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02 — Investimento e custos
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. As contas estão no script calc_fabrica.py , nesta pasta. Os preços de equipamento vêm do arquivo 01; os de ingrediente e de mercado, do…
- 1. Resumo
- 2. Investimento
- 3. Custo que cresce com a produção
- 4. Custo que não depende da produção, por ano
- 5. Custo total e preço a bater
- 6. Resultado por cenário
- 7. A dívida
- 8. Quanto o Acre ganha fabricando aqui
- 9. Caminhos que custam menos que a fábrica nova
- 10. Gatilhos para voltar a discutir a fábrica
- 11. O que não está na conta
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa ou conta desta ficha; NE buscado e não encontrado. As contas estão no script calc_fabrica.py, nesta pasta. Os preços de equipamento vêm do arquivo 01; os de ingrediente e de mercado, do arquivo 07; a dívida, do arquivo 05.
Aviso. Quase tudo aqui é estimativa de ordem de grandeza. Nenhum fabricante deu orçamento formal, e não há cotação aberta de salário, lenha ou saco no Acre. A conta serve para decidir se vale pedir orçamento, não para assinar contrato.
1. Resumo
| Item | A. Mini, 120 kg/h | B. Pequena, 500 kg/h | C. Média, 2 t/h |
|---|---|---|---|
| Investimento fixo | R$ 435 mil | R$ 4,2 milhões | R$ 12,5 milhões |
| Capital de giro | R$ 60 mil | R$ 400 a 700 mil | R$ 1,6 a 2,2 milhões |
| Dinheiro a levantar | R$ 495 mil | R$ 4,6 a 4,9 milhões | R$ 14,1 a 14,7 milhões |
| Produção real em um turno | 120 a 160 t por ano | 700 t por ano | 2.750 t por ano |
| Custo total por kg, um turno | ver pasta 04 | R$ 4,47 | R$ 3,82 |
| Preço a bater na porta da fábrica | R$ 3,50 | R$ 3,50 | R$ 3,50 |
| Resultado por ano a R$ 3,50 | empata ou perde | prejuízo de R$ 681 mil | prejuízo de R$ 869 mil |
| Venda que empata a R$ 3,50 | 135 a 178 t | 1.701 t | 3.927 t |
| Prazo até a primeira venda | ver pasta 04 | cerca de 24 meses | cerca de 34 meses |
Tudo INF. A mini está analisada na pasta 04, que a descarta. Este arquivo abre a conta das escalas B e C.
2. Investimento
| Bloco | Escala B | Escala C |
|---|---|---|
| Equipamentos, postos e montados | R$ 2,07 milhões (faixa de 1,7 a 2,5) | R$ 6,77 milhões (faixa de 5,5 a 8,0) |
| Obra | R$ 2,05 milhões, 1.000 m² | R$ 5,40 milhões, 2.500 m² |
| Projetos e licenças, 3% | R$ 0,12 milhão | R$ 0,37 milhão |
| Investimento fixo | R$ 4,2 milhões | R$ 12,5 milhões |
| Capital de giro | R$ 400 a 700 mil | R$ 1,6 a 2,2 milhões |
O giro paga o grão. O milho é comprado em três meses de safra, a R$ 1,21 por kg, e custa R$ 1,81 na entressafra FV (arquivo 07). Fábrica sem silo e sem giro compra sempre no preço alto.
3. Custo que cresce com a produção
| Item | Conta | Escala B | Escala C |
|---|---|---|---|
| Ingredientes, com 8% de perda | mistura de 84% de ração de 28% e 16% de 32% | R$ 2,50 | R$ 2,50 |
| Energia elétrica | 200 e 135 kWh por tonelada, a R$ 0,90 por kWh | R$ 0,18 | R$ 0,12 |
| Saco de 25 kg | R$ 2,50 por saco | R$ 0,10 | R$ 0,10 |
| Lenha da caldeira | 110 a 220 kg por tonelada | R$ 0,04 | R$ 0,04 |
| Custo variável por kg | R$ 2,82 | R$ 2,76 |
O ingrediente fica entre R$ 2,40, com milho comprado todo na safra, e R$ 2,54, com milho ao preço médio do ano INF (sobre FV). A conta usa R$ 2,50. O farelo de soja é 53% desse custo e vem de fora, porque o Acre não tem esmagadora.
