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01 — Descrição técnica: tanque de quintal de lona com bomba solar
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE buscado e não encontrado. O que é Um tanque redondo, montado em cima do chão, forrado com lona de PVC ou geomembrana de PEAD (plástico grosso, soldado em…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE buscado e não encontrado.
O que é
Um tanque redondo, montado em cima do chão, forrado com lona de PVC ou geomembrana de PEAD (plástico grosso, soldado em forma de bacia). Fica no quintal, em terreno acima da cota da cheia. Uma bomba ligada a um painel solar faz a água passar por um filtro. Um soprador de ar com bateria mantém o oxigênio de noite. Cria tambaqui, com um pouco de curimatã ou piau.
É o único sistema de criação que cabe em quintal ribeirinho sem rede elétrica e sem escavar INF (estudo de base, frente de sistemas). Serve para pôr peixe na mesa e vender o que sobra. Não é emprego.
Os dois arranjos estudados (não misturar)
| Arranjo A — tanque único | Arranjo B — dois tanques de 15 m³ | |
|---|---|---|
| Volume | 10 a 20 m³ (um tanque) | 30 m³ (dois tanques) |
| Biomassa final usada na conta | 10 kg por m³ INF | 19,8 kg por m³ INF |
| Produção por ciclo | 100 a 200 kg INF | 594 kg INF |
| Investimento | R$ 7,2 a 9,0 mil INF | R$ 9.300 INF |
| Quem calculou | Esta ficha (o estudo de base não fez a conta) | Estudo de base, modelo "quintal" |
| Papel | Comida da família; sobra pequena | Comida e renda de cerca de R$ 171 por mês a R$ 15 por kg |
O arranjo A é o do piloto previsto para 2027 (um tanque por família). O arranjo B é o modelo econômico do estudo de base. Os números de um não valem para o outro: a diferença está na densidade. O arranjo B põe quase o dobro de peixe por metro cúbico, e isso ainda não foi medido em tanque de quintal com energia solar na Amazônia NE.
Estrutura e dimensões
| Tanque | Diâmetro × altura | Lâmina d'água | Área de chão ocupada |
|---|---|---|---|
| 10 m³ | 3,66 m × 1,0 m FV | cerca de 0,95 m | 4,5 m × 4,5 m |
| 15 m³ | cerca de 4,0 m × 1,2 m INF | cerca de 1,15 m | 5 m × 5 m |
| 20 m³ | 4,6 m × 1,2 m FV | cerca de 1,2 m | 5,5 m × 5,5 m |
Medidas de 10 e 20 m³ conforme anúncios de bolsão de geomembrana de 0,8 mm (2025 e out/2026).
Partes do conjunto:
- Base. Chão nivelado, sem raiz nem pedra, com camada de areia e uma lona velha por baixo. Em chão de argila mole, fazer caimento para a água da chuva escoar. Em área que alaga, o tanque só entra sobre jirau (estrado suspenso); a Embrapa orçou um galpão suspenso de 50 m² em US$ 4.336 em 2020 FV. Isso muda o projeto e o custo: não está nesta ficha.
- Parede. Tela soldada galvanizada em anel, amarrada em estacas de madeira. A lona veste por dentro e dobra 10 cm por cima da tela.
- Dreno central. Cano de 100 mm no fundo, com joelho e tubo externo móvel ("cachimbo") para regular o nível e tirar a sujeira do fundo. A Embrapa pede dreno de no mínimo 15 cm em tanque de lona, porque o fundo plano junta resto de ração e fezes FV.
- Cobertura. Sombrite de 50% por cima e tela contra pássaro. Protege do sol forte, de garça, de martim-pescador e de peixe pulando para fora.
- Bomba solar. Kit de painel de 150 W com bomba de 12 V. Entrega de 4.900 a 5.600 litros por dia com 5 horas de sol FV (anúncio conferido em 03/10/2026). Só funciona de dia.
- Decantador e biofiltro. Duas bombonas de 200 litros em série. A primeira deixa a sujeira assentar. A segunda é cheia de material onde as bactérias boas se fixam (corda de náilon desfiada, tampinhas, brita). Essas bactérias transformam a amônia, que é veneno, em nitrato, que não é. É o desenho do Sisteminha da Embrapa FV.
