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01 — Descrição técnica

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta (anúncio, catálogo, norma ou publicação, lidos na data indicada); INF estimativa ou conta desta ficha, com a base à mostra; NE buscado e não encontrado. Aviso sobre preço. Fabricante…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta (anúncio, catálogo, norma ou publicação, lidos na data indicada); INF estimativa ou conta desta ficha, com a base à mostra; NE buscado e não encontrado.

Aviso sobre preço. Fabricante brasileiro de linha de extrusão quase não publica preço: vende por orçamento. Os preços FV abaixo são de anúncios lidos em 03/10/2026. Todo o resto é estimativa de ordem de grandeza, ancorada nesses anúncios. Antes de qualquer decisão é preciso pedir três orçamentos formais.

1. O que é

Uma fábrica de ração extrusada recebe grão e farelo, mói bem fino, mistura na proporção da fórmula, cozinha sob pressão numa extrusora, seca, cobre com óleo, resfria, peneira e ensaca. O que sai é o grão de ração que flutua, usado em toda a criação de peixe do catálogo.

Este projeto não cria peixe. Ele fabrica o insumo que é de 61% a 87% do custo de quem cria FV (números-base).

2. As três escalas

Item A. Mini, comunitária B. Pequena, regional C. Média, estadual
Capacidade da extrusora 120 kg por hora 500 kg por hora 2 t por hora
Produção nominal, um turno 240 t por ano 1.000 t por ano 4.000 t por ano
Produção real esperada, um turno 120 a 160 t por ano 650 a 750 t por ano 2.500 a 3.000 t por ano
Área construída 150 m² cerca de 1.000 m² cerca de 2.500 m²
Potência instalada cerca de 40 kW cerca de 175 kW cerca de 460 kW
Pessoal total, um turno 3 (com responsável técnico parcial) 12 26
Equipamentos, postos e montados R$ 210 mil R$ 2,07 milhões R$ 6,77 milhões

Tudo INF, com a conta nas seções 5 a 8. A nominal é capacidade × 8 horas × 250 dias: 0,12 × 8 × 250 = 240; 0,5 × 8 × 250 = 1.000; 2 × 8 × 250 = 4.000.

O tamanho do mercado decide a escala. O Acre produziu 2.312 t de peixe de cultivo em 2025 FV (números-base). Com 1,8 kg de ração por kg de peixe, o estado inteiro consome hoje cerca de 2.312 × 1,8 = 4.162 t de ração por ano INF. Logo:

3. O fluxo da fábrica, etapa por etapa

grão e farelo -> pesagem -> silo ou tulha -> moinho (peneira fina) -> dosagem -> misturador
   -> condicionador (vapor e água) -> extrusora (matriz e faca) -> secador
   -> recobridor de óleo -> resfriador -> peneira -> ensaque -> estoque -> expedição
Etapa O que acontece Equipamento O que controlar
1. Recepção e pesagem o caminhão descarrega; pesa-se e tira-se amostra moega, balança, calador peso, umidade do grão, mofo, toxina de fungo, laudo do fornecedor
2. Armazenagem milho em silo; farelo e farinha em tulha, big bag ou saco silo com aeração, tulhas, paletes temperatura do silo, inseto, goteira, ordem de entrada
3. Moagem fina o grão vira farinha fina moinho de martelos com peneira de 0,5 a 0,8 mm, filtro de pó granulometria; peneira furada
4. Dosagem cada ingrediente é pesado conforme a fórmula balança de dosagem, roscas peso de cada item; premix conferido
5. Mistura 3 a 5 minutos por batelada misturador horizontal tempo de mistura; sobra da batelada anterior
6. Condicionamento vapor e água levam a massa a 20% a 30% de umidade e 65 a 95 °C, por 3 a 5 minutos FV condicionador, caldeira temperatura, umidade
7. Extrusão a rosca comprime e cozinha a 110 a 150 °C FV; ao sair pela matriz a massa expande e a faca corta o grão extrusora, matriz, cortador amperagem do motor, temperatura do canhão, densidade do grão
8. Secagem o grão sai úmido e precisa ir a 10% ou menos secador de esteira com ar quente umidade na saída, a cada hora
9. Recobrimento óleo e antioxidante por aspersão, com o grão ainda quente FV tambor ou rosca recobridora, tanque aquecido dose de óleo
10. Resfriamento o grão volta à temperatura do ambiente resfriador de contracorrente temperatura antes de ensacar
11. Peneira tira pó e grumo; o pó volta ao misturador peneira vibratória porcentagem de finos
12. Ensaque saco de 25 kg, costurado e rotulado; ou big bag; ou granel com rótulo na nota balança ensacadeira, costuradora peso, lote, validade, rótulo
13. Estoque e expedição palete, primeiro que entra é o primeiro que sai paleteira ou empilhadeira prazo do lote; amostra guardada

