Dossiê PescaPolíticas públicas para pescadores

Início›Projetos›16 Adubo e complementos›Levantamento: oferta de cama no Acre

Pesquisa: oferta de cama de frango e de esterco de poedeira no Acre

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta, com link na seção de fontes; INF estimativa ou conta desta pesquisa, com a conta à mostra; NE buscado e não encontrado. Escopo. Este arquivo mede a oferta, o preço, a logística e as regras de…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta, com link na seção de fontes; INF estimativa ou conta desta pesquisa, com a conta à mostra; NE buscado e não encontrado.

Escopo. Este arquivo mede a oferta, o preço, a logística e as regras de trânsito e venda. A técnica de adubação do viveiro (dose, cura, risco para o peixe) está em pesquisa-cama-tecnica-viveiro.md, nesta pasta. A dose usada aqui, de 1 a 3 t de cama curtida por hectare por ciclo, veio do pedido. O outro arquivo pode mudá-la.

Aviso de leitura. O plantel é do IBGE e é FV. Os coeficientes de cama e de esterco por ave são FV na literatura. As toneladas do Acre são INF: ninguém mede a cama que sai dos aviários do estado. O preço da cama no Acre e o destino exato que as granjas dão a ela não foram encontrados NE. As regras de trânsito e de venda são FV, lidas no texto das normas.

Resumo em uma tabela

Pergunta Resposta Marca
Cama de frango de corte gerada por ano no Acre 3.473 a 8.232 t, matéria natural; 2.431 a 6.174 t de matéria seca INF
Onde Brasiléia (70%) e Epitaciolândia (30%), a 5 km uma da outra INF sobre plantel FV
Esterco de poedeira gerado por ano 11.340 a 17.182 t fresco; 2.268 a 4.295 t de matéria seca INF
Onde Senador Guiomard (82%), Cruzeiro do Sul (14%), Rio Branco (4%) INF
Hectares de viveiro que a cama aduba, a 3 t por hectare 1.158 a 2.744 ha: 23% a 55% dos 4.986 ha ativos INF
Hectares de viveiro que a cama aduba, a 1 t por hectare 3.473 a 8.232 ha: 70% a 165% dos ativos INF
Preço da cama na granja, outros estados R$ 150 a 450 por t a granel; mediana de R$ 280 FV anúncios de 03/10/2026
Preço da cama na granja, Acre NE
Frete de Brasiléia a Rio Branco (231 km) R$ 69 a 92 por t INF
Cama de outro estado pode entrar no Acre? Não. É proibido. FV Portaria do Idaf nº 18/2023, art. 9º
Venda direta do avicultor ao piscicultor exige registro de fertilizante? Não. Está dispensada. FV Decreto 4.954/2004, art. 18
O que as granjas fazem hoje com a cama Aduba pasto e lavoura perto dos aviários de Brasiléia; a prefeitura ajuda no transporte FV duas notícias; volume e preço NE

1. Cama de frango de corte: quanto o Acre gera por ano

1.1 Plantel do IBGE por município

Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 3939, efetivo em 31/12 FV.

Município Galináceos, total 2023 2024 2025 Galinhas 2025 Galinhas no total
Senador Guiomard 422.952 474.144 533.525 324.461 60,8%
Brasiléia 386.130 392.130 434.287 34.744 8,0%
Rio Branco 251.852 253.052 250.312 71.234 28,5%
Cruzeiro do Sul 197.676 183.155 213.600 86.682 40,6%
Epitaciolândia 247.011 234.660 196.403 17.676 9,0%
Tarauacá 180.000 193.200 194.500 46.680 24,0%
Feijó 157.000 158.500 161.700 38.808 24,0%
Sena Madureira 110.291 113.433 115.645 27.755 24,0%
Mâncio Lima 74.909 76.407 103.000 28.350 27,5%
Xapuri 82.574 80.923 83.470 20.949 25,1%
Assis Brasil 50.000 52.000 53.558 12.854 24,0%
Bujari 73.387 73.578 75.578 18.895 25,0%

Leitura INF.

  1. Onde não há granja, a galinha é 24% a 25% do total. É o padrão da criação de quintal.
  2. Brasiléia e Epitaciolândia têm 8% e 9%. Sobra frango: é o plantel de corte integrado ao abatedouro de Brasiléia.
  3. Senador Guiomard e Cruzeiro do Sul têm 61% e 41%. Sobra galinha: é a postura comercial.
  4. Nenhum outro município foge do padrão de quintal. Não identifiquei frango de corte industrial fora do Alto Acre.
  5. O plantel de Brasiléia cresceu 12,5% de 2023 a 2025 (386.130 para 434.287). O de Epitaciolândia caiu 20,5% (247.011 para 196.403). A soma dos dois ficou parada: 633.141, 626.790 e 630.690.

