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02 — Investimento e custos
Data-base: 03/10/2026. Preços de 2024 a 2026, com a data ao lado. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa ou conta; NE não encontrado. Aviso. Não existe cotação publicada de ração em Rio Branco, Cruzeiro do Sul ou Sena Madureira, nem de frete de carreta…
- 1. Preço da ração: o que se sabe
- 2. Loja contra carreta
- 3. Quanto a central economiza
- 4. Investimento da central
- 5. Capital de giro
- 6. Custo de operar a central (por ano, 112 t)
- 7. Ponto de equilíbrio da central
- 8. Ração complementar regional: a conta
- 9. Pequena fábrica comunitária: quanto custa e por que não fecha
- 10. O que mais pesa e como reduzir
Data-base: 03/10/2026. Preços de 2024 a 2026, com a data ao lado. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa ou conta; NE não encontrado.
Aviso. Não existe cotação publicada de ração em Rio Branco, Cruzeiro do Sul ou Sena Madureira, nem de frete de carreta de Rondônia para o Acre NE. Quase tudo aqui é estimativa com a base à mostra. A primeira tarefa do projeto é trocar estimativa por cotação.
1. Preço da ração: o que se sabe
| Referência | Ano | R$ por kg | Marca |
|---|---|---|---|
| Média nacional, compra em volume (Cepea) | 1º semestre de 2025 | 2,70 | FV |
| Fazenda de 125 ha em Rondônia, a granel | 2024 | 2,83 | FV |
| Referência regional da Amazônia, 28% / 32% / 36% de proteína | 2024 | 3,58 / 3,88 / 4,76 | FV |
| Referência regional, 42% / 50% de proteína | 2024 | 5,86 / 6,31 | FV |
| Saco de 25 kg, 32%, loja online de São Paulo | 2025/26 | 4,78 (R$ 119,46 o saco) | FV |
| Orçamento público estadual, posta no interior do Acre | 2024 | cerca de 6,25 | FV |
| Saco de 25 kg, 28% a 32%, em loja de Rio Branco | 2025/26 | 4,50 a 5,50 (R$ 112 a 138 o saco) | INF |
O Acre paga de 60% a 95% acima do que a fazenda de Rondônia paga a granel INF. A ração mais que dobrou em dez anos: o saco de 28% custava R$ 35 em Ariquemes em 2015 (R$ 1,40 por kg) FV.
Custo médio da mistura de um ciclo, pelos preços de referência de 2024, para 2.000 kg de ração por tonelada de peixe FV (para os preços; conta refeita):
| Tipo | kg | R$ por kg | R$ |
|---|---|---|---|
| 50% de proteína | 40 | 6,31 | 252,40 |
| 42% | 100 | 5,86 | 586,00 |
| 36% | 200 | 4,76 | 952,00 |
| 32% | 260 | 3,88 | 1.008,80 |
| 28% | 1.400 | 3,58 | 5.012,00 |
| Total | 2.000 | 3,91 em média | 7.811,20 |
2. Loja contra carreta
Composição estimada do preço em carreta, posta em Rio Branco INF:
| Parcela | R$ por kg | Base |
|---|---|---|
| Preço na fábrica de Rondônia, saco de 25 kg, carga fechada | 3,30 a 3,60 | entre o granel de fazenda grande (2,83) e a referência regional (3,58 a 3,88) |
| Frete Ariquemes a Rio Branco, cerca de 710 km | 0,21 a 0,28 | R$ 0,30 a 0,40 por tonelada por km |
| Descarga | 0,02 a 0,03 | R$ 0,50 a 0,75 por saco |
| Posta no galpão, em Rio Branco | 3,53 a 3,91 | soma |
| Taxa da central (seção 4) | 0,16 a 0,20 | custo de operar a central |
| Preço ao sócio, em Rio Branco | 3,69 a 4,11 | soma |
| Acréscimo para Sena Madureira (mais 145 km) | 0,04 a 0,06 | mesma tarifa de frete |
| Acréscimo para Cruzeiro do Sul (mais 635 km) | 0,19 a 0,25 | mesma tarifa; maior na chuva |
As duas metas:
| Meta | Valor | Onde está | Situação |
|---|---|---|---|
| Teto do estudo | até R$ 5,50 por kg posta no polo | gatilho para sair da Fase 0; acima de R$ 6 o viveiro familiar não fecha | a loja de Rio Branco já está nessa faixa; no interior, NE |
| Meta do plano | R$ 3,80 a 4,20 por kg com contrato anual | roteiro por fases do plano estadual | compatível com a estimativa de R$ 3,69 a 4,11 em Rio Branco; no Juruá, R$ 3,90 a 4,40 INF |
A conta do módulo de 8 ha usa R$ 4,20 por kg, 16% abaixo dos R$ 5,00 de loja INF.
