acre Fase II, sem linha de pesca FV Pleito de linha de pesca na Fase II ou em eventual Fase III
Embaixada do Japão APC: doação para equipamento e obra comunitária (noticiado; página oficial inacessível em 02/10/2026) Confirmar por e-mail a jurisdição e a regra antes de escrever proposta

O Juruá acreano ficou fora dos seis territórios do Prospera FV. O território do Acre no edital é Rio Branco–Brasiléia. Para Cruzeiro do Sul e vizinhos, a parceria com a SOS Amazônia não resolve; o caminho é rede própria na próxima chamada (P3 §0, item 3).

As grandes fundações internacionais não recebem pedido direto de entidade local (P3 §2.2). O acesso é como parceiro territorial de um intermediário já financiado.

Emenda e transferência

Emenda parlamentar é a única fonte não reembolsável para bem coletivo de frio e beneficiamento, e em 2027 o veículo realista é a prefeitura ou o consórcio público INF (P3 §0, item 7). Colônia recém-criada não habilita. No plano, o bem coletivo de frio é o Frio a Bordo: unidades a bordo e estação solar em terra, cedidas à entidade (capítulo 17). O plano não pede fábrica de gelo.

Mecanismo Regra de 2026 Quem habilita
Emenda individual por transferência especial Só Estado, Distrito Federal e município (CF, art. 166-A); consórcio público recebe por finalidade definida. Mínimo de R$ 400 mil para obra e de R$ 200 mil para os demais objetos; dispensa convênio Prefeitura ou Estado. A prefeitura executa e pode ceder o uso à colônia INF
Emenda com finalidade definida para OSC Mínimo de 3 anos de CNPJ ativo, capacidade técnica e gerencial comprovada e prestações de contas anteriores aprovadas (Portaria Conjunta MPO/MGI/SRI-PR 2/2026, art. 4º-A) Colônia ou associação antiga, com contas em dia
Termo de fomento (Lei 13.019/2014, art. 33, V) CNPJ de 1 ano com município, 2 com estado e 3 com a União; experiência prévia; instalações; chamamento público OSC, quando o ente abre chamamento
Convênio no Transferegov com ente público Contrapartida conforme a LDO de 2026: de 0,2% a 8% para município em área da Sudam Prefeitura, consórcio ou universidade
Chamamento público estadual ou municipal Depende de dotação; nenhum chamamento de pesca localizado no Acre em 2026 NE OSC local

Fonte: P3 §2.4; todas as regras FV, salvo indicação.

O objeto cabe na ação 20Y1 do MPA FV. A Portaria MPA 545/2025 aceita unidade de apoio de uso coletivo, em despesa de investimento, e a janela é a do Orçamento de 2027 (P3 §0, item 7).

O tamanho da fonte é conhecido pelo contexto local citado na pesquisa. A cota de um deputado federal em 2026 é de R$ 40,25 mi FV (com ressalva: conferida só em imprensa). A de um deputado estadual é da ordem de R$ 4 a 5 mi, a confirmar NE: a regra é 6,80% da receita, a busca aponta R$ 4,16 mi em 2026 e os R$ 5 mi são pleito (P3 §1, linha 15).

O pedido do Frio a Bordo precisa de quatro peças antes da indicação INF:

  1. Beneficiário definido: prefeitura, na transferência especial; consórcio, na transferência com finalidade definida ou no convênio.
  2. Terreno público com titularidade regular para a estação.
  3. Termo de cessão de uso, com encargo e reversão, à entidade que vai operar.
  4. Plano de operação e manutenção com receita própria, exigido pela LC 210/2024 (P3 §4): comitê local, rateio de manutenção aprovado em assembleia, fundo de manutenção e registro mensal de quilos conservados.

O tamanho do pedido cabe na regra. Um piloto de 5 embarcações com estação custa de R$ 200 mil a R$ 320 mil INF (FB §10). O mínimo da transferência especial fora de obra é de R$ 200 mil. A especificação é por desempenho, sem marca, e a compra é por certame aberto.

Duas salvaguardas valem para toda emenda do plano. O bem é coletivo e fica com ente público ou entidade, nunca com agente político. E nenhuma entrega de bem ou benefício ocorre em ano eleitoral por iniciativa de agente político (Lei 9.504/97, art. 73).

Risco macro

O Fundo Amazônia pode congelar em 2027, e quatro das dezesseis fontes da tabela-mestra dependem dele (noticiado; P3 §0, item 10).

A notícia é de 10/09/2026. O fundo tinha saldo de R$ 6,7 bi e desembolsou cerca de R$ 1,3 bi por ano no ciclo 2023-25. Organizações apoiadas temem a repetição do congelamento de 2019 a 2022, conforme o resultado da eleição de outubro de 2026. O fato é noticiado por fonte secundária e a decisão não existe em 02/10/2026.

Dependência Fontes Leitura para o plano INF
Dependem do Fundo Amazônia Amazônia Viva (Conab); Amazônia+10, com R$ 72 mi dos R$ 107,1 mi; Coopera+; Prêmio Fundo Amazônia Contratar o que for possível até dezembro de 2026; não ancorar a Fase 2 só nelas
Não dependem AMABIO (Banco da Amazônia e AFD); Raízes; Fundo Casa; Prospera e REM (KfW); emenda parlamentar; APC do Japão Base da diversificação
Longo prazo TFFF, com US$ 7,26 bi comprometidos e regra de repasse indefinida (noticiado) Acompanhar, sem contar com o recurso

Três medidas reduzem a exposição INF:

  1. Reavaliar o pipeline em 26/10/2026, quando as páginas oficiais voltam ao ar (P3 §3).
  2. Manter em toda onda pelo menos uma fonte privada e uma de orçamento público.
  3. Usar crédito do FNO como complemento do que a doação não cobrir, tema do capítulo de crédito.

Há um segundo risco, de natureza diferente INF. Não existe metodologia consolidada de crédito de carbono para pesca continental. Oferta de "crédito de áreas úmidas" a comunidade deve ser tratada como de alto risco. O caminho legítimo é o PSA público da Lei 14.119/2021 (P3 §2.4).

Pipeline recomendado em três ondas

A sequência que fecha é ticket pequeno agora, chamada média em rede em 2027 e chamada grande de 2028 em diante INF (P3 §0, achado transversal). Cada onda produz a habilitação que a seguinte exige.

Onda Objetivo Fontes Proponente Valor por projeto Marco de saída
1. 2026: habilitar e pegar tickets pequenos Ter entidade apta e uma prestação de contas em curso Raízes; Fundo Casa; Prêmio Fundo Amazônia; Culturas Pesqueiras, se reabrir Colônia ou federação antiga; grupo com parceira fiscal R$ 13 mil a R$ 60 mil Certidões limpas, estatuto ajustado, contabilidade de 2026 fechada, proposta-padrão pronta
2. 2027: rede e consórcio em chamadas médias Financiar equipamento coletivo e os pilotos do Frio a Bordo AMABIO; 2ª rodada do Amazônia Viva, em rede de 3; emenda por transferência especial à prefeitura Associação ou cooperativa com 2 anos; rede com colônias antigas; prefeitura ou consórcio R$ 150 mil (AMABIO); R$ 500 mil a R$ 2,5 mi (Conab); a partir de R$ 200 mil (emenda; R$ 400 mil se for obra) Um projeto médio contratado e uma estação-piloto do Frio a Bordo com plano de operação
3. 2028 em diante: chamadas grandes Escalar beneficiamento, pesquisa aplicada e pagamento por manejo Amazônia Viva como líder; Amazônia+10 e Finep com ICT; PSA, se estendido ao Acre; TFFF; fundos de impacto Cooperativa estadual com 2 anos e histórico de venda; consórcio ICT e entidade R$ 500 mil a R$ 2,5 mi (Conab, como líder); R$ 3 mi a R$ 8 mi (pesquisa com ICT) Cooperativa com faturamento e contrato de venda recorrente

As ondas se encaixam nas fases do plano INF. A onda 1 cobre a Fase 0 e o início da Fase 1. A onda 2 financia a Fase 1 e abre a Fase 2. A onda 3 sustenta as Fases 2 e 3.

O piloto de piscicultura em tanques entra na onda 2 INF. São 20 tanques de quintal, cerca de R$ 150 mil a R$ 200 mil no total (PT §11 e §12). O ticket é compatível com os fundos de pequeno e médio valor já listados: a AMABIO, de até R$ 150 mil, e os tickets de R$ 50 mil a R$ 60 mil, somados a recurso privado ou a Pronaf B. O enquadramento do tanque como equipamento financiável se confere em cada edital NE. Nada é entregue em 2026, e as três condições do capítulo 18 valem antes do pedido.

Dois avisos acompanham o pipeline:

O que este capítulo decide

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08 · O que já funciona no Brasil e cabe no Acre

O Acre já tem a técnica; falta escala, comprador e quem pague a vigilância. Feijó maneja pirarucu desde 2008 com o método usado em Carauari (AM), no rio Juruá, o mesmo que nasce no Acre. Carauari vendeu 180 t em 2025. Feijó pescou 99 peixes em cinco safras e não pescou em 2017 FV (P4 §1, §3.1.4). A diferença não está no lago. Está em quanto se pesca, em quem compra e em quem paga a guarda do lago. Por isso a primeira pedra do plano é comercial e de frio, não produtiva INF (P4 §1). É por aí que a renda de benefício começa a virar renda de atividade.

Os casos com número

Durou quem tinha entidade compradora e preço acordado antes da despesca; quebrou quem tinha ativo físico sem operador. A tabela reúne os doze casos com resultado medido que orientam o plano (P4 §2).

Caso Onde Modelo Renda ou resultado medido O que o sustentou Cabe no Acre?
Manejo de pirarucu ASPROC e Instituto Juruá Carauari (AM), rio Juruá Associação compra toda a produção, beneficia por terceiros e vende a PNAE, Exército e Manaus 180 t vendidas (2025); cerca de R$ 6 mil por família e safra em São Raimundo (36 famílias, R$ 216 mil) FV Fundo Amazônia, R$ 38,9 mi (2025-2029); cota do Ibama; PNAE Sim. Mesmo rio, espécie e técnica. Falta escala e comprador
Coletivo do Pirarucu e marca Gosto da Amazônia 17 municípios (AM) Marca coletiva e venda conjunta para fora de Manaus R$ 7,00/kg ao manejador contra R$ 4,50 da média regional; R$ 1,2 mi a mais por ano para 2.100 pessoas (2021) FV Assessoria de IDSM, OPAN e FAS; PGPM-Bio Sim, por adesão. Sem volume para marca própria INF
Manejo Mamirauá e Amanã (IDSM e FAS) Tefé e Fonte Boa (AM) Feiras diretas e venda de pele à curtidora 2019: 494 t, R$ 2,53 mi, 1.165 pescadores. Fonte Boa, 2020: R$ 1.348 de carne e R$ 419 de pele por família FV Instituto de pesquisa residente (MCTI) e FAS Parcial. Exige instituto residente, que o Acre não tem
Manejo de pirarucu de Feijó Rio Envira (AC) Colônia Z-4 e Grupo de Manejo; venda local 99 peixes e R$ 70.911 em 5 safras (2012-2016); R$ 730 a 1.280 por pescador e ano; receita cobriu cerca de um quinto do custo (18% a 23%, conforme a conta), na safra de 2014 FV WWF e Fundo Amazônia, R$ 3,2 mi (2014-2017) É o caso-base. Falta escala e comprador
Plano de negócio da TI Deni Rio Xeruã (AM) Associação indígena produz; ASPROC comercializa Custo de R$ 6,58 a 23,46/kg conforme quem paga a vigilância; viável a 313 peixes por ano e R$ 7,32/kg (2018) FV Fundo Amazônia, R$ 116.757 Sim, como modelo de conta
Tambaqui de Rondônia Ariquemes e Vale do Jamari (RO) Produtor familiar com menos de 5 ha, frigorífico com SIF e entidade que fornece insumo e garante a compra 56.900 t (2024); renda por família NE; rentabilidade regional de 8% FV Frigorífico, ração, alevino e lei de licenciamento antes do tanque A ordem sim; a indústria não
Tilápia em tanque-rede de Itaipu Reservatório de Itaipu (PR) Patrocinador financia; cooperativa regional processa 45 t em 3 ciclos; 150 mil merendas (2017-2023) FV R$ 1 mi da binacional e cooperativa processadora Não. Sem reservatório nem patrocinador
Gelo Caboclo Iranduba (AM) Fábrica solar comunitária com gestor escolhido pela comunidade 1 t por dia; estoque de 20 t; 70% da demanda; 30 famílias diretas (abr/2026) FV R$ 1,5 mi privados (2026) A lição de operação, sim; a fábrica, não. O plano a aplica ao Frio a Bordo INF
Gelo da Colônia Z-4 Feijó (AC) Colônia vende gelo 29 t por ano vendidas (média 2001-2014) FV NE Já existe. Medir, como diagnóstico do frio existente
PNAE com pirarucu da ASPROC Manaus (AM) Venda à Semed (2017), à Seduc-AM (2014) e ao Exército (2015) 9 anos contínuos; volume e valor NE Inspeção sanitária e chamada pública Sim. Chamada pública municipal
PAA com peixe de rio (Conab) 10 municípios (AM) Compra com DAP e doação R$ 1,50/kg (2012-2013) FV Conab Serve de piso, não de renda
Couro de pirarucu Mamirauá e Carauari (AM) Pele salgada vendida à curtidora R$ 170 a 200 por pele (fev/2026); R$ 419 a mais por família em Fonte Boa (2020) FV Comprador privado e capacitação da FAS Sim, com 100 peles ou mais por safra INF

Cinco condições aparecem em todos os casos que duraram INF (P4 §1):

  1. Entidade compradora ou comercializadora.
  2. Preço acordado antes da despesca.
  3. Frio no ponto de desembarque.
  4. Subsídio operacional declarado por três anos ou mais.
  5. Gestão profissional no início.

O formato que funciona em água doce amazônica é a associação compradora, não a cooperativa de produção. Ela tem caixa para pagar à vista, contrato institucional antes da safra e assessoria técnica paga por fundo INF (P4 §3.4).

Fichas dos casos que o plano replica

Seis casos entram no roteiro do plano, cada um com passos e fase. Os fatos são FV; todo caminho proposto é INF.

Manejo de pirarucu: Carauari e Feijó

O método é o mesmo; escala e comprador decidem o resultado. Em Carauari, a ASPROC compra toda a produção dos manejadores e vende a PNAE, Exército e Manaus. A comunidade São Raimundo (36 famílias) faturou R$ 216 mil na safra, cerca de R$ 6 mil por família FV (P4 §3.1.1). Em Feijó, foram 99 pirarucus e R$ 70.911 em cinco safras (2012-2016). O custo operacional de 2014 foi de R$ 62.454, sem vigilância nem ATER. O faturamento cobriu cerca de um quinto do custo (18% a 23%, conforme a conta), na safra de 2014; o doador pagou o restante FV (P4 §3.1.4).

A conta é de 1 para 350: cerca de 20 peixes por ano em Feijó contra 7.000 na escala amazonense INF (P4 §3.1.4). O ponto de equilíbrio do plano da TI Deni é de 313 peixes por ano a R$ 7,32/kg (2018) FV (P4 §2). A vigilância é 60% do custo em Mamirauá. O MMA paga R$ 7 mi de PSA (2026) só a áreas do Amazonas com manejo autorizado FV (P4 §1).

Caminho para o Acre:

  1. Contar o estoque nos lagos do Envira, Tarauacá, Purus e Juruá acreano com contadores certificados. Sem 1.000 adultos somados não há cota de 300 peixes por ano. Fase 0, concluída na Fase 1.
  2. Fechar o comprador antes da despesca: chamada PNAE e canal de venda via ASPROC ou Coletivo do Pirarucu. Fase 1.
  3. Pedir a homologação dos 12 acordos de pesca pendentes e ação do ICMBio nas Resex Alto Juruá e Cazumbá-Iracema. Fase 1.
  4. Pagar a vigilância por PSA: lei estadual e pleito ao MMA para incluir o Acre a partir da safra 2027. Fase 2.
  5. Chegar a 300 pirarucus por safra e a R$ 3.000 por manejador no ano 3. Fase 2.

Preço ao manejador e PGPM-Bio

Preço bom só existe com venda coletiva e nota fiscal. No Amazonas, o preço ao manejador caiu de R$ 7,12/kg (2012) para R$ 3,78/kg (2016, deflacionado). As causas foram oferta concentrada em quatro meses, poucos atravessadores e pesca ilegal FV (P4 §1). No arranjo do Coletivo do Pirarucu, o manejador recebeu R$ 7,00/kg contra R$ 4,50 da média regional, 56% a mais (a fonte escreve 75%) FV (P4 §3.1.2). Em 2026, o registro é de R$ 10/kg com a pele vendida, contra R$ 4/kg fora do manejo FV.

O preço mínimo da PGPM-Bio para a safra 2026 é de R$ 10,74/kg (Portaria MAPA 868/2025) FV. O preço mínimo hoje vale só para o Amazonas: o Acre não está na norma, e CAF, organização e nota não bastam FV. O plano pleiteia a inclusão do Acre na portaria da próxima safra INF (P4 §5). Em Feijó, os preços eram "estabelecidos aleatoriamente", sem relação com o custo. Em 2016, de 40% a 50% do pirarucu vendido em Rio Branco era ilegal FV (P4 §3.1.4).

Caminho para o Acre:

  1. Calcular o custo por quilo de cada grupo de manejo com a conta do plano Deni. Fase 0.
  2. Regularizar CAF e nota do produtor por meio da entidade. Fase 1.
  3. Aderir formalmente ao Coletivo do Pirarucu. O Acre não tem volume para marca própria. Fase 1.
  4. Pleitear a inclusão do Acre na portaria do preço mínimo da PGPM-Bio, que hoje só ampara o Amazonas. A subvenção só fica acessível depois dessa inclusão. Fase 2.

Rondônia: copiar a ordem, não a indústria

Rondônia montou abate legal, ração e alevino antes do tanque; o Acre fez o contrário. O Acre não precisa de mais tanque: tem 6.465 ha de lâmina d'água, com 22,9% parada FV (PT §0). Rondônia produziu 56.900 t em 2024. Tem 3 frigoríficos com SIF, 3 fábricas de ração, 13 laboratórios de alevinos e licenciamento simplificado (Lei RO 5.280/2022). A ACRIPAR concentra cerca de 40% da produção. Dos empreendimentos, 84% têm menos de 5 ha FV (P4 §3.2).

Mesmo assim o pequeno sofre. O fator limitante segue sendo o preço da ração. A rentabilidade regional é de 8%. De 126 pisciculturas amostradas, 57% estavam inativas FV (P4 §3.2). O Acre construiu a Peixes da Amazônia antes de ter ração, alevino e entidade comercial. Era uma indústria de 20 mil t para um estado de 6 mil t FV (P4 §3.2). O formato que cabe é a agroindústria familiar rondoniense de 1.500 kg por dia, com SIM e pedido de SIE, apoiada por Emater e Pronaf FV (P4 §3.5).

Caminho para o Acre:

  1. Adotar a regra: nenhum tanque sem frio, ração, alevino e comprador contratados. Fase 0, valendo desde o piloto.
  2. Rodar em 2027 o piloto de 20 tanques de quintal, acoplado a uma estação do Frio a Bordo. Fase 1.
  3. Instalar uma "cozinha de pescado" com SIM e SIE por polo, junto à estação do Frio a Bordo, operada pela entidade compradora. Fase 2, em operação na Fase 3.
  4. Escalar só com as três condições do capítulo 18: frio antes do peixe, ração contratada antes do alevino e resposta sobre o seguro-defeso. O Juruá (Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves), onde o preço local é de R$ 24/kg, é candidato a polo. Fases 2 e 3.
  5. Contratar gestão profissional nos três primeiros anos, como em Candeias do Jamari (2003-2006). Fases 2 e 3.

A piscicultura deixa de ser a última etapa. Passa a ter piloto em 2027 e escala condicionada (capítulo 18). A conta só fecha com preço: o custo é de R$ 11 a R$ 13,5 por kg INF (PT §4).

PNAE com pescado

A merenda é o comprador mais rápido, e só compra com inspeção sanitária. A ASPROC vende pirarucu de manejo à Semed de Manaus desde 2017, à Seduc-AM desde 2014 e ao Exército desde 2015. Volume e valor dos contratos: NE (P4 §3.6). 2026 é o "Ano do Pescado na Alimentação Escolar". A Resolução CD/FNDE 11/2026 regula chamadas públicas específicas para povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos FV.

O Acre tem o maior índice de peixe na merenda do país: 62,5% das escolas (nov/2025) FV (P4 §1). Parte do produto é industrializada e vem de fora INF. Mas a merenda estadual já compra pescado regional processado. O Credenciamento SEE 12/2025 homologou em 07/04/2026 o item "pescado regional sem espinha congelado" a duas cooperativas acreanas: 48.408 pacotes de 800 g, R$ 2.987.741,76 FV (PNCP). O que não existe é o pescador artesanal dentro dessa venda: não há cooperativa só de pescadores INF, nem chamada de pescado in natura ou chamada municipal localizada NE. PAA e PNAE só compram pescado com SIF, SIE ou SIM FV. A lista publicada de estabelecimentos de pescado com SIE ou SIM no Acre é zero (P4 §5). O PAA pagou R$ 1,50/kg de peixe de rio no Amazonas (2012-2013). É piso de escoamento, não renda FV (P4 §3.6).

Caminho para o Acre:

  1. Publicar a lista de estabelecimentos de pescado com SIM ou SIE no estado. Fase 0.
  2. Abrir chamada pública municipal específica para pirarucu seco ou salgado e peixe de rio em Feijó, Tarauacá, Manoel Urbano, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul. Fase 1.
  3. Beneficiar em unidade inspecionada de terceiros até a cozinha de pescado do polo operar, como faz a ASPROC. Fases 1 e 2.
  4. Ter 1 contrato PNAE por polo no ano 3. Fase 2.

Couro de pirarucu

A pele é o único subproduto com preço público, e no Acre ela é descartada INF. A curtidora Nova Kaeru pagava R$ 126 por pele, passou a R$ 160 (ago/2024) e a R$ 170 a 200 (fev/2026). A peça mínima é de 10 kg FV (P4 §3.7). Em Fonte Boa (2020), 55 famílias receberam R$ 23.030 de pele sobre R$ 74.167 de carne. São R$ 419 a mais por família, 31% sobre a carne FV.

O limite é a partilha. O tênis de couro de pirarucu custa R$ 2.470 e a bolsa R$ 6.750 (2026). Comunidades reclamam da parte que recebem. Carauari não conseguiu montar curtume próprio por falta de recursos FV (P4 §3.7). No Acre, a pele vale a pena com 100 peles ou mais por safra e salga correta INF.

Caminho para o Acre:

  1. Capacitar os grupos de manejo na retirada e na salga, no modelo da FAS com a curtidora. Fase 1.
  2. Consolidar as peles via ASPROC ou Coletivo até somar 100 por safra. Fase 2.
  3. Contratar o preço por pele antes da despesca. Fase 2.
  4. Não investir em curtume próprio no horizonte do plano. Fases 2 a 4.

Gelo comunitário: o que o caso ensina para o Frio a Bordo

Frio comunitário só dura com operador, custeio definido e fundo de manutenção desde o primeiro dia. O plano aproveita essa lição de operação e a aplica ao Frio a Bordo, em vez de construir fábrica de gelo INF. O Gelo Caboclo, em Iranduba (AM), produz 1 t por dia e estoca 20 t, com energia solar, baterias e poço artesiano. Custou R$ 1,5 mi (abr/2026), sem recurso público. Tem gestor escolhido pela comunidade e dois operadores. Atende 70% da demanda dos pescadores e mais de 30 famílias diretas FV (P4 §3.5).

Antes, o pescador levava até dois dias para buscar gelo em Manaus. O próprio projeto admite que a venda de gelo não cobre a manutenção. Preço do gelo e fundo de manutenção: NE. No Acre, a Colônia Z-4 de Feijó vendeu 29 t de gelo por ano em média (2001-2014). Nenhuma fábrica anunciada no estado tem operação e produção diária publicadas NE (P4 §3.5).

O caso ensina três coisas. Operador escolhido pela comunidade funciona. A venda de gelo não paga a manutenção, e por isso o custeio precisa de regra desde o início. E o gelo em terra não alcança a perda que acontece dentro do barco, entre a captura e o desembarque (FB §2). A fábrica de R$ 1,5 mi fica como comparação; o plano não a adota.

Caminho para o Acre:

  1. Inventariar as fábricas de gelo do estado: produção diária, tarifa e operador. É diagnóstico do frio existente, não lista de investimento. Fase 0.
  2. Definir operador, comitê local, rateio de manutenção aprovado em assembleia e fundo de manutenção antes de entregar qualquer unidade. Fase 0 (desenho) e Fase 1.
  3. Rodar 3 pilotos do Frio a Bordo em 2027: 15 unidades em 3 estações (Juruá, Purus/Envira e vale do Acre). Referência: R$ 200 mil a R$ 320 mil por piloto de 5 embarcações INF (FB §10). Fase 1.
  4. Chegar a 60 unidades, com estação nas 5 regionais, até 2029. Fase 2.
  5. Publicar todo mês os quilos conservados por unidade. O dado passa a medir a produção pesqueira. Fase 1 em diante.

Lições de fracasso

Em todos os fracassos o dinheiro entrou pelo ativo, não pelo contrato de venda INF (P4 §4). A tabela traz o que aconteceu, a causa raiz e a regra que o plano adota para não repetir.

Caso O que aconteceu Causa raiz Regra que o plano adota
Peixes da Amazônia S/A (AC) R$ 82 a 86 mi investidos; pico real de 8,5 t por dia contra 70 projetadas; calote em 2017-2018; falência decretada em 2024; arrematada por R$ 13,15 mi (28/11/2025) FV Indústria de 20 mil t por ano antes da base produtiva (6 mil t); produtores sem ração nem giro; governança híbrida de Estado, empresários e cooperativa Nenhuma indústria antes de comprador, ração e alevino. O plano não financia frigorífico industrial
Tilápia do Castanhão (CE) De 22 mil t (2013) para 300 t por mês e 40 produtores (2021); renda do cooperado de 3 para 1 salário mínimo FV Seca, com açude a 6%; mortandade; dívida que trava o crédito; falta de licença ambiental Projeto em açude só com análise de risco hídrico e licença antes do crédito
Tanques-rede sem operador (Tucuruí, réplicas de Candeias, Manacapuru) Tucuruí: 2.600 tanques prometidos, 360 entregues, um ciclo e fim. Réplicas de Candeias falharam. Manacapuru foi "economicamente inviável" FV Pescador tratado como beneficiário de compensação; sem gestão técnica; ração cara, sem escala e sem comprador Sem operador contratado por três anos, não há ativo. O plano não inclui tanque-rede
Fábricas de gelo anunciadas no Acre Cruzeiro do Sul (2021), Rio Branco (2024), Sena Madureira e Assis Brasil (2025) e Feijó, com plano de reimplantar: nenhuma das cinco com operação comprovada FV Ativo sem operador, tarifa, energia barata e fundo de manutenção O plano não constrói nem religa fábrica de gelo. No Frio a Bordo, operador, rateio de manutenção e fundo definidos antes da entrega; quilos conservados publicados todo mês
Manejo de pirarucu de Feijó (2012-2017) Receita cobriu cerca de um quinto do custo (18% a 23%, conforme a conta, na safra de 2014); 2017 sem pesca; projeto encerrado sem sucessor FV Escala mínima nunca atingida; preço aleatório; sem comprador fora do festival local; comunidade sem retorno não vigia Comprador e meta de 300 peixes antes de nova rodada de contagem paga por doador
Cooperativas acreanas de convênio Sobrevivem por termo de colaboração; a central da Peixes da Amazônia sumiu FV Cooperativa sem caixa nem contrato vira veículo de convênio Entidade só opera ativo se tiver caixa e contrato de venda

Onde o contrato veio primeiro, o ativo se pagou. Foi assim com a ASPROC e o PNAE, com Itaipu e a merenda, com a FAS e a feira em Manaus INF (P4 §4).

O que NÃO replicar

Sete frentes ficam fora do horizonte do plano porque não têm base física, comprador ou renda medida no Acre INF (P4 §5).

