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01 — Descrição técnica: aquaponia familiar
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE não encontrado. 1. Como funciona, em seis frases O peixe come ração e solta amônia e fezes na água. A água sai do tanque e passa por um decantador , que segura…
- 1. Como funciona, em seis frases
- 2. O modelo familiar que a Embrapa já publicou
- 3. Os dois tamanhos deste projeto
- 4. Desenho do arranjo (módulo de feira)
- 5. Que canteiro escolher no Acre
- 6. Espécie de peixe
- 7. Alevino, ração e conversão
- 8. Hortaliça
- 9. Qualidade da água: o que medir
- 10. Manejo
- 11. Energia e falta de energia
- 12. Sanidade, despesca e conservação
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE não encontrado.
1. Como funciona, em seis frases
- O peixe come ração e solta amônia e fezes na água.
- A água sai do tanque e passa por um decantador, que segura as fezes.
- Depois passa por um biofiltro, onde bactérias transformam a amônia (tóxica) em nitrato (adubo).
- A água adubada vai para o canteiro de hortaliça. A planta tira o nitrato.
- A água volta limpa para o tanque. Só se repõe o que evaporou.
- A ração é o único insumo grande. O resto é energia para a bomba e o ar.
A Embrapa Tabuleiros Costeiros afirma que a aquaponia "pode reduzir o consumo de água em até 90%" em relação aos sistemas convencionais FV (Documentos 189, 2015).
2. O modelo familiar que a Embrapa já publicou
A Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) testou e publicou dois sistemas familiares, com lista de materiais e preço. São a base deste projeto.
| Item | Sistema modular (Circular Técnica 72, dez/2015) | Sistema em canaletas (Circular Técnica 81, dez/2016) |
|---|---|---|
| Tanque de peixe | Contêiner de 1.000 L cortado, 600 L úteis FV | 1 m³ FV |
| Filtros | Decantador de 200 L; balde mineralizador de 40 a 60 L; filtro de tela de 20 L FV | Decantador de 240 L e biofiltro de 240 L com argila expandida FV |
| Canteiros | Três de 1 m² cada: brita (tomate), flutuante em isopor (folhosas), areia (raízes e mudas) FV | Nove canaletas de PVC de 3 m, furos a cada 25 cm; oito para folhosas, uma para tomate e couve FV |
| Área ocupada | Poucos m² (quintal, varanda) FV | Cerca de 10 m² FV |
| Bomba e ar | Bomba submersa com 600 a 800 L por hora no sistema, menos de 50 W; compressor de ar com menos de 20 W FV | Bomba submersa de 70 W e 3.500 L por hora; compressor de 16 W FV |
| Peixes | 10 a 15 juvenis de 50 g a cada 60 dias, até 30 a 40 peixes; primeira retirada aos 180 dias, com 500 a 700 g (tilápia) FV | 20 juvenis de 30 a 40 g a cada 60 dias, até 60 peixes; primeira retirada aos 180 dias, com cerca de 500 g (tilápia) FV |
| Custo dos materiais | R$ 2.234,91 (2015) FV | R$ 2.103,40 (2016) FV |
Outros números da Embrapa que este projeto usa:
- Densidade: sistemas pequenos trabalham com menos de 10 kg de peixe por m³. Com tambaqui, um tanque de 600 L leva 20 a 25 peixes de 50 g a 1.000 g, o que dá 6 a 8 kg por m³ FV (Documentos 189).
- Vazão: até 10 kg por m³, a bomba deve girar pelo menos metade do volume do tanque por hora. Acima disso, o volume todo por hora FV.
- Ração por área de planta: a regra internacional é 60 a 100 g de ração por dia para cada m² de canteiro. Os ensaios da Embrapa produziram alface e tomate com 25 a 40 g por dia por m² FV.
- Ponto de equilíbrio do sistema de 1 m³: 100 a 150 g de ração por dia. Acima de 200 g por dia a amônia sobe e põe o peixe em risco. Abaixo de 100 g faltam nutrientes para as plantas FV (Circular 81).
- Alface: 20 a 25 pés por m² no canteiro flutuante; a muda vai para o canteiro com 2 a 3 semanas e é colhida 3 a 4 semanas depois FV.