Tributo: a ração tem redução de base de cálculo de ICMS na operação interestadual (Convênio ICMS 100/97) INF (de memória; conferir com contador e Sefaz). O efeito no preço posto não foi apurado NE.
3. Quanto a central economiza
Diferença adotada: R$ 5,00 (loja) − R$ 4,20 (carreta) = R$ 0,80 por kg INF. A faixa possível vai de R$ 0,40 a R$ 1,80 (loja a 4,50 a 5,50; carreta a 3,69 a 4,11).
| Quem | Ração por ano | Economia por ano | Por mês | O que muda |
|---|---|---|---|---|
| Família de quintal (2 tanques de 15 m³) | 1,3 t | R$ 1.055 | R$ 88 | o resultado do quintal passa de R$ 2.053 para cerca de R$ 3.100 por ano |
| Viveiro familiar de 1 ha | 9,5 t | R$ 7.592 | R$ 633 | a R$ 12 por kg, o resultado sai de −R$ 238 para +R$ 7.354 por ano (R$ 613 por mês) |
| Módulo de 8 ha | 106,3 t | R$ 85.035 | R$ 7.086 | é o resultado inteiro do módulo a R$ 13 (R$ 82.311) |
| Central de 112 t por ano | 112 t | R$ 89.600 | R$ 7.467 | soma dos sócios |
Contas: 1.318 kg × 0,80 = 1.055; 9.490 × 0,80 = 7.592; 106.294 × 0,80 = 85.035; 112.000 × 0,80 = 89.600. Para o viveiro de 1 ha: −238 + 7.592 = 7.354.
A frase que resume: sem a compra coletiva, o módulo de 8 ha a R$ 13 por kg dá −R$ 2.724; com ela, +R$ 82.311 INF.
4. Investimento da central
| Item | Qtde | Unitário (R$) | Total (R$) | Marca |
|---|---|---|---|---|
| Galpão de 100 a 150 m², se for construir | 1 | 1.200 a 1.800 por m² | 120.000 a 270.000 | INF sem cotação |
| Paletes | 50 | 60 | 3.000 | INF |
| Paleteira manual | 1 | 2.000 | 2.000 | INF |
| Balança de plataforma de 300 kg | 1 | 1.500 | 1.500 | INF |
| Extintores, lona, armadilhas, placas | conjunto | 2.000 | INF | |
| Computador ou celular com planilha de estoque | 1 | 2.500 | INF | |
| Pequena reforma de galpão cedido (piso, telhado, tela) | 5.000 a 15.000 | INF |
Dois cenários: - Galpão cedido (prefeitura, associação, cooperativa): 3.000 + 2.000 + 1.500 + 2.000 + 2.500 = R$ 11.000, mais a reforma: R$ 16 a 26 mil INF. - Galpão novo: R$ 11.000 + R$ 120 a 270 mil = R$ 131 a 281 mil INF.
Recomendação: começar em galpão cedido ou alugado. Construir só depois de dois anos de carreta cheia INF.
5. Capital de giro
| Item | Conta | Valor (R$) |
|---|---|---|
| Uma carreta de 28 t, paga na entrega | 28.000 × 4,00 a 4,20 | 112.000 a 117.600 |
| Sinal de 30% dos sócios | 30% | 33.600 a 35.280 |
| Giro que a cooperativa precisa ter | diferença | 78.400 a 82.320 |
| Juro do giro a 2% ao ano (Pronaf Custeio), sobre uma carreta | 114.800 × 0,02 | 2.296 por ano |
Tudo INF. Se a fábrica der 28 dias de prazo e o sócio pagar na retirada, o giro cai. Se a cooperativa vender a prazo até a despesca, o giro sobe para o valor de até 4 carretas (R$ 450 mil), e aí o financiamento tem de ser o custeio de cada sócio, não o caixa da central.
6. Custo de operar a central (por ano, 112 t)
| Item | Conta | R$ por ano |
|---|---|---|
| Almoxarife em meio período | R$ 1.000 × 13,33 | 13.330 |
| Controle de pragas, energia, material | 3.000 | |
| Quebra de 0,5% (saco rasgado, sobra) | 0,005 × 112.000 kg × R$ 4,00 | 2.240 |
| Total | 18.570 |
Por kg: 18.570 ÷ 112.000 = R$ 0,166. Taxa adotada: R$ 0,16 a 0,20 por kg INF. Com galpão alugado, somar o aluguel. Com menos volume a taxa sobe: a 56 t por ano seria de R$ 0,30 por kg.
