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Pesquisa: suinocultura no Acre, para o paralelo com o peixe

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta, com link na seção de fontes; INF estimativa ou conta desta ficha, com a conta à mostra; NE buscado e não encontrado. Segue as premissas comuns do paralelo: três faixas de dinheiro, milho a R$…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta, com link na seção de fontes; INF estimativa ou conta desta ficha, com a conta à mostra; NE buscado e não encontrado. Segue as premissas comuns do paralelo: três faixas de dinheiro, milho a R$ 1,59 por kg na média do ano, farelo de soja a R$ 2,40, diária de R$ 100, desgaste em 10 e 5 anos, juros de 2% ao ano.

Aviso de leitura: nenhum preço de suíno vivo, de carcaça ou de leitão foi encontrado cotado no Acre. Todas as contas usam três preços estimados e dizem em qual deles a conta fecha. Os índices técnicos vêm da Embrapa e foram piorados de propósito para a granja pequena.

Ficha-resumo

Faixa e sistema Dinheiro até a primeira venda Produção por ano Custo total por kg vivo Preço que empata Resultado por mês a R$ 8,00 Resultado por mês a R$ 10,00 Primeira venda Trabalho
1A. Terminação de 8 leitões por lote, em cama sobreposta R$ 10.606 2.444 kg (23 suínos, 3 lotes) R$ 8,50 R$ 8,50 menos R$ 102 R$ 305 4 meses 0,75 h por dia
1B. Duas matrizes, venda de leitão de 22 kg R$ 10.689 34 leitões (751 kg) R$ 276 por leitão R$ 276 por leitão R$ 67 com leitão a R$ 300 R$ 210 com leitão a R$ 350 7 meses 1 h por dia
2A. Ciclo completo, 6 matrizes R$ 82.778 11.142 kg (106 suínos) R$ 8,49 R$ 8,49 menos R$ 456 R$ 1.401 10 meses 3 h por dia
2B. Terminação de 50 leitões por lote, em cama sobreposta R$ 74.290 15.278 kg (146 suínos, 3 lotes) R$ 8,49 R$ 8,49 menos R$ 627 R$ 1.919 4 meses 1,5 h por dia
3A. Integração com o frigorífico de Brasiléia, 8 famílias com 275 vagas cada R$ 1,2 milhão (R$ 150 mil por família) 6.435 suínos, 676 t vivas, do grupo não se aplica: o suíno e a ração são da integradora não se aplica R$ 1.141 por família, se a integradora pagar R$ 45 por animal R$ 4.827 por família, se pagar os R$ 100 que declara 8 meses 2 h por dia por família
3B. Oito famílias em ciclo completo mais abatedouro pequeno com inspeção R$ 1.202.220 849 suínos, 89 t vivas, 68 t de carcaça R$ 10,23 por kg vivo, com o abate; R$ 13,46 por kg de carcaça carcaça a R$ 13,46 R$ 379 por família, com carcaça a R$ 14 R$ 1.790 por família, com carcaça a R$ 16 12 meses 3 h por dia por família, mais 1 dia de abate por semana

Todos os resultados são INF. O trabalho da família não está pago em nenhuma linha.

Leitura rápida. O suíno feito em granja pequena no Acre custa perto de R$ 8,50 por kg vivo. A carne que chega de fora equivale, em outubro de 2026, a cerca de R$ 6,50 por kg vivo INF. A conta só fecha em três situações: venda direta acima de R$ 8,50 por kg vivo, carcaça própria acima de R$ 13,50 por kg em canal com inspeção, ou integração, que só existe no Alto Acre e depende de uma única empresa.

1. Quadro do Acre

1.1 Rebanho

Ano Suínos, total (cabeças) Matrizes Marca
2020 156.449 19.199 FV
2021 149.642 18.629 FV
2022 157.390 19.608 FV
2023 159.694 19.385 FV
2024 159.189 19.439 FV
2025 159.233 19.436 FV

Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 3939. O rebanho está parado em 159 mil cabeças há quatro anos. O Acre tem 0,36% do rebanho do país (159.233 ÷ 43.993.601) INF (sobre FV). Rondônia tem 197.962 cabeças e Mato Grosso, 2.092.539 FV.

Municípios com mais suínos em 2025 FV:

Município Regional Cabeças Matrizes
Feijó Tarauacá-Envira 34.600 4.152
Epitaciolândia Alto Acre 22.032 2.203
Tarauacá Tarauacá-Envira 19.315 2.510
Brasiléia Alto Acre 17.862 1.608
Sena Madureira Purus 9.259 1.481
Rio Branco Baixo Acre 8.702 1.130
Xapuri Alto Acre 7.093 993
Demais 15 municípios 40.370 5.359
Acre 159.233 19.436

São dois rebanhos diferentes. O do Alto Acre (Epitaciolândia e Brasiléia, 39.894 cabeças) é o da integração com o frigorífico. O de Feijó e Tarauacá (53.915 cabeças) é criação solta ou de quintal, a 600 km do único abate com inspeção INF.

1.2 Abate com inspeção

Período Informantes: total; federal; estadual; municipal Suínos abatidos Peso das carcaças (kg) Marca
2017 4 a 5; 1; 2 a 3; 1 37.859 3.577.665 FV
2018 3; 1; 1; 1 39.734 4.052.026 FV
2021 3 a 4; 1; 1; 1 a 2 54.589 4.493.487 FV
2022 3; 1; 1; 1 57.241 4.512.055 FV
2023, 1º semestre 3; 1; 1; 1 32.601 2.573.570 FV
3º trimestre de 2023 ao 1º de 2025 2; 1; 0; 1 em sigilo em sigilo FV
2º trimestre de 2025 ao 2º de 2026 1; 1; 0; 0 em sigilo em sigilo FV

Fonte: IBGE, Pesquisa Trimestral do Abate, tabela 1093. O IBGE esconde o número quando há menos de três informantes.

Três leituras:

  1. Hoje só existe um estabelecimento abatendo suíno com inspeção no Acre, e ele é federal FV. O abate com inspeção estadual zerou no 3º trimestre de 2023. O abate com inspeção municipal zerou no 2º trimestre de 2025.
  2. Em 2022, último ano inteiro publicado, foram 57.241 suínos e 4.512 toneladas de carcaça. A carcaça média pesou 78,8 kg (4.512.055 ÷ 57.241) INF (sobre FV). Com rendimento de 76% INF, isso é um suíno de 104 kg vivo. A conta desta ficha usa 105 kg.
  3. O abate inspecionado de 2022 dá 229 suínos por dia útil (57.241 ÷ 250) INF. A empresa declara 460 por dia em 2026 FV (declaração em notícia). Não há como conferir: o IBGE está em sigilo.
  4. Em 2017 e 2018 a carcaça média sai com 94 e 102 kg, peso alto demais para suíno de abate. A série de 2021 em diante, com 79 a 82 kg, é a que serve INF.