- Trabalho: limpeza de filtros, semeadura e transplante cabem em menos de duas horas por semana no sistema de 1 m³; no dia a dia, alimentar os peixes e colher FV (Circular 81).
- Água de reposição: 80 a 150 L por semana no sistema modular (Circular 72); 130 a 150 L por mês no texto da Circular 81 FV. As duas publicações divergem; no calor do Acre, conte com a faixa maior INF.
- Amadurecimento: o biofiltro só funciona bem 30 a 40 dias depois da entrada dos peixes FV.
3. Os dois tamanhos deste projeto
| Item | Módulo de casa | Módulo de feira (referência das contas) |
|---|---|---|
| Para quê | Comer | Comer e vender na feira |
| Tanque | 1 m³ (contêiner ou caixa d'água) | 3 m³ (tanque circular de lona com tela, ou três caixas de 1.000 L) |
| Canteiro | Cerca de 100 furos (desenho da Embrapa) FV | 300 furos em 14 m² de canteiro flutuante INF |
| Ração por dia | 100 a 150 g FV | 300 a 450 g; média de 375 g INF (três vezes o módulo da Embrapa) |
| Peixe no tanque | 6 a 8 kg FV | Cerca de 25 kg, ou 8 kg por m³ INF |
| Potência ligada 24 h | 86 W FV | Cerca de 150 W INF |
| Área total | 10 m² FV | Cerca de 50 m², com a cobertura INF |
Conferência do módulo de feira:
- Ração por m² de canteiro: 375 g ÷ 14 m² = 27 g por dia por m². Fica dentro da faixa de 25 a 40 g que a Embrapa usou FV.
- Peixe necessário para comer 375 g por dia: o peixe come em média 1,5% do peso vivo por dia FV. 375 ÷ 0,015 = 25.000 g = 25 kg. Em 3 m³: 25 ÷ 3 = 8,3 kg por m³, abaixo do limite de 10 FV.
- Vazão mínima: metade de 3.000 L por hora = 1.500 L por hora. A bomba de 3.500 L por hora da Circular 81 cobre com folga FV.
Tamanhos entre 1 e 5 m³ seguem a mesma regra: para cada 1 m³ de tanque, cerca de 100 furos de folhosa e 100 a 150 g de ração por dia.
4. Desenho do arranjo (módulo de feira)
|
5. Que canteiro escolher no Acre
| Canteiro | Vantagem | Problema | Indicação |
|---|---|---|---|
| Brita (enche e esvazia com sifão) | A brita já é o biofiltro; aguenta tomate, pimenta, couve FV | Pesa; entope se a densidade de peixe for alta FV | Módulo de casa; hortaliça de fruto |
| Flutuante (isopor sobre 20 a 40 cm de água) | Muito volume de água: temperatura e pH estáveis FV. A raiz fica na água: aguenta falta de energia por horas INF | Precisa de ar no canteiro e de bom decantador FV | Módulo de feira; folhosas |
| Canaleta (tubo de PVC) | Bancada na altura da cintura; fácil de colher FV | Sem água correndo a raiz seca ao sol em pouco tempo INF; exige biofiltro à parte FV | Só com energia firme ou bateria |
| Areia | Bom para raízes (cenoura, cebola) e para fazer mudas FV | Pouco usado | Bandejas de mudas |
O projeto recomenda canteiro flutuante ou de brita porque a energia cai no interior do Acre e a canaleta não perdoa INF.
6. Espécie de peixe
Tambaqui juvenil. É a escolha por quatro razões: (a) a Embrapa já o usa "com sucesso nos vários sistemas de aquaponia" do seu laboratório FV; (b) é nativo, sem problema de licença; (c) suporta períodos de pouco oxigênio, graças à adaptação do lábio para respirar na superfície FV (Embrapa Amapá, Comunicado Técnico 152); (d) há alevino no mercado (R$ 0,30 a 0,45 a unidade, posto no Acre) INF (números-base).
O limite: em água clara, sem alimento natural, o tambaqui cresce devagar. A Embrapa mediu 3,3 g por dia e conversão alimentar de 2,3 em tanque circular, contra 5,1 g por dia em viveiro FV (Boletim de Pesquisa 29, 2023). Conta: de 50 g a 1 kg são 950 g ÷ 3,3 = 288 dias, quase 10 meses INF. Por isso o projeto sugere comer o peixe com 400 a 600 g (4 a 5 meses) e deixar só uma parte chegar a 1 kg.
