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03 — Passo a passo: do zero à primeira carreta
Data-base: 03/10/2026. Prazos são estimativa desta ficha INF . Marcas: FV fato verificado; INF estimativa; NE não encontrado. A central é o projeto mais rápido do catálogo: de 3 a 5 meses entre a primeira reunião e a primeira carreta no galpão INF . E é a…
Data-base: 03/10/2026. Prazos são estimativa desta ficha INF. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa; NE não encontrado.
A central é o projeto mais rápido do catálogo: de 3 a 5 meses entre a primeira reunião e a primeira carreta no galpão INF. E é a que deve vir primeiro. Regra do plano estadual: ração contratada antes do alevino.
Parte A — Central de compra
| Nº | Passo | Duração | Quem precisa estar junto |
|---|---|---|---|
| 1 | Levantar a demanda | 2 a 4 semanas | diretoria, técnico |
| 2 | Cotar | 2 a 4 semanas | diretoria, Sebrae |
| 3 | Decidir se abre | 1 reunião | assembleia |
| 4 | Preparar o galpão | 2 a 6 semanas | prefeitura ou dono do galpão |
| 5 | Garantir o giro | 1 a 3 meses | banco, sócios |
| 6 | Assinar o contrato de 12 meses | 2 a 4 semanas | fábrica, contador, assessoria jurídica |
| 7 | Receber a primeira carreta | 1 a 2 semanas | almoxarife, conselho fiscal |
| 8 | Repassar e controlar | contínuo | almoxarife, técnico |
| 9 | Avaliar a cada trimestre | contínuo | assembleia |
Passo 1 — Levantar a demanda (2 a 4 semanas)
- Lista nominal: quem cria, quantos hectares ou tanques, quantos peixes, em que mês povoa.
- Converter em toneladas por trimestre com a tabela do arquivo 01 (9,5 t por hectare familiar; 1,1 t por par de tanques de quintal; 106 t por módulo de 8 ha).
- Separar por tipo de ração: 70% é de 28% de proteína.
- Gatilho: só seguir se der 25 a 30 t por trimestre. Se der menos, juntar com outra associação ou cooperativa, ou negociar com o fornecedor local.
Passo 2 — Cotar (2 a 4 semanas)
Pedir por escrito, com o mesmo texto, a pelo menos três fornecedores: - duas fábricas de Rondônia; - o fornecedor de ração de Rio Branco.
Pedir: preço por tipo de ração, na fábrica e posto no galpão; prazo de pagamento; validade na entrega; laudo; fórmula de reajuste; volume mínimo.
Cotar o frete à parte com duas transportadoras. Perguntar por frete de retorno (caminhão que volta vazio de Rio Branco para Rondônia cobra menos na ida ou na volta).
Fazer também três cotações em loja de Rio Branco, de Cruzeiro do Sul e de Sena Madureira, de 28% e 32% de proteína. Esse preço de loja nunca foi publicado NE; ele é a régua da economia.
Passo 3 — Decidir (1 reunião)
Regra do arquivo 02: abrir a central se a carreta posta ficar pelo menos R$ 0,40 por kg abaixo da loja. Levar à assembleia a conta com os preços reais.
Dois gatilhos de preço já escritos INF: - teto do estudo: até R$ 5,50 por kg posta no polo; - meta do plano: R$ 3,80 a 4,20 por kg com contrato anual.
Passo 4 — Preparar o galpão (2 a 6 semanas)
- Galpão cedido ou alugado, de 100 a 150 m², com piso seco, telhado sem goteira, porta que fecha e acesso de carreta.
- Paletes, paleteira, balança, extintor, tela contra pássaro, armadilha de rato.
- Termo de cessão ou contrato de aluguel no nome da cooperativa.
Passo 5 — Garantir o giro (1 a 3 meses)
- Uma carreta custa R$ 112 a 118 mil INF.
- Fontes: sinal de 30% dos sócios; prazo da fábrica; Pronaf Custeio de cada sócio (ração é item de custeio); giro da cooperativa (arquivo 05).
- Não fechar contrato sem o dinheiro das duas primeiras carretas à vista ou garantido.
Passo 6 — Assinar o contrato de 12 meses (2 a 4 semanas)
Cláusulas do arquivo 01: volume por trimestre com faixa, preço com fórmula de reajuste, qualidade com laudo, validade mínima de 4 meses, prazo de pagamento, troca de lote com defeito.
Passo 7 — Receber a primeira carreta (1 a 2 semanas depois do pedido)
- Conferir nota fiscal, lote, data de fabricação e validade de cada tipo.