1.3 A integradora do Alto Acre

Item Valor Marca
Onde fica Brasiléia, com produtores em Brasiléia e Epitaciolândia FV
Inspeção federal (SIF) FV
O que tem produção de leitões, terminação por integrados, fábrica de ração, frigorífico e fábrica de embutidos FV
Matrizes cerca de 2.000 FV (declaração de 2026)
Abate cerca de 460 suínos por dia; capacidade de 1.200 por dia em dois turnos FV (declaração de 2026)
Produtores integrados 65 FV (declaração de dezembro de 2023)
Granjas licenciadas pelo Imac em 2025 22 propriedades, com 47.228 vagas e ciclo médio de 100 dias FV
Tamanho médio da granja licenciada 2.147 vagas (47.228 ÷ 22) INF (sobre FV)
Unidades de produção de leitões licenciadas 2: uma em operação em Brasiléia, outra em implantação em Epitaciolândia FV
Meta de nova unidade de leitões 3.000 matrizes e 96 mil leitões por ano FV (meta anunciada em 2023)
O que o integrado ganha "retorno líquido médio de cerca de R$ 100 por animal" entregue FV (declaração em notícia de março de 2026)
Para onde vende mercado do Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas, e exportação: Peru, Bolívia, Vietnã, Hong Kong e outros; em 2026 cita cinco países, com a China FV (declarações)
Crédito novo R$ 82 milhões em convênio de uma agência federal de exportação com o Banco da Amazônia: 70 galpões na primeira etapa, 50 de suínos e 20 de aves; meta de 250 FV (notícia de abril de 2025)
Custo por galpão nesse convênio R$ 1.171.429 (82.000.000 ÷ 70) INF (sobre FV)
Custo por vaga cerca de R$ 546 (1.171.429 ÷ 2.147) INF; mistura galpão de suíno com aviário
Programa antigo, de 2013 55 galpões por R$ 10,5 milhões; R$ 190 mil do governo e R$ 48 mil do produtor por galpão; os quatro primeiros receberam 2.200 leitões, 550 por galpão FV

As contas batem entre si: 47.228 vagas com 3,17 lotes por ano (365 ÷ 115 dias) dão 149.900 suínos por ano; 2.000 matrizes a 26,8 vendidos por matriz mais os 96 mil leitões da unidade nova dão 149.600 INF. A capacidade licenciada já espera a segunda unidade de leitões.

O que a integradora exige do produtor não está publicado em detalhe NE. O que as fontes mostram: galpão no padrão da empresa, licença do Imac, financiamento em banco e localização no Alto Acre. O contrato, a fórmula de pagamento e o tamanho mínimo do galpão não foram encontrados NE.

Das 19.436 matrizes do Acre, a integração tem cerca de 2.000 pela declaração da empresa: 10% INF (sobre FV). Brasiléia e Epitaciolândia somam 3.811 matrizes no IBGE: 20% FV. De 80% a 90% das matrizes do estado ficam fora de qualquer abate com inspeção.

1.4 Quanto da carne suína vem de fora

Não há número publicado NE. O que dá para dizer:

Conta Resultado Marca
Se o acreano comesse a média do país, cerca de 19 kg por pessoa por ano 830.018 habitantes × 19 kg = 15.770 t por ano INF; o consumo do Norte é menor que a média
Abate com inspeção no Acre em 2022 4.512 t de carcaça, 29% daquele total FV o abate; INF a proporção
Parte desse abate que sai do estado não publicada NE

O frigorífico de Brasiléia diz que atende "todo o mercado local" e ainda vende para três estados e exporta FV (declaração). Embutidos, cortes temperados e parte da carne de supermercado vêm do Centro-Sul INF. A proporção entre o que é local e o que vem de fora não foi encontrada NE.

1.5 Preços

Item Valor Data Marca
Suíno vivo em Santa Catarina, a retirar R$ 5,36 por kg 02/10/2026 FV Cepea
Suíno vivo no Paraná R$ 5,47 02/10/2026 FV
Suíno vivo no Rio Grande do Sul R$ 5,33 02/10/2026 FV
Suíno vivo em São Paulo, posto R$ 5,88 02/10/2026 FV
Suíno vivo em Minas Gerais, posto R$ 6,18 02/10/2026 FV
Carcaça especial no atacado da Grande São Paulo R$ 8,36 por kg 02/10/2026 FV
Custo de produção em Santa Catarina, ciclo completo R$ 6,35 por kg vivo agosto de 2026 FV Embrapa
Custo no Paraná R$ 5,96 agosto de 2026 FV
Custo em Mato Grosso R$ 4,74 março de 2026 FV
Suíno vivo no Acre, pago por frigorífico não há compra de independente; o integrado recebe por animal NE
Suíno vivo no Acre, pago por marchante NE
Carcaça no Acre, atacado e venda direta NE
Carne suína na merenda do Acre NE; o portal de compras públicas respondeu com erro ao abrir os itens
Leitão desmamado no Acre anúncios na região de Rio Branco: leitoa a R$ 300, leitão a R$ 180, porco a R$ 700 e R$ 800 2026 INF; vi só o resumo da página de anúncios, que não abriu

O preço do suíno vivo no país está no menor nível em duas décadas FV. Em 2025 a média girou perto de R$ 8,00 por kg; em setembro de 2026, perto de R$ 5,00 FV (em resumo de busca, artigos não abertos). Em Santa Catarina o produtor vende a R$ 5,36 o que custa R$ 6,35 FV.

Paridade com a carne que vem de fora INF:

Passo Conta Resultado
Carcaça em São Paulo R$ 8,36 por kg FV
Frete refrigerado até Rio Branco estimativa R$ 1,00 por kg INF
Carcaça posta em Rio Branco 8,36 + 1,00 R$ 9,36
Valor em kg vivo 9,36 × 0,76 de rendimento R$ 7,11
Menos o custo de abater estimativa R$ 0,60 por kg vivo INF
Suíno vivo de paridade no Acre R$ 6,51

Preços usados nas contas, todos INF:

Preço por kg vivo O que representa
R$ 6,50 paridade com a carcaça de fora em outubro de 2026; é o teto de quem compra no atacado
R$ 8,00 preço de marchante ou vizinho; o porco anunciado a R$ 700 e R$ 800 dá essa ordem se pesar de 90 a 100 kg
R$ 10,00 venda direta do animal vivo para festa e consumo, ou carne em canal com inspeção e preço de varejo

1.6 Onde há abate de suínos com inspeção, e a que distância

Inspeção Onde Situação Marca
Federal Brasiléia, frigorífico da integradora único abate de suínos com inspeção no estado desde o 2º trimestre de 2025 FV IBGE e Idaf
Estadual nenhum informante de suínos desde o 3º trimestre de 2023 o Idaf lista dois estabelecimentos de carne no Alto Acre sob inspeção estadual, um de aves e um abatedouro frigorífico; se este abate suínos, não foi confirmado FV a ausência no IBGE; NE o resto
Municipal nenhum informante de suínos desde o 2º trimestre de 2025 município e nome do que existia até 2025 não foram encontrados FV a ausência; NE o resto

Distância rodoviária aproximada até Brasiléia, pela BR-317 e BR-364 INF:

Regional Cidade de referência Distância até Brasiléia
Alto Acre Epitaciolândia, Xapuri, Assis Brasil de 5 a 110 km
Baixo Acre Rio Branco 233 km
Purus Sena Madureira 377 km (233 + 144)
Tarauacá-Envira Feijó 597 km (233 + 364)
Tarauacá-Envira Tarauacá 643 km (233 + 410)
Juruá Cruzeiro do Sul 869 km (233 + 636)

O frigorífico não compra suíno de produtor independente, segundo o que foi possível apurar INF: ele abate o que os integrados engordam. Fora do Alto Acre, o produtor não tem onde abater legalmente.