As faixas de umidade e temperatura das etapas 6 e 7 e a aspersão de óleo são de publicação da Embrapa Pesca e Aquicultura (Documentos 14, 2015) FV. Ração seca tem menos de 12% de umidade FV (Embrapa).

4. Por que ração de peixe precisa de extrusão

O peixe come na água. Ração que afunda se perde no fundo, suja a água e não deixa o criador ver se o peixe comeu. A extrusão cozinha o amido, que expande como pipoca ao sair da matriz. O grão fica leve, cheio de poros, e flutua. Fica também mais digestível e solta menos pó FV (Embrapa).

Três regras de fórmula que vêm do processo FV (Embrapa, Documentos 14): - a ração flutuante precisa de no mínimo 20% de amido; - gordura acima de 8% na massa atrapalha a expansão; por isso o óleo entra depois, por aspersão; - parte das vitaminas se perde no calor: 15% a 20% das que se dissolvem em gordura, e mais ainda das outras. A fórmula compensa.

Um fabricante nacional de extrusoras pequenas declara limites mais apertados para a sua máquina, que trabalha a seco: até 36% de proteína, até 7% de gordura, no mínimo 35% de amido FV (catálogo lido em 03/10/2026).

O que a fábrica de ração de peixe exige a mais que a de frango

Ponto Ração de frango (farelada ou peletizada) Ração de peixe (extrusada)
Moagem grossa, peneira de 3 a 5 mm INF fina, peneira de 0,5 a 0,8 mm; para grão de 1 a 2 mm, mais fina ainda INF (prática do setor)
Energia na moagem baixa duas a três vezes maior por tonelada INF
Cozimento nenhum, ou vapor leve na peletizadora (70 a 85 °C) FV condicionador com vapor e extrusora a 110 a 150 °C FV
Caldeira dispensável na farelada necessária na extrusão com vapor
Secador não tem obrigatório: é preciso tirar cerca de 180 kg de água por tonelada (seção 9)
Recobrimento de óleo raro usual
Investimento e manutenção menor maior, com troca periódica de rosca, camisa, matriz e faca FV (Embrapa)
Mão de obra misturador e ensaque operador de extrusora treinado; o ajuste é fino

Uma fábrica de ração farelada de frango ou de boi não vira fábrica de ração de peixe trocando uma máquina. Faltam a moagem fina, a extrusora, a caldeira, o secador e o resfriador.

5. Escala A — mini, comunitária (resumo)

Já analisada na pasta 04 (04-central-de-racao-e-racao-alternativa, arquivo 01, parte C, e arquivo 02, seção 9). Resumo:

Item Valor Marca
Extrusora de 120 kg por hora R$ 75.000 (outro anúncio, na Bahia: R$ 38.000) FV anúncios, 2026
Máquinas, com instalação R$ 210.000 INF
Galpão de 150 m² R$ 225.000 INF
Investimento total R$ 435.000, mais R$ 60.000 de giro INF
Produção real metade a dois terços de 240 t por ano INF
Escala em que empata com a ração de carreta 135 a 178 t por ano INF
Veredito da pasta 04 não recomendada abaixo de cerca de 300 t por ano

A mini trabalha a seco, sem caldeira, com secador simples. O grão sai menos uniforme. Serve para aprender e para testar fórmula, não para abastecer um polo.

