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07 — Matéria-prima, demanda e mercado
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado. As três escalas do projeto: A mini, 120 kg por hora, 150 a 240 t por ano; B pequena, 500 kg por hora, cerca de 1.000 t por ano em um…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado.
As três escalas do projeto: A mini, 120 kg por hora, 150 a 240 t por ano; B pequena, 500 kg por hora, cerca de 1.000 t por ano em um turno; C média, 2 t por hora, cerca de 4.000 t por ano em um turno.
O que este arquivo responde, em cinco linhas:
- O Acre inteiro come de 4,2 a 5,1 mil t de ração de peixe por ano, no máximo. A escala C sozinha faz 4 mil.
- O milho o Acre tem, e na safra é barato. O farelo de soja, metade da fórmula, vem de fora.
- Só de ingrediente, a ração de 28% custa R$ 2,38 por kg e a de 32% custa R$ 2,51 por kg (milho de safra).
- O preço a bater é a carreta de Rondônia posta em Rio Branco: R$ 3,53 a 3,91 por kg.
- A fábrica fica no eixo Rio Branco–Senador Guiomard. O Juruá, que tem mais peixe, fica com depósito.
1. Demanda de ração no Acre
1.1 Ração de peixe: a conta pelo peixe produzido
O IBGE registrou 2.312.381 kg de peixe de cultivo no Acre em 2025 (Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 3940 do SIDRA, consulta em 03/10/2026) FV. Bate com os 2.312 t do números-base.
Ração = peixe × conversão alimentar (kg de ração por kg de peixe):
| Conversão | Conta | Ração por ano |
|---|---|---|
| 1,8 | 2.312,4 t × 1,8 | 4.162 t |
| 2,0 | 2.312,4 t × 2,0 | 4.625 t |
| 2,2 | 2.312,4 t × 2,2 | 5.087 t |
Tudo INF sobre base FV. Esse é o teto. O consumo real de ração comprada é menor, por três razões:
- a produtividade do estado é de 0,46 a 0,57 t por hectare por ano FV: boa parte dos viveiros é extensiva e recebe pouca ração;
- 297 t (12,9%) são curimatã, peixe que come lodo e alga e quase não come ração FV (para o volume);
- parte do produtor alimenta com milho, mandioca e resto de roça.
Se de 60% a 80% do peixe for de fato criado com ração comercial: 0,60 × 4.162 = 2.497 t; 0,80 × 5.087 = 4.070 t. Consumo provável: 2,5 a 4,1 mil t por ano INF. Ninguém mediu a venda de ração de peixe no estado NE.
Espécies em 2025 FV: tambaqui 865,7 t (37,4%); pirapitinga 373,9 t; piau 297,4 t; curimatã 297,4 t; tambacu e tambatinga 206,0 t; matrinxã 192,8 t; pintado 32,0 t; pirarucu 24,3 t; tilápia 17,0 t; pacu 5,9 t.
1.2 Por regional
| Regional | Peixe em 2025 (t) | Parte | Ração a 1,8 (t) | Ração a 2,0 (t) | Ração a 2,2 (t) |
|---|---|---|---|---|---|
| Juruá | 810,6 | 35,1% | 1.459 | 1.621 | 1.783 |
| Baixo Acre | 653,1 | 28,2% | 1.176 | 1.306 | 1.437 |
| Alto Acre | 528,0 | 22,8% | 950 | 1.056 | 1.162 |
| Tarauacá e Envira | 247,7 | 10,7% | 446 | 495 | 545 |
| Purus | 73,0 | 3,2% | 131 | 146 | 161 |
| Acre | 2.312,4 | 100% | 4.162 | 4.625 | 5.087 |
Peixe FV; ração INF. Como se somou cada regional (kg): - Juruá: Cruzeiro do Sul 246.200 + Mâncio Lima 204.342 + Rodrigues Alves 178.400 + Marechal Thaumaturgo 102.000 + Porto Walter 79.700 = 810.642; - Baixo Acre: Rio Branco 230.532 + Porto Acre 144.000 + Acrelândia 110.182 + Bujari 79.833 + Senador Guiomard 56.200 + Capixaba 17.250 + Plácido de Castro 15.080 = 653.077; - Alto Acre: Brasiléia 386.213 + Xapuri 69.400 + Epitaciolândia 59.400 + Assis Brasil 13.000 = 528.013; - Tarauacá e Envira: Feijó 173.205 + Tarauacá 69.100 + Jordão 5.380 = 247.685; - Purus: Sena Madureira 67.179 + Santa Rosa do Purus 3.210 + Manoel Urbano 2.575 = 72.964. - Conferência: 810.642 + 653.077 + 528.013 + 247.685 + 72.964 = 2.312.381.
Dois blocos de mercado, separados por 635 km de estrada ruim:
| Bloco | Peixe (t) | Ração a 1,8 (t) | Ração a 2,2 (t) |
|---|---|---|---|
| Eixo de asfalto de Rio Branco (Baixo Acre + Alto Acre + Purus) | 1.254,1 | 2.257 | 2.759 |
| Oeste (Juruá + Tarauacá e Envira) | 1.058,3 | 1.905 | 2.328 |
1.3 Por município (os nove maiores)
| Município | Peixe em 2025 (t) | Ração a 2,0 (t por ano) | Principal espécie |
|---|---|---|---|
| Brasiléia | 386,2 | 772 | tambaqui e pirapitinga |
| Cruzeiro do Sul | 246,2 | 492 | matrinxã e piau |
| Rio Branco | 230,5 | 461 | tambaqui |
| Mâncio Lima | 204,3 | 409 | matrinxã e piau |
| Rodrigues Alves | 178,4 | 357 | piau e tambaqui |
| Feijó | 173,2 | 346 | piau e curimatã |
| Porto Acre | 144,0 | 288 | tambaqui |
| Acrelândia | 110,2 | 220 | tambaqui |
| Marechal Thaumaturgo | 102,0 | 204 | tambaqui e curimatã |
Peixe FV; ração INF. Nenhum município sozinho chega a 800 t de ração por ano. A escala B (1.000 t) já é maior que o consumo do maior município do estado.
