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07 — Matéria-prima, demanda e mercado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado. As três escalas do projeto: A mini, 120 kg por hora, 150 a 240 t por ano; B pequena, 500 kg por hora, cerca de 1.000 t por ano em um…

Data-base: 03/10/2026FV fato verificado em fonte abertaINF estimativa ou contaNE buscado e não encontrado

Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado em fonte aberta; INF estimativa ou conta; NE buscado e não encontrado.

As três escalas do projeto: A mini, 120 kg por hora, 150 a 240 t por ano; B pequena, 500 kg por hora, cerca de 1.000 t por ano em um turno; C média, 2 t por hora, cerca de 4.000 t por ano em um turno.

O que este arquivo responde, em cinco linhas:

  1. O Acre inteiro come de 4,2 a 5,1 mil t de ração de peixe por ano, no máximo. A escala C sozinha faz 4 mil.
  2. O milho o Acre tem, e na safra é barato. O farelo de soja, metade da fórmula, vem de fora.
  3. Só de ingrediente, a ração de 28% custa R$ 2,38 por kg e a de 32% custa R$ 2,51 por kg (milho de safra).
  4. O preço a bater é a carreta de Rondônia posta em Rio Branco: R$ 3,53 a 3,91 por kg.
  5. A fábrica fica no eixo Rio Branco–Senador Guiomard. O Juruá, que tem mais peixe, fica com depósito.

1. Demanda de ração no Acre

1.1 Ração de peixe: a conta pelo peixe produzido

O IBGE registrou 2.312.381 kg de peixe de cultivo no Acre em 2025 (Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 3940 do SIDRA, consulta em 03/10/2026) FV. Bate com os 2.312 t do números-base.

Ração = peixe × conversão alimentar (kg de ração por kg de peixe):

Conversão Conta Ração por ano
1,8 2.312,4 t × 1,8 4.162 t
2,0 2.312,4 t × 2,0 4.625 t
2,2 2.312,4 t × 2,2 5.087 t

Tudo INF sobre base FV. Esse é o teto. O consumo real de ração comprada é menor, por três razões:

Se de 60% a 80% do peixe for de fato criado com ração comercial: 0,60 × 4.162 = 2.497 t; 0,80 × 5.087 = 4.070 t. Consumo provável: 2,5 a 4,1 mil t por ano INF. Ninguém mediu a venda de ração de peixe no estado NE.

Espécies em 2025 FV: tambaqui 865,7 t (37,4%); pirapitinga 373,9 t; piau 297,4 t; curimatã 297,4 t; tambacu e tambatinga 206,0 t; matrinxã 192,8 t; pintado 32,0 t; pirarucu 24,3 t; tilápia 17,0 t; pacu 5,9 t.

1.2 Por regional

Regional Peixe em 2025 (t) Parte Ração a 1,8 (t) Ração a 2,0 (t) Ração a 2,2 (t)
Juruá 810,6 35,1% 1.459 1.621 1.783
Baixo Acre 653,1 28,2% 1.176 1.306 1.437
Alto Acre 528,0 22,8% 950 1.056 1.162
Tarauacá e Envira 247,7 10,7% 446 495 545
Purus 73,0 3,2% 131 146 161
Acre 2.312,4 100% 4.162 4.625 5.087

Peixe FV; ração INF. Como se somou cada regional (kg): - Juruá: Cruzeiro do Sul 246.200 + Mâncio Lima 204.342 + Rodrigues Alves 178.400 + Marechal Thaumaturgo 102.000 + Porto Walter 79.700 = 810.642; - Baixo Acre: Rio Branco 230.532 + Porto Acre 144.000 + Acrelândia 110.182 + Bujari 79.833 + Senador Guiomard 56.200 + Capixaba 17.250 + Plácido de Castro 15.080 = 653.077; - Alto Acre: Brasiléia 386.213 + Xapuri 69.400 + Epitaciolândia 59.400 + Assis Brasil 13.000 = 528.013; - Tarauacá e Envira: Feijó 173.205 + Tarauacá 69.100 + Jordão 5.380 = 247.685; - Purus: Sena Madureira 67.179 + Santa Rosa do Purus 3.210 + Manoel Urbano 2.575 = 72.964. - Conferência: 810.642 + 653.077 + 528.013 + 247.685 + 72.964 = 2.312.381.

Dois blocos de mercado, separados por 635 km de estrada ruim:

Bloco Peixe (t) Ração a 1,8 (t) Ração a 2,2 (t)
Eixo de asfalto de Rio Branco (Baixo Acre + Alto Acre + Purus) 1.254,1 2.257 2.759
Oeste (Juruá + Tarauacá e Envira) 1.058,3 1.905 2.328

1.3 Por município (os nove maiores)

Município Peixe em 2025 (t) Ração a 2,0 (t por ano) Principal espécie
Brasiléia 386,2 772 tambaqui e pirapitinga
Cruzeiro do Sul 246,2 492 matrinxã e piau
Rio Branco 230,5 461 tambaqui
Mâncio Lima 204,3 409 matrinxã e piau
Rodrigues Alves 178,4 357 piau e tambaqui
Feijó 173,2 346 piau e curimatã
Porto Acre 144,0 288 tambaqui
Acrelândia 110,2 220 tambaqui
Marechal Thaumaturgo 102,0 204 tambaqui e curimatã

Peixe FV; ração INF. Nenhum município sozinho chega a 800 t de ração por ano. A escala B (1.000 t) já é maior que o consumo do maior município do estado.