- Contar os sacos. Pesar 10 sacos ao acaso.
- Abrir um saco de cada lote: cheiro, cor, se flutua num balde d'água, se esfarela.
- Guardar uma amostra de cada lote num pote fechado, com etiqueta.
- Empilhar por tipo e por data.
Passo 8 — Repassar e controlar (contínuo)
- Retirada com recibo assinado, por sócio.
- Ficha de estoque atualizada no dia.
- Contagem mensal com um membro do conselho fiscal.
- Quadro na parede: preço de custo, taxa, saldo de estoque, dívida de cada sócio.
- O técnico confere se a quantidade retirada bate com a biometria do viveiro. Sócio que retira muito mais do que o peixe pede está desperdiçando ou revendendo.
Passo 9 — Avaliar (a cada trimestre)
- Preço pago contra preço de loja no mesmo mês.
- Sacos perdidos, vencidos ou devolvidos.
- Conversão alimentar dos viveiros: a ração barata só vale se o peixe cresce igual.
- Renegociar ou trocar de fornecedor no fim dos 12 meses.
Parte B — Teste de ração complementar regional (12 a 14 meses)
Só começa depois que a central funciona. É teste, não programa.
| Nº | Passo | Duração |
|---|---|---|
| 1 | Procurar parceiro técnico (Embrapa, Ufac, Ifac) e combinar o protocolo | 1 a 2 meses |
| 2 | Medir a oferta local: quantos kg por mês de crueira, raspa ou outro resíduo, a que preço, em que meses | 1 mês |
| 3 | Escolher dois viveiros iguais do mesmo produtor: um só com ração, outro com 10% a 20% da ração da terminação trocada | antes do povoamento |
| 4 | Povoar os dois no mesmo dia, com o mesmo lote | 1 dia |
| 5 | Engordar com biometria mensal nos dois; anotar ração, complemento, mortalidade | 10 a 12 meses |
| 6 | Despescar, pesar tudo e comparar: peso médio, conversão, custo por kg, dias de ciclo | 1 mês |
| 7 | Apresentar o resultado à assembleia e publicar | 1 reunião |
Decisão: só estender aos outros sócios se o custo por kg de peixe cair e o ciclo não alongar INF.
Parte C — Fábrica comunitária (não antes do quinto ano)
Lista do que precisa estar pronto antes de sequer pedir orçamento de máquina INF: 1. central com 300 t por ano ou mais, por dois anos seguidos; 2. resultado positivo do teste da Parte B, em engorda; 3. oferta local medida de insumo que substitua o milho, com preço bem abaixo dele; 4. responsável técnico contratado; 5. consulta feita ao Ministério da Agricultura sobre o registro (arquivo 04); 6. estudo de viabilidade com cotação real de grão posto.
Se faltar um dos seis, continuar na carreta.
Calendário do ano no Acre
| Mês | Clima e estrada | O que a central faz |
|---|---|---|
| Junho a outubro | seca; BR-364 e ramais firmes | melhor época para carreta; formar o estoque do Juruá e dos ramais para o inverno |
| Agosto a outubro | pico da seca | pedido grande: os viveiros povoados em novembro vão precisar de ração de alevinagem e recria |
| Novembro a dezembro | começam as chuvas; povoamento | entrega de ração de 40% a 50% e de 36% (pouco volume, saco caro) |
| 15/11 a 15/03 | defeso da pesca | peixe de cultivo vende bem; terminação dos lotes antigos puxa a ração de 28% |
| Dezembro a abril | cheia; ramal ruim; umidade alta | risco de mofo no galpão; girar estoque mais rápido; entregar ao sócio antes de o ramal fechar |
| Março ou abril | Semana Santa | muita despesca; consumo de ração cai logo depois |
| Abril a junho | friagem | o peixe come menos abaixo de 23 °C; reduzir o pedido |
| Todo trimestre | uma carreta; conferência de estoque; cotação de loja |
O consumo não é igual o ano todo: 70% da ração de um lote é comida na engorda, nos últimos meses FV (para a proporção). Com lotes povoados em datas diferentes, o pedido trimestral fica mais parelho INF.
Em 2026
Nada se distribui em ano eleitoral (Lei 9.504/1997, art. 73) FV. Cabe em 2026: levantar a demanda, cotar, medir o preço de loja nos três municípios e deixar a minuta do contrato pronta. É exatamente a tarefa da Fase 0 do plano estadual: "cotação coletiva de ração".