1.4 O tamanho do mercado contra o tamanho da fábrica
| Escala | Produção por ano | Parte do teto do estado (4.162 a 5.087 t) | Parte do eixo de Rio Branco (2.257 a 2.759 t) |
|---|---|---|---|
| A | 150 a 240 t | 3% a 6% | 5% a 11% |
| B | 1.000 t | 20% a 24% | 36% a 44% |
| C | 4.000 t | 79% a 96% | mais que o eixo inteiro |
Contas: 1.000 ÷ 5.087 = 19,7%; 1.000 ÷ 4.162 = 24,0%; 1.000 ÷ 2.759 = 36,2%; 1.000 ÷ 2.257 = 44,3%; 4.000 ÷ 5.087 = 78,6%; 4.000 ÷ 4.162 = 96,1% INF.
Referência histórica: no pico de 2015, com 6.072 t de peixe FV, o teto era 6.072 × 2,0 = 12.144 t de ração INF. A fábrica da indústria falida foi projetada para 20 a 40 mil t por ano FV (dado divergente): de duas a três vezes o melhor ano do estado.
1.5 Outras rações que poderiam encher a fábrica
Efetivos do IBGE no Acre em 2025 (tabelas 3939, 94 e 74 do SIDRA) FV. As contas de ração são INF, com a premissa declarada.
| Criação | Efetivo ou produção em 2025 | Premissa | Ração por ano (teto) |
|---|---|---|---|
| Galinha de postura | 851.472 galinhas; 11.556 mil dúzias de ovos | 1,7 kg de ração por dúzia | 19.645 t |
| Frango e outras aves | 2.074.092 cabeças (2.925.564 − 851.472) | metade recebe ração; 90 g por dia | 34.067 t |
| Suíno | 159.233 cabeças; 19.436 matrizes | 20% recebem ração; 2,0 kg por dia | 23.248 t |
| Vaca de leite | 48.645 vacas; 36.881 mil litros | 1 kg de concentrado para cada 3 litros | 12.294 t |
| Boi de corte | 5.191.559 cabeças | sal mineral e proteinado: outro produto, outra fábrica | fora da conta |
Contas: 11.556.000 × 1,7 = 19.645.200 kg; 1.037.046 × 0,09 × 365 = 34.066.961 kg; 159.233 × 0,20 × 2,0 × 365 = 23.248.018 kg; 36.881.000 ÷ 3 = 12.293.667 kg.
Leitura honesta desses números:
- São rações fareladas ou peletizadas, não extrusadas. Pedem moinho, misturador e ensaque. A extrusora, que é a máquina cara, não entra.
- A vaca do Acre dá 758 litros por ano (36.881.000 ÷ 48.645), cerca de 2,1 litros por dia. Com essa produção quase ninguém compra concentrado. Realista: 10% a 20% do teto, 1,2 a 2,5 mil t INF.
- Os grandes já fazem a própria ração. Senador Guiomard tem 324.461 galinhas, 38% do estado FV; uma das maiores granjas de ovos do estado tem fábrica de ração própria e 12 aviários, e planeja ampliá-la FV (imprensa, fevereiro e outubro de 2025). Brasiléia e Epitaciolândia somam 630.690 aves FV, em cadeia integrada.
- O porco do Acre é de quintal (Feijó, Tarauacá, Brasiléia): come mandioca e milho da roça.
Sobra para uma fábrica nova o pequeno criador que compra saco em loja. Se forem 3% a 5% do teto de aves e suínos (77 mil t) mais 10% do teto do leite: 2.300 a 3.850 t + 1.229 t = cerca de 3,5 a 5 mil t por ano de ração farelada INF (ordem de grandeza; ninguém mediu). É o que poderia completar a escala C. Não é mercado de ração de peixe.
1.6 Quanto é de fato alcançável
A fábrica nova entra num mercado que já tem dono: o fornecedor de ração de Rio Branco e as fábricas de Rondônia. Fatia de entrante, em três anos, com preço igual ou melhor e qualidade comprovada INF:
| Onde | Demanda de ração de peixe (t) | Fatia de 15% | Fatia de 25% |
|---|---|---|---|
| Eixo de Rio Branco | 2.257 a 2.759 | 339 a 414 t | 564 a 690 t |
| Juruá (só com depósito e estoque de inverno) | 1.459 a 1.783 | 219 a 267 t | 365 a 446 t |
Contas: 0,15 × 2.257 = 339; 0,25 × 2.759 = 690; 0,15 × 1.459 = 219; 0,25 × 1.783 = 446.
Demanda alcançável de ração de peixe: 350 a 700 t por ano no eixo de Rio Branco INF; até cerca de 1.100 t somando o Juruá, se a logística do inverno funcionar. Três coisas mudam essa conta:
- Contrato com as cooperativas e centrais de compra (projeto 04): cada central firme leva 112 t por ano.
- Exportação para o Peru e a Bolívia. O fornecedor de Rio Branco vendia, em 2025, 90 t por mês a um único piscicultor instalado no Peru: 90 × 12 = 1.080 t por ano FV (para as 90 t). Um só cliente do outro lado da fronteira compra o equivalente a um quarto do teto do Acre inteiro.
- A produção de peixe voltar a crescer. O déficit de pescado do estado é de 12 a 18 mil t por ano INF. Se um terço disso fosse criado no Acre, seriam mais 8 a 12 mil t de ração. Isso é potencial, não demanda.
Conclusão da seção. A escala A cabe no mercado, mas não fecha a conta (pasta 04). A escala B exige de 36% a 44% do eixo de Rio Branco: só com contrato antes da máquina. A escala C é maior que o mercado de ração de peixe do estado: só existe com ração de aves, suínos e leite na mesma planta, ou com exportação.
2. Matéria-prima: o que o Acre produz e quanto custa
2.1 Milho e soja
Produção Agrícola Municipal do IBGE, tabela 5457 do SIDRA, consulta em 03/10/2026 FV:
| Ano | Milho (t) | Milho (ha) | Soja (t) | Soja (ha) |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | 135.276 | 40.380 | 22.667 | 6.570 |
| 2023 | 139.065 | 40.831 | 45.732 | 12.010 |
| 2024 | 119.122 | 37.525 | 60.554 | 17.550 |
| 2025 | 123.578 | 39.188 | 56.659 | 15.156 |
Rendimento em 2025: milho 123.578 ÷ 39.188 = 3,15 t por hectare; soja 56.659 ÷ 15.156 = 3,74 t por hectare INF (sobre FV).