1.4 O tamanho do mercado contra o tamanho da fábrica

Escala Produção por ano Parte do teto do estado (4.162 a 5.087 t) Parte do eixo de Rio Branco (2.257 a 2.759 t)
A 150 a 240 t 3% a 6% 5% a 11%
B 1.000 t 20% a 24% 36% a 44%
C 4.000 t 79% a 96% mais que o eixo inteiro

Contas: 1.000 ÷ 5.087 = 19,7%; 1.000 ÷ 4.162 = 24,0%; 1.000 ÷ 2.759 = 36,2%; 1.000 ÷ 2.257 = 44,3%; 4.000 ÷ 5.087 = 78,6%; 4.000 ÷ 4.162 = 96,1% INF.

Referência histórica: no pico de 2015, com 6.072 t de peixe FV, o teto era 6.072 × 2,0 = 12.144 t de ração INF. A fábrica da indústria falida foi projetada para 20 a 40 mil t por ano FV (dado divergente): de duas a três vezes o melhor ano do estado.

1.5 Outras rações que poderiam encher a fábrica

Efetivos do IBGE no Acre em 2025 (tabelas 3939, 94 e 74 do SIDRA) FV. As contas de ração são INF, com a premissa declarada.

Criação Efetivo ou produção em 2025 Premissa Ração por ano (teto)
Galinha de postura 851.472 galinhas; 11.556 mil dúzias de ovos 1,7 kg de ração por dúzia 19.645 t
Frango e outras aves 2.074.092 cabeças (2.925.564 − 851.472) metade recebe ração; 90 g por dia 34.067 t
Suíno 159.233 cabeças; 19.436 matrizes 20% recebem ração; 2,0 kg por dia 23.248 t
Vaca de leite 48.645 vacas; 36.881 mil litros 1 kg de concentrado para cada 3 litros 12.294 t
Boi de corte 5.191.559 cabeças sal mineral e proteinado: outro produto, outra fábrica fora da conta

Contas: 11.556.000 × 1,7 = 19.645.200 kg; 1.037.046 × 0,09 × 365 = 34.066.961 kg; 159.233 × 0,20 × 2,0 × 365 = 23.248.018 kg; 36.881.000 ÷ 3 = 12.293.667 kg.

Leitura honesta desses números:

Sobra para uma fábrica nova o pequeno criador que compra saco em loja. Se forem 3% a 5% do teto de aves e suínos (77 mil t) mais 10% do teto do leite: 2.300 a 3.850 t + 1.229 t = cerca de 3,5 a 5 mil t por ano de ração farelada INF (ordem de grandeza; ninguém mediu). É o que poderia completar a escala C. Não é mercado de ração de peixe.

1.6 Quanto é de fato alcançável

A fábrica nova entra num mercado que já tem dono: o fornecedor de ração de Rio Branco e as fábricas de Rondônia. Fatia de entrante, em três anos, com preço igual ou melhor e qualidade comprovada INF:

Onde Demanda de ração de peixe (t) Fatia de 15% Fatia de 25%
Eixo de Rio Branco 2.257 a 2.759 339 a 414 t 564 a 690 t
Juruá (só com depósito e estoque de inverno) 1.459 a 1.783 219 a 267 t 365 a 446 t

Contas: 0,15 × 2.257 = 339; 0,25 × 2.759 = 690; 0,15 × 1.459 = 219; 0,25 × 1.783 = 446.

Demanda alcançável de ração de peixe: 350 a 700 t por ano no eixo de Rio Branco INF; até cerca de 1.100 t somando o Juruá, se a logística do inverno funcionar. Três coisas mudam essa conta:

  1. Contrato com as cooperativas e centrais de compra (projeto 04): cada central firme leva 112 t por ano.
  2. Exportação para o Peru e a Bolívia. O fornecedor de Rio Branco vendia, em 2025, 90 t por mês a um único piscicultor instalado no Peru: 90 × 12 = 1.080 t por ano FV (para as 90 t). Um só cliente do outro lado da fronteira compra o equivalente a um quarto do teto do Acre inteiro.
  3. A produção de peixe voltar a crescer. O déficit de pescado do estado é de 12 a 18 mil t por ano INF. Se um terço disso fosse criado no Acre, seriam mais 8 a 12 mil t de ração. Isso é potencial, não demanda.

Conclusão da seção. A escala A cabe no mercado, mas não fecha a conta (pasta 04). A escala B exige de 36% a 44% do eixo de Rio Branco: só com contrato antes da máquina. A escala C é maior que o mercado de ração de peixe do estado: só existe com ração de aves, suínos e leite na mesma planta, ou com exportação.


