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01 — Descrição técnica: alevinagem de espécies nativas

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. 1. O que é e por que existe Alevino é o filhote de peixe que o criador compra para povoar o viveiro. Juvenil é o alevino já…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado.

1. O que é e por que existe

Alevino é o filhote de peixe que o criador compra para povoar o viveiro. Juvenil é o alevino já crescido, de 10 a 15 cm.

Este projeto tem duas escalas, que são negócios diferentes:

O quadro do Acre mudou em relação ao que se dizia. O IBGE registrou 6,9 milhões de alevinos produzidos no Acre em 2024 e 8,55 milhões em 2025 FV (IBGE/SIDRA, tabela 3940). Em 2024, 5,0 milhões saíram de Rio Branco, 1,6 milhão de Cruzeiro do Sul e 0,3 milhão de Feijó. Em 2025: 6,5 milhões, 1,65 milhão e 0,4 milhão FV. Os outros 19 municípios não têm produção registrada.

Logo, o Acre produz alevino, e a produção é privada. O que não foi encontrado é alevinagem pública em funcionamento NE. A falta não é de quantidade no estado. É de três coisas:

  1. Lugar. Alto Acre, Purus e Tarauacá não têm produção registrada. Brasiléia é o município que mais produz peixe e não tem alevino próprio FV (IBGE).
  2. Tamanho e sanidade. O criador compra alevino de 2 g, sem quarentena, e perde boa parte. Juvenil de 30 a 50 g, quarentenado, quase não morre na engorda.
  3. Espécie e época. Alevino de matrinxã falta todo ano e só sai entre setembro e fevereiro FV (Embrapa Amazônia Ocidental, Circular Técnica 33).

2. Espécies e por que elas

Espécie Papel no viveiro do cliente Dificuldade para produzir alevino Marca
Tambaqui Espécie principal; 37% do peixe do Acre Reprodução dominada, mas matriz ruim derruba o lote FV Embrapa, Documentos 49
Curimatã Secundária; come lodo e resto de ração Média; protocolo específico não aberto nesta apuração NE para o protocolo
Piau Secundária; onívoro Reprodução e larvicultura consolidadas FV Embrapa, cap. "Espécies de peixe"
Matrinxã Principal no Juruá; preço maior Alta: a larva come a irmã a partir de 30 a 36 horas de vida FV Circular Técnica 33

Matriz aparentada (consanguínea) reduz a produtividade em até 30% e aumenta a morte de alevinos FV (Embrapa, Comunicado Técnico 04/2020). Por isso o laboratório precisa de plantel com origem conhecida e marcação individual por microchip FV (Documentos 49).

Híbridos (tambatinga, tambacu) ficam fora deste projeto. O motivo está na ficha 06 e no arquivo 04.

3. Escala A — berçário e recria

Estrutura do módulo

   entrada de água (tela 0,5 mm)
        |                 |
  +-----------+     +-----------+      +---------+
  | viveiro 1 |     | viveiro 2 |      | tanque  |
  |  500 m²   |     |  500 m²   |      | de lona |
  | tela por  |     | tela por  |      |  10 m³  |
  |   cima    |     |   cima    |      | quarent.|
  +-----------+     +-----------+      +---------+
        |                 |                 |
     saída pelo fundo (não devolve água ao igarapé sem tela)

Densidade, tempo e sobrevivência

Parâmetro Valor adotado Referência Marca
Densidade na recria em viveiro 10 alevinos por m² Embrapa, Manual de piscicultura familiar, 2024 FV
Lote do módulo 10.000 alevinos (1.000 m² × 10) conta INF
Peso de entrada e de saída 2 g → 40 g (10 a 15 cm) Embrapa Amapá: 2–5 g → 40–50 g em 60 a 90 dias FV
Duração do lote 50 a 60 dias de recria + 7 dias de preparo + venda = 75 dias Embrapa FV/INF
Sobrevivência 80% Embrapa Amapá (tambaqui); 78% a 92% para matrinxã em 60 dias FV
Conversão alimentar 1,2 kg de ração por kg de ganho Embrapa Amapá mediu 0,8 a 1,1; matrinxã 1,31 a 1,35 FV; 1,2 é INF
Lotes por ano 3 (povoar em novembro, fevereiro e abril) oferta de alevino vai de novembro a abril INF

Produção: 10.000 × 80% = 8.000 juvenis por lote. Em 3 lotes, 24.000 juvenis por ano INF. Biomassa no fim do lote: 8.000 × 40 g = 320 kg, ou 0,32 kg por m². Está abaixo do limite de 0,45 a 0,90 kg por m² citado para viveiros de alevinagem FV (Documentos 49).

Outra forma de fazer a recria é o berçário de tela dentro de açude com água boa: até 1.000 alevinos por m³ em geral FV (Manual 2024); 300 a 400 por m³ para tambaqui FV (Embrapa Amapá); 500 por m³ para matrinxã FV (Pesquisa Agropecuária Brasileira). Serve quando já existe açude e não se quer escavar.

