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01 — Descrição técnica: viveiro escavado familiar reativado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE buscado e não encontrado. O que é Pegar um viveiro escavado que já existe e está parado ou mal usado, de 0,5 a 2 hectares de lâmina d'água, consertar o que…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta própria; NE buscado e não encontrado.

O que é

Pegar um viveiro escavado que já existe e está parado ou mal usado, de 0,5 a 2 hectares de lâmina d'água, consertar o que for preciso e voltar a criar tambaqui com curimatã e piau, em sistema semi-intensivo. Semi-intensivo quer dizer: viveiro preparado com cal e adubo, peixe alimentado com ração, água medida e peixe pesado todo mês.

Não se escava viveiro novo. Não se constrói indústria.

Por que é a maior alavanca do estado

Dado Valor Marca
Lâmina d'água de piscicultura no Acre 6.465 ha; 1.478 ha parados (22,9%) FV
Empreendimentos 5.011; 95,4% pequenos, em viveiro escavado sem aeração FV
Produtividade real 0,46 a 0,57 t por hectare por ano FV
Produtividade deste projeto 5,1 t por hectare por ano INF
Quem parou O pequeno. Nas grandes propriedades, só 8% da lâmina está parada FV

Um hectare reativado e manejado rende 11 vezes a média do estado (5,1 ÷ 0,46 = 11). Se 200 dos 1.478 ha parados voltassem a 5,1 t, seriam 1.020 t por ano, quase metade de tudo o que o Acre produziu em 2025 (2.312 t) INF.

Diagnóstico do viveiro parado

Antes de gastar um real, fazer a vistoria. De preferência entre junho e setembro, na seca: o nível está baixo, o talude aparece e dá para ver se a água aguenta o verão.

Nº O que olhar Como ver Sinal de problema
1 Água na seca Perguntar e medir o nível em agosto e setembro. A Embrapa projeta de 10 a 20 litros por segundo por hectare; viveiro bem feito, em solo que segura água, passa com menos de 10 FV Viveiro que seca ou fica com menos de 0,8 m no verão
2 Vazamento Marcar o nível numa estaca e medir de novo em 7 dias sem chuva e com a saída fechada. Andar por fora do dique Queda de mais de 1 a 2 cm por dia INF (regra prática); chão molhado ou minando atrás do dique; água passando por fora do cano
3 Dique (talude) Andar em cima e por fora Rachadura, erosão por onda, formigueiro, toca de bicho, árvore com raiz no dique, trecho rebaixado
4 Saída de água (monge ou cachimbo) Abrir e fechar; ver se esvazia tudo Cano quebrado ou entupido; tábuas podres; viveiro que não esvazia até o fim
5 Assoreamento Medir a fundura com vara em 10 pontos. A Embrapa indica de 0,8 a 1,4 m no ponto raso e de 1,3 a 1,8 m no ponto fundo FV Fundura média abaixo de 1 m; lodo de mais de um palmo
6 Mato e peixe sobrante Olhar a água e o fundo Capim e planta aquática tomando o viveiro; traíra, piranha e outros peixes que comem alevino
7 Solo e água pH da mistura de solo e água, meio a meio; alcalinidade da água pH abaixo de 6,5 ou alcalinidade abaixo de 20 mg/L pedem calagem FV
8 Acesso Ir de carro no inverno Ramal que fecha na chuva: ração não entra e peixe não sai
9 Energia Ver se há rede de 220 V Sem rede, a aeração de emergência é com motobomba a gasolina
10 Lugar perante a lei CAR; distância de igarapé; se o viveiro represa curso d'água Viveiro em margem de igarapé ou com barramento pede licença plena, não dispensa (arquivo 04)
11 Por que parou Conversa franca com o dono Se parou por ração cara, falta de comprador ou peixe morto, a causa tem de estar resolvida antes

Resultado da vistoria

Sinal Situação Decisão
Verde Tem água na seca, dique inteiro, saída funcionando Limpar, calar, adubar e povoar. Obra de até R$ 5 mil por hectare INF
Amarelo Vazamento localizado, saída quebrada, lodo, dique com erosão Reforma com máquina, de 10 a 20 horas por hectare. Obra de R$ 10 a 25 mil por hectare INF
Vermelho Seca no verão e não há outra fonte; dique rompido em várzea; em margem de igarapé sem possibilidade de licença; ramal fechado metade do ano Não reativar. Procurar outro viveiro

Ninguém sabe quantos dos 1.478 ha parados são verdes, amarelos ou vermelhos NE. É a primeira medida do piloto.