Frente Por que não Fonte
Peixe ornamental Barcelos caiu de cerca de 10 mil famílias (2001) para 135 piabeiros ativos (2016); 78% dos rurais ganham até 1 salário mínimo; o Acre não tem exportador FV P4 §3.7
Pesca esportiva Renda do guia comunitário NE; nenhuma operação estruturada no Acre NE. Cabe só estudo de pré-viabilidade P4 §3.7
Rizipiscicultura Modelo do Sul, com carpa e tilápia em arroz irrigado; o Acre não tem arroz irrigado em escala INF P4 §3.3
Frigorífico industrial A Peixes da Amazônia existe e faliu; falta base produtiva, não indústria FV P4 §4
Tilápia e tanque-rede O Acre não tem reservatório; tanque-rede comunitário só durou onde alguém operou por ele FV P4 §3.3
Marca e curtume próprios Sem volume para marca; Carauari, com 180 t, não conseguiu curtume FV P4 §3.1.2, §3.7
PAA como fonte de renda Pagou R$ 1,50/kg (2012-2013), com teto anual por fornecedor. É escoamento de baixo valor FV P4 §3.6

Ordem de replicação

A ordem é pré-condição: nenhuma etapa se pula INF (P4 §5). Os prazos são contados do início do plano.

  1. Medir antes de prometer (0 a 6 meses; Fase 0, concluída na Fase 1). Contagem de pirarucu, inventário das fábricas de gelo como diagnóstico do frio existente e lista de estabelecimentos com SIE ou SIM. Custo próximo de zero.
  2. Comprador antes de peixe (6 a 12 meses; Fase 1). Chamada PNAE municipal, adesão ao Coletivo do Pirarucu, pleito de inclusão do Acre na PGPM-Bio e contrato de pele.
  3. Frio a Bordo (pilotos na Fase 1; estação por regional na Fase 2). 3 pilotos em 2027, estação por regional até 2029, com operador, rateio de manutenção e fundo de manutenção.
  4. Vigilância paga por PSA (12 a 24 meses; Fase 2). Lei estadual de PSA pesqueiro, pleito ao MMA e homologação dos acordos de pesca.
  5. Inspeção mínima por polo (18 a 30 meses; Fase 2, em operação na Fase 3). Cozinha de pescado com SIM e SIE junto à estação do Frio a Bordo.
  6. Piscicultura em tanques: piloto em 2027, escala condicionada (Fase 1 em diante). Piloto de 20 tanques de quintal em 2027. A escala depende das três condições do capítulo 18: frio antes do peixe, ração contratada antes do alevino e resposta sobre o seguro-defeso.

As metas verificáveis do ano 3 são cinco INF (P4 §5):

  1. 300 pirarucus ou mais por safra no Envira, Tarauacá e Purus.
  2. 1 contrato PNAE por polo.
  3. 4 usinas de gelo operando com tarifa publicada. É sugestão da pesquisa; o plano não a adota e a troca por unidades do Frio a Bordo com uso medido.
  4. 1 unidade de pescado com SIE.
  5. R$ 3.000 ou mais por manejador e safra, metade do que rende São Raimundo, em Carauari.

São as metas sugeridas pela pesquisa de casos. As metas do plano estão nos capítulos 03 e 14, que fixam para o ano 3 (2029) 60 unidades Frio a Bordo, com estação nas 5 regionais, e três estabelecimentos com SIE.

O que este capítulo decide

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09 · Estruturas mundo afora: técnicas e caminhos

Os casos que duraram repetem três mecanismos: direito de uso formal, receita própria que paga a vigilância e organização pré-existente dentro da estrutura FV (P5 §1). A Zâmbia é o experimento natural. No lago Bangweulu, a co-gestão deixou de fora os chefes tradicionais e colapsou quando a ONG saiu. Em Mweru-Luapula, que os incluiu, ela continuou depois do doador FV (P5 §3.6). No Lago Vitória, os comitês de desembarque foram financiados com taxa sobre o próprio pescador. A efetividade medida no Quênia ficou abaixo de 36% FV (P5 §3.1). O modelo mais próximo do Acre está a 600 km: o programa peruano de manejo do paiche, o pirarucu, em Loreto FV (P5 §1).

Os modelos com resultado medido

O que tem resultado medido é barato e comunitário: refúgio de seca, poupança em grupo, forno melhorado, extensão entre pares, gelo solar e primeira venda coletiva. A tabela resume doze modelos; valores na moeda original (P5 §2).

Modelo País Técnica Resultado medido Custo Pré-requisito no Acre
PROMAPE de paiche Peru (Loreto) Censo anual, cota de 8 a 15% dos adultos, tamanho mínimo, defeso, vigilância e 2% para a comunidade De 10 para 703 paiches (1994-2014); de 68 para 418 (2012-2019); cerca de S/ 30 mil por colheita FV ONG e instituto de pesquisa; norma regional Ato estadual de programa de manejo com cota exclusiva; instituto parceiro
Refúgios comunitários de peixe Camboja Lagoa-refúgio perene, comitê eleito, área de não-pesca e patrulha +9% de captura; +71% nos domicílios mais pobres; renda com peixe multiplicada por 10 (2012-2015) FV Cooperação internacional; custo por sítio NE Lago com fronteira clara; ato estadual que reconheça o comitê
Manejo comunitário CBFM Bangladesh Organização comunitária com arrendamento reservado, santuário e defeso Produção crescente em 77% de 64 corpos d'água; +13% de renda domiciliar FV (com ressalva: o percentual não está no documento linkado) Doadores; valor NE Reserva de uso à organização; facilitador por 3 anos ou mais
Zonas de conservação de peixe Laos Regra de aldeia, poção de refúgio, placas e patrulha 1.677 zonas (2018); 29 a 32 espécies a mais na captura FV Quase nulo por unidade; cifra NE Homologação estadual de regra comunitária
Boas práticas por formadores-piscicultores Egito Módulos de campo dados por piscicultores do setor privado Mais de US$ 15 mil de lucro extra por fazenda de 7,5 ha; US$ 18,9 mi agregados (2014) FV Cooperação; valor NE Polo denso de piscicultores; módulo para tambaqui
Forno FTT-Thiaroye Senegal, Costa do Marfim, Sri Lanka Defumador e secador com bandeja coletora de gordura De 16-40 para 100 kg por dia; VPL de US$ 17.133 e TIR de 34,9% em 10 anos FV US$ 500 a 800 o equipamento Serralheiro treinado; norma sanitária que reconheça o processo
Gelo solar comunitário Indonésia (Kawa) Contêiner solar de propriedade comunitária 176 t de gelo por ano; US$ 120 mil por ano na cadeia; +32% de lucro potencial FV Capital NE Referência de operação para a estação do Frio a Bordo: operador local e manutenção resolvida
Frio solar em desembarques Quênia Frio solar em 9 pontos de desembarque; capacidade diária por ponto NE Perdas menores, sem percentual publicado NE KES 1,45 bi no programa Fluxo mínimo diário no desembarque
Leilão cooperativo Matsyafed Índia (Kerala) Leilão de praia, pagamento à vista, desconto de crédito e poupança 41.191 pescadores; 46.708 t; repagamento acima de 90% (2015-16); volume em queda desde o pico de 108.773 t (2012-13) FV Subsídio estadual permanente ao bônus Entreposto e caixa da entidade
Abalobi África do Sul App de captura e mercado direto US$ 2,3 mi em receita; 515 t rastreadas FV ONG; taxa NE Frio e restaurante urbano próximo
Grupos de poupança VSLA Zanzibar, Malawi, Gana Poupança em grupo com distribuição anual Ensaio randomizado positivo (Malawi, 2016); retorno de até 53% (Zanzibar) FV Quase zero Facilitador no primeiro ciclo
Comitês de desembarque (BMU) Quênia, Uganda, Tanzânia Assembleia e comitê por categoria, pagos por taxa local Efetividade abaixo de 36% FV (artigo de 2022) Taxa sobre o pescador Contraexemplo: exige receita garantida e auditoria

Oito modelos para replicar, em ordem de facilidade

A ordem vai do mais barato e sem norma ao que exige ativo físico e caixa INF (P5 §10). "Ano 1" é o primeiro ano de cada modelo; a linha "Fase" diz quando ele entra no plano. Os custos em reais são ordens de grandeza estimadas pela pesquisa INF.

1. Grupos de poupança (VSLA)

Caminho:

  1. Ano 1: formar 10 grupos-piloto em 3 colônias, com facilitador pago por ciclo.
  2. Ano 2: chegar a 50 grupos.
  3. Ano 3: integrar os grupos ao Pronaf e à primeira venda cooperativa.

2. Defumação e secagem melhoradas (FTT-Thiaroye)

Caminho:

  1. Ano 1: um protótipo no IFAC e norma estadual de inspeção para o processo.
  2. Ano 2: 20 fornos em 5 comunidades, por cooperativas de mulheres.
  3. Ano 3: venda sob marca coletiva.

3. Santuários e refúgios de seca com comitê

Caminho:

  1. Ano 1: mapear 20 lagos e poções de refúgio no Juruá, no Purus e no Acre; homologar a regra; instalar placas e barco.
  2. Ano 2: 10 acordos ativos.
  3. Ano 3: monitoramento por contagem.

4. Extensão por formadores-piscicultores

Caminho:

  1. Ano 1: escolher 8 piscicultores de referência e escrever o módulo de tambaqui com a Embrapa. Pagar por módulo entregue.
  2. Ano 2: 300 treinados.
  3. Ano 3: avaliação de treinados contra controle.

5. "PROMAPE acreano" de pirarucu

O Peru ensina o desenho administrativo: um programa de manejo aprovado pelo governo regional, com cota da organização. Na Cocha El Dorado restavam 10 paiches em 1994, e havia pesca ilegal FV (P5 §3.7). O rito completo tem sete passos:

  1. Censo anual por contagem de boiadas, antes da temporada, feito pelos pescadores com o instituto de pesquisa (IIAP).
  2. Cota de 8 a 15% dos adultos contados.
  3. Tamanho mínimo de 1,60 m.
  4. Defeso de outubro a fevereiro.
  5. Comitê de vigilância, com rondas noturnas de 5 a 6 pessoas.
  6. 2% da receita para um fundo comunitário, gerido pela assembleia.
  7. Resolução do governo regional, válida por 5 anos, com cota exclusiva e intransferível da organização.

Caminho:

  1. Ano 1: censo em 3 lagos, organização formalizada e resolução estadual de programa de manejo, com cota exclusiva por 5 anos e 2% para o fundo comunitário.
  2. Ano 2: primeira colheita.
  3. Ano 3: expansão a 10 lagos e cooperação com o IIAP.

6. Primeira venda cooperativa com pagamento à vista

Caminho:

  1. Ano 1: um entreposto-piloto em Rio Branco, com leiloeiro da colônia e desconto automático do crédito.
  2. Ano 2: segundo entreposto, em Cruzeiro do Sul.
  3. Ano 3: preço de referência público semanal, divulgado pela SFPA/AC.

7. Frio solar comunitário: referência para a estação do Frio a Bordo

Caminho:

  1. Ano 1 (2027): 15 unidades em 3 estações-piloto, como bem público cedido à entidade, com uso medido e publicado.
  2. Ano 3 (2029): 60 unidades, com estação nas 5 regionais.
  3. Ano 5 (2031): 100 unidades e 10 estações.

8. App de captura e venda direta

Caminho:

  1. Ano 1: módulo "minha captura" (quilos, espécie, despesa) e vitrine para restaurantes de Rio Branco.
  2. Ano 2: rastreabilidade por lote, com o registro de conservação do Frio a Bordo.
  3. Ano 3: integração com o PNAE e selo de origem.

Não copiar

Os erros medidos lá fora têm equivalente possível no Acre, e o plano os proíbe por regra (P5 §10).

Prática Onde O que aconteceu Regra do plano
Financiar o comitê com taxa sobre o pescador Comitês de desembarque (BMU), Lago Vitória Taxa não arrecadada, captura por elites, efetividade abaixo de 36% FV Vigilância paga por receita do manejo e por PSA, com auditoria pública
Reconhecer o acesso sem pagar a patrulha Camboja, reforma de 2012 Ganho individual inconclusivo; patrulha dependente de ONG FV Todo acordo de pesca nasce com a fonte de custeio da patrulha
Mercado de paiche sem manejo Bolívia (Beni e Pando) Cerca de 4.000 t por ano; o paiche é 80% do peixe vendido em Pando e Beni, sem plano de controle nem linha de base FV Rastreabilidade de origem na fronteira; pirarucu só de área com manejo
Co-gestão sem as lideranças existentes Zâmbia (Bangweulu) Colapsou quando a ONG saiu FV Colônias, sindicatos, associações e lideranças indígenas e extrativistas dentro da estrutura
Converter lago de várzea em viveiro Índia (Kolleru) Viveiros demolidos por ordem judicial em 2006, dado não verificado INF Lago de várzea é área de manejo, não de viveiro
Selo com prêmio sem comprador âncora Indonésia (Fair Trade) O prêmio de 10% depende de um comprador dedicado FV Selo só depois do contrato com o comprador
Preço mínimo obrigatório Noruega Exige lei; o estado não pode obrigar preço privado INF Só preço de referência público semanal

O molde de política pública

Plano que vira atividade tem meta numérica por objetivo, indicador e plano regional espelhado FV (P5 §1). Três referências dão o molde.

O Plano Nacional de Desenvolvimento Aquícola do Peru (PNDA, 2010-2021) é o mais completo. Tem 8 objetivos, indicadores por objetivo e metas quantificadas para 2015. O plano de ação lista ações, participantes, prazos, custos e fontes. Em 2021 veio a diretriz para planos regionais FV (P5 §9.1). A meta é escrita como faixa: colheita de 95 a 110 mil t, 12 governos regionais com extensão, 6 granjas demonstrativas. O resultado real contra a meta: NE.

A Tanzânia concluiu em fevereiro de 2023 o primeiro plano nacional de ação para a pesca artesanal (NPOA-SSF). O rito é uma equipe-tarefa com vários atores e reunião trimestral FV (P5 §3.11).

As Diretrizes Voluntárias da FAO para a Pesca Artesanal (2014) dão os capítulos: direitos de uso, pós-captura, gênero e risco climático. O Brasil não tem NPOA-SSF. Um plano estadual do Acre alinhado às Diretrizes seria inédito e elegível a apoio técnico da FAO INF (P5 §3.11).

Este plano adota o molde assim INF:

Elemento do molde Origem Como este plano adota
Objetivo, indicador e meta numérica com ano PNDA (Peru) Metas com número e ano (cap. 03) e painel de indicadores (cap. 14)
Ação com responsável, custo e fonte PNDA (Peru) Roteiro por fases (cap. 11) e matriz fonte × uso (cap. 13)
Plano regional espelhado Diretriz peruana de 2021 Prioridades por regional (cap. 12)
Equipe-tarefa de vários atores, com reunião trimestral NPOA-SSF (Tanzânia) Instância do Pacto Acreano da Pesca Artesanal (cap. 10), com acompanhamento trimestral
Capítulos de direitos de uso, pós-captura, gênero e clima Diretrizes da FAO Camadas do ecossistema (cap. 04) e riscos (cap. 15)
Indicadores de co-gestão e de finanças Laos, Camboja, Peru, Índia Acordos ativos, contagem anual de estoque, % da receita em fundo comunitário, taxa de repagamento (cap. 14)

O que este capítulo decide

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10 · Governança: quem faz o quê

O arranjo recomendado tem três etapas: pacto e cooperativa em 2026, consórcio intermunicipal em 2027 e lei estadual com conselho e fundo em seguida. O Pacto Acreano da Pesca Artesanal é um grupo gestor estadual coordenado pela SFPA/AC, firmado por Acordo de Cooperação Técnica sem transferência de recursos INF (P7 §6). A cooperativa de pescadores é o braço econômico. O consórcio é o dono público da infraestrutura. A lei dá permanência ao conjunto.

A ordem não é preferência. Em 2026 o plano só pode ser desenhado, pactuado e protocolado, não executado com bens (Lei 9.504/1997, art. 73) FV (P7 §0). Pacto e cooperativa não distribuem nada e por isso cabem agora.

Quem pode o quê

A SFPA/AC pode coordenar e executar, mas não normatizar; o ordenamento é federal e a venda depende de ato estadual ou municipal.

Ator O que pode Limite Base legal Prazo típico
SFPA/AC Executar programas do MPA no estado; fomento; apoio a cooperativismo; assessorar o RGP; julgar recurso de RGP em 1ª instância; emitir certidão de regularidade; articular órgãos estaduais Não edita defeso, cota nem acordo de pesca; dotação própria NE Decreto 11.624/2023, Anexo I, art. 25, I a IX; Portaria MPA 127/2023, arts. 18 e 27 Recurso de RGP: 30 dias; ACT: 30–90 dias
MPA (Brasília) Política da pesca artesanal; RGP; estatística; editais; ordenamento, com o MMA Edital anual; portaria sob demanda Decreto 11.624/2023, arts. 16 e 22; Portaria Interministerial MPA/MMA 53/2026; Decreto 11.626/2023 Ordenamento: 6–18 meses
IBAMA e ICMBio Fiscalização; cota de pirarucu; acordo de pesca em UC federal por portaria Quem homologa acordo em rio acreano fora de UC: NE IN IBAMA 29/2002; IN IBAMA 34/2004 (só defeso e tamanho mínimo do pirarucu); Lei 9.985/2000 Cota: ciclo anual; acordo: 6–18 meses
MTE Seguro-defeso desde 01/11/2025; registro sindical no CNES Cadastro de colônias sem efeito desde 2012 Leis 15.265/2025 e 15.399/2026; Resoluções CODEFAT 1.027/2025 e 1.035/2026; Portaria MTE 3.472/2023 Recurso do defeso: 120 dias; registro sindical: 4–8 meses
Seagri Atividades rurais e extensão rural; termos de colaboração Sem coordenação de pesca NE; pesca fora dos 6 programas estruturantes LC estadual 419/2022; Lei estadual 4.085/2023; Decreto estadual 11.329/2023 Sem prazo publicado
IDAF SIE, que inclui pescado; cadastro sanitário e GTA de animais aquáticos Adesão ao SISBI NE; lista de registrados não publicada Lei estadual 3.731/2021; IN MPA 04/2015 Sem prazo publicado
IMAC e SEMA Licenciamento de aquicultura caso a caso; dispensa de outorga; manejo de fauna pelo ACT 55/2025 Sem norma própria de aquicultura; convênio de outorga em rio federal não assinado Resoluções CEMACT 3/2008 e 2/2011; Lei estadual 1.500/2003 Licença única: 60 dias; LP, LI e LO: 120 dias (dado de 2018)
Prefeitura SIM; merenda; feira; ponto de desembarque; convênio com o MPA; transferência especial Só Cruzeiro do Sul tem secretaria com pesca; bens travados em 2026 CF, arts. 23, 30 e 166-A; Lei 1.283/1950; Lei 11.947/2009; LC 210/2024 SIM: 3–9 meses
Consórcio público Receber transferências; operar SIM consorciado, entreposto e ATER; ser dono público das unidades e da estação do Frio a Bordo e cedê-las à entidade Lei de ratificação em cada câmara Lei 11.107/2005; Decreto 6.017/2007; Portaria MAPA 672/2024 6–12 meses
Colônia e federação Representar a categoria; propor parceria com 3 anos de CNPJ; emitir CAF, se credenciada; receber em cessão de uso e operar unidades e estação do Frio a Bordo Não vende produto; não recebe transferência especial Lei 11.699/2008; Lei 13.019/2014; Portaria MDA 20/2025 Sem prazo
Sindicato Representar após registro no CNES; receber emenda por termo de fomento Nenhum sindicato de pesca do Acre no CNES; o de Rio Branco está em protocolo CLT, arts. 511 e seguintes; Portaria MTE 3.472/2023 4–8 meses
Cooperativa Vender com nota em nome dos cooperados; tomar crédito; operar entreposto; ter CAF jurídica Não representa a categoria; mínimo de 20 pessoas físicas Lei 5.764/1971; Lei 14.030/2020; Lei 11.326/2006, art. 3º, §2º 2–4 meses
ICT (IFAC, UFAC, Embrapa) Parceria de pesquisa, extensão tecnológica, formação e bolsas Linhas de pesca na UFAC e na Embrapa Acre: NE Lei 10.973/2004 Semestral ou anual
Sebrae e Senar Sebrae apoia as Feiras do Peixe em 11 a 12 municípios; gestão e formação INF Programa específico de pesca: nada localizado NE Não levantada NE Sem prazo
Bancos Pronaf ao pescador com CAF; Pronaf PJ e FNO (Basa) à cooperativa Colônia e associação não tomam crédito produtivo Lei 15.399/2026, art. 6º (encargos de reforma agrária) NE; ver capítulo de crédito

Fontes: P7 §1 e §2; P6 §3.1; P8 §8. As normas sem texto reaberto na pesquisa devem ser conferidas antes de peça oficial (P7 §8).

Três consequências saem da tabela.

  1. A SFPA/AC lidera por articulação e convênio, não por norma. Ela julga recurso de RGP, e por isso precisa estar dentro do arranjo.
  2. O Estado é o maior vazio: não tem lei, conselho, fundo nem coordenação de pesca; nenhum ato foi localizado NE. É também o vazio mais barato de preencher.
  3. Três perguntas só se resolvem por ofício: quem homologa acordo de pesca em rio acreano, qual defeso do pirarucu prevalece e qual é a regra da Sefaz-AC para a nota do pescador.

Qual pessoa jurídica serve para quê

Nenhuma pessoa jurídica faz tudo; o plano usa três em conjunto: entidade representativa, cooperativa e consórcio público.

Pessoa jurídica Capta emenda ou convênio Vende com nota Toma crédito Opera entreposto ou SIM Representa Uso no plano
Pescador (pessoa física) Não Sim, nota avulsa de produtor; rito na Sefaz-AC NE Pronaf, com CAF Não Não Titular da renda. MEI é vedado
Colônia Sim, com 3 anos de CNPJ ativo e Transferegov; não recebe transferência especial Não Não Só por convênio de gestão Sim Mutirão, CAF, assento no pacto, captação de 2026 a 2028; recebe em cessão de uso e opera unidades e estação do Frio a Bordo
Federação estadual Sim, mesmas regras Não Não Não Sim, no nível estadual Assento no pacto
Sindicato Sim; travas de prazo de CNPJ, estatuto e CNAE Não Não Não Sim, após o CNES Representação e CAF
Associação civil Sim, com 3 anos Não para produto dos sócios Não Sim, por termo Sim, sem natureza sindical Recebe em cessão de uso e opera unidades e estação do Frio a Bordo; grupo de manejo
Cooperativa Sim; dispensada das cláusulas estatutárias de OSC Sim Sim: Pronaf PJ e FNO Sim Negocia preço; não representa Entreposto e venda; recebe em cessão de uso e opera unidades e estação do Frio a Bordo
Consórcio público Sim, por transferência com finalidade definida ou convênio; não recebe transferência especial Não Não Sim: SIM consorciado e entreposto público Negocia pelos municípios Dono da infraestrutura pública, inclusive das unidades e estações do Frio a Bordo cedidas às entidades
Prefeitura Sim Não Não Sim Não SIM, feira e merenda
Estado Sim Não Não SIE e licenciamento Homologa acordo, se delegado Lei, conselho e fundo
SFPA/AC Executa recursos do MPA; não é proponente Não Não Não Coordena Articulação do pacto

Fonte: P7 §2.

A cooperativa é a única que vende com nota e toma crédito, mas leva 3 anos até captar por termo de fomento. Por isso a captação de 2026 a 2028 passa pelas colônias antigas ou pelo consórcio INF (P7 §6).

Os instrumentos legais que destravam renda

Dez instrumentos convertem cadastro em renda: oito começam por ofício, mutirão ou pedido, e dois são projetos de lei estaduais. Nenhum transfere bens em 2026.

Regularização coletiva de RGP e REAP

É o pré-requisito de tudo e cabe em 2026 (P7 §4.1).

  1. Baixar as listas do Acre nas portarias de 2026 e cruzar com a base da entidade: advertido, suspenso, cancelado.
  2. Fazer o mutirão documental: CPF, gov.br prata ou ouro, CIN, PesqBrasil e REAP 2025.
  3. Protocolar recursos coletivos padronizados em até 60 dias. A SFPA/AC julga em 1ª instância.
  4. Corrigir o e-mail cadastrado e orientar o pescador a entrar no PesqBrasil todo mês. O aviso sai no Diário Oficial e no PesqBrasil; o e-mail próprio ajuda, mas não basta. Quem só espera o e-mail pode perder os 30 dias de recurso (Portaria MPA 127/2023, art. 28) FV.
  5. Emitir a certidão de regularidade, que habilita CAF, nota, crédito e seguro-defeso.

O REAP de 2021 a 2025 foi prorrogado até 31/12/2026 (Lei 15.399/2026, art. 9º) FV. Para o seguro-defeso em 2026, só se exige o REAP de 2025. As datas de abril de 2026 eram do regime anterior, superado pela lei de maio de 2026.

CAF

  1. Reunir CPF da família, RGP artesanal e autodeclaração de renda.
  2. Emitir em entidade da Rede CAF. É gratuito e vale 3 anos FV.
  3. Credenciar colônias e sindicato como emissores (Portaria MDA 20/2025). A entidade vira porta permanente.

O CAF abre Pronaf, PAA e PNAE (P7 §4.2).

Nota fiscal do pescador

  1. Oficiar a Sefaz-AC: há inscrição de produtor para pescador com RGP e sem imóvel rural? Qual o ICMS do peixe in natura? NE
  2. Se não houver regra, propor ato da Sefaz ou decreto de isenção ou diferimento.
  3. Fazer a inscrição e instalar o aplicativo Nota Fiscal Fácil, com conta gov.br.
  4. Emitir a nota com o número do RGP, exigida na porta do estabelecimento inspecionado desde 10/04/2026.

A nota em 6 de 12 meses é condição do seguro-defeso (Lei 15.265/2025) FV (P7 §4.2 · P6 §3.4).

Acordo de pesca

  1. Oficiar IBAMA/AC e IMAC: quais acordos de Feijó, Tarauacá e Manoel Urbano estão vigentes e quem homologa hoje.
  2. Reunir as comunidades e propor regras: zonas, petrechos, períodos e vigilância.
  3. Aprovar em assembleia intercomunitária, com ata.
  4. Submeter ao órgão competente. Em reserva extrativista, ao conselho deliberativo e ao ICMBio.
  5. Publicar e fiscalizar em conjunto.

Prazo de 6 a 18 meses; custo baixo (P7 §4.4).

Manejo de pirarucu

  1. Resolver antes, por ofício ao IBAMA/AC: o alto Juruá e o Purus estão na área de ocorrência natural? Qual defeso prevalece? NE
  2. Constituir a área: acordo de pesca homologado, terra indígena ou unidade de conservação.
  3. Ter pessoa jurídica comunitária com CNPJ ativo.
  4. Fazer a contagem anual e pedir a cota, de até 30% dos adultos.
  5. Pescar, beneficiar com inspeção e vender. Pleitear a extensão do pagamento por serviço ambiental do pirarucu ao Acre.

Fonte: P7 §4.5. A IN IBAMA 34/2004 fixa só defeso e tamanho mínimo; cota e área de manejo dependem de autorização do Ibama, caso a caso FV.

Licenciamento de aquicultura familiar

  1. CAR ativo e sem passivo.
  2. RGP de aquicultor, gratuito até 2 ha.
  3. Cadastro no IDAF e GTA.
  4. Certidão de Dispensa do IMAC ou licença única, em 60 dias.
  5. Certidão de Dispensa de Outorga.

A pauta de 2027 é uma lei estadual de aquicultura com etapa única digital e taxa reduzida para iniciante INF (P7 §4.6). O passo a passo do tanque de quintal e do módulo associativo, com licença ou dispensa no IMAC e cadastro no IDAF, está no capítulo 18.

Projeto de lei estadual do Frio a Bordo

É a base legal da conservação do pescado a bordo. A minuta existe e ainda não foi protocolada FV (capítulo 17).

  1. Instituir a política estadual de conservação do pescado a bordo.
  2. Fixar desempenho, não marca: a lei é tecnologicamente neutra.
  3. Prever repasse direto a entidade de base regular e vedar a entrega a pessoa física.
  4. Vedar a cobrança pelo uso e admitir só o rateio de manutenção aprovado em assembleia e comunicado à Administração.
  5. Destinar bens só a partir de 01/01/2027.