2. Matéria-prima: o que o Acre produz e quanto custa

2.1 Milho e soja

Produção Agrícola Municipal do IBGE, tabela 5457 do SIDRA, consulta em 03/10/2026 FV:

Ano Milho (t) Milho (ha) Soja (t) Soja (ha)
2022 135.276 40.380 22.667 6.570
2023 139.065 40.831 45.732 12.010
2024 119.122 37.525 60.554 17.550
2025 123.578 39.188 56.659 15.156

Rendimento em 2025: milho 123.578 ÷ 39.188 = 3,15 t por hectare; soja 56.659 ÷ 15.156 = 3,74 t por hectare INF (sobre FV).

Onde está o grão (2025) FV:

Município Milho (t) Soja (t)
Senador Guiomard 21.140 10.611
Plácido de Castro 18.984 12.685
Capixaba 14.640 13.501
Rio Branco 11.448 7.667
Xapuri 10.210 4.095
Porto Acre 6.777 5.616
Epitaciolândia 6.441 1.658
Feijó 6.200 0
Tarauacá 5.200 0

Quanto a fábrica precisa (fórmula de 28% da seção 3, com 8% de perda):

Escala Milho por ano Parte do milho do Acre Farelo de soja por ano
A, 200 t 75 t 0,06% 103 t
B, 1.000 t 375 t 0,3% 516 t
C, 4.000 t 1.500 t 1,2% 2.065 t

Contas: 1.000 × 0,345 ÷ 0,92 = 375; 1.000 × 0,475 ÷ 0,92 = 516 INF. Milho não é o gargalo. O Acre colhe 300 vezes o que a escala B consome.

2.2 De onde vem o farelo de soja

2.3 Os outros ingredientes

Ingrediente O que há no Acre Marca
Farelo de arroz O estado colheu 4.218 t de arroz em casca em 2025. A 8% de farelo, são 337 t por ano, espalhadas (Xapuri 603 t, Brasiléia 420 t). Não sustenta fábrica; vem de Rondônia e Mato Grosso FV produção; INF farelo
Mandioca e crueira 493.882 t de raiz em 21.734 ha (2025). Juruá: 197.425 t (40,0%); Tarauacá e Envira: 109.040 t (22,1%). A crueira (o que fica na peneira da farinhada) nunca foi medida no estado FV raiz; NE crueira
Resíduo de pescado Sem indústria com inspeção federal; filetagem feita em banca de mercado. Volume concentrado: nenhum FV; volume NE
Torta de castanha 7.192 t de castanha em 2025 (9.947 t em 2024). Torta só existe onde se prensa óleo; volume não publicado. Castanha ao extrativista: R$ 7,37 por kg em casca (Conab, setembro de 2026) FV; torta NE
Farinha de carne e ossos, sangue 644.196 bovinos abatidos em 2025; 151.765 t de carcaça. Há frigorífico no estado com atividade registrada de fabricação de farinha de carne e ossos (cadastro de CNPJ, lido por resumo de busca). Volume e preço não publicados FV abate; registro por resumo; NE volume e preço
Óleo de soja Só refinado, de mercado: R$ 9,01 em agosto de 2026 (Conab, varejo, Rio Branco). Óleo bruto ou degomado: a agroindústria de Porto Velho FV varejo; NE bruto
Premix de vitamina e mineral, metionina, fosfato Tudo de fora (São Paulo, Paraná, Goiás) INF

Contas: mandioca do Juruá 57.691 + 45.821 + 41.456 + 34.613 + 17.844 = 197.425; abate 153.089 + 155.505 + 171.175 + 164.427 = 644.196 (IBGE, Pesquisa Trimestral do Abate, tabela 1092) FV.

Crueira: a conta do potencial INF (sem nenhuma medição no Acre). Se a crueira for de 2% a 5% do peso da raiz e render 40% de farinha seca: - Juruá: 197.425 × 0,02 a 0,05 = 3.949 a 9.871 t úmidas; × 0,40 = 1.580 a 3.950 t secas por ano; - a ração de peixe do Juruá, com 30% de crueira, pediria 0,30 × 1.459 a 1.783 = 438 a 535 t secas.

No papel, sobra. Na prática, a crueira está espalhada em centenas de casas de farinha, é úmida (estraga em dois dias), e hoje já vai para o porco e a galinha do próprio farinheiro. O que decide é o custo de juntar e secar, e isso ninguém mediu NE.

Resíduo de pescado: dá para virar farinha de peixe? A cozinha de pescado gera cerca de 60% de resíduo (cabeça, espinha, víscera). O resíduo tem 70% a 75% de água; rende cerca de 20% de farinha INF. Conta: 100 t de peixe processado → 60 t de resíduo → 12 t de farinha. Para a escala B, com 3% de farinha de peixe, bastam 33 t por ano (1.000 × 0,03 ÷ 0,92): o resíduo de 275 t de peixe processado num só lugar. O que exige: - resíduo fresco, do mesmo dia, no gelo; - cozinhador, prensa, secador e moinho (uma graxaria pequena), com tratamento de efluente e de cheiro; - registro no Ministério da Agricultura como fabricante de ingrediente para alimentação animal (Decreto 12.031/2024) e controle de salmonela; - escala: abaixo de algumas toneladas de resíduo por dia, a graxaria não se paga INF.

Caminho que cabe hoje: silagem ácida do resíduo (moer e misturar com ácido), testada em tambaqui de 5% a 20% da dieta, em alevinos FV (pasta 04). É líquida; entra na extrusora em pequena proporção. Só com parceiro técnico.