Estrutura depois da reforma

Água

O Acre recebe de 1.900 a 2.300 mm de chuva por ano; a conta de água fecha em 9 meses do ano. O risco é o verão de julho a setembro INF (estudo de base). O governo do estado decretou emergência por seca em 31/07/2026, por 180 dias FV. Viveiro tem de ficar sempre cheio: solo com muita argila racha quando seca e passa a vazar FV (Embrapa).

Trocar de 5% a 10% da água por dia vale tanto quanto um aerador FV (Senar). No verão acreano essa água pode não existir. Por isso o projeto não conta com troca: conta com densidade moderada, medição e aerador de emergência.

Energia

No semi-intensivo, a energia é cerca de 1% do custo FV. Só se usa para o aerador de emergência nas últimas semanas: 1,1 kW × 8 horas = 8,8 kWh por noite, cerca de R$ 9 com energia a R$ 0,95 a 1,05 por kWh com impostos INF.

Energia solar com bateria para arejar 1 hectare à noite custa de R$ 46 a 64 mil e não se paga contra a rede em menos de 20 anos INF. Não entra no projeto.

Espécies e por que elas

Espécie Papel Parte do viveiro Por quê
Tambaqui Principal; come ração 80% a 90% dos peixes O mais criado e o mais vendido no Acre; cresce bem em água verde; aguenta oxigênio baixo FV
Curimatã Secundária; come o lodo e o resto de ração 10% a 20%, junto com o piau Aproveita o que o tambaqui desperdiça, sem ração própria FV (manual da Embrapa). Valia R$ 28 por kg no varejo de Rio Branco em junho de 2025, contra R$ 22 do tambaqui FV
Piau Secundária Idem Já é 12% da produção do estado; o consumidor conhece FV

Atenção ao curimatã: em quantidade grande ele revolve o fundo e deixa a água barrenta FV (manual da Embrapa). E curimatã e piau não aguentam falta de oxigênio como o tambaqui: morrem primeiro FV.

Em 2022, tambaqui, curimatã e piau somaram 65,5% do peixe de cultivo do Acre (40,2% + 13,2% + 12,1%) FV. O projeto não inventa espécie.

Densidade

Meta de 5,1 t por hectare, com tambaqui de 1,5 kg e curimatã e piau de 1 kg INF:

Tambaqui Curimatã e piau Total
Peixes postos por hectare 3.300 700 4.000
Perda esperada 10% cerca de 14%
Peixes colhidos 3.000 600 3.600
Peso na colheita 1,5 kg 1,0 kg
Produção 4.500 kg 600 kg 5.100 kg

São 0,4 peixe por m². A tabela do manual da Embrapa, para colher 10 t por hectare com peixe de 1,5 kg, indica 667 alevinos por 1.000 m², ou 6.670 por hectare FV. Este projeto põe pouco mais da metade disso, de propósito: é o que o viveiro aguenta sem aerador ligado toda noite.

O manual da Embrapa conta com perda de cerca de 10% dos peixes num ciclo bem manejado e manda acrescentar essa margem no povoamento FV.

Produtividade alcançável com manejo

Nível t por hectare por ano Fonte
Média real do Acre 0,46 a 0,57 FV imagem de satélite e IBGE
Sem aerador e sem troca de água 5 a 6 FV Senar, coleção 195 (500 a 600 kg por 1.000 m²)
Meta deste projeto 5,1 INF estudo de base
Viveiro de pesquisa, 4.000 peixes por hectare, 304 dias 6 a 7 FV Embrapa, Boletim 29/2023: 1,63 kg, 94,4% de sobrevivência; 4.000 × 0,944 × 1,628 = 6,1 t; o boletim registra 0,7 kg por m²
Teto de projeto para viveiro escavado 8 a 10 FV Embrapa, manual de piscicultura familiar, 2024
Com aeradores ligados toda noite 18 a 25 FV Embrapa Amazônia Ocidental: 4 a 5 aeradores de 1,5 cv por hectare e 7.000 peixes por hectare. É outro projeto

Um aviso do próprio Acre: estudo de 2018 em 17 viveiros do estado achou só 3 dentro do limite seguro; 11 estavam em faixa de risco de morte por falta de oxigênio. O limite usado foi de 2.000 kg de peixe por hectare e 20 kg de ração por hectare por dia, sem aeração FV. O produtor acreano costuma pôr peixe demais para a água que tem. Por isso este projeto inclui oxímetro e aerador de emergência, e não sobe a meta no primeiro ciclo.