O protocolo é atividade legislativa e cabe em 2026 INF. O bem é público e chega à entidade por cessão de uso com encargo e reversão.

Projeto de lei da Política Estadual de Aquicultura Familiar

É a lei que falta para a piscicultura em tanques INF (PT §0).

  1. Redigir a minuta na Fase 0, com o grupo gestor.
  2. Incluir licenciamento em etapa única e taxa reduzida para iniciante, no modelo de Rondônia.
  3. Protocolar o projeto em 2027, na Fase 1.

A minuta não prevê aporte estatal em indústria de pescado INF (capítulo 18).

SIM e consórcio

  1. Criar o SIM por lei municipal, com veterinário responsável técnico, ou criar SIM consorciado.
  2. Aderir ao SISBI: programa de trabalho, auditoria da superintendência do MAPA e publicação. É gratuito e leva até 120 dias FV.
  3. Pedir o Selo ARTE para produto artesanal. O fluxo no Acre é NE.

Fonte: P7 §4.8.

Cessão de águas da União

Não é recomendada como piloto: não há precedente no Acre e o prazo passa de 12 a 24 meses (P7 §4.7).

  1. Projeto técnico.
  2. Protocolo no MPA.
  3. Parecer da Marinha e da SPU.
  4. Outorga da ANA, sem rito testado para rio.
  5. Licença do IMAC.

A gratuidade da modalidade de interesse social é NE.

O que copiar de outros estados

O Acre é o único estado da amostra sem lei, órgão, conselho, fundo e programa de pesca; quatro modelos vizinhos são transplantáveis FV (P7 §3).

UF Norma O que copiar Onde entra no Acre
Tocantins LC 177/2026, de 02/07/2026 Política estadual, conselho, câmaras setoriais de pesca artesanal e de piscicultura, selo e licenciamento prioritário a pequenos Esqueleto da lei estadual
Amazonas IN SEMA-AM 001/2025 e 002/2026; Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Lei 7.405/2025) Acordo de pesca homologado por norma estadual, com zonas de preservação, manutenção e uso comercial Capítulo de acordos de pesca; ato do IMAC ou da SEMA
Rondônia Lei 1.038/2002; Leis 5.280 e 5.412/2022 Licenciamento digital em etapa única, com taxa 80% menor para iniciante; fundo para pescador em área de preservação rotativa Capítulo de aquicultura e fundo
Pará Decreto 1.686/2021; IN SEMAS 02/2022 Rito formal de homologação e prorrogação de acordos de pesca Decreto regulamentador

O arranjo recomendado em etapas

Governança, economia e infraestrutura pública são camadas distintas e não se excluem; a ordem segue o que a lei eleitoral permite INF (P7 §6).

Etapa Quando Base legal Primeiro ato Prazo para constituir Quem assina
1A. Pacto Acreano da Pesca Artesanal Fase 0: out a dez/2026 Decreto 11.624/2023, art. 25, I, V e IX; Decreto 11.531/2023 (ACT não é transferência voluntária) Ofício do superintendente convocando a 1ª reunião, com minuta de ACT multilateral e calendário publicado em sítio eletrônico 60–90 dias SFPA/AC e aderentes
1B. Cooperativa de pescadores Constituição em 2026; operação em 2027 Lei 5.764/1971; Lei 14.030/2020 Assembleia de constituição com 20 pescadores de RGP ativo e estatuto de objeto amplo 2–4 meses Pescadores
2. Consórcio público intermunicipal 2027 Lei 11.107/2005; Decreto 6.017/2007; Portaria MAPA 672/2024 Protocolo de intenções subscrito pelos prefeitos 6–12 meses Prefeitos e câmaras
3. Lei Estadual de Pesca e Aquicultura, com conselho e fundo Minuta e protocolo em 2026; vigência e cargos em 2027 Competência da ALEAC; modelo da LC 177/2026 do Tocantins Minuta validada pelo grupo gestor e protocolada na ALEAC 6–18 meses ALEAC e Executivo

Etapa 1: pacto e cooperativa (2026)

O pacto usa competência expressa da SFPA/AC, não distribui bens e custa zero.

O rito proposto é simples INF:

  1. Reunião ordinária a cada três meses, junto com o boletim trimestral, e calendário anual publicado em sítio eletrônico.
  2. Pauta divulgada antes e ata pública depois de cada reunião.
  3. Cada ação com dono, prazo e indicador, cobrados na reunião seguinte.
  4. Só números agregados circulam no pacto. O dado pessoal fica com quem o coletou.

A publicação pesa em dinheiro: a Portaria MPA 545/2025, art. 11, §2º, prioriza propostas com processo participativo publicado FV (P7 §4.9).

Os objetivos dos primeiros 12 meses são cinco (P7 §6):

  1. Regularização coletiva de RGP, REAP e CIN, com meta por município.
  2. Ofícios de desempate: defeso do pirarucu, competência sobre acordos de pesca e convênio de outorga entre ANA e IMAC.
  3. Credenciamento das colônias na Rede CAF.
  4. Minuta da lei estadual com conselho, para 2027.
  5. Entrada do Acre no Programa Povos da Pesca Artesanal e no comitê de gestão das bacias do Norte.

A cooperativa nasce em paralelo. A cooperativa recebe em cessão de uso e opera unidades e estação do Frio a Bordo, beneficia, emite nota em nome dos cooperados, vende e toma crédito. A colônia ou o sindicato representa, emite CAF e senta no pacto. São os mesmos sócios em duas pessoas jurídicas. Por ser privada, a cooperativa não depende de governo nem de eleição. Se for dirigida por candidato ou aliado, vira entidade vinculada e perde essa vantagem (P7 §6).

Etapa 2: consórcio intermunicipal (2027)

O consórcio é o dono permanente da infraestrutura de frio e inspeção que hoje está no papel.

O consórcio recebe emenda e convênio e divide veterinário e custeio entre municípios pequenos. Não foi localizado exemplo de consórcio intermunicipal de pesca no Norte ou no Nordeste NE (P7 §0 e §6).

Etapa 3: lei estadual com conselho e fundo

A lei dá ao arranjo o que o pacto não tem: orçamento e continuidade. O modelo é a lei do Tocantins, com três enxertos: acordo de pesca homologado por norma estadual (Amazonas), licenciamento em etapa única (Rondônia) e fundo para pescador em área de preservação (Rondônia). Protocolar o projeto em 2026 é atividade legislativa, não distribuição de bens. Cargos e vigência ficam para 2027, depois da posse (P7 §5 e §6) INF.

O ponto fraco de cada etapa

Nenhuma etapa é segura sozinha, e por isso as três se apoiam (P7 §6).

Etapa Ponto fraco Como o plano compensa INF
Pacto Não tem orçamento; depende do superintendente, cargo de confiança ACT com vigência plurianual, atas públicas e lei estadual na sequência
Cooperativa Exige gestão e capital; leva 3 anos até captar Gestor contratado; contrato de venda antes do ativo; captação pelas colônias antigas e pelo consórcio
Consórcio Depende de prefeitos e de ratificação em cada câmara; não executa em 2026 Começar pelo protocolo de intenções em uma regional; objeto restrito a SIM, frio e ATER
Lei estadual Tramitação de 6 a 18 meses Minuta pronta pelo pacto; manual do MPA de criação de conselho como anexo

O que este capítulo decide

Anterior: 09 Modelos mundo afora · Lista de capítulos · Próximo: 11 Roteiro por fases

11 · Roteiro de implantação: das primeiras ações à atividade plena

O plano anda em cinco fases, e cada fase só começa quando a anterior entrega o seu marco de saída. A ordem não é preferência: é pré-condição. Crédito não sai sem RGP ativo, CAF e nota. Entreposto não se paga se o peixe chega degradado do barco e sem contrato de compra. Tanque não rende sem frio e sem ração contratada. Manejo de pirarucu não fecha a conta sem quem pague a vigilância. Em todos os fracassos estudados, o dinheiro entrou pelo ativo e não pelo contrato de venda (P4 §4) INF. Este roteiro inverte a ordem: documento, organização e comprador primeiro; obra depois.

Fase 0 · Preparar

out–dez/2026 · 90 dias

  • Pacto assinado
  • Medir o que não se sabe
  • Mutirão documental no defeso

Fase 1 · Regularizar e organizar

2027 · ano 1

  • RGP + CAF + nota
  • Frio a Bordo em 3 pilotos
  • Primeiro contrato PNAE
  • Piloto de tanques: 20 famílias

Fase 2 · Produzir e conservar

2028–2029 · anos 2–3

  • Entrepostos com inspeção
  • Frio a Bordo nas 5 regionais
  • Pirarucu com cota
  • Tanques: 100 famílias

Fase 3 · Beneficiar e vender

2029–2031 · anos 3–5

  • Filé na merenda estadual
  • Couro, marca, SISBI
  • Polos de piscicultura familiar
  • 100 unidades Frio a Bordo

Fase 4 · Atividade plena

2031 em diante

  • Indústria com SIF por contrato
  • Insumos por contrato
  • Fundo estadual permanente

A lógica da sequência

Três regras organizam todas as fases INF.

  1. Documento antes de dinheiro. O trio RGP ativo com REAP em dia, CAF e nota fiscal é o requisito comum de Pronaf, FNO, PAA, PNAE, Selo da Pesca Artesanal e do próprio seguro-defeso, que hoje exige nota em 6 dos 12 meses (P1 sumário · P7 §4.2) FV. A SFPA/AC tem competência expressa de assessoramento na organização e manutenção do RGP (Decreto 11.624/2023, Anexo I, art. 25, VIII) e de apoio e articulação para o CAF e a nota (art. 25, III e IX) FV.
  2. Comprador antes de equipamento. Cada entreposto nasce com um contrato de PNAE ou PAA assinado, não com uma inauguração (P6 §7.5) INF.
  3. Operador e meta antes de obra. Nenhum equipamento é entregue sem operador nomeado, custeio definido, fundo de manutenção e meta publicada. É o que separa as fábricas de gelo anunciadas, nenhuma com operação comprovada, de um equipamento que funciona (P6 §4.1 · P4 §4) FV. Por isso o frio do plano é o Frio a Bordo, que leva a conservação para dentro do barco e nasce com operador, rateio de manutenção e uso medido (capítulo 17).

O calendário legal de 2026 define o que cabe em cada momento. Até a posse dos eleitos valem vedações da Lei 9.504/1997, art. 73: nenhuma distribuição de bens em 2026 e nenhuma transferência voluntária nova até o fim do período eleitoral (P7 §5) FV. Por isso a Fase 0 só pactua, mede, protocola e regulariza documentos. Obras e equipamentos começam em 2027.

Fase 0 · Preparar (outubro a dezembro de 2026)

A Fase 0 custa pouco e decide muito: sai dela um grupo gestor com ata pública, os seis ofícios de desempate, o diagnóstico do frio existente, a série de preços e a fila de regularização organizada. O defeso começa em 15/11/2026 e tira o pescador do rio até 15/03/2027: é a janela natural para o mutirão documental.

# Ação Quem faz Custo Marco
0.1 Convocar a 1ª reunião do Pacto Acreano da Pesca Artesanal e assinar o Acordo de Cooperação Técnica, sem repasse de recursos; termo de cooperação de crédito com a Caixa e o Banco da Amazônia assinado em novembro SFPA/AC coordena; Seagri, IDAF, IMAC, Sefaz, MTE, entidades, IFAC, UFAC, Embrapa, Sebrae zero ACT assinado e calendário publicado em sítio eletrônico, até 60–90 dias (P7 §6)
0.2 Baixar as listas do Acre das portarias de saneamento do RGP e montar três filas por entidade: advertido, suspenso, cancelado Entidades (fila) + SFPA/AC (análise) custo de campo Total de pescadores em cada fila publicado por município, sem nomes; REAP 2025 entregue até 31/12/2026 (P7 §4.1)
0.3 Mutirão documental no defeso: CPF, gov.br prata ou ouro, CIN, PesqBrasil, REAP dos anos de 2021 a 2025, e-mail próprio e acesso mensal ao PesqBrasil, onde sai a notificação; e balcão do Desenrola Rural, cujo prazo termina em 20/12/2026 (capítulo 06) Entidades + SFPA/AC + prefeituras (CIN) custo de campo Número de certidões de regularidade emitidas por município
0.4 Seis ofícios de desempate: defeso do pirarucu que prevalece no AC; quem homologa acordo de pesca fora de UC; inscrição estadual e nota do pescador na Sefaz; lista de SIE e SIM de pescado; seguro-defeso por município; situação dos acordos de pesca de 2014–17 SFPA/AC e entidades zero Respostas recebidas e publicadas
0.5 Diagnóstico do frio existente: fábricas de gelo anunciadas, câmaras e freezers das entidades, com capacidade real, operador e situação. Serve de linha de base; o plano não investe em fábrica de gelo Grupo gestor, com vistoria deslocamento Planilha pública, incluindo as 5 fábricas anunciadas (P6 §4.1)
0.6 Série semanal de preços em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira Sebrae ou ICT cerca de R$ 3 mil por mês (P6 §7.1) INF Boletim semanal no ar
0.7 Levar as propostas do Acre à 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, 11 a 13/11/2026, em Brasília Delegação estadual passagens Propostas protocoladas (P1 sumário · data confirmada só em imprensa)
0.8 Constituir a primeira cooperativa de pescadores, com pelo menos 20 pessoas físicas de RGP ativo Pescadores, com apoio de Sescoop e Sebrae R$ 30–60 mil de assessoria (P6 §7.2) INF Ata de constituição e CNPJ
0.9 Minuta da Lei Estadual de Pesca e Aquicultura com conselho e fundo, e minuta do protocolo de intenções do consórcio intermunicipal Grupo gestor zero Minutas publicadas para consulta; projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa depois de validado pelo grupo gestor
0.10 Mapa de habilitação das entidades: idade de CNPJ, certidões, cadastro no Transferegov, pendências SFPA/AC orienta; entidades executam zero Quadro "quem está apto a captar o quê"
0.11 Frio a Bordo: projeto de lei estadual protocolado, escolha dos 3 polos-piloto (Juruá, Purus/Envira e vale do Acre) e habilitação das entidades que vão receber as unidades. Nenhuma unidade é entregue em 2026 Assembleia Legislativa; grupo gestor; entidades zero Projeto protocolado, com meta de aprovação em primeira discussão até dezembro para não ser arquivado com o fim da legislatura (FB §0); 3 polos definidos em ata
0.12 Piscicultura em tanques: consulta formal ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e aquicultura; levantamento de 20 famílias para o piloto e dos viveiros parados com água e dono disposto; cotação coletiva de ração em carreta e de cama de frango; consulta formal ao fornecedor de ração de Rio Branco e ao dono da fábrica de ração parada; minuta da Política Estadual de Aquicultura Familiar Grupo gestor, entidades, ICT zero Consulta protocolada; lista do piloto; ração cotada a até R$ 5,50 por kg posta no polo (PT §12); cotação de cama e respostas publicadas (capítulo 19)

Marco de saída da Fase 0: ACT assinado; filas de regularização organizadas, com totais por município publicados; seis ofícios respondidos ou reiterados; diagnóstico do frio existente concluído; projeto de lei do Frio a Bordo protocolado; consulta sobre seguro-defeso e aquicultura protocolada; uma cooperativa constituída.

O que a Fase 0 não faz: não distribui bem nem benefício, não cadastra pescador em estrutura ligada a candidatura, não inaugura nada. O cadastro é da entidade e do órgão público, com finalidade declarada e trilha de auditoria (P7 §5) FV.

Fase 1 · Regularizar e organizar (2027)

A Fase 1 transforma pescador com carteira em pescador com documento, organização e primeiro contrato. É a fase em que a renda de atividade aparece pela primeira vez na nota fiscal. O custo estimado é de R$ 1,5 a 3,0 milhões para o estado inteiro (P6 §7.1) INF.

# Ação Quem faz Custo Fonte do recurso
1.1 Regularização coletiva com meta por município: recursos padronizados, certidão de regularidade, CAF emitido pelas próprias entidades credenciadas Entidades + SFPA/AC custo de campo Orçamento da SFPA; entidades
1.2 Nota fiscal do pescador: ato da Sefaz-AC admitindo inscrição de produtor ao pescador com RGP, e Nota Fiscal Fácil Sefaz-AC, a pedido do Pacto zero Ato normativo
1.3 Frio a Bordo: 3 pilotos de 5 embarcações cada, um por polo (Juruá, Purus/Envira e vale do Acre), com estação solar em terra, comitê local, rateio de manutenção aprovado em assembleia, fundo de manutenção e quilos conservados publicados todo mês Estado ou prefeitura adquire; entidade recebe em cessão de uso e opera R$ 200–320 mil por piloto; R$ 0,6–1,0 mi no total (FB §10) INF Emenda a ente público; orçamento estadual; fundos
1.4 Piloto de piscicultura em tanques: 20 famílias com tanque suspenso de lona de 10 a 20 m³, bomba solar e biofiltro, junto a uma estação do Frio a Bordo; tambaqui com curimatã e piau; ração em contrato coletivo de 12 meses; teste da cama de frango curtida como adubo em três propriedades, com viveiro-testemunha, de custo a orçar (capítulo 19) Cooperativa ou associação opera; ICT e ATER acompanham R$ 7–9 mil por família; R$ 150–200 mil no total (PT §12) INF Recurso privado, edital ou Pronaf B
1.5 Dois Serviços de Inspeção Municipal piloto, em Rio Branco e Cruzeiro do Sul Prefeituras R$ 130–200 mil por ano cada INF Orçamento municipal; emenda
1.6 Feira do Pescador semanal com frio, bancada e preço de referência publicado Prefeituras R$ 20–40 mil de adequação INF Orçamento municipal
1.7 Primeira chamada pública do PNAE para pescado local em 3 a 5 municípios. Como a venda exige produto inspecionado, começa onde houver SIM piloto ou beneficiamento em unidade inspecionada de terceiros Prefeituras e Secretaria de Educação; cooperativa vende zero (é compra) PNAE: mínimo de 45% da agricultura familiar (P1 sumário) FV
1.8 Mutirão de crédito em 8 polos: documento de novembro a janeiro, contrato de fevereiro a abril, e acompanhamento dos cerca de 4.200 contratos de 2025–26 que vencem até 2028 Caixa e Banco da Amazônia, com SFPA/AC, ATER e entidades R$ 0,4–1,1 mi por ano (P2 sumário) INF Pronaf e FNO (capítulo de crédito)
1.9 Contagem de pirarucu nos lagos do Envira, Tarauacá e Purus, com contadores certificados Entidades locais, com instituto parceiro deslocamento e capacitação Parceiros; fundos de pequeno valor
1.10 Retomar os acordos de pesca de Feijó, Tarauacá e Manoel Urbano e pedir a homologação Comunidades, IMAC, IBAMA baixo (P7 §4.4) Parceiros
1.11 Grupos de poupança e crédito entre pescadores, por comunidade Entidades, com facilitador próximo de zero (P5 sumário) Próprio grupo
1.12 Concluir a licença dos piscicultores familiares; os pedidos são protocolados no IMAC ainda em 2026, antes do fim da transição do tambaqui, em novembro IMAC, Seagri, IDAF custo administrativo Estado
1.13 Aprovar a Lei Estadual de Pesca e Aquicultura, protocolada em 2026; protocolar o projeto da Política Estadual de Aquicultura Familiar; ratificar o consórcio intermunicipal nas câmaras Assembleia Legislativa; prefeitos e câmaras zero Atividade legislativa
1.14 Submeter os primeiros projetos de captação com as entidades de CNPJ antigo Colônias com mais de 3 anos de CNPJ; ICT contrapartida Capítulo de captação

Marco de saída da Fase 1 (P6 §7.1) INF: 15 unidades Frio a Bordo em 3 estações-piloto, com uso medido e publicado; 20 famílias no piloto de tanques, com a primeira despesca vendida; pelo menos 500 pescadores emitindo nota; 2 SIMs com ao menos um estabelecimento de pescado registrado cada; uma chamada do PNAE com cooperativa de pescadores artesanais contratada; lei estadual aprovada ou em votação.

Fase 2 · Produzir e conservar (2028 e 2029)

A Fase 2 entra no mercado formal com produto inspecionado. O custo estimado é de R$ 6 a 12 milhões: três entrepostos regionais, inspeção em consórcio, frota mínima e o Frio a Bordo nas cinco regionais (P6 §7.2 · FB §10) INF.

# Ação Quem faz Custo Fonte do recurso
2.1 Três entrepostos regionais de pequeno porte, até 250 m², com máquina de gelo e câmara próprias, filetagem e embalagem: Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Brasiléia ou Sena Madureira Cooperativa é dona; gestor contratado; responsável técnico veterinário R$ 0,6–1,2 mi cada INF Pronaf Agroindústria; emenda; consórcio
2.2 Um caminhão baú refrigerado por entreposto Cooperativa R$ 100–280 mil cada INF Pronaf; emenda
2.3 Uma cooperativa singular com CAF jurídica por regional: 3 até 2029 e 5 até 2031 Pescadores, com Sebrae e Sescoop R$ 30–60 mil cada INF Sebrae; fundos
2.4 Entrar no PNAE estadual, que já compra pescado regional sem espinha de duas cooperativas: cooperativas de pescadores artesanais passam a fornecer; o contrato anual firmado é o marco da Fase 3 Secretaria de Educação compra; cooperativas de pescadores vendem zero (é compra) Item de pescado regional do credenciamento estadual: R$ 2,99 mi homologados em 2026 (PNCP) FV
2.5 Inspeção municipal em consórcio e adesão ao SISBI Consórcio intermunicipal R$ 60–90 mil por ano por município INF Rateio entre municípios
2.6 Primeira safra de pirarucu com cota autorizada, venda coletiva e pele para curtume Grupo de manejo, cooperativa vigilância é cerca de 60% do custo (P4 sumário) FV Pleito de inclusão do Acre no preço mínimo do pirarucu: R$ 10,74 por kg na safra 2026, hoje só para o Amazonas (Portaria MAPA 868/2025) FV; pagamento por serviço ambiental
2.7 Pagamento pela vigilância dos lagos: pleito de inclusão do Acre no PSA Pirarucu e regra estadual Estado, MMA a definir Federal e estadual
2.8 Santuários e refúgios de seca com comitê local, dentro dos acordos de pesca Comunidades quase nulo (P5 sumário) FV Próprio acordo
2.9 Extensão por pescadores e piscicultores formadores, remunerados por resultado ICT, Sebrae, cooperativa a orçar ATER; fundos
2.10 Compra coletiva de ração com contrato anual Cooperativas meta R$ 3,80–4,20 por kg, contra R$ 4,50–5,50 hoje INF Pronaf custeio
2.11 Frio a Bordo nas 5 regionais: mais 45 unidades, chegando a 60, com estação em cada regional Entidades, em cessão de uso, com comitê e rateio de manutenção R$ 1,8–2,9 mi (FB §10) INF Emenda; orçamento estadual; fundos; crédito para energia solar
2.12 Aplicativo de registro de captura e venda direta, em plataforma própria da entidade, com consentimento do pescador e sem operador ligado a agente político Entidades a orçar Captação
2.13 Fundo de aval estadual para o crédito de investimento do pescador e da cooperativa, criado por lei Estado, Assembleia Legislativa R$ 3–5 mi, fora da soma do plano (P2 sumário) INF Orçamento estadual
2.14 Piscicultura em tanques em escala: 50 a 100 famílias; reativação de viveiros escavados parados, com tambaqui de 2 kg em venda direta ou entregue a unidade com inspeção, própria ou de terceiros; primeira carreta da central de compra de ração (capítulo 19); primeiro módulo associativo de 8 ha com câmara fria e inspeção; pescado de cultivo na chamada do PNAE Cooperativas, com 1 técnico para 30 famílias crédito por família e por cooperativa; o módulo rende R$ 82–197 mil por ano (PT §4) INF Pronaf; FNO; fundos

Marco de saída da Fase 2 (P6 §7.2 · P4 §5) INF: 3 entrepostos com inspeção ativa; 60 unidades Frio a Bordo em operação; 100 famílias com peixe de cultivo vendido com nota; pelo menos 300 t por ano vendidas com nota ao poder público; preço ao produtor de tambaqui de pelo menos R$ 14 por kg com contrato; 300 ou mais pirarucus por safra somando Envira, Tarauacá e Purus; renda de pelo menos R$ 3.000 por manejador de pirarucu por safra, público diferente da meta geral de R$ 2.500 por família em 2029.

Fase 3 · Beneficiar e vender (2029 a 2031)

A Fase 3 agrega valor e amplia mercado. O peixe sai do estado com selo e a merenda estadual passa a ser abastecida por pescado acreano. Parte do custo já está na Fase 2; o que se soma é marca, certificação, piscicultura familiar e a rede de frio completa.

# Ação Quem faz Custo Fonte do recurso
3.1 Equivalência SISBI para vender fora do município e do estado Consórcio, IDAF gratuito, até 120 dias após o pedido (P7 §4.8) FV —
3.2 Marca coletiva e selo de origem do peixe do Acre Cooperativas, Estado R$ 100–200 mil (P6 §7.3) INF Fundo estadual; Sebrae
3.3 Couro de pirarucu com contrato de curtume e capacitação de salga Grupo de manejo R$ 15–25 mil por entreposto INF Parceiros
3.4 Processamento melhorado por grupos de mulheres: defumação, salga, secagem Cooperativas de mulheres US$ 500–800 por equipamento (P5 sumário) FV Fundos de pequeno valor
3.5 Polos de piscicultura familiar por regional, com frio, ração coletiva e técnico: 300 famílias e 40 ha de viveiros reativados até 2031 (capítulo 18) Piscicultores familiares e cooperativas, com gestão profissional nos 3 primeiros anos crédito por família e por cooperativa Pronaf; FNO
3.6 Frio a Bordo completo: mais 40 unidades, chegando a 100, e 10 estações Entidades, em cessão de uso R$ 1,6–2,6 mi (FB §10) INF Fundo estadual; emenda
3.7 Primeira venda coletiva com pagamento à vista ao pescador Cooperativa capital de giro Fundo rotativo; crédito
3.8 Compras institucionais federais: quartéis, universidade, instituto federal Cooperativas zero (é compra) PAA Compra Institucional

Marco de saída da Fase 3 INF: cooperativas de pescadores artesanais na merenda estadual por contrato anual; 5 cooperativas ativas com CAF jurídica; produto com selo vendido fora do estado; pele de pirarucu vendida com contrato; 100 unidades Frio a Bordo em operação; 300 famílias com peixe de cultivo vendido com nota.

Fase 4 · Atividade plena (2031 em diante)

Plena atividade é quando o peixe do Acre substitui o importado, os insumos chegam por contrato com a capacidade que já existe no estado e a renda de atividade supera a renda de benefício. O custo estimado é de R$ 20 a 40 milhões, e depende de a indústria âncora ser pública, privada ou mista (P6 §7.3) INF.

# Ação Quem faz Custo Modelo
4.1 Uma unidade com inspeção federal para exportar ao Peru, a Manaus e ao Sudeste Indústria privada ou parceria; cooperativas fornecem com contrato R$ 8–15 mi se nova; ou contrato de serviço com a planta existente INF Pescador é fornecedor com preço mínimo, nunca sócio
4.2 Alevinagem com origem acreana: 5 a 10 milhões de alevinos por ano Estado, Embrapa, laboratórios privados R$ 1,5–3 mi INF Venda a preço de mercado
4.3 Ração com contrato de 3 anos e preço-teto, comprada da capacidade que já existe; o plano não constrói fábrica de ração (capítulo 19) Indústria privada; cooperativas compram privado Contrato de fornecimento
4.4 Fundo Estadual de Pesca custeando a manutenção do Frio a Bordo, a inspeção em consórcio e a extensão Estado, por lei dotação anual Lei estadual
4.5 Tambaqui rastreado, com origem de cultivo licenciado e nota IMAC, Seagri, IDAF administrativo Regra nacional

Meta de chegada (P6 §7.3) INF: 1.000 t por ano de peixe acreano no mercado formal, cerca de R$ 15 milhões por ano na primeira venda a R$ 15 por kg (a pesquisa estima R$ 12 milhões, a preço menor); pescado acreano em parte das 1.800 t por ano que a merenda hoje compra de fora; preço ao produtor de pelo menos R$ 15 por kg e preço ao consumidor de até R$ 22 por kg.