- Aerador. Soprador de ar de corrente contínua, de 35 a 60 W, com mangueira e pedras porosas, ligado 24 horas a um painel de cerca de 400 W e a uma bateria de lítio de 100 Ah INF.
- Reserva de água. Caixa d'água de 500 a 1.000 litros, mais alta que o tanque, para troca de emergência por gravidade INF.
Desenho do arranjo (vista de cima):
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Água
- De onde vem: poço, cacimba, água de chuva guardada ou igarapé. Água barrenta de rio precisa assentar antes INF.
- Quanto gasta: o Sisteminha repõe cerca de 1.000 litros por dia em tanque de 10 m³, ou perto de 400 m³ por ano, e manda essa água para a horta FV.
- Troca de rotina nesta ficha: tirar pelo fundo e repor de 5% a 10% do volume por dia. São 0,5 a 1 m³ no tanque de 10 m³ e 1 a 2 m³ no de 20 m³ INF (a partir do Sisteminha). Em um ano, o tanque de 20 m³ gasta de 365 a 730 m³ (1 a 2 m³ × 365 dias).
- Por que trocar: a Embrapa avisa que tanque de lona sem recirculação "requer a troca e renovação diária de toda a água" FV. O biofiltro existe para reduzir essa troca. Ele leva de 4 a 6 semanas para funcionar bem INF; nesse começo, a troca diária é maior e a ração é menor.
- Troca de emergência: 30% a 50% do volume quando o peixe para de comer, sobe boquejando, ou a amônia passa do limite.
Energia
Toda a energia é solar. O conjunto tem duas cargas:
| Carga | Potência | Quando liga | Fonte |
|---|---|---|---|
| Bomba de circulação | até 150 W | De dia, direto do painel | Painel de 150 W, sem bateria |
| Soprador de ar | 35 a 60 W | 24 horas | Painel de cerca de 400 W e bateria de 100 Ah |
Conta do soprador de 60 W INF: 60 W × 24 h = 1,44 kWh por dia. Com 4,5 horas de sol pleno e 75% de rendimento, pede 1,44 ÷ (4,5 × 0,75) = 0,43 kW de painel. A noite de 12 horas gasta 0,72 kWh; com bateria de lítio usada até 80% e folga de 20%, pede 0,72 ÷ 0,8 × 1,2 = 1,08 kWh. Uma bateria de 12,8 V e 100 Ah guarda 1,28 kWh. Fecha com pouca sobra: dois dias nublados seguidos esgotam a bateria.
O oxigênio mais baixo acontece entre 2h e 6h da manhã FV (cartilha da Embrapa). Painel sem bateria só ajuda de dia, quando o problema não existe.
Espécie
Tambaqui, com 10% a 20% de curimatã ou piau INF.
Por que tambaqui:
- É o peixe que o Acre cria há 45 anos e o que o consumidor compra FV.
- Aguenta oxigênio muito baixo: abaixo de 1 mg por litro ele estica o lábio de baixo e respira na superfície FV (Embrapa). Isso dá margem numa noite ruim.
- Come ração barata, de 28% a 32% de proteína FV.
- Alevino barato: R$ 0,30 a 0,45 posto no Acre INF.
Por que curimatã ou piau junto: o curimatã come o lodo e o resto de ração do fundo, sem ração própria FV (manual da Embrapa). Atenção: curimatã e piau não aguentam falta de oxigênio como o tambaqui; "sua dependência de oxigênio dissolvido na água é total" FV. Eles morrem primeiro e servem de aviso.
Pirarucu e tilápia ficam fora. O pirarucu custa R$ 10 a 16 o alevino e a recria medida saiu a R$ 39,84 por kg FV. A tilápia, na prática, não é licenciável na bacia amazônica FV.
