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12 — Pesque-e-pague e pesqueiro familiar: descrição técnica
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. 1. O que é É um viveiro perto da cidade aberto ao público. O visitante pesca, paga o peixe por quilo e come no local. O dono…
- 1. O que é
- 2. O que já existe no Acre
- 3. Estrutura de um pesqueiro de 1 hectare de lâmina d'água
- 4. Água e energia
- 5. Espécies que funcionam
- 6. Quanto peixe no lago
- 7. Reposição: o pesqueiro como comprador
- 8. Ração
- 9. Manejo
- 10. Sanidade e mortalidade por manuseio
- 11. "Despesca" e conservação
- 12. Para quem serve e para quem não serve
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado.
1. O que é
É um viveiro perto da cidade aberto ao público. O visitante pesca, paga o peixe por quilo e come no local. O dono ganha em três lugares: no peixe, na cozinha e nos serviços (limpeza do peixe, pesca esportiva, torneio).
É o projeto em que o quilo do peixe vale mais: o peixe sai do lago direto para o consumidor, sem atravessador e sem frete. E o pesqueiro não precisa criar todo o peixe que vende: compra peixe vivo de outros produtores. Vira comprador dos pequenos.
É também o projeto que menos parece piscicultura. Quem toca é dono de restaurante de fim de semana que tem um lago. Isso pesa na escolha de para quem serve (item 12).
2. O que já existe no Acre
| O que se sabe | Fonte | Marca |
|---|---|---|
| Pesqueiro na Estrada do Panorama, km 3,5, em Rio Branco: aberto todos os dias, das 8h às 17h; vários tanques; tambaqui, tambacu, pacuranha, tilápia e pirarucu; restaurante à la carte com o peixe do local; quadra de areia, pingue-pongue, sinuca e dominó sem custo adicional | ac24agro, 02/05/2025 | FV |
| Pesqueiro na rodovia AC-40, a 10 km e 20 minutos do centro de Rio Branco: restaurante e pesque-e-pague juntos, mesas em alpendre de frente para o lago; aberto todos os dias; avaliações elogiam a moqueca e reclamam de demora e de preço alto | guia de pesca na internet, atualizado em 28/09/2026; guia de viagem | FV |
| Pesqueiro de clube em Rio Branco recebeu em 2026 um circuito de pesca em pesqueiro: 4 etapas de junho a agosto, até 100 equipes, inscrição de R$ 500 por equipe, mais de R$ 66 mil em prêmios, sistema pesque-e-solte | ac24horas, 01/06/2026 | FV |
| Brasiléia teve campeonato de pesca em 2025 | ac24horas (título de matéria de 14/04/2025) | FV |
| Preço por kg e taxa de entrada dos pesqueiros do Acre | nenhuma tabela pública localizada; os guias mandam "perguntar na entrada como o peixe é cobrado" | NE |
São pelo menos três pesqueiros em Rio Branco com informação aberta FV. Fora da capital, não foi localizado nenhum com informação pública NE.
3. Estrutura de um pesqueiro de 1 hectare de lâmina d'água
|
| Parte | Tamanho | Para que serve | Marca |
|---|---|---|---|
| 2 lagos de pesca | 3.500 m² cada (0,7 ha) | onde o público pesca; 1,5 a 2 m de fundo; margem limpa e firme | INF |
| 2 viveiros de estoque | 1.000 m² cada (0,2 ha) | receber o peixe comprado, quarentena e reserva | INF |
| 1 tanque de exposição | 1.000 m² (0,1 ha) | pirarucu e peixe grande, atração | INF |
| Acesso e estacionamento | 30 a 40 vagas | cascalho; passar carro pequeno na chuva | INF |
| Sombra | 6 quiosques de palha ou telha, mais árvores | ninguém pesca 4 horas no sol do Acre | INF |
| Banheiros | masculino, feminino e acessível, com fossa | exigência da vigilância sanitária | INF |
| Cozinha | 40 m² | peixe frito, assado, caldeirada, porções, bebida | INF |
| Área coberta de mesas | 80 m², 20 mesas | fica de frente para o lago | INF |
| Bancada de limpeza do peixe | inox, água corrente, ralo com caixa de gordura | serviço cobrado por kg | INF |
| Cerca e portão | todo o perímetro | segurança e controle de entrada | INF |
Quem já tem viveiro parado adapta. O Acre tem 1.478 ha de lâmina parada FV. Quem vai cavar soma cerca de R$ 48 mil por hectare de obra nova INF (valor usado no projeto 03 deste catálogo).
