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01 — Descrição técnica: matrinxã e policultivo de nativas
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. 1. O que é Esta ficha trata de três coisas no mesmo viveiro escavado de 0,5 ha: Opção A, matrinxã sozinha. A matrinxã (…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado.
1. O que é
Esta ficha trata de três coisas no mesmo viveiro escavado de 0,5 ha:
- Opção A, matrinxã sozinha. A matrinxã (Brycon amazonicus) é peixe nativo de escama, de carne clara, que o produtor acreano vende mais caro que o tambaqui.
- Opção B, policultivo. Tambaqui como peixe principal, com curimatã e piau no mesmo viveiro, e matrinxã em parte do lote onde houver mercado. Policultivo é criar juntas espécies que comem coisas diferentes.
- Tambatinga. Híbrido de fêmea de tambaqui com macho de pirapitinga. Entra aqui só para explicar por que não é recomendado.
2. Por que a matrinxã vale mais
| Espécie | Preço ao produtor no Acre em 2025 (R$ por kg) | Produção no Acre em 2025 (t) |
|---|---|---|
| Matrinxã | 18,28 | 193 |
| Piau | 17,22 | 297 |
| Curimatã | 16,14 | 297 |
| Tambaqui | 14,78 | 866 |
| Pirapitinga | 14,15 | 374 |
| Tambacu e tambatinga | 13,66 | 206 |
Fonte: IBGE/SIDRA, tabela 3940, valor da produção dividido pela quantidade FV. Exemplo: matrinxã, R$ 3.523 mil ÷ 192.775 kg = R$ 18,28.
- A matrinxã vale 24% a mais que o tambaqui na porteira (18,28 ÷ 14,78). Em 2024 a diferença era de 15% (17,36 contra 15,07) FV.
- Quase toda a matrinxã do Acre sai do Juruá: Cruzeiro do Sul 82,0 t, Mâncio Lima 68,0 t, Rodrigues Alves 22,5 t, Porto Walter 9,6 t e Marechal Thaumaturgo 8,2 t somam 190,3 das 192,8 t de 2025 FV. No Baixo e no Alto Acre o IBGE não registra matrinxã.
- A carne é apreciada, e o peixe é brigador: serve também a pesque-pague FV (Embrapa/INPA, Circular Técnica 33).
- No Amazonas é a segunda espécie mais criada FV.
3. O que a matrinxã exige
| Exigência | O que a fonte diz | Marca |
|---|---|---|
| Oxigênio | Desejável de 4 a 8 mg/L. Nas barragens da Embrapa a manhã ficou entre 2,3 e 5,8 mg/L, com 5% de troca de água por dia, e o peixe cresceu bem | FV Embrapa Amazônia Ocidental, Documentos 31 |
| Menos resistente que o tambaqui | O tambaqui aguenta menos de 1 mg/L porque respira na flor d'água. A matrinxã não tem essa defesa | FV para o tambaqui; comparação INF |
| Proteína na ração | 34% a 36% na recria; 28% na engorda. Só a fase jovem pede ração mais forte; na engorda é a mesma do tambaqui | FV Documentos 31; Embrapa, cap. "Espécies" |
| Canibalismo | A larva come a irmã a partir de 30 a 36 horas de vida. Sobrevivência no viveiro de alevinagem: até 49% | FV Circular Técnica 33 |
| Alevino difícil | Oferta "muito abaixo da demanda" e só de setembro a fevereiro | FV Circular Técnica 33 |
| Alevino mais caro | R$ 0,50 a unidade (referência amazônica de 2024), contra R$ 0,20 a 0,35 do tambaqui | FV relatório "Solução debaixo d'água" |
| Salta | Pula da rede, da caixa e pela saída do viveiro. Tanque de laboratório é coberto com tela "para evitar que pulem" | FV Circular Técnica 33 |
| Come melhor à tarde | Maior consumo entre 15 h e 17 h | FV Acta Amazonica (UNESP) |
Doenças e parasitas próprios da matrinxã em viveiro: não foi aberta fonte nesta apuração NE.
