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01 — Descrição técnica
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado. A ideia em uma frase A cooperativa junta o pedido de ração de todos os sócios, compra uma carreta fechada direto da fábrica com contrato…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado.
A ideia em uma frase
A cooperativa junta o pedido de ração de todos os sócios, compra uma carreta fechada direto da fábrica com contrato de um ano, guarda num galpão seco e repassa a cada sócio pelo preço de custo mais uma taxa pequena.
Este projeto não cria peixe. Ele decide a conta de todos os que criam: a ração é de 61% a 87% do custo em todo estudo de campo da Amazônia FV.
O projeto tem três partes, com vereditos diferentes:
| Parte | O que é | Veredito |
|---|---|---|
| A. Central de compra | carreta de 25 a 30 t, contrato de 12 meses, galpão, repasse ao sócio | recomendado com condição |
| B. Ração complementar regional | trocar parte do milho ou parte da ração por insumo da região, em teste medido | só com parceiro técnico |
| C. Pequena fábrica comunitária | moer, misturar e extrusar ração na cooperativa | não recomendado abaixo de cerca de 300 t por ano |
Parte A — A central de compra
Quanto de ração cada modelo consome
Contas refeitas a partir das premissas do estudo de economia (conversão de 1,8 kg de ração por kg de peixe; mortalidade de 10%) INF.
| Modelo | Peixe por ciclo | Ração por ciclo | Sacos de 25 kg | Quantos cabem numa carreta de 28 t |
|---|---|---|---|---|
| Tanque de quintal, 2 tanques de lona de 15 m³ | 594 kg | 1,1 t (1,3 t por ano, com 1,2 ciclo) | 44 | 25 famílias por ciclo; 21 por ano |
| Tanque único do piloto, 10 a 20 m³ | 30 a 100 kg | 0,3 a 0,4 t | 12 a 16 | 70 a 90 famílias |
| Viveiro familiar de 1 ha | 5.130 kg | 9,5 t | 380 | 3 famílias |
| 15 tanques-rede de 6 m³ | 4.860 kg | 9,0 t | 360 | 3 produtores |
| Módulo associativo de 8 ha (projeto 03) | 57.456 kg | 106,3 t | 4.252 | o módulo sozinho usa 3,8 carretas por ano |
Como se chega a cada linha: - quintal: a ração é 90% do custo de R$ 6.104 por ciclo, a R$ 5,00 por kg: 0,90 × 6.104 ÷ 5 = 1.099 kg; - viveiro de 1 ha: 5.130 × 1,8 = 9.234 kg, mais a ração dos 300 peixes que morrem no meio do ciclo (300 × 0,95 kg × 1,8 × 0,5 = 257 kg) = 9.490 kg; - tanque-rede: 85% do custo de R$ 56.092, a R$ 5,30 por kg: 8.996 kg; - módulo: 57.456 × 1,8 + 2.873 = 106.294 kg; - tanque do piloto: R$ 1,5 a 2 mil de ração por ciclo, a R$ 5,00.
Leitura que importa. Um piloto de 20 tanques de quintal consome de 6 a 26 t por ano. Não enche uma carreta por trimestre. A central só se paga quando há viveiro de hectare no grupo: 12 hectares familiares ou um módulo de 8 ha já dão 100 t por ano INF.
Que ração é
| Fase do tambaqui | Proteína | Grão | Parte do consumo |
|---|---|---|---|
| Alevinagem (até 40 g) | 40% a 50% | pó e 1 a 2 mm | 2% |
| Recria inicial | 42% | 2 a 4 mm | 5% |
| Recria (55 a 200 g) | 36% | 2 a 4 mm | 10% |
| Recria final (200 a 700 g) | 32% | 4 a 6 mm | 13% |
| Engorda e terminação (acima de 700 g) | 28% | 6 a 8 mm | 70% |
Proporção do relatório técnico regional de 2024, para 2.000 kg de ração por tonelada de peixe FV. Sete em cada dez sacos são de 28% de proteína, a ração mais barata. A carreta mistura os tipos conforme o pedido.
A ração é extrusada (flutua). Ração que afunda se perde no fundo e suja a água.
