Início›Projetos›03 Módulo de 8 ha›Casos, fontes e riscos
06 — Casos, riscos, lacunas e fontes
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa; NE não encontrado. Onde isso já funcionou e onde falhou Não foi localizado nenhum módulo associativo de viveiros com câmara fria e contrato de merenda medido e publicado no Acre NE . O que…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa; NE não encontrado.
Onde isso já funcionou e onde falhou
Não foi localizado nenhum módulo associativo de viveiros com câmara fria e contrato de merenda medido e publicado no Acre NE. O que existe são casos parecidos, que ensinam o que faz o grupo durar.
Deram certo
| Caso | Lugar e ano | Número | O que fez dar certo | Marca |
|---|---|---|---|---|
| Criação de tambaqui da colônia de pescadores, em tanque-rede | Candeias do Jamari (RO), 1998–2006 | 25 pescadores; capacidade esperada de 51 t por ano; conversão de 1,6 | gestão técnica contratada de 2003 a 2006 | FV |
| Polo de Ariquemes e Vale do Jamari | Rondônia, 2009–2025 | 1.849 ha; 14.341 t por ano | frigoríficos com inspeção, fábrica de ração e alevino a menos de 100 km antes da escala | FV |
| Associação estadual de criadores | Rondônia, desde 2009 | mais de 50 sócios; 40% da produção do estado | organização com escala de venda, não só para receber convênio | FV |
| Transporte público do peixe do pequeno | Roraima, 2017–2019 | 16.000 t no estado; 7.000 t vendidas a Manaus em 2018 | caminhão do estado leva o peixe; o produtor paga gelo e diesel; ração com grão local | FV |
| Merenda estadual comprando pescado regional processado | Acre, 2026 | R$ 2,99 milhões; 48.408 pacotes de 800 g; duas cooperativas | comprador público com contrato; produto sem espinha, congelado | FV |
| Venda direta em feira | Cruzeiro do Sul, abril de 2026 | uma produtora vendeu cerca de 600 kg e R$ 20 mil em uma feira (R$ 33 por kg) | venda direta ao consumidor | FV |
Falharam
| Caso | Lugar e ano | Número | O que fez falhar | Marca |
|---|---|---|---|---|
| Indústria estadual de pescado com dinheiro público | Senador Guiomard (AC), 2011–2024 | R$ 82 a 86 milhões investidos; frigorífico para 70 t por dia; pico real de 8,5 t por dia; falência em 2024 | indústria para 20 mil t por ano num estado que nunca passou de 6 mil t; atraso de pagamento ao produtor; produtor era sócio, credor e fornecedor | FV |
| Parques aquícolas para pescadores | Tucuruí (PA), 2011–2012 | 325 pescadores; 2.600 tanques prometidos, 360 entregues, 145 povoados; um ciclo | tudo doado; sem alevino, ração e frigorífico na região; sem gestão | FV |
| Cópias do projeto de Candeias | Costa Marques e Guajará-Mirim (RO) | mesmo pacote técnico | "gestão administrativa" das instituições locais | FV |
| Distribuição de alevino sem ração nem crédito | Amazonas, 35 anos | 25% da lâmina d'água parada | o tanque enche no primeiro ciclo e esvazia no segundo | FV |
| Cooperativas que vivem de convênio | Acre, 2025–2026 | repasses de R$ 70 mil a R$ 1,1 milhão por termo | cooperativa como veículo de repasse, não como vendedora; resultado dos convênios não publicado NE | FV |
| Programa com dinheiro de cooperação internacional | Acre | R$ 4,52 milhões planejados para a piscicultura; R$ 0 executado | projeto sem execução corrói a confiança | FV |
| Rondônia depois do auge | Rondônia, 2020–2022 | queda de 12,6%; 57% das pisciculturas paradas; margem de 8% no tambaqui inteiro | peixe inteiro fresco, ração cara, mercado saturado | FV |
O que os casos dizem, em quatro frases
- Operador técnico. Pescador e pequeno produtor viram piscicultores quando alguém opera o negócio com eles nos primeiros anos. Sem isso, o mesmo pacote falha.
- Comprador âncora. Quem tem contrato não vende na Semana Santa pelo preço que derem.
- Cadeia de trás para frente. Inspeção, ração e alevino antes do tanque. Indústria antes da base quebra.
- Pagamento em dia. O calote ao produtor foi o que esvaziou os viveiros do Acre.
Riscos e como reduzir
| Risco | Chance | Dano | Como reduzir |
|---|---|---|---|
| Venda a R$ 12 ou menos ao atravessador | alta | resultado cai para R$ 24.855 por ano; a R$ 10,40 vira prejuízo de R$ 67 mil | contrato antes de povoar; despesca semanal; câmara; merenda e venda direta |
| Ração acima de R$ 5 por kg | alta | a R$ 5,00, o resultado base vai a −R$ 2.724 | contrato de 12 meses em carreta (projeto 04) |
| Mortalidade alta por falta de oxigênio ou doença | média | 30% de perda custa R$ 93,6 mil | técnico; oxímetro; aerador; quarentena de 3 semanas |
| Queda de energia de madrugada | média | perda de um viveiro em uma noite | gerador pequeno de reserva; medir oxigênio às 22h; reduzir ração |
| Rompimento de barragem na cheia | média | perda do viveiro e do peixe | só reformar viveiro com vertedouro; vistoria depois de chuva |
| Seca | média | falta de reposição de água; amônia sobe | viveiro mais fundo; não povoar viveiro que seca; reduzir densidade |
| Giro do segundo ciclo | alta | R$ 549 mil antes da primeira venda | custeio com prazo maior que o ciclo; fundo de reserva; não distribuir toda a sobra |
| Inspeção não sai | alta | fica fora da merenda | começar pelo entreposto regional ou pela venda a quem já tem inspeção |
| Gestão amadora ou captura da cooperativa | média | calote, briga, fim do grupo | gerente contratado; conselho fiscal ativo; quadro de contas mensal; duas assinaturas |
| Perda do seguro-defeso | incerta | até R$ 8.105 por ano por pescador | titular sem RGP ativo até a resposta dos ministérios |
| Tambaqui sem prova de origem | média | apreensão; recusa do comprador | dispensa ou licença do IMAC; nota com número do registro |
| Furto de peixe | média | perda direta | viveiro perto da casa; vigilância combinada |
| Teto de R$ 40 mil por família no PNAE | certa | só 19% da produção cabe na rede estadual com 8 famílias | mais sócios fornecendo; várias prefeituras; outros canais |
O que não fazer
- Escavar viveiro novo.