6. Escala B — pequena, regional (500 kg por hora)

6.1 Equipamentos e preços

Nº Equipamento Capacidade ou potência R$ mil Marca
1 Recepção: moega, rosca, elevador de canecas, pré-limpeza 10 t por hora 70 INF
2 Balança de piso de 2 t e balança de dosagem 15 INF
3 Silo metálico para milho, com aeração 100 t 110 INF
4 Tulhas de espera e roscas dosadoras 3 de 5 t 60 INF
5 Moinho de martelos, peneiras de 0,5 a 0,8 mm, filtro de pó 1 t por hora; 40 cv 90 INF
6 Misturador horizontal com elevador 500 kg por batelada; 10 cv 60 INF
7 Extrusora com alimentador, condicionador, cortador, painel com inversor e jogo de matrizes 500 a 600 kg por hora; 75 cv 300 FV para a base de R$ 250 mil; INF no resto
8 Caldeira a lenha, com tratamento de água 300 kg de vapor por hora 130 INF
9 Transporte pneumático da extrusora ao secador 15 cv 40 INF
10 Secador de esteira, três passes 600 kg por hora 280 INF
11 Recobridor de óleo, tanque aquecido e bomba dosadora 70 INF
12 Resfriador de contracorrente, exaustor e ciclone 80 INF
13 Peneira vibratória 35 INF
14 Tulha de produto, ensacadeira com balança e costuradora 4 a 6 sacos por minuto 80 INF
15 Compressor, painéis, cabos e quadro geral 150 INF
Soma da linha de processo (1 a 15) 1.570
16 Transformador de 225 kVA e entrada de energia 120 INF
17 Laboratório mínimo (seção 11) 60 INF
18 Empilhadeira usada, paleteira e 200 paletes 80 INF
19 Frete até o Acre, montagem, posta em marcha e treinamento: 15% da linha 0,15 × 1.570 236 INF
Total de equipamentos, postos e montados 2.066

Conferência da soma 1 a 15: 70 + 15 + 110 + 60 + 90 + 60 + 300 + 130 + 40 + 280 + 70 + 80 + 35 + 80 + 150 = 1.570. Total: 1.570 + 120 + 60 + 80 + 236 = 2.066.

De onde vêm os números. - Extrusora nova, modelo "de 500 a 10.000 kg por hora", de fabricante de extrusoras do interior de São Paulo: R$ 250.000 por unidade, no anúncio FV (lido em 03/10/2026). É o preço de entrada; o anúncio manda pedir orçamento. Somaram-se R$ 50 mil para matrizes e inversor INF. - "Fábrica completa" nova, extrusada, para projetos de 1 a 10 t por hora, do mesmo polo fabricante: R$ 3.500.000 como valor base FV (anúncio lido em 03/10/2026). Pela regra de escala usada em engenharia (custo cresce com a capacidade elevada a 0,6), uma linha de 0,5 t por hora custaria 3.500 × (0,5 ÷ 1)^0,6 = 3.500 × 0,66 = R$ 2.310 mil INF. A lista acima dá R$ 2.066 mil. As duas contas ficam na mesma ordem. - Os itens pequenos partem dos valores da linha de 120 kg por hora da pasta 04, ampliados pela mesma regra INF. - Faixa honesta: R$ 1,7 a 2,5 milhões INF.

Máquina usada. Há oferta, e é muito mais barata FV (anúncios lidos em 03/10/2026): - linha usada completa no Paraná (balança, misturador, moinho, extrusora, transporte pneumático, secador, resfriador, engordurador, linha de vapor e de ar comprimido): R$ 100.000, capacidade não informada; - extrusora usada para ração de peixe, 500 kg por hora ou mais, em Minas Gerais: R$ 250.000.

Usada não tem garantia, não entra em financiamento de máquina nova e pode chegar com rosca e camisa gastas. Só com laudo de um mecânico de extrusão e teste com carga antes de pagar INF.

6.2 Área, obra e terreno

Setor m²
Processo (moagem, mistura, extrusão, secagem), com pé-direito de 8 a 10 m 300
Matéria-prima ensacada e em big bag 250
Produto acabado 250
Laboratório, escritório, vestiário e refeitório 100
Casa de caldeira e depósito coberto de lenha 80
Total 980, arredondado para 1.000

Conferência do estoque de produto: um mês de produção real são 750 ÷ 12 = 62,5 t, isto é, 2.500 sacos de 25 kg, ou 50 paletes de 50 sacos. Com corredor, 250 m² bastam INF.

Obra: 1.000 m² × R$ 1.800 por m² = R$ 1.800.000; mais pátio, cerca, poço, fossa e drenagem, R$ 250.000. Obra: R$ 2,05 milhões INF (sem cotação; a pasta 04 usou R$ 1.500 por m² para galpão simples). Terreno de cerca de 5.000 m², para manobra de carreta.