2. Índices técnicos e ração

2.1 O que a Embrapa mediu e o que esta ficha adota

Índice Medido pela Embrapa Adotado para o Acre Marca do adotado
Ração dos reprodutores 1.084 a 1.090 kg por matriz por ano FV 1.090 kg FV
Conversão na creche (8 a 22 kg) 1,67 a 1,72 FV 1,7, com 23 kg de ração por leitão FV
Conversão na terminação (22 a 110 kg) 2,34 a 2,36 em sistema familiar; 2,35 em integradora com 5,5 milhões de suínos FV 3,0 INF
Ração na terminação 207 a 219 kg por suíno FV 246 a 249 kg INF
Conversão do rebanho, ciclo completo 2,43 em Santa Catarina; 2,55 em Mato Grosso FV 3,27 (resultado da conta) INF
Ganho de peso na terminação 830 a 877 g por dia FV 750 g por dia; 110 dias de 23 a 105 kg INF
Leitões desmamados por parto 8,8 a 9,2 no sistema familiar; 11,7 nascidos vivos em granja comercial FV 8,5 em ciclo completo; 8,0 no quintal INF
Partos por matriz por ano 2,35 estimado; 2,59 em granja comercial FV 2,2 INF
Suínos vendidos por matriz por ano 19,6 em cama; 21,2 em piso; 26,8 em Santa Catarina; 31,8 em Mato Grosso FV 17,7 INF
Mortalidade na creche 0,9% em piso; 3,0% em cama FV 3% INF
Mortalidade na terminação 1,5% em piso; 2,5% em cama FV 2,5% a 3% INF
Peso de venda 110 a 113 kg no experimento; 125 kg em Santa Catarina FV 105 kg INF; a carcaça média do Acre em 2022 indica 104 kg
Idade de venda 164 dias FV 170 dias INF

Por que 3,0 e não 2,35: a granja pequena no Acre trabalha com leitão sem genética de ponta, calor o ano todo, ração moída e misturada em casa e comedouro que desperdiça. Não achei medição de conversão em granja pequena acreana NE. Cada décimo de conversão vale R$ 0,16 por kg vivo na terminação (0,1 × 82 kg × R$ 2,00 ÷ 105 kg) INF.

2.2 Custo da ração feita na propriedade

Preços: milho a R$ 1,59 (média), farelo de soja a R$ 2,40, núcleo mineral e vitamínico a R$ 7,00 por kg INF (sem cotação no Acre).

Ração Milho Farelo Núcleo Conta R$ por kg
Crescimento (23 a 60 kg) 70% 26% 4% 0,70 × 1,59 + 0,26 × 2,40 + 0,04 × 7,00 2,02
Terminação (60 a 105 kg) 77% 20% 3% 0,77 × 1,59 + 0,20 × 2,40 + 0,03 × 7,00 1,91
Gestação 80% 16% 4% 0,80 × 1,59 + 0,16 × 2,40 + 0,04 × 7,00 1,94
Lactação 68% 28% 4% 0,68 × 1,59 + 0,28 × 2,40 + 0,04 × 7,00 2,03

Média de crescimento e terminação, com 40% e 60% do volume: R$ 1,96. Com 3% de perda na moagem e na mistura: R$ 2,01. A conta usa R$ 2,00 por kg para toda ração feita em casa INF.

Cenário de milho Ração de crescimento e terminação
Safra, R$ 1,21 R$ 1,72
Média do ano, R$ 1,59 R$ 2,01
Entressafra, R$ 1,81 R$ 2,18

A ração de leitão em creche precisa de leite em pó, açúcar e farelo mais fino. Na Embrapa ela custou 2,0 a 2,2 vezes a de terminação FV (preços de 2010: R$ 1.100 a 1.204 contra R$ 541 por tonelada). A conta usa R$ 4,20 por kg (2,1 × 2,00) INF. Ração pronta em saco para terminação, comprada no varejo, foi estimada em R$ 3,00 por kg INF (sem cotação).

Comparação que interessa ao peixe: 1 kg de ganho de suíno custa R$ 6,00 de ração (3,0 × 2,00). 1 kg de tambaqui custa R$ 10,00 de ração (2,0 × 5,00, da pasta 13). O suíno come ração que a família mistura; o peixe depende de ração extrusada de fábrica.

2.3 Consumo por fase

Fase Peso Dias Ração por cabeça Preço R$ por cabeça
Creche 8 a 22 kg 35 23 kg FV 4,20 97
Crescimento 22 a 60 kg 50 100 kg INF 2,00 200
Terminação 60 a 105 kg 60 149 kg INF 2,00 298
Do desmame à venda 145 272 kg 595
Matriz e sua parte do cachaço, por terminado 70 kg (7.440 kg ÷ 106 suínos) 2,00 140

2.4 Mandioca, crueira, soro e restos

Alimento O que é Até quanto entra Efeito Marca
Raspa de mandioca (raiz picada e seca ao sol) energia perto da do milho, mas só 2% a 3% de proteína, contra 8% do milho 30% da ração de crescimento e terminação pede mais farelo de soja: de 20% para 24% INF; números de tabelas de nutrição, sem link conferido nesta rodada
Crueira (resíduo da casa de farinha) parecida com a raspa, com mais fibra 20% a 30% conversão piora cerca de 5% INF
Raiz fresca 65% de água; 2,6 kg de raiz dão 1 kg de raspa à vontade para matriz em gestação; mandioca brava precisa murchar ou secar um dia muito trabalho de picar todo dia INF
Soro de leite 93% de água; cerca de 13 litros substituem 1 kg de ração até 20% a 30% da dieta só serve com laticínio ou queijaria a poucos quilômetros INF
Restos de comida (lavagem) proibido, salvo com tratamento térmico que inative o vírus da peste suína clássica regra do programa de sanidade, repetida pelo Idaf FV

Conta com 30% de raspa na terminação INF:

Cenário Fórmula R$ por kg de ração Conversão Ração por kg de ganho
Só milho e farelo 77% milho, 20% farelo, 3% núcleo 2,00 3,00 R$ 6,00
Raspa ou crueira a R$ 0,60 por kg (sobra da roça ou da casa de farinha) 43% milho, 30% raspa, 24% farelo, 3% núcleo 1,70 3,15 R$ 5,36
Raspa a R$ 1,80 por kg (raiz comprada a preço de farinha) idem 2,07 3,15 R$ 6,52

A mandioca só baixa o custo quando é sobra. Raiz que tem mercado para farinha vale mais como farinha do que como ração. Com sobra de roça, o custo do suíno cai de R$ 8,50 para R$ 7,98 por kg vivo na faixa 1 INF.