De onde vem
| Origem | O que se sabe | Distância até Rio Branco | Marca |
|---|---|---|---|
| Fábricas de Rondônia | 3 fábricas de ração extrusada no estado. A maior, em Ariquemes, foi inaugurada em 2017, custou R$ 40 milhões, faz 6.000 t por mês e vende cerca de 60% para fora | cerca de 710 km pela BR-364 | FV; distância INF |
| Fornecedor de ração de Rio Branco | existe uma fábrica local, que em 2025 vendia 90 t por mês a um piscicultor instalado no Peru. Preço de tabela, capacidade e disposição para contrato coletivo não foram apurados | no local | FV para a existência; NE para preço |
| Fábrica de ração da indústria falida de pescado do estado | projetada para 20 a 40 mil t por ano (dado divergente); parada desde 2018; arrematada em leilão em novembro de 2025; sem plano público de reativação | Senador Guiomard | FV; plano NE |
| Mato Grosso, Paraná, São Paulo | marcas nacionais | 2.000 a 3.500 km | FV |
O dado-base diz que "não há fábrica de ração em escala no Acre". Há um fornecedor local; o que falta é saber se ele tem escala e preço. A primeira tarefa da central é pedir cotação aos dois: fábrica de Rondônia e fornecedor de Rio Branco.
Frete
Não há cotação de frete publicada NE. Estimativa INF: R$ 0,30 a 0,40 por tonelada por quilômetro, ordem de grandeza do piso de frete de carga lotação.
| Trecho | Distância | Frete por kg | Frete de uma carreta de 28 t |
|---|---|---|---|
| Ariquemes a Rio Branco | cerca de 710 km | R$ 0,21 a 0,28 | R$ 5.964 a 7.952 |
| Ariquemes a Sena Madureira | cerca de 855 km | R$ 0,26 a 0,34 | R$ 7.182 a 9.576 |
| Ariquemes a Cruzeiro do Sul | cerca de 1.345 km | R$ 0,40 a 0,54 | R$ 11.298 a 15.064 |
| Mato Grosso, Paraná ou São Paulo a Rio Branco | 2.000 a 3.500 km | R$ 0,60 a 1,00 | R$ 16.800 a 28.000 |
Conta: distância × R$ 0,30 a 0,40 ÷ 1.000. Tudo INF. Para o Juruá, a BR-364 depois de Sena Madureira piora na época de chuva; o frete sobe e a carreta pode não passar INF. O polo do Juruá compra o estoque do inverno antes de novembro.
Armazenagem
Uma carreta de 28 t são 1.120 sacos de 25 kg. Em paletes de 50 sacos, são 23 paletes INF.
| Regra | Por quê |
|---|---|
| Galpão coberto, fechado, ventilado, de 100 a 150 m² para até duas carretas | 23 paletes por carreta, mais corredor INF |
| Saco sobre palete, a 10 cm ou mais do chão e 50 cm da parede | umidade do piso e da parede mofa a ração |
| Pilha de no máximo 10 a 12 sacos | saco de baixo esfarela |
| Longe de agrotóxico, combustível e adubo | a ração absorve cheiro e contaminação |
| Controle de rato e de passarinho | perda e doença |
| Primeiro que entra, primeiro que sai | a validade corre |
| Girar o estoque em até 90 dias | a validade da ração é de cerca de 6 meses FV; no calor úmido do Acre, a gordura rancifica e a vitamina se perde antes INF |
| Ração mofada, empedrada ou com cheiro de ranço não se dá ao peixe | mofo produz toxina; o peixe para de crescer e adoece |
Regras gerais de boas práticas de armazenagem (Embrapa e Senar) FV (para o princípio; INF para as medidas).
Consequência para o tamanho. Se a carreta tem de girar em 90 dias, a central precisa de demanda firme de 28 t por trimestre, cerca de 112 t por ano. É o mesmo número do gatilho do plano estadual: 100 t por ano contratadas INF.
O contrato de 12 meses
O que o contrato precisa ter INF: - volume por trimestre, com faixa (por exemplo, 25 a 30 t), e calendário de entrega; - preço posto no galpão, por tipo de ração, com fórmula de reajuste ligada ao milho e ao farelo de soja (indicadores do Cepea), e não "preço do dia"; - garantia de qualidade: proteína, umidade de até 12%, flutuação, laudo por lote; - validade mínima de 4 meses na data da entrega; - prazo de pagamento (28 dias ou mais) e multa por atraso de entrega; - troca do lote com defeito.
A regra do plano estadual: ração contratada antes do alevino.
Quem compra e como repassa
- Quem compra: a cooperativa. É ela que tem CNPJ, inscrição estadual, conta e contrato. Associação pode organizar o pedido, mas revender com regularidade é ato de comércio INF.
- Pedido firme: cada sócio assina o pedido do trimestre e paga um sinal (por exemplo, 30%) INF.
- Repasse: preço de custo posto no galpão mais taxa da central de R$ 0,15 a 0,20 por kg INF (arquivo 02).
