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13 — Tambaqui de viveiro para a merenda escolar

Viveiro escavado de 1 hectare, reativado, criando tambaqui até 2 kg para entregar a uma cozinha de pescado com inspeção, que vende o peixe sem espinha, congelado, à merenda escolar.

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. Este projeto junta dois outros do catálogo: o viveiro reativado (pasta 02) e a cozinha de pescado (pasta 11). Os detalhes de manejo, licença e crédito estão neles.

Ficha-resumo

Item Valor Marca
Viveiro escavado, já existente e reativado; pode ser um de 1 ha ou dois de 5.000 m² INF
Área de lâmina d'água 1 hectare (10.000 m²)
Espécie tambaqui, só ele, porque a cozinha precisa de lote uniforme INF
Peso de entrega 2 kg (a cozinha rende mais com peixe de 2 a 2,5 kg) FV
Peixes postos no viveiro 2.850 juvenis: 1 peixe para cada 3,5 m² INF
Peixes na despesca 2.565, com perda de 10% FV a perda; INF a conta
Produção por ciclo 5.130 kg INF
Ciclo 13 meses: 1 de preparo e 12 de engorda FV produtores de Mato Grosso e Rondônia levam cerca de 12 meses até 2 kg
Conversão alimentar 2,0 kg de ração por kg de peixe INF; a faixa medida em viveiro é de 1,8 a 2,2 FV
Ração por ciclo 10.260 kg, ou 410 sacos de 25 kg INF
Investimento para reativar R$ 17.700 INF
Dinheiro para o ciclo, antes da primeira venda R$ 60.729 INF
Custo total por kg de peixe R$ 12,68 INF
Renda por mês entregando à cozinha a R$ 15 por kg R$ 914 INF
Renda por mês com a sobra da cooperativa até R$ 2.259 INF
Veredito Recomendado com condição: só com a cozinha inspecionada funcionando e o contrato da merenda assinado. Vendendo ao atravessador, dá prejuízo.

1. O viveiro e a quantidade de peixe

Parâmetro Valor De onde vem
Lâmina d'água 10.000 m² módulo do projeto
Povoamento 2.850 juvenis de tambaqui 5.130 kg ÷ 2 kg ÷ 0,90
Densidade 0,285 peixe por m² 2.850 ÷ 10.000
Perda no ciclo 10% manual da Embrapa FV
Peixes colhidos 2.565 2.850 × 0,90
Peso médio na entrega 2,0 kg exigência da cozinha
Produção 5.130 kg 2.565 × 2,0

Por que só 2.850 peixes. O viveiro acreano típico não tem aerador ligado toda noite. Sem aeração, o limite seguro fica perto de 5 toneladas de peixe por hectare INF (sobre parâmetros FV). O manual da Embrapa indica 6.670 alevinos por hectare para colher 10 toneladas, mas com aeração e troca de água FV. Este projeto põe menos peixe para chegar a 2 kg sem risco de morte por falta de oxigênio.

Por que peixe de 2 kg. O projeto do viveiro familiar (pasta 02) colhe o tambaqui com 1,5 kg, bom para feira. A cozinha de pescado precisa de peixe maior: entre 2,0 e 2,5 kg o rendimento é melhor e a espinha em Y sai com menos perda FV. O preço disso é um ciclo mais longo e mais ração por quilo.

2. Conversão alimentar e ração

Item Conta Resultado
Conversão alimentar adotada 2,0
Ração no ciclo 5.130 kg × 2,0 10.260 kg
Sacos de 25 kg 10.260 ÷ 25 410
Ração por kg de peixe, em reais 2,0 × R$ 5,00 R$ 10,00

A faixa medida para tambaqui em viveiro é de 1,8 a 2,2 FV: 1,74 no Tocantins, 2,0 no Pará, 2,25 em fazenda de Rondônia. O projeto de 1,5 kg usa 1,85. Aqui a conta usa 2,0 porque o peixe grande converte pior no fim do ciclo INF.

Cada décimo de conversão vale R$ 2.565 por ciclo (5.130 kg × 0,1 × R$ 5,00). Pesar o peixe todo mês e ajustar a ração é o que mais protege a renda.

Adubo com cama de frango curtida. A conversão 2,0 só foi medida em viveiro adubado: a Embrapa achou 2,04 com adubo e 2,22 sem FV. O projeto usa cama de frango das granjas do Acre, curtida 27 dias na propriedade: de 1,0 a 1,3 t no preparo e de 100 a 150 kg por semana, em sacos, nos meses 1 a 4. Do mês 5 em diante não se aduba. A cama não baixa a conta; segura o 2,0. Sem adubo, o hectare gastaria R$ 5.643 a mais de ração INF. Cura, dose, regras e riscos estão no arquivo 03-adubo-com-cama-de-frango.md.