Alevino

Ração

Fase Peso Ração por dia (% do peso vivo) Tratos Proteína
Alevinagem 1 a 40 g 10% 3 a 4 40% a 50%
Recria 55 a 200 g 5% 2 36% a 42%
Recria final 200 a 700 g 3% 2 32% a 36%
Engorda 0,7 a 1 kg 3% caindo a 1% 2 28% a 32%
Terminação acima de 1 kg 1% 1 a 2 28%

Fonte: Embrapa Amapá, Comunicado Técnico 152 FV.

Ciclo

Cerca de 12 meses, contando o preparo: 1 mês de preparo e de 10 a 11 meses de engorda. A Embrapa mediu 304 dias de 94 g a 1,63 kg FV. Produtores de Mato Grosso e Rondônia levam cerca de 12 meses de 2 g a 2 kg ou mais FV.

Preparo do viveiro (a cada ciclo)

  1. Esvaziar e secar ao sol até o fundo rachar de leve.
  2. Desinfetar as poças com cal virgem (100 kg por 1.000 m²) ou cal hidratada (200 kg por 1.000 m²), 2 a 3 dias antes de encher FV (manual da Embrapa). Cal virgem e cal hidratada nunca com peixe dentro FV.
  3. Calagem com calcário agrícola, conforme o pH da mistura de solo e água FV (manual da Embrapa):
pH Calcário por 1.000 m² Por hectare
Menor que 5 300 kg 3 t
De 5 a 6 200 kg 2 t
De 6 a 7 100 kg 1 t
  1. Adubar com o viveiro pela metade: esterco de aves (800 a 1.000 kg por hectare), de porco curtido (1.500 a 1.800) ou de gado curtido (2.000 a 3.000); escolher um FV. Exemplo do manual com adubo químico: 50 kg de ureia, 30 kg de superfosfato simples e 100 kg de farelo de arroz por hectare FV.
  2. Encher e esperar a água esverdear, cerca de uma semana.
  3. Povoar.

Manejo

Todo dia (2 a 3 horas por hectare):

Duas a três vezes por semana, nas últimas 8 semanas: oxigênio às 20h e às 22h.

Toda semana: pH de manhã e à tarde; amônia quando a ração passar de 60 kg por hectare por dia FV (Senar).

A cada 15 dias na recria e todo mês na engorda: biometria. Pegar de 3% a 5% do lote com rede ou tarrafa, pesar, e refazer a conta da ração FV. Quem dá ração "no olho" perde a margem.

Transparência (disco de Secchi, a cada 15 dias): entre 30 e 50 cm está bom. Abaixo de 30 cm, parar a ração e renovar água. Acima de 50 cm, adubar FV.

Registro: caderno do produtor do Senar ou o aplicativo gratuito de gestão de aquicultura da Embrapa FV.

Qualidade da água: o que medir

Medida Faixa boa Frequência
Oxigênio Acima de 4 mg/L; de 1,5 a 4, estresse; abaixo de 1,5, morte Diária; de madrugada no fim do ciclo
Temperatura 26 a 30 °C Diária
pH 6,5 a 8,5 Semanal
Amônia tóxica Abaixo de 0,05 mg/L Semanal, com ração alta
Transparência 30 a 50 cm Quinzenal
Alcalinidade e dureza 60 a 150 mg/L No preparo

Fonte: cartilha de qualidade da água da Embrapa Amazônia Oriental FV.

Aeração de emergência

Quando ligar. Regra da Embrapa: medir o oxigênio às 20h e às 22h. Se caiu 2 mg/L em 2 horas, está perdendo 1 mg/L por hora e chega perto de 1 mg/L às 6h. É noite de ligar o aerador FV.

Sinais sem aparelho: peixe na superfície de boca aberta ao amanhecer; tambaqui de lábio inchado; curimatã e piau mortos; água que mudou de cor de repente; dois ou três dias nublados seguidos.

O que fazer, na ordem:

  1. Parar a ração.
  2. Ligar o aerador de chafariz de 1,5 cv (1,1 kW), de madrugada, perto da parte funda.
  3. Sem rede: motobomba a gasolina puxando água do próprio viveiro e devolvendo em leque ou cascata INF.
  4. Se houver água nova, abrir a entrada.
  5. Nos dias seguintes, tirar parte do peixe (despesca parcial) para aliviar o viveiro.
  6. Não adubar.

Um aerador por hectare aqui é socorro, não produção. O pacote da Embrapa para produzir de 18 a 25 t usa de 4 a 5 aeradores por hectare FV.

Sanidade

Despesca e conservação