Início›Projetos›05 Alevinagem de nativas›Descrição técnica
01 — Descrição técnica: alevinagem de espécies nativas
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. 1. O que é e por que existe Alevino é o filhote de peixe que o criador compra para povoar o viveiro. Juvenil é o alevino já…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado.
1. O que é e por que existe
Alevino é o filhote de peixe que o criador compra para povoar o viveiro. Juvenil é o alevino já crescido, de 10 a 15 cm.
Este projeto tem duas escalas, que são negócios diferentes:
- Escala A, berçário e recria. O grupo compra alevino pequeno (3 a 5 cm) de um laboratório, faz quarentena, engorda por 50 a 60 dias e vende juvenil de 10 a 15 cm aos vizinhos. Não reproduz peixe.
- Escala B, laboratório de reprodução induzida. A unidade mantém matrizes (os peixes pais), aplica hormônio, tira ovos e sêmen, incuba, cria a larva e vende alevino. Exige técnico o ano inteiro.
O quadro do Acre mudou em relação ao que se dizia. O IBGE registrou 6,9 milhões de alevinos produzidos no Acre em 2024 e 8,55 milhões em 2025 FV (IBGE/SIDRA, tabela 3940). Em 2024, 5,0 milhões saíram de Rio Branco, 1,6 milhão de Cruzeiro do Sul e 0,3 milhão de Feijó. Em 2025: 6,5 milhões, 1,65 milhão e 0,4 milhão FV. Os outros 19 municípios não têm produção registrada.
Logo, o Acre produz alevino, e a produção é privada. O que não foi encontrado é alevinagem pública em funcionamento NE. A falta não é de quantidade no estado. É de três coisas:
- Lugar. Alto Acre, Purus e Tarauacá não têm produção registrada. Brasiléia é o município que mais produz peixe e não tem alevino próprio FV (IBGE).
- Tamanho e sanidade. O criador compra alevino de 2 g, sem quarentena, e perde boa parte. Juvenil de 30 a 50 g, quarentenado, quase não morre na engorda.
- Espécie e época. Alevino de matrinxã falta todo ano e só sai entre setembro e fevereiro FV (Embrapa Amazônia Ocidental, Circular Técnica 33).
2. Espécies e por que elas
| Espécie | Papel no viveiro do cliente | Dificuldade para produzir alevino | Marca |
|---|---|---|---|
| Tambaqui | Espécie principal; 37% do peixe do Acre | Reprodução dominada, mas matriz ruim derruba o lote | FV Embrapa, Documentos 49 |
| Curimatã | Secundária; come lodo e resto de ração | Média; protocolo específico não aberto nesta apuração | NE para o protocolo |
| Piau | Secundária; onívoro | Reprodução e larvicultura consolidadas | FV Embrapa, cap. "Espécies de peixe" |
| Matrinxã | Principal no Juruá; preço maior | Alta: a larva come a irmã a partir de 30 a 36 horas de vida | FV Circular Técnica 33 |
Matriz aparentada (consanguínea) reduz a produtividade em até 30% e aumenta a morte de alevinos FV (Embrapa, Comunicado Técnico 04/2020). Por isso o laboratório precisa de plantel com origem conhecida e marcação individual por microchip FV (Documentos 49).
Híbridos (tambatinga, tambacu) ficam fora deste projeto. O motivo está na ficha 06 e no arquivo 04.
3. Escala A — berçário e recria
Estrutura do módulo
- 2 viveiros pequenos de 500 m² cada (20 m × 25 m), com 1,2 a 1,5 m de fundura, entrada e saída de água separadas e em pontas opostas FV (Documentos 49).
- Tela contra pássaro sobre os dois viveiros. Pássaro e morcego acabam com um lote em poucos dias FV (Documentos 49).
- Tela fina de 0,5 mm na entrada de água, em forma de saco, para barrar peixe invasor e bicho que transmite parasita FV.
- 1 tanque de lona de 10 m³ para quarentena dos lotes que chegam e para descanso do juvenil antes da venda.
- Soprador de ar pequeno, cilindro de oxigênio, sacos plásticos, rede de malha de 5 mm, balança e kit de análise de água.
|
Densidade, tempo e sobrevivência
| Parâmetro | Valor adotado | Referência | Marca |
|---|---|---|---|
| Densidade na recria em viveiro | 10 alevinos por m² | Embrapa, Manual de piscicultura familiar, 2024 | FV |
| Lote do módulo | 10.000 alevinos (1.000 m² × 10) | conta | INF |
| Peso de entrada e de saída | 2 g → 40 g (10 a 15 cm) | Embrapa Amapá: 2–5 g → 40–50 g em 60 a 90 dias | FV |
| Duração do lote | 50 a 60 dias de recria + 7 dias de preparo + venda = 75 dias | Embrapa | FV/INF |
| Sobrevivência | 80% | Embrapa Amapá (tambaqui); 78% a 92% para matrinxã em 60 dias | FV |
| Conversão alimentar | 1,2 kg de ração por kg de ganho | Embrapa Amapá mediu 0,8 a 1,1; matrinxã 1,31 a 1,35 | FV; 1,2 é INF |
| Lotes por ano | 3 (povoar em novembro, fevereiro e abril) | oferta de alevino vai de novembro a abril | INF |
Produção: 10.000 × 80% = 8.000 juvenis por lote. Em 3 lotes, 24.000 juvenis por ano INF. Biomassa no fim do lote: 8.000 × 40 g = 320 kg, ou 0,32 kg por m². Está abaixo do limite de 0,45 a 0,90 kg por m² citado para viveiros de alevinagem FV (Documentos 49).
