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01 — Descrição técnica: bioflocos e recirculação
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE não encontrado. 1. O que são, em poucas frases Bioflocos (BFT). O tanque não troca água. A sujeira do peixe (amônia, fezes, sobra de ração) vira alimento de…
- 1. O que são, em poucas frases
- 2. Números de referência
- 3. O que cada sistema exige
- 4. Estrutura do módulo publicado (Pará) e do módulo de entrada
- 5. Espécie: o que se sabe do tambaqui nesses sistemas
- 6. Ciclo, alevino e ração (módulo de entrada com tambaqui)
- 7. Energia e falta de energia
- 8. Manejo
- 9. Sanidade, despesca e conservação
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE não encontrado.
1. O que são, em poucas frases
Bioflocos (BFT). O tanque não troca água. A sujeira do peixe (amônia, fezes, sobra de ração) vira alimento de bactérias, que formam flocos em suspensão. Para as bactérias trabalharem, o produtor mantém ar soprando 24 horas e acrescenta uma fonte de carbono (açúcar ou melaço). A tilápia come parte dos flocos; por isso, com ela, a conversão alimentar é boa.
Recirculação (RAS). A água sai do tanque, passa por filtro de sólidos, biofiltro e, muitas vezes, lâmpada ultravioleta, recebe ar ou oxigênio e volta. A água fica clara. Repõe-se menos de 3% do volume por dia FV.
O que os dois têm em comum: muito peixe em pouca água, pouca troca de água, e dependência total de energia e de gente treinada. A aquaponia (projeto 09) é uma recirculação de baixa densidade; aqui se fala dos sistemas de alta densidade.
2. Números de referência
| Parâmetro | Bioflocos | Recirculação | Fonte e marca |
|---|---|---|---|
| Peixe por m³ (tilápia) | 15 kg por m³ por ciclo de 4 meses; 3 ciclos por ano FV | 30 a 70 kg por m³, até 150 FV | Estudo do Pará (2022); dossiê de piscicultura |
| Água gasta | 135 L por kg de peixe FV | Menos de 3% do volume por dia FV | Embrapa Meio Ambiente (2025); dossiê |
| Conversão alimentar (tilápia) | 1,05 em juvenis; 1,4 na engorda FV | — | Embrapa (2025); estudo do Pará |
| Energia | 114,6 MJ por kg (31,8 kWh por kg) na fase de juvenis, em ensaio da Embrapa FV; 1,73 kWh por kg na engorda projetada no Pará INF (52.016,9 kWh ÷ 30.000 kg, dados FV) | Sem dado brasileiro publicado NE | Embrapa (2025); estudo do Pará |
| Aeração | Total, 24 horas FV | Total, 24 horas, mais oxigênio FV | Dossiê |
| Mão de obra | Qualificada, todo dia FV | Qualificada, todo dia FV | Dossiê |
| Onde é usado no Brasil | Tilápia e camarão | Laboratórios de alevinos, tilápia, ornamentais FV | Dossiê |
A própria Embrapa declara a limitação do bioflocos: "consumo energético elevado, estimado em 114,6 MJ/kg de peixe" FV (citado no dossiê de piscicultura, Fonte 44).
