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02 — Investimento e custos: matrinxã e policultivo de nativas
Data-base: 03/10/2026. Preços em R$ de 2025–2026, salvo indicação. Preço de equipamento sem cotação posta no Acre é INF . Viveiro de 0,5 ha (5.000 m²). Um ciclo por ano. São duas contas: Opção A (matrinxã sozinha) e Opção B (policultivo de tambaqui, curimatã…
Data-base: 03/10/2026. Preços em R$ de 2025–2026, salvo indicação. Preço de equipamento sem cotação posta no Acre é INF. Viveiro de 0,5 ha (5.000 m²). Um ciclo por ano.
São duas contas: Opção A (matrinxã sozinha) e Opção B (policultivo de tambaqui, curimatã e piau). Não somar.
1. Mercado e preços
Preço por espécie
| Espécie | Produtor, Acre, 2025 (IBGE) | Rio Branco, varejo (Ceasa, jun/2025) | Cruzeiro do Sul, feira (mar/2026) |
|---|---|---|---|
| Matrinxã | 18,28 (Cruzeiro do Sul: 19,00) | sem cotação NE | 24 |
| Piau | 17,22 (Cruzeiro do Sul: 19,00) | sem cotação NE | 25 |
| Curimatã | 16,14 (Rio Branco: 14,50) | 28 | sem cotação NE |
| Tambaqui | 14,78 | 22 | 24 |
| Pirapitinga | 14,15 | 25 | sem cotação NE |
| Tambacu e tambatinga | 13,66 | igual ao tambaqui INF | sem cotação NE |
Valores em R$ por kg, peixe inteiro. Coluna do produtor: valor da produção ÷ quantidade FV (IBGE). Varejo e feira: imprensa acreana FV.
Leituras:
- Matrinxã tem mercado provado no Juruá e não tem em Rio Branco. A feira de Cruzeiro do Sul vende a R$ 24. Em Rio Branco a imprensa registra "oferta local mínima" FV (abr/2025) e não há cotação.
- Curimatã vale mais no varejo de Rio Branco (R$ 28) do que o tambaqui (R$ 22). É o peixe "de graça" do policultivo.
- No Amazonas o produtor de matrinxã recebeu R$ 15,63 por kg em 2025; em Rondônia, R$ 13,19 FV (IBGE). O preço do Acre é o mais alto dos três.
A espinha em Y e a barreira do filé
- O tambaqui tem espinhas em forma de Y no lombo FV (Embrapa). Matrinxã, curimatã e piau também têm espinhas finas dentro da carne, e curimatã e piau são conhecidos por terem muitas INF (conhecimento comum; não aberto em fonte nesta apuração).
- Por isso o tambaqui é vendido inteiro ou em banda, costela e lombo, e não em filé limpo FV (Embrapa). Não há máquina de filetar consolidada para ele NE. A Embrapa pesquisa tambaqui sem espinha por edição de genes; ainda não chegou ao produtor FV (imprensa especializada, dez/2024).
- Na merenda, 54% das escolas apontam a espinha como a maior barreira ao peixe FV (pesquisa federal de nov/2025).
O produto "sem espinha" que a merenda já compra
- A rede estadual homologou em 07/04/2026 R$ 2,99 milhões em "pescado regional sem espinha, congelado", de duas cooperativas: 48.408 pacotes de 800 g, cerca de 38,7 t FV (PNCP, Credenciamento SEE 12/2025, item 44).
- Conta: 2.990.000 ÷ 48.408 = R$ 61,77 por pacote; ÷ 0,8 = R$ 77,21 por kg de produto INF (sobre números FV). É cinco vezes o preço do peixe inteiro na porteira.
- Espécie usada, rendimento e quanto a cooperativa paga ao criador: NE.
- Para o criador desta ficha: esse produto exige cozinha ou entreposto com inspeção (municipal ou estadual). Sozinho, ele vende peixe inteiro. A porta da merenda é a cooperativa (ver projeto 11 deste catálogo).