Onde está o grão (2025) FV:
| Município | Milho (t) | Soja (t) |
|---|---|---|
| Senador Guiomard | 21.140 | 10.611 |
| Plácido de Castro | 18.984 | 12.685 |
| Capixaba | 14.640 | 13.501 |
| Rio Branco | 11.448 | 7.667 |
| Xapuri | 10.210 | 4.095 |
| Porto Acre | 6.777 | 5.616 |
| Epitaciolândia | 6.441 | 1.658 |
| Feijó | 6.200 | 0 |
| Tarauacá | 5.200 | 0 |
- Baixo Acre: 79.826 t de milho (64,6% do estado) e 50.080 t de soja (88,4%). Contas: milho 21.140 + 18.984 + 14.640 + 11.448 + 6.777 + 3.617 + 3.220 = 79.826; soja 13.501 + 12.685 + 10.611 + 7.667 + 5.616 = 50.080.
- Juruá: 3.094 t de milho (2,5%) e 826 t de soja, toda em Cruzeiro do Sul. Conta: 954 + 954 + 576 + 310 + 300 = 3.094.
- Rondônia, ao lado: 2.401.298 t de milho e 2.592.885 t de soja em 2025 FV. Dezenove vezes o milho e 46 vezes a soja do Acre.
Quanto a fábrica precisa (fórmula de 28% da seção 3, com 8% de perda):
| Escala | Milho por ano | Parte do milho do Acre | Farelo de soja por ano |
|---|---|---|---|
| A, 200 t | 75 t | 0,06% | 103 t |
| B, 1.000 t | 375 t | 0,3% | 516 t |
| C, 4.000 t | 1.500 t | 1,2% | 2.065 t |
Contas: 1.000 × 0,345 ÷ 0,92 = 375; 1.000 × 0,475 ÷ 0,92 = 516 INF. Milho não é o gargalo. O Acre colhe 300 vezes o que a escala B consome.
2.2 De onde vem o farelo de soja
- No Acre não há esmagadora de soja NE (nenhuma localizada em imprensa do agro do estado, em 03/10/2026). O que existe é uma indústria municipal de leite de soja em Rio Branco, inaugurada em 31/03/2026, que usa até 320 kg de grão por dia FV: não gera farelo em escala.
- Em Rondônia há uma agroindústria de óleo bruto e farelo de soja no distrito industrial de Porto Velho, a 510 km de Rio Branco FV (para a existência, pelo site da empresa). Capacidade, preço e teor de proteína do farelo não são publicados NE. É a primeira cotação a pedir.
- O grosso do farelo vem de Mato Grosso, a cerca de 2.000 km (Cuiabá, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis) INF (para a distância).
- A soja em grão do Acre sai para fora. A fábrica de ração pode usar soja integral local, desde que tratada com calor (a própria extrusora faz isso): tem cerca de 37% de proteína e 18% de óleo INF (valor de tabela). Dispensa o óleo da fórmula, mas custa mais por kg de proteína (ver 2.4).
2.3 Os outros ingredientes
| Ingrediente | O que há no Acre | Marca |
|---|---|---|
| Farelo de arroz | O estado colheu 4.218 t de arroz em casca em 2025. A 8% de farelo, são 337 t por ano, espalhadas (Xapuri 603 t, Brasiléia 420 t). Não sustenta fábrica; vem de Rondônia e Mato Grosso | FV produção; INF farelo |
| Mandioca e crueira | 493.882 t de raiz em 21.734 ha (2025). Juruá: 197.425 t (40,0%); Tarauacá e Envira: 109.040 t (22,1%). A crueira (o que fica na peneira da farinhada) nunca foi medida no estado | FV raiz; NE crueira |
| Resíduo de pescado | Sem indústria com inspeção federal; filetagem feita em banca de mercado. Volume concentrado: nenhum | FV; volume NE |
| Torta de castanha | 7.192 t de castanha em 2025 (9.947 t em 2024). Torta só existe onde se prensa óleo; volume não publicado. Castanha ao extrativista: R$ 7,37 por kg em casca (Conab, setembro de 2026) | FV; torta NE |
| Farinha de carne e ossos, sangue | 644.196 bovinos abatidos em 2025; 151.765 t de carcaça. Há frigorífico no estado com atividade registrada de fabricação de farinha de carne e ossos (cadastro de CNPJ, lido por resumo de busca). Volume e preço não publicados | FV abate; registro por resumo; NE volume e preço |
| Óleo de soja | Só refinado, de mercado: R$ 9,01 em agosto de 2026 (Conab, varejo, Rio Branco). Óleo bruto ou degomado: a agroindústria de Porto Velho | FV varejo; NE bruto |
| Premix de vitamina e mineral, metionina, fosfato | Tudo de fora (São Paulo, Paraná, Goiás) | INF |
Contas: mandioca do Juruá 57.691 + 45.821 + 41.456 + 34.613 + 17.844 = 197.425; abate 153.089 + 155.505 + 171.175 + 164.427 = 644.196 (IBGE, Pesquisa Trimestral do Abate, tabela 1092) FV.
Crueira: a conta do potencial INF (sem nenhuma medição no Acre). Se a crueira for de 2% a 5% do peso da raiz e render 40% de farinha seca: - Juruá: 197.425 × 0,02 a 0,05 = 3.949 a 9.871 t úmidas; × 0,40 = 1.580 a 3.950 t secas por ano; - a ração de peixe do Juruá, com 30% de crueira, pediria 0,30 × 1.459 a 1.783 = 438 a 535 t secas.
No papel, sobra. Na prática, a crueira está espalhada em centenas de casas de farinha, é úmida (estraga em dois dias), e hoje já vai para o porco e a galinha do próprio farinheiro. O que decide é o custo de juntar e secar, e isso ninguém mediu NE.
Resíduo de pescado: dá para virar farinha de peixe? A cozinha de pescado gera cerca de 60% de resíduo (cabeça, espinha, víscera). O resíduo tem 70% a 75% de água; rende cerca de 20% de farinha INF. Conta: 100 t de peixe processado → 60 t de resíduo → 12 t de farinha. Para a escala B, com 3% de farinha de peixe, bastam 33 t por ano (1.000 × 0,03 ÷ 0,92): o resíduo de 275 t de peixe processado num só lugar. O que exige: - resíduo fresco, do mesmo dia, no gelo; - cozinhador, prensa, secador e moinho (uma graxaria pequena), com tratamento de efluente e de cheiro; - registro no Ministério da Agricultura como fabricante de ingrediente para alimentação animal (Decreto 12.031/2024) e controle de salmonela; - escala: abaixo de algumas toneladas de resíduo por dia, a graxaria não se paga INF.