Farinha de carne e ossos: há graxaria no Acre? Há frigorífico de bovino com essa atividade no cadastro FV. Com 644 mil abates por ano, a oferta é muito maior que o uso: a escala B, com 5% na fórmula, usa 54 t por ano (1.000 × 0,05 ÷ 0,92). É o ingrediente de proteína animal mais fácil de conseguir no estado. Falta cotação NE.

2.4 Preços postos em Rio Branco

Ingrediente R$ por kg Fonte e data Marca
Milho, atacado em Rio Branco 1,21 Conab, setembro de 2026 FV
Milho, média de 12 meses (outubro de 2025 a setembro de 2026) 1,59 Conab; conta abaixo INF (sobre FV)
Milho, ao produtor no Acre 1,13 Conab, setembro de 2026; imprensa do agro, 24/09/2026: R$ 65,50 a saca (R$ 1,09) FV
Soja em grão, ao produtor no Acre 2,33 imprensa do agro, 24/09/2026: R$ 140 a saca. Em Rondônia, Conab: R$ 1,87 FV
Farelo de soja, em Mato Grosso 2,03 indicador estadual, 02/10/2026: R$ 2.028,29 por t. Rondonópolis: R$ 2.230 FV
Farelo de soja, posto em Rio Branco 2,45 (faixa 2,39 a 2,47) 2,03 + frete de 2.000 km a R$ 0,18 a 0,22 por t por km INF
Farelo de arroz 1,20 sem cotação; mesma base da pasta 04 INF
Farinha de carne e ossos (45% de proteína) 2,00 sem cotação no Acre; ordem de grandeza nacional INF
Farinha de peixe (55%) 5,50 sem cotação; produto de fora INF
Farelo de glúten de milho (60%) 4,50 sem cotação; produto de fora INF
Óleo de soja bruto 6,50 sem cotação; o refinado no varejo custa 9,01 INF
Fosfato bicálcico 4,50 sem cotação INF
DL-metionina 22,00 sem cotação INF
Premix de vitamina e mineral 25,00 sem cotação INF
Raiz de mandioca para farinha, ao produtor 0,62 Conab, Acre, setembro de 2026 FV
Farinha de crueira, seca e moída, posta na fábrica 0,80 (teste a 0,50) hipótese; ninguém vende crueira seca no Acre INF

Média do milho: (1,70 + 1,72 + 1,71 + 1,77 + 1,81 + 1,74 + 1,71 + 1,70 + 1,42 + 1,29 + 1,26 + 1,21) ÷ 12 = 19,04 ÷ 12 = 1,59.

O milho do Acre tem duas caras. De junho a setembro (safra), o atacado de Rio Branco fica em R$ 1,21 a 1,42 por kg, igual ou abaixo de Porto Velho (R$ 1,32 em setembro) FV. De outubro a maio, vai a R$ 1,70 a 1,81, contra R$ 1,26 a 1,38 em Rondônia FV. Quem compra milho todo mês paga 31% a mais que quem compra na safra e guarda (1,59 ÷ 1,21). A fábrica precisa de silo e de dinheiro para comprar o milho do ano em três meses.

Soja integral contra farelo, por kg de proteína INF: farelo 2,45 ÷ 0,46 = R$ 5,33; soja em grão 2,33 ÷ 0,37 = R$ 6,30. Com a soja a R$ 140 a saca, o farelo de fora ainda sai mais barato. A conta vira se a soja local cair abaixo de R$ 118 a saca (5,33 × 0,37 × 60).

Tributo: a ração e seus insumos têm redução de base de cálculo de ICMS na operação interestadual (Convênio ICMS 100/97) INF (de memória; conferir com contador e Sefaz). Não está nos preços acima.


3. Fórmulas de referência para tambaqui e custo por kg

3.1 O que há publicado

A exigência por fase é a da pasta 04: 36% de proteína na recria, 32% na recria final e 28% na engorda, que come 70% da ração FV. Fórmula aberta, com ingrediente e percentual, foi localizada em dois artigos:

Fonte Proteína Ingredientes (%) Peixe testado
Acta Amazonica 43(2), 2013 (Inpa e Ufam), dieta controle 36% formulada; 38,3% analisada milho 30,0; farelo de soja 55,0; óleo de soja 3,6; farelo de glúten de milho 2,0; farinha de carne e ossos 3,0; farinha de peixe 3,0; fosfato bicálcico 2,0; metionina 0,35; premix 1,0 juvenis de 6,6 g, 75 dias, ração extrusada
Mesmo artigo, 100% do milho trocado por farinha de crueira 36% formulada; 36,7% analisada crueira 30,0; farelo de soja 45,8; glúten de milho 10,0; farinha de carne e ossos 4,0; farinha de peixe 3,0; óleo 3,6; fosfato 2,1; metionina 0,4; premix 1,0 idem; conversão de 1,1, igual à do controle
Boletim do Instituto de Pesca 41(4), 2015 (instituto federal do Pará), dieta controle 30,5% declarada farelo de soja 45; farelo de milho 23; farinha de trigo 18; glúten de milho 11; óleo de soja 2; premix 1 juvenis de 12 g, 45 dias, ração extrusada

Tudo FV, lido nos artigos em 03/10/2026. Fórmula aberta de 28% e de 32%, de publicação da Embrapa, com percentuais: não localizada NE. As páginas de notícia da Embrapa estão restritas no período eleitoral e a busca do repositório não respondeu.