Investimento fixo da escala B: 2,07 + 2,05 = R$ 4,12 milhões, mais projetos e licenças (cerca de 3%: R$ 120 mil). Total perto de R$ 4,2 milhões INF. Faixa: R$ 3,5 a 5,0 milhões.

6.3 Potência e energia

Motor ou grupo kW
Moinho 30
Misturador 7,5
Extrusora (55), condicionador (7,5), cortador e alimentador (3) 65,5
Secador (ventiladores e esteiras) 15
Resfriador 7,5
Transporte pneumático 11
Elevadores e roscas 10
Recobridor e bombas 4
Ensaque 2
Compressor 7,5
Caldeira (ventilador e bomba) 5
Iluminação, laboratório, escritório 10
Potência instalada 175

Base do motor da extrusora: catálogo de fabricante asiático indica 55 kW para extrusora a seco de 0,5 a 0,6 t por hora FV (lido em 03/10/2026). Fabricante nacional indica motor de 30 hp para 200 kg por hora FV.

Consumo por tonelada INF: - moagem: o moinho de 30 kW trabalha a 80% da carga e mói 1 t por hora: 24 kWh por t; - extrusão: 55 kW × 0,8 ÷ 0,5 t por hora = 88 kWh por t; - demais motores: cerca de 80 kW × 0,5 ÷ 0,5 t por hora = 80 kWh por t; - iluminação e apoio: 10 kWh por t. - Total: 24 + 88 + 80 + 10 = cerca de 200 kWh por tonelada (faixa de 170 a 230).

A pasta 04 usou o mesmo número (0,20 kWh por kg) para a mini. Com tarifa entre R$ 0,80 e R$ 1,05 por kWh INF, a energia elétrica custa de R$ 0,16 a R$ 0,21 por kg de ração.

Exige rede trifásica de média tensão e transformador próprio. A distribuidora precisa dar parecer de acesso antes da obra.

6.4 Vapor, lenha e água (seção 9 traz a conta)

6.5 Pessoal, horas e dias

Função Pessoas
Por turno: operador de extrusora (encarregado), operador de moagem e mistura, operador de secador e caldeira, 2 auxiliares de ensaque e expedição 5
Fixos: gerente, responsável técnico, analista de qualidade, administrativo e vendas, mecânico eletricista, almoxarife e balança, serviços gerais 7
Total em um turno 12
Segundo turno, se houver mais 5

Um turno de 8 horas, 250 dias úteis no ano. O operador de caldeira precisa de curso específico de segurança em caldeiras INF.

7. Escala C — média, estadual (2 t por hora)

7.1 Equipamentos e preços

Nº Equipamento Capacidade ou potência R$ mil Marca
1 Recepção: moega para carreta, elevador, pré-limpeza 40 t por hora 220 INF
2 Balança rodoviária 80 t 180 INF
3 Silos metálicos com aeração e termometria 2 de 300 t 550 INF
4 Tulhas de dosagem, dosagem automática e microdosagem de premix 6 de 10 t 350 INF
5 Moinho de martelos com alimentador, peneiras finas e filtro de mangas 4 t por hora; 125 cv 280 INF
6 Misturador horizontal com adição de líquidos 1.000 a 2.000 kg por batelada 200 INF
7 Extrusora com condicionador, cortador, painel automatizado e matrizes 2 t por hora; 150 cv 700 FV para a base de R$ 450 mil; INF no resto
8 Caldeira a lenha ou cavaco, tratamento de água e chaminé 1.000 kg de vapor por hora 400 INF
9 Transporte pneumático 30 cv 90 INF
10 Secador de esteira de vários passes 2 a 2,5 t por hora 850 INF
11 Recobridor de óleo com tanques aquecidos 220 INF
12 Resfriador de contracorrente 200 INF
13 Peneira classificadora 90 INF
14 Silos de produto, ensacadeira automática, big bag e expedição a granel 4 de 15 t 350 INF
15 Compressor, quadro de motores, automação e cabos 550 INF
Soma da linha de processo (1 a 15) 5.230
16 Subestação de 500 a 750 kVA 300 INF
17 Laboratório (seção 11) 150 INF
18 Duas empilhadeiras e paletes 300 INF
19 Frete, montagem, posta em marcha e treinamento: 15% da linha 0,15 × 5.230 785 INF
Total de equipamentos, postos e montados 6.765

Conferência da soma 1 a 15: 220 + 180 + 550 + 350 + 280 + 200 + 700 + 400 + 90 + 850 + 220 + 200 + 90 + 350 + 550 = 5.230. Total: 5.230 + 300 + 150 + 300 + 785 = 6.765.

