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02 — Investimento e custos: alevinagem de espécies nativas

Data-base: 03/10/2026. Preços em R$ de 2025–2026, salvo indicação. Quase todo preço de equipamento aqui é INF : não há cotação aberta posta no Acre. Antes de pedir crédito, tirar três cotações. São duas contas separadas. Não somar nem misturar. Preço do…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Preços em R$ de 2025–2026, salvo indicação. Quase todo preço de equipamento aqui é INF: não há cotação aberta posta no Acre. Antes de pedir crédito, tirar três cotações.

São duas contas separadas. Não somar nem misturar.

Preço do alevino: o que já se sabe

Referência R$ por milheiro R$ por unidade Marca
Acre, média de 2024 (R$ 2,584 mi ÷ 6.900 milheiros) 374 0,37 FV IBGE
Acre, média de 2025 (R$ 3,220 mi ÷ 8.550 milheiros) 377 0,38 FV IBGE
Rio Branco, 2024 e 2025 350 e 360 0,35 e 0,36 FV IBGE
Cruzeiro do Sul, 2024 e 2025 450 e 440 0,45 e 0,44 FV IBGE
Rondônia, 2024 e 2025 340 e 337 0,34 FV IBGE
Alevino posto no Acre, faixa de trabalho 300 a 450 0,30 a 0,45 INF números-base
Matrinxã, referência para a Amazônia, 2024 500 0,50 FV relatório "Solução debaixo d'água"
Juvenil de 8 a 12 cm, varejo de Minas Gerais (curimatã, carpa) 2.500 a 3.000 2,50 a 3,00 FV tabela de produtor, acesso em 03/10/2026
Juvenil de 10 a 15 cm no Acre sem cotação 1,00 a 1,60 NE; faixa INF

O IBGE confirma a faixa de R$ 0,30 a 0,45 do números-base: o valor registrado no Acre fica entre R$ 0,35 e R$ 0,45 por unidade.

Base da faixa do juvenil INF: quem compra alevino de R$ 0,40 e perde 25% paga R$ 0,53 por peixe vivo (0,40 ÷ 0,75). Para levar esse peixe a 40 g gasta 40 g × 1,2 × R$ 8,00 por kg = R$ 0,38 de ração. Soma R$ 0,91, mais dois meses de trabalho e o risco. Por isso o juvenil vale de R$ 1,00 a R$ 1,60 para o comprador. Abaixo de R$ 1,00 ele compra; acima de R$ 1,60 ele volta ao alevino.

Escala A — berçário e recria (módulo de 1.000 m²)

Investimento

Item Qtd Unitário (R$) Total (R$) Marca e base
Escavação de 2 viveiros de 500 m², com tubos 1.000 m² 7,00 por m² 7.000 INF; referência de R$ 48 mil por ha para viveiros de 0,3 ha; viveiro pequeno custa mais por m²
Tela contra pássaro, estacas e arame 1.000 m² 2,50 por m² 2.500 INF
Tanque de lona de 10 m³ com estrutura 1 2.500 2.500 INF; só o bolsão custa R$ 1.143 a 1.349 FV (anúncios de 2025)
Soprador de ar, mangueira e pedras 1 900 900 INF
Cilindro de oxigênio com regulador 1 2.200 2.200 INF
Rede de arrasto de malha 5 mm, 25 m 1 1.200 1.200 INF
Puçás, baldes, peneiras de classificação 1 conjunto 600 600 INF
Balança digital de 10 kg 1 250 250 INF
Kit de análise de água e termômetro 1 950 950 INF; compra pública orçou kit a R$ 3.000 FV
Caixa de transporte de 500 L 1 1.500 1.500 INF
Bomba d'água pequena e mangueira 1 1.200 1.200 INF
Documentos (cadastros, deslocamentos) 1 1.000 1.000 INF
Total, escavando 21.800

Conferência: 7.000 + 2.500 + 2.500 + 900 + 2.200 + 1.200 + 600 + 250 + 950 + 1.500 + 1.200 + 1.000 = 21.800.