Caminho que cabe hoje: silagem ácida do resíduo (moer e misturar com ácido), testada em tambaqui de 5% a 20% da dieta, em alevinos FV (pasta 04). É líquida; entra na extrusora em pequena proporção. Só com parceiro técnico.
Farinha de carne e ossos: há graxaria no Acre? Há frigorífico de bovino com essa atividade no cadastro FV. Com 644 mil abates por ano, a oferta é muito maior que o uso: a escala B, com 5% na fórmula, usa 54 t por ano (1.000 × 0,05 ÷ 0,92). É o ingrediente de proteína animal mais fácil de conseguir no estado. Falta cotação NE.
2.4 Preços postos em Rio Branco
| Ingrediente | R$ por kg | Fonte e data | Marca |
|---|---|---|---|
| Milho, atacado em Rio Branco | 1,21 | Conab, setembro de 2026 | FV |
| Milho, média de 12 meses (outubro de 2025 a setembro de 2026) | 1,59 | Conab; conta abaixo | INF (sobre FV) |
| Milho, ao produtor no Acre | 1,13 | Conab, setembro de 2026; imprensa do agro, 24/09/2026: R$ 65,50 a saca (R$ 1,09) | FV |
| Soja em grão, ao produtor no Acre | 2,33 | imprensa do agro, 24/09/2026: R$ 140 a saca. Em Rondônia, Conab: R$ 1,87 | FV |
| Farelo de soja, em Mato Grosso | 2,03 | indicador estadual, 02/10/2026: R$ 2.028,29 por t. Rondonópolis: R$ 2.230 | FV |
| Farelo de soja, posto em Rio Branco | 2,45 (faixa 2,39 a 2,47) | 2,03 + frete de 2.000 km a R$ 0,18 a 0,22 por t por km | INF |
| Farelo de arroz | 1,20 | sem cotação; mesma base da pasta 04 | INF |
| Farinha de carne e ossos (45% de proteína) | 2,00 | sem cotação no Acre; ordem de grandeza nacional | INF |
| Farinha de peixe (55%) | 5,50 | sem cotação; produto de fora | INF |
| Farelo de glúten de milho (60%) | 4,50 | sem cotação; produto de fora | INF |
| Óleo de soja bruto | 6,50 | sem cotação; o refinado no varejo custa 9,01 | INF |
| Fosfato bicálcico | 4,50 | sem cotação | INF |
| DL-metionina | 22,00 | sem cotação | INF |
| Premix de vitamina e mineral | 25,00 | sem cotação | INF |
| Raiz de mandioca para farinha, ao produtor | 0,62 | Conab, Acre, setembro de 2026 | FV |
| Farinha de crueira, seca e moída, posta na fábrica | 0,80 (teste a 0,50) | hipótese; ninguém vende crueira seca no Acre | INF |
Média do milho: (1,70 + 1,72 + 1,71 + 1,77 + 1,81 + 1,74 + 1,71 + 1,70 + 1,42 + 1,29 + 1,26 + 1,21) ÷ 12 = 19,04 ÷ 12 = 1,59.
O milho do Acre tem duas caras. De junho a setembro (safra), o atacado de Rio Branco fica em R$ 1,21 a 1,42 por kg, igual ou abaixo de Porto Velho (R$ 1,32 em setembro) FV. De outubro a maio, vai a R$ 1,70 a 1,81, contra R$ 1,26 a 1,38 em Rondônia FV. Quem compra milho todo mês paga 31% a mais que quem compra na safra e guarda (1,59 ÷ 1,21). A fábrica precisa de silo e de dinheiro para comprar o milho do ano em três meses.
Soja integral contra farelo, por kg de proteína INF: farelo 2,45 ÷ 0,46 = R$ 5,33; soja em grão 2,33 ÷ 0,37 = R$ 6,30. Com a soja a R$ 140 a saca, o farelo de fora ainda sai mais barato. A conta vira se a soja local cair abaixo de R$ 118 a saca (5,33 × 0,37 × 60).
Tributo: a ração e seus insumos têm redução de base de cálculo de ICMS na operação interestadual (Convênio ICMS 100/97) INF (de memória; conferir com contador e Sefaz). Não está nos preços acima.
3. Fórmulas de referência para tambaqui e custo por kg
3.1 O que há publicado
A exigência por fase é a da pasta 04: 36% de proteína na recria, 32% na recria final e 28% na engorda, que come 70% da ração FV. Fórmula aberta, com ingrediente e percentual, foi localizada em dois artigos:
| Fonte | Proteína | Ingredientes (%) | Peixe testado |
|---|---|---|---|
| Acta Amazonica 43(2), 2013 (Inpa e Ufam), dieta controle | 36% formulada; 38,3% analisada | milho 30,0; farelo de soja 55,0; óleo de soja 3,6; farelo de glúten de milho 2,0; farinha de carne e ossos 3,0; farinha de peixe 3,0; fosfato bicálcico 2,0; metionina 0,35; premix 1,0 | juvenis de 6,6 g, 75 dias, ração extrusada |
| Mesmo artigo, 100% do milho trocado por farinha de crueira | 36% formulada; 36,7% analisada | crueira 30,0; farelo de soja 45,8; glúten de milho 10,0; farinha de carne e ossos 4,0; farinha de peixe 3,0; óleo 3,6; fosfato 2,1; metionina 0,4; premix 1,0 | idem; conversão de 1,1, igual à do controle |
| Boletim do Instituto de Pesca 41(4), 2015 (instituto federal do Pará), dieta controle | 30,5% declarada | farelo de soja 45; farelo de milho 23; farinha de trigo 18; glúten de milho 11; óleo de soja 2; premix 1 | juvenis de 12 g, 45 dias, ração extrusada |
Tudo FV, lido nos artigos em 03/10/2026. Fórmula aberta de 28% e de 32%, de publicação da Embrapa, com percentuais: não localizada NE. As páginas de notícia da Embrapa estão restritas no período eleitoral e a busca do repositório não respondeu.
Por isso as fórmulas de 28% e de 32% abaixo são montadas por esta ficha INF, com os mesmos ingredientes do artigo de 2013, trocando o glúten e a farinha de peixe (caros e de fora) por farelo de arroz e mais farinha de carne e ossos (que o Acre tem). Antes de fabricar, um zootecnista ou engenheiro de pesca refaz a fórmula com a análise dos ingredientes reais.
Proteína usada na conta INF (valores de tabela): farelo de soja 46%; milho 8%; farelo de arroz 13%; farinha de carne e ossos 45%; farinha de peixe 55%; glúten de milho 60%; crueira 2%.