De onde vêm os números. - Extrusora nova para projetos de 1 a 10 t por hora, de fabricante do interior de São Paulo: R$ 450.000 por unidade, "valor conforme a tonelagem" FV (anúncio lido em 03/10/2026). Somaram-se condicionador duplo, automação e matrizes INF. - Fábrica completa nova, valor base de R$ 3.500.000 para 1 a 10 t por hora FV. Pela regra de escala: 3.500 × (2 ÷ 1)^0,6 = 3.500 × 1,516 = R$ 5.306 mil INF. A linha de processo acima soma R$ 5.230 mil. Batem. - Referência de cima: a maior fábrica de Rondônia custou cerca de R$ 40 milhões em 2017, com 12 t por hora de extrusada e 20 t por hora de farelada FV (imprensa do setor, por resumo de busca). Reduzida para 2 t por hora pela mesma regra: 40 × (2 ÷ 12)^0,6 = 40 × 0,341 = R$ 13,6 milhões, com obra, em preços de 2017 INF. - Faixa honesta dos equipamentos: R$ 5,5 a 8,0 milhões INF.

Máquina usada FV (anúncio lido em 03/10/2026): núcleo de fábrica usada em São Paulo, com extrusora de 2 t por hora (motor de 125 cv), moinho de 20 cv, misturador de 500 kg, secador rotativo, transporte pneumático, roscas e matrizes, por R$ 450.000. Os mesmos itens novos somam, na lista acima, 700 + 280 + 200 + 850 + 90 = R$ 2.120 mil INF. A usada sai por cerca de um quinto (450 ÷ 2.120 = 21%). Faltam caldeira, silos, resfriador, recobridor e ensaque. Moinho de 20 cv é pequeno para moagem fina a 2 t por hora, e secador rotativo quebra mais o grão que o de esteira INF. Valem os mesmos cuidados da seção 6.1.

7.2 Área, obra e terreno

Setor m²
Processo, em torre 600
Matéria-prima 600
Produto acabado 800
Laboratório, administração, vestiário e refeitório 250
Caldeira, depósito de lenha e oficina 250
Total 2.500

Conferência do estoque de produto: um mês de produção real são 3.000 ÷ 12 = 250 t, isto é, 10.000 sacos, ou 200 paletes INF.

Obra: 2.500 × R$ 1.800 = R$ 4.500.000; mais pátio pavimentado, base de balança e de silos, poço, tratamento de esgoto e cerca, R$ 900.000. Obra: R$ 5,4 milhões INF. Terreno de 15.000 a 20.000 m².

Investimento fixo da escala C: 6,77 + 5,40 = R$ 12,17 milhões, mais projetos e licenças (3%: R$ 365 mil). Total perto de R$ 12,5 milhões INF. Faixa: R$ 11 a 15 milhões.

7.3 Potência e energia

Motor ou grupo kW
Moinho 90
Extrusora (110), condicionador (15), cortador e alimentador (6) 131
Misturador 22
Secador 45
Resfriador 15
Transporte pneumático 22
Recepção, elevadores e roscas 40
Recobridor e bombas 10
Ensaque 8
Compressor 15
Caldeira 15
Filtros de pó e aspiração 22
Iluminação, laboratório, administração 25
Potência instalada 460

Base do motor da extrusora: fábrica usada anunciada com motor de 125 cv (92 kW) para 2 t por hora FV; catálogo asiático de extrusora a seco de 1,8 a 2,0 t por hora, 132 kW; catálogo de extrusora com vapor de 1 a 2 t por hora, 75 kW mais 11 kW de condicionador FV (lidos em 03/10/2026).

Consumo por tonelada INF: - moagem: 90 × 0,8 ÷ 4 t por hora = 18 kWh por t; - extrusão: 131 × 0,8 ÷ 2 = 52 kWh por t; - demais motores: 214 × 0,55 ÷ 2 = 59 kWh por t; - iluminação e apoio: 6 kWh por t. - Total: 18 + 52 + 59 + 6 = cerca de 135 kWh por tonelada (faixa de 120 a 160).

Comparação FV: catálogo de fabricante asiático descreve uma fábrica de 11 t por hora, 40.000 t por ano, que gasta 4,92 milhões de kWh por ano: 4.920.000 ÷ 40.000 = 123 kWh por tonelada.