4. Água e energia
- Água: a mesma do viveiro escavado. Nascente, igarapé represado fora de área de preservação, ou chuva com reposição. Lago de pesca não pode secar no verão: no Acre a seca vai de maio a outubro, justo na alta do movimento.
- Aeração: 2 aeradores de 1,5 cv nos lagos de pesca, ligados de madrugada. O lago de pesca trabalha mais cheio de peixe que o viveiro comum.
- Energia: rede. Aeradores: 2 × 1,1 kW × 8 horas × 365 noites = 6.424 kWh por ano; a R$ 1,05 por kWh, R$ 6.745 por ano INF. Cozinha e freezers: cerca de R$ 400 por mês INF.
- Água da cozinha e dos banheiros: potável, com caixa limpa e laudo se for de poço.
5. Espécies que funcionam
| Espécie | Por que serve | Cuidado | Marca |
|---|---|---|---|
| Tambaqui | é o peixe que existe para comprar no Acre (846 t em 2024); briga na linha; aguenta pouco oxigênio; o cliente conhece e come | abaixo de 26 °C come menos e morde menos; em friagem a pescaria cai | FV para produção e tolerância (dossiê); INF para a pescaria |
| Tambatinga, tambacu, pirapitinga | mesmo manejo; cabeça menor; pirapitinga morde bem | híbrido só de origem conhecida | FV dossiê |
| Pirarucu | atração: é o peixe que traz visita e foto | caro (alevino a R$ 10 a 16 FV); morre abaixo de 20 a 23 °C FV; come peixe e ração de 40% de proteína; na conta desta ficha é de exposição e de pesque-e-solte, não de venda por kg | FV |
| Matrinxã | a mais esportiva: salta e corre; o Acre produziu 183 t em 2024 | exige mais oxigênio (acima de 3 a 4 mg por litro); foge e pula; morre fácil no manuseio | FV dossiê |
| Piau | morde bem em isca pequena; bom para criança; 312 t no Acre em 2024 | peixe pequeno: rende pouco por captura | FV para produção; INF para a pescaria |
| Pintado (surubim) | peixe de troféu; um dos pesqueiros de Rio Branco tem relato de pintado de 4,7 kg | alevino a R$ 5 FV; ração cara; ferrão | FV |
| Curimatã | não morde isca | não serve para pesca; serve para limpar o fundo | INF |
| Tilápia | um dos pesqueiros de Rio Branco tem | na prática não é licenciável na bacia amazônica FV (números-base). Não usar | FV |
Regra simples: tambaqui é o peixe do quilo; pirarucu é o peixe da foto; matrinxã e piau são os peixes da diversão.
6. Quanto peixe no lago
- Lago de pesca: 3.000 kg por hectare, com aerador INF. Nos 0,7 ha: 2.100 kg de peixe em pé.
- Peixe de 1,5 a 3 kg. Peixe pequeno frustra; peixe grande demais arrebenta linha de iniciante.
- Giro: no cenário base o pesqueiro vende 200 kg por semana (arquivo 02). O estoque de 2.100 kg gira a cada 10 semanas.
- Reposição: carga de 500 a 700 kg a cada 2 ou 3 semanas, primeiro no viveiro de estoque.
7. Reposição: o pesqueiro como comprador
Aqui está a ligação com os outros projetos do catálogo.
- O pesqueiro compra peixe vivo de 1,5 kg ou mais de produtores da região. No cenário base: 11.364 kg por ano (10.000 kg vendidos ÷ 0,88, contando 12% de perda) INF.
- Para comparar: a produtividade real do Acre é de 0,46 a 0,57 t por hectare por ano FV. A 0,5 t, o pesqueiro base compra a produção de 23 hectares do viveiro típico do estado (11.364 ÷ 500). A 2,5 t por hectare, de 4,5 hectares INF.
- Preço de compra: R$ 15 por kg vivo INF (o IBGE registrou R$ 15,07 ao produtor em 2024, FV), mais R$ 1 por kg de transporte INF.
