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11 — Cozinha de pescado: descrição técnica

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. 1. O que é É uma unidade pequena de beneficiamento de peixe de cultivo, com inspeção sanitária, de propriedade de uma…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado.

1. O que é

É uma unidade pequena de beneficiamento de peixe de cultivo, com inspeção sanitária, de propriedade de uma cooperativa. Ela não cria peixe. Recebe o tambaqui dos viveiros da região, limpa, corta, tira a espinha, embala, congela e vende com nota e com rótulo.

O nome "cozinha" é de propósito: é o contrário de frigorífico industrial. O estado já teve uma indústria de 70 toneladas por dia, montada com dinheiro público, que faliu em 2024 porque foi feita antes de existir peixe para ela FV (números-base). Esta unidade trabalha com 400 a 550 kg de peixe por dia de serviço, de 1 a 4 dias por semana.

Por que este projeto muda o preço dos outros: hoje o produtor do Acre só vende peixe inteiro e fresco, em feira, sem nota. Sem inspeção não entra na merenda, no supermercado com nota nem em órgão público FV (dossiê, seção 5.5). A merenda estadual já compra "pescado regional sem espinha congelado": R$ 2.987.741,76 homologados em 2026 a duas cooperativas, por 48.408 pacotes de 800 g FV (PNCP, Credenciamento SEE 12/2025, item 44). A conta desta ficha dá R$ 61,72 por pacote e R$ 77,15 por kg de produto INF (ver arquivo 02).

2. Tamanho: o que é "pequeno porte"

Referência O que diz Marca
Área Estabelecimento agroindustrial de pequeno porte: área útil construída de até 250 m² FV Decreto 5.741/2006, art. 143-A, na redação do Decreto 8.471/2015
Quem é dono Agricultor familiar ou produtor rural, sozinho ou em grupo FV mesmo artigo
Rondônia A agência de defesa sanitária do estado trata como agroindústria familiar a unidade de pescado com capacidade instalada de até 1.500 kg por dia FV Governo de Rondônia, Emater, 23/03/2021
Esta ficha 120 m² construídos; 400 a 550 kg de peixe inteiro por dia de serviço INF

Observação: o material-base cita o Decreto 10.468/2020 como origem do limite de 250 m². O texto lido no Planalto mostra que o limite está no Decreto 5.741/2006. O Decreto 10.468/2020 alterou o regulamento federal de inspeção e trata o pequeno porte como atenuante e como princípio de simplificação. O número não muda; a divergência de citação está registrada no arquivo 06.

A classificação no regulamento federal (Decreto 9.013/2017, art. 19) FV:

3. Fluxo e áreas

O peixe anda em linha, do sujo para o limpo, sem voltar. Quem trabalha na área limpa não passa pela área suja.

 CAMINHÃO/CAIXAS COM GELO
        |
 [1] RECEPÇÃO coberta (pesagem, conferência da nota, temperatura)      área suja
        |
 [2] LAVAGEM com água clorada e DESCAMAÇÃO
        |
 [3] EVISCERAÇÃO e retirada da cabeça  -----> resíduo (vísceras, cabeça, escama)
        |                                      sai por porta própria
 ======= barreira sanitária (lava-botas, pia, troca de avental) =======
        |
 [4] CORTE: banda, costela, lombo                                      área limpa
        |
 [5] RETIRADA DA ESPINHA EM Y  ------------> espinhaço e aparas --> [5b] despolpadeira (polpa)
        |
 [6] PESAGEM e EMBALAGEM A VÁCUO (pacote de 800 g) e RÓTULO
        |
 [7] CONGELAMENTO RÁPIDO (túnel) até -18 °C
        |
 [8] CÂMARA DE ESTOCAGEM a -18 °C
        |
 [9] EXPEDIÇÃO (veículo refrigerado ou caixa isotérmica)
Área m² O que tem Marca
Recepção coberta e lavagem 20 balança, tanque de lavagem, mangueira com água clorada, caixas plásticas INF
Evisceração (área suja) 15 2 mesas de inox, calha de resíduo, pia INF
Barreira sanitária, vestiários e sanitários 20 lava-botas, pia de acionamento sem as mãos, armários INF
Corte e retirada de espinha (área limpa) 30 4 mesas de inox, facas, pinças, luvas de malha de aço INF
Embalagem e rotulagem 10 balança de precisão, seladora a vácuo INF
Depósito de embalagem e material de limpeza 10 prateleiras fechadas INF
Escritório e sala da inspeção 15 mesa, arquivo dos registros INF
Total construído 120 túnel e câmara ficam em contêiner, fora do prédio INF

O arranjo final só vale depois de aprovado pelo serviço de inspeção. O Idaf exige o projeto arquitetônico aprovado antes da obra FV (página "Como obter o SIE").