3. O que cada sistema exige
| Exigência | Por quê | Sem isso |
|---|---|---|
| Aeração 24 horas | O ar dá oxigênio ao peixe e às bactérias e mantém os flocos em suspensão | Em menos de uma hora o oxigênio chega a nível crítico INF (conta no item 7) |
| Energia firme | A aeração não pode parar | Perda do lote |
| Gerador com partida automática e alarme | A queda pode ser de madrugada | Idem |
| Soprador de reserva | Equipamento que roda 24 horas quebra | Idem |
| Técnico presente | Ler oxigênio, amônia, nitrito, alcalinidade e volume de flocos, e agir no mesmo dia | Colapso de amônia; caso de Rondônia, item 6 |
| Fonte de carbono (bioflocos) | Açúcar ou melaço alimentam as bactérias. No estudo do Pará: 2.653 kg de açúcar para 42.293 kg de ração, ou 6,3% da ração FV | Amônia sobe |
| Corretivo de alcalinidade | As bactérias consomem alcalinidade. No Pará: calcário em 6,6% da ração FV. Manter acima de 100 mg/L FV (dossiê, frente 08) | pH despenca |
| Monitoramento diário | Oxigênio e temperatura duas vezes ao dia; pH todo dia; flocos (cone de sedimentação) todo dia; amônia, nitrito e alcalinidade 2 a 3 vezes por semana INF (sobre rotina do dossiê) | Não se vê o problema chegar |
| Ração de qualidade, na hora certa | Sistema fechado não perdoa ração ruim nem atraso | Água estraga |
| Cobertura | Chuva forte transborda o tanque e leva os flocos; sol aquece; friagem derruba o apetite INF; o ensaio de Rondônia perdeu peixe com friagem de 22 °C e fumaça de queimada FV | Instabilidade |
| Retirada de lodo | Flocos em excesso entopem a brânquia | Decantador e descarte regular |
| Filtros, bombas e oxigênio (recirculação) | É o coração do sistema | "Alto custo de investimento, grande dependência de energia elétrica, fornecimento de oxigênio, monitoramento rigoroso com mão de obra qualificada" FV (citado no dossiê, Fonte 43) |
4. Estrutura do módulo publicado (Pará) e do módulo de entrada
| Item | Módulo do estudo do Pará FV | Módulo de entrada desta ficha INF |
|---|---|---|
| Tanques | 6 tanques suspensos de geomembrana de PVC de 0,8 mm, 121 m³ cada, 110 m³ úteis | 2 tanques de lona com tela, 25 m³ cada |
| Volume útil | 660 m³ | 50 m³ |
| Aeração | Compressores radiais: 2 de 2,35 cv e 2 de 1,74 cv, com mangueiras difusoras | 1 compressor radial de 1 cv em uso e 1 de reserva |
| Energia de reserva | Gerador de 9,8 kVA com quadro | Gerador de 3 a 5 kVA com partida automática |
| Cobertura | Tela contra pássaros | Tela e cobertura simples |
| Área | 0,2 ha | Cerca de 150 m² |
| Espécie e meta | Tilápia, 30 t por ano | Tambaqui, 750 kg por ano |
Desenho do módulo de entrada:
|
5. Espécie: o que se sabe do tambaqui nesses sistemas
O tambaqui é a espécie do Acre, mas é pouco testado em bioflocos e em recirculação. O que foi localizado:
| Achado | Número | Marca |
|---|---|---|
| Operação comercial de tambaqui em bioflocos ou recirculação no Norte, com custos abertos | Nenhuma localizada | NE |
| Tambaqui em tanque circular de água clara com renovação contínua (Embrapa, Palmas, 2023) | 489 dias para 1.696 g; ganho de 3,3 g por dia; conversão de 2,3; média de 15,1 kg por m³. No viveiro: 304 dias, 5,1 g por dia | FV |
| Literatura de recirculação com tambaqui, resumida pela Embrapa | 7 a 11 kg por m³ em 170 a 300 dias; cerca de 10 meses para 0,8 kg | FV |
| Ensaio de recirculação com juvenis (revista científica, 2025) | 140 a 180 peixes por m³; 8,6 a 9,5 kg por m³ em 45 dias (fase inicial) | FV |
| Promessa de fornecedor de recirculação | 40 a 70 kg por m³ na engorda, sem custo publicado | FV (que a promessa existe; desempenho não comprovado) |
| Pirarucu em bioflocos, ensaio em instituto federal de Rondônia (2025) | 6 tanques de 4 m³; aos 60 dias, oxigênio a 2 mg/L e amônia a 2 mg/L; alta mortalidade antes do fim | FV |
Por que o tambaqui rende menos que a tilápia nesses sistemas:
- Tamanho de venda. A tilápia do estudo do Pará sai com 400 g em 4 meses, 3 ciclos por ano FV. O mercado do Acre quer tambaqui de 1 a 3 kg FV (dossiê). Em água sem alimento natural, 1 kg leva perto de 10 meses INF (sobre ganho FV de 3,3 g por dia). Dá 1 ciclo por ano.