1.2 Quantos frangos de corte estão alojados

O IBGE não separa frango de corte de frango de quintal. Faço duas contas.

Município Conta alta: total menos galinhas Conta baixa: total menos 4 vezes as galinhas
Brasiléia 434.287 − 34.744 = 399.543 434.287 − 138.976 = 295.311
Epitaciolândia 196.403 − 17.676 = 178.727 196.403 − 70.704 = 125.699
Soma 578.270 421.010

A conta alta trata tudo o que não é galinha como frango de corte INF. A conta baixa tira o quintal inteiro: se a galinha é 25% do quintal, o quintal é 4 vezes as galinhas INF. O arquivo de avicultura (projeto 15) usa 630.690, que é o total dos dois municípios com as galinhas dentro. Aqui desconto as galinhas, porque galinha de quintal não gera cama de aviário.

Conferência. A fase de 2011 e 2012 tinha 25 integrados com aviários de 20 mil aves: 25 × 20.000 = 500.000 aves alojadas FV (os dois números no arquivo de avicultura; INF a multiplicação). Fica dentro da faixa de 421 mil a 578 mil.

1.3 Coeficiente de cama por ave

Fonte Coeficiente Base Marca
Embrapa Suínos e Aves, capítulo sobre a cama de aves (2011). Aviário de 1.200 m², 14.500 pintos, cama reusada por 6 lotes. A renda com a cama é de R$ 1.100 por lote a R$ 50 por t: 22 t por lote. 22.000 kg ÷ 14.500 aves = 1,52 kg por ave alojada matéria natural FV os dados; INF a divisão
Cartilha de um instituto federal de Minas Gerais (2023) 1,5 kg por ave por lote, em média matéria natural FV
Tese da universidade estadual paulista (2008), citando estudo de 2003 2,19 kg por frango matéria natural FV
Mesma tese 1,75 kg por frango em 42 dias matéria seca FV
Estudo de 2005 citado na tese, 1º lote, 10 a 22 aves por m² 1,727 a 1,124 kg por ave matéria seca FV
Mesmo estudo, 2º lote na mesma cama 1,205 a 0,774 kg por ave matéria seca FV
Estudo de 1997 citado na tese 0,521 kg de cama seca por kg de frango vivo com 1 lote; 0,439 com 2 lotes matéria seca FV
Umidade da cama ao sair 21% a 39% nos ensaios; 25% a 30% nas tabelas de adubação FV

Reuso. A Embrapa diz que a cama se reusa em geral por 6 lotes seguidos, e pode chegar a 12 FV. Cada lote soma esterco à mesma cama. Por isso o coeficiente por ave cai com o reuso e o teor de nutrientes sobe.

Adotado INF:

Item Faixa baixa Faixa alta
Cama por ave alojada, matéria natural 1,5 kg 2,19 kg
Matéria seca da cama 70% 75%
Cama por ave alojada, matéria seca 1,05 kg 1,64 kg
Lotes por aviário por ano 5,5 (o mesmo do arquivo de avicultura) 6,5 (365 ÷ 56 dias: 42 de criação mais 14 de intervalo)

1.4 A conta por município

Município Aves alojadas Lotes Aves por ano kg por ave Cama por ano, matéria natural Matéria seca
Brasiléia, baixa 295.311 5,5 1.624.210 1,5 2.436 t 1.705 t
Brasiléia, alta 399.543 6,5 2.597.030 2,19 5.687 t 4.266 t
Epitaciolândia, baixa 125.699 5,5 691.344 1,5 1.037 t 726 t
Epitaciolândia, alta 178.727 6,5 1.161.726 2,19 2.544 t 1.908 t
Acre, baixa 421.010 2.315.555 3.473 t 2.431 t
Acre, alta 578.270 3.758.755 8.232 t 6.174 t
Demais 20 municípios sem aviário industrial de corte identificado 0 0

Tudo INF. Um valor de centro: 500.000 aves × 6 lotes × 1,75 kg = 5.250 t por ano INF.

Conferência pelo abate antigo: 12 mil frangos por dia × 250 dias = 3,0 milhões por ano FV (no arquivo de avicultura). A 1,5 kg dá 4.500 t. A 2,19 kg dá 6.570 t INF. As duas ficam dentro da faixa.

1.5 Limites desta conta

  1. O efetivo do IBGE é a foto de 31/12. Aviário vazio nesse dia não entra. A conta pode estar baixa INF.
  2. O abate atual é sigilo estatístico, porque há um só abatedouro FV (no arquivo de avicultura). Não dá para conferir a conta pelo abate de 2025 NE.
  3. Os integrados perderam a venda para a merenda estadual em 2026 FV (no arquivo de avicultura). Se o alojamento caiu em 2026, a cama caiu junto. O efetivo de 2026 só sai em 2027 NE.
  4. A cama sai aos poucos. Com reuso de 6 lotes, cada aviário limpa o galpão cerca de uma vez por ano. Um aviário de 20 mil aves solta 20.000 × 1,5 kg × 6 lotes = 180 t de uma vez INF.
  5. Quantos lotes a integradora do Alto Acre reusa a cama e qual material ela usa (maravalha, casca de arroz, palha) não foram encontrados NE.

2. Esterco de poedeira: quanto o Acre gera por ano

É outro produto. Não tem maravalha. Sai mais úmido. Tem muito cálcio, por causa do calcário da ração de postura.

2.1 Quantas poedeiras comerciais, por município

O IBGE publica o total do estado: 4 granjas com 10 mil poedeiras ou mais, 392.283 aves no 2º trimestre de 2026 FV (tabela 7524, no arquivo de avicultura). Por município não publica. A maior empresa tem unidades em Senador Guiomard e em Cruzeiro do Sul, com 400 mil aves nas duas FV (maio de 2025).

Separo a galinha de granja da galinha de quintal com a mesma regra dos 25% INF. Se L é a galinha de granja: galinhas = L + 25% × (total − L). Logo L = (galinhas − 0,25 × total) ÷ 0,75.

Município Conta Poedeiras de granja, faixa baixa Parte Faixa alta: 392.283 repartidas na mesma proporção
Senador Guiomard (324.461 − 133.381) ÷ 0,75 254.773 82,0% 321.681
Cruzeiro do Sul (86.682 − 53.400) ÷ 0,75 44.376 14,3% 56.030
Rio Branco (71.234 − 62.578) ÷ 0,75 11.541 3,7% 14.572
Acre 310.690 100% 392.283

A faixa baixa fica baixa de propósito: trata como quintal as frangas em recria da própria granja INF. O número de Rio Branco é pequeno e pode ser ruído da conta. Onde ficam as outras granjas grandes, fora as duas unidades da maior empresa, não foi encontrado NE.

2.2 Coeficiente de esterco por ave

Item Valor Marca
Esterco fresco de poedeira confinada 100.000 aves geram cerca de 12 t por dia: 120 g por ave por dia FV artigo de revista de engenharia agrícola, citando manual clássico de avicultura
Faixa baixa adotada 100 g por ave por dia INF desconto de 17% para ave que come menos no calor; sem medida local
Umidade do esterco fresco cerca de 80% FV Embrapa, documento sobre cama de aviário
Matéria seca adotada do esterco fresco 20% (baixa) e 25% (alta) INF
Matéria seca das fezes colhidas sob a gaiola, já parcialmente secas 62% FV ensaio publicado em revista da Embrapa
Matéria seca da "cama de poedeira" nas tabelas de adubação 72% FV

2.3 A conta por município

Município Aves g por dia Esterco fresco por ano Matéria seca Equivalente seco ao ar, com 70% de matéria seca
Senador Guiomard, baixa 254.773 100 9.299 t 1.860 t 2.657 t
Senador Guiomard, alta 321.681 120 14.090 t 3.522 t 5.032 t
Cruzeiro do Sul, baixa 44.376 100 1.620 t 324 t 463 t
Cruzeiro do Sul, alta 56.030 120 2.454 t 614 t 876 t
Rio Branco, baixa 11.541 100 421 t 84 t 120 t
Rio Branco, alta 14.572 120 638 t 160 t 228 t
Acre, baixa 310.690 11.340 t 2.268 t 3.240 t
Acre, alta 392.283 17.182 t 4.295 t 6.136 t

Contas INF: aves × gramas × 365 ÷ 1.000.000; matéria seca a 20% na baixa e 25% na alta; equivalente seco ao ar = matéria seca ÷ 0,70. A última coluna não desconta a perda de massa na estocagem. O esterco parado perde nitrogênio como amônia FV.

Se as granjas do Acre criam em gaiola ou em piso não foi encontrado NE. Em piso, o produto é cama de poedeira, e não esterco puro.

3. Teor de nutrientes

Valores em % da matéria seca, salvo indicação.

Material Carbono N P2O5 K2O Cálcio Matéria seca C:N Marca e fonte
Cama de frango, 3 a 4 lotes 30 3,2 3,5 2,5 4,0 75% 9,4 FV tabela do manual de adubação do Sul; INF C:N = 30 ÷ 3,2
Cama de frango, 5 a 6 lotes 28 3,5 3,8 3,0 4,2 75% 8,0 FV idem; INF 28 ÷ 3,5
Cama de frango, 7 a 8 lotes 25 3,8 4,0 3,5 4,5 75% 6,6 FV idem; INF 25 ÷ 3,8
Cama de frango, 6 lotes 3,5 4,0 3,0 70% FV Embrapa
Cama de frango, concentração baixa e alta usadas pela Embrapa 2,5 a 3,5 1,9 a 4,0 2,2 a 3,0 FV Embrapa, Santa Catarina, 2010
Cama de frango, "média aproximada" 3 3 2 FV Embrapa
Cama de poedeira 30 1,6 4,9 1,9 14,4 72% 18,8 FV manual do Sul; INF 30 ÷ 1,6
Esterco fresco de poedeira confinada cerca de 24 cerca de 7 2,8 a 4,3 FV artigo de engenharia agrícola
Esterco de poedeira curtido, tirado do aviário 6,2 1,08 5,15 2,80 17,2 72,6% 5,8 FV artigo de Minas Gerais: P 2,25% e K 2,32%; INF P × 2,29 e K × 1,205

Leitura.

  1. A cama de frango é um adubo perto de 3-3-2. A tonelada com 75% de matéria seca leva 750 kg × 3,5% = 26 kg de N, 750 × 3,8% = 28,5 kg de P2O5 e 750 × 3,0% = 22,5 kg de K2O INF (linha de 5 a 6 lotes).
  2. O esterco fresco de poedeira tem o dobro do nitrogênio (7%) e C:N de 3 a 4. Perde nitrogênio rápido. O curtido chega a 1% de N.
  3. Cama e esterco de poedeira têm 3 a 4 vezes mais cálcio que a cama de frango.
  4. Do nitrogênio total, cerca de 25% está em forma mineral na cama de frango e 15% na cama de poedeira FV.
  5. A Embrapa manda analisar cada lote de cama antes de dosar: o teor muda com o material, o número de lotes e a ração FV.
  6. Nenhuma análise de cama ou de esterco de granja acreana foi encontrada NE.

4. O que as granjas do Acre fazem hoje com a cama e o esterco

Achado Marca
Em janeiro de 2019 a prefeitura de Brasiléia fez "adubação de pastagem com cama de frango" nos quilômetros 5 e 7 e no polo agroflorestal, dentro do plano agrícola municipal. FV
Em abril de 2025 o balanço de 100 dias da prefeitura de Brasiléia lista, na secretaria de agricultura, "transporte de adubo (cama de frango)". FV
Em 2020 um produtor de leite de Porto Acre adubou 2,7 ha de pasto reformado com cama de frango, num projeto de assistência técnica. FV
Em julho de 2025 um professor de solos disse, em evento em Rio Branco, que o Acre precisa usar "o esterco, a cama de frango, a compostagem", por estar longe dos centros de adubo. FV
Nenhuma cama entra de fora: o ingresso é proibido (seção 6). Toda cama usada no Acre é acreana. FV
Nas três páginas de classificados rurais que abri, com 66 anúncios de cama e de esterco (alguns repetidos), não havia vendedor do Acre nem de Rondônia. Os vendedores eram de São Paulo, Minas Gerais, Sul, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo. FV para as páginas vistas
Preço da cama e do esterco no Acre, por tonelada ou por saco NE
Para quem as granjas vendem ou doam, e quanto NE
O que a maior granja de postura faz com o esterco de 400 mil aves NE
Se sobra ou se falta NE
Estudo da Embrapa Acre sobre uso de cama de frango NE a base de publicações respondeu com erro

Leitura INF. No Alto Acre a cama já tem destino: pasto e lavoura dos vizinhos, com a prefeitura no transporte. O integrado é agricultor familiar com pasto. É provável que use a cama na própria área. Não há sinal de sobra jogada fora. O piscicultor que quiser cama vai disputar com o pasto e com o café. O esterco de postura de Senador Guiomard é a oferta menos conhecida e a mais perto dos viveiros.

Atenção ao uso em pasto. A norma federal só permite cama de aves em pastagem com incorporação ao solo, e o gado só volta 40 dias depois (seção 6) FV. A adubação de pasto noticiada precisa cumprir isso.

5. Preço em outros estados e frete até as regionais

5.1 Preço na origem, outros estados

Anúncios de classificados rurais vistos em 03/10/2026 FV (o anúncio; preço pedido, e não preço fechado).

Produto Local R$ por t
Cama de frango a granel Descalvado (SP) 150
Cama de frango a granel Cabreúva (SP) 170
Cama de frango a granel Flor da Serra do Sul (PR) 180
Cama de frango a granel Palmitinho (RS) 180,50
Cama de frango com dejeto suíno, compostada Encantado (RS) 185
Cama de frango e de peru, compostada Planalto Alegre (SC) 200
Cama de frango e esterco de galinha Rio Claro (SP) 250
Cama de frango Conceição da Feira (BA), Itatiba (SP), Jales (SP) 280
Cama de frango Marzagão (GO) 290
Cama de frango Lourdes (SP) 300
Cama de frango a granel Planaltina (DF) 380
Cama de frango Araguari (MG) 420
Cama de frango seca Paraopeba (MG) 450
Cama de frango ensacada Jequitibá (MG) 500
Cama de frango peletizada Maringá (PR) 690
Esterco de poedeira seco Harmonia (RS) 120
Esterco de galinha compostado São Ludgero (SC) 140
Esterco de poedeira Bastos (SP), Anhembi (SP) 240
Esterco de poedeira Promissão (SP), São Bento do Una (PE) 270
Esterco de poedeira Iacri, Jaú, Lençóis Paulista, Porto Ferreira (SP) 300
Esterco de galinha compostado Aparecida de Goiânia (GO) 418
Esterco de galinha em saco de 25 kg Carmo do Cajuru (MG) R$ 20 o saco: 800 por t
Adubo de cama de frango em saco Piratuba (SC) R$ 32 o saco

Resumo INF. Cama a granel: de R$ 150 a 450 por t; mediana dos 15 anúncios a granel, R$ 280. No Sul, R$ 180 a 200. Em São Paulo, R$ 150 a 300. Em Goiás, no Distrito Federal e em Minas, R$ 290 a 450. Esterco de poedeira: R$ 120 a 300 por t. Ensacado, o preço dobra ou triplica.

Referência antiga da Embrapa FV: em 2010, no Sul, o avicultor recebia de R$ 20 a 50 por t. O valor da cama como adubo, pelos nutrientes, era de R$ 145 a 236 por t. O frete comia de 10% a 60% desse valor.

5.2 Distâncias rodoviárias

Rota calculada por roteador público sobre o mapa aberto de ruas, em 03/10/2026 FV (o cálculo; a rota segue a BR-317 e a BR-364).

Origem Rio Branco Sena Madureira Feijó Tarauacá Cruzeiro do Sul Xapuri Bujari
Brasiléia 231 km 375 km 595 km 641 km 868 km 71 km 256 km
Epitaciolândia 228 km 372 km 592 km 638 km 864 km 68 km 254 km
Senador Guiomard 25 km 169 km 389 km 435 km 661 km 162 km 50 km
Cruzeiro do Sul 636 km 496 km 276 km 229 km 0 823 km 612 km

5.3 Frete por tonelada

Frete de R$ 0,30 a 0,40 por tonelada por km, dado pelo pedido. Sem cotação de transportadora do Acre INF.

Origem e destino km R$ por t a 0,30 R$ por t a 0,40
Brasiléia a Xapuri 71 21 28
Brasiléia a Rio Branco 231 69 92
Brasiléia a Sena Madureira 375 113 150
Brasiléia a Feijó 595 179 238
Brasiléia a Tarauacá 641 192 256
Brasiléia a Cruzeiro do Sul 868 260 347
Epitaciolândia a Rio Branco 228 68 91
Epitaciolândia a Sena Madureira 372 112 149
Epitaciolândia a Feijó 592 178 237
Epitaciolândia a Tarauacá 638 191 255
Epitaciolândia a Cruzeiro do Sul 864 259 346
Senador Guiomard a Rio Branco 25 8 10
Senador Guiomard a Sena Madureira 169 51 68
Senador Guiomard a Feijó 389 117 156
Senador Guiomard a Tarauacá 435 131 174
Senador Guiomard a Cruzeiro do Sul 661 198 264

Ressalvas INF.

  1. Em viagem curta, o frete por km é mais caro que a tabela: o caminhão cobra a saída. Os R$ 8 a 10 de Senador Guiomard a Rio Branco estão baixos.
  2. A cama é leve e ocupa volume. O caminhão enche antes de completar o peso. O frete real por tonelada sobe.
  3. A BR-364 depois de Sena Madureira tem trechos precários no inverno. O frete para Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul não é confiável o ano todo.
  4. A carga volta vazia, a menos que o caminhão que traz ração ou calcário leve a cama.

5.4 Cama posta no viveiro

Se a granja do Acre cobrar o que se cobra em outros estados (R$ 150 a 300 por t) INF (sem cotação local):

Destino da cama de Brasiléia Conta R$ por t posta Por hectare, a 1 t Por hectare, a 3 t
Xapuri 150 + 21 a 300 + 28 171 a 328 171 a 328 513 a 984
Rio Branco 150 + 69 a 300 + 92 219 a 392 219 a 392 657 a 1.176
Sena Madureira 150 + 113 a 300 + 150 263 a 450 263 a 450 789 a 1.350
Feijó 150 + 179 a 300 + 238 329 a 538 329 a 538 987 a 1.614
Tarauacá 150 + 192 a 300 + 256 342 a 556 342 a 556 1.026 a 1.668
Cruzeiro do Sul 150 + 260 a 300 + 347 410 a 647 410 a 647 1.230 a 1.941

Para Cruzeiro do Sul o frete passa do preço da cama. No Juruá a fonte lógica é o esterco da unidade de postura local, e não a cama do Alto Acre.

6. Regras de trânsito, de uso e de venda

Tema O que a norma diz Artigo Marca
Cama de outro estado "É proibido o ingresso no Acre de cama de aviário ou esterco de aves, vísceras, penas, resíduos de incubatórios e despojos de abate de aves para qualquer finalidade, sob pena de destruição da carga ou de seu retorno à origem." Portaria do Idaf nº 18, de 17/01/2023, art. 9º FV
Trânsito de cama dentro do Acre A portaria "disciplina o trânsito de aves vivas, cama de aviário e demais subprodutos". Irregularidade no trânsito de cama pode levar ao rechaço da carga e a penalidades. A portaria não tem artigo que diga qual documento acompanha a cama dentro do estado. mesma portaria, arts. 1º e 11 FV o texto; NE o documento exigido na prática
Saída da cama do galpão Havendo problema sanitário, a cama fermenta por no mínimo 10 dias antes de sair do galpão, ou passa por outro método aprovado que inative agentes de doença. A cama só se reusa se o lote não teve problema sanitário. Instrução Normativa do Ministério da Agricultura nº 56/2007, art. 21, X FV
Destino do esterco A granja registrada adota procedimento adequado para o destino do esterco, de modo a garantir a biosseguridade. mesma norma, art. 21, V FV
Trânsito entre estados Proibido o trânsito interestadual de esterco e de cama de aviário para qualquer finalidade, salvo material tratado por método aprovado, com certificado de inspeção sanitária de veterinário credenciado que descreva o tratamento. Instrução Normativa da Secretaria de Defesa Agropecuária nº 17/2006, art. 11, § 8º; nº 56/2007, art. 26 FV
Foco de influenza aviária ou de Newcastle, área perifocal (3 km) Proibida a movimentação e a retirada de cama de aviário e de esterco. A retirada depende de autorização prévia do serviço veterinário oficial. Plano de contingência do Ministério, versão 1.0 de 2023, item 7.2 FV
Foco, área de vigilância (7 km) Proibida a retirada e o uso do esterco sem autorização do serviço veterinário oficial. mesmo plano, item 7.3 FV
Cama com origem em área de emergência Deve ser destruída no próprio estabelecimento, sempre que possível. Se o trânsito for estritamente necessário, só depois de fermentação ou compostagem conforme a norma nº 56/2007. Procedimento de trânsito do Ministério para influenza e Newcastle, item 4 FV
Classe de risco Cama e esterco estão na categoria de alto risco para controle de trânsito, junto com as aves. mesmo plano, quadro 1 FV
Situação do Acre Livre de influenza aviária e de Newcastle em fevereiro de 2026. arquivo de avicultura FV
Alimentação de ruminantes, regra federal Proibida a produção, a venda e o uso de produtos para ruminantes com proteína e gordura de origem animal. "Incluem-se nesta proibição a cama de aviário" e os resíduos da criação de suínos. Instrução Normativa do Ministério nº 8/2004, art. 1º e parágrafo único FV
Alimentação de ruminantes, regra estadual "É proibido em todo o território acreano utilizar cama de aviário" na alimentação de ruminantes. Portaria do Idaf nº 18/2023, art. 10 FV
Uso em pastagem Adubo com cama ou esterco de aves ou de suínos: uso em pastagem e capineira só com incorporação ao solo; pastoreio só 40 dias depois. O aviso "uso proibido na alimentação de ruminantes" e a ordem de guardar o produto fora do alcance desses animais vão na embalagem ou na nota. Instrução Normativa nº 61/2020, art. 17, § 8º FV
Norma antiga de pastagem A Instrução Normativa nº 25/2009, citada em muitos manuais, foi revogada pela nº 61/2020. A regra dos 40 dias continua. nº 61/2020, art. 29 FV
Registro de fertilizante: quem está dispensado "Ficam dispensados de registro" os "estercos e camas", "gerados e processados naturalmente, sem o uso de aditivos ou de outros componentes químicos por produtores rurais, quando utilizados para uso próprio em suas propriedades agrícolas ou quando comercializados diretamente com o consumidor final". Decreto nº 4.954/2004, art. 18 (texto no Planalto em 03/10/2026, já com as mudanças do decreto de 2026) FV
Idem, norma do Ministério Repete a dispensa e acrescenta a venda "com a finalidade de fabricação de fertilizantes orgânicos". Instrução Normativa nº 61/2020, art. 15, II FV
Nome na venda O material dispensado é vendido com o nome usual: "cama de frango", "esterco de galinha". Decreto nº 4.954/2004, art. 18, § 1º FV
Se for registrar como fertilizante orgânico simples "Estercos e camas": no mínimo 20% de carbono orgânico e 1% de nitrogênio total. Instrução Normativa nº 61/2020, art. 8º, I FV

O que isso quer dizer para o piscicultor INF.

  1. Comprar direto do avicultor é livre de registro. O avicultor é produtor rural, a cama é processada naturalmente e o piscicultor é o consumidor final.
  2. Revender não é. Quem compra cama para revender, ensacar ou misturar com aditivo vira comércio ou fábrica de fertilizante e cai no registro do decreto. Uma associação que compra para os próprios sócios usarem parece consumidor final, mas convém confirmar com a superintendência federal de agricultura no Acre.
  3. A cama só pode ser do Acre. Não adianta cotar cama de Rondônia: a entrada é proibida.
  4. A cura protege o comprador. A norma só obriga a fermentar quando houve problema sanitário no lote. O comprador deve exigir a cama fermentada e uma declaração do responsável técnico da granja sobre o lote de origem.
  5. Viveiro em fazenda de gado. O monte de cama fica cercado, longe do boi. Cama espalhada na beira do viveiro, com gado solto, fere a regra dos ruminantes.
  6. Um foco de influenza pára tudo. A cama fica presa na área de emergência. O projeto não pode depender só dela.

Não encontrado: qual documento o Idaf pede, na prática, para a carga de cama dentro do estado NE; se as normas de fertilizante tratam do uso em viveiro de peixe NE: a nº 61/2020 fala em produtos "destinados à agricultura".

7. A conta final: quantos hectares de viveiro a cama aduba

7.1 Hectares por dose

Cama de frango de corte, toda do Alto Acre. Hectares = toneladas ÷ dose. Parte dos ativos = hectares ÷ 4.986 INF.

Dose por hectare por ciclo Hectares, oferta baixa (3.473 t) Hectares, oferta alta (8.232 t) Parte dos 4.986 ha ativos
1 t 3.473 8.232 69,7% a 165,1%
2 t 1.737 4.116 34,8% a 82,5%
3 t 1.158 2.744 23,2% a 55,0%

A dose é de cama curtida. A cura em monte perde massa. Com perda de 20% INF (sem medida):

Dose por hectare por ciclo Hectares, baixa (2.779 t curtidas) Hectares, alta (6.585 t curtidas) Parte dos ativos
1 t 2.779 6.585 55,7% a 132,1%
2 t 1.389 3.293 27,9% a 66,0%
3 t 926 2.195 18,6% a 44,0%

Esterco de poedeira, em equivalente seco ao ar (3.240 a 6.136 t). A dose de esterco de poedeira não é a da cama: ele tem outro teor de nitrogênio e de cálcio. A conta abaixo usa a mesma faixa só para dar a ordem de grandeza INF.

Dose por hectare por ciclo Hectares, baixa Hectares, alta Parte dos ativos
1 t 3.240 6.136 65,0% a 123,1%
3 t 1.080 2.045 21,7% a 41,0%

Leitura INF. Se toda a cama fosse para viveiro, a 3 t por hectare ela adubaria de um quinto a metade da lâmina ativa do estado. A 1 t, adubaria quase tudo. Somando o esterco de postura, a oferta física cobre a lâmina ativa na dose baixa. Mas essa cama já tem dono: pasto e lavoura. A parte realmente livre para o peixe não foi medida NE.

O ciclo do tambaqui do projeto 13 dura 13 meses. A oferta é anual. Um ciclo consome 13 ÷ 12 = 1,08 ano de oferta: a diferença não muda a conclusão INF.