Com viveiro que já existe e está parado: troca-se a escavação (R$ 7.000) por reforma (R$ 2.000). Total: 21.800 − 7.000 + 2.000 = R$ 16.800. É o caminho mais sensato: 22,9% da lâmina d'água do Acre está parada FV.

Custo de um lote (10.000 alevinos, 75 dias)

Item Conta R$ Marca
Alevinos 10.000 × R$ 0,40 4.000 INF; IBGE dá 0,35 a 0,45
Ração de 40% a 45% de proteína 300 kg de ganho × 1,2 = 360 kg × R$ 8,00 2.880 INF; referência de 2024 é R$ 5,86 a 6,31 por kg sem frete FV
Cal virgem, calcário, ureia, farelo preparo de 1.000 m² 450 INF
Sal 25 kg × R$ 2,00 50 INF
Sacos, elásticos e recarga de oxigênio cerca de 110 sacos + 1 recarga 475 INF
Energia do soprador e da bomba 150 INF
Idas ao Idaf para a GTA 100 INF; a GTA não tem taxa publicada
Total do lote 8.105

Conferência: 4.000 + 2.880 + 450 + 50 + 475 + 150 + 100 = 8.105. Ganho de peso: 8.000 × 40 g − 10.000 × 2 g = 320 − 20 = 300 kg.

Custo por juvenil vendido: 8.105 ÷ 8.000 = R$ 1,01. Alevino é 49% do custo (4.000 ÷ 8.105) e ração é 36% (2.880 ÷ 8.105).

Mão de obra da família: cerca de 2 horas por dia, 150 horas por lote. Não está na conta.

Custo fixo por ano

Depreciação: viveiros 7.000 ÷ 20 anos = 350; tela 2.500 ÷ 4 = 625; lona 2.500 ÷ 6 = 417; demais equipamentos (900 + 2.200 + 1.200 + 600 + 250 + 950 + 1.500 + 1.200 = 8.800) ÷ 6 = 1.467. Soma: R$ 2.859 por ano INF.

Resultado em três preços

Preço do juvenil Receita de 3 lotes Custo de 3 lotes Fixo Resultado no ano Por mês
R$ 1,00 24.000 24.315 2.859 −3.174 −265
R$ 1,30 31.200 24.315 2.859 4.026 336
R$ 1,60 38.400 24.315 2.859 11.226 936

Contas: 24.000 juvenis × preço; 3 × 8.105 = 24.315; resultado = receita − 24.315 − 2.859.

Com só 2 lotes no ano (o mais provável no primeiro ano): a R$ 1,30, 20.800 − 16.210 − 2.859 = R$ 1.731 (R$ 144 por mês); a R$ 1,60, 25.600 − 16.210 − 2.859 = R$ 6.531 (R$ 544 por mês).

Se a sobrevivência cair para 60%

Juvenis: 6.000 por lote. Ração cai para (240 − 20) × 1,2 × 8,00 = R$ 2.112; sacos, para R$ 356. Custo do lote: 4.000 + 2.112 + 450 + 50 + 356 + 150 + 100 = 7.218. Custo por juvenil: 7.218 ÷ 6.000 = R$ 1,20. A R$ 1,30 sobra R$ 0,10 por peixe: o ano fecha no zero. Sobrevivência é a variável que decide a Escala A.

Leitura honesta da Escala A

Dá de R$ 150 a R$ 950 por mês para uma família, com pouco trabalho diário. É complemento, não sustento. O ganho maior não aparece nesta conta: o grupo passa a povoar os próprios viveiros com juvenil quarentenado. Se a mortalidade na engorda cair de 20–30% para 5–10%, cada hectare ganha de 500 a 1.000 kg de peixe a mais por ciclo INF (5.000 peixes × 15 pontos de sobrevivência × 1,2 kg = 900 kg).

Segundo degrau: pós-larva em vez de alevino (conta paramétrica)

Lote: 100.000 pós-larvas em 1.000 m² (100 por m², a menor densidade da Embrapa). Sobrevivência de 40% INF → 40.000 alevinos de 4 g em 30 dias.

Preço de pós-larva posta no Acre: NE. Se custar bem menos que R$ 88 o milheiro, o lote dá muito mais que a recria. Mas uma noite de pássaro, um ataque de larva de libélula ou água sem plâncton zera o lote. Não é para começar.