Por isso as fórmulas de 28% e de 32% abaixo são montadas por esta ficha INF, com os mesmos ingredientes do artigo de 2013, trocando o glúten e a farinha de peixe (caros e de fora) por farelo de arroz e mais farinha de carne e ossos (que o Acre tem). Antes de fabricar, um zootecnista ou engenheiro de pesca refaz a fórmula com a análise dos ingredientes reais.

Proteína usada na conta INF (valores de tabela): farelo de soja 46%; milho 8%; farelo de arroz 13%; farinha de carne e ossos 45%; farinha de peixe 55%; glúten de milho 60%; crueira 2%.

3.2 Ração de 28% (engorda)

Ingrediente % Proteína que traz R$ por kg R$ na fórmula
Farelo de soja 47,5 21,85 2,45 1,1638
Milho 34,5 2,76 1,21 0,4175
Farelo de arroz 9,0 1,17 1,20 0,1080
Farinha de carne e ossos 5,0 2,25 2,00 0,1000
Óleo de soja 1,5 0 6,50 0,0975
Fosfato bicálcico 1,0 0 4,50 0,0450
Sal 0,5 0 1,00 0,0050
Premix 1,0 0 25,00 0,2500
Soma 100,0 28,03 2,1868

3.3 Ração de 32% (recria final)

Ingrediente % Proteína que traz R$ por kg R$ na fórmula
Farelo de soja 57,0 26,22 2,45 1,3965
Milho 26,0 2,08 1,21 0,3146
Farelo de arroz 7,0 0,91 1,20 0,0840
Farinha de carne e ossos 6,0 2,70 2,00 0,1200
Óleo de soja 1,5 0 6,50 0,0975
Fosfato bicálcico 1,0 0 4,50 0,0450
Sal 0,5 0 1,00 0,0050
Premix 1,0 0 25,00 0,2500
Soma 100,0 31,91 2,3126

3.4 Ração de 36% (recria), fórmula publicada

Ingrediente % R$ por kg R$ na fórmula
Farelo de soja 55,0 2,45 1,3475
Milho 30,0 1,21 0,3630
Óleo de soja 3,6 6,50 0,2340
Farinha de peixe 3,0 5,50 0,1650
Farinha de carne e ossos 3,0 2,00 0,0600
Farelo de glúten de milho 2,0 4,50 0,0900
Fosfato bicálcico 2,0 4,50 0,0900
DL-metionina 0,35 22,00 0,0770
Premix 1,0 25,00 0,2500
Soma 99,95 2,6765

3.5 Resumo do custo de ingrediente

Ração Milho de safra (R$ 1,21) Milho pela média do ano (R$ 1,59) Preço de referência da ração pronta na Amazônia, 2024
28% R$ 2,38 por kg R$ 2,52 por kg R$ 3,58
32% R$ 2,51 por kg R$ 2,62 por kg R$ 3,88
36% R$ 2,91 por kg R$ 3,03 por kg R$ 4,76

Conta do 36% com milho a R$ 1,59: 2,6765 + 0,30 × 0,38 = 2,7905; ÷ 0,92 = 3,03. Custos INF; preços de referência FV.

Isso é só ingrediente. Falta energia, saco, gente, manutenção, análise, depreciação, imposto e margem (arquivo 02 desta pasta). A pasta 04 estimou energia e saco em R$ 0,31 por kg.

O farelo de soja é 53% do custo da fórmula de 28% (1,1638 ÷ 2,1868). Cada R$ 0,10 a mais no kg do farelo sobe a ração em R$ 0,05 (0,475 × 0,10 ÷ 0,92). Quem manda no custo é o farelo de soja, que o Acre não fabrica.

Aviso de processo: a fórmula de 28% tem cerca de 24% de amido (34,5% de milho com 63% de amido, mais o farelo de arroz) INF. Basta para extrusora industrial com condicionador (mínimo usual perto de 20%), mas fica abaixo dos 35% que o fabricante da extrusora mini declara como mínimo (pasta 04) FV (para o limite declarado). Na escala A, ração de 28% com essa fórmula tende a não flutuar.

3.6 A mesma ração com crueira de mandioca no lugar do milho

Fórmula de 28% com crueira INF. A crueira tem menos proteína que o milho; o farelo de soja sobe para compensar.

Ingrediente % Proteína que traz R$ por kg R$ na fórmula
Farelo de soja 52,0 23,92 2,45 1,2740
Farinha de crueira 30,0 0,60 0,80 0,2400
Farelo de arroz 9,0 1,17 1,20 0,1080
Farinha de carne e ossos 5,0 2,25 2,00 0,1000
Óleo de soja 1,5 0 6,50 0,0975
Fosfato bicálcico 1,0 0 4,50 0,0450
Sal 0,5 0 1,00 0,0050
Premix 1,0 0 25,00 0,2500
Soma 100,0 27,94 2,1195

Com 8% de perda: 2,1195 ÷ 0,92 = R$ 2,30 por kg.