- A prazo: só para sócio com contrato de venda do peixe pela cooperativa; a ração é descontada na despesca.
- Controle: ficha de estoque por lote e por sócio; contagem mensal conferida pelo conselho fiscal.
A mesma central pode trazer calcário, sal e material de despesca na mesma viagem INF.
Parte B — Ração complementar regional
O que é comprovado
Revisão de 16 estudos com tambaqui (2010–2022) e pesquisas da Embrapa FV:
| Ingrediente | Até quanto | Resultado | Peixe testado |
|---|---|---|---|
| Farinha de crueira de mandioca (resíduo da farinhada) | substitui 100% do milho da ração | desempenho e sangue sem prejuízo; custo da ração 15% menor (de R$ 1,43 para R$ 1,21 por kg, preços de 2013) | juvenis de 6,6 g |
| Farelo de raiz de mandioca e quirera de arroz | nível não definido | entre os ingredientes de energia mais bem digeridos (0,82 e 0,81) | alevinos de 86 g |
| Farelo de manga no lugar do fubá de milho | até 100% do fubá | crescimento igual ou melhor; alterou indicadores do fígado | alevinos de 3,7 g |
| Farinha de castanha-da-amazônia | até 30% da ração | desempenho mantido em 60 dias | juvenis |
| Farelo de babaçu | até 12% | sem prejuízo | juvenis |
| Semente de sacha inchi | até 15% | sem prejuízo; a 30% piora a conversão | juvenis de 30 g |
| Resíduo de goiaba | até 15% | sem prejuízo de crescimento | juvenis de 6 g |
| Farelo de banana | 8% a 16% no lugar do milho | acima de 16% o crescimento cai | juvenis |
| Silagem de resíduo de peixe | 5% a 20% misturada à ração de 28% | saúde do peixe sem alteração em 45 e 90 dias | alevinos de 31 g |
| Sorgo de baixo tanino | 40% da ração | custo de alimentação 27,4% menor, sem perda de crescimento (Embrapa, 2022) | NE fase; lido por resumo |
O que piorou o peixe
| Ingrediente | Resultado |
|---|---|
| Torta de cupuaçu, de 10% a 30% | o lote sem cupuaçu cresceu mais; fibra demais FV |
| Resíduos da fabricação de polpa de abacaxi, manga e maracujá, a 30% | baixa digestibilidade de energia (20% a 57%); os autores não recomendam em ração comercial FV |
| Farelo de banana acima de 16% | crescimento cai; glicose e gordura no sangue sobem FV |
| Caroço ou torta de açaí | nenhum estudo localizado com tambaqui NE |
O limite do que se sabe
- Todos os estudos usaram alevinos e juvenis, até cerca de 125 g FV. Não há evidência para o peixe acima disso. E é a engorda que come 70% da ração.
- Só 31% dos estudos mediram digestibilidade FV.
- Nenhum foi feito em viveiro de produtor no Acre NE.
Até quanto se pode substituir sem perder crescimento
Há duas coisas diferentes, e a confusão entre elas é a origem do mito.
1. Trocar um ingrediente dentro da fórmula. A mandioca entra no lugar do milho, e o farelo de soja continua lá. A proteína da ração não muda. É o que os estudos testaram. Limite comprovado em juvenis: até 100% do milho por farinha de crueira de mandioca FV. Isso só se faz em fábrica, com formulação.
2. Trocar ração pronta por alimento da roça. O produtor dá menos ração e completa com mandioca, milho ou fruta. Aí a proteína cai. Conta INF, com mandioca de 2,5% de proteína:
| Parte da ração trocada por mandioca | Proteína média do que o peixe come |
|---|---|
| 0% | 28,0% |
| 10% | 25,5% |
| 20% | 22,9% |
| 30% | 20,4% |
Conta: (1 − parte) × 28 + parte × 2,5. O tambaqui de engorda pede 28% FV. Em viveiro adubado, o plâncton cobre parte da dieta (30% a 50% no semi-intensivo, segundo a Emater do Pará) FV, o que dá alguma folga. Em ração, a economia medida pela Embrapa foi de 8% a 9% FV (pasta 16).
Recomendação desta ficha INF: tratar como teste, não como regra. - só na terminação (peixe acima de 1 kg) e só em viveiro, onde há alimento natural; - começar com 10% e não passar de 20% da ração do dia; - mandioca sempre processada (cozida, ou crueira e raspa secas); mandioca brava crua tem ácido cianídrico; - sempre com viveiro-testemunha ao lado, só com ração, e biometria mensal nos dois; - se a conversão piorar mais do que a economia, parar.