3. Custo do ciclo (1 hectare, 5.130 kg)

Item Conta R$ %
Ração 10.260 kg × R$ 5,00 51.300 84,5%
Juvenis 2.850 × R$ 0,60 1.710 2,8%
Calcário 2 t × R$ 1.000 2.000 3,3%
Gelo e sacos R$ 0,30 × 5.130 kg 1.539 2,5%
Diárias de despesca 4 dias × 3 pessoas × R$ 100 1.200 2,0%
Frete até a cozinha 12 viagens × R$ 80 960 1,6%
Energia do aerador de emergência cerca de 70 noites 620 1,0%
Adubo: cama de frango curtida 2,5 t, com frete e lona 600 1,0%
Sal, reagentes, conserto de rede 500 0,8%
Cal para desinfetar 300 0,5%
Custo do ciclo 60.729 100%
Desgaste e juros (13 meses) R$ 4.008 por ano × 13 ÷ 12 4.342
Custo total 65.071

Custo variável por kg: 60.729 ÷ 5.130 = R$ 11,84. Custo total por kg: 65.071 ÷ 5.130 = R$ 12,68. Todos os preços são estimativas sem cotação posta no Acre INF. A mão de obra da família não está paga na conta.

4. O que a merenda paga, e quanto chega ao produtor

A merenda não compra peixe inteiro. Compra pescado regional sem espinha, congelado, em pacote de 800 g. Em 2026 a rede estadual homologou R$ 2.987.741,76 por 48.408 pacotes FV, o que dá R$ 61,72 por pacote, ou R$ 77,15 por kg de produto INF.

Passo Conta Por kg de peixe inteiro
Rendimento em sem espinha 35% do peso do peixe 0,35 kg de produto
Valor pago pela merenda 0,35 × R$ 77,15 R$ 27,00
Custo de beneficiar (cozinha de 50 t por ano) R$ 8,59
Sobra para pagar o peixe 27,00 − 8,59 R$ 18,41
Pago ao produtor na entrega R$ 15,00
Fica na cooperativa, e pode voltar como sobra de fim de ano 18,41 − 15,00 R$ 3,41

O rendimento de 35% é premissa: a faixa medida vai de 25% a 43,5% FV. A 30% a conta da cozinha não fecha.

5. Custo e receita do produtor, por ciclo de 13 meses

Para quem vende Preço por kg Receita Custo total Resultado Por mês
Atravessador R$ 12,00 61.560 65.071 −3.511 −R$ 270
Cozinha da merenda, na entrega R$ 15,00 76.950 65.071 11.879 R$ 914
Cozinha da merenda, com a sobra da cooperativa R$ 18,41 94.443 65.071 29.372 R$ 2.259

Com a compra coletiva de ração a R$ 4,20 por kg, o custo cai R$ 8.208 por ciclo (10.260 kg × R$ 0,80). O resultado a R$ 15 sobe para R$ 20.087 por ciclo, ou R$ 1.545 por mês INF.

Ponto de equilíbrio: o produtor precisa receber pelo menos R$ 12,68 por kg. Abaixo disso, perde.

Comparação honesta com o peixe de 1,5 kg. No projeto 02, o hectare que vende tambaqui de 1,5 kg em venda direta a R$ 15 rende R$ 1.275 por mês. Aqui, com peixe de 2 kg ao mesmo preço, rende R$ 914: o ciclo é mais longo e a conversão é pior. A merenda só vale mais que a feira se a cooperativa devolver a sobra ou se o produtor não tiver venda direta a R$ 15 perto de casa.

6. Quanto de peixe a merenda absorve

Conta Resultado Marca
Um hectare por ciclo vira produto 5.130 kg × 0,35 = 1.796 kg, ou 2.244 pacotes INF
Valor desses pacotes na merenda 2.244 × R$ 61,72 = R$ 138.500 INF
Limite de venda por família, por ano, a cada comprador R$ 40.000 por CAF por entidade executora FV
Peixe que cabe nesse limite 648 pacotes, 518 kg de produto, 1.481 kg de peixe inteiro INF
Área que enche o limite de uma família 0,29 hectare INF
Contrato estadual inteiro de 2026 110.647 kg de peixe, cerca de 22 hectares INF
Famílias com CAF para cobrir o contrato 75 INF

O que isso muda no desenho. O limite por CAF trava antes da área. Uma família com 1 hectare só coloca 29% da produção na rede estadual. O resto precisa ir para outras entidades executoras, que são as prefeituras, cada uma com seu próprio limite de R$ 40 mil, ou para outro canal. Para a merenda, o desenho que fecha é um grupo de famílias com viveiros pequenos, e não poucos produtores grandes. O contrato estadual de 2026 pede 22 hectares e 75 famílias: cerca de 0,3 hectare para cada uma.

7. Condições para o projeto valer

  1. Cozinha inspecionada funcionando e contrato assinado antes de povoar. Sem inspeção não há venda à merenda (pasta 11).
  2. Ração garantida para os 13 meses. São R$ 51 mil antes da primeira venda. Sem custeio, o peixe passa fome no fim do ciclo, justo quando mais come.
  3. Lote uniforme de 2 kg. Pesar todo mês. Peixe pequeno derruba o rendimento da cozinha.
  4. Licença ou dispensa do IMAC e nota de origem. O tambaqui entrou na lista de espécies ameaçadas, e só o peixe de cultivo licenciado circula sem restrição FV.
  5. Cama só curtida, e só até o mês 4. Cama crua traz salmonela, e adubo no fim do ciclo dá gosto de barro e derruba o oxigênio. Pedir o aceite do serviço de inspeção da cozinha antes de usar.
  6. Seguro-defeso. Renda de piscicultura pode tirar o seguro do pescador com carteira ativa. Antes de incluir pescador com RGP ativo, consultar o Ministério do Trabalho e o Ministério da Pesca. Até a resposta, o titular é familiar sem RGP ativo.

8. O que ninguém mediu ainda

Fontes