Quanto a crueira economiza, conforme os dois preços que ninguém controla:

Cenário Com milho Com crueira Economia por kg Em %
Milho a 1,21; crueira a 0,80 2,1868 2,1195 0,067 3,1%
Milho a 1,21; crueira a 0,50 2,1868 2,0295 0,157 7,2%
Milho a 1,59; crueira a 0,80 2,3179 2,1195 0,198 8,6%
Milho a 1,59; crueira a 0,50 2,3179 2,0295 0,288 12,4%

Valores antes da perda de 8%. Conta da crueira a R$ 0,50: 2,1195 − 0,30 × 0,30 = 2,0295.

Preço de empate da crueira. A troca tira 34,5 de milho e põe 30 de crueira mais 4,5 de farelo de soja. Empata quando 0,30 × crueira + 0,045 × 2,45 = 0,345 × milho. Com milho a R$ 1,21: crueira = (0,4175 − 0,1103) ÷ 0,30 = R$ 1,02 por kg. Com milho a R$ 1,59: R$ 1,46. Acima disso, a crueira sai mais cara que o milho.

Fórmula de 36% publicada, com 100% de crueira, a preços de hoje:

0,30 × 0,80 + 0,458 × 2,45 + 0,10 × 4,50 + 0,04 × 2,00 + 0,03 × 5,50 + 0,036 × 6,50 + 0,021 × 4,50 + 0,004 × 22,00 + 0,01 × 25,00 = 0,2400 + 1,1221 + 0,4500 + 0,0800 + 0,1650 + 0,2340 + 0,0945 + 0,0880 + 0,2500 = 2,7236.

Contra 2,6765 do controle com milho de safra: a ração com crueira sai R$ 0,05 mais cara (1,8%). Com milho a R$ 1,59 (controle a 2,7905), sai R$ 0,07 mais barata (2,4%).

Leitura. O artigo de 2013 achou 15% de economia (de R$ 1,43 para R$ 1,21 por kg) com preços de Manaus em maio de 2011: milho a R$ 0,84, crueira a R$ 0,10 e glúten de milho a R$ 1,20 FV. Lá a crueira custava 12% do preço do milho. No Acre de 2026, com milho de safra a R$ 1,21 e crueira que precisa ser coletada e seca, a economia cai para 3% a 12% na ração de engorda e pode ser nula na de 36%, porque a proteína que a crueira não traz tem de ser comprada em farelo de soja e glúten. A crueira só compensa onde o milho é caro e a mandioca está ao lado: o Juruá. E o que a pesquisa provou foi em juvenis de 6,6 g, não em peixe de engorda FV.


4. Concorrência e preço de venda

4.1 As fábricas de Rondônia

Preço na fábrica FV (para os três primeiros):

Referência Ano R$ por kg
Fazenda de 125 ha em Rondônia, a granel, 1.814 t por ano 2024 2,83
Média nacional, compra em volume (Cepea) 1º semestre de 2025 2,70
Referência regional da Amazônia, saco, 28% / 32% / 36% 2024 3,58 / 3,88 / 4,76
Saco de 25 kg em carga fechada, na fábrica de Rondônia (estimativa da pasta 04) 2026 3,30 a 3,60 INF

Tabela de preço de 2026 das fábricas de Rondônia: não publicada NE.

Frete INF (R$ 0,30 a 0,40 por tonelada por km, mesma base da pasta 04; sem cotação):

Trecho Distância Frete por kg Posta, em carreta
Ariquemes a Rio Branco cerca de 710 km 0,21 a 0,28 3,53 a 3,91 (com descarga)
Ariquemes a Cruzeiro do Sul cerca de 1.345 km 0,40 a 0,54 3,72 a 4,17
Idem, com o acréscimo de 30% no trecho Rio Branco–Cruzeiro do Sul 0,46 a 0,61 3,78 a 4,24

Conta do acréscimo: 635 km × 0,30 a 0,40 × 1,30 = 0,25 a 0,33; somado a 0,21 a 0,28 = 0,46 a 0,61. O sindicato das transportadoras do Acre calcula que o estado da BR-364 entre a capital e Cruzeiro do Sul encarece o frete em cerca de 30%, e que o pedágio do trecho de Rondônia pesa de 8% a 15% FV (imprensa, 19/01/2026).

4.2 O fornecedor de ração de Rio Branco

O que se sabe FV: existe uma fábrica de ração em Rio Branco; é a única listada no estado pelo relatório regional de 2024; em 2025 vendia 90 t por mês de ração de peixe a um piscicultor acreano instalado no Peru (1.080 t por ano), com resultado divulgado de peixe de 2,5 kg em 10 meses.

O que não se sabe NE: capacidade, se a linha é extrusada própria, preço de tabela, preço por volume, de onde compra o farelo, e se aceita contrato anual com cooperativa.

O que isso significa: a fábrica nova não entra num mercado vazio. O concorrente mais próximo está na mesma cidade e já tem escala maior que a escala B só com um cliente de exportação. Antes de qualquer projeto, visitar e pedir proposta. Se o preço dele em carga fechada ficar perto de R$ 3,50 por kg, o problema do Acre é organização da compra (projeto 04), não falta de fábrica.