2. Investimento
| Item | Qtd | Total (R$) | Marca e base |
|---|---|---|---|
| Escavação e hidráulica de 0,5 ha | 5.000 m² | 24.000 | INF; R$ 48 mil por hectare no modelo familiar do dossiê |
| Aerador de 1,5 cv (chafariz), de prontidão | 1 | 2.350 | FV varejo de 2025–2026, sem frete |
| Rede de arrasto, caixas térmicas, balança, puçás | 1 conjunto | 4.500 | INF; metade do valor do modelo de 1 ha |
| Berçários de tela de 6 m³, cobertos (só Opção A) | 2 | 1.200 | INF |
| Tela alta na saída e cobertura contra salto (só Opção A) | 1 | 800 | INF |
| Kit de análise de água e termômetro | 1 | 900 | INF |
| Documentos (cadastros, deslocamentos, projeto simples) | 1 | 1.500 | INF |
| Total, Opção A, escavando | 35.250 | ||
| Total, Opção B, escavando | 33.250 | sem berçários e sem tela alta |
Conferência: A = 24.000 + 2.350 + 4.500 + 1.200 + 800 + 900 + 1.500 = 35.250. B = 35.250 − 1.200 − 800 = 33.250.
Com viveiro que já existe e está parado: reforma de R$ 5.000 no lugar da escavação. A = 35.250 − 24.000 + 5.000 = R$ 16.250. B = 33.250 − 24.000 + 5.000 = R$ 14.250.
Oxímetro não entra: fica com o técnico que atende o grupo.
Custo fixo por ano
- Opção A: depreciação do viveiro 24.000 ÷ 20 = 1.200; dos equipamentos (2.350 + 4.500 + 1.200 + 800 + 900 = 9.750) ÷ 5 = 1.950; juros de 2% sobre metade do investimento (35.250 ÷ 2 × 0,02) = 353. Soma: R$ 3.503 INF.
- Opção B: 1.200 + (2.350 + 4.500 + 900 = 7.750) ÷ 5 = 1.550; juros 33.250 ÷ 2 × 0,02 = 333. Soma: R$ 3.083 INF.
3. Opção A — matrinxã: custo de um ciclo (12 meses)
Produção: 3.250 alevinos × 80% = 2.600 juvenis; × 90% = 2.340 peixes; × 1,2 kg = 2.808 kg INF.
| Item | Conta | R$ | Marca |
|---|---|---|---|
| Alevinos | 3.250 × R$ 0,60 | 1.950 | INF; R$ 0,50 de referência FV + frete |
| Ração da recria, 34% a 36% | 300 kg × R$ 6,50 | 1.950 | INF |
| Ração da engorda, 28% a 32% | 4.814 kg × R$ 5,00 | 24.072 | INF; números-base: R$ 4,50 a 5,50 |
| Cal, calcário, adubo | 1 t de calcário a R$ 1.200 + R$ 300 | 1.500 | INF; calcário a R$ 600 a 2.000 por t |
| Energia do aerador | 60 noites × 8 h × 1,1 kW = 528 kWh × R$ 1,05 | 550 | INF |
| Gelo e diárias de despesca | 2.808 kg × R$ 0,40 | 1.123 | INF |
| Sal, manutenção, idas ao Idaf | 600 | INF | |
| Total do ciclo | 31.745 |
Conferência: 1.950 + 1.950 + 24.072 + 1.500 + 550 + 1.123 + 600 = 31.745. Ração total: 2.808 kg × 1,8 = 5.054 kg, mais 60 kg comidos por peixe que morreu = 5.114 kg; 300 na recria e 4.814 na engorda.
- Custo variável: 31.745 ÷ 2.808 = R$ 11,31 por kg.
- Custo total: (31.745 + 3.503) ÷ 2.808 = R$ 12,55 por kg. É o preço mínimo.