3. Faixa 1: cerca de R$ 10 mil, no quintal

3.1 Sistema escolhido: terminação de 8 leitões por lote, em cama sobreposta

Compra-se leitão de 23 kg e vende-se suíno de 105 kg em 110 dias. A baia segue o modelo da Embrapa para a agricultura familiar: madeira roliça, cobertura simples, piso de maravalha ou casca de arroz, sem dejeto líquido FV. O modelo da Embrapa tem 10 m por 4 m para 25 suínos, com 1,2 m² de cama por suíno e cama de 25 a 30 cm em região quente FV. Aqui a baia tem 14 m² para 8 suínos.

Por que terminação e não ciclo completo: R$ 10 mil não pagam dez meses de ração até a primeira venda de um ciclo completo. A terminação vende em 4 meses.

3.2 Investimento (R$ 3.900)

Item R$ Marca
Madeira roliça, tábuas e pregos 900 INF
Cobertura de 20 m² em telha de fibrocimento 900 INF
Tela e fechamento 350 INF
Mão de obra da construção, 6 diárias 600 INF
Cama inicial: 4,2 m³ (14 m² × 0,30 m) 250 INF
Composteira simples para animal morto e cama usada 300 INF
Comedouro de madeira, 2 bebedouros de chupeta, mangueira, caixa de 310 litros 400 INF
Fita de pesagem, pulverizador, baldes 200 INF
Total 3.900

Nenhum item tem cotação no Acre INF. Em alvenaria com piso de concreto e esterqueira, a mesma baia passaria de R$ 12 mil INF.

3.3 Custeio do lote (R$ 6.706)

Item Conta R$ %
Leitões de 23 kg 8 × R$ 300 2.400 35,8%
Ração 8 × 82 kg de ganho × 3,0 = 1.968 kg × R$ 2,00 3.936 58,7%
Vermífugo e remédio 8 × R$ 15 120 1,8%
Reposição de cama, cal, energia 100 1,5%
Frete e guia de trânsito na venda 150 2,2%
Custeio 6.706 100%

Dinheiro até a primeira venda: 3.900 + 6.706 = R$ 10.606.

3.4 Produção e custo

Item Conta Resultado
Suínos vendidos por lote 8 × 0,97 7,76
Produção por lote 7,76 × 105 kg 815 kg vivos
Lotes por ano 110 dias mais 10 de vazio 3
Produção por ano 815 × 3 2.444 kg, 23 suínos
Custo fixo por ano 3.300 ÷ 10 + 600 ÷ 5 + 2% de 3.900 + 2% de 6.706 R$ 662
Custo fixo por lote 662 ÷ 3 R$ 221
Custo total por lote 6.706 + 221 R$ 6.927
Custo por kg vivo 6.927 ÷ 815 R$ 8,50 (custeio: R$ 8,23)

3.5 Resultado

Preço por kg vivo Receita do lote Resultado do lote Por ano Por mês
R$ 6,50 5.296 menos 1.631 menos 4.892 menos R$ 408
R$ 8,00 6.518 menos 408 menos 1.225 menos R$ 102
R$ 10,00 8.148 1.221 3.664 R$ 305

Ponto de equilíbrio: R$ 8,50 por kg vivo. A receita entra três vezes por ano.

Sensibilidade Custo por kg A R$ 8,00, por mês A R$ 10,00, por mês
Base 8,50 menos 102 305
Ração 20% mais cara 9,47 menos 299 109
Preço 15% menor (R$ 6,80 e R$ 8,50) 8,50 menos 347 zero
Conversão de 2,6 7,86 29 436
Ração de saco a R$ 3,00 10,92 menos 594 menos 187
Raspa de mandioca que sobra da roça 7,98 4 411

Trabalho: 0,75 hora por dia INF: 90 horas por lote, 11 diárias, R$ 1.125. Pagando a diária, o custo sobe para R$ 9,88 por kg e a sobra a R$ 10,00 some. Terra: 50 m². Água: 66 litros por dia (8 × 8,3) INF (sobre FV).

3.6 Variante: duas matrizes para vender leitão

Item Conta R$
Baias e piquete 4.000
Equipamentos 500
2 leitoas 2 × R$ 900 1.800
Investimento 6.300
Ração das matrizes em 7 meses 2 × 1.090 kg × 7 ÷ 12 × R$ 2,00 2.543
Ração de creche da primeira leva 16 leitões × 23 kg × R$ 4,20 1.546
Cobertura, ferro, vermífugo 300
Dinheiro até a primeira venda 10.689

Por ano INF: 2 matrizes × 2,2 partos × 8,0 desmamados × 0,97 = 34 leitões de 22 kg.

Custo por ano Conta R$
Ração das matrizes 2.180 kg × 2,00 4.360
Ração de creche 35,2 leitões × 23 kg × 4,20 3.400
Sanidade 34 × R$ 12 + 2 × R$ 80 568
Cobertura (cachaço do vizinho ou inseminação) 4,4 × R$ 60 264
Reposição da matriz 2 × (900 − 700) ÷ 3 anos 133
Desgaste e juros 400 + 100 + 126 + 82 708
Total 9.433

Custo por leitão: R$ 276 (9.433 ÷ 34,1), ou R$ 12,56 por kg.

Preço do leitão Resultado por ano Por mês
R$ 250 menos 897 menos R$ 75
R$ 300 810 R$ 67
R$ 350 2.517 R$ 210

Existe mercado? Para poucos leitões, sim: vizinho que engorda e leitão de festa INF. Para volume, não foi encontrado comprador NE: a integradora produz os próprios leitões. Trabalho: 1 hora por dia INF. A receita entra a cada parto, cerca de 4 vezes por ano.

3.7 Veredito da faixa 1

A terminação no quintal é uma poupança que anda rápido, não uma renda. Fecha quando a família vende o animal vivo a R$ 10 por kg para vizinho e festa e quando parte da comida é sobra de roça. Comprando ração de saco, dá prejuízo em qualquer preço testado.

4. Faixa 2: cerca de R$ 80 mil, uma família

4.1 Sistema A: ciclo completo com 6 matrizes

Seis matrizes, um cachaço, creche e terminação em cama sobreposta, maternidade em piso. As matrizes parem em três grupos de duas, a cada 55 dias. Sai um lote de 16 suínos a cada 55 dias.