Escala B — laboratório de reprodução induzida (1,5 milhão de alevinos por ano)

Investimento

Item Qtd Total (R$) Marca e base
Galpão do laboratório, 60 m², com piso e hidráulica 1 120.000 INF; R$ 2.000 por m²
Tanques de espera de matrizes (fibra, 2 a 5 m³) 3 10.000 INF
Incubadoras de 200 L, em funil 8 20.000 INF; R$ 2.500 cada
Poço, bomba, caixa elevada de 10 mil L, filtro 1 35.000 INF
Soprador de 1 CV e rede de ar 1 5.000 INF
Gerador de 8 a 10 kVA 1 12.000 INF; gerador de 5 kVA custa R$ 8 a 15 mil
Aparelhos: oxímetro (5.000), kit de água (3.000), microscópio (2.500), leitor e 150 microchips (3.000), balanças (1.800), geladeira (2.500), vidraria (1.500) 1 conjunto 19.300 oxímetro e kit: FV orçamento de compra pública de 2024; resto INF
Caixas de 5.000 L para alevino pronto 4 14.000 INF
Cilindros de oxigênio com regulador 3 6.600 INF
Viveiros: 9.000 m² + pulmão de 1.000 m², com entrada e saída individuais 1,0 ha 80.000 INF; R$ 8 por m²
Telas contra pássaro (6.000 m²) e telas finas 13.000 INF
Redes de malha fina, puçás, mesas, classificadores 8.000 INF
Formação do plantel (cerca de 150 peixes com origem) 15.000 INF; teste genético à parte NE
Caixa de transporte de 1.000 L com oxigênio 1 6.000 INF
Ligação de energia trifásica 1 15.000 INF
Projeto, licença, outorga, responsável técnico 20.000 INF
Total sem veículo 398.900

Conferência: 120.000 + 10.000 + 20.000 + 35.000 + 5.000 + 12.000 + 19.300 + 14.000 + 6.600 + 80.000 + 13.000 + 8.000 + 15.000 + 6.000 + 15.000 + 20.000 = 398.900.

Com caminhonete usada (R$ 90.000 INF): R$ 488.900. Capital de giro da primeira safra: mais R$ 100.000 INF. Ordem de grandeza: R$ 400 a 600 mil.

Para comparar: um laboratório privado de Rondônia, de 20 ha, custou R$ 1,5 milhão em 2006 FV (imprensa rural).

Custo por ano

Item Conta R$ Tipo
Técnico R$ 4.000 × 13,33 × 1,35 71.982 fixo INF
2 auxiliares 2 × R$ 1.621 × 13,33 × 1,35 58.342 fixo INF
Ração das matrizes 650 kg × 1% × 365 dias = 2.373 kg × R$ 5,50 13.049 fixo INF
Energia cerca de 6.700 kWh × R$ 1,05 7.000 fixo INF
Manutenção (2% do investimento) 8.000 fixo INF
Responsável técnico, taxas, contabilidade 8.000 fixo INF
Depreciação obras e viveiros 235.000 ÷ 20 + equipamentos 128.900 ÷ 7 30.164 fixo INF
Ração inicial 1,5 mi × 2 g = 3.000 kg × 1,3 × R$ 8,50 33.150 variável INF
Preparo dos viveiros 24 preparos × R$ 684 16.416 variável INF
Hormônio (hipófise de carpa) cerca de 2,1 g por safra 4.000 variável; preço NE, valor INF
Sacos, oxigênio, sal, material 12.000 variável INF
Combustível das entregas 15.000 variável INF
Total 277.103

Conferência: fixos = 71.982 + 58.342 + 13.049 + 7.000 + 8.000 + 8.000 + 30.164 = 196.537. Variáveis = 33.150 + 16.416 + 4.000 + 12.000 + 15.000 = 80.566. Soma = 277.103.

Preparo de um viveiro de 1.000 m²: 50 kg de cal virgem × 2,00 + 200 kg de calcário × 1,20 + 4 kg de ureia × 6,00 + 160 kg de farelo de arroz × 2,00 = 100 + 240 + 24 + 320 = R$ 684 INF.