- Ração é 82% do custo do ciclo (26.022 ÷ 31.745).
- Mão de obra da família (1 a 2 horas por dia) não está na conta.
Resultado em três preços
Preços próprios da matrinxã: R$ 15 (atravessador), R$ 18 (média do produtor acreano, IBGE 2025) e R$ 22 (venda direta em feira; a feira de Cruzeiro do Sul cobrou R$ 24 em 2026).
| Preço | Receita | Custo do ciclo | Fixo | Renda no ano | Por mês |
|---|---|---|---|---|---|
| R$ 15 | 42.120 | 31.745 | 3.503 | 6.872 | 573 |
| R$ 18 | 50.544 | 31.745 | 3.503 | 15.296 | 1.275 |
| R$ 22 | 61.776 | 31.745 | 3.503 | 26.528 | 2.211 |
Contas: 2.808 × preço; renda = receita − 31.745 − 3.503.
- Ponto de equilíbrio a R$ 18: 3.503 ÷ (18 − 11,31) = 524 kg para cobrir o fixo; em preço, R$ 12,55 por kg.
- Prazo de retorno (R$ 35.250): a R$ 18, caixa de 15.296 + 3.150 de depreciação = 18.446 por ano → 1,9 ano; a R$ 22, 1,2 ano; a R$ 15, 3,5 anos.
- Dinheiro parado antes da primeira venda: R$ 31.745, por 12 meses.
E se der errado
| Cenário | Custo variável por kg | Renda a R$ 15 | Renda a R$ 18 | Renda a R$ 22 |
|---|---|---|---|---|
| Base | 11,31 | 6.872 | 15.296 | 26.528 |
| Conversão de 2,3 em vez de 1,8 | 13,81 | −148 | 8.276 | 19.508 |
| Sobrevivência de 70% na engorda | 11,85 | 3.378 | 9.930 | 18.666 |
| Ração a R$ 6,00 por kg | 13,02 | 2.058 | 10.482 | 21.714 |
| Resultado da Embrapa (1,5 kg; 1,55; 96%) | 9,58 | 16.794 | 28.026 | 43.002 |
Todas INF. A linha da Embrapa mostra o teto: 3.744 kg no mesmo viveiro, com troca de água de 5% por dia.
4. Opção B — policultivo: custo de um ciclo (12 meses)
Produção INF:
- Tambaqui: 2.250 × 85% = 1.912 peixes × 1,5 kg = 2.869 kg.
- Curimatã: 750 × 80% = 600 × 0,4 kg = 240 kg.
- Piau: 500 × 80% = 400 × 0,6 kg = 240 kg.
- Total: 3.349 kg (6,7 t por hectare). São 17% a mais que o tambaqui sozinho (480 ÷ 2.869). A Embrapa mediu 25% a mais de proteína com metade do lote em curimba FV; aqui a proporção de curimatã é menor, e o ganho adotado também.
| Item | Conta | R$ | Marca |
|---|---|---|---|
| Alevinos | 2.250 × 0,40 + 750 × 0,60 + 500 × 0,50 | 1.600 | INF; curimatã e piau: R$ 0,45 e 0,38 em Minas Gerais FV + frete |
| Ração | (2.869 + 240) × 1,8 = 5.596 kg × R$ 5,00 + R$ 300 de ração inicial | 28.279 | INF; a curimatã não recebe ração |
| Cal, calcário, adubo | 1.500 | INF | |
| Energia do aerador | 550 | INF | |
| Gelo e diárias de despesca | 3.349 kg × R$ 0,40 | 1.340 | INF |
| Sal, manutenção, idas ao Idaf | 600 | INF | |
| Total do ciclo | 33.868 |
Conferência: 1.600 + 28.279 + 1.500 + 550 + 1.340 + 600 = 33.869 (diferença de R$ 1 por arredondamento; uso 33.868).