7.4 Vapor, lenha e água

7.5 Pessoal, horas e dias

Função Pessoas
Por turno: supervisor, operador de painel e dosagem, moagem, extrusora, secador e recobrimento, caldeira, 3 de ensaque e paletização, empilhadeira, recepção e balança 11
Fixos: gerente, responsável técnico em tempo integral, 2 de laboratório, 2 de manutenção, 3 de administração e compras, 2 de vendas, 2 de expedição, 3 de vigilância e limpeza 15
Total em um turno 26
Segundo turno, se houver mais 11

Comparação FV: a fábrica asiática de 11 t por hora, em dois turnos, tem 60 empregados.

8. Produção real contra a nominal

A nominal supõe a máquina cheia, 8 horas, 250 dias. Não acontece. Conta INF:

Fator Cenário fraco Cenário bom
Dias de operação (falta de grão, queda de energia, manutenção) 230 240
Horas de produção por dia (partida, parada, limpeza, troca de matriz) 6,5 7
Rendimento sobre a capacidade (grão pequeno rende menos que grão grande) 85% 90%

A pasta 04 usou metade a dois terços para a mini, que tem equipe menor e máquina mais simples.

9. A conta da água que o secador tira, e da lenha

Para 1.000 kg de ração pronta com 10% de umidade INF (balanço de massa): - matéria seca: 1.000 × 0,90 = 900 kg; - na saída da extrusora, com 24% de umidade: 900 ÷ 0,76 = 1.184 kg; - água a evaporar: 1.184 − 1.000 = 184 kg por tonelada de ração.

Calor do secador: cada kg de água pede cerca de 1,1 kWh de calor num secador comum (0,63 kWh de calor latente, mais as perdas). 184 × 1,1 = cerca de 200 kWh térmicos por tonelada. Vapor do condicionador (40 a 80 kg por tonelada): mais 30 a 60 kWh. Piso: cerca de 250 kWh térmicos por tonelada.

Teto: a fábrica asiática de comparação queima 1.916.632 m³ de gás por ano para 40.000 t FV: 47,9 m³ por tonelada, perto de 480 kWh térmicos por tonelada (a 10 kWh por m³).

Em lenha: 1 kg de lenha seca ao ar rende cerca de 2,2 kWh úteis na caldeira (3,2 kWh de poder calorífico × 70% de rendimento). 250 ÷ 2,2 = 114 kg; 480 ÷ 2,2 = 218 kg. De 110 a 220 kg de lenha por tonelada de ração INF.

Rendimento de massa: 1.000 kg de ingredientes com 12% de umidade têm 880 kg de matéria seca e dão 880 ÷ 0,90 = 978 kg de ração a 10%, antes do óleo. A perda de processo (pó, partida, grumo) fica entre 2% e 3%, e boa parte volta ao misturador INF.

10. Tamanho do grão para cada fase do peixe

Fase do tambaqui Proteína Grão Parte do consumo
Alevinagem (até 40 g) 40% a 50% pó e 1 a 2 mm 2%
Recria inicial 42% 2 a 4 mm 5%
Recria (55 a 200 g) 36% 2 a 4 mm 10%
Recria final (200 a 700 g) 32% 4 a 6 mm 13%
Engorda e terminação (acima de 700 g) 28% 6 a 8 mm 70%

Tabela do relatório técnico regional de 2024, já usada na pasta 04 FV. O grão tem de caber na boca do peixe e ser uniforme FV (Embrapa).

O que isso pede da fábrica INF: - um jogo de matrizes para 2, 4, 6 e 8 mm; cada troca para a linha por 30 a 60 minutos; - grão pequeno e ração de 40% a 50% de proteína pedem moagem muito mais fina e extrusora mais precisa. É o produto mais difícil e o de menor volume; - recomendação: a fábrica nova começa só pelas rações de 28% e de 32%, em grão de 4 a 8 mm. Juntas são 70% + 13% = 83% do consumo. As rações iniciais continuam sendo compradas de fora e revendidas, até a equipe dominar o processo.