Outra forma de fazer a recria é o berçário de tela dentro de açude com água boa: até 1.000 alevinos por m³ em geral FV (Manual 2024); 300 a 400 por m³ para tambaqui FV (Embrapa Amapá); 500 por m³ para matrinxã FV (Pesquisa Agropecuária Brasileira). Serve quando já existe açude e não se quer escavar.
Ração
- Do dia 1 ao 20: ração em pó ou de 1 mm com 40% a 50% de proteína, 4 tratos por dia, 10% do peso vivo FV (Embrapa).
- Do dia 20 ao 60: ração de 2 mm com 36% a 40% de proteína, 3 tratos, 5% do peso vivo FV.
- Consumo do lote: 300 kg de ganho × 1,2 = 360 kg de ração INF.
Rotina
- Todo dia: olhar o peixe no trato; tirar mortos e anotar; conferir a tela; medir temperatura. Oxigênio de manhã cedo, que não deve ficar abaixo de 4 mg/L FV (Documentos 49).
- Toda semana: pH (6,5 a 8,0), transparência (35 a 40 cm), amônia (abaixo de 0,10 mg/L) FV.
- A cada 15 dias: pesar uma amostra e ajustar a ração.
- A cada lote: secar o viveiro, cal virgem nas poças (200 kg por 1.000 m² onde houver poça), calcário (100 a 300 kg por 1.000 m², conforme o pH), adubo (3 a 5 kg de ureia e 10 kg de farelo de arroz por 1.000 m²), encher 5 a 7 dias antes FV (Documentos 49).
Segundo degrau: comprar pós-larva em vez de alevino
Pós-larva é a larva de 3 a 6 dias, que já gastou a reserva do ovo. Laboratório vende pós-larva em saco com oxigênio FV (Documentos 49). O viveiro adubado recebe 100 a 400 por m² e em 20 a 45 dias entrega alevino de 3 a 5 g FV. A sobrevivência é incerta: para matrinxã, uma estação comercial mediu "até 49%" FV (Circular Técnica 33); para tambaqui em viveiro no Acre, NE. É mais lucrativo e muito mais arriscado. Só depois de dois anos de recria bem-feita e com técnico por perto.
4. Escala B — laboratório de reprodução induzida
Como funciona, passo a passo
- Plantel. Matrizes e reprodutores em viveiro próprio, 2 a 5 m² por kg de peixe, ração de 28% a 32% de proteína a 1% do peso por dia FV (Documentos 49). Usar peixes de 2 a 3 anos ou mais; fêmea serve por 3 temporadas FV.
- Seleção. Entre outubro e março, escolher fêmea de barriga cheia e macho que solta sêmen. Dois machos por fêmea FV.
- Hormônio. Extrato de hipófise de carpa. Tambaqui: fêmea 5,5 mg por kg em duas doses (10% e, 12 horas depois, 90%); macho 2,5 mg por kg em dose única FV. Matrinxã: fêmea 0,5 e 5 mg por kg com 12 horas de intervalo; macho 1 mg por kg FV (Circular Técnica 33).
- Desova. Tambaqui: cerca de 215 horas-grau a 28 °C FV. Matrinxã: 135 a 165 horas-grau a 29–31 °C FV. Tirar ovos e sêmen à mão, a seco; 1 mL de sêmen para 80 g de ovos FV.
- Incubação. Incubadora em forma de funil, de 60 ou 200 L, com água subindo de baixo. De 1,0 a 1,5 g de ovo por litro. O tambaqui nasce em cerca de 16 horas; o matrinxã em 10 a 12 horas FV.
- Larvicultura. Depois de 3 a 6 dias a pós-larva vai para o viveiro adubado FV.
- Alevinagem. 100 a 400 por m², ração de 40% a 50% de proteína, 4 tratos por dia, 20 a 45 dias até 3 a 5 g FV.
- Venda. Despesca, 3 a 5 dias em caixa com água corrente e banho de sal, contagem, saco com oxigênio, GTA FV.
Quanto rende uma fêmea de tambaqui
Conta teórica da Embrapa: 4 kg × 12% do peso em ovos = 480 g; × 1.200 ovos por grama = 576.000; × 90% de fertilização = 518.400; × 70% de sobrevivência = 362.880 larvas FV (Documentos 49).
Conta prudente desta ficha: 4 kg × 8% = 320 g; × 1.200 = 384.000; × 90% = 345.600; × 60% = 207.360 pós-larvas; × 40% de sobrevivência no viveiro = 82.944 alevinos por fêmea INF. Para 1,5 milhão de alevinos por ano: 1.500.000 ÷ 82.944 = 18 desovas boas.