Quanto custa e o que se compara

A soma das fases fica entre R$ 30 e 59 milhões em cinco a seis anos, sem contar o crédito que o próprio pescador contrata INF. A soma exata vai de R$ 29,5 a 59 milhões. O número ganha sentido ao lado de outros dois: o seguro-defeso pagou R$ 34,1 milhões no Acre em um único ciclo, 2025/26 FV (com ressalva) (P8 §1); e o FNO reservou R$ 1,085 bilhão ao estado em 2026 FV (P1 sumário). O crédito e o fundo de aval ficam fora dessa soma. O plano inteiro custa o equivalente a um ou dois ciclos de defeso. O crédito mostra que o dinheiro chega quando o documento está em ordem: o Pronaf Grupo B contratou 3.007 operações de pesca no Acre em 2025, R$ 35,4 milhões, contra 7 em 2024; em 2026 o fluxo caiu de 256 operações em março para 10 em julho, no mesmo período das suspensões de RGP (P2 sumário) FV. A coincidência não prova a causa INF, mas indica onde está a trava.

Fase Período Custo estimado Principal fonte Marco de saída
0 · Preparar out–dez/2026 baixo: campo, deslocamento, assessoria Orçamento dos próprios órgãos e entidades ACT assinado, totais das filas publicados, diagnóstico do frio, lei do Frio a Bordo protocolada
1 · Regularizar e organizar 2027 R$ 1,5–3,0 mi Emendas, orçamento estadual e municipal, pequenos fundos 15 unidades Frio a Bordo com uso medido, 20 famílias no piloto de tanques, 500 pescadores com nota, 2 SIMs
2 · Produzir e conservar 2028–2029 R$ 6–12 mi Pronaf Agroindústria, emenda estadual, consórcio, fundos 3 entrepostos inspecionados, 60 unidades Frio a Bordo, 100 famílias na piscicultura, 300 t por ano com nota
3 · Beneficiar e vender 2029–2031 parte na Fase 2, mais R$ 2–4 mi INF Emenda a ente público, fundo estadual, Sebrae, crédito Merenda estadual contratada, selo, 5 cooperativas, 100 unidades Frio a Bordo, 300 famílias na piscicultura
4 · Atividade plena 2031 em diante R$ 20–40 mi Privado, parceria, fundo estadual 1.000 t por ano no mercado formal, meta de 2031, mantida com indústria e insumos contratados

O que este capítulo decide

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12 · Prioridades por regional

O plano é um só, mas começa de forma diferente em cada regional. O Juruá tem o público, o Tarauacá/Envira tem o pirarucu, o Purus tem o peixe de rio sem frio, o Alto Acre tem o cultivo e o Baixo Acre tem o mercado (P8 §4 · P6 §2.1).

Como ler este capítulo

Cada regional começa pela entrega de maior retorno e menor risco: a que usa uma entidade que já existe e um comprador que já existe INF.

Cinco regras valem para as cinco regionais.

  1. Em 2026 não há entrega de bem. A Fase 0 só mede, pactua e regulariza documento. Equipamento e obra começam na Fase 1, em 2027.
  2. Nenhum equipamento é entregue sem operador, tarifa e meta publicada (P6 §7.5) INF. No Frio a Bordo não há tarifa: há rateio de manutenção aprovado em assembleia.
  3. Os custos vêm da P6 §7.4 e são quase todos estimativa INF. Os do Frio a Bordo e da piscicultura vêm dos estudos do projeto (FB §10 · PT §4). Viram orçamento só depois de cotação.
  4. O frio de cada regional é o Frio a Bordo, não a fábrica de gelo (capítulo 17). Os três pilotos de 2027 ficam em Cruzeiro do Sul (Juruá), Sena Madureira (Purus/Envira) e Rio Branco (vale do Acre) INF. "Purus/Envira" é o rótulo do polo-piloto nos demais capítulos: a estação fica em Sena Madureira, no Purus, e a regional Tarauacá/Envira não tem piloto em 2027. Feijó e Brasiléia recebem estação até 2029. As fábricas de gelo anunciadas entram na Fase 0 só como diagnóstico do frio existente.
  5. A piscicultura em tanques entra pela trilha do capítulo 18: um piloto de 20 famílias em 2027, num polo com estação do Frio a Bordo, e expansão em 2028–2029 pela reativação de viveiro parado, sem escavar INF.

A sequência usa as fases do roteiro: Fase 1 em 2027, Fase 2 em 2028 e 2029, Fase 3 de 2029 a 2031 e Fase 4 de 2031 em diante.

Juruá

O Juruá reúne 55,1% dos pescadores e é o único mercado protegido do peixe de Rondônia. A primeira entrega é o piloto do Frio a Bordo em Cruzeiro do Sul: cinco embarcações e uma estação solar, com uso medido e publicado.

Sequência nas fases INF:

  1. Fase 1. Frio a Bordo em piloto com uso medido, SIM piloto, feira semanal e mutirão documental: 148 das 407 licenças suspensas no estado são de Cruzeiro do Sul. Piloto de 20 tanques de quintal, se a regional for a escolhida.
  2. Fase 2. Entreposto de até 250 m² em Cruzeiro do Sul, de R$ 0,6 mi a R$ 1,2 mi, usando o frigorífico de 2016 se ele existir. Cooperativa regional e contrato do PNAE. Mais unidades do Frio a Bordo, dentro das 45 da fase. Expansão da piscicultura, com ração contratada antes do alevino.
  3. Fase 3. Polo de piscicultura familiar em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, com frio, ração coletiva e um técnico para 30 famílias (P4 §5 · capítulo 18). SIM nos dois municípios vizinhos. Estações do Frio a Bordo em Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, entre as 10 de 2031.
  4. Fase 4. Rede de estações do Frio a Bordo completa na regional e venda regular para fora dela.

Tarauacá/Envira

É a regional menos pronta, com índice 2,0, e a única com produto de origem: o pirarucu de manejo. A primeira entrega custa quase nada: contar o peixe e fechar o comprador antes da despesca.

Sequência nas fases INF:

  1. Fase 1. Contagem, homologação, CAF e nota, e adesão ao coletivo de venda do pirarucu do Amazonas. O preço mínimo do pirarucu de manejo, de R$ 10,74 por kg na safra 2026, hoje vale só para o Amazonas (Portaria MAPA 868/2025) FV. O plano pleiteia a inclusão do Acre na portaria da próxima safra INF.
  2. Fase 2. Estação do Frio a Bordo em Feijó, no imóvel da União cedido à colônia, com unidades a bordo e uso medido. SIM em Feijó e primeira venda de pele. Entrada na trilha de piscicultura, com frio instalado e ração contratada.
  3. Fase 3. Vigilância remunerada por pagamento de serviço ambiental, como na chamada federal de R$ 7 mi aberta ao Amazonas em 2026. SIM em Tarauacá.
  4. Fase 4. Cota ampliada conforme a contagem.

Uma divergência da pesquisa entra na Fase 0. A P8 lista o manejo como atividade em operação; a P4 registra que não houve pesca em 2017 e que o Acre não tem área autorizada com manejo ativo. Já as duas referências de custo para gelo ficam só como comparação: fábrica solar comunitária de R$ 1,5 mi (P4 §3.5) e usina de 2 t por dia a R$ 80 mil mais instalação (P6 §7.4). O plano não investe em nenhuma das duas e adota o Frio a Bordo.

Purus

No Purus o problema é frio. O peixe de rio existe, a fábrica de gelo da colônia existe e o condensador, com recurso já depositado, não foi instalado (P6 §4.1) FV. Por isso a regional recebe um dos três pilotos do Frio a Bordo.

Sequência nas fases INF:

  1. Fase 1. Frio a Bordo em piloto com uso medido, série de preços no porto de Sena Madureira e diário de desembarque na colônia. Feira do peixe de volta ao calendário: foi cancelada em 2024 e, em 2025, a estimativa era vender 5 t, com oferta de 20 t; a venda realizada não foi medida NE (ac24agro, 11/04/2025).
  2. Fase 2. SIM em Sena Madureira e chamada do PNAE: o município licitou R$ 12,77 mi em merenda em 2025 (P6 §3.2). Contagem de pirarucu em Manoel Urbano. Mais unidades do Frio a Bordo, recarregadas na estação de Sena Madureira, e tanques de quintal junto a ela.
  3. Fase 3. Entreposto de pequeno porte, se o desembarque medido justificar. Estações do Frio a Bordo em Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, entre as 10 de 2031. Venda ao programa federal de compra de alimentos em unidades de conservação, com teto de R$ 15 mil por família por ano (P6 §5.2).
  4. Fase 4. Estudo de pré-viabilidade de pesca esportiva, sem investimento antes dele (P4 §5).

Alto Acre

O Alto Acre tem o maior produtor de cultivo do estado e a estrada até o Peru. A primeira entrega é legalizar o que já se produz.

Sequência nas fases INF:

  1. Fase 1. Licença e cadastro das colônias regularizado, condição para a entidade receber a cessão de uso do Frio a Bordo.
  2. Fase 2. SIM de Brasiléia, com chamada do PNAE municipal. Entreposto em Brasiléia, de R$ 0,6 mi a R$ 1,2 mi, com cooperativa. Estação do Frio a Bordo em Brasiléia, com unidades a bordo e uso medido. Compra coletiva de ração, com meta de R$ 3,80 a R$ 4,20 por kg. Reativação de viveiros parados e módulo associativo de 8 ha, se a regional for a escolhida.
  3. Fase 3. Registro no SIE e venda à rede estadual de ensino.
  4. Fase 4. Unidade com SIF, de R$ 8 mi a R$ 15 mi, ou contrato de serviço com a empresa que arrematou o frigorífico de Senador Guiomard. Só então exportação ao Peru (P6 §7.3).

A apreensão de 10 t de pirarucu sem documentação em Assis Brasil, em dezembro de 2024, mostra o custo de vender fora da regra na fronteira (P6 §5.3) FV.

Baixo Acre

O Baixo Acre é o mercado: parte relevante do peixe consumido em Rio Branco vem de Rondônia, e os tanques locais estão parados. A primeira entrega é transformar a feira de três dias em feira semanal com inspeção.

Sequência nas fases INF:

  1. Fase 1. Feira semanal, SIM, série de preços e Frio a Bordo em piloto com uso medido. O espaço para fábrica de gelo entregue à colônia da capital fica no diagnóstico do frio existente.
  2. Fase 2. Entreposto no Ceasa e cooperativa de pescadores artesanais como fornecedora de filé sem espinha da rede estadual. A rede já compra pescado regional sem espinha de duas cooperativas: R$ 2,99 mi homologados em 2026 (PNCP) FV. Espinha é a barreira mais citada pelas escolas (P6 §5.2). Compra coletiva de ração. Viveiros parados de volta à produção, com frio instalado e ração contratada antes do alevino.
  3. Fase 3. Polo de piscicultura familiar, com frio, ração coletiva e um técnico para 30 famílias. Cooperativa regional ativa.
  4. Fase 4. Substituição de peixe importado, dentro da meta estadual de 1.000 t por ano.

O plano não conta com a reativação do frigorífico de Senador Guiomard. A empresa foi arrematada em 28/11/2025 e não apresentou plano público (P6 §4.2) FV. Os entrepostos pequenos vendem para quem reativar a indústria e sobrevivem se ninguém reativar.

Quadro comparativo

As cinco primeiras entregas somam de R$ 0,95 mi a R$ 1,50 mi no primeiro ano INF; o SIM de Brasiléia saiu da soma, porque entra na Fase 2. Desse total, de R$ 0,6 mi a R$ 1,0 mi são os três pilotos do Frio a Bordo. Cabem no custo do primeiro estágio da cadeia, de R$ 1,5 mi a R$ 3,0 mi (P6 §7.1). O piloto de piscicultura, de R$ 150 mil a R$ 200 mil, corre por recurso privado, edital ou Pronaf B e não entra na soma.

Regional Pescadores (% AC) Prontidão Vocação Primeira entrega Custo no ano 1 Parceiro natural Risco principal
Juruá 12.007 (55,1%) 4,5 Peixe de rio e cultivo familiar com preço próprio Piloto do Frio a Bordo em Cruzeiro do Sul; SIM; feira semanal R$ 350–560 mil Colônias, federação, prefeitura e IFAC de Cruzeiro do Sul Estrada fechada no defeso; 2 municípios só por rio
Tarauacá/Envira 1.381 (6,3%) 2,0 Pirarucu de manejo Contagem, homologação dos acordos e comprador R$ 15–25 mil Colônias de Feijó e Tarauacá; grupos de manejo Escala pequena; vigilância cara
Purus 2.255 (10,4%) 3,5 Peixe de rio Piloto do Frio a Bordo em Sena Madureira R$ 200–320 mil Colônias de Sena e Manoel Urbano Estoque de mandi em queda
Alto Acre 1.787 (8,2%) 3,5 Cultivo e fronteira Licença de aquicultura e cadastro das colônias; SIM de Brasiléia na Fase 2 Custo administrativo Prefeitura de Brasiléia; colônias Entidades sem cadastro confirmado
Baixo Acre 4.347 (20,0%) 4,5 Mercado consumidor Feira semanal, SIM e série de preços em Rio Branco; piloto do Frio a Bordo R$ 386–596 mil Colônias da capital; prefeitura; Secretaria de Educação Tambaqui de Rondônia mais barato: R$ 18 por kg, estimativa da pesquisa

Fontes: P8 §4 e §6; P6 §7.1 e §7.4; P4 §5; FB §10. Custos INF.

O Frio a Bordo e a piscicultura em tanques entram em cada regional em momentos diferentes INF.

Regional Estação do Frio a Bordo Quando Piscicultura em 2024 (2019→24) Entrada na trilha de piscicultura
Juruá Cruzeiro do Sul; depois Porto Walter e Marechal Thaumaturgo Piloto em 2027; demais até 2031 792 t (−5%) Candidata ao piloto de 20 famílias em 2027; expansão em 2028–2029
Tarauacá/Envira Feijó Até 2029 250 t (−24%) 2028–2029, depois da estação; viveiro parado reativado
Purus Sena Madureira; depois Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus Piloto em 2027; demais até 2031 75 t (−37%) 2028–2029, só tanque de quintal junto à estação
Alto Acre Brasiléia Até 2029 487 t (−21%) 2028–2029, viveiro parado reativado; candidata ao módulo de 8 ha
Baixo Acre Rio Branco Piloto em 2027 691 t (−60%) 2028–2029, viveiro parado reativado; candidata ao módulo de 8 ha

Fontes: P8 §4.1; metas e trilha nos capítulos 17 e 18. As cidades das estações são proposta INF: são 9 cidades indicadas para as 10 estações de 2031; a décima é definida pelo grupo gestor. A entidade de cada piloto é escolhida na Fase 0, entre as que têm cadastro regular.

O que este capítulo decide

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13 · Orçamento e matriz de financiamento

O plano custa de R$ 30 a 59 milhões em cinco a seis anos, sem contar o crédito INF. Isso equivale a um ou dois ciclos de seguro-defeso, que pagou R$ 34,1 milhões no Acre em 2025/26 FV (com ressalva) (P8 §1). E cada tipo de gasto tem uma fonte natural diferente.

O problema não é o tamanho do número. É casar cada gasto com quem pode pagar por ele e com quem pode receber. A tabela abaixo dá a escala.

Referência Valor Período Fonte
Custo do plano, sem o crédito R$ 30–59 mi; R$ 5–10 mi por ano em média INF 5 a 6 anos capítulo de roteiro
Seguro-defeso pago no Acre R$ 34,1 mi FV (com ressalva) ciclo 2025/26 P8 §1
FNO reservado ao Acre R$ 1,085 bi FV 2026 P1 §2.3
Emendas registradas para o Acre, todas as áreas R$ 378,3 mi FV 2026 P1 §3.2
Microcrédito de pesca contratado no Acre R$ 35,4 mi FV 2025 P2 §3.7
Merenda estadual, credenciamento da agricultura familiar em 7 municípios do Baixo Acre R$ 13,49 mi estimados; R$ 26,37 mi homologados FV 2026 P6 sumário; PNCP
Ação de pesca artesanal do MPA, Brasil inteiro R$ 25,57 mi FV 2026 P1 §3.1

O dinheiro grande não está no MPA FV. Está no FNO, nas emendas e na compra pública. O orçamento finalístico do ministério é de cerca de R$ 105 mi por ano para o país, com execução de 13% até 02/10/2026 (P1 §3.1).

Orçamento por fase

A despesa cresce com a fase: R$ 1,5–3,0 mi na Fase 1, R$ 6–12 mi na Fase 2 e R$ 20–40 mi na Fase 4 INF (P6 §7.1 a §7.3).

Fase Período Itens principais Custo INF Fonte principal
0 · Preparar out–dez/2026 Pacto, seis ofícios de desempate, diagnóstico do frio existente, filas de regularização, série de preços, primeira cooperativa; consulta ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e aquicultura; cotação coletiva de ração Baixo: campo, deslocamento, R$ 3 mil por mês de boletim, R$ 30–60 mil de assessoria Orçamento dos órgãos e das entidades
1 · Regularizar e organizar 2027 Mutirão documental e de crédito; 3 pilotos do Frio a Bordo (15 unidades em 3 estações), R$ 0,6–1,0 mi; 2 SIMs piloto; feira do pescador; piloto de piscicultura de 20 famílias, R$ 150–200 mil, fora da soma quando for crédito ou recurso privado R$ 1,5–3,0 mi Emenda a ente público; orçamento estadual e municipal; ação 20Y2 do MPA
2 · Produzir e conservar 2028–2029 3 entrepostos; 3 caminhões; 3 cooperativas até 2029 (5 até 2031); inspeção em consórcio; mais 45 unidades Frio a Bordo, R$ 1,8–2,9 mi, com estação nas 5 regionais; vigilância de pirarucu; piscicultura em 50 a 100 famílias e primeiro módulo associativo, por crédito R$ 6–12 mi Pronaf Agroindústria; emenda estadual e federal; consórcio; captação
3 · Beneficiar e vender 2029–2031 Marca e selo; couro de pirarucu; mais 40 unidades Frio a Bordo, R$ 1,6–2,6 mi, chegando a 100 unidades e 10 estações; processamento por grupos de mulheres; polos de piscicultura familiar por regional Parte na Fase 2, mais R$ 2–4 mi Emenda a ente público; fundo estadual; Sebrae; crédito
4 · Atividade plena 2031 em diante Unidade com inspeção federal; alevinagem; ração por contrato; fundo estadual R$ 20–40 mi Privado; parceria; fundo estadual
Total 5 a 6 anos Sem o crédito e sem o fundo de aval R$ 30–59 mi Combinação das sete fontes da matriz

Os valores repetem o capítulo de roteiro. A soma exata das faixas vai de R$ 29,5 mi a R$ 59 mi; o plano arredonda o piso para R$ 30 mi.

O frio do plano é o Frio a Bordo INF. A perda acontece dentro do barco, antes de o peixe chegar a qualquer estrutura em terra (FB §2). Por isso o orçamento não traz fábrica de gelo religada nem gelo solar comunitário. A câmara fria e a máquina de gelo próprias do entreposto continuam dentro do custo do entreposto.

Três conferências mostram o que a faixa cobre INF.

  1. Fase 1 fecha com os itens com preço. Frio a Bordo, SIMs, feira, boletim e assessoria somam de R$ 1,0 mi a R$ 1,6 mi. Com o mutirão, de R$ 0,4 mi a R$ 1,1 mi por ano, chega-se a R$ 1,4–2,7 mi. Com o piloto de piscicultura pago por edital, a R$ 1,5–2,9 mi, dentro da faixa (FB §10 · P6 §7.1 e §7.4 · P2 §5).
  2. Fase 2 tem cerca de um quarto do valor ainda a orçar. Entrepostos, caminhões, cooperativas, consórcio de inspeção por dois anos e couro somam de R$ 2,9 mi a R$ 5,7 mi. As 45 unidades do Frio a Bordo somam de R$ 1,8 mi a R$ 2,9 mi. O restante da faixa cobre vigilância de pirarucu, extensão, aplicativo e os mutirões dos anos seguintes. Esses itens pedem cotação antes de irem a orçamento.
  3. Fase 3 sobe por causa do frio. As 40 unidades finais do Frio a Bordo, de R$ 1,6 mi a R$ 2,6 mi, se somam a marca, selo, couro e processamento. O acréscimo da fase fica em R$ 2–4 mi.

Dois valores ficam fora do total. O crédito é contratado e pago pelo pescador e pela cooperativa. O fundo de aval, de R$ 3–5 mi, é garantia e não despesa (capítulo de crédito).

Custos unitários de referência

Só quatro preços desta tabela têm fonte documental; os demais são estimativa e exigem cotação antes de virar plano de trabalho (P6 §7.4 · FB §10).

Item Custo Fonte Confiança
Unidade de energia portátil de referência: 6 kW, 4,5 kWh, expansível a 15 kWh Cerca de R$ 25 mil Estudo do Frio a Bordo (FB §10) FV
Embarcação equipada com Frio a Bordo: unidade, freezer, instalação e rateio da estação R$ 40–64 mil Estimativa do estudo (FB §10) INF
Piloto do Frio a Bordo: 5 embarcações com estação solar R$ 200–320 mil Ordem de grandeza do estudo (FB §10) INF
Tanque de quintal, estrutura por família: tanque suspenso de lona, bomba solar e biofiltro R$ 7–9 mil Estimativa do estudo (PT §11 e §12) INF
Usina de gelo em escama, 2 t por dia, nova (comparação; o plano não adota) R$ 80 mil Anúncio de fabricante, lido em 02/10/2026 (P6 §7.4) FV, anúncio
Fábrica de gelo comprada e instalada em Assis Brasil (comparação) R$ 138.500 homologados em 23/07/2026; a estimativa do edital era de R$ 198.772 Pregão 90005/2026, PNCP (P6 §7.4) FV
Fábrica de gelo existente religada (comparação; o plano não adota) R$ 140–200 mil por unidade Máquina de R$ 80 mil mais R$ 60–120 mil de instalação: prédio, rede trifásica, água, silo (P6 §7.1) INF
Container frigorífico usado, 20 ou 40 pés R$ 34,5–36,9 mil Anúncio (P6 §7.4) FV, anúncio
Câmara fria modular de 20 a 40 m³, a −18 °C, instalada R$ 40–80 mil Estimativa da P6 §7.4 INF
Ponto de desembarque com freezer solar e 10 caixas isotérmicas (comparação; o plano adota a estação do Frio a Bordo) R$ 25–45 mil Estimativa da P6 §7.4 INF
Caminhão baú refrigerado de 3,5 t R$ 200–280 mil novo; R$ 100–150 mil usado Estimativa, sem cotação (P6 §7.4) INF
Bancada de filetagem manual em inox, 2 postos R$ 20–40 mil Estimativa da P6 §7.4 INF
Entreposto de até 250 m² com inspeção, obra e equipamento R$ 0,6–1,2 mi Estimativa; obra a R$ 2.500–3.500 por m² (P6 §7.4) INF
Unidade regional completa: entreposto com máquina de gelo e câmara próprias, caminhão e 1 ano de responsável técnico R$ 1,0–1,6 mi Regra de bolso da P6 §7.4 INF
Serviço de Inspeção Municipal R$ 130–200 mil por ano; R$ 60–90 mil por ano por município em consórcio Estimativa da P6 §7.4 INF
Assessoria para constituir cooperativa com CAF jurídica R$ 30–60 mil Estimativa da P6 §7.2 INF
Mutirão de documento e crédito, por polo e por rodada R$ 25–70 mil Estimativa da P2 §5 INF
Unidade com inspeção federal, 10 a 20 t por dia, nova R$ 8–15 mi Estimativa da P6 §7.4 INF

Quatro dados faltam e mudam a conta NE (P6 §7.4). O preço de venda do gelo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul não foi encontrado. Não há filetadora mecânica consolidada para tambaqui; a filetagem é manual. O caminhão não teve cotação nesta rodada. E o Frio a Bordo ainda não foi medido em campo: quilos conservados por unidade por mês, perda evitada e custo de operação são a primeira coisa que o piloto mede.

Uma regra de proporção ajuda a dimensionar o gelo do entreposto FV: cada quilo de peixe pede 2 kg de gelo (P6 §7.4). A bordo, o freezer faz o papel do gelo. A autonomia estimada vai de cerca de 2 dias (4,5 kWh) a 6–7 dias (15 kWh), a confirmar no piloto INF (FB §10).

Matriz fonte × uso

Cada uso tem uma fonte principal, e nenhuma fonte paga tudo INF. Documento sai do orçamento dos órgãos. O Frio a Bordo sai de emenda a ente público. Entreposto sai de crédito à cooperativa. Operação sai de receita.

Como ler: "principal" paga a maior parte do investimento; "complementar" cobre uma parcela; "receita", "rateio", "taxa" e "frete" pagam a operação depois de pronto; "não" marca fonte inadequada; "—" indica que não se aplica.

Uso Órgãos: SFPA/AC e parceiros Emenda a ente público Estado, município e consórcio Crédito Pronaf e FNO Captação não reembolsável Compra pública Privado e usuário
Regularização documental e mutirão principal complementar complementar complementar — — —
Governança e pacto principal — complementar — complementar — —
Frio a Bordo: unidades e estações — principal complementar complementar complementar — rateio
Inspeção: SIM e consórcio — complementar principal — — — taxa
Entreposto — complementar complementar principal complementar receita taxa
Caminhão refrigerado — complementar — principal complementar receita frete
Cooperativa e assessoria complementar — — — principal — —
Manejo e vigilância de pirarucu — — complementar não principal receita —
ATER e formação complementar — principal complementar complementar — —
Capital de giro — não — principal complementar receita complementar
Piscicultura em tanques: piloto e reativação de viveiros — — complementar principal complementar receita complementar
Piscicultura familiar: módulo associativo e polos — — complementar principal — receita complementar
Indústria com inspeção federal — — complementar complementar — — principal

Fonte: construção do plano INF sobre P1 §3.3, P2 §2 e §5, P3 §1 e P6 §7.1 a §7.5.

A matriz se explica por coluna.

  1. Órgãos. A SFPA/AC regulariza, habilita entidades e articula, por competência própria. Não empenha nem celebra convênio (P1 sumário, item 10) FV. O pacto é um acordo de cooperação sem repasse.
  2. Emenda a ente público. É a única fonte não reembolsável para bem coletivo de frio (P3 §0, item 7) FV. A ação 20Y2 do MPA pode custear o mutirão; a 20Y1 aceita unidade de apoio de uso coletivo. A cota de um deputado estadual é da ordem de R$ 4 a 5 mi, a confirmar NE. Três unidades regionais completas custam de R$ 3 mi a R$ 5 mi (P6 §7.4) INF. No frio, o objeto da emenda é a unidade do Frio a Bordo e a estação, bem público cedido à entidade. As 100 unidades previstas até 2031 somam de R$ 4,0 mi a R$ 6,5 mi nas três fases INF.
  3. Estado, município e consórcio. Pagam o que é permanente: responsável técnico da inspeção e ATER. A lei estadual do Frio a Bordo, em preparo, prevê repasse direto a entidade de base regular (capítulo 17). A ATER estadual teve R$ 1,8 mi e R$ 2,44 mi na lei orçamentária de 2026 (P2 §5) FV. O Fundo Estadual de Pesca, por lei, assume essa coluna na Fase 4.
  4. Crédito. Paga o que gera receita: equipamento do pescador, entreposto, caminhão, giro e piscicultura. O tanque de quintal cabe no microcrédito; o módulo associativo pede crédito de investimento da cooperativa. Não paga vigilância nem inspeção.
  5. Captação não reembolsável. Paga organização, equipamento coletivo de pequeno porte, assistência técnica e manejo. Sebrae, Sescoop e programas sem repasse direto entram nesta coluna como parceiros (capítulo de captação).
  6. Compra pública. Não é fonte de investimento; é a receita que sustenta a operação. A rede estadual credenciou, em 7 municípios do Baixo Acre, R$ 13,49 mi estimados em agricultura familiar para 2026; o valor homologado foi de R$ 26,37 mi (P6 sumário, item 5) FV. O edital já compra pescado regional processado: o item 44, "pescado regional sem espinha congelado", foi homologado em 07/04/2026 a duas cooperativas acreanas, por R$ 2.987.741,76 FV (PNCP). Não há chamada de pescado in natura NE nem cooperativa de pescadores artesanais nessa venda INF. No pirarucu, o preço mínimo federal é de R$ 10,74 por kg, mas hoje só ampara o Amazonas; o plano pleiteia a inclusão do Acre na portaria da próxima safra (P6 §7.5 · Portaria MAPA 868/2025) FV.
  7. Privado e usuário. O pescador paga serviço por taxa e divide a manutenção do Frio a Bordo por rateio aprovado em assembleia. Recurso privado pode pagar o piloto de piscicultura. A indústria com inspeção federal é do investidor privado, com apoio de FNO Empresarial e FDA.

