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02 — Investimento e custos: viveiro escavado familiar reativado
Data-base: 03/10/2026. O estudo de base calculou o viveiro familiar de 1 ha com tanque novo e avisou que não refez a conta para o viveiro reativado NE . Esta ficha refaz. Tudo o que não tem outra marca é INF , com a conta à vista. 1. Reativar contra escavar…
- 1. Reativar contra escavar novo
- 2. Custo de um ciclo (1 hectare, 5.100 kg)
- 3. Custo fixo por ano
- 4. A conta para 0,5 ha, 1 ha e 2 ha
- 5. Ponto de equilíbrio e prazo de retorno
- 6. Escala mínima para um salário mínimo por mês
- 7. O que mexe no resultado (1 ha, vendendo a R$ 15)
- 8. O que mais pesa e como reduzir
- 9. Venda direta contra atravessador
- 10. Quando a conta não fecha
Data-base: 03/10/2026. O estudo de base calculou o viveiro familiar de 1 ha com tanque novo e avisou que não refez a conta para o viveiro reativado NE. Esta ficha refaz. Tudo o que não tem outra marca é INF, com a conta à vista.
1. Reativar contra escavar novo
Quanto custa escavar novo
| Referência | Valor por hectare | Marca |
|---|---|---|
| Roraima, 2022 (escavação, canais, grama, calagem, licença e projeto) | R$ 36.569 | FV |
| Rondônia, 2018–2022 (fazenda de 125 ha) | R$ 48.947 | FV |
| Hora de escavadeira no Acre, tabela oficial de custos de obras, jul/2026 | R$ 259,99 por hora; retroescavadeira, R$ 189,64 | FV |
| Hora-máquina orçada em projeto do governo estadual, 2024 | R$ 600 por hora | FV |
| Acre, 2026: 60 a 80 horas por hectare × R$ 260 a 600, mais licença e calagem | R$ 25 a 55 mil | INF estudo de base |
| Modelo do estudo de base para 1 ha novo: escavação de 3 viveiros (R$ 48.000), 2 aeradores (R$ 9.000), rede, caixas, balança e cerca (R$ 9.000) | R$ 66.000 | INF |
Quanto custa reativar (conta desta ficha)
Premissas: reforma de porte médio, com 15 horas de máquina por hectare a R$ 400 a hora (meio da faixa de R$ 260 a 600); um aerador de emergência por hectare; um jogo de equipamentos por propriedade.
| Item | 0,5 ha | 1 ha | 2 ha | Base do preço |
|---|---|---|---|---|
| Limpeza e roçagem (diárias de R$ 100) | 500 | 1.000 | 2.000 | INF |
| Hora-máquina: recompor dique, tirar lodo, fechar vazamento | 3.000 | 6.000 | 12.000 | INF 15 h por hectare × R$ 400 |
| Saída de água: cachimbo ou conserto de monge (1, 1 e 2 viveiros) | 1.500 | 1.500 | 3.000 | INF sem cotação |
| Telas e caixa de filtro na entrada | 300 | 300 | 600 | INF |
| Aerador de chafariz de 1,5 cv, 220 V, com cabo e boia | 2.500 | 2.500 | 5.000 | Aerador: de R$ 485 (anúncio conferido em 03/10/2026) a R$ 2.350 FV; adotado R$ 1.900 mais R$ 600 de cabo |
| Oxímetro | 1.000 | 1.000 | 1.000 | De R$ 395 a R$ 3.109 no varejo, conferido em 03/10/2026 FV; adotado valor intermediário |
| Kit de análise, disco de Secchi, termômetro | 400 | 400 | 400 | INF; kit de produtor sem preço público NE |
| Rede de arrasto, puçás, balança, caixas | 3.500 | 3.500 | 4.500 | INF |
| Documentos e projeto simples | 1.500 | 1.500 | 1.500 | INF parte baixa da faixa de R$ 3 a 15 mil do estudo |
| Total para reativar | 14.200 | 17.700 | 30.000 |
Conferência: 0,5 ha = 500 + 3.000 + 1.500 + 300 + 2.500 + 1.000 + 400 + 3.500 + 1.500 = 14.200. 1 ha = 1.000 + 6.000 + 1.500 + 300 + 2.500 + 1.000 + 400 + 3.500 + 1.500 = 17.700. 2 ha = 2.000 + 12.000 + 3.000 + 600 + 5.000 + 1.000 + 400 + 4.500 + 1.500 = 30.000.