4. Equipamentos

Equipamento Para que serve Observação
Mesas e bancadas de inox evisceração, corte, embalagem 6 mesas de 2 m
Facas, pinças, chaira, luva de malha de aço corte e retirada de espinha filetagem do tambaqui é manual: não há máquina consolidada para a espinha em Y NE
Despolpadeira (carne mecanicamente separada) tira a carne que sobra no espinhaço e nas aparas só compensa no volume maior (arquivo 02)
Seladora a vácuo de câmara fecha o pacote de 800 g 2 barras, cerca de 8 pacotes por minuto em modelo de anúncio FV
Túnel de congelamento leva o pacote a -18 °C rápido exigência do regulamento (ver item 8)
Câmara ou contêiner refrigerado guarda o produto a -18 °C contêiner usado de 6 m
Máquina de gelo em escama gelo de água potável para a recepção e a linha 1 t por dia; no começo pode comprar gelo com laudo
Balanças recepção (300 kg) e embalagem (precisão) —
Veículo refrigerado entrega nas escolas e mercados usado, 3,5 t

Preços e fontes estão no arquivo 02.

5. Espécie e por quê

6. Rendimento do tambaqui (quanto do peixe vira produto)

Produto Rendimento sobre o peixe inteiro Fonte Marca
Peixe eviscerado 85,4% a 89,1%; média de 86,9% Cirne e outros, revista Magistra (UFRR e Embrapa Roraima), 24 peixes de 1 a 3,5 kg FV
Peixe eviscerado, outra medida 83,4% Souza e Inhamuns (2011), citado no mesmo estudo FV
Carcaça sem cabeça 57,9% a 60,5% Cirne e outros FV
Tronco limpo 42,3% a 46,1%; média de 44,3% Cirne e outros FV
Banda (as duas laterais, com pele, costela e espinha) 44,6% (peixe de 1 a 1,5 kg); 48,7% (acima de 2 kg) Lima e outros, Embrapa Pesca e Aquicultura, 2018, 48 peixes FV
Banda sem espinha, com pele (tiradas as espinhas em Y e os ossos da costela) 43,5%, em peixe de 2,76 kg, um só operador treinado Ramos e outros, Embrapa Roraima, 2024, 21 peixes de uma peixaria de Boa Vista FV
Banda sem espinha, faixa da literatura 25% a 42% mesmo estudo FV
Cabeça 22,6% a 24,3% Lima e outros, 2018 FV
Vísceras 8,6% a 10,3% Lima e outros, 2018 FV
Espinhaço (carcaça depois da filetagem) 12,2% a 13,6% Lima e outros, 2018 FV
Carne que fica presa ao osso depois da filetagem (vira polpa) cerca de 5% Embrapa, Documentos 131, 2018 FV
Costela separada do lombo não medido em fonte aberta — NE

O que esta ficha usa na conta: 35% de pescado sem espinha INF. É o meio entre o piso da literatura (25%) e o que a peixaria treinada de Boa Vista alcançou (43,5%). Equipe nova não começa em 43,5%. O rendimento real é a primeira coisa a medir no piloto.

De cada 100 kg de tambaqui inteiro saem, nesta conta INF:

7. Os produtos, do mais simples ao mais caro

Produto O que é Quem compra
Peixe eviscerado no gelo sem vísceras, sem escama, resfriado supermercado, restaurante, feira com nota
Banda lateral com pele, costela e espinha, "ticada" (cortes finos que quebram a espinha) supermercado, restaurante
Costela a parte da barriga, com osso grande, fácil de comer restaurante, churrasco
Pescado sem espinha congelado banda ou lombo sem as espinhas em Y e sem osso de costela, pacote de 800 g a vácuo merenda, hospital, restaurante
Polpa (carne mecanicamente separada) carne moída tirada do espinhaço e das aparas, congelada merenda (almôndega, hambúrguer, bolinho), lanchonete

A Embrapa Meio-Norte já processou polpa de tambaqui a pedido de produtores e prefeituras que queriam pôr o produto na merenda. Usou peixe abaixo de 1 kg, desossadora mecânica e lavagens com água a 5 °C FV (Documentos 131). É uma saída para o peixe pequeno que o produtor do Acre despesca cedo por falta de ração.

8. Retirada da espinha em Y

9. Frio, água, energia

Frio

Água

Energia

10. Efluente e resíduo

11. Pessoas

Função Quantas (cenário base) Observação
Responsável técnico, médico-veterinário 1, contrato parcial obrigatório FV (Decreto 9.013/2017, art. 77)
Gestor contratado 1 compra, venda, nota, entrega, contas
Linha (recepção, evisceração, corte, espinha, embalagem, limpeza) 8 por dia de serviço cooperados ou diaristas treinados
Motorista 1 em dia de entrega pode ser o gestor no começo

Em Rondônia, o governo cede, por meio da Emater, um responsável técnico sem custo às agroindústrias familiares nos primeiros anos FV. No Acre não foi localizado apoio igual NE.

12. Rotina de um dia de serviço

  1. Véspera: confirmar a despesca com o produtor, o gelo e a equipe.
  2. 5h às 7h: despesca no viveiro; peixe direto para caixa com gelo (abate por choque térmico).
  3. 7h às 8h: recepção. Pesar, medir a temperatura, conferir nota do produtor e documento de origem.
  4. 8h às 12h: lavagem, descamação, evisceração, corte e retirada de espinha.
  5. 12h às 15h: embalagem a vácuo, rótulo com data e lote, entrada no túnel.
  6. 15h às 17h: limpeza completa da linha, registro das planilhas de autocontrole, saída do resíduo.
  7. Dia seguinte: produto a -18 °C passa do túnel para a câmara.

13. O que medir sempre