3.2 Ração de 28% (engorda)
| Ingrediente | % | Proteína que traz | R$ por kg | R$ na fórmula |
|---|---|---|---|---|
| Farelo de soja | 47,5 | 21,85 | 2,45 | 1,1638 |
| Milho | 34,5 | 2,76 | 1,21 | 0,4175 |
| Farelo de arroz | 9,0 | 1,17 | 1,20 | 0,1080 |
| Farinha de carne e ossos | 5,0 | 2,25 | 2,00 | 0,1000 |
| Óleo de soja | 1,5 | 0 | 6,50 | 0,0975 |
| Fosfato bicálcico | 1,0 | 0 | 4,50 | 0,0450 |
| Sal | 0,5 | 0 | 1,00 | 0,0050 |
| Premix | 1,0 | 0 | 25,00 | 0,2500 |
| Soma | 100,0 | 28,03 | 2,1868 |
- Proteína: 0,475 × 46 + 0,345 × 8 + 0,09 × 13 + 0,05 × 45 = 21,85 + 2,76 + 1,17 + 2,25 = 28,03%.
- Com 8% de perda de umidade e quebra (mesma regra da pasta 04): 2,1868 ÷ 0,92 = R$ 2,38 por kg.
- Com o milho pela média do ano (R$ 1,59): 2,1868 + 0,345 × 0,38 = 2,3179; ÷ 0,92 = R$ 2,52 por kg.
3.3 Ração de 32% (recria final)
| Ingrediente | % | Proteína que traz | R$ por kg | R$ na fórmula |
|---|---|---|---|---|
| Farelo de soja | 57,0 | 26,22 | 2,45 | 1,3965 |
| Milho | 26,0 | 2,08 | 1,21 | 0,3146 |
| Farelo de arroz | 7,0 | 0,91 | 1,20 | 0,0840 |
| Farinha de carne e ossos | 6,0 | 2,70 | 2,00 | 0,1200 |
| Óleo de soja | 1,5 | 0 | 6,50 | 0,0975 |
| Fosfato bicálcico | 1,0 | 0 | 4,50 | 0,0450 |
| Sal | 0,5 | 0 | 1,00 | 0,0050 |
| Premix | 1,0 | 0 | 25,00 | 0,2500 |
| Soma | 100,0 | 31,91 | 2,3126 |
- Proteína: 26,22 + 2,08 + 0,91 + 2,70 = 31,91%.
- Com 8% de perda: 2,3126 ÷ 0,92 = R$ 2,51 por kg.
- Com o milho a R$ 1,59: 2,3126 + 0,26 × 0,38 = 2,4114; ÷ 0,92 = R$ 2,62 por kg.
3.4 Ração de 36% (recria), fórmula publicada
| Ingrediente | % | R$ por kg | R$ na fórmula |
|---|---|---|---|
| Farelo de soja | 55,0 | 2,45 | 1,3475 |
| Milho | 30,0 | 1,21 | 0,3630 |
| Óleo de soja | 3,6 | 6,50 | 0,2340 |
| Farinha de peixe | 3,0 | 5,50 | 0,1650 |
| Farinha de carne e ossos | 3,0 | 2,00 | 0,0600 |
| Farelo de glúten de milho | 2,0 | 4,50 | 0,0900 |
| Fosfato bicálcico | 2,0 | 4,50 | 0,0900 |
| DL-metionina | 0,35 | 22,00 | 0,0770 |
| Premix | 1,0 | 25,00 | 0,2500 |
| Soma | 99,95 | 2,6765 |
- Com 8% de perda: 2,6765 ÷ 0,92 = R$ 2,91 por kg.
- Aviso: com farelo de soja de 46%, esta fórmula dá cerca de 32% de proteína pela conta (25,30 + 2,40 + 1,20 + 1,35 + 1,65 = 31,90). O artigo analisou 38,3%, o que indica farelo mais rico. Para garantir 36% com o farelo comum é preciso mais glúten ou mais farinha de peixe, e o custo sobe INF.
3.5 Resumo do custo de ingrediente
| Ração | Milho de safra (R$ 1,21) | Milho pela média do ano (R$ 1,59) | Preço de referência da ração pronta na Amazônia, 2024 |
|---|---|---|---|
| 28% | R$ 2,38 por kg | R$ 2,52 por kg | R$ 3,58 |
| 32% | R$ 2,51 por kg | R$ 2,62 por kg | R$ 3,88 |
| 36% | R$ 2,91 por kg | R$ 3,03 por kg | R$ 4,76 |
Conta do 36% com milho a R$ 1,59: 2,6765 + 0,30 × 0,38 = 2,7905; ÷ 0,92 = 3,03. Custos INF; preços de referência FV.
Isso é só ingrediente. Falta energia, saco, gente, manutenção, análise, depreciação, imposto e margem (arquivo 02 desta pasta). A pasta 04 estimou energia e saco em R$ 0,31 por kg.
O farelo de soja é 53% do custo da fórmula de 28% (1,1638 ÷ 2,1868). Cada R$ 0,10 a mais no kg do farelo sobe a ração em R$ 0,05 (0,475 × 0,10 ÷ 0,92). Quem manda no custo é o farelo de soja, que o Acre não fabrica.
Aviso de processo: a fórmula de 28% tem cerca de 24% de amido (34,5% de milho com 63% de amido, mais o farelo de arroz) INF. Basta para extrusora industrial com condicionador (mínimo usual perto de 20%), mas fica abaixo dos 35% que o fabricante da extrusora mini declara como mínimo (pasta 04) FV (para o limite declarado). Na escala A, ração de 28% com essa fórmula tende a não flutuar.
3.6 A mesma ração com crueira de mandioca no lugar do milho
Fórmula de 28% com crueira INF. A crueira tem menos proteína que o milho; o farelo de soja sobe para compensar.
| Ingrediente | % | Proteína que traz | R$ por kg | R$ na fórmula |
|---|---|---|---|---|
| Farelo de soja | 52,0 | 23,92 | 2,45 | 1,2740 |
| Farinha de crueira | 30,0 | 0,60 | 0,80 | 0,2400 |
| Farelo de arroz | 9,0 | 1,17 | 1,20 | 0,1080 |
| Farinha de carne e ossos | 5,0 | 2,25 | 2,00 | 0,1000 |
| Óleo de soja | 1,5 | 0 | 6,50 | 0,0975 |
| Fosfato bicálcico | 1,0 | 0 | 4,50 | 0,0450 |
| Sal | 0,5 | 0 | 1,00 | 0,0050 |
| Premix | 1,0 | 0 | 25,00 | 0,2500 |
| Soma | 100,0 | 27,94 | 2,1195 |
Com 8% de perda: 2,1195 ÷ 0,92 = R$ 2,30 por kg.