Uma nota sobre veículo e obra FV: o edital AMABIO não paga obra nem veículo, e a chamada da Conab cobre obra civil e logística (P3 §1). Por isso o caminhão vai primeiro a crédito.

Regras de quem pode receber o quê

A pessoa jurídica define a fonte FV (P3 §0 e §4). Ente público recebe emenda. Cooperativa toma crédito e vende com nota. Entidade antiga capta edital. Sindicato fica fora de parte das fontes.

Instrumento Quem pode receber Quem não pode Condição
Emenda por transferência especial, a chamada emenda PIX Só ente federativo: prefeitura ou Estado (CF, art. 166-A) Entidade privada; consórcio público, que recebe por finalidade definida ou convênio Mínimo de R$ 400 mil em obra e de R$ 200 mil nos demais objetos; pelo menos 70% em despesa de capital (P3 §0, item 7 · P1 §3.3)
Emenda com finalidade definida para entidade Entidade sem fins lucrativos com 3 anos de CNPJ ativo Entidade nova; entidade sem contas aprovadas Capacidade técnica comprovada e prestações de contas anteriores aprovadas (P3 §0, item 7)
Convênio nas ações do MPA (20Y0, 20Y1, 20Y2, 21GE) Ente público ou entidade habilitada no Transferegov Pessoa física Objeto de uso coletivo; plano de trabalho no primeiro trimestre (P1 §3.1 e §3.3)
Termo de fomento Entidade com 1 ano de CNPJ no município, 2 no Estado e 3 na União Entidade sem experiência prévia Chamamento público (P3 §4)
Edital AMABIO Associação e cooperativa com 2 anos de CNPJ Sindicato, instituição de pesquisa, órgão público, MEI Até R$ 150 mil; não paga obra nem veículo (P3 §0, item 6)
Chamada Conab "Amazônia Viva" Cooperativa e associação; em rede, cada integrante com 2 anos de CNPJ Entidade nova, até completar 2 anos Histórico de venda pontua; certidões em dia (P3 §0, item 1)
Pronaf à pessoa física Pescador e piscicultor familiar com RGP ativo e CAF Quem tem RGP suspenso Proposta simplificada no Grupo B; projeto técnico nas demais linhas (P2 §2)
Pronaf Agroindústria e FNO Cooperativa com CAF jurídica Entidade sem CAF jurídica Projeto, garantias e, pela regra do plano, contrato de venda assinado (P2 §3.1 e §3.6)
Venda ao PNAE Fornecedor com CAF; cooperativa com nota Produto sem inspeção Limite de R$ 40 mil por CAF, por ano e por entidade executora; mínimo de 45% da agricultura familiar (P1 sumário, item 6)
FDA, da Sudam Empreendimento privado Pescador; ente público Mínimo de 20% de recursos próprios; até 50% do projeto (P1 §2.2)

O FNO Amazônia Rural admite associação entre os beneficiários (P2 §3.3) FV. O plano usa a cooperativa como tomadora, porque é ela que vende com nota e tem CAF jurídica INF.

A consequência prática é de calendário INF. Até 2028, o Frio a Bordo e a obra entram por prefeitura ou consórcio, com cessão de uso à entidade. A transferência especial vai à prefeitura; o consórcio recebe por transferência com finalidade definida ou convênio. A cooperativa nova toma crédito e vende, mas não capta edital de 2 anos antes do fim de 2028 (capítulo de captação).

Receita que sustenta a operação

O entreposto se paga com três receitas: taxa de serviço por quilo, margem na venda institucional e um contrato do PNAE como âncora (P6 §7.5) INF.

A conta abaixo é ilustrativa, para peixe inteiro, com os únicos preços que a pesquisa traz INF.

Parcela da conta Valor Origem
Volume por entreposto 100 t por ano Meta de 300 t por ano com nota em 3 entrepostos (P6 §7.2)
Preço de venda ao PNAE R$ 19,80 por kg Referência de Ceasa menos 10%; tambaqui a R$ 22 em Rio Branco, em junho de 2025 (P6 §7.2 e sumário)
Receita bruta R$ 1,98 mi por ano Volume vezes preço
Preço pago ao produtor com contrato R$ 14 por kg, no mínimo Indicador de saída do estágio 2 (P6 §7.2)
Diferença para pagar gelo, câmara, frete, embalagem, gestor e responsável técnico R$ 5,80 por kg; R$ 580 mil por ano Subtração
Cooperados com CAF para vender esse volume a uma só entidade executora 50 Limite de R$ 40 mil por CAF por ano (P1 §2.6)
Gelo necessário no entreposto, de máquina própria 200 t por ano 2 kg de gelo por kg de peixe (P6 §7.4)

Três ressalvas acompanham a conta. O custo anual de operação de um entreposto não está na pesquisa NE. O filé muda o preço e o rendimento: a filetagem agrega de 30% a 39% no mercado de Rio Branco (P6 sumário, item 9) FV. E o preço de R$ 22 é de 2025. Por isso cada entreposto nasce com plano de negócio próprio INF. A Lei Complementar 210/2024, art. 10, V, exige do ente a prova de capacidade de custeio, operação e manutenção (P3 §4) FV.

O mercado âncora existe e já compra pescado regional. A merenda do Acre compra cerca de 1.800 t de peixe por ano, em boa parte industrializado e de fora, pela estimativa da pesquisa INF (P6 sumário, item 5, e §5.2). Em 2026, a rede estadual homologou um contrato de pescado regional processado, de R$ 2,99 mi, a duas cooperativas acreanas: 48.408 pacotes de 800 g FV (PNCP). Falta o pescador artesanal dentro dessa venda: não há cooperativa só de pescadores INF, nem chamada de pescado in natura ou chamada municipal localizada NE. O Acre tem 23 entidades executoras do PNAE: 22 prefeituras e a rede estadual (P1 §2.6).

O Frio a Bordo não cobra pelo uso INF. Ele se mantém por rateio de manutenção entre os usuários, aprovado em assembleia, e por fundo de manutenção. O valor do rateio e o custo de operação são NE até o piloto.

Ativo Quem paga o investimento O que paga a operação Controle
Unidades do Frio a Bordo Emenda a ente público; o bem é público e segue para a entidade por cessão de uso com encargo e reversão Rateio de manutenção aprovado em assembleia; fundo de manutenção; valores NE até o piloto Comitê local; registro mensal público de quilos conservados
Estação solar do Frio a Bordo Emenda a ente público ou captação; cessão de uso à entidade O mesmo rateio e o mesmo fundo; a energia vem do sol e da rede Comitê local; inventário anual pela SFPA/AC
Entreposto Pronaf Agroindústria à cooperativa, mais emenda Taxa por quilo e margem na venda institucional Gestor contratado; conselho; contas trimestrais
Caminhão refrigerado Crédito à cooperativa Frete por quilo embutido na taxa Cooperativa
Inspeção municipal Orçamento municipal ou rateio do consórcio Orçamento e taxa de registro Tribunal de Contas; SISBI

Fonte: P6 §7.5; linhas do Frio a Bordo, construção do plano INF sobre FB §10.

O custo do Frio a Bordo por quilo conservado é NE. Quilos conservados por unidade por mês, perda evitada e custo de operação são a primeira coisa que o piloto de 2027 mede. Sem esses números a assembleia não fixa o rateio definitivo. Para o gelo do entreposto vale a comparação: uma usina de 2 t por dia produz as 200 t em 100 dias de operação INF. O plano não adota a usina de gelo fora do entreposto.

O que não se financia com o quê

Usar a fonte errada transforma equipamento em sucata e crédito em dívida. Cada gasto abaixo tem uma fonte que não serve e uma que serve INF.

Gasto Fonte que não serve Por quê Fonte certa
Vigilância de lagos de pirarucu Crédito Não gera receita própria no prazo da parcela; na referência do Mamirauá, é 60% do custo do manejo (P4 sumário) FV Pagamento por serviço ambiental, preço mínimo federal (quando o Acre entrar na portaria) e regra estadual
Custeio permanente: responsável técnico, energia, gestor Doação e edital de 12 a 24 meses O projeto acaba e a despesa continua Orçamento municipal, consórcio, taxa de serviço, rateio de manutenção e fundo estadual
Obra ou equipamento sem verba de operação Emenda isolada Cinco fábricas de gelo foram anunciadas e nenhuma tem operação e capacidade publicadas (P6 sumário, item 4) FV Emenda com operador, custeio definido, fundo de manutenção e meta pública; no Frio a Bordo, rateio de manutenção e quilos conservados publicados
Tanque de piscicultura sem frio nem ração contratada Crédito ou edital isolado A ração é de 61% a 87% do custo, e 22,9% da lâmina d'água do estado está parada (PT §0) FV Tanque só com estação do Frio a Bordo, contrato coletivo de ração e técnico (capítulo 18)
Fábrica de ração nova Crédito de investimento ou emenda Precisa vender de 1.701 a 3.927 t por ano para empatar e alcança de 350 a 1.100 t; já há fornecedor e fábrica parada no estado (projeto 14) INF Central de compra em carreta e contrato com a capacidade que já existe (capítulo 19)
Bem individual: motor, rede, canoa Edital e doação Nenhuma fonte de 2026 financia bem individual (P3 §0) FV Pronaf B e AgroAmigo
Capital de giro Transferência especial Pelo menos 70% vai para despesa de capital (P1 §3.3) FV Pronaf Custeio, FNO e receita de venda
Entreposto sem comprador Crédito de investimento Parcela vence sem venda contratada Crédito só depois do contrato do PNAE ou do PAA assinado
Microcrédito em massa sem frio Pronaf B sozinho Em 2025 foram financiadas 817 embarcações e 2.190 itens de pescado sem gelo nem mercado novos (P2 §4) INF Microcrédito, depois compra coletiva, depois crédito coletivo de frio
Indústria Dinheiro do pescador como sócio O produtor não pode ser sócio, credor e fornecedor da mesma empresa (P6 §7.5) Capital privado, FNO Empresarial e FDA; pescador como fornecedor
Qualquer bem ou benefício em 2026 Distribuição em ano eleitoral Vedação da Lei 9.504/1997, art. 73 Entrega a partir de 2027, por órgão público ou entidade

A regra que resume a tabela: não se constrói sem verba de operação e manutenção. Investimento vem de emenda, crédito ou captação. Operação vem de taxa de serviço, rateio de manutenção, venda e orçamento permanente.

Cenários mínimo, base e pleno

O plano não depende do valor cheio INF. Com R$ 3 mi entrega documento e Frio a Bordo em piloto, com uso medido. Com R$ 12 mi entrega produto inspecionado. Com R$ 40 mi chega à atividade plena.

Cenário Valor O que se faz O que fica de fora Resultado medido
Mínimo R$ 3 mi, em 2027 Fases 0 e 1 inteiras: mutirão documental e de crédito em 8 polos; 3 pilotos do Frio a Bordo, com 15 unidades em 3 estações; 2 SIMs piloto; feira do pescador; primeira cooperativa; primeiro contrato do PNAE municipal; piloto de piscicultura de 20 famílias, por crédito, edital ou recurso privado Entrepostos, caminhões, inspeção em consórcio, manejo de pirarucu com cota; expansão do Frio a Bordo e da piscicultura 15 unidades Frio a Bordo em 3 estações-piloto, com uso medido e publicado; 500 pescadores emitindo nota; 2 SIMs com pescado registrado; 2.500 contratos de microcrédito no ano; 20 famílias com peixe de cultivo vendido com nota
Base R$ 12 mi, de 2027 a 2029 Fases 0 a 2: tudo do mínimo, mais 3 entrepostos com inspeção, 3 caminhões, 3 cooperativas regionais, inspeção em consórcio, mais 45 unidades Frio a Bordo com estação nas 5 regionais, primeira safra de pirarucu com cota e contrato de filé na merenda estadual; piscicultura em 50 a 100 famílias e primeiro módulo associativo de 8 ha Indústria com inspeção federal, alevinagem, marca e selo; as 40 unidades finais e a rede de 10 estações do Frio a Bordo; polos de piscicultura por regional 300 t por ano vendidas com nota ao poder público; tambaqui a R$ 14 por kg ou mais ao produtor, com contrato; 400 operações de investimento por ano; 60 unidades Frio a Bordo em operação; 100 famílias com peixe de cultivo vendido com nota
Pleno R$ 40 mi, de 2027 a 2032 Fases 0 a 4: tudo do base, mais marca e selo, 100 unidades e 10 estações do Frio a Bordo, polos de piscicultura familiar por regional, alevinagem acreana, fundo estadual em lei e unidade com inspeção federal por contrato com planta existente ou planta nova no piso da faixa A planta nova no teto de R$ 15 mi com tudo o mais no teto: esse desenho leva o total a R$ 59 mi 1.000 t por ano no mercado formal; produtor a R$ 15 por kg ou mais; 1.000 operações de investimento por ano; 100 unidades Frio a Bordo; 300 famílias com peixe de cultivo vendido com nota

Os resultados medidos são os marcos de saída do capítulo de roteiro e as metas de crédito do capítulo de crédito.

Três leituras orientam a escolha INF.

  1. O cenário mínimo cabe em fontes já existentes. R$ 3 mi são menos de 1% das emendas registradas para o Acre em 2026 e menos de um décimo de um ciclo de defeso. O cenário mobiliza de R$ 30 mi a R$ 37 mi por ano em microcrédito, que não conta no custo (P2 §5). O valor de R$ 3 mi continua cabendo com o Frio a Bordo: os 3 pilotos custam de R$ 0,6 mi a R$ 1,0 mi, e a Fase 1 inteira fica em R$ 1,5–3,0 mi. Como comparação, religar 5 fábricas de gelo e montar 5 pontos de frio solar custaria de R$ 0,8 mi a R$ 1,2 mi (P6 §7.1 e §7.4). O piloto de piscicultura, de R$ 150 mil a R$ 200 mil, fica fora da soma quando for crédito ou recurso privado.
  2. O cenário base é o primeiro que gera renda de atividade com nota. Sem entreposto inspecionado não há merenda, PAA nem gôndola (P6 sumário, item 3) FV. O valor cobre a Fase 1 e a Fase 2 pelo meio da faixa.
  3. O cenário pleno depende de decisão privada. A indústria com inspeção federal custa de R$ 8 mi a R$ 15 mi se for nova, ou sai por contrato de serviço com planta existente (P6 §7.3). É a maior variável do orçamento, e não é dinheiro público. O valor de R$ 40 mi continua cabendo: Fases 1 a 3 no teto, R$ 19 mi, mais a Fase 4 no piso, R$ 20 mi.

A passagem de um cenário a outro segue o marco de saída da fase anterior, não a disponibilidade de recurso. Dinheiro novo sem marco cumprido não antecipa a fase seguinte.

O que este capítulo decide

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14 · Painel de acompanhamento

O plano é acompanhado por 22 indicadores, um boletim trimestral público e uma reunião trimestral do grupo gestor. Doze indicadores medem as onze metas do capítulo 03; a meta 11, de piscicultura, tem dois. Os outros dez verificam se a estrutura existe e dão contexto. As metas são propostas INF; ano 1 é 2027, ano 3 é 2029 e ano 5 é 2031.

Os indicadores

Cada indicador tem linha de base em 02/10/2026, meta, fonte, frequência e um responsável por informar o dado.

Indicador O que mede Linha de base Meta ano 1 / 3 / 5 Fonte do dado Frequência Responsável
1. Pescadores com RGP ativo Tamanho do público 21.777 (P8 §2) FV Sem meta; acompanhar Painel RGP/MPA Mensal SFPA/AC
2. Ativos com REAP em dia (meta 1) Regularidade documental NE 70% / 85% / 90% MPA; filas das entidades Trimestral SFPA/AC
3. Seguro-defeso: beneficiários e valor, por município Renda de benefício 10.638 pessoas e R$ 34,1 mi (2025/26); por município NE Sem meta; publicar por município desde o ano 1 MTE Anual, por ciclo SFPA/AC, com dado do MTE
4. Pescadores e piscicultores familiares com CAF emitindo nota (meta 2) Identidade de produtor NE 500 / 1.500 / 4.000 Sefaz-AC; cadastro do CAF Trimestral Sefaz-AC e entidades
5. Toneladas vendidas com nota e inspeção (meta 3) Venda formal NE, próximo de zero 100 t / 300 t / 1.000 t SIM, SIE e nota do pescado Trimestral Idaf e serviços municipais
6. Venda formal para cada R$ 1 de seguro-defeso A tese: atividade sobre benefício Próximo de zero NE R$ 0,04 / R$ 0,12 / R$ 0,44 Indicadores 3, 5 e 19 Anual Grupo gestor
7. Contratos do PNAE em que cooperativa de pescadores artesanais fornece o pescado (meta 4) Pescador artesanal dentro da compra pública 1 contrato estadual (R$ 2,99 mi em 2026), fornecido por duas cooperativas (PNCP) FV; nenhum com cooperativa de pescadores artesanais; municipais NE 1 / 5 / 10 e 1 estadual Portal de compras; prefeituras; Secretaria de Educação Semestral Prefeituras e Secretaria de Educação
8. Operações de crédito de investimento acima de R$ 15 mil (meta 5); em paralelo, operações e adimplência do microcrédito Acesso a financiamento 33 operações do Mais Alimentos, R$ 635 mil, em 2025; microcrédito Pronaf B: 3.007 operações de pesca, R$ 35,4 mi, em 2025 (P2 §1) FV 100 / 400 / 1.000 Banco Central; Banco da Amazônia Semestral Agentes financeiros; SFPA/AC consolida
9. Unidades Frio a Bordo em operação com uso medido (meta 6) Frio em operação, dentro do barco 0 em operação contínua; unidade demonstrada em 7 municípios FV (relato do projeto) 15 / 60 / 100 Registro mensal da entidade operadora; vistoria Mensal Entidade operadora
10. Quilos conservados por unidade por mês Uso real do frio NE; medido no piloto de 2027 Medido no piloto / a fixar com a medida do piloto / a fixar Registro mensal da entidade operadora Mensal Entidade operadora
11. Estações do Frio a Bordo em operação Frio em terra: recarga e frio de espera 0 3 / 5 / 10 Inventário anual Semestral SFPA/AC
12. Municípios com SIM registrando pescado (meta 7) Inspeção municipal NE; nenhum localizado (P6 §3.2) 2 / 5 / 10 Prefeituras; sistema federal de inspeção Semestral Prefeituras ou consórcio
13. Estabelecimentos de pescado com SIE ou SIF Inspeção estadual e federal 1 SIE não nominado; 0 SIF (P6 §3.1) FV 1 nominado / 3 SIE / 3 SIE e decisão sobre SIF Idaf; SIGSIF Semestral Idaf
14. Cooperativas ativas com CAF jurídica (meta 8) Organização econômica NE 1 / 3 / 5 CAF; Receita Federal Anual Entidades, com Sebrae
15. Entidades com CNPJ ativo e diretoria com mandato vigente Capacidade de assinar e captar 9 confirmadas de 17; 1 inapta; 6 municípios sem entidade (P8 §7.2) FV 16 / 17 / 17, com os 22 municípios cobertos Receita Federal; Mapa OSC Anual SFPA/AC e federação
16. Áreas de manejo de pirarucu autorizadas (meta 9) Manejo legal Nenhuma com manejo ativo autorizado; 7 acordos regulamentados de 19 1 / 3 / 5 Ibama; IMAC Anual Grupos de manejo e órgãos ambientais
17. Pirarucus despescados por safra Escala do manejo 99 em cinco safras, 2012 a 2016 (P4 §1) FV Contagem feita / 300 / conforme a cota Grupos de manejo Anual, após a despesca Entidades de Feijó, Tarauacá e Manoel Urbano
18. Renda de atividade por família participante (meta 10) Renda de atividade NE Medida / R$ 2.500 / R$ 3.500 Notas emitidas e pesquisa por amostra Anual ICT parceira e SFPA/AC
19. Preço ao produtor e ao consumidor Mercado Sem série; tambaqui a R$ 15,07 por kg ao produtor em 2024 (IBGE/PPM) FV, com média de R$ 15,55 para todas as espécies, e R$ 22 no varejo de Rio Branco (2025) Série de 52 semanas / produtor a R$ 14 com contrato / produtor a R$ 15 e consumidor até R$ 22 Coleta em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira Semanal Sebrae ou ICT
20. Produção da piscicultura Oferta de cultivo 2.294 t em 2024, queda de 37% sobre 2019 FV Parar a queda; sem meta de volume IBGE/PPM Anual Seagri
21. Famílias com peixe de cultivo vendido com nota, em tanque de quintal ou viveiro reativado (meta 11) Piscicultura em tanques que vira renda 0 no programa 20 / 100 / 300 Notas emitidas na Sefaz-AC; registro da entidade do polo Semestral Entidade do polo; SFPA/AC consolida
22. Hectares de viveiro parado reativados em módulo associativo (meta 11) Lâmina d'água de volta à produção, sem escavar 0 ha; 1.478 ha parados no estado (PT §0) FV 0 / 8 ha / 40 ha Vistoria; licença ou dispensa no IMAC e cadastro no Idaf Anual Seagri e entidade do módulo

Como ler o painel

O painel separa resultado, estrutura e contexto, e o indicador 6 resume a tese em um número.

O indicador 6 divide a venda formal do ano pelo seguro-defeso pago no ciclo. A conta usa as toneladas do indicador 5, o preço da série e os R$ 34,1 mi de 2025/26 como base. Cem toneladas a R$ 14 por kg dão R$ 1,4 mi, ou R$ 0,04 por R$ 1 de defeso. Mil toneladas a R$ 15 por kg dão R$ 15 mi, ou R$ 0,44 INF.

O indicador 10 ainda não tem meta. Quantos quilos uma unidade do Frio a Bordo conserva por mês não foi medido NE: é a primeira coisa que o piloto de 2027 mede (capítulo 17). Com esse número, o grupo gestor fixa a meta em ata e confere se a rede de 60 e de 100 unidades acompanha as toneladas do indicador 5. A referência de 2 kg de gelo por kg de peixe (P6 §4.1) fica só como comparação.

Quatro regras de leitura valem para todo boletim INF.

  1. Número sem fonte não entra.
  2. Indicador sem dado é publicado como NE, com a data do pedido feito a quem tem o dado.
  3. Cada indicador recebe uma cor: verde com 90% ou mais da meta do ano, amarelo de 60% a 90%, vermelho abaixo de 60%.
  4. O dado é publicado por município e por regional, nunca por pessoa. O painel não contém lista nominal de pescadores.

Rito de prestação de contas

A prestação de contas tem calendário fixo, ata pública e um responsável por indicador INF. O grupo gestor é o do Pacto Acreano da Pesca Artesanal, descrito no capítulo de governança.

Rito Quando Quem O que sai
Relatório de cada equipamento Todo mês Entidade operadora No Frio a Bordo: quilos conservados por unidade, rateio de manutenção aprovado em assembleia, saldo do fundo de manutenção e dias parados
Boletim público do plano Janeiro, abril, julho e outubro SFPA/AC consolida Uma página com os 22 indicadores, cor e fonte
Reunião do grupo gestor Até 15 dias depois do boletim SFPA/AC, Estado, prefeituras, entidades, ICT, Sebrae Ata pública; cada indicador vermelho ganha responsável e prazo
Leitura nas entidades Na assembleia seguinte ao boletim Entidades de cada regional Boletim lido em voz alta, com os números da regional
Revisão anual Abril Grupo gestor Balanço do defeso e da Feira do Peixe; ajuste de metas por ata

Três razões sustentam o desenho.

O relatório mensal é condição da cessão de uso de cada unidade e de cada estação do Frio a Bordo. É ele que separa entrega de anúncio (P6 §7.5) INF.

O boletim de abril é o mais importante do ano. O defeso termina em 15/03 e a Semana Santa concentra a maior venda do estado. É quando se compara benefício pago e peixe vendido.

A leitura em assembleia existe porque só 56,6% dos pescadores são alfabetizados (P8 §2) FV. Boletim que só circula por escrito não chega a quem interessa.

O boletim é institucional. Não traz nome nem imagem de agente político e não é usado como material de campanha, conforme as salvaguardas do capítulo 15.

Os seis dados que precisam ser criados

Seis dados não existem em lugar nenhum, e o plano os cria antes de cobrar meta NE.

Dado Por que não existe Como se cria Custo Primeira publicação
Estatística de desembarque O último boletim federal com desembarque por estado é de 2011; o Estado admite que a estatística é desconhecida (P6 §2.1) Diário de produção por entidade, nota do pescado e contagem em porto e feira Custo de campo Ano 1
Diagnóstico do frio existente Ninguém publica capacidade, operação ou preço das cinco fábricas de gelo anunciadas (P6 §4.1) Vistoria com foto, leitura do medidor e nome do operador; serve para saber o que há, não para investir nelas Deslocamento Fase 0
Quilos conservados por unidade do Frio a Bordo, perda evitada e custo de operação Nenhuma unidade opera de forma contínua e nada foi medido em campo FV (relato do projeto) Registro mensal por unidade nos três pilotos, publicado pela entidade operadora Dentro do custo do piloto Ano 1
Série de preços do pescado Não há boletim de preços no estado (P6 §1.2) Coleta semanal em três praças, em planilha pública Cerca de R$ 3 mil por mês INF Fase 0
Renda de atividade por família Só existe a faixa de renda declarada no Boletim RGP Pesquisa por amostra em cada regional, cruzada com as notas emitidas A orçar com a ICT NE Ano 1
Contagem de pirarucu por lago Cotas e acordos por lago não estão publicados (P8 §9) Contadores certificados, pelo método usado no Amazonas Próximo de zero (P4 §5) Ano 1

Enquanto o desembarque não é medido, o melhor indício de produção pesqueira que o estado tem é histórico: a colônia de Feijó vendeu em média 29 t de gelo por ano entre 2001 e 2014 (P4 §1) FV. A partir do piloto, o registro de quilos conservados do Frio a Bordo passa a ser o dado provisório.

Dados que existem e não são públicos

Seis dados já existem em órgãos públicos e dependem só de pedido formal (P8 §9 · P6 §8).

Dado Quem tem Como obter
Seguro-defeso por município MTE Pedido de acesso à informação
REAP pendente e RGP suspenso ou cancelado, por município MPA Pedido de acesso; listas das portarias
Nome da unidade de pescado com SIE e lista de SIM Idaf e 22 prefeituras Ofício
Entrada de pescado de Rondônia Sefaz-AC, pelas notas de entrada Ofício
Crédito de pesca e aquicultura por município Banco da Amazônia e Banco Central Pedido formal
Número de piscicultores Idaf, pela declaração de animais aquáticos Ofício

Os pedidos saem na Fase 0. A data de cada pedido e a de cada resposta entram no boletim.

O que este capítulo decide

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15 · Riscos e salvaguardas

O maior risco do plano em 2026 é jurídico, não técnico: cadastro de pescador ou entrega de bem ligados a campanha derrubam o arranjo inteiro. Os demais riscos têm precedente no próprio Acre: fábrica de gelo que não opera, indústria maior que a base, projeto que acaba quando o doador sai. Cada um tem sinal de alerta e salvaguarda definidos antes da primeira ação.

O plano é institucional: SFPA/AC e entidades. Não é eleitoral. Essa é a salvaguarda que sustenta todas as outras (P7 §0 e §5).

Matriz de riscos

Dezessete riscos cobrem as cinco fases; sete deles são de probabilidade alta e pedem salvaguarda desde a Fase 0. Probabilidade e impacto são avaliação do plano INF; os fatos de cada linha vêm da P7 §5 e §6, da P4 §4, da P6 §3.5, da P8 §1 e dos estudos do Frio a Bordo e da piscicultura em tanques (FB §2 e §10 · PT §0 e §4).

