Início›Projetos›14 Fábrica de ração›Passo a passo
03 — Passo a passo
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa desta ficha; NE buscado e não encontrado. Do zero à primeira tonelada vendida. Os prazos são estimativas INF , salvo quando marcados. Valem para a escala B (500 kg por hora); a coluna da…
Data-base: 03/10/2026. Marcas: FV fato verificado; INF estimativa desta ficha; NE buscado e não encontrado.
Do zero à primeira tonelada vendida. Os prazos são estimativas INF, salvo quando marcados. Valem para a escala B (500 kg por hora); a coluna da escala C mostra onde muda.
A regra de ordem
- Demanda contratada antes do projeto. A fábrica de ração do antigo complexo de pescado do estado fazia 1.500 t por mês em um turno em 2016 e parou em 2018 FV. Foi dimensionada antes da base produtiva (números-base, regra 6).
- Fórmula testada em viveiro antes da máquina. Ração que afunda ou que piora a conversão custa mais do que toda a economia.
- Crédito, licença e contrato de grão assinados antes da obra.
- Registro no Ministério da Agricultura antes da primeira venda. O decreto só vistoria fábrica já construída e montada (art. 18, III) FV. Entre o fim da montagem e a venda há meses de espera, que precisam estar no caixa.
Os passos
| Nº | Passo | O que se faz | Duração (B) | Na escala C |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Medir a demanda e o mercado | Listar os criadores do raio de 150 km, com hectares, consumo e fornecedor atual. Cotar a ração de carreta (pasta 04). Saber, por escrito, se a fábrica arrematada em leilão em 2025 vai reabrir. | 2 meses | 3 meses; inclui venda para fora do estado |
| 2 | Contratar a demanda | Contratos de compra de 12 meses com cooperativas, módulos associativos e criadores maiores. Meta: 60% da produção real do segundo ano. | 2 a 3 meses | 4 a 6 meses |
| 3 | Definir a pessoa jurídica | Cooperativa já existente, ou empresa, ou empresa com cooperativa sócia. Ata de assembleia que aprova o projeto, a dívida e as garantias. | 1 a 3 meses, se já existe; 6 a 12 se for criar | igual |
| 4 | Consultar os órgãos | Consulta escrita à superintendência do Ministério da Agricultura no Acre (enquadramento e documentos). Consulta ao IMAC (tipo de licença). Consulta de uso do solo na prefeitura. Pedido de parecer de acesso à distribuidora de energia. | 1 a 2 meses | igual |
| 5 | Escolher o local | Terreno seco, fora de área de alagação, à beira de rodovia asfaltada, com rede trifásica de média tensão e água. Documento do terreno em nome da pessoa jurídica, ou cessão registrada. | 1 a 2 meses | igual; terreno de 15 a 20 mil m² |
| 6 | Fórmula e ensaio | Acordo com Embrapa, Ufac ou Ifac. Fórmulas de 28% e 32% com o grão disponível. Lote-piloto feito em fábrica registrada de terceiro. Ensaio em viveiro com testemunha. | 6 a 8 meses, em paralelo | igual |
| 7 | Projeto | Planta com fluxo de produção e de pessoas, memorial das instalações e do processo, fluxograma (exigidos no registro) FV. Projetos de obra, elétrico e de incêndio. Estudo de viabilidade para o banco. Três orçamentos de linha. | 3 a 4 meses | 4 a 6 meses |
| 8 | Licença prévia e de instalação | Pedido ao IMAC. | 4 a 6 meses; o prazo conhecido do IMAC é de 60 a 120 dias por licença FV (dado de 2018) | igual ou maior |
| 9 | Crédito | Carta-consulta, projeto, análise, garantias, contrato. Investimento e capital de giro no mesmo pacote. | 4 a 8 meses | 8 a 14 meses; só o rito do fundo da Sudam soma 375 dias FV |
| 10 | Obra | Terraplenagem, fundação das máquinas, galpão, casa de caldeira, poço, entrada de energia. | 6 a 8 meses | 10 a 12 meses |