A central não dá lucro; ela devolve a economia ao sócio. O "resultado" da central é a economia de R$ 89.600 por ano contra um custo de R$ 18.570 INF.
7. Ponto de equilíbrio da central
A central vale a pena quando a economia por kg é maior que a taxa. - Economia bruta: preço de loja − preço posto em carreta. - Com loja a R$ 4,50 e carreta a R$ 3,91 posta: 0,59 − taxa de 0,17 = R$ 0,42 por kg a favor. - Com loja a R$ 4,50 e carreta a R$ 4,30 posta (cotação ruim): 0,20 − 0,17 = R$ 0,03. Empata.
Regra prática INF: se a cotação em carreta, posta, não ficar pelo menos R$ 0,40 por kg abaixo da loja, não abrir a central; negociar desconto por volume com o fornecedor de Rio Branco.
Volume mínimo: uma carreta por trimestre, 112 t por ano, por causa da validade (arquivo 01). Abaixo disso, comprar meia carga dividida com outra cooperativa ou comprar do fornecedor local com contrato.
Prazo de retorno, com galpão cedido: investimento de R$ 16 a 26 mil contra economia líquida de 89.600 − 18.570 = R$ 71.030 por ano. Retorno em menos de 6 meses INF. Com galpão novo de R$ 200 mil: cerca de 3 anos.
8. Ração complementar regional: a conta
O que a pesquisa permite afirmar: trocar todo o milho da fórmula por farinha de crueira de mandioca baixou o custo da ração de juvenis em 15% (de R$ 1,43 para R$ 1,21 por kg, 2013) FV.
Conta para o Acre, numa fórmula de engorda com 35% de milho INF: - milho posto: R$ 1,50 por kg; crueira ou raspa de mandioca seca: R$ 0,80 por kg (preço hipotético; a oferta e o preço no Acre são NE); - economia: 0,35 × (1,50 − 0,80) ÷ 0,92 = R$ 0,27 por kg de ração; - sobre uma ração de R$ 2,66 de custo variável, 10%. É a faixa de 10% a 15% que o estudo estima.
Isso só existe se houver fábrica (seção 9). Sem fábrica, a troca é de ração pronta por alimento da roça, e a conta é outra:
| Situação, viveiro de 1 ha | Ração comprada | Gasto a R$ 5,00 | Risco |
|---|---|---|---|
| Só ração | 9.490 kg | R$ 47.450 | nenhum |
| 10% da ração da terminação trocada por mandioca processada | cerca de 8.830 kg | R$ 44.130 | pequeno, se houver plâncton |
| 20% da ração da terminação trocada | cerca de 8.160 kg | R$ 40.800 | crescimento mais lento; ciclo mais longo |
Conta: a terminação come 70% da ração (6.643 kg); 10% disso são 664 kg e 20% são 1.329 kg. Economia de R$ 3.320 a 6.640 por ciclo, se o peixe não crescer menos INF. Um mês a mais de ciclo ou 5% a menos de peso apagam a economia. Por isso é teste com viveiro-testemunha, não recomendação.
Custo do teste INF: dois viveiros iguais, 12 meses, balança, oxímetro e acompanhamento técnico; cerca de R$ 5 a 10 mil além do custo normal dos viveiros, se houver parceria com Embrapa, Ufac ou Ifac.
9. Pequena fábrica comunitária: quanto custa e por que não fecha
Investimento (linha de 100 a 120 kg por hora)
| Item | R$ | Marca |
|---|---|---|
| Extrusora de 120 kg por hora | 75.000 | FV anúncio, 2026 |
| Moinho de martelo e peneiras | 15.000 | INF |
| Misturador de 500 kg | 25.000 | INF |
| Secador e resfriador | 50.000 | INF |
| Balança, costuradora, tulhas | 20.000 | INF |
| Instalação elétrica trifásica e montagem | 25.000 | INF |
| Galpão de 150 m² a R$ 1.500 por m² | 225.000 | INF |
| Total | 435.000 | |
| Giro de dois meses de ingredientes (25 t a R$ 2,40) | 60.000 | INF |
Custo fixo por ano
| Item | Conta | R$ |
|---|---|---|
| Responsável técnico, tempo parcial | 3.500 × 12 | 42.000 |
| Dois operadores, com encargos | 3.300 × 12 × 2 | 79.200 |
| Depreciação das máquinas | 210.000 ÷ 10 | 21.000 |
| Depreciação do galpão | 225.000 ÷ 25 | 9.000 |
| Manutenção (rosca, matriz, facas), 5% das máquinas | 0,05 × 210.000 | 10.500 |
| Análise de laboratório por lote | 500 × 12 | 6.000 |
| Total | 167.700 |
Custo variável por kg
Fórmula de 28% de proteína, com grão de fora INF (preços de memória de mercado; exigem cotação):
| Ingrediente | Parte | R$ por kg | R$ na fórmula |
|---|---|---|---|
| Farelo de soja (46% de proteína) | 45% | 2,40 | 1,080 |
| Milho | 35% | 1,50 | 0,525 |
| Farelo de trigo ou de arroz | 12% | 1,20 | 0,144 |
| Farinha de carne ou de peixe | 5% | 3,50 | 0,175 |
| Premix, sal, óleo | 3% | 8,00 | 0,240 |
| Soma | 100% | 2,164 |
Proteína da fórmula: 0,45 × 46 + 0,35 × 8 + 0,12 × 15 + 0,05 × 45 = 27,6%.
