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02 — Investimento e custos

Data-base: 03/10/2026. Preços de 2025 e 2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa ou conta; NE não encontrado. Toda a conta desta pasta parte do modelo "D" do estudo de economia (frente 3 do dossiê de piscicultura). É estimativa do estudo, não medição…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Preços de 2025 e 2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa ou conta; NE não encontrado.

Toda a conta desta pasta parte do modelo "D" do estudo de economia (frente 3 do dossiê de piscicultura). É estimativa do estudo, não medição de campo INF. Nenhum módulo assim foi medido no Acre NE. A aritmética foi refeita aqui, linha por linha.

1. Investimento

1.1 A conta do estudo (R$ 661 mil)

Item Qtde Unitário (R$) Total (R$) Marca e base
Viveiros, a preço de obra nova 8 ha 48.000 384.000 INF estudo; construir custa R$ 25 a 55 mil por ha no Acre
Aeradores de 1,5 cv 16 4.500 72.000 INF estudo; varejo sem frete: R$ 1.914 a 7.520 FV
Câmara fria de 20 m³, instalada 1 60.000 60.000 INF estudo; anúncios de R$ 15 a 50 mil sem frete nem instalação FV (lidos em 03/10/2026)
Veículo, caixas isotérmicas, rede, balança 1 conjunto 105.000 105.000 INF estudo
Energia solar de 10 kWp para a câmara 1 40.000 40.000 INF estudo
Total 661.000 384 + 72 + 60 + 105 + 40

1.2 A conta com viveiro reformado (cerca de R$ 397 mil)

O estudo pôs os viveiros a preço de obra nova. Este projeto reativa viveiro que já existe. A reforma custa menos INF:

Item Total (R$)
Reforma de 8 ha de viveiros (8 × 15.000) 120.000
Aeradores, câmara, veículo e solar (iguais ao estudo) 277.000
Total com reforma 397.000

Conta: 661.000 − 384.000 + 120.000 = 397.000 INF. O custo real da reforma só sai com vistoria de cada viveiro NE.

1.3 O que não está em nenhuma das duas contas

Item que falta Custo estimado (R$) Marca
Sala de beneficiamento com inspeção (evisceração, filetagem, embalagem) 600 mil a 1,2 milhão para um entreposto de até 250 m² INF pesquisa de cadeia e mercado
Túnel ou congelador para congelar 200 kg por dia 40 a 80 mil INF
Caminhão baú refrigerado de 3,5 t 100 a 150 mil usado; 200 a 280 mil novo INF
Custo de licenças, projeto e responsável técnico da inspeção 60 a 200 mil INF estudo, frente 5
Galpão de ração ver projeto 04

Sem estabelecimento inspecionado, o módulo vende peixe vivo ou inteiro fresco em venda direta, e vende matéria-prima a quem tem inspeção. Não entrega à merenda em nome próprio. O caminho mais barato é usar um entreposto regional da cooperativa ou do poder público, pagando taxa por kg INF.

2. Custo de um ciclo (12 meses)

Premissas do estudo INF: 33.600 juvenis; sobrevivência de 90%; peso de 1,9 kg; conversão de 1,8; ração a R$ 4,20 por kg em carreta; energia a R$ 1,05 por kWh; trabalho da família no viveiro não é pago em salário.

Item Conta Valor (R$) Parte
Ração 106.294 kg × 4,20 446.433 73,6%
Juvenis 33.600 × 0,60 20.160 3,3%
Técnico-gerente 12 meses, com encargos 45.500 7,5%
Diárias de despesca 11.520 1,9%
Frete de venda 57.456 kg × 0,50 28.728 4,7%
Gelo e embalagem 57.456 kg × 0,30 17.237 2,8%
Energia dos aeradores, calcário e manutenção diferença para o total do estudo 36.667 6,0%
Total do ciclo 606.245 100%

A última linha é a diferença entre o total do estudo e os itens que ele identifica. Uma composição plausível para ela INF: - energia dos aeradores: 16 × 1,1 kW × 8 horas × 120 noites = 16.896 kWh × R$ 1,05 = R$ 17.741; - calcário: 16 t (2 t por hectare) × R$ 1.000 = R$ 16.000 (o calcário custa de R$ 600 a 2.000 por tonelada posto) FV (para a faixa); - sal, reagentes e pequenos consertos: cerca de R$ 2.900.

Custo variável por kg: 606.245 ÷ 57.456 = R$ 10,55 INF.

