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01 — Descrição técnica
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado. A ideia em uma frase Oito famílias criam tambaqui em viveiros que já existem e estão parados. A cooperativa faz por elas o que nenhuma…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado.
A ideia em uma frase
Oito famílias criam tambaqui em viveiros que já existem e estão parados. A cooperativa faz por elas o que nenhuma consegue fazer sozinha: compra ração em carreta, paga um técnico, despesca, guarda no frio e vende em contrato.
O tanque é a parte barata. A margem vem do frio e da ração coletiva INF (estudo de economia, frente 3).
Como o módulo se arruma
|
O raio de 30 km é recomendação desta ficha INF: o peixe precisa chegar ao gelo e à câmara no mesmo dia, e o técnico precisa visitar todos na semana.
Estrutura e dimensões
| Item | Quantidade | Observação | Marca |
|---|---|---|---|
| Lâmina d'água | 8 ha | viveiros escavados já existentes, reformados | INF estudo |
| Viveiros | 16 a 32 | de 2.500 a 5.000 m² cada; profundidade de 1,2 a 1,8 m | INF |
| Aeradores de 1,5 cv | 16 (2 por hectare) | ligados à noite nos 4 meses finais do ciclo | INF estudo |
| Câmara fria | 1, de 20 m³ | guarda cerca de 4 t de peixe em caixas | INF |
| Energia solar | 10 kWp | só para a câmara, que trabalha de dia; sem bateria | INF estudo |
| Veículo e material de despesca | 1 conjunto | utilitário, caixas isotérmicas, rede, balança | INF estudo |
| Técnico-gerente | 1 | contratado pela cooperativa | INF estudo |
O Acre tem 1.478 ha de viveiro parado, 22,9% da lâmina d'água do estado FV. Por isso o módulo reforma; não escava. Reforma quer dizer: roçar e refazer talude com inclinação de 45 graus, consertar ou instalar o monge (a saída de água), fazer vertedouro, secar, calar e encher. Em Cruzeiro do Sul, um estudo de 20 tanques achou talude a 90 graus e tanque sem monge FV. Em dezembro de 2025, chuva forte rompeu barragens em cascata no estado FV. Viveiro de barragem só entra com vertedouro.
Água e energia
- Água: chuva e nascente ou igarapé represado. O viveiro semi-intensivo repõe só a evaporação e a infiltração. Trocar 5% a 10% da água por dia vale tanto quanto um aerador (Senar) FV, mas a seca de 2023 a 2026 tornou essa troca pouco confiável FV.
- Energia nos viveiros: rede elétrica. A aeração é noturna, e energia solar para aerar de noite exige bateria; não compensa (retorno em 17 anos) INF.
- Energia na câmara: 10 kWp solares. A câmara consome cerca de 36 kWh por dia INF (R$ 13.800 por ano ÷ R$ 1,05 por kWh ÷ 365 dias). A placa gera 10 × 4,5 × 0,75 = 33,75 kWh por dia INF. Retorno em 2,9 anos INF.
- Tarifa: R$ 0,830 por kWh sem tributos na distribuidora do Acre em 2026 FV; cerca de R$ 1,05 com tributos INF.
Espécie e por que ela
Tambaqui, com 10% a 20% de curimatã e piau no mesmo viveiro.
- É o peixe que o produtor acreano cria há 45 anos e que o consumidor compra. Era o mais barato da banca na Ceasa de Rio Branco: R$ 22 por kg em junho de 2025 FV.
- Come ração de 28% a 32% de proteína, a mais barata FV.
- Curimatã e piau aproveitam o fundo e as sobras. Pesquisa da Embrapa publicada em 2025 mediu 25% mais proteína por hectare com tambaqui e curimatã juntos, sem ração a mais FV. Ainda não foi validada no Acre NE.
- Pirarucu fica fora: alevino de R$ 10 a 16 e recria medida a R$ 39,84 por kg (Embrapa) FV. Tilápia fica fora: na prática não é licenciável na bacia amazônica FV.