Com 8% de perda de umidade e quebra: 2,164 ÷ 0,92 = R$ 2,35. Mais energia (0,20 kWh por kg × R$ 1,05 = R$ 0,21) e saco (R$ 0,10): R$ 2,66 por kg INF.
Custo total conforme o volume
| Produção por ano | Fixo por kg | Custo total por kg | Contra a carreta (R$ 3,53 a 3,91 posta) |
|---|---|---|---|
| 50 t | 3,35 | 6,01 | muito pior |
| 100 t | 1,68 | 4,34 | pior |
| 150 t | 1,12 | 3,78 | empata |
| 200 t | 0,84 | 3,50 | empata ou ganha pouco |
| 300 t | 0,56 | 3,22 | ganha R$ 0,31 a 0,69 por kg |
Conta: 167.700 ÷ volume + 2,66 INF.
Escala mínima. Para empatar com a carreta a R$ 3,90: 167.700 ÷ (3,90 − 2,66) = 135 t por ano. Com a carreta a R$ 3,60: 167.700 ÷ 0,94 = 178 t. Para ganhar 10% ou mais: 250 a 300 t por ano INF.
A linha de 120 kg por hora faz, em um turno, 120 × 8 × 250 dias = 240 t por ano no papel. Na prática, com parada, troca de matriz e falta de grão, metade a dois terços disso INF. Para 300 t é preciso segundo turno, e a folha sobe.
O que a conta não inclui: juro sobre R$ 435 mil; frete do sócio até a fábrica; perda de conversão se a ração sair pior; meses parada por falta de peça.
Conclusão INF. Com 100 a 150 t por ano, que é o tamanho de um polo no começo, a fábrica não ganha da carreta. Com 300 t ela ganha de 8% a 18%, se a qualidade for igual. O contrato em carreta entrega 16% desde o primeiro dia, com investimento vinte vezes menor.
Fazer para uso próprio, na propriedade
- Extrusora de 50 kg por hora: R$ 42.500 FV (anúncio). Com moinho e misturador pequenos: cerca de R$ 65 mil INF.
- Um viveiro de 1 ha come 9,5 t por ano: 190 horas de máquina.
- Depreciação: 65.000 ÷ 10 anos ÷ 9.490 kg = R$ 0,68 por kg. Mais ingrediente e energia (R$ 2,66): R$ 3,34 por kg, sem contar o trabalho INF.
- Economia sobre a carreta: R$ 0,20 a 0,57 por kg, ou R$ 1.800 a 5.400 por ano, para um investimento de R$ 65 mil e um risco de qualidade que uma família sozinha não controla INF.
- É legal sem registro (arquivo 04), mas não compensa para uma família. Não recomendado.
10. O que mais pesa e como reduzir
| O que pesa | Efeito | Como reduzir |
|---|---|---|
| Preço na fábrica | cada R$ 0,10 por kg vale R$ 11.200 por ano na central de 112 t | cotar em duas fábricas de Rondônia e no fornecedor de Rio Branco; contrato com fórmula de reajuste |
| Frete | R$ 6 a 8 mil por carreta até Rio Branco | carga fechada; frete de retorno; juntar calcário e sal |
| Giro | R$ 112 a 118 mil por carreta | sinal dos sócios; prazo de 28 dias; custeio de cada sócio |
| Inadimplência do sócio | quebra a central em uma carreta | pedido assinado, sinal, desconto na venda do peixe |
| Ração vencida | perda total do lote | carreta só com pedido firme; girar em 90 dias |
| Desperdício no viveiro | conversão de 1,8 para 1,6 vale mais que qualquer desconto | biometria mensal e tabela de arraçoamento |