4.3 A fábrica de ração da indústria falida de pescado

Fato Número Marca
Inauguração da fábrica de ração 2013, primeira etapa do complexo, em Senador Guiomard, na BR-364 FV
Capacidade projetada 20 a 40 mil t por ano (dado divergente); demanda de energia de 2,9 a 3,0 MW FV
Produção real em abril de 2015 cerca de 400 t por mês; previsão de 1.200 t por mês em turno de 8 horas (14.400 t por ano) FV
Vendas em 2015 primeira venda para fora: 50 t para Rondônia; 50 t por mês para o Juruá; desconto de até 10% a sócios FV
Parada 2018, com a recuperação judicial FV
Leilões de 2025 15/09 sem lance (mínimo de R$ 19,0 milhões); 15/10 sem lance (R$ 15,2 milhões); 26 e 27/11 sem lance (R$ 10,45 milhões) FV
Arrematação 28/11/2025, R$ 13.151.000, 74 lances entre dois licitantes; metade à vista, saldo em 24 meses FV
O que foi junto terreno de 67 ha, frigorífico, fábrica de ração, laboratório de alevinos, 122 tanques; vendido "no estado em que se encontra", com registro de saque e depredação FV
Plano de reativação nenhum publicado até 03/10/2026 NE

Dois pontos que pesam:

  1. Um dos dois licitantes usava, no leilão, o nome da maior fabricante de ração de peixe de Rondônia FV (para o nome de usuário publicado; vínculo não confirmado). O concorrente de fora olhou a fábrica parada.
  2. Em um turno, essa fábrica faz 14.400 t por ano: três vezes o teto do estado (14.400 ÷ 4.625 = 3,1) INF. Se o novo dono a religar, mesmo a 10% da capacidade, ocupa sozinho o espaço da escala B. Quem for investir em fábrica nova precisa saber o plano do arrematante antes de comprar máquina.

4.4 Preço no varejo do Acre

4.5 O preço que a fábrica nova precisa bater

Cliente O que ele paga hoje Preço que a fábrica nova precisa oferecer
Cooperativa ou central que compra carreta fechada R$ 3,53 a 3,91 por kg, posta em Rio Branco INF até R$ 3,50 por kg, na porta da fábrica, saco de 28%
Produtor que compra saco em loja R$ 4,50 a 5,50 por kg INF R$ 4,00 a 4,20 por kg dá a ele de 11% a 24% de desconto
Produtor do Juruá R$ 3,78 a 4,24 em carreta; loja NE o mesmo preço de Rio Branco mais o frete de 635 km

Contas: 1 − 4,00 ÷ 4,50 = 11%; 1 − 4,20 ÷ 5,50 = 24%.

Quanto sobra para a fábrica, na ração de 28%:

Conta Milho de safra Milho pela média do ano
Preço a bater (carreta posta, piso da faixa) 3,53 3,53
Menos ingrediente (seção 3) 2,38 2,52
Menos energia e saco (pasta 04) 0,31 0,31
Sobra para gente, manutenção, depreciação, imposto e margem R$ 0,84 por kg R$ 0,70 por kg

Com o teto da faixa (R$ 3,91): 3,91 − 2,38 − 0,31 = R$ 1,22 por kg. Na escala B (1.000 t), a sobra é de R$ 700 mil a R$ 1,22 milhão por ano para pagar todo o custo fixo. O arquivo 02 desta pasta diz se cabe.

A vantagem do frete quase some no farelo. A fábrica do Acre não paga o frete da ração pronta (R$ 0,21 a 0,28 por kg). Mas paga o farelo de soja mais caro que a fábrica de Rondônia: cerca de 2,45 contra 2,27 por kg INF (Mato Grosso mais 1.200 km contra mais 2.000 km). E paga o milho igual na safra e R$ 0,50 mais caro na entressafra FV (Conab). - Desvantagem no ingrediente, na safra: (0,475 × 0,18 + 0,345 × 0,05) ÷ 0,92 = R$ 0,11 por kg. - Na entressafra: (0,475 × 0,18 + 0,345 × 0,50) ÷ 0,92 = R$ 0,28 por kg. - Vantagem líquida de fabricar no Acre: de −R$ 0,07 a +R$ 0,17 por kg INF. Melhor caso, frete alto e milho de safra: 0,28 − 0,11 = 0,17. Pior caso, frete baixo e milho de entressafra: 0,21 − 0,28 = −0,07.

Com no máximo R$ 0,17 por kg de vantagem de localização, a fábrica do Acre tem de compensar uma escala 18 a 72 vezes menor (72.000 t contra 4.000 e 1.000 t). O que ela tem a favor é o canal: vender direto a quem hoje paga preço de loja.