Povoamento, densidade e alevino
| Item | Valor | Marca |
|---|---|---|
| Juvenis por hectare | 4.200 (0,42 por m²) | INF reconstituição da conta do estudo |
| Juvenis no módulo | 33.600 | 8 × 4.200 INF |
| Sobrevivência | 90% (30.240 peixes) | INF estudo; a Emater do Pará orça 10% de perda em viveiro FV |
| Peso de abate | 1,9 kg | INF reconstituição |
| Produção | 57.456 kg por ciclo (7,2 t por hectare) | 30.240 × 1,9 kg INF |
| Tempo até o abate | 10 a 12 meses | a Embrapa mediu 304 dias em viveiro para 1,7 kg FV |
- Alevino ou juvenil: vem de laboratório de Rondônia (13 laboratórios; Porto Velho a cerca de 510 km de Rio Branco) FV. Alevino posto no Acre custa R$ 0,30 a 0,45 INF. A conta do estudo usa R$ 0,60, que cobre juvenil maior e perda de transporte INF.
- Exigir do fornecedor: nota fiscal e GTA. Sem isso o peixe não tem origem.
- Quarentena: no mínimo 3 semanas em viveiro ou tanque separado (Embrapa) FV. Não existe remédio registrado para os parasitos mais comuns FV. A defesa é não deixar entrar.
- Por que 4.200 por hectare e não mais: sem aerador, o teto seguro é 5 a 6 t por hectare (Senar) FV. Com aerador e sem troca de água, 8 a 10 t FV. O módulo mira 7,2 t. O pacote intensivo da Embrapa no Amazonas (7.000 peixes por hectare, 4 a 5 aeradores, 18 a 25 t) exige energia firme e capital que o grupo não tem no começo FV.
Ração
| Item | Valor | Marca |
|---|---|---|
| Conversão alimentar | 1,8 kg de ração por kg de peixe | INF estudo; medições: 1,74 (Embrapa TO), 2,0 (Pará), 2,25 (fazenda de RO) FV |
| Ração por ciclo | 106,3 t (4.252 sacos de 25 kg) | 57.456 × 1,8 + ração dos peixes que morrem INF |
| Carretas de 28 t por ano | 3,8 | 106,3 ÷ 28 INF |
| Preço na conta | R$ 4,20 por kg, em carreta | INF estudo |
A conta da ração: 57.456 kg × 1,8 = 103.421 kg. Os 3.360 peixes que morrem chegam em média à metade do peso e comem metade da ração: 3.360 × 0,95 kg × 1,8 × 0,5 = 2.873 kg. Total: 106.294 kg INF.
Divisão por fase, pela proporção do relatório técnico regional de 2024 FV (para a proporção; INF aplicada ao módulo):
| Fase | Ração | Parte do total | No módulo |
|---|---|---|---|
| Alevinagem (até 40 g) | 50% de proteína, pó e 1 a 2 mm | 2% | 2,1 t |
| Recria inicial | 42% de proteína | 5% | 5,3 t |
| Recria (55 a 200 g) | 36% de proteína | 10% | 10,6 t |
| Recria final (200 a 700 g) | 32% de proteína | 13% | 13,8 t |
| Engorda e terminação | 28% de proteína, 6 a 8 mm | 70% | 74,4 t |
Quanto dar por dia (Embrapa Amapá) FV: 10% do peso vivo na alevinagem, em 3 a 4 tratos; 5% na recria, em 2 tratos; 3% caindo para 1% na engorda, em 1 a 2 tratos. O peixe deve comer tudo em 15 minutos. Abaixo de 23 °C, cortar a ração pela metade.
Manejo
Todo dia (a família, 2 a 3 horas por hectare) INF (sobre FV): - medir oxigênio e temperatura antes do primeiro trato; - dar ração 2 vezes e olhar se o peixe come em 15 minutos; - retirar peixe morto, anotar e enterrar com cal; - olhar o nível da água, a tela de entrada e o talude.
Duas a três vezes por semana, nas últimas 8 semanas: medir oxigênio às 20h e às 22h. Se caiu 2 mg/L em duas horas, vai faltar oxigênio de madrugada: ligar o aerador (regra da Embrapa) FV.
Toda semana (o técnico passa em cada família): pH de manhã e de tarde; amônia quando a ração passa de 60 kg por hectare por dia; conferir o caderno.
Todo mês: biometria. Pesar 3% a 5% do lote e recalcular a ração FV. Quem dá ração "no olho" perde a margem.
Por ciclo: secar, calar (1 a 3 t de calcário por hectare, conforme o solo), adubar, encher 7 dias antes de povoar FV.