Risco Probabilidade Impacto Sinal de alerta Salvaguarda Responsável
Conduta vedada em ano eleitoral (Lei 9.504/1997, art. 73) Alta até 31/12/2026 Alto Anúncio de kit, motor, gelo, unidade do Frio a Bordo, tanque ou alevino; inauguração com candidato; contratação antes da posse Em 2026 só pacto, ofício, mutirão documental e protocolo. Bens só por programa com execução orçamentária em 2025, checado caso a caso SFPA/AC; jurídico de cada órgão
Captura eleitoral do arranjo Alta Alto Dirigente candidato operando regularização; RGP tratado como favor; lista de pescadores em estrutura de campanha Coordenação pela SFPA/AC; entidade dirigida por candidato não opera cadastro; agente político só propõe lei e fiscaliza; atas públicas Grupo gestor do pacto
LGPD no cadastro de pescador Média Alto Planilha com CPF, telefone e filiação circulando entre entidades; coleta de dado eleitoral Consentimento específico e destacado; finalidade declarada; o pacto só recebe número agregado Cada entidade que coleta; SFPA/AC
Fraude em RGP e seguro-defeso Média Alto RGP para quem não pesca; pedido em bloco sem nota; diferença sem explicação entre painel (21.777) e Boletim de 2024 (15.304) Trilha de auditoria; recurso individualizado; nenhum operador de campanha mexe em RGP Entidades; SFPA/AC; MTE
Inadimplência de crédito Média Médio Parcela vencida sem venda contratada; cooperativa vivendo só de termo de colaboração Crédito de investimento só com comprador contratado; cooperativa sem dívida de indústria; gestor contratado Cooperativa; banco
Infraestrutura que não opera: fábrica de gelo, frigorífico e Frio a Bordo Alta Alto Verbo "reformar", "instalar" ou "reimplantar" sem t/dia; equipamento sem operador nomeado; unidade do Frio a Bordo parada por bateria, sem manutenção ou com rateio não recolhido Nenhum equipamento sem operador, custeio, fundo de manutenção e meta publicada. No Frio a Bordo: operador, rateio de manutenção, fundo de manutenção e medição publicada; auditoria antes de novo pedido Dono do ativo; operador
Desempenho do Frio a Bordo abaixo do esperado no piloto Média Médio Autonomia menor que a viagem; quilos conservados por unidade abaixo do previsto; unidade devolvida pela entidade 15 unidades em piloto em 2027 antes de escalar; medição mensal publicada; expansão da Fase 2 condicionada ao resultado Entidade operadora; SFPA/AC
Leitura de direcionamento de fornecedor no Frio a Bordo Média Alto Edital ou lei com marca, modelo ou característica exclusiva; fornecedor único Especificação por desempenho, sem marca; certame aberto; lei com neutralidade tecnológica Ente público comprador; controle interno
Perda do seguro-defeso por renda de piscicultura Média Alto Pescador com RGP ativo inscrito no piloto antes da resposta oficial Consulta ao MTE e ao MPA antes de incluir pescador com RGP ativo; até a resposta, família sem RGP ativo, ou cônjuge e filho SFPA/AC; entidades
Repetir a indústria falida na piscicultura Média Alto Tanque novo sem ração contratada; meta em toneladas de cultivo; pedido de aporte público em indústria Frio e ração antes do tanque; nenhum aporte estatal em indústria; reativar viveiro parado antes de escavar Grupo gestor; Seagri
Dependência de doador Alta Alto Receita própria abaixo do custo de operação; último ano de projeto sem sucessor Escala mínima e comprador antes de começar; subsídio operacional declarado por 3 anos ou mais; fonte para a vigilância Entidade de manejo; grupo gestor
Tambaqui na lista de ameaçadas Alta Médio Plano de Recuperação em nov/2026 com cota ou rastreabilidade; comprador recusando peixe sem origem Licenciar piscicultores antes de nov/2026; nota com número do RGP; acordo de pesca para o tambaqui de rio IMAC; Seagri; IDAF
Sobrepesca Média Alto Preço dobra com desembarque em queda Acordo de pesca com zonas; desembarque medido; vigilância remunerada Entidades; IBAMA; IMAC
Seca e cheia Alta Alto Rio abaixo da cota de estiagem; decreto de emergência Frio para conservar o pico de captura; despesca programada; ativo dimensionado pela safra ruim Grupo gestor; Defesa Civil
Enquadramento legal do pirarucu Média Médio Promessa de manejo antes da resposta do IBAMA Ofício ao IBAMA/AC sobre área de ocorrência natural e defeso, antes de qualquer promessa SFPA/AC; IBAMA
Descontinuidade política Alta Alto Troca de superintendente, secretário ou governo; duas reuniões seguidas sem convocação Acordo plurianual; calendário e atas públicos; consórcio e cooperativa como pessoas jurídicas permanentes; lei estadual Grupo gestor; ALEAC
Conflito entre entidades Média Médio Disputa por base ou por taxa; duas entidades no mesmo município Adesão voluntária; assento por entidade com CNPJ ativo; cooperativa separada da representação Grupo gestor

Nove grupos de linhas pedem explicação.

Cadastro e LGPD. A filiação a sindicato é dado sensível (Lei 13.709/2018, art. 5º, II) FV. O plano estende o mesmo cuidado à filiação a colônia e a associação INF. O cadastro por entidade privada exige consentimento específico e destacado e finalidade declarada. O cadastro por órgão público exige base em política pública (art. 7º, III) e não pode ser operado por terceiro vinculado a candidato (P7 §5). No Acre, 65% dos pescadores com RGP são filiados a alguma entidade FV (P8 §1). Quase todo cadastro do setor carrega, portanto, dado sensível.

Fraude. A entidade que colaborar com fraude no seguro-defeso fica impedida de firmar parceria e tem as parcerias em curso canceladas; a lei não fixa prazo para a entidade. A pessoa que fraudou fica 5 anos sem registro e sem benefício, o dobro na reincidência (Lei 10.779/2003, art. 3º, com a redação da Lei 15.399/2026) FV. A Polícia Federal conduziu a Operação Maré de Apate em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, e a CGU apura o defeso no Acre (verificação parcial na pesquisa) (P7 §0 e §5). Colônia que emite RGP para quem não pesca perde tudo, inclusive a capacidade de captar para os pescadores de verdade.

Crédito. O risco não é o volume: o custeio de piscicultura somou só R$ 842 mil no Acre em 2022 FV (P6 §2.2). O risco é tomar crédito sem venda contratada. A Peixes da Amazônia registrou calote em 2017 e 2018, e no Castanhão a dívida passou a impedir crédito novo FV (P4 §4). Por isso o investimento só entra com comprador assinado, e a renda de piscicultura é tratada à parte do público do seguro-defeso, porque pode excluir o benefício (Lei 10.779/2003, art. 1º, §4º) (P7 §5).

Infraestrutura que não opera. A Peixes da Amazônia consumiu de R$ 82 a 86 mi, teve pico de 8,5 t/dia contra 70 projetadas, teve a falência decretada em 2024 e foi vendida por R$ 13,15 mi FV. As fábricas de gelo anunciadas no estado entre 2021 e 2025 não têm operação comprovada FV (P4 §4). Até a usina solar que opera no Amazonas admite que a venda de gelo não cobre a manutenção FV (P4 §3.5). O plano não constrói fábrica de gelo e leva a mesma disciplina ao Frio a Bordo INF. Unidade parada por bateria, sem manutenção ou com rateio não recolhido é o mesmo fracasso em escala menor. A salvaguarda é operador, rateio de manutenção, fundo de manutenção e medição publicada.

Frio a Bordo: desempenho e compra. Em outubro de 2026 a unidade foi demonstrada às entidades de 7 municípios. Nenhuma está em operação contínua e nada foi medido em campo FV (relato do projeto). A autonomia de cerca de 2 dias (4,5 kWh) a 6–7 dias (15 kWh) é estimativa, a confirmar no piloto INF (FB §10). Quilos conservados por unidade por mês, perda evitada e custo de operação são NE. Por isso o plano roda 15 unidades em 2027 e só escala depois da medição. O risco de compra é o de leitura de direcionamento. A salvaguarda é especificar desempenho, não marca, e comprar por certame aberto.

Piscicultura em tanques. O Acre tem 6.465 ha de lâmina d'água, com 22,9% parada. A produção caiu de 6.072 t em 2015 para 2.294 t em 2024, pelo IBGE FV (PT §0). O risco é abrir tanque novo e repetir a Peixes da Amazônia. A salvaguarda é a ordem: frio e ração antes do tanque, e nenhum aporte estatal em indústria. O segundo risco é o seguro-defeso. A renda de piscicultura pode tirar o benefício; é zona cinzenta, sem decisão localizada NE. O plano consulta o MTE e o MPA antes de incluir pescador com RGP ativo (capítulo 18).

Projetos-meta de cultivo. Três riscos saem da conta dos projetos (capítulo 19). O limite de R$ 40 mil por CAF por entidade deixa só 31% do hectare na merenda estadual; a salvaguarda é ter três entidades compradoras e viveiros de cerca de 0,3 ha por família INF. O contrato da merenda é um comprador só e se renova a cada ano; a salvaguarda é a venda direta a R$ 15 por kg como segundo canal INF. A cama de frango mal curtida traz salmonela, e adubo no fim do ciclo dá gosto de barro e derruba o oxigênio; a salvaguarda é cura de 27 dias, última aplicação no mês 4 e aceite do serviço de inspeção INF (projeto 13 · projeto 16).

Dependência de doador. O manejo de pirarucu de Feijó pescou 99 peixes em 5 safras, de 2012 a 2016. A receita cobriu cerca de um quinto do custo (18% a 23%, conforme a conta), na safra de 2014, e o projeto pagou o restante. Em 2017 não houve pesca, e o projeto encerrou sem sucessor FV (P4 §1 e §4).

Ambiente. O tambaqui foi classificado como Vulnerável pela Portaria GM/MMA 1.667/2026. A transição vai até novembro de 2026, e a restrição não atinge o cultivo licenciado FV (P6 §3.5). Em Sena Madureira, o mandi passou de R$ 10 para R$ 20–25/kg em julho de 2026, com desembarque de 100 a 200 kg/dia; a causa declarada foi esgotamento do cardume, não a seca FV (P6 §1.3). A emergência estadual por seca vale por 180 dias desde 03/08/2026 e atravessa o defeso FV (P8 §1). No Castanhão (CE), a produção caiu de 22 mil t em 2013 para 300 t/mês em 2021 por seca, dívida e falta de licença FV (P4 §4).

Continuidade e conflito. O superintendente ocupa cargo de confiança, e o anterior saiu em abril de 2026 para disputar eleição FV (P7 §6). A Seaprof, secretaria estadual, extinguiu seu setor de pesca em 2012 FV (P4 §4). A coordenadoria de pesca prometida em 25/04/2025 nunca foi criada (P6 §7.5). Entre as entidades há disputa registrada entre a federação estadual e uma confederação nacional, por cobrança de boleto de R$ 84 (P7 §2).

O que vale até a posse

Até 31/12/2026 nenhum bem é distribuído, e até a posse dos eleitos em 2027 nenhuma estrutura com cargo é criada FV (P7 §5).

Vedação Dispositivo da Lei 9.504/1997 Janela Efeito no plano
Distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por agente público Art. 73, §10 Todo o ano de 2026 Kit, motor, gelo, caixa térmica e alevino só se o programa teve execução orçamentária em 2025. Nenhuma unidade do Frio a Bordo e nenhum tanque são entregues em 2026
Programa social executado por entidade vinculada a candidato Art. 73, § 11 2026 Entidade dirigida por candidato ou por pessoa de campanha não opera cadastro apresentado como caminho para benefício
Transferências voluntárias Art. 73, VI, "a" 04/07 a 04/10/2026 Emenda e convênio novos não são executados antes da eleição; o plano prepara 2027
Publicidade institucional Art. 73, VI, "b" 04/07 a 04/10/2026 Portais oficiais fora do ar; arquivar as fontes
Nomeação, contratação e transferência de servidor Art. 73, V 04/07/2026 até a posse Coordenação de pesca só por lei, para vigorar em 2027
Inauguração com candidato Arts. 75 e 77 3 meses antes da eleição Nenhuma inauguração de entreposto ou de estação do Frio a Bordo com candidato

A pesquisa registra a janela de transferências e de publicidade até 04/10/2026. O efeito de um eventual segundo turno sobre essas datas não foi levantado NE e deve ser conferido antes de qualquer repasse em outubro.

O que cabe em 2026 INF (P7 §5 e §6):

  1. Pacto por Acordo de Cooperação Técnica, que não é transferência voluntária.
  2. Ofícios, auditoria de campo e medição.
  3. Mutirão documental de RGP, REAP e CIN, sem transferência de bens.
  4. Assembleia de constituição de cooperativa, que é ato privado.
  5. Protocolo de projeto de lei, que é atividade legislativa.
  6. Orientação e transparência: cada pescador consulta a própria situação no RGP.

Quem entrega bens em 2026 é a União, por programa que já existia. O servidor público não cede estrutura, pessoal ou bem a campanha (Lei 8.112/1990, art. 117; Lei 9.504/1997, art. 73, I a III) FV.

Lições que viram salvaguarda

Em todos os fracassos estudados o dinheiro entrou pelo ativo e não pelo contrato de venda INF (P4 §4).

Caso O que aconteceu Causa raiz Salvaguarda no plano
Peixes da Amazônia (AC) R$ 82–86 mi; 8,5 t/dia no pico contra 70 projetadas; falência decretada em 2024 Indústria antes da base produtiva; produtor era sócio, credor e fornecedor Indústria só na Fase 4; pescador é fornecedor com contrato, nunca sócio
Pirarucu de Feijó (AC), 2012–2017 99 peixes em 5 safras; receita cobriu cerca de um quinto do custo (safra de 2014); fim sem sucessor Escala mínima nunca atingida; sem comprador fora do festival Contagem e comprador antes; plano de saída do doador
Fábricas de gelo (AC) Anunciadas de 2021 a 2025; nenhuma com operação comprovada Ativo sem operador, tarifa, energia barata e fundo de manutenção O plano não constrói fábrica de gelo. Diagnóstico do frio existente primeiro; Frio a Bordo em cessão de uso, com operador, rateio de manutenção e medição publicada
Cooperativas acreanas Sobrevivem por termo de colaboração Cooperativa sem caixa nem contrato vira veículo de convênio Cooperativa nasce com contrato de venda e gestor contratado
Programas estaduais R$ 4,52 mi remanejados para outra cadeia; R$ 11,37 mi sem convênio Programa sem executor nem rubrica Cada ação com dono, prazo e fonte, cobrados em ata
Castanhão (CE) 22 mil t em 2013; 300 t/mês em 2021 Seca, dívida e falta de licença Licença em dia; ativo dimensionado pela safra ruim
Ornamental de Barcelos (AM) 10 mil famílias em 2001; 135 coletores em 2016 Comprador único fechou Mais de um canal: merenda, feira e varejo

Durou quem tinha entidade compradora, preço acordado antes da despesca, frio no desembarque, subsídio declarado por 3 anos ou mais e gestão profissional no início (P4 §1).

Regras de ouro

Sete regras valem para todas as fases e para todos os atores INF.

  1. Comprador antes do equipamento. Cada entreposto nasce com contrato assinado, não com inauguração.
  2. Nenhum equipamento sem operador, custeio, fundo de manutenção e meta publicada. A meta é em kg por dia e preço. No Frio a Bordo, o custeio é o rateio de manutenção aprovado em assembleia, e a meta é em quilos conservados por unidade por mês.
  3. O pescador nunca é sócio de indústria. É fornecedor com contrato, preço mínimo e nota fiscal própria.
  4. O plano é institucional. Nenhum cadastro nominal de pescador em estrutura ligada a campanha. Nenhum bem distribuído em ano eleitoral.
  5. Orientação, nunca intermediação de benefício. Ninguém resolve RGP ou defeso como favor.
  6. Dado pessoal fica com quem o coletou. O pacto trabalha com número agregado, calendário e ata públicos.
  7. Medir antes de pedir, e camada de baixo primeiro. Nenhum ativo novo sem auditoria do que existe; documento, organização e frio antes de inspeção, mercado e crédito; frio e ração antes do tanque.

Fontes das regras: P6 §7.5; P7 §5; P4 §4.

O que este capítulo decide

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16 · As dez primeiras ações: os próximos 90 dias

As dez ações abaixo cabem entre outubro e dezembro de 2026, custam quase nada e não distribuem nenhum bem. Todas produzem um papel assinado, um dado medido ou uma fila organizada. São as ações que destravam o que vem depois, e nenhuma depende de Brasília para começar.

O período tem três datas fixas. A 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca acontece de 11 a 13/11/2026 (P1 sumário) FV (com ressalva): a data foi confirmada só em imprensa. O defeso começa em 15/11/2026 e vai até 15/03/2027 (P8 sumário) FV. O prazo do REAP de 2021 a 2025 termina em 31/12/2026 (P7 §4.1) FV.

As dez ações

# Ação Quem Prazo O que prova que foi feito
1 Ofício do superintendente convocando a 1ª reunião do Pacto Acreano da Pesca Artesanal, com minuta de Acordo de Cooperação Técnica SFPA/AC 15 dias Ofício expedido e lista de convidados publicada
2 1ª reunião do grupo gestor: aprova calendário, regras de adesão e o rito de ata pública SFPA/AC, Estado, entidades, ICT, Sebrae 45 dias Ata e calendário em sítio eletrônico
3 Filas de regularização por entidade a partir das listas das portarias de saneamento do RGP Entidades e SFPA/AC 30 dias Total por município em cada fila (advertido, suspenso, cancelado), sem lista nominal
4 Mutirão documental do defeso, começando pelo Juruá, onde estão 55,1% dos pescadores Entidades, SFPA/AC, prefeituras de 15/11 a 31/12 Certidões de regularidade e REAP 2025 entregues, por município; balcão do Desenrola Rural aberto até 20/12
5 Seis ofícios de desempate (lista no capítulo do roteiro, ação 0.4) e a consulta ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e piscicultura SFPA/AC e entidades 20 dias Protocolos; respostas publicadas quando chegarem
6 Diagnóstico do frio existente: vistoria das fábricas de gelo anunciadas, das câmaras e dos freezers das entidades; escolha dos 3 polos-piloto do Frio a Bordo Grupo gestor 60 dias Planilha pública: capacidade, operador, situação; polos definidos em ata
7 Boletim semanal de preços do pescado em três praças Sebrae ou ICT 30 dias Primeiro boletim publicado
8 Propostas do Acre levadas à Conferência Nacional Delegação estadual 11 a 13/11 Propostas protocoladas
9 Assembleia de constituição da primeira cooperativa de pescadores Pescadores, com Sescoop e Sebrae 90 dias Ata, estatuto e pedido de CNPJ
10 Quadro de habilitação das entidades; minutas da lei estadual, do consórcio e da Política Estadual de Aquicultura Familiar; levantamento das 20 famílias do piloto de tanques e dos viveiros parados a reativar; cotação coletiva de ração em carreta e de cama de frango; consulta ao fornecedor de ração de Rio Branco e ao dono da fábrica de ração parada (capítulo 19) SFPA/AC orienta; grupo gestor redige 90 dias Quadro publicado; minutas em consulta; projeto de lei estadual de pesca e projeto de lei do Frio a Bordo protocolados

Por que estas e nesta ordem

O pacto vem primeiro porque dá endereço a tudo. Sem grupo gestor, cada ofício é de uma entidade isolada e cada resposta fica na gaveta de quem recebeu. O Acordo de Cooperação Técnica não transfere recurso, e por isso cabe no calendário eleitoral (P7 §6) FV.

O mutirão documental aproveita o defeso. O pescador está em terra por quatro meses e o prazo do REAP vence em 31 de dezembro. Quem chega a 2027 com RGP ativo, REAP em dia e e-mail próprio entra no crédito, na nota e no seguro. Quem não chega espera seis meses para pedir de novo, se cancelado (P7 §4.1) FV.

Os ofícios resolvem perguntas que travam decisões. Enquanto ninguém souber qual defeso do pirarucu prevalece no Acre, nem quem homologa acordo de pesca fora de unidade de conservação, nenhuma promessa de manejo é séria (P7 §4.4 e §4.5) FV. Enquanto a Sefaz não disser como o pescador se inscreve, a nota não sai (P6 sumário) NE.

O diagnóstico do frio mostra o ponto de partida. Cinco fábricas de gelo foram anunciadas e nenhuma tem operação publicada (P6 §4.1) FV. O plano não investe nelas: leva o frio para dentro do barco, com o Frio a Bordo, e precisa saber o que já existe em terra para escolher os três polos-piloto (capítulo 17).

A consulta sobre o seguro-defeso vem antes do primeiro tanque. Renda de piscicultura pode tirar o seguro do pescador com RGP ativo; a lei deixa a questão em zona cinzenta (PT §6) INF. Sem resposta do MTE e do MPA, o piloto de 2027 só inclui família sem RGP ativo, ou cônjuge e filho do pescador (capítulo 18).

A cooperativa nasce cedo porque demora a ficar apta. Ela opera em dois a quatro meses, mas só capta emenda como organização da sociedade civil com três anos de CNPJ (P7 §6) FV. Cada mês de atraso em 2026 é um mês de atraso em 2029.

O que não fazer nestes 90 dias

O que este capítulo decide

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17 · Frio a Bordo: o frio do plano começa dentro do barco

O plano troca a aposta em fábrica de gelo pelo Frio a Bordo, porque a perda do pescado acontece dentro do barco, antes de o peixe chegar a qualquer estrutura em terra (FB §2). Investir mais em gelo ou em câmara na colônia não corrige isso: o produto já chega degradado. E as cinco fábricas de gelo anunciadas no estado seguem sem capacidade publicada e sem operação comprovada FV (P6 §4.1).

O Frio a Bordo é um sistema de conservação do pescado que começa na embarcação. Entra no plano como programa institucional: lei estadual, entidades de base e SFPA/AC. É a camada de frio que sustenta a passagem da renda de benefício para a renda de atividade, porque peixe que chega íntegro vale mais no desembarque.

O capítulo é franco sobre o que falta. Em outubro de 2026, a unidade de referência foi demonstrada às entidades de sete municípios. Nenhuma está em operação contínua e nada foi medido em campo FV (relato do projeto). O desempenho é hipótese. O piloto de 2027 é o teste.

O elo descoberto

Três das quatro etapas da cadeia de frio não têm refrigeração, e são as três que acontecem no rio (FB §2).

Etapa Onde acontece Situação hoje Resposta do plano
Captura No barco Sem refrigeração Unidade a bordo
Permanência no rio No barco, durante toda a pescaria Sem refrigeração; só o gelo comprado antes da saída Unidade a bordo
Transporte até o desembarque No barco Sem refrigeração Unidade a bordo
Colônia ou entreposto Em terra Há câmara fria e máquina de gelo em parte das entidades; operação não comprovada (P6 §4.1) Estação solar; entreposto na Fase 2

O único recurso de conservação a bordo é o gelo comprado antes da saída. Ele é caro, nem sempre existe na quantidade necessária e derrete ao longo da viagem. A referência técnica é de 2 kg de gelo por quilo de peixe FV (P6 §4.1). O preço que o pescador paga pelo gelo em Rio Branco e em Cruzeiro do Sul não foi encontrado NE (P6 §7.4).

O efeito é de valor, não só de volume. O pescado chega ao desembarque com classificação inferior e é comprado por preço inferior. O pescador recebe menos pelo mesmo esforço (FB §2).

As entidades ouvidas nas três bacias de pesca relataram três coisas (FB §4):

  1. A perda é reconhecida e não é medida. Todas descrevem a perda a bordo como fato corriqueiro. Nenhuma a registra. Não existe série histórica estadual de perda pós-captura NE.
  2. O gargalo é energia, não estrutura. Onde há câmara fria, ela é subutilizada, porque o produto chega degradado. Onde não há, o pedido é por gelo, que é o sintoma e não a causa.
  3. A regularidade cadastral é o filtro. Entidade sem CNPJ regular, sem certidões ou com diretoria vencida fica fora de qualquer transferência, por melhor que seja o projeto. Em julho de 2026 o estudo verificou 16 entidades: 14 aptas a convênio, 1 com CNPJ a validar e 1 inapta FV (FB §3.5).

Uma ressalva protege o plano de exagero. O peso da perda a bordo em relação às outras etapas não é conhecido, porque não há levantamento estadual de perda por etapa da cadeia NE. O relato das entidades aponta o barco. O número só virá do piloto.

Como funciona

O Frio a Bordo tem três peças, e nenhuma funciona sozinha.

O público-alvo é a pescaria de 1 dia ou mais, a mais de 10 km do desembarque INF. Quem pesca perto e volta no mesmo dia fica fora do alvo. A solução precisa caber em embarcação pequena: 92,6% das embarcações de pesca registradas no país são de pequeno porte FV (FB §3.4).

Item Valor Confiança
Unidade de energia portátil de referência 6 kW, 4,5 kWh, expansível a 15 kWh; recarga por rede e solar FV (FB §10)
Custo da unidade de energia de referência cerca de R$ 25 mil (2026) FV
Freezer a bordo tampa cega, 200 a 300 litros, degelo manual INF especificação do estudo
Custo por embarcação equipada (unidade, freezer, instalação e rateio da estação) R$ 40 a 64 mil INF estimativa do estudo
Piloto de 5 embarcações com estação R$ 200 a 320 mil INF ordem de grandeza do estudo
Autonomia mantendo refrigerado cerca de 2 dias (4,5 kWh) a 6 ou 7 dias (15 kWh) INF a confirmar no piloto
Público-alvo pescaria de 1 dia ou mais e mais de 10 km do desembarque INF
Situação em outubro de 2026 demonstrada às entidades de 7 municípios (Sena Madureira, Xapuri, Porto Acre, Acrelândia, Plácido de Castro, Bujari e Rio Branco); nenhuma em operação contínua FV (relato do projeto)
Base legal projeto de lei estadual de política de conservação do pescado a bordo; minuta pronta, ainda não protocolada FV
Quilos conservados por unidade por mês, perda evitada, custo de operação não medidos NE

Em regime de congelamento, a estimativa de autonomia cai para cerca de meio dia INF, também a confirmar no piloto. Por isso o plano trata a unidade como meio de manter o pescado refrigerado até o desembarque, não de congelar a bordo INF.

A demonstração ainda não chegou ao Juruá. Os sete municípios visitados ficam no vale do Acre e no Purus, e o Juruá concentra 55,1% dos pescadores com RGP ativo (P8 §2). Uma das três estações-piloto vai para lá por essa razão INF. No rótulo "Purus/Envira", a cidade do piloto é Sena Madureira, no Purus; a regional Tarauacá/Envira recebe estação na Fase 2 (capítulo 12).

O que substitui e o que não substitui

O plano deixa de construir e de religar fábrica de gelo como política, mas o gelo não desaparece da cadeia.

Item Antes, na v1.0 Agora, na v1.1
Fábricas de gelo anunciadas Religar e operar com meta publicada Fora do investimento; entram 3 pilotos do Frio a Bordo com uso medido
Gelo solar comunitário Equipamento previsto para a comunidade Estação solar do Frio a Bordo: recarga das unidades e frio de espera
Pontos de desembarque com frio solar 5 pontos, depois 10 3 estações-piloto, depois 10 estações
Câmara fria e máquina de gelo do entreposto Parte do entreposto, na Fase 2 Permanecem
Caminhão refrigerado Previsto Permanece
Inventário das fábricas anunciadas Fase 0, para decidir onde religar Fase 0, como diagnóstico do frio existente: saber o que há, não investir nelas
Meta 6 do plano Fábricas de gelo operando Unidades Frio a Bordo em operação, com uso medido e publicado

Três ressalvas acompanham a troca.

O gelo continua existindo. O entreposto terá câmara e máquina de gelo próprias. O transporte em terra segue com gelo e com caminhão refrigerado. A pescaria curta e perto do desembarque segue com gelo. A própria minuta da lei traz a diretriz de complementaridade: as ações somam-se às estruturas de conservação existentes, sem substituí-las (minuta, art. 4º, I).

A troca não é por preço. A fábrica de gelo licitada em Assis Brasil em junho de 2026 tinha valor estimado de R$ 198.772, com aquisição e instalação, e foi homologada em 23/07/2026 por R$ 138.500 FV (PNCP; P6 §7.4). Um piloto de 5 embarcações custa mais: R$ 200 a 320 mil INF. O argumento é o lugar da perda. Gelo produzido em terra não acompanha o pescador durante dias de rio.

A porta do gelo não fica trancada. A minuta admite unidade fixa de gelo ou de conservação no ponto de partida da comunidade, quando o levantamento indicar maior benefício por real aplicado (minuta, art. 17, § 5º). Se o piloto mostrar que o gelo rende mais em algum trecho, o plano volta a ele, com dado.