Três graus de reforma (1 ha)
| Grau | O que inclui | Custo |
|---|---|---|
| Leve (sinal verde) | Limpeza, telas, equipamentos e documentos; sem máquina | 1.000 + 300 + 7.400 + 1.500 = R$ 10.200 |
| Médio (sinal amarelo) | O da tabela acima | R$ 17.700 |
| Pesado | 40 horas de máquina (R$ 16.000) e monge novo de alvenaria (R$ 3.500) | 1.000 + 16.000 + 3.500 + 300 + 7.400 + 1.500 = R$ 29.700 |
A comparação
- Reativar 1 ha, grau médio: R$ 17.700. Escavar 1 ha novo, pelo modelo do estudo: R$ 66.000. Reativar custa 27% do novo (17.700 ÷ 66.000) e poupa R$ 48.300.
- Só de máquina: 15 horas contra 60 a 80 horas por hectare.
- Se a reforma passar de 40 horas de máquina por hectare, ela chega perto do preço de escavar. É melhor procurar outro viveiro.
O número de 15 horas por hectare é hipótese desta ficha: ninguém levantou o estado real dos viveiros parados NE. Como referência, projeto do governo estadual de 2024 previa até 60 horas de máquina por produtor FV.
2. Custo de um ciclo (1 hectare, 5.100 kg)
| Item | Conta | R$ | % |
|---|---|---|---|
| Ração | 5.100 kg × 1,85 = 9.435 kg × R$ 5,00 | 47.175 | 82,5% |
| Alevinos | 4.000 × R$ 0,60 | 2.400 | 4,2% |
| Calcário | 2 t × R$ 1.000 a tonelada posta | 2.000 | 3,5% |
| Gelo e sacos | R$ 0,30 por kg de peixe × 5.100 | 1.530 | 2,7% |
| Diárias de despesca | 4 dias × 3 pessoas × R$ 100 | 1.200 | 2,1% |
| Combustível e frete até a feira | 12 viagens × R$ 80 | 960 | 1,7% |
| Adubo | ureia, superfosfato, farelo de arroz | 600 | 1,0% |
| Energia do aerador | 1,1 kW × 8 h × 60 noites = 528 kWh × R$ 1,00 | 530 | 0,9% |
| Sal, reagentes, conserto de rede | 500 | 0,9% | |
| Cal para desinfetar poças | 200 kg × R$ 1,50 | 300 | 0,5% |
| Custo do ciclo | 57.195 | 100% | |
| Mão de obra | da família, 2 a 3 horas por dia, não paga | 0 |
Soma conferida: 47.175 + 2.400 + 2.000 + 1.530 + 1.200 + 960 + 600 + 530 + 500 + 300 = 57.195.
Custo variável por kg: 57.195 ÷ 5.100 = R$ 11,21.
Premissas: ração a R$ 5,00 por kg (faixa de R$ 4,50 a 5,50 posta em Rio Branco INF); calcário entre R$ 600 e R$ 2.000 a tonelada conforme o frete INF; energia a R$ 0,95 a 1,05 por kWh com impostos INF.
A ração pesa 82,5%, dentro da faixa de 61% a 87% dos estudos de campo FV. O estudo de base chegou a R$ 10,75 por kg de custo variável (R$ 55.132 ÷ 5.130 kg); esta ficha dá R$ 0,46 a mais porque conta gelo, diárias e frete de venda.
3. Custo fixo por ano
Obra e documentos se desgastam em 10 anos; equipamentos, em 5 anos. Juros de 2% ao ano (Pronaf) sobre o investimento e sobre o dinheiro do ciclo.
| 0,5 ha | 1 ha | 2 ha | |
|---|---|---|---|
| Desgaste da obra e documentos (÷ 10) | 6.800 ÷ 10 = 680 | 10.300 ÷ 10 = 1.030 | 19.100 ÷ 10 = 1.910 |
| Desgaste dos equipamentos (÷ 5) | 7.400 ÷ 5 = 1.480 | 7.400 ÷ 5 = 1.480 | 10.900 ÷ 5 = 2.180 |
| Juros do investimento (2%) | 284 | 354 | 600 |
| Juros do dinheiro do ciclo (2%) | 572 | 1.144 | 2.288 |
| Custo fixo por ano | 3.016 | 4.008 | 6.978 |
4. A conta para 0,5 ha, 1 ha e 2 ha
Um ciclo por ano. Custo do ciclo proporcional à área: R$ 28.598 (0,5 ha), R$ 57.195 (1 ha), R$ 114.390 (2 ha).