- Conversão. Tilápia em bioflocos: 1,4 FV. Tambaqui em água clara: 2,3 FV. A conta desta ficha usa 2,0 para o tambaqui, supondo algum aproveitamento dos flocos INF. Não há medida publicada de quanto o tambaqui aproveita NE.
- Quilos por m³ por ano. Tilápia: 15 kg × 3 ciclos = 45 kg por m³ por ano FV. Tambaqui: 15 kg × 1 ciclo = 15 kg por m³ por ano INF. Um terço.
6. Ciclo, alevino e ração (módulo de entrada com tambaqui)
- Preparação: 30 a 40 dias para formar os flocos e amadurecer as bactérias antes de carregar o tanque INF (a Embrapa dá 30 a 40 dias para o biofiltro da aquaponia amadurecer, FV).
- Alevino: 825 alevinos de 2 a 5 g (750 peixes finais mais 10% de perda), de laboratório com nota e GTA. Preço posto no Acre: R$ 0,30 a 0,45 INF (números-base).
- Densidade final: 15 kg por m³ INF (com base nos 15,1 kg por m³ da Embrapa e nos 15 kg por m³ do estudo do Pará, FV).
- Ração: 45% de proteína no início, depois 36% e 32% FV (estudo do Pará). Total: 750 kg × 2,0 = 1.500 kg INF.
- Ciclo: cerca de 300 dias de engorda até 1 kg INF.
- Açúcar: 6,3% da ração = 95 kg INF (sobre proporção FV). Calcário: 6,6% da ração = 99 kg INF (sobre proporção FV).
7. Energia e falta de energia
- Potência. No estudo do Pará: 2 × 2,35 cv + 2 × 1,74 cv = 8,18 cv, cerca de 6,0 kW para 660 m³, ou 9 W por m³; consumo de 52.016,9 kWh por ano FV. No módulo de 50 m³, um compressor de 1 cv (0,75 kW), ou 15 W por m³, porque equipamento pequeno rende menos INF.
- Consumo do módulo de 50 m³: 0,75 kW × 24 h × 365 dias = 6.570 kWh por ano INF.
- Por quilo: 6.570 ÷ 750 = 8,8 kWh por kg de tambaqui INF. Na tilápia do Pará: 1,73 kWh por kg INF (sobre dados FV). No viveiro escavado comum: cerca de 25 kWh por tonelada, ou 0,025 kWh por kg INF (dossiê).
- Se a energia cai. Conta: 15 kg de peixe por m³ × 300 mg de oxigênio por kg por hora = 4,5 mg/L por hora só para o peixe; os flocos consomem outro tanto. De 6 para 2 mg/L, o tanque leva de meia hora a uma hora INF (os consumos são valores típicos, não medidos para tambaqui em bioflocos, NE). Por isso gerador com partida automática e alarme não são opcionais.
- Solar. Sustentar 0,75 kW a noite inteira pede banco de bateria de cerca de 12 kWh úteis. O dossiê estima R$ 21 a 29 mil por aerador de 1 cv em sistema solar com bateria INF. Não muda a conta para melhor.
8. Manejo
Todo dia: oxigênio e temperatura de manhã cedo e à tarde; pH; volume de flocos no cone; ração 3 a 4 vezes; conferir compressor, difusores e gerador; anotar.
Duas a três vezes por semana: amônia, nitrito, alcalinidade. Corrigir com açúcar (amônia alta) e calcário (alcalinidade baixa).
Toda semana: retirar lodo pelo decantador; testar o gerador e o alarme.
Todo mês: biometria (pesar uma amostra) e ajuste da ração.
9. Sanidade, despesca e conservação
- Peixe adensado adoece mais rápido. Doença de brânquia por excesso de flocos é o problema típico INF.
- Quase não há remédio registrado para peixe no Brasil FV (dossiê, frente 08). A prevenção é a qualidade da água.
- Despesca: total, por tanque, com rede e puçá. O peixe sai todo no mesmo dia; precisa de comprador e gelo combinados antes. O Acre não tem estabelecimento de pescado com SIF e tem um com SIE FV (números-base): a venda é de peixe inteiro fresco.
- O lodo e a água de descarte não podem ir para igarapé. Vão para compostagem ou para irrigar capineira INF.