Quem recebe e como

O equipamento é bem público, vai para entidade de base em situação regular e nunca para pessoa física. As regras abaixo estão na minuta do projeto de lei, ainda não protocolada FV.

Regra O que diz Onde está
Propriedade Bem público, com cessão de uso gratuita, encargo de destinação e cláusula de reversão; prazo de até 5 anos, prorrogável uma vez minuta, arts. 15 e 16
Quem recebe Entidade de base habilitada (colônia, associação ou cooperativa) ou o Município minuta, arts. 13 e 15
Habilitação CNPJ ativo e regular; regularidade fiscal, previdenciária e trabalhista; diretoria eleita, com gestão vigente e ata registrada; cadastros de transferência voluntária. Resultado publicado, com prazo para sanear minuta, art. 14
Pessoa física Vedada a entrega minuta, art. 15, § 1º
Entidade de cúpula Vedado exigir intermediação de federação ou confederação; o apoio vai direto à entidade de base ou passa pelo Município minuta, art. 15, § 2º
Uso Compartilhado, por critério objetivo, público e sequencial; termo a cada retirada; prazo máximo de posse; sem exigência de filiação minuta, art. 17
Tecnologia A lei fixa desempenho, não marca minuta, art. 18; FB §10
Compra Licitação (Lei 14.133/2021) ou parceria com chamamento público (Lei 13.019/2014) minuta, arts. 14, 15 e 18
Conflito de interesses Quem escreve a especificação não fornece; quem opera o levantamento não recebe nem fornece minuta, art. 19
Dados dos pescadores Cadastro facultativo; uso político-eleitoral, partidário ou comercial vedado; divulgação só agregada minuta, arts. 7º, 9º e 11; FB §11
Calendário Destinação de bens só a partir de 01/01/2027 minuta, arts. 23 e 31

A neutralidade tecnológica é a regra que protege a política de si mesma (FB §10). A lei não cita marca nem fabricante. Fixa desempenho: autonomia compatível com a duração da pescaria da região, operação sem combustível a bordo, portabilidade, recarga por fonte renovável ou pela rede, e assistência técnica com peças de reposição no estado. A minuta acrescenta faixa de temperatura, capacidade em quilos, proteção contra água e massa compatível com a estabilidade da embarcação (art. 18). Antes de abrir o certame, o poder público publica a justificativa de cada requisito e indica ao menos três fornecedores aptos. Especificação que só um produto atende é vedada.

O pescador sem vínculo com entidade não fica de fora. A minuta assegura o acesso ao uso compartilhado pelo Município e veda exigir filiação (art. 15, § 4º).

Os dados seguem a LGPD. O Estado é o controlador. A entidade que executa é operadora e trata dado só por instrução escrita. O cadastro não exige CPF, e quem não se cadastra continua com acesso pela entidade ou pelo Município (minuta, arts. 7º, 9º e 11). Isso cumpre a restrição do plano para 2026: nenhum cadastro nominal de pescador em estrutura política.

Operação: quem cuida

Nenhuma unidade chega sem operador, rateio de manutenção e verba de manutenção definidos antes da entrega. É a regra do plano para todo equipamento, e aqui vale por unidade e por estação INF.

Peça da operação Regra Fonte
Comitê local Escolhido em assembleia da entidade; controla a fila de uso, a retirada e a devolução INF; minuta, art. 17
Rateio de manutenção É a única cobrança admitida: rateio dos custos de manutenção, aprovado em assembleia e comunicado à Administração; cobrar pelo uso é vedado. Valor NE minuta, art. 17, VI
Fundo de manutenção Recebe o rateio; paga bateria, peças e assistência técnica. O custo de troca do banco de baterias entra na especificação INF; minuta, art. 18, VII
Registro mensal Quilos conservados por unidade, publicados todo mês; a minuta exige relatório anual de uso, o plano exige o mensal INF; minuta, arts. 12 e 17
Guarda e sinistro A entidade responde por guarda, conservação e custo de operação; comunica furto, naufrágio ou avaria em 5 dias úteis minuta, art. 16
Capacitação Instalação segura e treinamento do usuário antes do primeiro uso; boas práticas de manipulação do pescado a bordo minuta, arts. 18, § 6º, e 24
Defeso Vedado guardar pescado de defeso, de espécie proibida ou abaixo do tamanho mínimo; o infrator perde o direito de uso minuta, art. 22
Venda livre Vedado condicionar o uso à venda a comprador determinado ou a preço fixado por terceiro minuta, art. 25

A lição que sustenta a regra vem do próprio inventário do plano: equipamento sem fundo de manutenção morre na primeira bateria (P6 §7.5). A SFPA/AC articula: acompanha a habilitação das entidades, confere o registro mensal e leva o resultado ao Ministério da Pesca e Aquicultura INF. A entidade opera. O pescador usa e fica com a renda.

O que o piloto precisa medir

Hoje nada do desempenho do Frio a Bordo está medido em campo NE. Não há autonomia aferida, quilo conservado registrado, perda evitada calculada nem custo de operação apurado. Medir é a primeira entrega do piloto, antes de qualquer expansão.

Medida Por que importa Como medir
Autonomia real do conjunto Diz se a unidade cobre a pescaria; a estimativa de 2 a 7 dias está a confirmar Registro de temperatura e de horas de operação da própria unidade, por viagem
Quilos conservados por unidade por mês É o número que a meta publica Pesagem no desembarque, anotada no termo de retirada e devolução
Perda evitada, em quilos e em reais É o benefício que justifica o custo Perda declarada por viagem e parcela do pescado na melhor categoria comercial, antes e depois; comparação com município da mesma bacia sem atendimento
Preço recebido por quilo Mostra se o ganho de qualidade virou renda do pescador Preço médio por espécie no ponto de desembarque, antes e depois
Custo de operação e de bateria Define o rateio de manutenção e o tamanho do fundo Despesa mensal da estação, peças, dias parados por avaria ou falta de recarga, custo de troca do banco de baterias
Peso e estabilidade em canoa A frota é de embarcação pequena; é questão de segurança Teste com a embarcação real de cada polo, conforme as normas da autoridade marítima
Uso por pescador Uso compartilhado só existe se várias embarcações usam a mesma unidade Embarcações distintas atendidas por unidade por mês; pescadores atendidos por sexo e município, em dado agregado
Gelo que deixou de ser comprado É a economia direta do pescador Quilos e custo do gelo por viagem, antes e depois

Os indicadores vêm da própria minuta, que manda aferir antes do início do atendimento e periodicamente depois (minuta, art. 8º). A linha de base de cada polo é levantada antes da primeira unidade entrar no barco INF. A ampliação do atendimento considera os resultados publicados (minuta, art. 8º, § 2º). O plano adota a regra sem exceção: sem resultado publicado da Fase 1, não há Fase 2 do Frio a Bordo.

Implantação por fase

O Frio a Bordo vai de zero a 100 unidades em cinco anos, e nenhuma é entregue em 2026.

Fase Período O que acontece Unidades em operação Custo do Frio a Bordo
Fase 0 · Preparar out a dez/2026 Projeto de lei protocolado; entidades habilitadas; escolha dos 3 polos; diagnóstico do frio existente. Nada é entregue 0 Sem compra de equipamento; custo de preparação NE
Fase 1 · Regularizar e organizar 2027 3 pilotos de 5 embarcações, em 3 estações-piloto (Juruá, Purus/Envira e vale do Acre); medição mensal publicada 15 R$ 0,6 a 1,0 mi
Fase 2 · Produzir e conservar 2028 e 2029 Mais 45 unidades; estação nas 5 regionais 60 R$ 1,8 a 2,9 mi
Fase 3 · Beneficiar e vender 2029 a 2031 Mais 40 unidades; 10 estações 100 R$ 1,6 a 2,6 mi

A soma das três fases é de R$ 4,0 a 6,5 mi INF, com base no custo de R$ 40 a 64 mil por embarcação equipada. O teto de 6,5 vem da soma das faixas arredondadas de cada fase; 100 unidades a R$ 64 mil dão R$ 6,4 mi. Os valores cabem nos totais do plano: a Fase 1 continua em R$ 1,5 a 3,0 mi e a Fase 2 em R$ 6 a 12 mi. O acréscimo da Fase 3 passa a R$ 2 a 4 mi. Todos são estimativa de ordem de grandeza e serão refeitos com o custo real do piloto.

A lei não cria dotação. A minuta manda executar no limite das dotações existentes e lista as fontes a articular: transferências voluntárias da União, crédito de fomento regional e fundos ambientais e climáticos (minuta, arts. 5º e 28). O dinheiro de cada fase está na matriz de fontes do capítulo 13.

O calendário de 2026 é normativo e preparatório: aprovar a lei, habilitar entidades, consolidar o levantamento e articular a fonte de recurso (FB §12). A Lei 9.504/1997, art. 73, § 10, veda distribuir bens em ano de eleição, salvo programa autorizado em lei e já em execução orçamentária no ano anterior. O Frio a Bordo não cabe na exceção em 2026.

Como se liga ao resto do plano

O Frio a Bordo não é um programa à parte: cada peça dele depende de outra frente do plano ou a alimenta.

Frente do plano Ligação Onde está
Documento em dia Só entidade em situação regular recebe unidade. A habilitação é trabalho anterior ao recurso (FB §4) capítulos 10 e 11
Cooperativa e entreposto O peixe chega com qualidade para passar pela inspeção. A unidade não substitui a exigência sanitária (minuta, art. 24) capítulo 04
PNAE e compras públicas Pescado conservado e inspecionado entra na chamada pública. A minuta prevê prioridade ao pescado artesanal nas compras do Estado, observada a legislação (art. 25) capítulo 05
Piscicultura em tanques A estação dá frio e energia para a despesca. A trilha de cultivo só avança com estação instalada ou com cronograma firme capítulo 18
Crédito Energia solar é item financiável. Cooperativa ou pescador pode financiar o próprio conjunto depois que o piloto publicar resultado INF capítulo 06
Indicadores O registro mensal de quilos conservados alimenta o painel do plano capítulo 14

A ordem importa. O entreposto rende mais quando o pescado chega íntegro, e o pescado só chega íntegro se houver frio no barco. Equipar a margem sem equipar a embarcação é investir na segunda metade do percurso.

Riscos próprios

O risco maior é o equipamento não entregar o que promete, e por isso o plano começa com 15 unidades e não com 100.

Risco Salvaguarda
Desempenho abaixo do esperado: autonomia, capacidade ou peso em canoa Piloto medido antes de qualquer escala; expansão só com resultado publicado; a especificação por desempenho permite trocar de solução; unidade fixa de gelo admitida se o dado indicar
Custo por embarcação alto para o alcance: 100 unidades não cobrem 21.777 pescadores É uso compartilhado e por coorte, não distribuição individual. Mede-se embarcações distintas por unidade por mês. O alvo é a pescaria longa. Quem quiser conjunto próprio vai pelo crédito
Leitura de direcionamento de fornecedor Especificação por desempenho; certame aberto; três fornecedores aptos publicados antes; quem especifica não fornece
Lei arquivada com o fim da legislatura, se não for aprovada em primeira discussão até dezembro de 2026 Protocolar na Fase 0. Se arquivar, reapresentar em 2027. O piloto pode correr por parceria com entidade regular, com as mesmas regras em contrato INF
Entrega em ano eleitoral Nada em 2026; destinação só a partir de 01/01/2027. Em ano de eleição, só programa já em execução orçamentária no ano anterior. Nenhum nome, imagem ou símbolo de agente político nos bens (minuta, arts. 20 e 23)
Unidade parada por falta de manutenção Fundo de manutenção antes da entrega; dias parados medidos e publicados; assistência técnica e peças no estado

O alerta do calendário legislativo é concreto. A legislatura se encerra em janeiro de 2027 e, findo o período, as proposições são arquivadas, salvo as aprovadas em primeira discussão (FB §0). O risco de alcance também precisa ser dito com clareza: o Frio a Bordo não chega a todo pescador. Chega primeiro à coorte que faz pescaria longa, por meio da entidade, e o tamanho dessa coorte não foi contado NE.

O que este capítulo decide

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18 · Piscicultura em tanques: o que o estudo mostra e como entra no plano

O Acre não precisa de mais tanque; precisa de ração, frio, abate legal e lei. O estado tem 6.465 ha de lâmina d'água, 22,9% parada, e tira 0,46 t por hectare por ano FV (PT §0). Construir mais estrutura repete o erro que levou a produção de 6.072 t (2015) para 2.294 t (2024). Por isso a piscicultura entra no plano com outro papel: renda do defeso para a família do pescador, acoplada ao Frio a Bordo. Entra pequena, medida em famílias e não em toneladas. Só avança quando frio, ração e segurança jurídica estiverem de pé INF (PT §14). É a tese do plano aplicada ao cultivo: somar renda de atividade sem pôr em risco a renda de benefício.

O que o estudo mediu

O tanque existe; o peixe não. A estrutura do estado comportaria mais de 30 mil t por ano, pela estimativa do próprio governo estadual, e entrega menos de um décimo disso FV (PT §1.3).

Indicador Valor Data Marca e fonte
Lâmina d'água mapeada por satélite 6.465 ha; 4.986 ha ativos; 1.478 ha parados (22,9%) 2022 FV (PT §1.3)
Empreendimentos 5.011; 4.780 são pequenos (95,4%), em viveiro escavado sem aeração 2022 FV (PT §0, §1.3)
Produtividade real 0,46 a 0,57 t por hectare por ano, conforme a série; Rondônia fez 2,26 2024; 2022 FV (PT §1.3)
Produção de cultivo (IBGE) de 6.072 t para 2.294 t, queda de 62% 2015 a 2024 FV (PT §1.1)
Tambaqui (IBGE) de 2.588 t para 846 t, queda de 67% 2015 a 2024 FV (PT §1.1)
Origem do peixe de Rio Branco parte relevante vem de Rondônia; o percentual de cerca de metade e o preço de R$ 18 por kg no atacado são estimativa da pesquisa 2025 e 2026 INF (PT §1.4)
Ração no custo 61% a 87%; sem fábrica em escala operando para o criador do Acre estudos de 2015 a 2024 FV (PT §4.1)
Inspeção nenhum estabelecimento de pescado com SIF; uma unidade com SIE, não identificada set/2026 FV (PT §1.5)
Manejo 11 de 17 viveiros estudados em risco de mortalidade por falta de oxigênio 2018 FV (PT §1.3)
Crédito de custeio para piscicultura R$ 842 mil no estado inteiro; investimento, zero 2022 FV (PT §1.7)

O plano usa as somas municipais do IBGE: 2.294 t em 2024 e 2.312 t em 2025 FV (SIDRA, tabela 3940). O estudo cita 2.296 t para 2024, de outra extração da mesma pesquisa.

Quem parou foi o pequeno: nas grandes propriedades, só 8% da lâmina está inativa FV (PT §1.3). A cadeia quebrou por ração cara, alevino sem origem local e falta de frio e de inspeção. Sem inspeção, o produtor só vende peixe inteiro fresco em feira. Fica fora da merenda, do supermercado com nota e da exportação FV (PT §5.5). O mercado existe: devolver 1.000 t por ano ao Acre ocuparia 200 a 400 ha dos que já estão ativos, com comprador em Rio Branco INF (PT §5.1).

Qual sistema cabe

Reativar e manejar o viveiro escavado que já existe é a maior alavanca; para a família ribeirinha sem terra, só o tanque suspenso de lona se sustenta. Os demais sistemas ficam fora do alcance do pequeno ou fora da lei (PT §2.3).

Sistema Para quem serve Custo de entrada Risco Veredito do estudo
Viveiro escavado semi-intensivo Pequeno produtor com terra Zero de obra para quem já tem tanque; R$ 25 a 55 mil por hectare para construir (2026) INF Baixo a médio: oxigênio de madrugada, rompimento na cheia 1º lugar. Reativar e manejar, sem escavar
Tanque suspenso de lona ou geomembrana (5 a 20 m³, bomba solar) Pescador ribeirinho, quintal, área alagável sem rede elétrica R$ 3 a 9 mil INF Médio: água que degrada rápido, sol, friagem 2º lugar. Segurança alimentar e renda complementar; 30 a 100 kg por ciclo
Viveiro escavado com aeração Empreendimento médio ligado à rede Mais R$ 1 a 4 mil por hectare em aeradores, além da rede FV Médio: queda de energia à noite 3º lugar. Só perto da rede estável; 16 a 25 t por hectare
Tanque-rede Produtor com açude ou represa privada, nível estável R$ 50 mil para 15 tanques de 6 m³ INF Alto: nível, correnteza, predação, furto Só em açude privado. Em rio acreano, não
Bioflocos Empreendimento médio urbano R$ 137,8 mil para 30 t por ano (Pará, 2019 e 2020) FV Alto: colapsa sem técnico e energia firme Fora do alcance do pequeno
Recirculação Laboratório de alevinos, nicho Até R$ 100 mil por unidade, sem dado brasileiro confiável NE Alto: energia 24 horas, mão de obra rara Fora. Uso possível só em alevinagem

Tanque-rede em rio acreano não entra no plano por três razões. Primeira: os rios Acre, Purus, Juruá e Iaco são de domínio da União. Exigem cessão de uso federal e outorga da ANA, cujo rito só existe para reservatório FV (PT §6.3). Não há cessão nem outorga desse tipo no estado; o estudo estima 12 a 24 meses ou mais, sem precedente INF. Segunda: o rio não ajuda. O nível varia dezenas de metros, a água é barrenta, a correnteza é forte na cheia e houve escassez crítica declarada em 2025 FV (PT §2.2). Terceira: o precedente mais parecido fracassou. Em Tucuruí (PA), um programa para pescadores artesanais licitou 984 áreas e prometeu 2.600 tanques a 325 pescadores. Entregou 360, povoou 145 e durou um ciclo, com tudo doado FV (PT §9.2). Na conta do estudo, 15 tanques-rede perdem R$ 7.063 por ano vendendo a R$ 12 por kg INF (PT §4.4).

A energia solar segue a mesma lógica de tamanho. Compensa no tanque de quintal (retorno em 1,9 ano) e na câmara fria que trabalha de dia (2,9 anos). Não compensa na aeração noturna de um hectare ligado à rede (17 anos), porque a bateria domina o custo INF (PT §4.5, §8.3).

Qual peixe

Tambaqui, com 10% a 20% de curimatã e piau no mesmo tanque, é o peixe do plano. É o que o produtor acreano cria há 45 anos e o que o consumidor de Rio Branco compra. Custava R$ 22 por kg na Ceasa em junho de 2025, o mais barato da banca FV (PT §3.1). Espécie não é a variável de decisão; insumo é INF (PT §3.6).

Espécie Alevino (R$ por unidade) Ração Tempo até o abate Custo medido Veredito
Tambaqui 0,20 a 0,45 28% a 32% de proteína; R$ 3,58 a 3,88 por kg (referência regional, 2024) 304 dias em viveiro; 489 dias em tanque de água clara R$ 11,02 por kg em viveiro (2024) Entra, com curimatã e piau
Pirarucu 10 a 16 40% a 45% de proteína; R$ 5,50 a 6,30 por kg 12 meses ou mais, em três fases R$ 39,84 por kg na saída da recria (Embrapa, 2021) Fora. Só fecha em integração, que não existe
Tilápia 0,35 28% a 32% de proteína 6 a 8 meses Sem cotação em Rio Branco NE Fora de programa público

Todos os valores da tabela são FV (PT §3.2, §3.4).

No tanque de lona, de água clara, o tambaqui cresce mais devagar. Leva 489 dias para chegar a 1,7 kg, contra 304 dias no viveiro (Embrapa, 2023) FV (PT §2.2). É um dos motivos de o tanque de quintal ser comida na mesa e renda complementar, não emprego.

O pirarucu de cultivo quebra o pequeno por três números. O alevino custa R$ 10 a 16 a unidade. A ração é de 40% a 45% de proteína o ciclo inteiro. E a recria medida pela Embrapa saiu a R$ 39,84 por kg, com o alevino pesando 40,2% do custo FV (PT §3.4). Só de ração são cerca de R$ 12 por kg de peixe INF. A conta só fecharia com alevino abaixo de R$ 8 por contrato, ração de fábrica local e frigorífico inspecionado pagando R$ 20 por kg ou mais. Nenhuma dessas condições existe no Acre em 2026 INF (PT §3.4).

A tilápia fica fora por lei e por mercado. A Portaria Ibama 145-N/1998 proíbe introduzir espécie exótica na bacia amazônica. A Resolução Conama 413/2009 só a admite com ato federal específico. A multa, de R$ 2.000 mais R$ 200 por exemplar, é do Decreto 6.514/2008, art. 25 FV (PT §3.5). A resolução está para ser substituída: o Conama aprovou o novo texto em 02/09/2026, ainda sem publicação localizada FV (com ressalva). O Acre não tem norma que a autorize, e o consumidor local a rejeita. A produção registrada caiu de 171 t (2014) para 16 t (2024) FV (PT §3.5).

A conta

A conta só fecha com preço: o custo total fica entre R$ 11 e 13,5 por kg em todos os modelos, e o que decide é a quem se vende INF (PT §4.4).

Modelo Investimento Custo por kg Renda por família Condição para fechar
Tanque de quintal: dois tanques de lona de 15 m³ e kit solar R$ 9,3 mil R$ 12,12 R$ 171 por mês a R$ 15 por kg, mais cerca de 600 kg de peixe por ano na mesa; a R$ 12, perde R$ 85 por ano, perto de zero Venda direta ou consumo próprio; energia solar; cabe no Pronaf B
Viveiro familiar de 1 ha, 5,1 t por hectare R$ 66 mil para construir, sem obra para quem reativa; R$ 55 mil de giro por ciclo R$ 12,05 Menos R$ 20 por mês a R$ 12; R$ 1.263 por mês a R$ 15 Venda direta a R$ 15; giro do segundo ciclo financiado
15 tanques-rede de 6 m³ R$ 50 mil; R$ 56 mil de giro R$ 13,45 Menos R$ 589 por mês a R$ 12; R$ 626 a R$ 15 Não entra no plano
Módulo associativo de 8 ha: 16 aeradores, câmara fria de 20 m³, 10 kWp solar e técnico; 8 famílias R$ 661 mil; R$ 606 mil de giro R$ 11,57 R$ 860 por mês a R$ 13; R$ 2.050 a R$ 15 Câmara fria e inspeção de pé; ração em carreta a R$ 4,20 por kg; técnico pago

Tudo na tabela é estimativa do estudo INF, com ração a R$ 5,00 por kg, 1,8 kg de ração por kg de peixe e mortalidade de 10% (PT §4.4). O resultado do viveiro de 1 ha foi calculado com tanque novo. A conta do viveiro reativado foi refeita no catálogo de projetos: R$ 17,7 mil para reativar e R$ 12,68 por kg, com peixe de 2 kg para a merenda INF (projeto 13 · capítulo 19). A conversão de 1,8 é ambiciosa para o ciclo inteiro: a Embrapa mediu de 2,04 a 2,22 em tambaqui até 1,7 kg, e o projeto para a merenda usa 2,0 FV (a medida) (projeto 16). O tanque único do piloto, de 10 a 20 m³, custa R$ 7 a 9 mil de estrutura e R$ 1,5 a 2 mil de ração por ciclo INF (PT §11, §12). No catálogo de projetos, o tanque único dá de R$ 35 a 75 por mês em caixa, sem repor o equipamento INF (projeto 01); o piloto mede.

A regra do preço é simples: R$ 12 por kg ao atravessador não paga; R$ 15 por kg em venda direta paga. A R$ 12, o tanque de quintal perde R$ 85 por ano e o hectare familiar perde R$ 238. A R$ 15, o mesmo hectare rende R$ 15.152 por ano INF (PT §4.4). Para um salário mínimo por mês, bastam 1,2 ha a R$ 15; a R$ 12 são 4 ha; a R$ 10 é inviável INF (PT §4.7). Na conta refeita para o peixe de 2 kg da merenda, com conversão de 2,0, o hectare dá R$ 914 por mês a R$ 15: um salário mínimo pede 1,8 ha, e a R$ 12 o hectare dá prejuízo INF (projeto 13). Vinte por cento a mais no preço mudam o resultado do hectare em R$ 12 mil por ano. Vinte por cento a menos na ração, em R$ 9,5 mil INF (PT §4.5).

A margem vem do frio e da compra coletiva de ração, não do tanque. O módulo associativo é o único modelo que dá renda, por dois motivos. A câmara fria segura o peixe para a entressafra e livra o produtor da venda forçada na Semana Santa. A compra em carreta baixa a ração de R$ 5,00 para R$ 4,20 por kg, 16% a menos INF (PT §4.4, §13). O módulo rende de R$ 82 a 197 mil por ano conforme o preço de venda. Sem frio e sem compra coletiva, o mesmo hectare volta ao zero.

O produtor quebra no segundo ciclo. O primeiro costuma vir com alevino e ração doados. O segundo exige R$ 55 mil por hectare, doze meses antes da primeira receita INF (PT §4.7). Sem ração o peixe não cresce, a despesca atrasa, todos vendem juntos e o preço cai. Mortalidade de 30% em vez de 10% tira R$ 93 mil por ano do módulo; por isso ele paga um técnico INF (PT §4.5).

A família de pequeno porte cumpre o caminho legal em 1 a 8 meses, com custo regulatório abaixo de R$ 15 mil INF (PT §6.6). O que trava é a falta de regra estadual, não a lei federal. Os passos, na ordem:

  1. CAR ativo e local fora de área de preservação permanente e sem barramento. Com barramento ou em área de preservação, o caso exige licença e outorga plenas (PT §6.7).
  2. RGP de aquicultor no MPA. É gratuito até 2 ha, vale 5 anos e pede formulário anual FV (PT §6.1).
  3. Dispensa ou licença no IMAC. O pequeno porte, abaixo de 5 ha, pode receber Certidão de Dispensa. Os prazos conhecidos são de 60, 120 e 180 dias, dado de 2018 FV (PT §6.2).
  4. Outorga ou dispensa de outorga, também no IMAC. Em 2025 saíram 59 outorgas e 751 certidões de dispensa, estas emitidas nos núcleos regionais FV (PT §6.2).
  5. Cadastro no Idaf e GTA. O Idaf vistoria antes de cadastrar. Todo peixe vivo que sai da propriedade viaja com GTA FV (PT §6.1).
  6. CAF, para quem tem até 2 ha de lâmina d'água. É a porta do Pronaf e do PNAE FV (PT §6.5).
  7. Venda. Peixe vivo ou em feira é venda direta legal. Peixe abatido vendido a terceiro exige inspeção municipal ou estadual. Desde 10/04/2026, estabelecimento inspecionado só recebe pescado com nota fiscal que traga o número do RGP FV (PT §6.1, §6.5).

O estudo estima 1 a 3 meses e até R$ 1.500 para o tanque de quintal; 3 a 8 meses e R$ 3 a 15 mil para o viveiro de 1 ha. O módulo associativo com unidade de beneficiamento leva 12 a 24 meses e custa R$ 60 a 200 mil INF (PT §6.6).

Falta norma no estado. O Acre não tem lei de aquicultura. O licenciamento da piscicultura é tratado caso a caso desde 2018. A regra estadual de dispensa exclui a aquicultura. O IMAC não publica lista de documentos, taxa nem prazo para a atividade FV (PT §6.2). O orçamento estadual de 2026 não tem ação com piscicultura, aquicultura ou pesca no nome FV (PT §7.3). Rondônia licencia o pequeno porte em etapa única e digital desde 2022 FV (PT §7.7).

Por isso a trilha inclui o projeto de lei da Política Estadual de Aquicultura Familiar, protocolado em 2027 com o piloto como prova. O estudo lista o que ele deve conter INF (PT §12):

  1. Licenciamento por declaração para viveiro escavado de até 2 ha e tanque suspenso de até 500 m³, com espécie nativa.
  2. Outorga simplificada para pequeno volume.
  3. Hora-máquina por patrulhas municipais, com fila pública.
  4. Alevino nativo por núcleos cooperativos.
  5. Cota mínima de pescado da aquicultura familiar na merenda estadual e em outras compras públicas.
  6. Energia solar para aeração e frio como item financiável.
  7. Seguro contra rompimento e cheia.
  8. Vedação expressa de aporte estatal em indústria de pescado.
  9. Câmara setorial com colônias, cooperativas e IMAC.
  10. Compatibilidade explícita com o RGP do pescador artesanal.
  11. Rubrica própria de aquicultura familiar no orçamento estadual, a partir de 2028.