Alternativas nativas:
| Espécie | Serve? | Observação |
|---|---|---|
| Pirapitinga e tambatinga | Sim | Manejo igual ao do tambaqui INF |
| Curimatã e piau | Como acompanhantes (10 a 20% dos peixes) | Comem o lodo e o limo das paredes; não testados em aquaponia em fonte aberta NE |
| Matrinxã | Só com mais ar | Exige mais oxigênio e ração mais forte INF |
| Pirarucu | Não | Alevino a R$ 10 a 16 e ração de 40 a 45% de proteína FV (números-base); não cabe em sistema familiar |
| Tilápia | Não | É a espécie dos manuais, mas na prática não é licenciável na bacia amazônica FV (números-base) |
A Embrapa registra que "pouco se conhece sobre o comportamento de nossas espécies nativas neste sistema" FV. Só o tambaqui tem resultado publicado.
7. Alevino, ração e conversão
- Juvenil: entrar com peixe de 30 a 50 g, para poder usar ração flutuante e ver o peixe comer FV. Quem só achar alevino de 2 a 5 g deve criá-lo antes numa caixa à parte por 60 dias INF.
- Origem: laboratório com nota e GTA (ver arquivo 04). Não misturar peixe de açude ou de rio: traz doença FV.
- Peixamento escalonado: no módulo de feira, 15 a 17 juvenis a cada 3 meses (66 por ano, já com 10% de perda) INF. Assim sempre há peixe de vários tamanhos e a adubação não cai quando se tira peixe grande FV.
- Ração: extrusada (flutuante), 30 a 35% de proteína, a mesma de tanque-rede, dada 2 a 3 vezes ao dia, no que o peixe come em 10 a 15 minutos FV.
- Quantidade: 375 g por dia × 365 = 137 kg por ano INF.
- Conversão alimentar: 2,3 kg de ração por kg de peixe (Embrapa, tambaqui em água clara) FV. Produção: 137 ÷ 2,3 = 60 kg de peixe por ano INF. O estudo de Santarém (PA), com 3 caixas de 1.000 L e 60 tambaquis, também contou 60 kg por ano FV.
8. Hortaliça
- O que plantar: alface, rúcula, couve, cebolinha, coentro, salsa, agrião, manjericão, almeirão FV. Tomate, pimenta e pepino pedem mais adubo e canteiro de brita FV. Jambu e chicória-do-norte são prováveis, mas sem ensaio publicado em aquaponia NE.
- Mudas: feitas em casa, em bandeja de areia ligada ao sistema; uma bandeja por semana FV.
- Produção do módulo de feira: 300 furos × 10 ciclos por ano × 85% de aproveitamento = 2.550 pés por ano, 49 por semana INF. A Embrapa dá 3 a 4 semanas no canteiro FV; o estudo de Santarém contou 11 ciclos e 5% de perda FV. Aqui se usam 10 ciclos e 15% de perda por causa do calor e da chuva do Acre INF.
- Escalonar: nunca plantar ou colher tudo de uma vez. A raiz é filtro; sem planta a água piora FV.
9. Qualidade da água: o que medir
| O que | Faixa certa | Frequência | Como corrigir |
|---|---|---|---|
| pH | 6,5 a 7,0 FV | Toda semana, com medidor portátil FV | Se cair de 6,5: 50 g de calcário dolomítico por m³ de sistema e medir de novo em 24 a 48 h FV |
| Amônia e nitrito | Perto de zero | Todo mês, com kit de aquário FV | Se subir: tirar peixe grande, cortar a ração pela metade, limpar o decantador FV |
| Alcalinidade | 40 a 100 mg/L FV | Todo mês | Calcário |
| Dureza | 100 a 200 mg/L; acima de 300 o fósforo precipita FV | Todo mês | Acima de 300: usar hidróxido de potássio no lugar do calcário FV |
| Oxigênio | Acima de 3 mg/L FV | Observar: peixe boquejando na superfície é falta de ar | Mais ar; menos ração |
| Ferro | 0,2 a 0,5 mg/L FV | Olhar a folha: folha nova amarela com nervura verde | 5 g de ferro quelatado (EDDHA) por m³ de sistema a cada 30 a 60 dias FV |
| Potássio | 15 a 20 mg/L FV | Folha velha com borda queimada | 50 a 100 g de sulfato ou cloreto de potássio por m³ a cada 30 a 60 dias FV |
| Fósforo e cálcio | — | — | 50 a 100 g de fosfato natural e 50 a 200 g de calcário dolomítico a cada 60 dias FV |
O pH é o ponto mais delicado: as bactérias querem 7 a 8, as plantas 5,5 a 6,5 e os peixes 7 a 9. O meio-termo é 6,5 a 7,0. E o pH cai sozinho com o tempo; isso é sinal de biofiltro funcionando, mas exige correção constante FV.