Dinheiro que sai antes da primeira venda: 606.245 − frete − gelo − diárias = 606.245 − 57.485 = R$ 548.760 INF. Este é o "vale da morte": quase R$ 550 mil, ou R$ 68,6 mil por família, antes de entrar o primeiro real.

3. Custo fixo por ano

Item Conta Valor (R$)
Depreciação dos viveiros 384.000 ÷ 25 anos 15.360
Depreciação dos aeradores 72.000 ÷ 8 anos 9.000
Depreciação da câmara 60.000 ÷ 12 anos 5.000
Depreciação do veículo e material 105.000 ÷ 8 anos 13.125
Depreciação do solar 40.000 ÷ 15 anos 2.667
Juros de 2% ao ano sobre o investimento 661.000 × 0,02 13.220
Total fixo 58.372

Os prazos de vida útil são reconstituição desta ficha; a soma fecha com o número do estudo (R$ 58.372) INF.

Custo total por kg: (606.245 + 58.372) ÷ 57.456 = R$ 11,57. É o preço mínimo de venda INF.

4. Receita e resultado em quatro preços

Produção: 57.456 kg por ciclo, um ciclo por ano.

Preço de venda Receita (R$) Resultado por ano (R$) Por mês, o grupo (R$) Por mês, por família (8) Retorno do investimento
R$ 12 (atravessador) 689.472 24.855 2.071 259 26,6 anos
R$ 13 (venda mista; base do estudo) 746.928 82.311 6.859 857 8,0 anos
R$ 15 (venda direta e contrato) 861.840 197.223 16.435 2.054 3,4 anos
R$ 18 (parte grande em merenda, já processado) 1.034.208 369.591 30.799 3.850 1,8 ano

Como se chega a cada número, no preço de R$ 13 INF: - receita: 57.456 × 13 = 746.928; - margem do ciclo: 746.928 − 606.245 = 140.683; - resultado: 140.683 − 58.372 = 82.311; - por mês: 82.311 ÷ 12 = 6.859; por família: 6.859 ÷ 8 = 857; - retorno: 661.000 ÷ 82.311 = 8,0 anos.

No preço de R$ 15: 861.840 − 606.245 − 58.372 = 197.223; ÷ 12 = 16.435; ÷ 8 = 2.054; 661.000 ÷ 197.223 = 3,4 anos.

É a faixa do estudo: R$ 82 a 197 mil por ano para o grupo; R$ 860 a 2.050 por família por mês INF.

O que essa renda é: o pagamento pelo trabalho diário da família no viveiro (2 a 3 horas por dia) e pelo uso do viveiro. A conta não paga salário à família.

Com viveiro reformado em vez de obra nova

Investimento de R$ 397.000. Custo fixo: depreciação de R$ 41.792 (reforma em 10 anos: 12.000; demais itens iguais: 29.792) mais juros de R$ 7.940 = R$ 49.732 INF.

Preço Resultado por ano (R$) Por família por mês (R$) Retorno
R$ 12 33.495 349 11,9 anos
R$ 13 90.951 947 4,4 anos
R$ 15 205.863 2.144 1,9 ano
R$ 18 378.231 3.940 1,0 ano

A reforma melhora o resultado em cerca de R$ 8,6 mil por ano e corta o investimento em R$ 264 mil. O custo total cai para R$ 11,42 por kg INF.

5. De onde vem o preço de R$ 15 e o de R$ 18

O teto da merenda. O PNAE limita a venda a R$ 40 mil por família com CAF, por ano, por entidade compradora FV. - Com 8 famílias: 8 × 40.000 = R$ 320 mil por ano à rede estadual. - Isso compra 320.000 ÷ 77,15 = 4.148 kg de produto, que saem de cerca de 11 t de peixe inteiro (rendimento de 37,5%) INF. - São 19% da produção do módulo. O resto vai para outras redes (cada prefeitura é outra entidade compradora, com outro teto), feira, venda direta e peixaria. - Para vender tudo à merenda a R$ 13 o kg inteiro seriam precisos 746.928 ÷ 40.000 = 19 famílias com CAF fornecendo INF. É uma das razões para a cooperativa ter mais sócios que os oito do módulo.

Um preço médio realista INF: 20% na merenda a R$ 18, 30% em venda direta a R$ 15 e 50% no atacado a R$ 12 dão 0,2 × 18 + 0,3 × 15 + 0,5 × 12 = R$ 14,10 por kg.