Ração

Rotina

Segundo degrau: comprar pós-larva em vez de alevino

Pós-larva é a larva de 3 a 6 dias, que já gastou a reserva do ovo. Laboratório vende pós-larva em saco com oxigênio FV (Documentos 49). O viveiro adubado recebe 100 a 400 por m² e em 20 a 45 dias entrega alevino de 3 a 5 g FV. A sobrevivência é incerta: para matrinxã, uma estação comercial mediu "até 49%" FV (Circular Técnica 33); para tambaqui em viveiro no Acre, NE. É mais lucrativo e muito mais arriscado. Só depois de dois anos de recria bem-feita e com técnico por perto.

4. Escala B — laboratório de reprodução induzida

Como funciona, passo a passo

  1. Plantel. Matrizes e reprodutores em viveiro próprio, 2 a 5 m² por kg de peixe, ração de 28% a 32% de proteína a 1% do peso por dia FV (Documentos 49). Usar peixes de 2 a 3 anos ou mais; fêmea serve por 3 temporadas FV.
  2. Seleção. Entre outubro e março, escolher fêmea de barriga cheia e macho que solta sêmen. Dois machos por fêmea FV.
  3. Hormônio. Extrato de hipófise de carpa. Tambaqui: fêmea 5,5 mg por kg em duas doses (10% e, 12 horas depois, 90%); macho 2,5 mg por kg em dose única FV. Matrinxã: fêmea 0,5 e 5 mg por kg com 12 horas de intervalo; macho 1 mg por kg FV (Circular Técnica 33).
  4. Desova. Tambaqui: cerca de 215 horas-grau a 28 °C FV. Matrinxã: 135 a 165 horas-grau a 29–31 °C FV. Tirar ovos e sêmen à mão, a seco; 1 mL de sêmen para 80 g de ovos FV.
  5. Incubação. Incubadora em forma de funil, de 60 ou 200 L, com água subindo de baixo. De 1,0 a 1,5 g de ovo por litro. O tambaqui nasce em cerca de 16 horas; o matrinxã em 10 a 12 horas FV.
  6. Larvicultura. Depois de 3 a 6 dias a pós-larva vai para o viveiro adubado FV.
  7. Alevinagem. 100 a 400 por m², ração de 40% a 50% de proteína, 4 tratos por dia, 20 a 45 dias até 3 a 5 g FV.
  8. Venda. Despesca, 3 a 5 dias em caixa com água corrente e banho de sal, contagem, saco com oxigênio, GTA FV.

Quanto rende uma fêmea de tambaqui

Conta teórica da Embrapa: 4 kg × 12% do peso em ovos = 480 g; × 1.200 ovos por grama = 576.000; × 90% de fertilização = 518.400; × 70% de sobrevivência = 362.880 larvas FV (Documentos 49).

Conta prudente desta ficha: 4 kg × 8% = 320 g; × 1.200 = 384.000; × 90% = 345.600; × 60% = 207.360 pós-larvas; × 40% de sobrevivência no viveiro = 82.944 alevinos por fêmea INF. Para 1,5 milhão de alevinos por ano: 1.500.000 ÷ 82.944 = 18 desovas boas.

Tamanho do laboratório para 1,5 milhão de alevinos por ano

Setor Dimensão Como se chegou Marca
Plantel 3 viveiros de 1.000 m² 75 tambaquis de 5 kg = 375 kg × 5 m² = 1.875 m²; mais matrinxã, curimatã e piau INF sobre regra FV
Alevinagem 6 viveiros de 1.000 m² cada desova pede 207.360 ÷ 200 por m² = 1.037 m²; 4 lotes por viveiro na safra; 1 viveiro sempre em vazio sanitário INF sobre regra FV
Viveiro-pulmão ou poço 1.000 m² ou poço água sem peixe para o laboratório FV
Laboratório galpão de 60 m² 3 tanques de espera, 8 incubadoras de 200 L, bancada INF
Pessoal 1 técnico + 2 auxiliares técnico o ano todo INF

Lâmina d'água total: cerca de 1,0 ha. Caso real para comparar: uma estação comercial de Rio Preto da Eva (AM) vendeu 1,2 milhão de alevinos de matrinxã em uma safra com 415 matrizes, 6 viveiros de plantel (6.200 m²) e 6 viveiros de alevinagem de 1.700 m² FV (Circular Técnica 33).

O que derruba um laboratório

5. Sanidade e quarentena

6. Transporte de alevino

Saco plástico duplo, de 60 L: um terço de água limpa, dois terços de oxigênio puro, boca fechada com elástico FV. Viajar à noite ou de madrugada. Peixe em jejum de 24 horas.

Sobrevivência de alevinos de tambaqui de 3 a 5 cm, medida 4 dias depois da viagem (em %) FV (Gomes 2003, citado no Manual Embrapa 2024):

Horas de viagem 25 por litro 50 por litro 75 por litro 100 por litro 125 por litro 150 por litro
3 98 97 90 80 70 40
6 97 96 85 75 40 25
9 96 90 80 50 30 15
12 90 85 70 35 20 10
18 78 65 30 20 8 3
24 50 25 15 5 0 0

Leitura para o Acre:

Na chegada: boiar o saco fechado por 10 minutos, abrir, misturar água do viveiro aos poucos e soltar com peneira FV.

7. O que medir e anotar

Lote, data, fornecedor, número da GTA, quantidade contada na chegada (contar pelo menos dois sacos), mortos por dia, peso a cada 15 dias, ração gasta, quantidade vendida, comprador. Sem esse caderno não se sabe a sobrevivência, e o preço do juvenil vira chute.