- Custo variável: 33.868 ÷ 3.349 = R$ 10,11 por kg. Custo total: (33.868 + 3.083) ÷ 3.349 = R$ 11,03 por kg.
Resultado em três cenários de preço
| Cenário | Tambaqui | Curimatã | Piau | Receita | Renda no ano | Por mês |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Atravessador | 12 | 13 | 13 | 40.665 | 3.714 | 310 |
| Média do produtor (IBGE 2025) | 14,78 | 16,14 | 17,22 | 50.407 | 13.456 | 1.121 |
| Venda direta | 18 | 20 | 20 | 61.238 | 24.287 | 2.024 |
Contas. Atravessador: 2.869 × 12 + 240 × 13 + 240 × 13 = 34.425 + 3.120 + 3.120 = 40.665; − 33.868 − 3.083 = 3.714. Média: 42.400 + 3.874 + 4.133 = 50.407. Venda direta: 51.638 + 4.800 + 4.800 = 61.238. (Tambaqui: 2.868,75 kg antes de arredondar.)
- Prazo de retorno (R$ 33.250) no cenário médio: caixa de 13.456 + 2.750 = 16.206 por ano → 2,1 anos.
- Dinheiro parado antes da primeira venda: R$ 33.868.
Quanto o policultivo acrescenta ao tambaqui sozinho
Mesmo viveiro, só os 2.250 tambaquis: ração de 5.164 kg; custo do ciclo de R$ 30.816 (R$ 10,74 por kg; o dossiê chegou a R$ 10,75 no modelo familiar de 1 ha); produção de 2.869 kg.
| Cenário | Renda só com tambaqui | Renda com policultivo | Diferença no ano |
|---|---|---|---|
| Atravessador | 526 | 3.714 | + 3.188 |
| Média do produtor | 8.501 | 13.456 | + 4.955 |
| Venda direta | 17.739 | 24.287 | + 6.548 |
Contas da primeira coluna: 34.425 − 30.816 − 3.083 = 526; 42.400 − 30.816 − 3.083 = 8.501; 51.638 − 30.816 − 3.083 = 17.739.
O policultivo acrescenta R$ 3 mil a 6,5 mil por ano em 0,5 ha, gastando R$ 700 a mais em alevinos e R$ 2.160 a mais em ração do piau INF. Ao atravessador, é a diferença entre empatar e sobrar alguma coisa.
5. O que mais pesa e como reduzir
- Ração: 82% do custo. Compra coletiva em carreta (meta de R$ 4,20 por kg no dossiê INF) baixa o custo em cerca de R$ 1,40 por kg de peixe (0,80 × 1,8). Pesar todo mês e não dar ração "no olho".
- Preço de venda. De R$ 15 para R$ 18 a renda da matrinxã mais que dobra (6.872 → 15.296). Vender direto, em partes, com gelo.
- Sobrevivência. Juvenil de berçário, quarentena, tela contra salto.
- Curimatã. É o único quilo que não come ração.
- Viveiro existente. Corta o investimento pela metade (R$ 16.250 em vez de R$ 35.250).
6. Comparação rápida das opções em 0,5 ha
| Opção | Produção (kg) | Custo total por kg | Renda por mês, preço médio | Risco |
|---|---|---|---|---|
| Tambaqui sozinho | 2.869 | 11,82 | 708 | baixo |
| Policultivo (B) | 3.349 | 11,03 | 1.121 | baixo |
| Matrinxã (A) | 2.808 | 12,55 | 1.275 | alto: alevino, oxigênio, salto, mercado só no Juruá |
Tambaqui sozinho: (30.816 + 3.083) ÷ 2.869 = 11,82; 8.501 ÷ 12 = 708. Todas as linhas INF.
A matrinxã rende só R$ 154 por mês a mais que o policultivo, com muito mais risco. O policultivo é a regra; a matrinxã sozinha é para o Juruá e para quem já domina o tambaqui.