6. Ponto de equilíbrio

Preço de venda Margem por kg (preço − 10,55) kg por ano para empatar Parte da produção
R$ 12 1,45 40.297 70%
R$ 13 2,45 23.840 41%
R$ 15 4,45 13.122 23%

Conta: custo fixo ÷ margem por kg. Exemplo: 58.372 ÷ (13 − 10,5515) = 23.840 kg INF.

7. O que sobra em caixa enquanto se paga o financiamento

O resultado acima desconta depreciação, que não sai do caixa. Mas o financiamento sai. Com Pronaf Mais Alimentos (10 anos, 3 de carência, 7 parcelas de principal) FV (para a linha; INF para a conta):

Situação Parcela anual do principal (R$) Caixa livre a R$ 13 (R$ por ano) Por família por mês Caixa livre a R$ 15 Por família por mês
Investimento de R$ 661 mil 94.429 33.034 344 147.946 1.541
Investimento de R$ 397 mil (reforma) 56.714 76.029 792 190.941 1.989

Conta: resultado + depreciação − parcela. Exemplo: 82.311 + 45.152 − 94.429 = 33.034; ÷ 96 = R$ 344.

Leitura honesta: do 4º ao 10º ano, vendendo a R$ 13 e pagando o investimento cheio, a família fica com R$ 344 por mês. A faixa de R$ 860 a 2.050 só chega inteira ao bolso se o investimento vier de recurso não reembolsável, se o viveiro for reformado e não construído, ou depois de quitado o financiamento.

Falta ainda o juro do capital de giro, que o estudo não incluiu: 2% ao ano sobre R$ 606.245 = R$ 12.125 por ano, se o giro vier do Pronaf Custeio INF.

8. Como dividir a sobra

Regra de cooperativa (Lei 5.764/1971) FV: 1. Da sobra do ano, no mínimo 10% vão para o Fundo de Reserva e 5% para o fundo de assistência técnica e educacional (art. 28). 2. O resto volta ao sócio na proporção do que ele entregou (art. 4º, VII), salvo decisão diferente da assembleia.

Exemplo no preço de R$ 13 INF: - sobra: R$ 82.311; fundos (15%): R$ 12.347; a distribuir: R$ 69.964; - por kg entregue: 69.964 ÷ 57.456 = R$ 1,22; - família que entregou 7.182 kg (1 ha) recebe R$ 8.746 no ano, R$ 729 por mês.

No preço de R$ 15: a distribuir R$ 167.640; R$ 2,92 por kg; R$ 1.746 por família por mês INF.

Proposta de regra prática INF: - a cooperativa adianta ração e alevino e anota a dívida de cada família; - a cada despesca, paga à família um preço de adiantamento por kg (por exemplo, R$ 1,00 por kg) depois de descontar o insumo; - a sobra final sai na assembleia anual, por kg entregue; - quem perde peixe por descuido (mortalidade acima de 15% sem causa externa) arca com a ração do seu viveiro. O risco de preço é de todos; o risco de manejo é de cada um.

9. O que mais pesa e como reduzir

Sensibilidade do estudo, sobre o resultado base de R$ 82.311 por ano INF:

Mudança Resultado por ano (R$)
Ração 20% mais barata 171.598
Ração 20% mais cara −6.975
Preço de venda 20% maior (R$ 15,60) 231.697
Preço de venda 20% menor (R$ 10,40) −67.074
Mortalidade de 30% em vez de 10% −11.278
Pior caso: ração +20% e preço −20% −156.361

Conferência de duas linhas: ração 20% mais cara custa 446.433 × 0,20 = 89.287 a mais; 82.311 − 89.287 = −6.976. Preço 20% menor: 746.928 × 0,8 = 597.542; menos 664.617 = −67.075. Batem com o estudo.

Três lições da tabela:

  1. A ração coletiva é a margem inteira. Com ração de loja a R$ 5,00 em vez de R$ 4,20, o custo sobe 106.294 × 0,80 = R$ 85.035, e o resultado a R$ 13 vai de +82.311 para −2.724 INF. Sem a central de ração (projeto 04), o módulo vira oito viveiros familiares somados.
  2. O preço vale mais que a produtividade. Dois reais a mais por kg (de 13 para 15) valem R$ 114.912 por ano.
  3. O técnico se paga. Ele custa R$ 45.500 por ano. Uma mortalidade de 30% custa R$ 93.589.

Como reduzir: - contrato de ração de 12 meses, em carreta, antes de comprar alevino; - contrato de venda antes de povoar; - reforma em vez de obra; - policultivo com curimatã (até 25% mais proteína por hectare sem ração a mais, Embrapa, 2025) FV (não validado no Acre); - biometria mensal para não desperdiçar ração.