5. Logística e onde a fábrica deveria ficar

5.1 A estrada

Trecho Distância Situação Marca
Porto Velho a Rio Branco 510 km asfalto; ponte sobre o rio Madeira em Abunã desde 2021; pedágio no trecho de Rondônia, que pesa de 8% a 15% no frete FV distância e pedágio; ponte INF (sem link relido)
Ariquemes a Rio Branco cerca de 710 km idem INF
Mato Grosso (esmagadoras) a Rio Branco cerca de 2.000 km idem, pela BR-364 INF
Rio Branco a Cruzeiro do Sul cerca de 635 km buracos e lama; carreta leva 24 horas (o normal seriam 9); o pior são os 230 km de Tarauacá a Cruzeiro do Sul, feitos em 8 horas; frete cerca de 30% mais caro FV (imprensa, 29/10/2025 e 19/01/2026)
Rio Branco a Brasiléia (BR-317) cerca de 230 km asfalto INF
Rio Branco a Sena Madureira cerca de 145 km asfalto INF

Frete por tonelada [INF, sem cotação; R$ 0,30 a 0,40 por t por km para saco em carreta; R$ 0,18 a 0,22 para granel em carga de retorno]: - ração de Ariquemes a Rio Branco: R$ 213 a 284 por t; - farelo de soja de Mato Grosso a Rio Branco: R$ 360 a 440 por t; - farelo de soja de Porto Velho a Rio Branco: R$ 92 a 112 por t; - ração de Rio Branco a Cruzeiro do Sul: R$ 248 a 330 por t (com os 30%); - ração de Rio Branco a Brasiléia: R$ 69 a 92 por t; a Sena Madureira: R$ 44 a 58 por t.

5.2 Cheia e seca

Época O que acontece Efeito na fábrica
Chuva (novembro a abril) Rio Branco–Cruzeiro do Sul piora; atoleiro; a carreta pode não passar. O trecho já esteve fechado também por protesto de moradores, várias vezes em 2025 e 2026 FV o Juruá precisa de estoque de inverno formado até outubro; a ração vence em cerca de 6 meses
Cheia grande do rio Madeira em 2014 a BR-364 ficou alagada em Rondônia e o Acre ficou semanas quase isolado por terra INF (fato notório, sem link relido nesta apuração) sem farelo de soja a fábrica para; estoque mínimo de 45 a 60 dias de farelo na cheia
Seca (junho a outubro) estrada no melhor estado; safra de milho do Acre; milho a R$ 1,21 a 1,42 época de comprar o milho do ano e de abastecer o Juruá
Entressafra (outubro a maio) milho em Rio Branco a R$ 1,70 a 1,81 FV sem silo, a fórmula de 28% sobe de R$ 0,14 por kg (milho a 1,59) a R$ 0,20 (milho a 1,75)

Obras: o Ministério dos Transportes anunciou mais de R$ 1 bilhão para a BR-364 e a BR-317 em agosto de 2025, e o Dnit confirmou a reconstrução da BR-364 em janeiro de 2026 FV. Se o trecho do Juruá melhorar, o frete cai e a conta do depósito melhora.

5.3 Perto do grão ou perto do peixe?

Os números por município decidem:

Regional Peixe (parte do estado) Milho (parte) Soja (parte) Mandioca (parte)
Baixo Acre 28,2% 64,6% 88,4% 18,7%
Alto Acre 22,8% 18,3% 10,2% 9,2%
Purus 3,2% 4,7% 0 10,1%
Tarauacá e Envira 10,7% 9,9% 0 22,1%
Juruá 35,1% 2,5% 1,5% 40,0%

Tudo FV, contas sobre as tabelas 3940 e 5457 do IBGE.

O Juruá tem mais peixe, mas não tem grão. Uma fábrica em Cruzeiro do Sul teria de trazer pela estrada ruim o farelo de soja, o farelo de arroz, a farinha de carne, o óleo, o fosfato, o sal e o premix: 70% do peso da fórmula com crueira (52 + 9 + 5 + 1,5 + 1 + 0,5 + 1); com a perda, 0,76 t de ingrediente por tonelada de ração (0,70 ÷ 0,92). Economizaria o frete de 0,24 t por tonelada: 0,24 × R$ 248 a 330 = R$ 0,06 a 0,08 por kg INF. É pouco para pagar uma fábrica de escala pequena, e depende de uma crueira que ninguém mediu.

O eixo Rio Branco–Senador Guiomard tem o grão e a estrada. Senador Guiomard é o maior produtor de milho do estado (21.140 t), fica no entroncamento da BR-364 com a BR-317, a cerca de 25 km da capital, por onde o farelo de soja entra de qualquer jeito. Dali se alcança por asfalto, em até 230 km, 54,2% do peixe do estado (Baixo Acre, Alto Acre e Purus: 1.254 t de peixe, 2.257 a 2.759 t de ração) INF (sobre FV).

Recomendação INF:

  1. Fábrica (escala B ou C): eixo Rio Branco–Senador Guiomard, com silo de milho.
  2. Juruá: depósito, não fábrica. Central de compra (projeto 04) abastecida na seca. Fábrica mini no Juruá só depois de medir a crueira e de um ensaio de engorda com parceiro técnico.
  3. Alto Acre: Brasiléia é o município que mais produz peixe (386 t) e fica a 230 km de asfalto. Entrega direta da fábrica, R$ 0,07 a 0,09 por kg de frete.
  4. Atenção ao vizinho: a fábrica parada da indústria falida fica exatamente em Senador Guiomard. O melhor lugar para a fábrica nova é o lugar onde já existe uma, com dono novo e plano desconhecido.

Fontes desta seção

A lista completa, com link, está no arquivo 06-casos-fontes-e-riscos.md. As principais: