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Pesquisa: cama de frango curtida como adubo de viveiro de tambaqui
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta, com o número da fonte (lista no fim); INF estimativa ou conta desta ficha, com a conta à mostra; NE buscado e não encontrado. Alvo: o hectare do projeto 13. São 2.850 juvenis, 5.130 kg em 13…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta, com o número da fonte (lista no fim); INF estimativa ou conta desta ficha, com a conta à mostra; NE buscado e não encontrado.
Alvo: o hectare do projeto 13. São 2.850 juvenis, 5.130 kg em 13 meses, conversão alimentar 2,0, 10.260 kg de ração a R$ 5,00 e nenhum aerador ligado toda noite. Esta ficha trata da técnica e do efeito. A oferta de cama no Acre e a regra de trânsito estão com outra pesquisa.
Resposta curta
- Serve, com condição. Esterco de ave é o adubo orgânico mais forte para viveiro. A Embrapa, a Emater do Pará e a FAO recomendam. A cama tem de vir curtida, peneirada e sem carcaça, e só entra no preparo e nos quatro primeiros meses.
- Não paga a ração da engorda. O único ensaio de engorda de tambaqui com viveiro adubado contra não adubado mediu 8% a 9% menos ração por quilo de peixe. Não mediu 30% a 50%. E o adubo do ensaio era ureia, superfosfato e farelo de arroz, não cama.
- O dinheiro em jogo é pequeno. O risco, não. A cama custa de R$ 150 a R$ 1.300 por hectare por ciclo. A economia provável de ração é de R$ 1.500. Uma mortandade de 5% por falta de oxigênio custa R$ 3.848. Um lote com gosto de barro ou com salmonela pode custar o contrato da merenda.
- Ninguém testou cama de frango em engorda de tambaqui. A dose e a economia desta ficha são contas feitas sobre ensaios vizinhos. O protocolo da seção 8 é o que valida.
1. Serve como adubo de viveiro?
O que dizem os órgãos
| Fonte | O que recomenda | Marca |
|---|---|---|
| Embrapa Pesca e Aquicultura, manual de piscicultura familiar, 2015 | Esterco de aves peneirado: 2.500 kg por hectare no preparo e 750 kg por hectare na manutenção, só quando a transparência passar de 40 cm. Suíno curtido: 4.000 e 1.100. Bovino curtido: 6.000 e 1.500 | FV (F1) |
| Embrapa, mesmo manual, 2ª edição, 2024 | Esterco de aves: 800 a 1.000 kg por hectare no preparo e 200 a 250 na manutenção. É o número já usado na pasta 02 | FV (pela pasta 02; a 2ª edição não foi reaberta nesta rodada) |
| Embrapa, mesmo manual | "O plâncton complementa a alimentação dos peixes, reduzindo, assim, os gastos com ração." A adubação de manutenção é "essencial" na engorda de tambaqui e tilápia. O manual não dá número de economia | FV (F1) |
| Emater do Pará, manual de 2023 | Esterco de aves: 1.800 kg por hectare. Faixa geral: 100 a 500 g por m² no preparo. Esterco "bem curtido". Manutenção pela leitura do disco de Secchi | FV (F2) |
| Emater do Pará, parte de produção orgânica | Aceita adubo orgânico curtido, "por exemplo, cama de frango alimentado com ração isenta de antibióticos" | FV (F2) |
| FAO, manual de adubação de viveiros | Esterco de galinha é o mais rico dos estercos de ave. Em viveiro tropical pequeno: 4,5 kg de esterco fresco por 100 m², uma ou duas vezes por semana (450 kg por hectare por aplicação) | FV (F3) |
| FAO, manual feito para os açudes do Nordeste | Híbrido de tilápia, 8.000 peixes por hectare, só com esterco de galinha (1 kg por 4 m² por mês, ou 2.500 kg por hectare por mês): 2.760 kg por hectare por ano, sem ração | FV (F4) |
| Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Acre, Embrapa Rondônia, Senar | Recomendação específica para cama de frango em viveiro de tambaqui | NE |
Todas as recomendações falam em esterco de ave. Nenhuma dá dose para cama com maravalha ou casca. A conversão está na seção 3.
Há uma diferença de três vezes entre as duas edições do manual da Embrapa (2.500 contra 800 a 1.000 kg por hectare). Esta ficha adota a dose menor, que é a mais nova e a mais segura para viveiro sem aerador.
Cama com maravalha, cama com casca de arroz e esterco puro de poedeira
| Material | Água | Nitrogênio | Fósforo | O que muda no viveiro | Marca |
|---|---|---|---|---|---|
| Cama de frango de corte (qualquer material) | 20% a 35% | 25 a 35 g por kg | 19 a 40 g de P2O5 por kg, ou 8 a 17 g de fósforo por kg | Adubo médio, seco, fácil de ensacar. Cama de seis lotes chega a 35 g de N, 40 g de P2O5 e 30 g de K2O por kg | FV (F18, F19) |
| Cama com maravalha | idem | entre 2,0% e 3,2%, conforme o material e o número de lotes | A maravalha é madeira. Demora a apodrecer, boia e pode entupir a tela da saída. Usar em saco | FV (a faixa, F18); INF (o comportamento na água) | |
| Cama com casca de arroz | idem | idem | A casca quase não se decompõe. Boia no começo, depois vai para o fundo e vira entulho. Usar em saco e retirar o resto | FV (que a FAO cita casca de arroz como cama de aviário, F3); INF (o comportamento) | |
| Esterco puro de poedeira, fresco | 55% a 75% | 2,9% a 5,1% da matéria seca | 1,3% a 2,3% da matéria seca | Sem material de cama. Mais forte por quilo de matéria seca. Solta mais amônia e gasta mais oxigênio de uma vez. Dose menor e mais vezes | FV (F3) |
Conversão prática, pelo nitrogênio INF:
| De | Para | Conta | Fator |
|---|---|---|---|
| Esterco de ave seco e peneirado (3,4% de N: 4,0% na matéria seca × 85% de matéria seca) | Cama de poucos lotes (2,5% de N) | 3,4 ÷ 2,5 | 1,3 kg de cama por kg de esterco seco |
| Esterco de ave seco e peneirado | Cama de seis lotes (3,5% de N) | 3,4 ÷ 3,5 | 1,0 kg de cama por kg de esterco seco |
| Cama (3,0% de N) | Esterco fresco de poedeira (1,4% de N como está: 4,0% × 35% de matéria seca) | 3,0 ÷ 1,4 | 2 kg de esterco fresco por kg de cama |
O teor de nitrogênio e de fósforo da cama das granjas do Acre não foi medido NE. Uma análise de laboratório da cama comprada resolve.
2. Como curtir
O que a pesquisa da Embrapa Suínos e Aves mediu
| Dado | Valor | Marca |
|---|---|---|
| Altura do monte (leira) | cerca de 1 metro | FV (F17) |
| Tempo coberto com lona plástica | 10 a 12 dias | FV (F17) |
| Arejar depois de tirar a lona | 2 a 3 dias, para sair a amônia; mais tempo se o cheiro estiver forte | FV (F17) |
| Clima seco | molhar a cama antes de cobrir | FV (F17) |
| Temperatura no miolo do monte | 50 °C a 63 °C | FV (F17) |
| Temperatura na casca e na base do monte | 23 °C a 33 °C | FV (F17) |
| Salmonela (contagem) no monte coberto | zero no dia 3; zero nos dias 6, 9 e 12 | FV (F17) |
| Salmonela (exame de presença) no monte coberto | 50% das amostras no dia 3; zero no dia 6; 16,7% no dia 9; zero no dia 12 | FV (F17) |
| Cama sem tratamento nenhum | 50% das amostras ainda com salmonela no dia 12 | FV (F17) |
| Só cal | resultado igual ao da cama sem tratamento para as bactérias do intestino | FV (F17) |
| Compostagem aeróbia com palha, clima tropical | pronta em 7 a 8 semanas, com duas reviragens | FV (F3) |
| Prática de uma piscicultura de Mato Grosso do Sul | cama exposta ao sol por dois meses antes de usar | FV (F12) |
A casca do monte não esquenta. Por isso uma rodada só não basta para adubo que vai para a água de um peixe de merenda: é preciso revirar e repetir.
Método simples para uma família INF (sobre os dados acima)
- Receber cama seca, de uma granja só, sem ave morta e sem pedaço de carcaça. Pedir à granja a lista do que o último lote recebeu na ração e na água (anticoccidiano, antibiótico, sulfato de cobre).
- Lugar: chão alto e firme, coberto ou lonado, a mais de 30 m do viveiro e do poço, fechado ao gado. A norma federal manda guardar cama longe de ruminante FV (F24).
- Montar um monte de 1 m de altura e até 2 m de base. Molhar por camadas até o ponto de farofa: apertada na mão, a cama forma um bolo e não escorre água.
- Cobrir com lona plástica inteira, com as bordas presas por terra. Deixar 12 dias.
- Conferir o calor no dia 3: enfiar um vergalhão até o miolo por 10 minutos. Se não der para segurar na mão, passou de 50 °C. Se estiver morno, faltou água.
- Revirar: abrir, trazer a casca para o miolo, molhar de novo se preciso, cobrir. Mais 12 dias.
- Arejar descoberto, à sombra, por 3 dias. O cheiro forte de amônia tem de sumir.
- Peneirar em tela de 1 a 2 cm, para tirar crosta, pena e torrão. O manual da Embrapa pede esterco "peneirado" FV (F1).
- Ensacar em saco de ráfia de 20 a 25 kg. Guardar seco.
Tempo total: 12 + 12 + 3 = 27 dias. Cabe no mês de preparo do viveiro. Trabalho: cerca de 1 diária por tonelada INF.
O que a cura elimina e o que não elimina
| Perigo | A cura resolve? | Dado | Marca |
|---|---|---|---|
| Excesso de amônia | Sim, na reviragem e no arejamento | a amônia sobe dentro da lona e sai quando se abre | FV (F17) |
| Salmonela e bactérias do intestino | Sim, em 12 dias de monte coberto | tabela acima | FV (F17) |
| Besouro da cama (cascudinho) | Reduz | a fermentação com lona foi o melhor método | FV (F17) |
| Vírus de aves | Reduz, sem número nesta fonte | NE o número | |
| Esporo de clostrídio (botulismo) | Não se pode contar com isso. Esporo aguenta calor | por isso cama com carcaça não entra | INF |
| Antibióticos | Em boa parte. O empilhamento degradou mais de 95% dos principais antimicrobianos em ensaio de laboratório | FV (F20) | |
| Anticoccidianos (monensina, narasina, nicarbazina, salinomicina) | Só em parte: 54,9% a 74,7% de degradação no empilhamento | sobra de um quarto a quase metade | FV (F20) |
| Cobre e zinco | Não. Metal não se degrada. Como o monte perde massa, o teor por quilo até sobe | o teor da cama do Acre não foi medido | INF; NE o teor |
Cama de frango de granja comercial contém resíduo de bacitracina, clortetraciclina, monensina, narasina, nicarbazina, penicilina, salinomicina e virginiamicina quando esses produtos estão na ração FV (F21).
3. Dose, forma de aplicar e régua de controle
Limites que valem para qualquer esterco
| Regra | Valor | Marca |
|---|---|---|
| Teto de esterco por dia em clima quente | 120 kg de matéria seca por hectare por dia. Para esterco fresco de galinha, 480 kg por hectare por dia | FV (F3) |
| Aplicar uma vez por semana não autoriza multiplicar o teto por sete | o teto do dia continua o mesmo | FV (F3) |
| Antes de povoar | 1.000 a 2.000 kg de matéria seca por hectare, de 10 a 15 dias antes | FV (F3) |
| Depois de povoar, densidade baixa | 50 a 100 kg de matéria seca por hectare por aplicação semanal, ajustando pela água | FV (F3) |
| Intervalo entre a cal e o esterco | pelo menos 15 dias | FV (F3) |
| Hora de aplicar | de manhã, 2 a 3 horas depois do nascer do sol | FV (F3) |
| Só adubar se | transparência acima de 40 cm, oxigênio antes do nascer do sol acima de 3 a 4 mg/L, pH ao pôr do sol abaixo de 9 | FV (F3) |
Dose em cama para 1 hectare do projeto 13 INF
Cama com 75% de matéria seca (25% de água).
| Fase | Dose de esterco seco no manual | Fator | Dose em cama | Matéria seca | Confere com o teto da FAO? |
|---|---|---|---|---|---|
| Preparo, uma vez | 800 a 1.000 kg por hectare | × 1,3 | 1.000 a 1.300 kg por hectare | 750 a 975 kg | Sim: abaixo dos 1.000 a 2.000 kg de antes do povoamento |
| Manutenção, por semana | 200 a 250 kg por hectare a cada 15 dias, ou 100 a 125 por semana | × 1,3 | 100 a 150 kg por hectare por semana | 75 a 113 kg | Sim: abaixo de 120 kg no dia |
A dose de manutenção vai repartida por semana, e não de 15 em 15 dias. Uma aplicação quinzenal de 300 kg de cama poria 225 kg de matéria seca no viveiro num dia só, quase o dobro do teto.
O ensaio de Mato Grosso do Sul com tilápia usou dose parecida: 18 kg de cama em viveiro de 176 m², ou 18 ÷ 176 × 10.000 = 1.023 kg por hectare, antes de povoar e mais duas vezes nos dois primeiros meses. Depois parou, de propósito, para não carregar a água FV (F12).
Quando parar: a ração do dia manda
| Argumento | Dado | Marca |
|---|---|---|
| A própria ração aduba o viveiro | Com 20 kg de ração por dia a 32% de proteína: 20 × 0,32 ÷ 6,25 = 1,02 kg de nitrogênio por dia, 14,3 kg em 15 dias. O peixe retém cerca de um quarto. Sobram perto de 11 kg de nitrogênio na água a cada 15 dias | INF; a retenção de 15% a 20% do nitrogênio pelo tambaqui é FV (F7) |
| No pico, a ração aduba tanto quanto o adubo do ensaio | Com 43 kg por dia a 28%: 43 × 0,28 ÷ 6,25 = 1,93 kg por dia, 27 kg em 15 dias, 20 kg sobrando. A dose inteira de adubo do ensaio da Embrapa era de 24,5 kg de nitrogênio por hectare a cada 15 dias | INF (sobre FV, F5) |
| O ensaio da Embrapa teve de parar | Suspendeu o adubo nos meses 9 e 10, porque a transparência caiu demais | FV (F5) |
| O alimento natural sustenta pouca carga | Viveiro só com cal e adubo, sem ração, sustenta de 800 a 1.600 kg de tambaqui por hectare | FV (F2, tabela de 1997 citada no manual) |
| Limite seguro medido no Acre, sem aerador | 20 kg de ração por hectare por dia e 2.000 kg de peixe por hectare | FV (pasta 02) |
| No projeto 13 | A ração passa de 20 kg por dia no mês 5 (22 kg). O peixe no viveiro passa de 1.600 kg no mesmo mês (1.693 kg) | FV (pasta 13, arquivo 02) |
Regra desta ficha INF: a cama entra no preparo e enquanto a ração do dia estiver abaixo de 20 kg por hectare. No projeto 13 isso é do mês 1 ao mês 4. Do mês 5 em diante, cama zero. Do mês 8 ao 11, com 43 kg de ração por dia, qualquer adubo é risco puro.
Calendário para 1 hectare
| Quando | Ração por dia | Cama | Como | Condição |
|---|---|---|---|---|
| Preparo, 15 dias depois da cal e 7 a 10 dias antes de povoar | 0 | 1.000 a 1.300 kg, uma vez | A lanço, com o viveiro em 50 cm de água, mais perto da entrada de água. Segurar o nível por 7 dias e depois encher | Cama curada e peneirada |
| Mês 1 | 6 kg | 100 a 150 kg por semana | Em 4 a 6 sacos de ráfia, amarrados em estacas na parte rasa, perto da entrada de água | Só se as três medidas da régua permitirem |
| Mês 2 | 9 kg | 100 a 150 kg por semana | idem | idem |
| Mês 3 | 17 kg | 100 a 150 kg por semana | idem | idem |
| Mês 4 | 19 kg | 100 a 150 kg por semana; última aplicação | idem | idem |
| Mês 5 | 22 kg | zero | ração passou de 20 kg por dia | |
| Meses 6 a 12 | 30 a 43 kg | zero | viveiro no limite do oxigênio |
Total de cama no ciclo: 1,3 t se ficar só no preparo; 1,3 + 8 semanas × 0,15 = 2,5 t se adubar em metade das semanas; 1,3 + 17 semanas × 0,15 = 3,9 t se adubar em todas.
Forma de aplicar
| Forma | Quando usar | Vantagem | Fonte |
|---|---|---|---|
| A lanço | Só no preparo, com o viveiro baixo e sem peixe | Espalha por igual; a Embrapa manda pôr mais perto da entrada de água | FV (F1) |
| Em saco de ráfia ou estopa amarrado em estaca | Na manutenção | A maravalha e a casca ficam no saco. Se o oxigênio cair, tira-se o saco em minutos. É o freio que o viveiro sem aerador precisa | FV (F2 e F3 o método); INF (a vantagem) |
| Em cercado de varas nos dois cantos rasos | Na manutenção, em viveiro grande | Solta devagar; não suja a tela | FV (F3) |
| Monte submerso na margem | Não usar com cama | Espalha maravalha e casca pelo viveiro | INF |
O resto que sobra no saco depois de uma a duas semanas vai para a horta ou para o monte seguinte.
Régua de controle
| Medida | Leitura | O que fazer | Marca |
|---|---|---|---|
| Disco de Secchi | acima de 60 cm | adubar; pode reforçar a dose | FV (F3) |
| de 40 a 60 cm | adubar na rotina | FV (F1, F3) | |
| de 35 a 40 cm | faixa desejável; não adubar | FV (F1) | |
| de 25 a 35 cm | não adubar; observar o peixe de manhã cedo | FV (F1, F3) | |
| abaixo de 25 a 30 cm | não adubar, cortar a ração do dia, renovar água se houver | FV (F3 e pasta 02) | |
| Cor da água | verde-clara a verde-garrafa | boa | INF |
| marrom, cor de café, com cheiro | matéria orgânica demais: tirar os sacos | INF | |
| nata verde-azulada na superfície, a favor do vento | floração de alga azul: parar o adubo e avisar o técnico | INF | |
| barrenta | o Secchi mede barro, não plâncton; adubar não resolve | FV (F1) | |
| Oxigênio antes do nascer do sol | 4 mg/L ou mais | pode aplicar a cama da semana | FV (F3: acima de 3 a 4); INF (a escolha de 4) |
| abaixo de 4 mg/L | não aplicar; tirar os sacos que estiverem na água | INF | |
| Tempo | dois ou três dias nublados seguidos | não aplicar | FV (F1: dia nublado reduz o oxigênio) |
| Peixe | deixou de comer de manhã | pode ser adubo demais e transparência abaixo de 35 cm | FV (F1) |
4. Efeito medido
O ensaio que responde à pergunta
A Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, criou tambaqui por 10 meses em oito viveiros de 600 m²: quatro adubados e quatro sem adubo. É o mesmo ensaio que dá ao catálogo o crescimento de 94 g a 1,63 kg em 304 dias.
| Item | Adubado | Sem adubo | Diferença | Marca |
|---|---|---|---|---|
| Peso inicial | 93,8 g | 93,8 g | FV (F5) | |
| Densidade | 4.000 peixes por hectare segundo um artigo; 0,55 peixe por m² segundo o outro. A produção de 6,2 t com peixe de 1,65 kg bate com 4.000: 6.177 ÷ 1,663 = 3.714 peixes, 93% de 4.000 | FV (F5 e F6); INF (a conferência) | ||
| Adubo | 5 g de ureia, 3 g de superfosfato triplo e 10 g de farelo de arroz por m², a cada 15 dias: 50, 30 e 100 kg por hectare por vez. Catorze a quinze aplicações. Parou nos meses 9 e 10 | nenhum | FV (F5, F6) | |
| Peso final | 1.697,5 g | 1.628,4 g | não significativa (p = 0,25) | FV (F5) |
| Produção | 6,2 t por hectare | 6,1 t por hectare | não significativa (p = 0,76) | FV (F6) |
| Conversão alimentar | 2,04 | 2,22 | 0,18 a menos; significativa (p = 0,009) | FV (F5, F6) |
| Ração dada por dia | 1,16% do peso vivo | 1,25% | menor no adubado (p = 0,008) | FV (F5) |
| Parte do músculo formada a partir do plâncton (isótopos) | 39,4% | 10,7% | FV (F5) | |
| Clorofila na água | 59% a mais | FV (F6) | ||
| Zooplâncton na água | 51% a mais; cerca do dobro em média | FV (F5, F6) | ||
| Parasitos de brânquia | sem diferença | sem diferença | FV (F6) | |
| Fósforo na água de saída | maior | menor | acima do limite da Resolução Conama 357 nos dois; a água de entrada já era rica em fósforo | FV (F6) |
| Custo de ração, adubo e mão de obra do adubo | US$ 395,49 por viveiro | US$ 365,63 | 8,2% a mais no adubado | FV (F5) |
Três leituras:
- A economia de ração medida na engorda é de 8% a 9%. A conta: (2,22 − 2,04) ÷ 2,22 = 8,1% a menos de ração do que no viveiro sem adubo. Em um hectare do ensaio: (822,75 − 756,04) ÷ 600 × 10.000 = 1.112 kg de ração.
- O plâncton formou 39% do músculo, mas poupou só 8% da ração. O peixe troca um alimento pelo outro. O ganho só aparece porque o trato parava quando o peixe parava de comer. Quem dá a ração da tabela até o fim joga a economia fora.
- Com adubo químico, a conta não fechou. O adubo e o trabalho custaram US$ 53,66 + 5,85 = 59,51 por viveiro. A ração poupada valeu 365,63 − 335,99 = US$ 29,64. Preços de Palmas, janeiro de 2020. A hipótese do projeto 16 é fazer o mesmo efeito com adubo mais barato.
O ensaio é de engorda: o peixe saiu de 94 g e passou de 1,6 kg. É a única medida encontrada com peixe acima de 500 g.
Os outros ensaios
| Ensaio | Peixe e fase | Adubo | Resultado | Engorda acima de 500 g? | Marca |
|---|---|---|---|---|---|
| Amazonas, 210 dias, viveiro natural, com calcário, ou com calcário e adubo | tambaqui, engorda até o tamanho de mercado | químico: 20 kg de ureia e 60 kg de superfosfato por hectare | Sem diferença de peso. O manejo não mudou o zooplâncton nem o conteúdo do estômago. A conversão do viveiro só com calcário foi melhor que a do natural. O efluente do adubado saiu com mais fósforo | Sim | FV (F8, F6) |
| Amazonas, 60 dias, nove viveiros de 600 m², 8 peixes por m² | tambaqui, juvenil de 0,41 g | o mesmo | Sem diferença de crescimento e de produção. A ração passou de 80% do conteúdo do estômago no fim. Os autores recomendam não adubar | Não | FV (F9) |
| Tocantins, 84 dias, viveiro de terra | tambaqui de 95 a 350 g | sem comparação de adubo; compara ração a 3% e a 4% do peso por dia | Mesmo crescimento com 3%. Menos ração e melhor conversão. Mais alimento natural no estômago | Não | FV (F10) |
| Amazonas, 120 dias, viveiro | tambaqui de 11,8 g a 296 e 393 g | viveiro com plâncton, sem comparação | Conversão de 0,82 e 1,33. Número abaixo de 1 só aparece com alimento natural pesando na dieta | Não | FV (F11) |
| Mato Grosso do Sul, 240 dias, 4 viveiros | tilápia, de 0,64 g ao abate | cama de frango, 1.023 kg por hectare, três vezes, só no começo | Sem diferença de crescimento nem de qualidade da água. Menos parasito de brânquia no adubado | tilápia | FV (F12) |
| Malaui, 84 dias | tilápia de 18 g, sem ração | esterco de galinha, de boi, de porco, e nada | Esterco de galinha deu o maior peixe, a maior produção, mais clorofila e mais zooplâncton | Não | FV (F13) |
| Paraná, 30 dias, caixas de 1.000 L | piracanjuba de 10,9 g | esterco de frango, de boi, de porco, e nada | Esterco de frango deu mais plâncton e o melhor crescimento | Não | FV (F14) |
| Tailândia, 236 a 328 dias | tilápia até 500 g | adubo desde o início; ração só a partir de 50 a 250 g | O mais eficiente foi criar só com adubo até 100 a 150 g e depois dar ração a meia taxa. Conversão média de 1,03 | tilápia | FV (F15) |
| Tabela de 1997 citada pela Emater do Pará | tambaqui | sem nada: 80 kg por hectare. Cal e adubo: 800 a 1.600. Adubo e ração complementar: 2.700 a 4.700. Só ração: 6.000 | limite de produção por nível de manejo | Sim | FV (F2) |
| Mesma tabela | pacu | sem nada: 336. Cal e adubo: 800. Adubo e ração complementar: 3.000 a 4.500. Só ração: 5.500 a 6.000 | idem | Sim | FV (F2) |
| Revista técnica do setor | não diz a espécie | só cama de frango, sem ração | 10,6 kg de cama para fazer 1 kg de peixe, contra 1,3 kg de ração extrusada. E a cama derruba a carga máxima que o viveiro aguenta | FV (F16) | |
| Pirapitinga, híbridos (tambacu, tambatinga), curimatã | ensaio de adubado contra não adubado | NE |
O dado de 30% a 50% da Emater do Pará
O manual diz: "A alimentação natural é o plâncton que varia entre 30 a 50% de sua dieta diária durante o período de engorda." Não cita fonte FV (F2).
| Pergunta | Resposta | Marca |
|---|---|---|
| O número se confirma? | Em viveiro adubado, sim: 39,4% do músculo veio do plâncton | FV (F5) |
| E em viveiro sem adubo de manutenção? | Não: 10,7% | FV (F5) |
| 30% a 50% da dieta quer dizer 30% a 50% menos ração? | Não. A economia medida foi de 8% a 9% | FV (F5, F6) |
| A conversão de 1,5 que o mesmo manual chama de desejável foi medida? | Não nesses viveiros. A Embrapa mediu 2,04 com adubo e 2,22 sem | FV (F2, F5) |
O arquivo 02 da pasta 13 lista "adubar o viveiro" como terceiro corte de despesa e cita os 30% a 50%. A frase está certa como descrição da dieta. Como promessa de economia, vale 8% a 9%, e com adubo que não era cama.
O que a adubação entrega de fato
| Entrega | Base | Marca |
|---|---|---|
| Segura a conversão perto de 2,0 | O 2,0 do projeto 13 é vizinho do 2,04 medido com adubo. Sem adubo de manutenção a medida foi 2,22 | FV (F5) |
| Ajuda mais o peixe pequeno | Os ganhos fortes aparecem em juvenis e na recria. A fazenda do ensaio com cama só aduba nos primeiros meses | FV (F11, F12, F13, F14) |
| Permite tratar com 3% em vez de 4% do peso até 350 g | mesmo crescimento, menos ração | FV (F10) |
| Água mais verde e menos barrenta | menos turbidez, mais clorofila; oxigênio mais alto nos meses 7 e 9 no adubado | FV (F6) |
| Fecha a água para planta de fundo | água muito clara, acima de 40 cm, deixa a planta aquática crescer | FV (F1) |
| Alimenta peixe de fundo sem ração (curimatã) | o curimatã come lodo e resto. Não há ensaio de quanto rende a mais com adubo | FV (o hábito, pasta 02); NE o ganho |
O policultivo com curimatã tem dois freios no projeto 13. A cozinha quer lote só de tambaqui. E o curimatã morre primeiro quando falta oxigênio FV (pasta 02).
5. Riscos e como reduzir
| Risco | Por que acontece | Peso para a merenda | Como reduzir | Marca |
|---|---|---|---|---|
| Queda de oxigênio | A cama apodrece e gasta oxigênio. Depois a alga que ela alimenta respira à noite. O manual da Embrapa lista "excesso de adubação e transparência menor que 35 cm" entre as causas de oxigênio muito baixo | Alto: mata o lote | Teto de 120 kg de matéria seca por dia. Cama só em saco. Cama zero acima de 20 kg de ração por dia. Medir de madrugada antes de cada aplicação | FV (F1, F3) |
| Amônia | Cama mal curtida entra com amônia. Em água muito verde o pH sobe à tarde e a amônia fica mais tóxica | Médio | Cura completa, com arejamento. Medir amônia e pH na semana da aplicação. Limite de 0,05 mg/L de amônia tóxica | FV (F17 e pasta 02); INF (a ligação com o pH) |
| Alga azul e gosto de barro | A geosmina e o MIB, feitos por cianobactérias, bactérias e fungos, dão o gosto de barro. Viveiro carregado de nutriente floresce mais | Muito alto. Criança recusa peixe com gosto de barro, e a escola devolve o lote. Não é risco à saúde | Parar a cama no mês 4: são 8 meses sem adubo até a despesca. Não deixar o Secchi cair abaixo de 30 cm. Provar o peixe 15 dias antes de cada despesca: cozinhar um filé sem tempero. Se tiver gosto, manter o peixe em água limpa corrente por alguns dias antes do abate | FV (a causa e a depuração, F23, medido em tilápia); NE medida em tambaqui |
| Parasitos | Água ruim favorece parasito de brânquia | Baixo | Os dois ensaios não acharam mais parasito no viveiro adubado. Um achou menos | FV (F6, F12) |
| Salmonela no pescado | Em viveiros adubados com resíduo orgânico, em Gana, a salmonela foi o principal contaminante da brânquia, da pele e do músculo do peixe | Muito alto. O padrão de alimento não tolera salmonela, e o peixe vai para criança | Cura de 24 dias com reviragem. Nada de cama crua. Oito meses entre a última cama e a despesca. Jejum antes do abate. Evisceração sem romper o intestino e lavagem com água clorada na cozinha. Exame de salmonela no primeiro lote | FV (F22, F17); INF (as medidas da cozinha) |
| Resíduo de remédio no peixe | A cama carrega anticoccidiano e antibiótico. A cura tira quase todo o antibiótico e só de 55% a 75% do anticoccidiano | Alto se cair numa análise oficial | Comprar de granja que informe o que usou. Preferir cama de lote sem antibiótico. Cura longa. Oito meses de intervalo. Análise de resíduo no músculo do primeiro lote | FV (F20, F21); NE medida de quanto passa da cama para o músculo do peixe |
| Cobre e zinco | Vêm da ração e do tratamento da ave. Ficam no lodo do viveiro | Baixo com 1,3 a 3,9 t por hectare por ciclo | Analisar o lodo a cada 3 ciclos. Referência da norma de solo: zinco 300 e cobre 60 mg por kg como valor de investigação | FV (os valores, F18); NE teor na cama do Acre |
| Botulismo | Carcaça de ave no meio da cama | Alto | Recusar cama com ave morta | INF |
| Maravalha e casca na tela e no fundo | Material de cama não se desfaz | Baixo | Peneirar. Usar saco. Retirar o resto | INF |
| Efluente com mais fósforo | Viveiro adubado solta mais fósforo na água de saída | Pesa na licença | Não esvaziar durante os meses de adubo. Decantar antes de soltar | FV (F6) |
O que a inspeção e a merenda podem exigir
| Exigência | Situação | Marca |
|---|---|---|
| Pescado de merenda só com inspeção (municipal, estadual ou federal) | já é condição do projeto 13 | FV (pasta 11) |
| Programa de autocontrole da cozinha, com o perigo "adubo orgânico no viveiro" descrito e controlado | provável; depende do serviço de inspeção | INF |
| Ausência de salmonela no produto | padrão de alimento da vigilância sanitária; a norma não foi reaberta nesta rodada | INF |
| Análise de resíduo de medicamento veterinário no pescado de cultivo | existe plano federal de controle de resíduos; a lista de substâncias para peixe não foi reaberta | INF |
| Regra do edital sobre adubo orgânico ou sobre origem do peixe | o edital da merenda não foi lido | NE |
Recomendação desta ficha: antes do primeiro saco de cama entrar na água, levar o plano ao serviço de inspeção que fiscaliza a cozinha e pedir o aceite por escrito.
6. Regra legal
| Norma | O que diz | O que muda para o viveiro | Marca |
|---|---|---|---|
| Instrução Normativa SDA nº 61, de 8 de julho de 2020 (fertilizantes orgânicos) | Dispensa de registro "os estercos e camas... gerados e processados naturalmente, sem o uso de aditivos... por produtores rurais, quando utilizados para uso próprio... ou quando comercializados diretamente com o consumidor final" (art. 15, II) | A granja pode vender a cama direto ao piscicultor sem registro de produto | FV (F24) |
| Mesma norma, quadro de restrições | Para qualquer fertilizante com cama ou esterco de aves ou de suínos: uso em pastagem e capineira só com incorporação ao solo; pastoreio só 40 dias depois; proibido na alimentação de ruminantes; guardar longe desses animais. O aviso vai na embalagem ou na nota fiscal | Viveiro não aparece. O monte de cama tem de ficar fechado ao gado. Viveiro adubado não deve servir de bebedouro de gado | FV (F24); INF (a leitura do bebedouro) |
| Mesma norma | Trata de fertilizantes "destinados à agricultura". Não cita aquicultura, piscicultura nem viveiro | Não há regra federal de fertilizante que proíba nem que autorize cama em viveiro | FV (F24: busca das palavras no texto integral) |
| Instrução Normativa SDA nº 25, de 2009 | Tinha o mesmo quadro de restrições. Foi revogada pela nº 61 | FV (F24, F25) | |
| Proibição de cama de aviário na alimentação de ruminantes | a prática "é proibida no Brasil desde 2004", segundo a Embrapa Suínos e Aves; a norma em si não foi reaberta | reforça o cuidado com gado | FV (F18) |
| Produção orgânica | aceita adubo orgânico curtido, com cama de ave criada sem antibiótico | só importa se o grupo buscar selo orgânico | FV (F2); a norma de aquicultura orgânica não foi reaberta |
| Resolução Conama 357 (qualidade da água) | o efluente de viveiro adubado saiu com fósforo acima do limite no ensaio da Embrapa | cuidado na drenagem | FV (F6) |
| Licença ambiental do IMAC e resolução federal de licenciamento da aquicultura | exigência ou proibição de adubo orgânico em viveiro | NE | |
| Programas privados de boas práticas e de certificação de aquicultura | restrição a esterco animal em viveiro | a página do padrão não abriu | NE |
| Regra de trânsito da cama entre propriedades e entre estados | fica com a outra pesquisa | fora do escopo |
7. A conta para o hectare do projeto 13
Preço da cama posta no viveiro INF
| Distância | Conta mínima | Conta máxima | Por tonelada |
|---|---|---|---|
| 50 km | 100 + 0,30 × 50 | 250 + 0,40 × 50 | R$ 115 a R$ 270 |
| 200 km | 100 + 0,30 × 200 | 250 + 0,40 × 200 | R$ 160 a R$ 330 |
O frete por tonelada e por quilômetro é de caminhão cheio. Uma família compra de 1,3 a 3,9 t. Um caminhão de 12 t serve de 3 a 9 hectares. Sozinha, a família paga frete mínimo, sem cotação NE.
Três cenários
Base de hoje: conversão 2,0; 10.260 kg de ração; R$ 51.300; adubo de R$ 600; custo total de R$ 65.071, ou R$ 12,68 por kg. Cada décimo de conversão vale 5.130 × 0,1 × 5,00 = R$ 2.565.
Em todos os cenários a cama substitui os R$ 600 de adubo de hoje. A lona custa R$ 50 por ciclo INF. O trabalho da família não entra no desembolso, como no resto do catálogo.
| Linha | Conservador | Provável | Otimista |
|---|---|---|---|
| O que se faz | cama só no preparo | preparo e metade das semanas dos meses 1 a 4 | preparo e todas as semanas dos meses 1 a 4 |
| Cama por ciclo | 1,3 t | 2,5 t | 3,9 t |
| Nitrogênio posto (25 a 35 kg por t) | 33 a 46 kg | 63 a 88 kg | 98 a 137 kg |
| Parte do nitrogênio do ensaio da Embrapa (14 × 24,5 = 343 kg) | 9% a 13% | 18% a 26% | 28% a 40% |
| Queda na conversão | zero | 0,06 (um terço do efeito medido) | 0,18 (o efeito medido inteiro) |
| Conversão nova | 2,00 | 1,94 | 1,82 |
| Ração poupada | 0 | 0,06 × 5.130 = 308 kg | 0,18 × 5.130 = 923 kg |
| Ração poupada em reais | 0 | R$ 1.539 | R$ 4.617 |
| Cama e frete, a 50 km | R$ 150 a 351 | R$ 288 a 675 | R$ 449 a 1.053 |
| Cama e frete, a 200 km | R$ 208 a 429 | R$ 400 a 825 | R$ 624 a 1.287 |
| Lona | R$ 50 | R$ 50 | R$ 50 |
| Adubo de hoje que sai da conta | − R$ 600 | − R$ 600 | − R$ 600 |
| Variação do custo do ciclo | − R$ 400 a − R$ 121 | − R$ 1.801 a − R$ 1.264 | − R$ 4.718 a − R$ 3.880 |
| Custo total novo | R$ 64.671 a 64.950 | R$ 63.270 a 63.807 | R$ 60.353 a 61.191 |
| Custo total por kg (hoje: R$ 12,68) | R$ 12,61 a 12,66 | R$ 12,33 a 12,44 | R$ 11,76 a 11,93 |
| Trabalho da família, fora do desembolso | 1,8 diária | 4 diárias | 6,5 diárias |
| O que é medido | a dose do manual | nada: é hipótese | o 0,18 foi medido, mas com adubo químico e farelo, até o mês 8 |
| O que é hipótese | que a cama renda igual ao adubo de R$ 600 | que o efeito caia na proporção do nutriente posto | que a cama, com 28% a 40% do nitrogênio do ensaio, repita o efeito inteiro |
Contas do trabalho: cura a 1 diária por tonelada; aplicação de meia diária no preparo e de 1 hora por semana depois. Conservador: 1,3 + 0,5 = 1,8. Provável: 2,5 + 0,5 + 8 ÷ 8 = 4,0. Otimista: 3,9 + 0,5 + 17 ÷ 8 = 6,5.
Como ler a tabela
- O cenário conservador é o que a literatura sustenta sem ressalva. Dois ensaios de tambaqui não acharam efeito do adubo quando há ração. Nele a cama só troca um adubo por outro. Economiza de R$ 121 a R$ 400.
- O cenário provável é hipótese desta ficha. Baixa o custo em R$ 0,24 a R$ 0,35 por kg de peixe. É 2% a 3% do custo.
- O cenário otimista repete um ensaio que usou outro adubo, em dose maior e por mais tempo. Para chegar lá com cama seriam precisos 343 ÷ 30 = 11 t por hectare, postas até o mês 8. Num viveiro sem aerador isso não cabe.
- A leitura que mais pesa é outra. O 2,0 do projeto 13 já supõe viveiro adubado: o ensaio mediu 2,04 com 14 a 15 adubações, que os R$ 600 de hoje não compram. Sem adubo de manutenção a medida foi 2,22. A 2,22 o projeto gasta (2,22 − 2,00) × 5.130 × 5,00 = R$ 5.643 a mais de ração. O papel honesto da cama é ajudar a segurar o 2,0, e não baixar dele.
- A economia some com um acidente. Perder 5% do peixe por falta de oxigênio custa 0,05 × 5.130 × 15,00 = R$ 3.848. É mais que o ganho do cenário provável.
- O número que não se sustenta. Ler "30% a 50% da dieta" como 30% menos ração daria 3.078 kg e R$ 15.390. Nenhum ensaio mediu isso em engorda.
- A ração poupada só existe se o trato parar quando o peixe parar de comer. Foi assim no ensaio.
Nos três cenários o desembolso com cama é pequeno: de R$ 200 a R$ 1.337 por ciclo, contando a lona. A decisão não é de dinheiro. É de risco de água, de gosto e de sanidade.