Custo por alevino: 277.103 ÷ 1.500.000 = R$ 0,18. Variável: 80.566 ÷ 1.500.000 = R$ 0,054. A Embrapa calculou custo operacional de R$ 0,09 por alevino em laboratório grande com plantel sadio (2020) FV. O dobro aqui vem da escala pequena e do preço da ração no Acre.

Resultado conforme a venda e o preço (R$ por ano)

Venda no ano a R$ 0,30 a R$ 0,36 a R$ 0,45
1,5 milhão 172.897 262.897 397.897
1,0 milhão 49.752 109.752 199.752
0,8 milhão 494 48.494 120.494
0,5 milhão −73.392 −43.392 1.608

Conta de cada célula: quantidade × preço − 196.537 − quantidade × 0,0537. Exemplo: 1,0 mi × 0,30 = 300.000; − 196.537 − 53.711 = 49.752.

Quanto alevino o Acre precisa

Conta INF: peixe produzido ÷ 1,2 kg por peixe ÷ 75% de sobrevivência.

Região Peixe produzido (t) Alevinos por ano Alevino produzido na região (IBGE)
Acre inteiro, 2025 2.312 2,57 milhões 8,55 milhões
Baixo Acre, 2024 689 766 mil 5,0 milhões (Rio Branco)
Juruá, 2024 795 883 mil 1,6 milhão (Cruzeiro do Sul)
Alto Acre, 2024 487 541 mil zero
Tarauacá e Envira, 2024 242 269 mil 300 mil (Feijó)
Purus, 2024 75 83 mil zero

Peixe por região: soma de municípios feita no dossiê a partir do IBGE INF (sobre FV). Exemplo: 2.312.000 kg ÷ 1,2 ÷ 0,75 = 2.568.889.

Duas leituras:

  1. O estado registra 3,3 vezes mais alevino do que a despesca registrada pede (8,55 ÷ 2,57). Ou morre muito mais peixe do que se supõe, ou parte do alevino sai do estado, ou a produção de peixe é maior que a registrada. Ninguém mediu NE.
  2. Nenhuma região sem alevino próprio chega aos 800 mil do ponto de equilíbrio. O Alto Acre, a maior, pede cerca de 541 mil. Baixo Acre e Juruá já têm produtor.

Potencial, se toda a lâmina ativa fosse povoada com 5.000 alevinos por hectare: 4.986 ha × 5.000 = 24,9 milhões por ano. Os 1.478 ha parados pediriam mais 7,4 milhões INF. Esse mercado só aparece se o viveiro parado voltar a produzir, e isso depende de ração e de venda, não de alevino.

Quando vale mais comprar de Rondônia

Custo do alevino vivo no viveiro = (preço na origem + frete ÷ quantidade) ÷ sobrevivência na viagem.

Pedido Frete da viagem Chega vivo Custo por alevino vivo
9.000 R$ 800 96% (0,34 + 0,089) ÷ 0,96 = R$ 0,45
9.000 R$ 1.200 90% (0,34 + 0,133) ÷ 0,90 = R$ 0,53
20.000 R$ 1.200 90% (0,34 + 0,060) ÷ 0,90 = R$ 0,44
50.000 R$ 800 96% (0,34 + 0,016) ÷ 0,96 = R$ 0,37
50.000 R$ 1.200 90% (0,34 + 0,024) ÷ 0,90 = R$ 0,40

Preço de origem: R$ 0,34 FV (IBGE Rondônia 2024–2025). Frete de R$ 800 a 1.200 por viagem de caminhonete INF (dossiê). Sobrevivência de 90% a 96% em 9 horas FV (tabela de transporte).

Regra prática INF:

Conclusão da conta: com alevino a R$ 0,35 a 0,45 e oferta de 8,55 milhões no estado, construir laboratório novo para economizar no alevino não se justifica. O alevino é 1,5% a 4% do custo do peixe INF (síntese de estudos de campo de Rondônia e do Pará). O que falta é juvenil bom perto do criador (Escala A) e, no máximo, um laboratório regional reativado onde já exista compra firme de 0,8 milhão por ano.