7.2 Por regional

Onde está o viveiro. O mapeamento por satélite publicou a lâmina de cinco municípios: Rio Branco 2.004 ha, Bujari 1.025, Senador Guiomard 521, Xapuri 352, Cruzeiro do Sul 332 FV (no dossiê de piscicultura). Somam 4.234 ha, ou 65,5% dos 6.465 ha. Os outros 2.231 ha não têm município publicado NE. A produção de peixe do IBGE em 2025 dá outro retrato: Alto Acre 528 t (22,8%), Baixo Acre 653 t (28,2%), Purus 73 t (3,2%), Tarauacá-Envira 248 t (10,7%), Juruá 811 t (35,1%), de 2.312 t FV (os dados, tabela 3940; INF a soma por regional). Brasiléia é o maior produtor de peixe do estado, com 386 t.

Regional Oferta local por ano Hectares que aduba a 1 t A 3 t Lâmina conhecida na regional Leitura
Alto Acre cama de corte: 3.473 a 8.232 t 3.473 a 8.232 1.158 a 2.744 Xapuri 352 ha; Brasiléia e Epitaciolândia NE, mas com 446 t de peixe por ano sobra oferta: a cama passa da lâmina da regional em qualquer dose
Baixo Acre esterco de postura, seco ao ar: 2.777 a 5.260 t (Senador Guiomard mais Rio Branco) 2.777 a 5.260 926 a 1.753 3.550 ha (Rio Branco, Bujari, Senador Guiomard), cerca de 2.737 ativos a 77,1% o esterco local cobre a lâmina ativa a 1 t e de um terço a dois terços a 3 t; a cama do Alto Acre chega a 205 a 256 km
Juruá esterco de postura, seco ao ar: 463 a 876 t (Cruzeiro do Sul) 463 a 876 154 a 292 Cruzeiro do Sul 332 ha, cerca de 256 ativos cobre Cruzeiro do Sul a 1 t; não cobre a regional toda, que produz 35% do peixe do estado
Purus nenhuma 0 0 NE depende de frete de 169 km (esterco) ou de 375 km (cama)
Tarauacá-Envira nenhuma 0 0 NE depende de frete de 229 a 276 km desde Cruzeiro do Sul, ou de 389 a 641 km desde o leste

Tudo INF. O Baixo Acre soma 9.299 + 421 = 9.720 t frescas na baixa, que viram 9.720 × 20% ÷ 0,70 = 2.777 t secas ao ar; na alta, (14.090 + 638) × 25% ÷ 0,70 = 5.260 t.

7.3 Quanto da oferta fica a até 100 km e a até 250 km de viveiro

Oferta Até 100 km Até 250 km Fora de 250 km
Cama de corte (Brasiléia e Epitaciolândia): 100% da cama do estado viveiros de Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri (68 a 71 km): 352 ha de lâmina conhecida e 22,3% do peixe do estado entram Assis Brasil (115 km), Capixaba (151), Senador Guiomard (207) e Rio Branco (231): 2.877 ha de lâmina conhecida (44,5% do estado) e 36,0% do peixe Bujari fica a 256 km, por 6 km; Sena Madureira a 375; Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul a 595 a 868
Esterco de postura de Senador Guiomard e Rio Branco: 86% do esterco do estado Senador Guiomard, Rio Branco (25 km), Bujari (50), Capixaba (56), Plácido de Castro (74), Porto Acre (88): 3.550 ha de lâmina conhecida (54,9% do estado) entram Acrelândia (112), Xapuri (162), Sena Madureira (169), Brasiléia (207) Feijó (389), Tarauacá (435), Cruzeiro do Sul (661)
Esterco de postura de Cruzeiro do Sul: 14% Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves (15 km), Mâncio Lima (35): 332 ha de lâmina conhecida entra Tarauacá (229) Feijó (276)

Resposta direta INF. Toda a cama de corte está a até 100 km de viveiro, porque o Alto Acre tem piscicultura ao lado dos aviários. Toda ela está a até 250 km de Rio Branco. Nenhuma está a menos de 370 km do Purus, do Tarauacá-Envira ou do Juruá. O esterco de postura inverte o mapa: 86% dele está a até 100 km de mais da metade da lâmina do estado.

Consequência para o projeto 13 INF. No Baixo Acre, onde está a lâmina, a fonte mais perto é o esterco de postura de Senador Guiomard, e não a cama de frango. O outro arquivo precisa dar a dose e a cura para esterco de poedeira, além da cama. No Alto Acre vale a cama. No Juruá vale o esterco da unidade local. No Purus e no Tarauacá-Envira não há fonte industrial: sobra o esterco da própria criação.

8. O que não foi encontrado

Fontes

Conferidas em 03/10/2026.