Por que o tambaqui demora mais em água clara
A Embrapa criou tambaqui nos dois sistemas ao mesmo tempo (Boletim de Pesquisa 29, 2023) FV:
| Viveiro escavado | Tanque circular de água clara | |
|---|---|---|
| Dias até cerca de 1,7 kg | 304 | 489 |
| Ganho de peso por dia | 5,1 g | 3,3 g |
| Ração por kg de peixe | 2,2 kg | 2,3 kg |
| Sobrevivência | 94,4% | perto de 100% |
O motivo: no viveiro, a água verde tem plâncton, e o tambaqui filtra e come esse alimento natural de graça. No semi-intensivo, o plâncton cobre de 30% a 50% da dieta FV (Emater-PA). No tanque de lona, a água é limpa: tudo o que o peixe come sai do saco de ração. O resultado é 35% menos ganho por dia (3,3 ÷ 5,1 = 0,65) e 61% mais tempo (489 ÷ 304 = 1,61).
Consequência para o quintal: não mirar peixe de 1,7 kg. Mirar 1 kg. Com juvenil de 50 g e ganho de 3,3 g por dia, são (1.000 − 50) ÷ 3,3 = 288 dias, perto de 10 meses INF. A família pode começar a comer antes, com peixe de 500 g, por volta do 5º mês.
Densidade segura
| Situação | Biomassa final | Base |
|---|---|---|
| Sem aeração de noite (só bomba de dia) | até 5 kg por m³ | INF; o Sisteminha trabalha com cerca de 3 kg por m³ FV |
| Com soprador e bateria 24 horas | até 10 kg por m³ | INF; valor desta ficha para o arranjo A |
| Tanque circular com água nova correndo o tempo todo | 15,1 kg por m³, em média | FV Embrapa, 2023 |
| Modelo do arranjo B | 19,8 kg por m³ (594 kg ÷ 30 m³) | INF do estudo de base; acima do que a Embrapa mediu |
Regra prática: começar com 10 kg por m³ no primeiro ciclo. Só subir depois de um ciclo inteiro sem mortalidade por oxigênio ou amônia. Em número de peixes: 11 juvenis por m³ para colher 10 peixes de 1 kg (10% de perda).
Alevino
- Tamanho: juvenil de cerca de 50 g. Alevino de 2 a 5 g leva mais 60 a 90 dias para chegar a 50 g FV (Embrapa Amapá).
- Origem: laboratório com nota e GTA. O Acre não tem oferta pública confirmada; quase tudo vem de Rondônia FV. O saco com oxigênio aguenta até 24 horas FV.
- Preço: R$ 0,30 a 0,45 o alevino posto no Acre INF; a conta usa R$ 0,60 por juvenil, como o estudo de base INF.
- Época: a reprodução é de outubro a março; fora disso falta alevino FV.
- Chegada: boiar o saco fechado no tanque por 10 a 25 minutos e misturar a água aos poucos FV.
Ração
| Fase | Peso do peixe | Ração por dia (% do peso vivo) | Tratos por dia | Proteína |
|---|---|---|---|---|
| Recria | 55 a 200 g | 5% | 2 | 36% a 42% |
| Recria final | 200 a 700 g | 3% | 2 | 32% a 36% |
| Engorda | 0,7 a 1 kg | 3% caindo a 1% | 2 | 28% a 32% |
Fonte da tabela: Embrapa Amapá, Comunicado Técnico 152 FV.
- Conversão alimentar (kg de ração para 1 kg de peixe): 2,3 medida em água clara FV; 1,8 usada no modelo do estudo INF; esta ficha usa 2,0 no arranjo A INF.
- Quantidade por ciclo: 200 a 400 kg no arranjo A (100 a 200 kg de peixe × 2,0); cerca de 1.100 kg no arranjo B INF.
- Regra dos 15 minutos: a ração tem de sumir em 15 minutos. Sobrou, diminui no trato seguinte FV.
- Guardar em lugar seco e alto, longe de rato. Validade de cerca de 6 meses FV.
Ciclo
Cerca de 300 dias (10 meses) de juvenil de 50 g a peixe de 1 kg. Em um ano dá 1,2 ciclo INF.
Manejo
Todo dia (cerca de 1 hora):
- Olhar o peixe antes de dar ração. Peixe na superfície de boca aberta ao amanhecer é falta de oxigênio.