Dez matrizes não cabem: investimento de R$ 78 mil mais R$ 55 mil de giro INF. A Embrapa estimou em 2010 R$ 3.970 por matriz em cama e R$ 4.325 em piso, para 56 matrizes, e 31% a 33% a mais em escala de 21 matrizes FV. A preços de hoje isso passa de R$ 14 mil por matriz em granja tecnificada INF. Esta ficha supõe construção rústica.

Investimento (R$ 52.000) INF:

Item Conta R$
Galpão rústico: maternidade, gestação, creche, terminação e depósito 100 m² × R$ 250 25.000
Fossa da maternidade e composteira 2.500
Projeto e licença ambiental 2.000
Triturador e misturador de ração 6.000
Comedouros, bebedouros, escamoteador 2.000
Caixa d'água, bomba, encanamento 2.000
Balança 1.000
6 leitoas 6 × R$ 1.500 9.000
Cachaço 2.500
Total 52.000

Giro até a primeira venda (R$ 30.778), em 10,2 meses INF:

Item Conta R$
Ração de matrizes e cachaço 7.440 kg por ano × 10,2 ÷ 12 × R$ 2,00 12.648
Primeiro grupo, do desmame à venda 17 leitões: creche R$ 1.642 mais terminação R$ 8.007 9.649
Segundo grupo, 55 dias atrás creche inteira mais 38% da terminação 4.685
Terceiro grupo, ainda na creche 85% da creche 1.396
Sanidade, energia, cama, frete 2.400
Giro 30.778

Dinheiro até a primeira venda: 52.000 + 30.778 = R$ 82.778.

Produção por ano INF:

Item Conta Resultado
Desmamados por matriz 2,2 partos × 8,5 18,7
Terminados por matriz 18,7 × 0,97 × 0,975 17,7
Suínos vendidos 6 × 17,7 106
Produção 106,1 × 105 kg 11.142 kg vivos

Custo por ano:

Item Conta R$ % do custeio
Ração de matrizes e cachaço (6 × 1.090 + 900) kg × 2,00 14.880 17,1%
Ração de creche 112 leitões × 23 kg × 4,20 10.839 12,5%
Ração de terminação 106,1 × 83 kg × 3,0 = 26.422 kg × 2,00 52.844 60,8%
Sanidade 106 × R$ 25 + 7 × R$ 150 3.700 4,3%
Energia, água, cama 1.500 1,7%
Reposição de matrizes 2 leitoas a R$ 1.500 menos 2 descartes de 180 kg a R$ 5 1.200 1,4%
Frete e guias de trânsito 10 viagens × R$ 150 1.500 1,7%
Manutenção 500 0,6%
Custeio 86.963 100%
Desgaste e juros 29.500 ÷ 10 + 11.000 ÷ 5 + 2.500 ÷ 3 + 2% de 52.000 + 2% de 30.778 7.639
Custo total 94.602

A ração soma 36.443 kg e R$ 78.563: 90,3% do custeio. Conversão do rebanho: 3,27 (36.443 ÷ 11.142). Custeio por kg: R$ 7,81. Custo total por kg vivo: R$ 8,49.

Preço por kg vivo Receita Resultado por ano Por mês
R$ 6,50 72.422 menos 22.180 menos R$ 1.848
R$ 8,00 89.135 menos 5.467 menos R$ 456
R$ 10,00 111.419 16.817 R$ 1.401
Sensibilidade Custo por kg A R$ 8,00, por mês A R$ 10,00, por mês
Base 8,49 menos 456 1.401
Ração 20% mais cara 9,90 menos 1.765 92
Preço 15% menor (R$ 6,80 e R$ 8,50) 8,49 menos 1.570 9
Milho comprado na safra e guardado (ração a R$ 1,70) 7,58 391 2.248
Conversão de 2,6 na terminação 7,86 132 1.989

Trabalho: 3 horas por dia, todo dia INF: 1.095 horas, 137 diárias, R$ 13.688 por ano. Pagando a diária, o custo vai a R$ 9,72 por kg e a sobra a R$ 10,00 cai para R$ 3.130 por ano. A Embrapa usa 56 matrizes por trabalhador em sistema familiar FV; em 6 matrizes a rotina não se dilui.

Terra: 100 m² de galpão e 1 a 2 hectares de roça ou pasto para receber o composto INF. Água: 552 litros por dia (6 × 92) INF (sobre FV).

4.2 Sistema B: terminação de 50 leitões por lote

Oitenta ou cem leitões por lote não cabem em R$ 80 mil: só leitão e ração de 80 animais custam R$ 63 mil por lote INF.

Investimento (R$ 32.940) INF:

Item Conta R$
Galpão rústico de cama sobreposta, com depósito 80 m² × R$ 250 20.000
Composteira 600
Projeto e licença ambiental 1.500
Triturador e misturador 6.000
Comedouros e bebedouros 1.500
Água 1.500
Balança 1.000
Cama inicial 21 m³ × R$ 40 840
Total 32.940

Custeio do lote (R$ 41.350):

Item Conta R$ %
Leitões 50 × R$ 300 15.000 36,3%
Ração 50 × 82 kg × 3,0 = 12.300 kg × 2,00 24.600 59,5%
Sanidade 50 × R$ 15 750 1,8%
Cama, energia, água 400 1,0%
Frete e guias 600 1,5%
Custeio 41.350 100%

Dinheiro até a primeira venda: 32.940 + 41.350 = R$ 74.290.

Item Conta Resultado
Produção por lote 50 × 0,97 × 105 kg 5.093 kg
Produção por ano 3 lotes 15.278 kg, 146 suínos
Custo fixo por ano 22.100 ÷ 10 + 10.000 ÷ 5 + 2% de 32.940 + 2% de 41.350 R$ 5.696
Custo total por lote 41.350 + 5.696 ÷ 3 R$ 43.249
Custo por kg vivo 43.249 ÷ 5.093 R$ 8,49
Preço por kg vivo Resultado do lote Por ano Por mês
R$ 6,50 menos 10.147 menos 30.442 menos R$ 2.537
R$ 8,00 menos 2.509 menos 7.526 menos R$ 627
R$ 10,00 7.676 23.029 R$ 1.919
Sensibilidade Custo por kg A R$ 8,00, por mês A R$ 10,00, por mês
Base 8,49 menos 627 1.919
Ração 20% mais cara 9,46 menos 1.857 689
Preço 15% menor (R$ 6,80 e R$ 8,50) 8,49 menos 2.155 9
Leitão a R$ 240 7,90 123 2.669
Leitão a R$ 360 9,08 menos 1.377 1.169

Trabalho: 1,5 hora por dia INF: 548 horas, 68 diárias, R$ 6.844 por ano; custo de R$ 8,94 por kg com a diária paga. Terra: 80 m² de galpão. Água: 415 litros por dia.

O ponto fraco é o leitão: são 150 por ano, de origem sadia, e não foi encontrado quem venda esse volume fora da integração NE.