- Transporte de peixe vivo: caixa com oxigênio, água 3 a 4 °C mais fria que a do viveiro e sal (8 g por litro); jejum de 24 horas antes FV (protocolo da Embrapa, citado no dossiê). Viagem curta, de madrugada.
- Quarentena: 3 semanas no viveiro de estoque antes de ir para o lago de pesca FV (para a regra de quarentena de alevino; INF para o peixe adulto). Peixe doente num lago aberto ao público é prejuízo e vergonha.
- Documento: guia de trânsito animal e nota do produtor (arquivo 04).
- Quem tem área pode engordar parte do peixe. O custo de produção no estado é de R$ 11 a 13,5 por kg INF (números-base): a economia sobre a compra é pequena e o trabalho é grande. Para o pesqueiro, comprar pronto costuma ser melhor.
8. Ração
- No lago de pesca a ração é de manutenção, não de engorda: 0,5% do peso vivo por dia INF. 2.100 kg × 0,005 = 10,5 kg por dia; 3.832 kg por ano; a R$ 5,00 por kg, R$ 19.160 por ano INF.
- Ração de 28% a 32% de proteína, a mesma da engorda (R$ 4,50 a 5,50 por kg posta em Rio Branco INF (números-base)).
- Peixe de barriga cheia não morde. O trato é no fim da tarde, depois que o público sai, e leve na véspera de fim de semana.
- Pirarucu: ração de 40% a 45% de proteína FV e peixe pequeno.
9. Manejo
Todo dia
- Olhar o lago ao amanhecer: peixe boquejando na superfície é falta de oxigênio. Ligar aerador.
- Recolher peixe morto e lixo da margem.
- Trato leve no fim da tarde.
- Conferir balança, varas de aluguel, boias e placas.
Toda semana
- Medir oxigênio de madrugada, temperatura, pH e transparência.
- Contar o que foi vendido e o que morreu. Programar a reposição.
- Limpar caixa de gordura, banheiros e bancada com rotina escrita.
A cada carga de peixe
- Receber no viveiro de estoque, com sal e aclimatação.
- Guardar a guia de trânsito e a nota.
10. Sanidade e mortalidade por manuseio
É o risco técnico próprio do pesqueiro.
- Peixe fisgado e solto, ou que escapa ferido, pode morrer dias depois. A perda entra na conta: 12% do peso comprado INF. Não foi encontrado número medido para tambaqui em pesqueiro NE.
- Reduzir: anzol sem farpa no lago esportivo; puçá de malha macia; não deixar o peixe no chão quente; pesar e soltar rápido; limite de peixes por pescador no pesque-e-solte.
- Pirarucu: não tirar da água para foto.
- Não misturar lote novo sem quarentena.
- No Brasil há poucos remédios registrados para peixe FV (dossiê). O que resolve é prevenção: sal, quarentena, densidade certa e oxigênio.
11. "Despesca" e conservação
- A despesca é o cliente quem faz, de vara.
- O peixe pescado é pesado na portaria, abatido em água com gelo e limpo na bancada, se o cliente quiser. Ele leva em saco com gelo ou come no local.
- O pesqueiro vende peixe ao consumidor que pescou. Vender peixe abatido para mercado, restaurante ou outro comprador exige inspeção (SIM ou SIE) FV. O que sobra não vira "peixaria".
- Resíduo da limpeza (vísceras, escama): composteira ou enterrio longe da água. Não volta para o lago.
12. Para quem serve e para quem não serve
Serve para:
- quem tem viveiro a até 30 a 40 minutos de uma cidade, por estrada que passa o ano inteiro;
- família que gosta de receber gente, cozinhar e trabalhar em fim de semana e feriado;
- quem já tem alguma estrutura (casa, energia, água) e pode começar pequeno;
- quem tem ou consegue comprar peixe de 1,5 kg ou mais perto.
Não serve para:
- viveiro em ramal que fecha na chuva ou a mais de 40 minutos da cidade;
- quem quer só criar peixe e não quer lidar com público, bebida, barulho e reclamação;
- pescador com RGP ativo como dono, antes da resposta sobre o seguro-defeso (arquivo 04);
- município pequeno sem gente que saia para comer fora: a conta precisa de pelo menos 36 pescadores pagantes por semana para empatar (arquivo 02);
- quem pensa em tilápia.