- Medir a temperatura. Entre 23 e 25 °C, cortar um quarto da ração; entre 21 e 23 °C, cortar metade; abaixo de 21 °C, não dar FV (Embrapa Amapá).
- Dar ração em 2 tratos.
- Abrir o dreno do fundo por alguns minutos e repor a água.
- Conferir soprador, mangueiras e luz do controlador da bateria.
- Tirar peixe morto e anotar.
Toda semana:
- Medir pH e amônia (duas a três vezes por semana nas 6 primeiras semanas).
- Limpar o decantador.
- Limpar painéis.
A cada 15 dias: lavar o material do biofiltro em balde com água do próprio tanque. Água tratada com cloro mata as bactérias do filtro INF.
Todo mês: pesar 10 a 20 peixes (biometria) e refazer a conta da ração.
Qualidade da água: o que medir
| Medida | Faixa boa | Quando medir | Com quê |
|---|---|---|---|
| Temperatura | 26 a 30 °C | Todo dia | Termômetro |
| Oxigênio | Acima de 4 mg/L; abaixo de 3 há estresse | Madrugada, na visita do técnico | Oxímetro (do técnico ou do grupo) |
| pH | 6,5 a 8,5 | Semanal | Kit de gotas |
| Amônia tóxica | Abaixo de 0,05 mg/L | Semanal | Kit de gotas |
| Nitrito | Abaixo de 0,1 mg/L | Quando o peixe perde o apetite | Kit de gotas |
| Alcalinidade | 60 a 150 mg/L | Na montagem e a cada mês | Kit de gotas |
Faixas da cartilha de qualidade da água da Embrapa e do Comunicado Técnico 152 FV. Água de chuva tem alcalinidade baixa; corrige-se com um pouco de calcário agrícola no decantador INF.
O que fazer na falta de sol
Dois ou três dias nublados seguidos são comuns de dezembro a março. Em agosto e setembro, a fumaça das queimadas também corta o sol. Ordem do que fazer INF:
- Primeiro dia nublado: cortar a ração pela metade. Peixe que come menos gasta menos oxigênio e suja menos a água.
- Segundo dia: suspender a ração. Tambaqui sadio aguenta vários dias sem comer.
- Poupar a bateria para o ar. Se a bomba de circulação usa a mesma bateria, desligar a bomba e deixar só o soprador.
- Trocar água na mão. Abrir o dreno e soltar 20% a 30% de água nova da caixa de reserva, por gravidade.
- Aliviar o tanque. Tirar os maiores para comer. Menos peixe, menos risco.
- Não mexer no biofiltro nesses dias.
Prevenção: painel e bateria com folga, caixa de reserva sempre cheia e densidade de 10 kg por m³ ou menos. O tambaqui dá a margem de segurança; o curimatã e o piau, não.
Sanidade
- Não há remédio registrado no Brasil para a maior parte das doenças de peixe; o parasiticida que existia teve o registro suspenso FV (Embrapa). A defesa é prevenir.
- Comprar de um só fornecedor, com GTA. Não misturar lotes.
- No transporte, sal a 8 g por litro FV.
- Entre um ciclo e outro: esvaziar, escovar a lona, deixar secar ao sol, lavar mangueiras.
- Friagem (junho a agosto) derruba a temperatura e abre a porta para o íctio (pontinhos brancos). Um ensaio em Rondônia perdeu peixe com 22 °C e fumaça de queimada FV.
- Peixe morto: tirar, cobrir com cal e enterrar FV.
Despesca e conservação
- Jejum de 24 horas antes FV.
- Pegar com puçá, de manhã cedo.
- Abater em água com gelo, meio a meio, e sangrar FV.
- Guardar com 2 kg de gelo para cada kg de peixe FV. Para 200 kg seriam 400 kg de gelo se tudo saísse de uma vez.
- No quintal, a saída é despescar aos poucos: 10 a 20 kg por semana, vendidos no mesmo dia. O tanque é a geladeira.
- Para vender mais longe ou juntar volume, é preciso gelo perto. Sem gelo, o projeto fica em consumo da família (ver arquivo 06).