4.3 Seis matrizes só para vender leitão

Com as mesmas 6 matrizes e sem terminação: 109 leitões por ano, custo de R$ 35.120, ou R$ 323 por leitão INF. A R$ 300 dá prejuízo de R$ 2.470 por ano. A R$ 350 sobra R$ 2.972, R$ 248 por mês. Só vale com comprador certo.

4.4 Veredito da faixa 2

Os dois sistemas custam R$ 8,49 por kg vivo. A R$ 10,00 rendem de R$ 1.400 a R$ 1.900 por mês, na ordem do hectare de tambaqui. A R$ 8,00 dão prejuízo. O problema é vender 106 a 146 suínos por ano a R$ 10 o quilo vivo sem abate legal: é um suíno a cada dois ou três dias, o ano todo. Fora do Alto Acre não há abatedouro para isso.

5. Faixa 3: cerca de R$ 1,2 milhão, 8 famílias

5.1 Sistema A: integração com o frigorífico de Brasiléia

O frigorífico entrega o leitão, a ração e a assistência. O produtor entra com galpão, água, energia e trabalho, e recebe por animal entregue.

Conta Resultado Marca
Custo de um galpão no convênio de 2025 R$ 1.171.429 INF (sobre FV)
Vagas que R$ 1,2 milhão constrói 1.200.000 ÷ 546 = 2.199 INF
Lotes por ano 3, com ciclo de 100 dias e vazio INF; o Imac informa ciclo médio de 100 dias FV
Suínos entregues por ano 2.200 × 3 × 0,975 = 6.435 INF
Peso vivo entregue 6.435 × 105 kg = 676 t INF

R$ 1,2 milhão é o preço de um galpão padrão, de uma família. Para servir a 8 famílias, o dinheiro teria de virar 8 galpões de 275 vagas. O programa de 2013 usou galpões de 550 vagas FV. Se a integradora aceita galpão de 275 vagas, não foi encontrado NE.

Desenho Vagas por família Investimento por família Custo fixo por ano Suínos por ano
8 famílias 275 150.062 22.509 804
4 famílias 550 300.125 45.019 1.609
1 família 2.200 1.200.498 180.075 6.435

Custo fixo: 70% do galpão é obra, em 10 anos; 30% é equipamento, em 5 anos; juros de 2% INF. Para 275 vagas: 10.504 + 9.004 + 3.001 = 22.509.

Pagamento por animal Receita por família (275 vagas) Menos o custo fixo Por mês Parcela do crédito
R$ 100, o que a empresa declara FV 80.438 57.928 R$ 4.827 R$ 24.076 por ano
R$ 45, referência de integração no Sul INF 36.197 13.688 R$ 1.141 R$ 24.076 por ano

A parcela é a de R$ 150 mil a 3% ao ano, em 7 pagamentos depois de 3 anos de carência INF. A R$ 45 por animal, a receita de R$ 36.197 paga a parcela e sobram R$ 12 mil por ano em caixa. Energia, água e manutenção não estão descontadas na linha de R$ 45 INF.

Cuidados com o número de R$ 100:

  1. É declaração da empresa em visita para atrair novos integrados. Não vi contrato NE.
  2. R$ 100 por animal equivale a R$ 0,95 por kg vivo. Em 2026 o suíno vivo no Sul vale R$ 5,36 e custa R$ 6,35 FV: a margem de toda a cadeia está negativa. Pagamento por animal costuma cair quando o preço cai INF.
  3. A R$ 100, a receita de dois anos cobriria o galpão (150.062 ÷ 80.438 = 1,9 ano). Retorno assim é raro e pede conferência antes de qualquer projeto INF.

Trabalho: 2 horas por dia por família para 275 vagas INF. Terra para o dejeto: a Embrapa mede 1.526 litros de dejeto por vaga por ano FV; 275 vagas geram 420 m³; a 50 m³ por hectare por ano INF, pedem 8 hectares de pasto ou lavoura. As 2.200 vagas do grupo pedem 67 hectares. Água: 2.283 litros por dia por família (275 × 8,3) INF (sobre FV).

Primeira venda: cerca de 8 meses, com 4 a 5 de obra e licença e 100 dias de lote INF. Depois, receita três vezes por ano.

5.2 Sistema B: oito famílias em ciclo completo e um abatedouro pequeno com inspeção

Para o grupo que está longe de Brasiléia. Cada família repete o módulo de 6 matrizes da faixa 2. O grupo constrói um abatedouro de pequeno porte, de até 250 m² FV (Decreto 5.741/2006, art. 143-A), com inspeção municipal ou estadual.

Item Conta R$
Oito granjas de 6 matrizes 8 × 82.778 662.220
Abatedouro de pequeno porte: obra 350.000
Abatedouro: equipamentos e câmara fria 150.000
Giro do abatedouro 40.000
Dinheiro até a primeira venda 1.202.220

O valor do abatedouro é estimativa sem projeto e sem cotação INF.

Produção do grupo Conta Resultado
Suínos por ano 8 × 106,1 849
Suínos por semana 849 ÷ 52 16
Peso vivo 8 × 11.142 kg 89.135 kg
Carcaça 89.135 × 0,76 67.743 kg

Dezesseis suínos por semana ocupam o abatedouro um dia por semana. Ele fica ocioso, e isso encarece o abate.

Custo do abatedouro por ano Conta R$
Desgaste e juros 350.000 ÷ 10 + 150.000 ÷ 5 + 2% de 500.000 75.000
Responsável técnico veterinário R$ 2.500 por mês 30.000
Equipe de abate 4 pessoas × R$ 100 × 52 dias 20.800
Energia da câmara fria R$ 1.200 por mês 14.400
Água, efluente, embalagem, análises 15.000
Total 155.200

Custo do abate: R$ 2,29 por kg de carcaça (155.200 ÷ 67.743), ou R$ 1,74 por kg vivo INF. Custo total do grupo: 8,49 + 1,74 = R$ 10,23 por kg vivo. Carcaça de equilíbrio: R$ 13,46 por kg (10,23 ÷ 0,76).

Preço da carcaça Vale em kg vivo, na granja Resultado por família por ano Por mês
R$ 9,40 (paridade com a de fora) 5,40 menos 34.404 menos R$ 2.867
R$ 12,00 7,38 menos 12.388 menos R$ 1.032
R$ 14,00 8,90 4.548 R$ 379
R$ 16,00 10,42 21.484 R$ 1.790
R$ 18,00 11,94 38.419 R$ 3.202

A carcaça do grupo sai 43% mais cara que a carcaça de fora posta em Rio Branco (13,46 contra 9,36) INF. No atacado não fecha. Fecha só em corte de varejo, feira, mercado local e merenda.

Merenda. Limite de R$ 40 mil por família por ano por comprador FV. A R$ 16 por kg, são 2.500 kg de carcaça, 3.289 kg vivos, 31 suínos: 30% da produção da família INF. Igual ao peixe, o limite trava antes da produção, e o grupo precisa de várias prefeituras. O preço da carne suína na merenda do Acre não foi encontrado NE.