Tamanho do laboratório para 1,5 milhão de alevinos por ano
| Setor | Dimensão | Como se chegou | Marca |
|---|---|---|---|
| Plantel | 3 viveiros de 1.000 m² | 75 tambaquis de 5 kg = 375 kg × 5 m² = 1.875 m²; mais matrinxã, curimatã e piau | INF sobre regra FV |
| Alevinagem | 6 viveiros de 1.000 m² | cada desova pede 207.360 ÷ 200 por m² = 1.037 m²; 4 lotes por viveiro na safra; 1 viveiro sempre em vazio sanitário | INF sobre regra FV |
| Viveiro-pulmão ou poço | 1.000 m² ou poço | água sem peixe para o laboratório | FV |
| Laboratório | galpão de 60 m² | 3 tanques de espera, 8 incubadoras de 200 L, bancada | INF |
| Pessoal | 1 técnico + 2 auxiliares | técnico o ano todo | INF |
Lâmina d'água total: cerca de 1,0 ha. Caso real para comparar: uma estação comercial de Rio Preto da Eva (AM) vendeu 1,2 milhão de alevinos de matrinxã em uma safra com 415 matrizes, 6 viveiros de plantel (6.200 m²) e 6 viveiros de alevinagem de 1.700 m² FV (Circular Técnica 33).
O que derruba um laboratório
- Falta de energia na incubação. Sem água correndo, o lote morre em minutos. Gerador é obrigatório INF.
- Água suja. O laboratório usa poço ou viveiro sem peixe FV.
- Matriz ruim. Ver item 2.
- Canibalismo do matrinxã. Começa 30 a 36 horas depois de nascer. O manejo medido foi soltar a larva no viveiro com 40 horas, dentro de uma caixa de 2.000 L afundada, e oferecer larvas de curimatã e tambaqui como comida FV (Circular Técnica 33).
- Vender pouco. Ver arquivo 02: abaixo de 0,8 milhão de alevinos por ano o laboratório não se paga INF.
5. Sanidade e quarentena
- O parasita chega com o alevino. Os piores são o verme de cabeça espinhosa (acantocéfalo) e os vermes de brânquia. No Brasil não há remédio registrado contra eles FV (Embrapa).
- Quarentena de pelo menos 3 semanas para todo lote que entra, em tanque separado FV (Embrapa). Na Escala A, a própria recria de 50 a 60 dias é a quarentena: o cliente recebe um peixe já observado.
- Sal: 8 g por litro na água de transporte e no banho depois do manejo FV (Documentos 49).
- Não misturar rede, puçá e balde entre viveiros. Desinfetar com água sanitária: 10 a 20 mL por litro, por 1 hora, e enxaguar FV.
- Jogar fora a água do saco longe do viveiro FV (Manual 2024).
- Morte fora do normal: avisar o Idaf. Não vender o lote.
- Nunca foi medido quanto parasita vem nos alevinos que entram no Acre NE.
6. Transporte de alevino
Saco plástico duplo, de 60 L: um terço de água limpa, dois terços de oxigênio puro, boca fechada com elástico FV. Viajar à noite ou de madrugada. Peixe em jejum de 24 horas.
Sobrevivência de alevinos de tambaqui de 3 a 5 cm, medida 4 dias depois da viagem (em %) FV (Gomes 2003, citado no Manual Embrapa 2024):
| Horas de viagem | 25 por litro | 50 por litro | 75 por litro | 100 por litro | 125 por litro | 150 por litro |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 3 | 98 | 97 | 90 | 80 | 70 | 40 |
| 6 | 97 | 96 | 85 | 75 | 40 | 25 |
| 9 | 96 | 90 | 80 | 50 | 30 | 15 |
| 12 | 90 | 85 | 70 | 35 | 20 | 10 |
| 18 | 78 | 65 | 30 | 20 | 8 | 3 |
| 24 | 50 | 25 | 15 | 5 | 0 | 0 |
Leitura para o Acre:
- Porto Velho a Rio Branco: cerca de 510 km, 8 a 10 horas. Com 25 a 50 alevinos por litro, chegam vivos 90% a 96% FV (pela tabela).
- Porto Velho a Cruzeiro do Sul: cerca de 1.150 km, 20 horas ou mais INF. A tabela dá 50% a 78% com 25 por litro. Não compensa. O Juruá precisa de alevino próprio, e já tem FV (IBGE).
- Juvenil de 40 g viaja em caixa de transporte com oxigênio, 50 a 500 g de peixe por litro conforme o tempo (5 a 25 horas) FV (Manual 2024).
Na chegada: boiar o saco fechado por 10 minutos, abrir, misturar água do viveiro aos poucos e soltar com peneira FV.
7. O que medir e anotar
Lote, data, fornecedor, número da GTA, quantidade contada na chegada (contar pelo menos dois sacos), mortos por dia, peso a cada 15 dias, ração gasta, quantidade vendida, comprador. Sem esse caderno não se sabe a sobrevivência, e o preço do juvenil vira chute.