4. Custo que não depende da produção, por ano
| Item | Conta | Escala B | Escala C |
|---|---|---|---|
| Folha da linha | 5 e 11 pessoas, a R$ 3.000 por mês com encargos, 13,3 folhas | R$ 199.500 | R$ 438.900 |
| Folha fixa | 7 e 15 pessoas, a R$ 5.000 por mês com encargos | R$ 465.500 | R$ 997.500 |
| Manutenção | 4% do valor dos equipamentos | R$ 82.800 | R$ 270.800 |
| Laboratório, seguro, escritório | R$ 120.000 | R$ 300.000 | |
| Desgaste das máquinas | em 10 anos | R$ 207.000 | R$ 677.000 |
| Desgaste da obra | em 25 anos | R$ 82.000 | R$ 216.000 |
| Custo fixo por ano | R$ 1.156.800 | R$ 2.900.200 | |
| Por kg, em um turno | 700 t e 2.750 t | R$ 1,65 | R$ 1,05 |
Salários, manutenção e despesas gerais são estimativas sem cotação local INF.
Só a folha já passa da margem. Na escala B, a folha custa R$ 665 mil por ano. Contra a carreta, cada quilo deixa R$ 0,68 de margem (3,50 − 2,82). Para pagar só a equipe são precisas 978 t por ano. A máquina faz 700 t em um turno.
5. Custo total e preço a bater
| Linha | Escala B, um turno | Escala C, um turno |
|---|---|---|
| Custo variável por kg | R$ 2,82 | R$ 2,76 |
| Custo fixo por kg | R$ 1,65 | R$ 1,05 |
| Custo total por kg | R$ 4,47 | R$ 3,82 |
| Com a parcela da dívida no lugar do desgaste, 80% financiado | R$ 5,11 | R$ 4,38 |
Os dois preços de comparação vêm do arquivo 07 INF:
| Cliente | O que ele paga hoje | Preço da fábrica para ganhar |
|---|---|---|
| Cooperativa ou central que compra carreta fechada | R$ 3,53 a 3,91, posta em Rio Branco | até R$ 3,50 na porta |
| Criador que compra saco em loja | R$ 4,50 a 5,50 | R$ 4,00 a 4,20; a conta usa R$ 4,10 |
Imposto sobre a venda não está na conta NE. O incentivo estadual à indústria pode devolver até 95% do ICMS próprio FV (arquivo 05).
6. Resultado por cenário
| Cenário | Produção | Custo por kg | Resultado a R$ 3,50 | Resultado a R$ 4,10 | Empate a R$ 3,50 | Empate a R$ 4,10 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| B, tudo novo, um turno | 700 t | R$ 4,47 | −R$ 681 mil | −R$ 261 mil | 1.701 t | 904 t |
| B, prédio cedido e linha usada, um turno | 700 t | R$ 4,14 | −R$ 449 mil | −R$ 29 mil | 1.360 t | 723 t |
| B, tudo novo, dois turnos | 1.400 t | R$ 3,79 | −R$ 404 mil | R$ 436 mil | 1.995 t | 1.060 t |
| B, prédio cedido e linha usada, dois turnos | 1.400 t | R$ 3,62 | −R$ 173 mil | R$ 668 mil | 1.654 t | 879 t |
| C, tudo novo, um turno | 2.750 t | R$ 3,82 | −R$ 869 mil | R$ 781 mil | 3.927 t | 2.167 t |
| C, tudo novo, dois turnos | 5.500 t | R$ 3,37 | R$ 723 mil | R$ 4,02 milhões | 4.521 t | 2.495 t |
Resultado por ano, antes de imposto e de juros do giro INF. A linha usada entra a R$ 1,0 milhão, montada: o núcleo usado custa cerca de um quinto do novo FV (arquivo 01), e o resto é comprado novo.
Quatro leituras:
- A escala B não ganha da carreta em nenhum cenário. Mesmo em dois turnos, com prédio cedido e linha usada, ela perde R$ 173 mil por ano a R$ 3,50.