Quanto a crueira economiza, conforme os dois preços que ninguém controla:
| Cenário | Com milho | Com crueira | Economia por kg | Em % |
|---|---|---|---|---|
| Milho a 1,21; crueira a 0,80 | 2,1868 | 2,1195 | 0,067 | 3,1% |
| Milho a 1,21; crueira a 0,50 | 2,1868 | 2,0295 | 0,157 | 7,2% |
| Milho a 1,59; crueira a 0,80 | 2,3179 | 2,1195 | 0,198 | 8,6% |
| Milho a 1,59; crueira a 0,50 | 2,3179 | 2,0295 | 0,288 | 12,4% |
Valores antes da perda de 8%. Conta da crueira a R$ 0,50: 2,1195 − 0,30 × 0,30 = 2,0295.
Preço de empate da crueira. A troca tira 34,5 de milho e põe 30 de crueira mais 4,5 de farelo de soja. Empata quando 0,30 × crueira + 0,045 × 2,45 = 0,345 × milho. Com milho a R$ 1,21: crueira = (0,4175 − 0,1103) ÷ 0,30 = R$ 1,02 por kg. Com milho a R$ 1,59: R$ 1,46. Acima disso, a crueira sai mais cara que o milho.
Fórmula de 36% publicada, com 100% de crueira, a preços de hoje:
0,30 × 0,80 + 0,458 × 2,45 + 0,10 × 4,50 + 0,04 × 2,00 + 0,03 × 5,50 + 0,036 × 6,50 + 0,021 × 4,50 + 0,004 × 22,00 + 0,01 × 25,00 = 0,2400 + 1,1221 + 0,4500 + 0,0800 + 0,1650 + 0,2340 + 0,0945 + 0,0880 + 0,2500 = 2,7236.
Contra 2,6765 do controle com milho de safra: a ração com crueira sai R$ 0,05 mais cara (1,8%). Com milho a R$ 1,59 (controle a 2,7905), sai R$ 0,07 mais barata (2,4%).
Leitura. O artigo de 2013 achou 15% de economia (de R$ 1,43 para R$ 1,21 por kg) com preços de Manaus em maio de 2011: milho a R$ 0,84, crueira a R$ 0,10 e glúten de milho a R$ 1,20 FV. Lá a crueira custava 12% do preço do milho. No Acre de 2026, com milho de safra a R$ 1,21 e crueira que precisa ser coletada e seca, a economia cai para 3% a 12% na ração de engorda e pode ser nula na de 36%, porque a proteína que a crueira não traz tem de ser comprada em farelo de soja e glúten. A crueira só compensa onde o milho é caro e a mandioca está ao lado: o Juruá. E o que a pesquisa provou foi em juvenis de 6,6 g, não em peixe de engorda FV.
4. Concorrência e preço de venda
4.1 As fábricas de Rondônia
- Três fábricas de ração extrusada no estado FV. A maior, privada, em Ariquemes, foi inaugurada em 18/08/2017: R$ 40 milhões, 6.000 t por mês (72.000 t por ano), 30 empregos diretos no início; linha extrusada de 12 t por hora e farelada de 20 t por hora; cerca de 60% da produção para venda a terceiros FV.
- Ela foi posta ao lado do peixe: Ariquemes produzia 12,6 mil t e Rondônia 87,5 mil t (estimativa de 2016) FV. Rondônia produziu 55,2 mil t de peixes nativos em 2025 FV.
- Uma hora da linha extrusada de Ariquemes faz o que a escala B faz em três dias (12 t contra 4 t por dia). Em dois a três dias de um turno (96 t por dia), ela faz o ano inteiro da escala A; em cerca de 10 dias, o da escala B INF.
Preço na fábrica FV (para os três primeiros):
| Referência | Ano | R$ por kg |
|---|---|---|
| Fazenda de 125 ha em Rondônia, a granel, 1.814 t por ano | 2024 | 2,83 |
| Média nacional, compra em volume (Cepea) | 1º semestre de 2025 | 2,70 |
| Referência regional da Amazônia, saco, 28% / 32% / 36% | 2024 | 3,58 / 3,88 / 4,76 |
| Saco de 25 kg em carga fechada, na fábrica de Rondônia (estimativa da pasta 04) | 2026 | 3,30 a 3,60 INF |
Tabela de preço de 2026 das fábricas de Rondônia: não publicada NE.
Frete INF (R$ 0,30 a 0,40 por tonelada por km, mesma base da pasta 04; sem cotação):
| Trecho | Distância | Frete por kg | Posta, em carreta |
|---|---|---|---|
| Ariquemes a Rio Branco | cerca de 710 km | 0,21 a 0,28 | 3,53 a 3,91 (com descarga) |
| Ariquemes a Cruzeiro do Sul | cerca de 1.345 km | 0,40 a 0,54 | 3,72 a 4,17 |
| Idem, com o acréscimo de 30% no trecho Rio Branco–Cruzeiro do Sul | 0,46 a 0,61 | 3,78 a 4,24 |
Conta do acréscimo: 635 km × 0,30 a 0,40 × 1,30 = 0,25 a 0,33; somado a 0,21 a 0,28 = 0,46 a 0,61. O sindicato das transportadoras do Acre calcula que o estado da BR-364 entre a capital e Cruzeiro do Sul encarece o frete em cerca de 30%, e que o pedágio do trecho de Rondônia pesa de 8% a 15% FV (imprensa, 19/01/2026).
4.2 O fornecedor de ração de Rio Branco
O que se sabe FV: existe uma fábrica de ração em Rio Branco; é a única listada no estado pelo relatório regional de 2024; em 2025 vendia 90 t por mês de ração de peixe a um piscicultor acreano instalado no Peru (1.080 t por ano), com resultado divulgado de peixe de 2,5 kg em 10 meses.
O que não se sabe NE: capacidade, se a linha é extrusada própria, preço de tabela, preço por volume, de onde compra o farelo, e se aceita contrato anual com cooperativa.