Qualidade da água: o que medir
| O que medir | Faixa boa | Quando |
|---|---|---|
| Oxigênio dissolvido | acima de 4 mg/L; abaixo de 1,5 mata | todo dia; de noite nas últimas 8 semanas |
| Temperatura | 26 a 30 °C | todo dia |
| pH | 6,5 a 8,5 | toda semana |
| Amônia tóxica | abaixo de 0,05 mg/L | toda semana com ração alta |
| Transparência (disco de Secchi) | 30 a 50 cm | a cada 15 dias |
| Alcalinidade e dureza | 60 a 150 mg/L | no preparo do viveiro |
Faixas da cartilha da Embrapa Amazônia Oriental (2018) e do Senar (2017) FV. O módulo precisa de 2 oxímetros e 2 kits de análise, que circulam com o técnico INF.
Sanidade
- Doenças mais comuns: parasitos de brânquia, verme de intestino (acantocéfalo), bactérias que dão ferida no corpo FV (Embrapa, 2026).
- Quase não há remédio registrado no Brasil para peixe FV. O que é legal e funciona: sal (8 g por litro no transporte), cal virgem no viveiro vazio, secagem entre ciclos, quarentena.
- Cadastro de cada viveiro no Idaf e GTA em todo transporte de peixe vivo FV.
- Mortalidade de 30% em vez de 10% tira R$ 93 mil por ano do módulo INF. É por isso que ele paga um técnico.
Despesca e conservação
O módulo não despesca tudo de uma vez. A regra é despesca parcial, toda semana.
- Produção de 57.456 kg ÷ 52 semanas = cerca de 1,1 t por semana INF.
- A câmara de 20 m³ guarda cerca de 4 t, três a quatro semanas de produção INF. Ela não guarda a safra inteira. Quem guarda a safra é o próprio viveiro, com o peixe vivo.
- O que livra o grupo da venda forçada na Semana Santa é o conjunto: povoar em dois ou mais lotes, despescar toda semana, ter contrato e usar a câmara como pulmão INF.
Protocolo da Embrapa FV: 1. Jejum de 24 a 48 horas. 2. Despesca de manhã cedo, com rede de arrasto. 3. Insensibilizar em água com gelo, na proporção de 1 para 1, e sangrar. 4. Gelo em escama: 2 kg de gelo por kg de peixe, para manter 5 °C no centro do peixe. 5. Caixas ou monoblocos de 20 kg, peixe e gelo em camadas. 6. Levar à câmara no mesmo dia.
Gelo necessário se todo o peixe for para o gelo: 57.456 × 2 = 115 t por ano, ou 2,2 t por semana INF. O preço do gelo no Acre não foi encontrado NE. A conta do estudo põe R$ 0,30 por kg de peixe para gelo e embalagem INF.
Atenção: câmara fria não é inspeção. Peixe abatido só pode ser vendido a terceiros (merenda, mercado) se passar por estabelecimento registrado no serviço de inspeção municipal ou estadual FV. Ver arquivo 04. E câmara a 18 graus negativos conserva o que já está congelado; para congelar 200 kg por dia é preciso túnel ou congelador de placas, que não está no orçamento do estudo INF.
Quem faz o quê
| Tarefa | Quem faz | Como é pago |
|---|---|---|
| Trato, medição, vigilância, caderno | a família, no seu viveiro | não recebe salário; recebe pelo peixe entregue e pela sobra |
| Plano de ração, biometria, sanidade, licenças, compra, venda | técnico-gerente | salário da cooperativa (R$ 45.500 por ano na conta do estudo) INF |
| Despesca | equipe de diaristas, de preferência das próprias famílias | diária (R$ 11.520 por ano na conta) INF |
| Compra de ração e alevino | cooperativa | desconta da família na entrega do peixe |
| Câmara, gelo, transporte, nota fiscal, contrato | cooperativa | taxa por kg, dentro do custo do módulo |
| Fiscalizar a diretoria e o gerente | conselho fiscal e assembleia | sem remuneração |
A divisão da sobra e a governança estão no arquivo 02 (seção "Como dividir") e no arquivo 03 (passo 2).
O que este módulo não é
- Não é indústria. Não tem frigorífico próprio de grande porte. A indústria de pescado montada com dinheiro público no estado faliu em 2024 porque foi dimensionada antes da base produtiva FV.
- Não é tanque novo. Se não houver 8 ha parados e reformáveis no raio da sede, o módulo não se instala ali.
- Não é para pescador com carteira (RGP) ativa enquanto não houver resposta sobre o seguro-defeso. Ver arquivo 04.