| 0,5 ha | 1 ha | 2 ha | |
|---|---|---|---|
| Investimento para reativar | R$ 14.200 | R$ 17.700 | R$ 30.000 |
| Dinheiro para o ciclo, antes da primeira venda | R$ 28.598 | R$ 57.195 | R$ 114.390 |
| Produção por ano | 2.550 kg | 5.100 kg | 10.200 kg |
| Custo total por kg | (28.598 + 3.016) ÷ 2.550 = R$ 12,40 | (57.195 + 4.008) ÷ 5.100 = R$ 12,00 | (114.390 + 6.978) ÷ 10.200 = R$ 11,90 |
Três cenários de preço
| Preço | 0,5 ha | 1 ha | 2 ha | |
|---|---|---|---|---|
| R$ 12 (atravessador) | Receita | 30.600 | 61.200 | 122.400 |
| Resultado por ano | 30.600 − 28.598 − 3.016 = −1.014 | 61.200 − 57.195 − 4.008 = −3 | 122.400 − 114.390 − 6.978 = 1.032 | |
| Por mês | −R$ 85 | R$ 0 | R$ 86 | |
| R$ 15 (venda direta) | Receita | 38.250 | 76.500 | 153.000 |
| Resultado por ano | 38.250 − 28.598 − 3.016 = 6.636 | 76.500 − 57.195 − 4.008 = 15.297 | 153.000 − 114.390 − 6.978 = 31.632 | |
| Por mês | R$ 553 | R$ 1.275 | R$ 2.636 | |
| R$ 18 (feira, Semana Santa) | Receita | 45.900 | 91.800 | 183.600 |
| Resultado por ano | 45.900 − 28.598 − 3.016 = 14.286 | 91.800 − 57.195 − 4.008 = 30.597 | 183.600 − 114.390 − 6.978 = 62.232 | |
| Por mês | R$ 1.191 | R$ 2.550 | R$ 5.186 |
Em 1 ha, o resultado a R$ 15 (R$ 15.297 por ano) fica muito perto do que o estudo de base achou para o hectare familiar vendendo direto (R$ 15.152). A R$ 12, os dois dão zero.
O curimatã e o piau foram contados ao mesmo preço do tambaqui. No varejo de Rio Branco o curimatã valia R$ 6 a mais por kg (R$ 28 contra R$ 22, junho de 2025) FV. É folga, não está na conta.
5. Ponto de equilíbrio e prazo de retorno
| 0,5 ha | 1 ha | 2 ha | |
|---|---|---|---|
| Preço que empata (custo total por kg) | R$ 12,40 | R$ 12,00 | R$ 11,90 |
| Prazo de retorno do investimento, a R$ 15 | 14.200 ÷ 6.636 = 2,1 anos | 17.700 ÷ 15.297 = 1,2 ano | 30.000 ÷ 31.632 = 0,9 ano |
| Prazo de retorno a R$ 12 | não há | não há | 29 anos |
No tanque novo do estudo de base, o retorno a R$ 15 era de 4,4 anos. Reativar encurta para pouco mais de 1 ano, porque a obra cara já está feita.
O prazo de retorno não conta o maior obstáculo: é preciso ter R$ 57 mil por hectare para ração, alevino e insumos antes de vender o primeiro peixe.
6. Escala mínima para um salário mínimo por mês
Salário mínimo de 2026: R$ 1.621 por mês, R$ 19.452 por ano FV.
Sobra por kg depois do custo do ciclo: R$ 15 − 11,21 = R$ 3,79. Custo fixo: cerca de R$ 1.038 mais R$ 2.970 por hectare (pela tabela do item 3, entre 1 e 2 ha).
- A R$ 15: cada hectare deixa 5.100 × 3,79 = 19.329, menos 2.970 de fixo = 16.359. Para chegar a 19.452 + 1.038 = 20.490: 20.490 ÷ 16.359 = 1,25 ha.
- A R$ 18: sobra de R$ 6,79 por kg; cada hectare deixa 5.100 × 6,79 − 2.970 = 31.659. 20.490 ÷ 31.659 = 0,65 ha.
- A R$ 12: sobra de R$ 0,79 por kg; cada hectare deixa 5.100 × 0,79 − 2.970 = 1.059. Seriam 20.490 ÷ 1.059 = 19 ha. Na prática, inviável para família.
O estudo de base dá 1,2 ha a R$ 15 e cerca de 4 ha a R$ 12 (ver números-base). A R$ 15 as duas contas batem. A R$ 12 esta ficha é mais dura, porque inclui gelo, diárias, frete e juros. A conclusão é a mesma: a R$ 12 por kg não há escala familiar que resolva; a R$ 15, pouco mais de 1 hectare paga um salário mínimo. A divergência está registrada no arquivo 06.