O que isso significa: a fábrica nova não entra num mercado vazio. O concorrente mais próximo está na mesma cidade e já tem escala maior que a escala B só com um cliente de exportação. Antes de qualquer projeto, visitar e pedir proposta. Se o preço dele em carga fechada ficar perto de R$ 3,50 por kg, o problema do Acre é organização da compra (projeto 04), não falta de fábrica.
4.3 A fábrica de ração da indústria falida de pescado
| Fato | Número | Marca |
|---|---|---|
| Inauguração da fábrica de ração | 2013, primeira etapa do complexo, em Senador Guiomard, na BR-364 | FV |
| Capacidade projetada | 20 a 40 mil t por ano (dado divergente); demanda de energia de 2,9 a 3,0 MW | FV |
| Produção real em abril de 2015 | cerca de 400 t por mês; previsão de 1.200 t por mês em turno de 8 horas (14.400 t por ano) | FV |
| Vendas em 2015 | primeira venda para fora: 50 t para Rondônia; 50 t por mês para o Juruá; desconto de até 10% a sócios | FV |
| Parada | 2018, com a recuperação judicial | FV |
| Leilões de 2025 | 15/09 sem lance (mínimo de R$ 19,0 milhões); 15/10 sem lance (R$ 15,2 milhões); 26 e 27/11 sem lance (R$ 10,45 milhões) | FV |
| Arrematação | 28/11/2025, R$ 13.151.000, 74 lances entre dois licitantes; metade à vista, saldo em 24 meses | FV |
| O que foi junto | terreno de 67 ha, frigorífico, fábrica de ração, laboratório de alevinos, 122 tanques; vendido "no estado em que se encontra", com registro de saque e depredação | FV |
| Plano de reativação | nenhum publicado até 03/10/2026 | NE |
Dois pontos que pesam:
- Um dos dois licitantes usava, no leilão, o nome da maior fabricante de ração de peixe de Rondônia FV (para o nome de usuário publicado; vínculo não confirmado). O concorrente de fora olhou a fábrica parada.
- Em um turno, essa fábrica faz 14.400 t por ano: três vezes o teto do estado (14.400 ÷ 4.625 = 3,1) INF. Se o novo dono a religar, mesmo a 10% da capacidade, ocupa sozinho o espaço da escala B. Quem for investir em fábrica nova precisa saber o plano do arrematante antes de comprar máquina.
4.4 Preço no varejo do Acre
- Saco de 25 kg, 28% a 32%, em loja de Rio Branco: R$ 4,50 a 5,50 por kg INF (números-base). Nenhuma cotação publicada NE.
- Orçamento público estadual de 2024, ração posta no interior: cerca de R$ 6,25 por kg FV.
- Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Feijó: sem cotação NE; pela conta do frete, de R$ 0,25 a 0,35 por kg acima de Rio Branco INF.
4.5 O preço que a fábrica nova precisa bater
| Cliente | O que ele paga hoje | Preço que a fábrica nova precisa oferecer |
|---|---|---|
| Cooperativa ou central que compra carreta fechada | R$ 3,53 a 3,91 por kg, posta em Rio Branco INF | até R$ 3,50 por kg, na porta da fábrica, saco de 28% |
| Produtor que compra saco em loja | R$ 4,50 a 5,50 por kg INF | R$ 4,00 a 4,20 por kg dá a ele de 11% a 24% de desconto |
| Produtor do Juruá | R$ 3,78 a 4,24 em carreta; loja NE | o mesmo preço de Rio Branco mais o frete de 635 km |
Contas: 1 − 4,00 ÷ 4,50 = 11%; 1 − 4,20 ÷ 5,50 = 24%.
Quanto sobra para a fábrica, na ração de 28%:
| Conta | Milho de safra | Milho pela média do ano |
|---|---|---|
| Preço a bater (carreta posta, piso da faixa) | 3,53 | 3,53 |
| Menos ingrediente (seção 3) | 2,38 | 2,52 |
| Menos energia e saco (pasta 04) | 0,31 | 0,31 |
| Sobra para gente, manutenção, depreciação, imposto e margem | R$ 0,84 por kg | R$ 0,70 por kg |
Com o teto da faixa (R$ 3,91): 3,91 − 2,38 − 0,31 = R$ 1,22 por kg. Na escala B (1.000 t), a sobra é de R$ 700 mil a R$ 1,22 milhão por ano para pagar todo o custo fixo. O arquivo 02 desta pasta diz se cabe.
A vantagem do frete quase some no farelo. A fábrica do Acre não paga o frete da ração pronta (R$ 0,21 a 0,28 por kg). Mas paga o farelo de soja mais caro que a fábrica de Rondônia: cerca de 2,45 contra 2,27 por kg INF (Mato Grosso mais 1.200 km contra mais 2.000 km). E paga o milho igual na safra e R$ 0,50 mais caro na entressafra FV (Conab). - Desvantagem no ingrediente, na safra: (0,475 × 0,18 + 0,345 × 0,05) ÷ 0,92 = R$ 0,11 por kg. - Na entressafra: (0,475 × 0,18 + 0,345 × 0,50) ÷ 0,92 = R$ 0,28 por kg. - Vantagem líquida de fabricar no Acre: de −R$ 0,07 a +R$ 0,17 por kg INF. Melhor caso, frete alto e milho de safra: 0,28 − 0,11 = 0,17. Pior caso, frete baixo e milho de entressafra: 0,21 − 0,28 = −0,07.
Com no máximo R$ 0,17 por kg de vantagem de localização, a fábrica do Acre tem de compensar uma escala 18 a 72 vezes menor (72.000 t contra 4.000 e 1.000 t). O que ela tem a favor é o canal: vender direto a quem hoje paga preço de loja.