- A escala B só fecha vendendo direto ao criador, a R$ 4,10. Nesse preço ela empata entre 723 e 904 t por ano, conforme o arranjo. A demanda alcançável é de 350 a 700 t no eixo de Rio Branco, e de até 1.100 t com o Juruá INF (arquivo 07). Empata no topo do mercado que consegue alcançar.
- A escala C precisa de um mercado que o Acre não tem. Para empatar ela vende de 2.167 a 3.927 t de ração de peixe por ano. O estado inteiro consome de 4.162 a 5.087 t, e a fatia alcançável é de 350 a 1.100 t.
- O volume manda mais que o preço da máquina. Tirar a obra e comprar linha usada baixa o custo em R$ 0,33 por kg. Dobrar a venda baixa R$ 0,68.
7. A dívida
| Arranjo | Valor financiado | Primeira parcela cheia | Por kg, um turno | Por kg, dois turnos |
|---|---|---|---|---|
| B, tudo novo, 80% financiado | R$ 3,36 milhões | R$ 732 mil | R$ 1,05 | R$ 0,52 |
| B, prédio cedido e linha usada | R$ 0,80 milhão | R$ 174 mil | R$ 0,25 | R$ 0,12 |
| C, tudo novo, 80% financiado | R$ 10,0 milhões | R$ 2.447 mil | R$ 0,89 | R$ 0,44 |
Condições e linhas no arquivo 05 INF (sobre FV). Com tudo novo, a parcela sozinha é maior do que a margem contra a carreta. Com prédio público cedido e linha usada, a dívida deixa de ser o problema. O problema passa a ser só a folha e o volume.
8. Quanto o Acre ganha fabricando aqui
A vantagem de fabricar no Acre, em vez de trazer a ração pronta de Rondônia, fica entre −R$ 0,07 e +R$ 0,17 por kg INF (arquivo 07). O milho é local, mas o farelo de soja viaja de qualquer jeito. A fábrica economiza o frete do milho e pouco mais.
Para comparar: a compra coletiva em carreta, sem fábrica, já baixa a ração de R$ 5,00 para R$ 4,20 por kg ao criador (pasta 04). São R$ 0,80 por kg, com R$ 16 a 26 mil de investimento.
9. Caminhos que custam menos que a fábrica nova
| Caminho | O que é | Dinheiro | O que falta saber |
|---|---|---|---|
| Central de compra | carreta fechada de Rondônia, galpão cedido | R$ 16 a 26 mil, mais R$ 112 a 118 mil por carreta | pasta 04 |
| Contrato com o fornecedor de Rio Branco | compra firme, por volume, com fórmula e preço combinados | só o giro | preço e capacidade dele NE |
| Contrato com a fábrica parada de Senador Guiomard | ela faz de 14.400 a 18.000 t por ano em um turno; foi arrematada em 28/11/2025 | só o giro | plano do novo dono NE |
| Fábrica B enxuta | prédio público cedido, linha usada com laudo, venda direta contratada | R$ 1,0 milhão em máquina, mais R$ 400 a 700 mil de giro | orçamento, laudo e contratos |
A capacidade da fábrica parada diverge entre as fontes: 1.200 t por mês na notícia de abril de 2015 e 1.500 t por mês na de outubro de 2016. Nos dois casos passa de três vezes o consumo do estado.
10. Gatilhos para voltar a discutir a fábrica
A fábrica B enxuta só entra em pauta com os cinco cumpridos:
- Contratos assinados de pelo menos 900 t por ano de ração de 28% e 32%, a R$ 4,00 ou mais na porta.
- Plano do dono da fábrica parada conhecido por escrito. Se ela religar, não há espaço.
- Prédio público cedido por termo, com energia trifásica e poço.
- Três orçamentos formais de linha, e laudo se for usada.
- Giro para o grão contratado junto com a máquina, e silo para comprar o milho na safra.
11. O que não está na conta
- Imposto sobre a venda e taxa de registro e de licença NE.
- Juros do capital de giro.
- Frete de entrega ao cliente: os preços são na porta da fábrica.
- Inadimplência de venda a prazo.
- Primeiro ano com metade da produção nominal, por ajuste de fórmula e formação de clientela.
- Perda de lote por mofo ou ranço no inverno amazônico.