Seguro-defeso e piscicultura: a zona cinzenta

Pescador com RGP ativo que vende peixe de tanque pode perder o seguro-defeso, e ninguém decidiu ainda se perde. A Lei 10.779/2003, art. 1º, §4º, só concede o benefício a quem "não disponha de outra fonte de renda diversa da decorrente da atividade pesqueira" FV (PT §6.4). Há duas leituras.

Leitura Base legal Consequência
Favorável Lei 11.959/2009, art. 4º: a atividade pesqueira inclui o cultivo Renda de tanque seria renda da pesca; o seguro se mantém
Restritiva Lei 11.959/2009, art. 2º, II: aquicultura é equiparada à atividade agropecuária. Decreto 8.424/2015, art. 2º, II: segurado "unicamente na categoria de pescador profissional artesanal" Quem despesca tanque no defeso tem outra fonte de renda; o seguro cai

Os textos legais foram conferidos pelo estudo FV. Não foi localizada decisão do MTE, da turma nacional dos juizados federais ou do STJ sobre o tema NE (PT §6.4, §16). Desde a Lei 15.265/2025, quem recebe e processa o requerimento é o MTE. O REAP também pede declaração de produção, o que deixa o conflito registrado em documento oficial (PT §6.4).

Por isso o plano não inclui pescador com RGP ativo no piloto antes da resposta do MTE e do MPA. A consulta formal sai na Fase 0. Até a resposta, entram família sem RGP ativo, ou cônjuge e filho do pescador INF (PT §6.4, §14).

A conta do risco é direta. O seguro-defeso paga até cinco parcelas de R$ 1.621, ou R$ 8.105 por ano. O modelo de dois tanques de quintal rende R$ 2.053 por ano, vendendo a R$ 15 por kg INF (PT §4.6, §14). Um pescador que troca uma coisa pela outra perde cerca de R$ 6 mil por ano e foi lesado pelo programa. O número de parcelas depende da portaria de defeso de cada bacia e ainda não está confirmado para 2026 e 2027 NE (PT §4.6).

A trilha no plano, fase por fase

A piscicultura tem trilha própria desde a Fase 0, com piloto em 2027 e nenhuma entrega em 2026 (Lei 9.504/97, art. 73). Toda a trilha é proposta do plano INF, apoiada no roteiro do estudo (PT §12).

Fase Período O que acontece Famílias Custo e fonte
Fase 0 out a dez/2026 Consulta formal ao MTE e ao MPA sobre seguro-defeso e aquicultura; levantamento das famílias do piloto; cotação coletiva de ração; minuta da Política Estadual de Aquicultura Familiar. Nada é entregue em 2026 20 levantadas, sem RGP ativo, ou cônjuge e filho Próximo de zero
Fase 1 2027 Piloto de 20 tanques de quintal: tanque suspenso de lona de 10 a 20 m³, bomba solar e biofiltro; tambaqui com curimatã e piau; acoplado a uma estação do Frio a Bordo. Contrato coletivo de ração por 12 meses; licença ou dispensa no IMAC e cadastro no Idaf; projeto de lei protocolado 20 R$ 7 a 9 mil de estrutura por família; cerca de R$ 150 a 200 mil no total; recurso privado, edital ou Pronaf B
Fase 2 2028 e 2029 Expansão do tanque de quintal; reativação de viveiros escavados parados para famílias com terra (calcário, oxímetro, ração e assistência, sem escavar); primeiro módulo associativo de 8 ha com câmara fria e inspeção; pescado de cultivo na chamada do PNAE 50 a 100; meta de 100 em 2029 Quintal no Pronaf B; módulo com R$ 661 mil de investimento e R$ 606 mil de giro, no Pronaf Mais Alimentos
Fase 3 2029 a 2031 Polos de piscicultura familiar por regional, sempre com a trinca frio, ração coletiva e técnico (1 técnico para 30 famílias) Meta de 300 em 2031; 40 ha reativados Não orçado no estudo NE; depende do custo medido no piloto
Fase 4 ano 5 em diante Alevinagem com origem no Acre; ração por contrato com a capacidade que já existe, sem fábrica nova Sem meta nova Já previsto na Fase 4 do plano

A passagem de fase depende de gatilho medido, não de calendário INF (PT §12):

Os projetos que entregam a meta

A meta 11 tem cinco projetos com conta aberta: tanque de quintal, tambaqui de viveiro reativado para a merenda, módulo associativo de 8 ha, central de compra de ração e cozinha de pescado com inspeção INF (catálogo de projetos). O capítulo 19 traz a ficha de cada um, a estratégia de adubo com cama de frango curtida e o paralelo com ave, suíno e boi. Adubar o viveiro segura de 8% a 9% da ração; não corta um terço dela FV (projeto 16).

As três condições

Sem estas três condições a trilha não começa, e elas valem em todas as fases INF (PT §14).

  1. Frio antes do peixe. Estação do Frio a Bordo instalada ou com cronograma firme. Sem frio, o excedente do quintal não vira renda e o piloto fica em autoconsumo. O protocolo de despesca da Embrapa pede 2 kg de gelo por kg de peixe FV (PT §8.6). Quanto disso o frio de espera da estação cobre é número a confirmar no piloto.
  2. Ração contratada antes do alevino. Contrato coletivo de 12 meses, a até R$ 5,50 por kg posto no polo, com o giro do segundo ciclo coberto. Acima de R$ 6 por kg, o hectare familiar não fecha e o piloto fica no quintal (PT §13).
  3. Resposta sobre o seguro-defeso antes de incluir pescador com RGP ativo. Renda de piscicultura pode tirar o seguro; é zona cinzenta, sem decisão localizada.

O que não fazer

A lista do que fica fora é tão importante quanto a trilha INF (PT §14, §13):

O que ainda falta medir

Os números que decidem o piloto ainda não foram medidos no Acre NE (PT §15). A ordem abaixo segue a prioridade do estudo.

O que falta medir Por que decide Quando
Preço real da ração de 28% a 32% de proteína posta em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira, e frete de carreta Hoje é estimativa, de R$ 4,50 a 5,50 por kg; a R$ 6 o hectare familiar perde mais R$ 9,5 mil por ano Fase 0
Preço pago pelo atravessador, por época do ano A média de R$ 15,5 por kg do IBGE pode esconder R$ 9 a 10 fora da feira Fase 0
Resposta do MTE e do MPA e decisões sobre seguro-defeso e aquicultura Define quem pode entrar no piloto Fase 0
Famílias com terreno acima da cota de cheia, com água e perto da estação Define o local do piloto Fase 0
Oxigênio noturno em 10 a 20 viveiros reais, na seca e na cheia Define horas de aeração e tamanho da bateria Fases 0 e 1
Custo e consumo de energia de câmara fria de 20 m³ em clima acreano Fecha a conta do módulo associativo com número medido Fase 1
Dois ciclos de tanque de lona com energia solar, com planilha de custo por família Não há dado publicado desse sistema na Amazônia Fase 1, no piloto
Dos 1.478 ha parados, quantos têm água, talude e dono disposto a reativar Dimensiona a meta de reativação Fase 1
Parasitos no alevino que entra no estado Não há remédio registrado; a defesa é quarentena de 3 semanas Fase 1

Lições que o plano adota

Quem deu certo montou a cadeia de trás para frente; quem quebrou começou pelo tanque ou pela indústria (PT §9.4, §9.5).

Lição Evidência O que o plano faz
Inspeção, ração, alevino e licença simples vêm antes da escala Rondônia tem 3 frigoríficos de pescado com SIF, 3 fábricas de ração e 13 laboratórios de alevinos FV Frio, ração contratada e lei antes do segundo tanque
Indústria antes da base produtiva quebra A indústria falida de pescado do estado consumiu R$ 82 a 86 mi, segundo imprensa e edital de leilão, num estado que nunca passou de 6 mil t por ano; teve a falência decretada em 2024 FV Nenhum aporte estatal em indústria; meta em famílias
Insumo doado sem ração nem crédito para o segundo ciclo esvazia o tanque Tucuruí durou um ciclo; o Amazonas distribui alevino há 35 anos e tem 25% da lâmina parada FV Contrato de ração de 12 meses e giro do segundo ciclo antes do alevino
Pescador vira piscicultor quando alguém opera o negócio com ele no início Em Candeias do Jamari (RO), o tanque-rede da colônia funcionou com gestão técnica contratada de 2003 a 2006; as réplicas sem gestão falharam FV 1 técnico para 30 famílias; entidade operadora
Projeto sem execução corrói a confiança Programa estadual financiado por cooperação internacional planejou R$ 4,52 mi para a piscicultura e executou R$ 0 FV Piloto pequeno, com relatório público por família, antes de escalar
O sucesso é reversível Rondônia caiu 12,6% entre 2020 e 2022, com margem de 8% no tambaqui inteiro fresco FV Venda direta, PNAE e frio para não depender do atravessador

O que este capítulo decide

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19 · Projetos-meta: da meta ao projeto pronto

As metas de frio e de piscicultura do plano têm agora seis projetos com conta aberta, e o principal deles é o tambaqui de viveiro reativado vendido à merenda. Cada projeto diz quanto custa, quanto devolve, quanto tempo leva e o que precisa existir antes. Nenhum foi medido em campo no Acre: são desenhos para o piloto de 2027, não promessas de renda INF (catálogo de projetos). Nada é entregue em 2026 (Lei 9.504/97, art. 73).

Os seis projetos-meta

Seis projetos entregam as metas 6 e 11 e as duas condições que as sustentam, ração e inspeção INF.

Projeto-meta Meta do plano que entrega Módulo Dinheiro até a primeira venda Resultado Primeira venda
1. Frio a Bordo Meta 6: 15, 60 e 100 unidades embarcação com unidade de energia e freezer; estação solar R$ 40 a 64 mil por embarcação a confirmar no piloto 2027
2. Tanque de quintal Meta 11: 20 famílias em 2027 1 ou 2 tanques de lona de 10 a 20 m³, com bomba solar R$ 8,3 a 11,3 mil com um tanque; R$ 15,4 mil com dois um tanque: R$ 35 a 75 por mês em caixa, sem repor o equipamento, mais peixe na mesa; dois tanques: R$ 171 por mês 13 a 15 meses
3. Tambaqui de viveiro para a merenda Meta 11: 100 famílias em 2029 e 300 em 2031 1 ha de viveiro reativado; 5.130 kg por ciclo R$ 78,4 mil R$ 914 por mês a R$ 15 por kg; até R$ 2.259 com a sobra da cooperativa 13 meses
4. Módulo associativo de 8 ha Meta 11: 8 ha em 2029 e 40 ha em 2031 8 famílias, câmara fria, técnico pago R$ 0,95 a 1,21 milhão R$ 857 a 2.054 por família por mês 18 a 30 meses
5. Central de compra de ração Condição "ração contratada antes do alevino" galpão cedido e carreta fechada R$ 16 a 26 mil, mais R$ 112 a 118 mil por carreta ração de R$ 5,00 para R$ 4,20 por kg 3 a 5 meses
6. Cozinha de pescado com inspeção Metas de inspeção e de venda à merenda 120 m²; 50 t de peixe por ano R$ 443 mil a 1,09 milhão sobra de R$ 170,7 mil por ano; R$ 3 a mais por kg ao produtor 12 a 18 meses

Todos os valores são INF (projeto 01, 03, 04, 11 e 13 · capítulo 17). O resultado não paga o trabalho da família. O Frio a Bordo tem capítulo próprio, o 17.

Duas linhas vêm da conta original, com conversão alimentar de 1,8. Com a conversão de 2,0 que este capítulo adota, o módulo de 8 ha perde cerca de R$ 500 por família por mês, e a faixa fica em cerca de R$ 350 a 1.550. Os R$ 171 do tanque de quintal caem para R$ 19 a 103 com os índices medidos pela Embrapa INF (projeto 01 · projeto 03).

A ordem entre eles é a do plano: comprador e ração antes do peixe. O contrato de ração e o acesso a uma cozinha com inspeção, própria ou de terceiros, vêm antes de povoar o viveiro; o módulo de 8 ha só abre com os dois de pé (capítulo 18).

O projeto em destaque: tambaqui de viveiro para a merenda

Um hectare de viveiro reativado, criando tambaqui até 2 kg para a cozinha com inspeção, dá de R$ 914 a R$ 2.259 por mês; vendido ao atravessador, dá prejuízo INF (projeto 13).

Item Valor Marca
Viveiro escavado, já existente, reativado; 1 ha de lâmina d'água INF
Peixes 2.850 juvenis; 2.565 colhidos, com perda de 10% INF
Peso de entrega 2 kg, porque a cozinha rende mais com peixe de 2 a 2,5 kg FV
Produção 5.130 kg em 13 meses: 1 de preparo e 12 de engorda INF
Conversão alimentar 2,0 kg de ração por kg de peixe INF; a Embrapa mediu 2,04 em viveiro adubado FV
Ração 10.260 kg, ou 410 sacos; R$ 51.300, que são 84,5% do custeio INF
Investimento para reativar R$ 17.700; escavar um hectare novo custa cerca de R$ 66 mil INF
Desembolso até a primeira venda R$ 78.429 INF
Custo total R$ 12,68 por kg INF

O que a merenda paga

A merenda não compra peixe inteiro: compra pescado regional sem espinha, congelado, em pacote de 800 g. A rede estadual homologou R$ 2.987.741,76 por 48.408 pacotes em 2026 FV (PNCP). São R$ 61,72 por pacote, ou R$ 77,15 por kg de produto INF.

Passo Conta Por kg de peixe inteiro
Rendimento em sem espinha 35% do peso do peixe 0,35 kg de produto
Valor pago pela merenda 0,35 × R$ 77,15 R$ 27,00
Custo de beneficiar, em cozinha de 50 t por ano R$ 8,59
Sobra para pagar o peixe 27,00 − 8,59 R$ 18,41
Pago ao produtor na entrega R$ 15,00
Fica na cooperativa e pode voltar como sobra de fim de ano R$ 3,41

Tudo INF (projeto 11 · projeto 13).

A quem o hectare vende Resultado por mês Retorno por real, por ano
Atravessador, a R$ 12,00 por kg −R$ 270 negativo
Cozinha, a R$ 15,00 na entrega R$ 914 14%
Cozinha, a R$ 18,41 com a sobra da cooperativa R$ 2.259 35%
Cozinha a R$ 18,41, com ração em compra coletiva R$ 2.891 44%

Tudo INF (projeto 13 · projeto 15).

As quatro travas

Trava O que é Efeito
Limite por família R$ 40 mil por CAF, por ano, por entidade executora FV cabem 1.481 kg de peixe por entidade, 31% do hectare; para escoar tudo são precisas três entidades, o estado e duas prefeituras
Cozinha com inspeção é da cooperativa e não entra no dinheiro da família sem ela não há venda à merenda
Rendimento 35% é premissa; a faixa medida vai de 25% a 43,5% FV a 30% sobram R$ 14,55 por kg, e a sobra da cooperativa some
Tamanho do mercado o contrato estadual de 2026 equivale a 110.647 kg de peixe inteiro absorve 23 ha por ano e 75 famílias com CAF

Os efeitos da tabela são conta do catálogo INF. Se só o estado comprar e o resto for ao atravessador, o hectare dá R$ 521 por mês; com duas entidades, R$ 1.312; com três, R$ 2.104 INF (projeto 15). O limite por CAF trava antes da área: para a merenda, o desenho que fecha é um grupo de famílias com viveiros de cerca de 0,3 ha, e não poucos produtores grandes.

A meta de 40 ha em 2031 depende das prefeituras. Quarenta hectares produzem de 189 a 287 t por ano, conforme o manejo. É de 1,7 a 2,6 vezes o contrato estadual de 2026 INF. Por isso a conversa com as prefeituras começa na Fase 1, e a chamada municipal com pescado de cultivo entra na Fase 2 (capítulo 11).

Adubo com cama de frango curtida

A cama de frango das granjas do Acre, curtida na propriedade, passa a ser o adubo do viveiro; o papel dela é segurar a conversão alimentar em 2,0, e não baixar a ração em um terço INF (projeto 16).

O único ensaio de engorda de tambaqui em viveiro adubado mediu conversão de 2,04, contra 2,22 no viveiro sem adubo: de 8% a 9% menos ração FV (projeto 16). O ensaio usou ureia, superfosfato e farelo de arroz; com cama de frango não há ensaio de engorda de tambaqui NE, e por isso o plano testa antes de contar com a economia. O plâncton formou 39,4% do músculo do peixe no viveiro adubado e 10,7% no outro FV. Sem adubo, o hectare gastaria R$ 5.643 a mais de ração por ciclo INF. O dado de que o plâncton cobre de 30% a 50% da dieta, citado em manual sem fonte, não se traduz em 30% a 50% menos ração.

Etapa O que fazer Marca
Cura monte de 1 m sob lona por 12 dias, revirar, mais 12 dias, 3 dias arejando, peneirar: 27 dias INF sobre método FV
Preparo do viveiro 1.000 a 1.300 kg por hectare, a lanço INF sobre dose de manual FV
Meses 1 a 4 100 a 150 kg por semana, em sacos de ráfia na parte rasa INF
Mês 5 em diante zero: a ração passa de 20 kg por dia e o viveiro trabalha no limite do oxigênio INF
Custo R$ 338 a 1.030 por ciclo, com frete e lona; substitui os R$ 600 de adubo químico INF

A avicultura do Acre gera esse adubo em volume. O estado tinha 2.925.564 galináceos em 2025, dos quais 851.472 galinhas, e produziu 11.556 mil dúzias de ovos FV (IBGE, tabela 3939). Sobre esse plantel, a conta dá INF (projeto 16):

Produto Onde Toneladas por ano Hectares de viveiro que aduba
Cama de frango de corte Brasiléia e Epitaciolândia 3.473 a 8.232 1.111 a 2.634
Esterco de poedeira, fresco Senador Guiomard e Rio Branco 9.720 a 14.728 1.944 a 2.946
Esterco de poedeira, fresco Cruzeiro do Sul 1.620 a 2.454 324 a 491

Os 23 ha do contrato da merenda pedem 73 t de cama por ciclo, de 1% a 2% da cama do estado INF. O limite não é a quantidade. É a distância, pois toda a cama de frango está no Alto Acre, a 231 km de Rio Branco; é o destino que ela já tem em pasto e lavoura; e é o preço local, que não foi encontrado NE. Perto de Rio Branco a fonte mais próxima é o esterco de poedeira, sem dose testada em viveiro de tambaqui NE.

Três cuidados valem para peixe de merenda: só cama curtida, por causa da salmonela; última aplicação no mês 4, por causa do gosto de barro e do oxigênio; e aceite por escrito do serviço de inspeção da cozinha antes de usar INF. A compra direta da granja é dispensada de registro de fertilizante, e cama de outro estado não entra no Acre FV (projeto 16).

Ração: compra organizada, não fábrica nova

A ração barata vem da compra coletiva e do manejo; fábrica nova de ração não se paga com o mercado que o Acre tem hoje INF (projeto 14).

Medida Economia no hectare, por ciclo Situação
Compra coletiva em carreta, de R$ 5,00 para R$ 4,20 por kg R$ 8.208 projeto-meta 5
Pesar o peixe todo mês e ajustar o trato R$ 5.130, se a conversão cair de 2,0 para 1,8 ganho possível; não está na conta-base
Adubar o viveiro segura R$ 5.643 de ração incorporado
Larva de mosca-soldado, 10% da ração da engorda R$ 3.533 sem pagar o trabalho hipótese para teste; pede 49 kg de resíduo por dia
Ração de menor proteína na terminação, ou ração de 32% com grão da roça R$ 2.000 a 2.500 hipótese para teste
Jejum semanal, fruta, árvore na beira, minhoca, folha solta no viveiro zero ou negativo não fazer

Tudo INF (projeto 04 · projeto 16). Nenhuma alternativa nova tem ensaio com tambaqui acima de 800 g em viveiro NE.

A fábrica de ração foi estudada em três tamanhos (projeto 14):

Item Pequena, 500 kg por hora Média, 2 t por hora
Investimento fixo R$ 4,2 milhões R$ 12,5 milhões
Custo total por kg, em um turno R$ 4,47 R$ 3,82
Preço para ganhar da carreta de Rondônia R$ 3,50 R$ 3,50
Venda que empata 1.701 t por ano 3.927 t por ano

Tudo INF. O estado consome de 4.162 a 5.087 t de ração de peixe por ano, e uma fábrica nova alcança de 350 a 1.100 t INF. O farelo de soja é 53% do custo do ingrediente e vem de fora. Já existe um fornecedor em Rio Branco e uma fábrica parada, que faz ao menos 14.400 t por ano em um turno, três vezes o consumo do estado FV. A ordem do plano é: central de compra, contrato de volume com o fornecedor local, consulta formal ao dono da fábrica parada. Fábrica só volta à pauta com 900 t por ano em contratos assinados.

Por que peixe: o paralelo com ave, suíno e boi

Com o mesmo dinheiro, o peixe ganha por hectare e pela prova do preço de venda; perde em giro do dinheiro e em folga INF (projeto 15).

Criação, com R$ 80 mil Resultado por mês Primeira venda Terra Prova do preço
Tambaqui para a merenda, com a sobra R$ 2.259 13 meses 1 ha de água contrato público FV
Tambaqui, só os R$ 15,00 da entrega R$ 914 13 meses 1 ha de água contrato público FV
Frango caipira R$ 3.824 3 a 4 meses 0,5 ha sem cotação INF
Ovo caipira R$ 1.998 5 a 6 meses 0,5 ha sem cotação INF
Boi, engorda em pasto consorciado R$ 1.408 17 meses 8 ha de pasto cotação publicada FV
Leite, 8 vacas R$ 2.265 1 mês 8 ha de pasto preço do IBGE FV
Suíno, ciclo completo −R$ 456 10 meses 0,5 ha sem cotação local NE

Um hectare de viveiro rende de 5 a 7 vezes o hectare de pasto, e a família sem pasto aberto e legal fica com peixe ou ave INF. A ave ao lado do viveiro soma duas coisas: caixa semanal para pagar a ração do peixe e adubo para o viveiro. A comparação é desigual num ponto: o preço que a merenda paga por ovo, frango, carne suína e leite não foi obtido NE.

O catálogo: catorze projetos e o veredito de cada um

O plano só adota como meta o que a conta sustenta; o que não fecha fica dito INF (catálogo de projetos).

Projeto Veredito
Tanque de quintal de lona com bomba solar projeto-meta: comida e renda complementar
Viveiro escavado familiar reativado projeto-meta, na versão para a merenda
Módulo associativo de 8 ha com câmara fria projeto-meta, com operador técnico pago
Central de compra de ração projeto-meta
Cozinha de pescado e filé sem espinha projeto-meta, com comprador assinado antes da obra
Tambaqui de viveiro para a merenda projeto-meta em destaque
Berçário de alevinos perto do produtor complementar, com pedido firme dos vizinhos
Policultivo de nativas; matrinxã no Juruá complementar
Aquaponia familiar complementar: a hortaliça dá 91% da receita
Pesque-e-pague complementar, a até 40 minutos de cidade
Pirarucu de engorda só com parceiro técnico e contrato
Tanque-rede em açude não recomendado como projeto de renda
Bioflocos e recirculação não recomendado como projeto de entrada
Fábrica de ração nova não recomendada

Ficam fora, como no capítulo 18: tanque-rede em rio, tilápia, indústria pública antes da base produtiva e consórcio com suíno ou pato sobre o viveiro.

O que entra no roteiro

Fase Ação nova O que prova que foi feito
Fase 0, out a dez/2026 cotação de ração em carreta e de cama de frango; consulta formal ao fornecedor de ração de Rio Branco e ao dono da fábrica parada; levantamento dos viveiros parados com água e dono disposto; pedido de aceite da cama ao serviço de inspeção cotações e respostas publicadas; nada é entregue
Fase 1, 2027 contrato coletivo de ração; teste da cama em três propriedades, com viveiro-testemunha; conversa com as prefeituras sobre pescado de cultivo na chamada do PNAE; acordo com unidade inspecionada de terceiros ração dada e peso medidos por viveiro; conversão publicada
Fase 2, 2028 e 2029 viveiros reativados povoados; primeira carreta da central de compra; primeiras entregas em venda direta ou beneficiadas em unidade inspecionada de terceiros; cozinha da cooperativa em obra e registro; pescado de cultivo na chamada do PNAE; primeiro módulo de 8 ha 100 famílias com venda com nota, somando quintal, venda direta e merenda; 8 ha reativados
Fase 3, 2029 a 2031 cozinha da cooperativa em operação; um módulo por regional; três entidades compradoras por cooperativa 300 famílias; 40 ha

Toda a tabela é proposta do plano INF. A central de compra só abre com viveiros de hectare no grupo: o piloto de tanques de quintal consome de 6 a 26 t de ração por ano e não enche uma carreta (projeto 04). A cozinha própria leva de 12 a 18 meses e o ciclo do peixe, 13: as 100 famílias de 2029 vêm do quintal, da venda direta e da unidade de terceiros, e a cozinha da cooperativa entra em operação na Fase 3.

O que ainda falta medir

Seguro-defeso

Vale para todos os projetos-meta de cultivo o alerta do capítulo 18. Renda de piscicultura pode tirar o seguro do pescador com RGP ativo; a lei deixa a questão em zona cinzenta. Até a resposta do MTE e do MPA, o titular do tanque é familiar sem RGP ativo.

O que este capítulo decide

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20 · Fontes abertas consultadas

O plano se apoia em 368 fontes abertas, consultadas até a data-base de 02/10/2026 pelas oito frentes de pesquisa e listadas aqui uma só vez cada, no capítulo que mais as usa. No texto do plano, FV marca fato verificado com fonte, NE marca o que foi buscado e não encontrado e INF marca inferência ou proposta; cada frase cita o arquivo de pesquisa de origem, e este capítulo dá o endereço. Quando a mesma fonte serviu a mais de um tema, a nota entre parênteses diz onde mais foi usada. A conferência de 03/10/2026 acrescentou 18 fontes, quase todas primárias, com a nota "conferida em 03/10/2026". A versão 1.2, de 04/10/2026, acrescentou as fontes do capítulo de projetos-meta, reunidas na seção "Projetos-meta e catálogo", no fim deste capítulo. Com elas, o capítulo lista cerca de 400 entradas. O catálogo de projetos de criação de peixe, citado como CP e o número da pasta, é anexo de trabalho e traz a lista completa de fontes de cada projeto.

Duas famílias de fontes estavam bloqueadas pelo período eleitoral. As páginas de notícia e de programas do gov.br ficaram desativadas de 04/07 a 25/10/2026, o que alcança MPA, Agência Gov, Conab e a agência de notícias do BNDES. A agência de notícias do governo do Acre (agencia.ac.gov.br) devolveu erro 503 em 02/10/2026, e o site do REM Acre estava desativado. Portal da Transparência e Codevasf recusaram acesso automatizado. As entradas afetadas trazem a nota "indisponível em 02/10/2026" e pedem conferência depois de 25/10/2026, antes de uso público.

Os dossiês locais anteriores, usados como contexto pelas frentes, não são fontes abertas e estão listados em cada arquivo de pesquisa.

Linha de base

Fontes do capítulo "Onde estamos" (P8 §10). As fichas de dez entidades no Mapa das OSC, do IPEA, usam o endereço-padrão mapaosc.ipea.gov.br/detalhar/{id} e não entram como link.

Cadeia e mercado

Fontes dos capítulos de ecossistema e de prioridades regionais (P6 §9).

Programas federais

Fontes do capítulo de programas e instrumentos federais (P1, seção de fontes). Entradas sem título próprio aparecem como domínio e assunto.

Crédito

Fontes do capítulo de crédito e financiamento reembolsável (P2 §7).

Captação

Fontes do capítulo de fundos e captação não reembolsável (P3 §6).

Casos Brasil

Fontes do capítulo de casos brasileiros (P4 §6).

Modelos internacionais

Fontes do capítulo de modelos internacionais (P5 §11). A nota "vista só em resumo de busca" indica fonte não aberta na íntegra.

Governança

Fontes do capítulo de governança (P7 §8).

Fontes do capítulo "Projetos-meta" (projeto 13 · projeto 14 · projeto 15 · projeto 16), conferidas em 03/10/2026.

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