4. Números de criação, com fonte
| Parâmetro | Valor medido | Onde e quando | Marca |
|---|---|---|---|
| Densidade na engorda | 5.200 juvenis de 100 g por hectare (0,52 por m²) | 11 barragens, 14,5 ha, Manaus e Rio Preto da Eva, 3 anos | FV Documentos 31 (2004) |
| Ciclo de engorda | 10 meses (305 dias) | idem | FV |
| Peso de abate | 1,5 kg | idem | FV |
| Conversão alimentar | 1,55 kg de ração por kg de peixe | idem | FV |
| Sobrevivência na engorda | 96,15% (5.000 de 5.200) | idem | FV |
| Ganho por hectare | 6.980 kg (5.000 × 1,5 − 520) | idem | FV |
| Ração gasta por hectare | 10,82 t (6.980 × 1,55) | idem | FV |
| Conversão em outros ensaios | 1,56 a 1,88 (viveiro, 1 a 5 peixes por m²); 2,04 a 2,17 (ração de 28%); 2,1 a 2,5 (tanques de 50 m²) | Amazonas e São Paulo | FV citados na Acta Amazonica |
| Ganho por dia | 2,8 a 3,2 g (peixe de 322 g, 1 por m²); 4 g com ração de 28% | idem | FV |
| Recria em berçário | 0,56 g → mais de 14 cm em 60 dias; 500 peixes por m³; conversão 1,31 a 1,35; sobrevivência de 78% a 92% | açude em Manaus, ração de 34% | FV Pesquisa Agropecuária Brasileira |
| Peso de abate praticado no Acre | 0,8 a 2,5 kg | Acre | FV relatório de 2024 |
| Custo de produção de referência | R$ 11,56 por kg (tambaqui: R$ 11,02) | Amazônia, 2024 | FV relatório de 2024 |
Adotado nesta ficha para o Acre INF: 5.200 juvenis por hectare; 1,2 kg no abate; conversão de 1,8; sobrevivência de 80% na recria e de 90% na engorda. É mais prudente que o resultado da Embrapa, porque o viveiro acreano médio não tem 5% de troca de água por dia.
Plano de ração da engorda (Embrapa) FV
| Período | Ração por dia (% do peso dos peixes) | Tratos |
|---|---|---|
| Dias 1 a 30 | 5% | 2 (7 h e 17h30) |
| Dias 31 a 60 | 3% | 2 |
| Dias 61 a 150 | 2% | 2 |
| Dias 151 a 305 | 1% | 1 |
Ração extrusada (que boia) de 28% de proteína. Pesar 3% do lote todo mês e refazer a conta.
5. Opção A — matrinxã em viveiro de 0,5 ha
- Recria (60 dias). 3.250 alevinos de 3 a 5 cm em dois berçários de tela de 6 m³ dentro do próprio viveiro (cerca de 270 por m³), cobertos. Ração de 34% a 36%, 4 tratos por dia. Saem 2.600 juvenis de 50 a 100 g (80%) INF (sobre parâmetros FV).
- Engorda (10 meses). 2.600 juvenis soltos nos 5.000 m² (0,52 por m²). Ração de 28% a 32%, plano da tabela acima.
- Despesca. 2.340 peixes (90%) de 1,2 kg = 2.808 kg. Equivale a 5,6 t por hectare.
- Água. Troca de 5% por dia quando houver água. Aerador de 1,5 cv de prontidão para a madrugada nos 2 últimos meses. Sem aerador e sem troca, o teto seguro de um viveiro é de 5 a 6 t por hectare FV (Senar); esta opção encosta nele.
- Contra o salto. Tela de 1 m de altura na saída; berçário coberto; na despesca, baixar a água e passar rede alta, de manhã cedo.
|
6. Opção B — policultivo
Quem come o quê
| Espécie | Onde fica | O que come | Recebe ração? | Marca |
|---|---|---|---|---|
| Tambaqui | Toda a coluna d'água | Ração, frutos, sementes; filtra plâncton | Sim, é o peixe principal | FV Embrapa |
| Curimatã | Fundo | Lodo, detrito, limo, resto de ração e fezes | Não | FV Embrapa, Manual 2024 |
| Piau | Meia-água e fundo | De tudo: ração, grão, resto vegetal | Sim, come a ração de 28% | INF dossiê |
| Matrinxã | Superfície; nada rápido | Ração, frutos, insetos e peixes pequenos | Sim; chega primeiro na ração | FV Embrapa, cap. "Espécies" |
A ideia: o tambaqui come a ração; a curimatã aproveita o que sobra no fundo, sem custo; o piau e a matrinxã entram pelo preço.