8. Protocolo de teste no Acre
Objetivo: medir, em viveiro acreano sem aerador, se a cama curada baixa a conversão sem piorar o oxigênio, o gosto e a sanidade.
| Item | Desenho |
|---|---|
| Unidades | 3 propriedades, cada uma com 2 viveiros vizinhos de 1.000 a 5.000 m², mesma água de abastecimento. Total: 3 viveiros com cama e 3 testemunhas. O ensaio da Embrapa achou a diferença com 4 e 4 |
| Sorteio | em cada propriedade, sortear qual viveiro recebe a cama |
| Igual nos dois | mesmo lote de juvenis, 0,285 peixe por m², mesma ração, mesma cal, mesmo tratador |
| Viveiro com cama | cama curada 27 dias e peneirada: 1.300 kg por hectare no preparo; 150 kg por hectare por semana, em saco, do mês 1 ao 4, só com Secchi acima de 40 cm e oxigênio da madrugada de 4 mg/L ou mais |
| Testemunha | só cal. Nada de adubo |
| Terceiro viveiro, se houver | a receita química do manual (50 kg de ureia, 30 kg de superfosfato e 100 kg de farelo por hectare), para comparar com o ensaio de Palmas |
| Trato | até o peixe parar de comer, com teto pela tabela. Pesar e anotar cada quilo de ração, por viveiro |
| Duração | ciclo inteiro, 13 meses. Leitura parcial no mês 5, quando a cama para |
O que medir:
| Medida | Frequência | Para quê |
|---|---|---|
| Ração dada, por viveiro | todo dia | conversão alimentar, que é o resultado principal |
| Biometria de 30 peixes | todo mês | crescimento e ajuste do trato |
| Peso e contagem na despesca total | no fim | produção, sobrevivência, conversão |
| Disco de Secchi e cor da água | toda semana | régua de adubação |
| Oxigênio e temperatura antes do nascer do sol | 3 vezes por semana; todo dia do mês 8 ao 11 | segurança |
| Oxigênio às 20h e às 22h | nas semanas de aplicação e do mês 8 ao 11 | regra da Embrapa para ligar o aerador |
| pH e amônia | toda semana do mês 1 ao 5; depois, a cada 15 dias | toxidez |
| Noites de aerador de emergência e peixe morto | cada ocorrência | custo e risco |
| Análise da cama: nitrogênio, fósforo, umidade, cobre, zinco | um lote, antes e depois da cura | dose real |
| Salmonela e coliformes na cama | antes e depois da cura | prova da cura |
| Prova de gosto | no mês 11 e na despesca: filé cozido sem tempero, 5 provadores, sem saber de qual viveiro veio | gosto de barro |
| Salmonela e contagem de bactérias no peixe | na despesca, uma amostra composta por viveiro | sanidade |
| Resíduo de anticoccidiano e de antibiótico no músculo | na despesca, uma amostra composta por tratamento | resíduo |
| Cobre e zinco no lodo | antes de encher e depois de esvaziar | acúmulo |
| Custo: cama, frete, lona, horas de trabalho | tudo anotado | a conta |
Regra de decisão, escrita antes de começar: adotar a cama no catálogo se, nos três pares, a conversão cair pelo menos 0,06, sem noite a mais de aerador, sem gosto de barro, sem salmonela e sem resíduo acima do limite. Se a conversão não mudar, a cama fica só como adubo de preparo.
O preço das análises de laboratório no Acre não foi levantado NE.
9. O que não foi encontrado
| Item | Situação |
|---|---|
| Ensaio de cama de frango em engorda de tambaqui, com adubado contra testemunha | NE. O ensaio de engorda usou ureia, superfosfato e farelo de arroz. O ensaio com cama é de tilápia |
| Ensaio de adubado contra não adubado em pacu, pirapitinga, tambacu, tambatinga e curimatã | NE. Para o pacu há só a tabela de limites de 1997 |
| Quanto o curimatã rende a mais em viveiro adubado | NE |
| Ensaio de redução de ração em viveiro adubado com tambaqui acima de 350 g | NE. O ensaio de taxa de arraçoamento foi de 95 a 350 g |
| Recomendação da Embrapa Acre, Embrapa Rondônia, Embrapa Amazônia Ocidental ou do Senar para cama em viveiro | NE nesta rodada |
| Segunda edição (2024) do manual da Embrapa | não reaberta; a dose de 800 a 1.000 kg vem da pasta 02 |
| Teor de nitrogênio, fósforo, cobre, zinco e resíduo de remédio na cama das granjas do Acre | NE |
| Material de cama usado no Acre (maravalha, casca de arroz ou outro) | NE aqui; é da outra pesquisa |
| Quanto anticoccidiano e antibiótico passa da cama para o músculo do peixe | NE |
| Medida de gosto de barro em tambaqui de viveiro adubado | NE. A fonte achada é de tilápia |
| Efeito da cura sobre vírus de aves, em número | NE |
| Regra do IMAC, da resolução federal de licenciamento da aquicultura e dos programas privados de certificação sobre esterco em viveiro | NE |
| Lista de substâncias do plano federal de resíduos para peixe de cultivo e padrão de salmonela em pescado | não reabertos; marcados INF no texto |
| Regra do edital da merenda sobre a origem e o manejo do peixe | NE |
| Frete mínimo de carga pequena de cama no Acre | NE |
| Preço posto no Acre de ureia, superfosfato e farelo de arroz, para comparar com a cama | NE |
Fontes
Conferidas em 03/10/2026.
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13-tambaqui-para-a-merenda/(LEIA-ME e arquivo 02), pasta02-viveiro-escavado-familiar-reativado/(arquivo 01) e pasta11-cozinha-de-pescado-e-file-sem-espinha/.
Limites desta rodada: seis buscas na web, o resto por abertura direta das fontes. Os artigos F7, F8, F10, F13, F14, F15, F20, F21, F22 e F23 foram lidos só no resumo. Os demais, no texto integral.