Primeira venda: cerca de 12 meses, com registro do abatedouro INF.

5.3 Veredito da faixa 3

No Alto Acre, a integração é o único uso de R$ 1,2 milhão em suíno que tem comprador certo, e pode render mais que o peixe. Ela concentra o risco em uma empresa e, no padrão atual, o dinheiro serve a uma ou a quatro famílias, não a oito. Fora do Alto Acre, o grupo com abatedouro próprio só fecha com carcaça acima de R$ 13,50 por kg, o que pede venda direta de cortes e contrato de merenda antes da obra.

6. Cama sobreposta, criação ao ar livre e baia de alvenaria

Ponto Cama sobreposta Ar livre (Siscal) Alvenaria com piso e esterqueira
O que é piso de maravalha, casca de arroz ou palha; o dejeto composta no lugar FV matrizes e leitões em piquetes com cabana e cerca elétrica INF baia de concreto lavada; dejeto líquido vai para esterqueira ou biodigestor
Área 1,2 m² por suíno em terminação; 0,5 m² na creche; 2,5 m² por matriz FV 800 a 1.000 m² de piquete por matriz INF 1,0 m² por suíno INF
Investimento R$ 250 por m² em madeira rústica INF; a Embrapa mediu só 8% a menos que o piso quando o galpão é o mesmo (R$ 3.970 contra R$ 4.325 por matriz, 2010) FV menor que o confinado; sem número conferido NE R$ 900 a 1.200 por m², mais esterqueira INF
Desempenho igual ao do piso FV; conversão de 2,36 contra 2,34; mortalidade maior na maternidade e na creche (11,6% e 3,0% contra 7,2% e 0,9%) FV sem número conferido NE referência
Dejeto sólido; sem esterqueira; troca-se um terço da cama a cada 4 lotes ou 15 meses FV fica no piquete; exige rodízio 4,5 litros por suíno por dia FV
Calor cama de 25 a 30 cm em região quente; mais ventilação; 15% a mais de água; não começar no período mais quente FV sombra e lama piso frio ajuda
Risco linfadenite: alguns frigoríficos associam a cama a condenação de carcaça FV verminose, lama no inverno amazônico, predador, fuga INF mau cheiro e risco de vazamento
Onde serve no Acre quintal e família, perto de serraria ou beneficiadora de arroz terra firme bem drenada; os solos do Acre encharcam na chuva INF integração

A economia da cama sobreposta vem mais de dispensar a esterqueira e de aceitar madeira rústica do que da cama em si. Onde a maravalha é cara ou longe, a vantagem cai. O preço da maravalha no Acre não foi cotado NE. A criação ao ar livre não entrou em nenhuma faixa: não achei custo conferido e o inverno amazônico pesa contra INF.

7. Inspeção, licença e dejeto

7.1 Para vender carne

Regra Fonte Marca
Comércio entre estados e exportação: inspeção federal Decreto 9.013/2017, art. 2º FV
Abate de animais de açougue só em abatedouro frigorífico, com frio industrial Decreto 9.013/2017, art. 17 FV
Nenhum animal é abatido sem autorização do serviço de inspeção Decreto 9.013/2017, art. 102 FV
Comércio entre municípios do Acre: inspeção estadual do Idaf, com registro, projeto aprovado e vistoria Idaf, Portaria 463/2023 FV
Estabelecimento de pequeno porte, de agricultor familiar, até 250 m², pode abater; estados e municípios podem ter norma própria Decreto 5.741/2006, art. 143-A FV
Venda só dentro do município: inspeção municipal regra geral; não foi levantado quais municípios do Acre têm o serviço ativo para suínos NE

Na prática: quem engorda suíno fora da integração só vende legalmente o animal vivo, com guia de trânsito. Abater no sítio e vender a carne é ilegal.

7.2 Licença ambiental

Ponto O que foi achado Marca
Suinocultura precisa de licença sim. O conselho estadual dispensou a criação de animais em geral, mas deixou de fora suinocultura, avicultura, aquicultura e bovino confinado FV
Quem licencia Imac FV
Porte mínimo, taxa, prazo e dispensa para quintal NE
O que o Imac exige para o dejeto a notícia do órgão fala em "gestão adequada dos dejetos" e uso como adubo, sem detalhar FV a notícia; NE a norma
Distância de curso d'água no mínimo a faixa de preservação: 30 m para rio de até 10 m de largura, 50 m para rio de 10 a 50 m, 100 m para rio de 50 a 200 m FV (em resumo do documento de licenciamento do Acre; regra do Código Florestal)

Sem norma acreana detalhada, vale o roteiro técnico da Embrapa FV:

Exigência técnica Valor
Dejeto líquido na terminação 4,5 litros por suíno por dia; 1.526 litros por vaga por ano
Dejeto em ciclo completo 50,6 litros por matriz por dia
Dejeto em produção de leitão desmamado 11,4 litros por matriz por dia
Esterqueiras pelo menos duas, usadas em sequência
Tempo de armazenagem 40 dias em cada uma depois de cheia; 80 dias no total, no mínimo
Profundidade e borda 2,5 m de fundo; 0,25 m de borda livre; cerca de 1,20 m
Volume de segurança soma a chuva dos quatro meses mais chuvosos
Distâncias usadas no Sul de curso d'água: 30 m em Santa Catarina, 25 a 250 m no Rio Grande do Sul; de casa de terceiros: 20 a 400 m
Cama sobreposta galpão coberto e drenado; 0,5 m de cama compactada; troca de um terço a cada 4 lotes ou 15 meses
Animal morto compostagem; carga máxima de 15 kg por m³ em biodigestor

Quanto custa INF (sem cotação):

Módulo Dejeto em 120 dias Solução R$
8 suínos em cama sólido composteira 300
50 suínos em cama sólido composteira 600
50 suínos em piso 27 m³ (50 × 4,5 × 120) duas esterqueiras de lona, de 20 m³ 6.000
6 matrizes em cama, maternidade em piso 8 m³ (6 × 11,4 × 120) fossa e composteira 2.500
6 matrizes todas em piso 36 m³ (6 × 50,6 × 120) duas esterqueiras de 30 m³ 9.000
275 vagas na integração 149 m³ (275 × 4,5 × 120) esterqueiras de lona; biodigestor é opção 25.000 a 60.000, já dentro do preço do galpão

No Acre chove perto de 2.000 mm por ano. A esterqueira aberta enche de chuva, e o volume de segurança pesa mais que no Sul INF.