O que já foi medido
| Estudo | Proporção | Resultado | Marca |
|---|---|---|---|
| Embrapa Pesca e Aquicultura, viveiros de 600 m², publicado em dez/2025 | Metade tambaqui, metade curimba, em número de alevinos | 25% a mais de proteína por hectare com a mesma ração; tambaqui chegou a 1,8 kg sem prejuízo; a curimba ficou em 200 g (o ideal de venda é 500 g) | FV |
| INPA, duas represas de 6.500 e 1.500 m², 1986–87 | Matrinxã e jaraqui, 0,4 a 0,5 peixe por m² de cada | 3,7 e 3,4 t por hectare por ano, com ração de galinha de 18,5% de proteína | FV |
| Prática do Acre | Tambaqui ou pirapitinga com curimatã, piau e matrinxã | Proporções e ganho não medidos | NE |
Dois avisos honestos. A curimba do estudo da Embrapa é Prochilodus lineatus, do Sul; no Acre usa-se a curimatã nativa, e o ganho precisa ser medido aqui INF. E com metade do lote em curimba o peixe ficou pequeno demais para vender: a proporção boa para o mercado é menor.
Proporção adotada (por hectare) INF
| Espécie | Alevinos por hectare | No viveiro de 0,5 ha | Peso de abate esperado |
|---|---|---|---|
| Tambaqui | 4.500 | 2.250 | 1,5 kg |
| Curimatã | 1.500 (1 para cada 3 tambaquis) | 750 | 0,4 kg |
| Piau | 1.000 | 500 | 0,6 kg |
| Total | 7.000 | 3.500 |
Base: a Embrapa usou 4.000 tambaquis por hectare no ensaio de referência FV; o dossiê recomenda curimatã e piau como 10% a 20% da biomassa INF. Nesta proporção, curimatã e piau somam 480 kg em 3.349 kg, ou 14%.
Variante do Juruá: trocar 500 dos 2.250 tambaquis por 500 matrinxãs do mesmo tamanho ou menores. A matrinxã come peixe pequeno: nunca soltar matrinxã grande com alevino miúdo INF (sobre hábito alimentar FV).
Cuidados do policultivo:
- Curimatã demais revira o fundo e turva a água FV (Manual 2024). Não passar de 1 para cada 3 tambaquis.
- Na despesca, separar por espécie na hora. O preço é diferente.
- O ciclo é o do tambaqui: 10 a 12 meses. Curimatã e piau crescem devagar; o que não tiver peso volta para o ciclo seguinte.
7. Tambatinga: por que fica fora
- Cresce mais que o tambaqui só nos primeiros 120 dias. No fim do ciclo, o tambaqui puro pesa mais e rende mais filé FV (tese de 2016).
- Custa quase o mesmo para produzir (R$ 10,90 contra R$ 11,02 por kg) FV (relatório de 2024).
- No Acre vale menos: R$ 13,66 por kg, contra R$ 14,78 do tambaqui FV (IBGE 2025).
- Risco ambiental: o híbrido que foge cruza com o peixe do rio e "contamina" o estoque nativo; a Embrapa fala em risco de extinção local de populações FV (cap. "Espécies de peixe para piscicultura"). O tambaqui do rio já está na lista de ameaçadas.
- Regra: ver arquivo 04.
8. Rotina, água e sanidade
- Todo dia: temperatura e oxigênio às 7 h; olhar o consumo em 15 minutos; tirar mortos e anotar.
- Toda quinzena: pH, alcalinidade e dureza. Todo mês: amônia; pesagem de amostra FV (Documentos 31).
- Preparo: secar uma semana; limpar; cal virgem (a Embrapa usou 2 t por hectare no primeiro ano e 1 t nos seguintes) ou calcário conforme a acidez; encher.
- Chegada dos alevinos: boiar o saco de 5 a 15 minutos, misturar a água aos poucos, soltar FV.
- Quarentena: 3 semanas para todo lote novo FV (Embrapa). O berçário coberto faz esse papel.
- Banho de sal nas pesagens: a Embrapa usou água com sal por 15 minutos em todo peixe manuseado FV.
- Sem remédio: não há parasiticida registrado para peixe no Brasil FV. Prevenir.
9. Despesca e conservação
- Jejum de 24 horas. Despesca de manhã cedo.
- 2 kg de gelo por kg de peixe, em caixa térmica, camadas alternadas FV (Embrapa).
- Vender antes de despescar: não há frigorífico de pescado com inspeção federal no Acre e só uma unidade com inspeção estadual FV.
- Despescar em partes (300 a 500 kg por vez) para feira e encomenda.