10. Manejo
Todo dia (15 a 30 minutos): dar ração 2 a 3 vezes; olhar se a bomba e o ar estão ligados; olhar o peixe e a cor das folhas; colher.
Toda semana (2 a 4 horas no módulo de feira INF): limpar o decantador e o filtro de tela (desligar a bomba, esperar 5 minutos, abrir o registro de baixo) FV; o lodo vai para a horta de chão ou para um balde com ar, e o líquido volta ao sistema FV; medir o pH; semear uma bandeja; transplantar; repor água.
Todo mês: medir amônia, nitrito, alcalinidade e dureza; ferro e potássio; contar os peixes pelo caderno, sem capturar FV.
11. Energia e falta de energia
- Consumo. Módulo de casa: 70 W + 16 W = 86 W × 24 h × 365 dias = 753 kWh por ano INF (sobre potência FV). Módulo de feira: 150 W × 24 × 365 = 1.314 kWh por ano INF. A R$ 1,00 por kWh (tarifa do Acre com tributos, R$ 0,95 a 1,05 INF (dossiê de piscicultura)): R$ 63 e R$ 110 por mês.
- Peso na conta. No estudo de Santarém a energia foi 30,62% do custo de produção, atrás só da mão de obra (32,58%) FV. No Acre a tarifa é quase o dobro da usada lá (R$ 0,52 por kWh em 2019) FV.
- Se a energia cai. Em baixa densidade e com tambaqui, o peixe aguenta algumas horas INF. O que morre primeiro é a planta em canaleta e, depois de muitas horas, as bactérias do biofiltro INF. Canteiro flutuante segura a planta.
- Reserva mínima (está no orçamento): compressor de ar ligado a uma bateria estacionária de 100 Ah com carregador ou painel de 150 W. O compressor de 35 W por 12 horas gasta 420 Wh; a bateria tem 1.200 Wh, dos quais se usam 600 INF.
- Solar no módulo de casa: kit de bomba solar de 150 W (painel e bomba de 12 V, 648 a 1.134 L por hora) custava R$ 759 a 816 em 2025 FV (dossiê de piscicultura, Fonte 39). Roda só de dia; à noite fica o ar na bateria. Serve para tanque de 1 a 2 m³ com até 5 kg de peixe por m³ INF.
- Solar total no módulo de feira: 150 W por 24 h são 3,6 kWh por dia. Pela conta do dossiê para 100 W (R$ 7 a 9 mil instalado) INF, seriam R$ 10,5 a 13,5 mil, o que dobra o investimento. A economia é de R$ 1.314 por ano: retorno em 8 a 10 anos INF. Onde há rede, o solar total não se paga; vale só a bateria de reserva. Onde não há rede, fique no módulo de casa.
12. Sanidade, despesca e conservação
- Não se usa agrotóxico na planta: mata o peixe. Não se usa remédio nem sal em dose alta no peixe: mata a planta e as bactérias. Peixe doente é tratado fora do sistema, em balde INF.
- Pragas da hortaliça: catação, armadilha adesiva, tela; caldas só com produto que não seja tóxico para peixe, aplicado com a planta fora do canteiro INF.
- Despesca: com puçá, peixe a peixe, conforme a família come ou vende. Não há despesca total FV.
- Conservação: o peixe fica vivo no tanque até a hora de usar. Para vender abatido, ver arquivo 04. A hortaliça é colhida com raiz, na véspera ou no dia da feira, e embalada em saco plástico INF.