7. O que mexe no resultado (1 ha, vendendo a R$ 15)
| Mudança | Conta | Resultado por ano | Por mês |
|---|---|---|---|
| Base | 15.297 | 1.275 | |
| Ração a R$ 6,00 por kg | custo sobe 9.435 × 1,00 = 9.435 | 5.862 | 489 |
| Ração a R$ 4,20 por kg (carreta coletiva) | custo cai 9.435 × 0,80 = 7.548 | 22.845 | 1.904 |
| Metade vendida direto a R$ 15 e metade ao atravessador a R$ 12 (média de R$ 13,50) | 5.100 × (13,50 − 11,21) − 4.008 | 7.671 | 639 |
| Produção de 7 t por hectare (manejo afinado, aerador mais usado) | 7.000 × 3,79 − 4.008 − 426 de juros a mais | 22.096 | 1.841 |
| Mortalidade de 30% em vez de 10% | produção cai para 5.100 × 0,7 ÷ 0,9 = 3.967 kg; perde 1.133 kg × R$ 15 = 16.995 de venda; economiza cerca de 5.580 em ração e gelo | cerca de 3.900 | cerca de 325 |
| Produção na média real do Acre (0,46 t), sem ração | 460 kg × R$ 15 = R$ 6.900 de receita bruta | não comparável |
Leitura: R$ 3 a mais no preço valem R$ 15.300 por ano num hectare (5.100 × 3). R$ 1 a menos na ração vale R$ 9.435. Preço e ração decidem; o resto é detalhe.
8. O que mais pesa e como reduzir
- Ração (82,5%). Compra coletiva em carreta: de R$ 5,00 para cerca de R$ 4,20 por kg INF. Uma carreta de 25 a 30 t é a ração de três hectares por ano. Biometria mensal e regra dos 15 minutos para não jogar ração fora.
- Preço de venda. Vender direto (item 9).
- Mortalidade. Quarentena do alevino, oxímetro, aerador de emergência.
- Dinheiro do ciclo. Crédito de custeio a 2% custa R$ 1.144 por hectare por ano; sem ele, o peixe passa fome e o ciclo atrasa (arquivo 05).
- Hora-máquina. Patrulha mecanizada da prefeitura ou do estado, com fila pública, em vez de máquina particular a R$ 600 a hora.
9. Venda direta contra atravessador
| Canal | Preço ao produtor | Marca | O que exige |
|---|---|---|---|
| Atravessador, na beira do viveiro | Cerca de R$ 12; pode cair fora da Semana Santa | INF; o produtor de Rondônia recebe R$ 11 a 12 (2026) FV | Nada; leva tudo de uma vez |
| Feirante ou peixaria, entregue na cidade | R$ 13 a 16 | INF; o peixe de Rondônia chega a Rio Branco a R$ 18 no atacado (abr/2025) FV | Entrega regular, peixe de tamanho igual, gelo |
| Venda direta na porteira, vivo ou fresco | R$ 15 a 18 | INF; média do tambaqui ao produtor no Acre em 2024: R$ 15,07 FV | Divulgação, ramal aberto, balança |
| Banca própria em feira | R$ 20 a 24 ao consumidor | FV R$ 22 em Rio Branco (jun/2025); R$ 24 em Cruzeiro do Sul e R$ 20 em Mâncio Lima (Semana Santa de 2026) | Tempo, transporte, gelo, lugar na feira |
| Merenda escolar, por cooperativa com unidade inspecionada | Preço de chamada pública | FV limite de R$ 40 mil por CAF por ano | CAF, inspeção, nota fiscal, peixe sem espinha e congelado |
A diferença entre R$ 12 e R$ 15 é toda a renda do hectare: R$ 0 contra R$ 15.297 por ano.
Vender direto dá trabalho. Um hectare são 5.100 kg. A 150 kg por dia de feira, são 34 dias de feira no ano INF. Caminhos práticos:
- Despescar aos poucos, de 300 a 500 kg, com comprador combinado.
- Guardar os maiores peixes para a Semana Santa e ter peixe no defeso (15/11 a 15/03), quando falta peixe de rio.
- Juntar de 5 a 10 produtores para dividir banca, transporte e gelo.
- Vender ao atravessador só o que sobrar. Metade direto e metade ao atravessador ainda deixa R$ 639 por mês.
O risco da venda direta é o calendário: se todos despescam na Semana Santa, o preço cai. Quem tem dois viveiros escalona.
10. Quando a conta não fecha
- Venda a R$ 12 por kg ou menos.
- Ração posta acima de R$ 6 por kg com venda abaixo de R$ 15.
- Sem dinheiro para a ração do ciclo inteiro: peixe mal alimentado, ciclo esticado, venda forçada.
- Reforma pesada, acima de 40 horas de máquina por hectare.
- Viveiro que seca no verão.
- Meio hectare só: a R$ 15 rende R$ 553 por mês. Ajuda, mas não sustenta a família.
- Mortalidade de 30% ou mais.