8. Sanidade

Ponto Situação Marca
Peste suína clássica o Acre está na zona livre reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal, junto com Rondônia, Mato Grosso e o Centro-Sul FV
Desde quando reconhecimento internacional em 2015 e 2016, segundo o Idaf FV
Vizinhos os municípios de Guajará, Boca do Acre e partes de Lábrea e Canutama, no Amazonas, estão na zona livre; o resto do Amazonas não está FV
O que isso muda carne e suíno do Acre podem ir a outros estados da zona livre e à exportação, com inspeção federal; é o que sustenta as vendas do frigorífico ao exterior FV o status; INF a consequência
O que proíbe entrada de suíno e de produto de zona não livre sem controle; restos de comida para suíno sem tratamento térmico FV
Última ocorrência na zona livre 1998, em São Paulo; na zona não livre houve focos no Ceará, Piauí e Alagoas de 2018 a 2021 FV
Cadastro o produtor mantém o cadastro da criação atualizado no Idaf e declara o rebanho FV
Guia de trânsito todo trânsito de suíno, para qualquer destino e finalidade, exige a guia e os demais documentos sanitários e fiscais; a emissão é eletrônica FV
Taxa de cadastro e de guia NE
Outras doenças do programa peste suína africana (ausente do país) e doença de Aujeszky FV

Para o quintal, a regra que mais pega é a dos restos de comida. Para o grupo, a guia de trânsito a cada venda.

9. Meio ambiente e terra

Ponto Suíno Comparação
Área 50 m² (faixa 1), 100 m² de galpão mais 1 a 2 ha para o composto (faixa 2), 8 ha por família para o dejeto da integração (faixa 3) o peixe pede 1 ha de lâmina d'água na faixa 2
Desmatamento não abre área; cabe em área já aberta vantagem sobre o boi
Reserva legal de 80% não é limite, porque usa pouca terra
Cadastro ambiental rural e embargo exigidos para crédito e licença, como em qualquer atividade
Arrendamento não se aplica: a área é pequena INF
Água 8,3 litros por suíno por dia na terminação; 92 litros por matriz por dia em ciclo completo FV o viveiro pede nascente ou igarapé
Poluição o dejeto líquido é o risco: nitrogênio, fósforo e mau cheiro perto de igarapé o viveiro tem efluente só na despesca
Milho 6 matrizes consomem cerca de 27 t de milho por ano (36,4 t de ração × 74%) INF

10. Riscos

  1. Preço. O suíno vivo no país caiu ao menor nível em vinte anos FV. A carne de fora entra no Acre a preço que o pequeno produtor local não alcança. É o risco maior.
  2. Um só comprador com inspeção. No Alto Acre, a renda do integrado depende de uma empresa. No resto do estado não há comprador com inspeção.
  3. Ração. De 59% a 90% do custeio. Milho de entressafra a R$ 1,81 sobe a ração em 9% (2,18 contra 2,01).
  4. Leitão. Não há oferta conhecida de leitão sadio em volume fora da integração NE.
  5. Doença. Uma entrada de peste suína clássica tira o estado da zona livre e fecha a exportação. Em escala pequena, diarreia de leitão e pneumonia são as perdas do dia a dia INF.
  6. Venda sem inspeção. Abate no sítio é ilegal e pode levar a apreensão.
  7. Inverno amazônico. Ramal fechado atrasa ração e venda. O suíno pronto continua comendo 3 kg por dia: cada semana de atraso em 50 suínos custa R$ 2.100 (50 × 3 × 7 × 2,00) INF.
  8. Calor. Reduz consumo e fertilidade. Os índices do Sul não se repetem.

11. Paralelo com o peixe

Ponto Peixe (régua comum) Suíno
Faixa 1, dinheiro R$ 7,2 a 9,3 mil R$ 10,6 mil
Faixa 1, por mês R$ 35 a 171 menos R$ 102 a R$ 8; R$ 305 a R$ 10
Faixa 1, primeira venda 13 a 15 meses 4 meses
Faixa 2, dinheiro R$ 78,4 mil R$ 74,3 a 82,8 mil
Faixa 2, produção por ano 4.735 kg (5.130 kg em 13 meses) 11.142 a 15.278 kg vivos
Faixa 2, custo por kg R$ 12,68 R$ 8,49
Faixa 2, por mês R$ 914 a 1.275 a R$ 15; zero ou prejuízo a R$ 12 R$ 1.401 a 1.919 a R$ 10; prejuízo a R$ 8
Faixa 3, dinheiro R$ 0,95 a 1,21 milhão R$ 1,2 milhão
Faixa 3, produção 57 t por ciclo 676 t vivas por ano na integração; 89 t no grupo com abatedouro
Faixa 3, por família por mês R$ 857 a R$ 13; R$ 2.054 a R$ 15 integração: R$ 1.141 a 4.827; grupo: R$ 379 a 1.790
Ração no custeio 84,5% 59% na terminação (mais 36% de leitão); 90% no ciclo completo
Ração por kg produzido R$ 10,00 R$ 6,00
Ritmo da receita uma vez a cada 13 meses a cada 4 meses na terminação; a cada 55 dias no ciclo completo
Trabalho 990 horas por ciclo de 13 meses em 1 ha 548 a 1.095 horas por ano
Preço protegido pela distância sim: peixe fresco regional não: carne suína congelada chega de fora
Canal com inspeção cozinha de pescado de pequeno porte um frigorífico federal em Brasiléia; fora dele, nada

Os três achados que mais mudam a comparação:

  1. O suíno não tem colchão de preço. O tambaqui do Acre vende a R$ 12 a 15 por kg porque é fresco e regional. O suíno do pequeno produtor custa R$ 8,49 por kg vivo e disputa com carne que equivale a R$ 6,50 INF. A margem só aparece na venda direta.
  2. O dinheiro gira mais rápido. Com os mesmos R$ 80 mil, o suíno produz de 2,4 a 3,2 vezes mais quilos por ano que o hectare de tambaqui, vende pela primeira vez em 4 a 10 meses em vez de 13, e repete a venda de 3 a 6 vezes por ano. Um lote ruim não leva o ano inteiro.
  3. A porta legal de saída é uma só. O Acre tem um único abate de suínos com inspeção, federal, em Brasiléia, e ele só abate o que integra FV (e INF). Na integração, R$ 1,2 milhão paga um galpão padrão e a renda depende do que a empresa pagar por animal. No resto do estado, de 80% a 90% das matrizes não têm abate legal.

12. O que ficou como estimativa e o que não foi encontrado

Estimativa sem cotação local INF

Não encontrado NE

Verificado na fonte nesta rodada FV

Rebanho e abate (IBGE); custos e coeficientes da Embrapa para Santa Catarina e Mato Grosso; indicador do Cepea de 02/10/2026; índices do sistema familiar em piso e em cama (Embrapa, 2013); modelo de cama sobreposta para 25 suínos (Embrapa, 2006); critérios de dejeto e licenciamento (Embrapa, 2023); zona livre de peste suína clássica (lista oficial da organização mundial e página do Idaf); regras do Idaf para cadastro, guia de trânsito e restos de comida; artigos dos Decretos 9.013/2017 e 5.741/2006; números de licenciamento do Imac em 2025; declarações da integradora em três notícias.

Fontes

Consultadas em 03/10/2026.