11. Controle de qualidade

O que medir

Onde O que se mede Meta Marca
Milho na chegada umidade, grão ardido, toxina de fungo (aflatoxina) umidade de até 13% a 14%; toxina abaixo do limite do programa de qualidade INF; o risco da aflatoxina no milho é FV (Embrapa)
Farelos e farinhas proteína, umidade, cheiro; na farinha de origem animal, ranço e bactéria conforme o laudo do fornecedor INF
Depois do moinho granulometria, em jogo de peneiras partícula bem menor que o furo da matriz INF
Saída da extrusora densidade do grão (balde de 1 litro pesado), temperatura grão que flutua tem densidade baixa; o operador ajusta água, vapor e rotação INF
Saída do secador umidade 10% ou menos INF; ração seca tem menos de 12% FV
Produto pronto flutuabilidade: 100 grãos num copo de água, contar os que boiam depois de 10 minutos 95% ou mais INF
Produto pronto pó e finos abaixo de 1% a 2% INF
Produto pronto tamanho do grão, com paquímetro o do rótulo INF
Produto pronto, por lote ou por amostragem proteína, gordura, fibra, matéria mineral, cálcio e fósforo os níveis de garantia do rótulo FV para a obrigação (Decreto 12.031/2024, arts. 45 e 76)

O decreto obriga a fábrica a controlar o processo com análises previstas no seu programa de autocontrole e a guardar o registro (art. 76) FV.

Laboratório mínimo

Item Escala B Escala C
Determinador de umidade (balança com aquecimento) sim sim, 2
Balança de precisão sim sim
Jogo de peneiras com agitador sim sim
Kit rápido de aflatoxina com leitor sim sim
Termômetro, paquímetro, proveta de 1 litro, copos para o teste de flutuação sim sim
Estufa pequena sim sim
Aparelho de leitura rápida de proteína, gordura e umidade (infravermelho próximo) não; caro para o volume opcional, R$ 150 a 300 mil INF
Armário de amostras guardadas por lote sim sim
Custo estimado R$ 60 mil INF R$ 150 mil, sem o aparelho opcional INF

Análise terceirizada

Proteína, gordura, fibra, minerais e bactéria vão para laboratório de fora. Custo de R$ 150 a R$ 400 por amostra completa INF (sem cotação). Laboratório comercial de análise de ração no Acre não foi localizado NE; a Ufac e a Embrapa Acre têm laboratórios de nutrição animal e devem ser consultadas INF. Enviar amostra para outro estado leva de 7 a 15 dias INF. A fábrica não pode esperar o laudo para vender cada lote; por isso o controle de rotina (umidade, flutuação, densidade) é feito dentro de casa, e o laudo externo confere a fórmula por amostragem.

12. Armazenagem e validade no clima do Acre

Grão e ingredientes

Ingrediente Como guardar Giro recomendado Marca
Milho silo com aeração, grão a 13% de umidade ou menos até 60 a 90 dias INF
Farelo de soja, de trigo, de arroz big bag ou saco sobre palete, em galpão fechado até 60 dias INF
Farinha de origem animal saco sobre palete, área separada até 30 a 45 dias; rancifica INF
Óleo tanque fechado, à sombra até 30 a 45 dias INF
Premix de vitaminas e minerais sala fresca e seca, embalagem fechada o prazo do rótulo INF

No Acre a umidade do ar passa de 80% boa parte do ano INF. Grão guardado pega umidade de volta, esquenta e mofa. Fungo no milho produz aflatoxina, que ataca o fígado do peixe e corta o crescimento FV (Embrapa). Farelo de arroz integral e farinhas com gordura rancificam; antioxidante e giro curto reduzem o risco FV (Embrapa, para o princípio).

Ração pronta

Regras da Embrapa para o depósito de ração FV: local arejado, coberto, sem goteira, limpo, sem rato; sacos sobre palete, a pelo menos 50 cm da parede. A ração boa não muda de cor e não tem cheiro de álcool nem de ranço.

O que a fábrica acrescenta INF: - ensacar só depois de resfriar; grão quente no saco sua por dentro e mofa; - umidade de 10% ou menos na saída do secador; - saco com proteção contra umidade (ráfia laminada ou com filme interno); - antioxidante no óleo de recobrimento; - validade no rótulo: a de mercado é de cerca de 6 meses FV (pasta 04). Para os primeiros lotes de uma fábrica nova no Acre, o responsável técnico deve fixar prazo menor, de 90 a 120 dias, até ter teste de prateleira próprio; - vender por pedido e girar o estoque em 30 dias. A vantagem da fábrica local é justamente entregar ração fresca.

13. O que esta ficha não resolve

Fontes