O que é mito
| Frase | O que há de verdade |
|---|---|
| "Tambaqui come fruta no rio, então engorda com fruta no tanque" | No rio ele come fruta, semente e muito mais, em área enorme. No viveiro, com 4.200 peixes por hectare, fruta sozinha não dá proteína. Polpas de abacaxi, manga e maracujá têm baixa digestibilidade FV |
| "Dá para substituir a ração por mandioca e milho" | Dá para substituir o milho da ração. A ração inteira, não: a proteína cai de 28% para 20% com 30% de troca INF |
| "Ração caseira sai a R$ 1,30 o kg" | É o custo só do grão, em região que produz grão, anunciado por fabricante de máquina FV (para o anúncio). No Acre, com grão de fora, só o ingrediente fica perto de R$ 2,35 por kg INF (arquivo 02) |
| "Castanha serve de ração" | Farinha de castanha funciona até 30% em juvenis FV. Mas castanha boa é alimento caro; só o resíduo sem valor de venda faz sentido INF |
| "Qualquer resto serve: pão, resto de comida, vísceras cruas" | Suja a água, derruba o oxigênio e traz doença. Víscera só como silagem ácida, feita com técnica FV (para a silagem) |
| "Ração alternativa resolve o custo" | A melhor estimativa é de 10% a 15% de economia na ração, com fábrica e formulação INF. O contrato em carreta dá 16% sem nenhum risco zootécnico INF |
O que rende mais que ingrediente alternativo
Três medidas já comprovadas, sem fábrica nenhuma:
- Dar a ração certa na quantidade certa. Passar a conversão de 1,8 para 1,6 poupa 11% da ração: 1.026 kg por hectare familiar (R$ 5.130 a R$ 5,00) e R$ 48 mil por ano no módulo de 8 ha INF. A Embrapa mediu 1,74 no Tocantins FV; Candeias do Jamari registrou 1,6 FV. Exige biometria mensal e tabela de arraçoamento.
- Criar curimatã junto com o tambaqui. A Embrapa mediu 25% mais proteína por hectare, sem ração a mais FV; não validado no Acre NE.
- Adubar o viveiro para ter plâncton, e manter a transparência entre 30 e 50 cm FV.
Parte C — Pequena fábrica comunitária
O que é preciso
| Etapa | Equipamento | Observação |
|---|---|---|
| Receber e guardar grão | silo ou tulha, balança | milho e farelo de soja vêm de fora do estado |
| Moer | moinho de martelo com peneira fina | grão mal moído não extrusa |
| Misturar | misturador de 500 kg | com premix de vitamina e mineral |
| Extrusar | extrusora | é o que faz a ração flutuar |
| Secar e resfriar | secador e resfriador | ração úmida mofa em dias |
| Ensacar | balança, costuradora, sacaria com rótulo | |
| Controlar | análise de laboratório por lote; responsável técnico | exigência legal para vender (arquivo 04) |
Máquinas pequenas no mercado nacional FV (anúncios lidos em 03/10/2026): - extrusora de 50 kg por hora, com motor monofásico de 7,5 cv: R$ 42.500. Limites declarados pelo fabricante: até 36% de proteína, até 7% de gordura, no mínimo 35% de amido; - extrusora de 120 kg por hora: cerca de R$ 75.000; - extrusora de 250 kg por hora: R$ 120 a 200 mil.
Por que costuma não fechar
- O grão vem de fora. Milho e farelo de soja pagam o mesmo frete que a ração pronta. A fábrica só economiza na parte que troca por insumo local.
- Escala. Abaixo de 135 a 180 t por ano, a ração própria sai mais cara que a de carreta (conta no arquivo 02).
- Qualidade. Ração mal extrusada afunda e piora a conversão. Se a conversão for de 1,8 para 2,2, o gasto com ração por kg de peixe sobe 22%, mais que toda a economia INF.
- Gente. Precisa de responsável técnico, operador treinado e manutenção de rosca e matriz.
- Capital parado em grão. Dois meses de ingrediente em estoque.
- Registro. Fabricar para os sócios é comercializar, e exige registro no Ministério da Agricultura (arquivo 04).
- O precedente. O estado já teve fábrica de ração dentro do complexo industrial de pescado. Ela parou em 2018 FV.
Quando faria sentido INF: polo com 300 t por ano ou mais de demanda firme; farinha de crueira ou outro resíduo local com oferta medida e preço bem abaixo do milho; responsável técnico; ensaio de engorda feito com Embrapa, Ufac ou Ifac antes de comprar máquina. É assunto de quinto ano em diante, como prevê o plano estadual ("alevinagem e ração com origem no Acre").