5. Logística e onde a fábrica deveria ficar
5.1 A estrada
| Trecho | Distância | Situação | Marca |
|---|---|---|---|
| Porto Velho a Rio Branco | 510 km | asfalto; ponte sobre o rio Madeira em Abunã desde 2021; pedágio no trecho de Rondônia, que pesa de 8% a 15% no frete | FV distância e pedágio; ponte INF (sem link relido) |
| Ariquemes a Rio Branco | cerca de 710 km | idem | INF |
| Mato Grosso (esmagadoras) a Rio Branco | cerca de 2.000 km | idem, pela BR-364 | INF |
| Rio Branco a Cruzeiro do Sul | cerca de 635 km | buracos e lama; carreta leva 24 horas (o normal seriam 9); o pior são os 230 km de Tarauacá a Cruzeiro do Sul, feitos em 8 horas; frete cerca de 30% mais caro | FV (imprensa, 29/10/2025 e 19/01/2026) |
| Rio Branco a Brasiléia (BR-317) | cerca de 230 km | asfalto | INF |
| Rio Branco a Sena Madureira | cerca de 145 km | asfalto | INF |
Frete por tonelada [INF, sem cotação; R$ 0,30 a 0,40 por t por km para saco em carreta; R$ 0,18 a 0,22 para granel em carga de retorno]: - ração de Ariquemes a Rio Branco: R$ 213 a 284 por t; - farelo de soja de Mato Grosso a Rio Branco: R$ 360 a 440 por t; - farelo de soja de Porto Velho a Rio Branco: R$ 92 a 112 por t; - ração de Rio Branco a Cruzeiro do Sul: R$ 248 a 330 por t (com os 30%); - ração de Rio Branco a Brasiléia: R$ 69 a 92 por t; a Sena Madureira: R$ 44 a 58 por t.
5.2 Cheia e seca
| Época | O que acontece | Efeito na fábrica |
|---|---|---|
| Chuva (novembro a abril) | Rio Branco–Cruzeiro do Sul piora; atoleiro; a carreta pode não passar. O trecho já esteve fechado também por protesto de moradores, várias vezes em 2025 e 2026 FV | o Juruá precisa de estoque de inverno formado até outubro; a ração vence em cerca de 6 meses |
| Cheia grande do rio Madeira | em 2014 a BR-364 ficou alagada em Rondônia e o Acre ficou semanas quase isolado por terra INF (fato notório, sem link relido nesta apuração) | sem farelo de soja a fábrica para; estoque mínimo de 45 a 60 dias de farelo na cheia |
| Seca (junho a outubro) | estrada no melhor estado; safra de milho do Acre; milho a R$ 1,21 a 1,42 | época de comprar o milho do ano e de abastecer o Juruá |
| Entressafra (outubro a maio) | milho em Rio Branco a R$ 1,70 a 1,81 FV | sem silo, a fórmula de 28% sobe de R$ 0,14 por kg (milho a 1,59) a R$ 0,20 (milho a 1,75) |
Obras: o Ministério dos Transportes anunciou mais de R$ 1 bilhão para a BR-364 e a BR-317 em agosto de 2025, e o Dnit confirmou a reconstrução da BR-364 em janeiro de 2026 FV. Se o trecho do Juruá melhorar, o frete cai e a conta do depósito melhora.
5.3 Perto do grão ou perto do peixe?
Os números por município decidem:
| Regional | Peixe (parte do estado) | Milho (parte) | Soja (parte) | Mandioca (parte) |
|---|---|---|---|---|
| Baixo Acre | 28,2% | 64,6% | 88,4% | 18,7% |
| Alto Acre | 22,8% | 18,3% | 10,2% | 9,2% |
| Purus | 3,2% | 4,7% | 0 | 10,1% |
| Tarauacá e Envira | 10,7% | 9,9% | 0 | 22,1% |
| Juruá | 35,1% | 2,5% | 1,5% | 40,0% |
Tudo FV, contas sobre as tabelas 3940 e 5457 do IBGE.
O Juruá tem mais peixe, mas não tem grão. Uma fábrica em Cruzeiro do Sul teria de trazer pela estrada ruim o farelo de soja, o farelo de arroz, a farinha de carne, o óleo, o fosfato, o sal e o premix: 70% do peso da fórmula com crueira (52 + 9 + 5 + 1,5 + 1 + 0,5 + 1); com a perda, 0,76 t de ingrediente por tonelada de ração (0,70 ÷ 0,92). Economizaria o frete de 0,24 t por tonelada: 0,24 × R$ 248 a 330 = R$ 0,06 a 0,08 por kg INF. É pouco para pagar uma fábrica de escala pequena, e depende de uma crueira que ninguém mediu.
O eixo Rio Branco–Senador Guiomard tem o grão e a estrada. Senador Guiomard é o maior produtor de milho do estado (21.140 t), fica no entroncamento da BR-364 com a BR-317, a cerca de 25 km da capital, por onde o farelo de soja entra de qualquer jeito. Dali se alcança por asfalto, em até 230 km, 54,2% do peixe do estado (Baixo Acre, Alto Acre e Purus: 1.254 t de peixe, 2.257 a 2.759 t de ração) INF (sobre FV).
Recomendação INF:
- Fábrica (escala B ou C): eixo Rio Branco–Senador Guiomard, com silo de milho.
- Juruá: depósito, não fábrica. Central de compra (projeto 04) abastecida na seca. Fábrica mini no Juruá só depois de medir a crueira e de um ensaio de engorda com parceiro técnico.
- Alto Acre: Brasiléia é o município que mais produz peixe (386 t) e fica a 230 km de asfalto. Entrega direta da fábrica, R$ 0,07 a 0,09 por kg de frete.
- Atenção ao vizinho: a fábrica parada da indústria falida fica exatamente em Senador Guiomard. O melhor lugar para a fábrica nova é o lugar onde já existe uma, com dono novo e plano desconhecido.
Fontes desta seção
A lista completa, com link, está no arquivo 06-casos-fontes-e-riscos.md. As principais:
- IBGE, SIDRA, tabela 3940 (aquicultura por município, 2025): apisidra.
ibge. gov. br/ values/ t/ 3940/ n6/ in% 20n3% 2012/ v/ 4146… - IBGE, SIDRA, tabela 5457 (milho, soja, arroz e mandioca, 2022 a 2025), tabela 3939 (rebanhos), tabelas 94 e 74 (vacas ordenhadas, leite e ovos), tabela 1092 (abate de bovinos), tabela 289 (castanha).
- Conab, preços agropecuários mensais por estado e por município (arquivos abertos do portal de informações), consulta em 03/10/2026: portaldeinformacoes.
conab. gov. br/ downloads/ arquivos/ Preco… - Pereira Junior e outros. Farinha de crueira de mandioca em substituição ao milho para juvenis de tambaqui. Acta Amazonica 43(2), 2013: acta.
inpa. gov. br/ fasciculos/ 43- 2/ PDF/ v43n2a13. pdf - Brandão e outros. Fitase em dietas para tambaqui. Boletim do Instituto de Pesca 41(4), 2015: institutodepesca.
org/ index. php/ bip/ article/ download/ 1092… - Cotação de farelo de soja no mercado físico, 02/10/2026: noticiasagricolas.
com. br/ cotacoes/ soja