- Comprar alevino antes de ter ração contratada e comprador.
- Despescar tudo na Semana Santa.
- Construir sala de beneficiamento ou comprar caminhão antes do contrato.
- Deixar dirigente comprar, vender e pagar sem conferência.
- Tratar convênio como receita.
- Prometer R$ 2.050 por mês por família. Esse é o melhor cenário, com tudo dando certo e sem parcela de financiamento.
- Criar tilápia ou pirarucu no módulo.
- Incluir pescador com RGP ativo antes da resposta sobre o seguro-defeso.
- Dimensionar pelo que a máquina aguenta. Dimensionar pelo que o contrato compra.
Divergências registradas
Números desta pasta que diferem entre as fontes internas, ou que esta ficha refez:
- Investimento. O estudo põe R$ 384 mil de viveiros a preço de obra nova dentro dos R$ 661 mil. O projeto é de reativação. Esta ficha mantém os R$ 661 mil como número de referência e mostra ao lado cerca de R$ 397 mil com reforma INF.
- Retorno de 8,0 anos. O estudo divide o investimento pelo resultado depois da depreciação. Pelo caixa (resultado mais depreciação: 82.311 + 45.152 = 127.463), o retorno seria de 5,2 anos. Mantido o critério do estudo, mais prudente.
- Alevino. A conta usa R$ 0,60 por unidade; o dado-base é R$ 0,30 a 0,45 posto no Acre. A diferença (33.600 × 0,15 a 0,30 = R$ 5 a 10 mil por ciclo) é pequena. Mantido o valor do estudo.
- Tarifa de energia. O estudo usa R$ 1,05 por kWh com tributos; outra frente do dossiê usa R$ 0,947. Mantido R$ 1,05.
- Juros do custeio. Não estão na conta do estudo. Acrescentam cerca de R$ 9 a 12 mil por ano.
- Fundos legais da cooperativa. O estudo divide o resultado inteiro por 8 famílias (R$ 857). Depois dos 15% de fundos obrigatórios, a distribuição é de R$ 729.
- Inspeção. O estudo lista "câmara fria e inspeção licenciadas" como gatilho, mas o orçamento de R$ 661 mil não tem sala de beneficiamento.
- Taxa do FNO. O capítulo de crédito do plano registra 8,21% ao ano; a frente de crédito do dossiê registra 9,22% para o ciclo anterior. Usado o do plano, conferido em 2026.
- Famílias. O estudo calcula com 8 famílias; o gatilho do plano pede cooperativa com 40. Não se contradizem: 8 é o núcleo que cria; 40 é o tamanho da cooperativa.
Lacunas: o que ninguém mediu e o primeiro módulo precisa medir
| O que medir | Por que decide |
|---|---|
| Custo real de reforma por hectare, viveiro a viveiro | define se o investimento é R$ 397 mil ou mais |
| Quantos hectares parados têm água, talude e dono disposto, por município | define onde cabe um módulo |
| Consumo de energia e custo de uma câmara de 20 m³ no clima do Acre | fecha a conta da câmara, hoje estimada |
| Preço e oferta de gelo em escama no polo | 115 t de gelo por ano se tudo for para o gelo |
| Conversão alimentar e mortalidade em viveiro familiar acreano | os dados são de Rondônia, Pará e Tocantins |
| Oxigênio de madrugada em viveiros reais, na seca e na cheia | define horas de aeração |
| Preço pago pelo atravessador, mês a mês | a média do IBGE pode esconder R$ 9 a 10 fora da feira |
| O que é o "pescado sem espinha" da merenda e qual o rendimento sobre o peixe inteiro | define se o kg inteiro vale R$ 18 ou R$ 25 |
| Custo de processar 1 kg de tambaqui (mão de obra, embalagem, frio, responsável técnico) | idem |
| Prazo e taxa reais do IMAC e do serviço de inspeção para o primeiro pedido | hoje não publicados |
| Resposta dos ministérios sobre seguro-defeso e aquicultura | define quem pode ser titular |
| Policultivo de tambaqui com curimatã em viveiro acreano | 25% a mais de proteína foi medido no Tocantins, não no Acre |
| Efeito do contrato de ração sobre o preço posto no polo | ver projeto 04 |
Fontes
Material interno já apurado (conteúdo técnico, econômico e legal): - Dossiê de piscicultura em tanques no Acre, frentes 3 (economia), 4 (mercado), 5 (licenciamento), 6 (crédito), 7 (casos) e 8 (manejo). Setembro de 2026. - Plano estadual, capítulos de piscicultura em tanques e de crédito; pesquisa de cadeia de valor e mercado. Outubro de 2026.
Fontes abertas:
- PNCP. Credenciamento SEE 12/2025, item 44, "pescado regional sem espinha congelado", resultado homologado em 07/04/2026. pncp.