| 11 | Compra e entrega das máquinas | Encomenda no começo da obra. Fabricação sob encomenda, de 3 a 5 meses. Frete de 3.000 a 3.500 km. | 4 a 6 meses, em paralelo com a obra | 6 a 8 meses |
| 12 | Montagem | Montagem mecânica e elétrica, pelo fabricante. | 1 a 2 meses | 2 a 3 meses |
| 13 | Equipe e manuais | Contratar o responsável técnico (com anotação no conselho) e os operadores. Treino na fábrica do fornecedor. Manual de boas práticas e os nove procedimentos padrão (arquivo 04). | 2 a 3 meses, em paralelo | igual |
| 14 | Posta em marcha e teste de fórmula na linha | Ajustar moagem, vapor, matriz e secador até o grão flutuar. Lotes de validação com laudo de laboratório. Esses lotes não podem ser vendidos antes do registro. | 1 a 2 meses | 2 meses |
| 15 | Registro no Ministério da Agricultura | Pedido no sistema eletrônico do ministério, vistoria com a fábrica pronta, certificado. | prazo oficial NE; reservar 2 a 4 meses | igual |
| 16 | Licença de operação, bombeiros, alvará | Em paralelo com o registro. | 1 a 3 meses | igual |
| 17 | Rótulo e produto | O responsável técnico aprova fórmula, rótulo e embalagem (art. 49, § 5º) FV. Compra da sacaria impressa. | 1 mês, em paralelo | igual |
| 18 | Primeira venda | Entrega aos contratos do passo 2, com nota fiscal e rótulo. | mês 24 | mês 34 |
A lista de documentos do registro (passo 7) está no Ofício-Circular 19/2024 do ministério FV e no arquivo 04.
Cronograma em meses
Escala B
| Meses | O que corre |
|---|---|
| 1 a 4 | demanda medida e contratada; pessoa jurídica; consultas aos órgãos; escolha do local; começa o ensaio da fórmula |
| 4 a 7 | projeto; orçamentos; pedido de licença prévia |
| 6 a 12 | licença prévia e de instalação; crédito; termina o ensaio da fórmula |
| 12 | portão de decisão: tudo da lista "assinado antes da obra" está pronto? Se não, não começa |
| 13 a 19 | obra; máquinas encomendadas no mês 13 e entregues no mês 18 |
| 19 a 20 | montagem; equipe contratada e treinada |
| 21 a 22 | posta em marcha; lotes de validação; pedido de registro e de licença de operação |
| 22 a 24 | vistoria e registro; alvará e bombeiros; rótulo |
| 24 | primeira tonelada vendida |
Prazo da escala B: cerca de 24 meses (de 20 a 28) INF. Com cooperativa a criar, somar de 6 a 12 meses.
Escala C
| Meses | O que corre |
|---|---|
| 1 a 6 | demanda medida e contratada, dentro e fora do estado; pessoa jurídica; consultas |
| 5 a 10 | projeto; licença prévia |
| 8 a 20 | crédito (o rito do fundo da Sudam leva um ano); licença de instalação |
| 20 | portão de decisão |
| 21 a 31 | obra e máquinas |
| 30 a 32 | montagem; equipe |
| 32 a 34 | posta em marcha; registro; licença de operação |
| 34 | primeira venda |
Prazo da escala C: cerca de 34 meses (de 30 a 36) INF. Comparação FV: catálogo de fabricante asiático informa 200 dias só para instalar uma fábrica de 11 t por hora.
Depois da primeira venda
| Período | Meta |
|---|---|
| Ano 1 de operação | metade da nominal: 500 t (B) ou 2.000 t (C); só rações de 28% e 32% |
| Ano 2 | produção real plena: 650 a 750 t (B) ou 2.500 a 3.000 t (C) |
| Ano 3 em diante | segundo turno, se houver contrato; rações de recria; ingrediente regional na fórmula, se o ensaio aprovar |
O que tem de estar assinado antes da obra
| Nº | Documento | Por quê |
|---|---|---|
| 1 | Contratos de compra de ração de 12 meses, somando 60% da produção real do segundo ano: 400 t por ano (B) ou 1.600 t por ano (C) | sem cliente, a fábrica para; foi o que aconteceu no estado |
| 2 | Resposta escrita sobre a fábrica arrematada em leilão: não vai reabrir, ou vai e aceita fabricar por encomenda | se ela reabrir, cabe contrato com ela, não obra nova |
| 3 | Ata da assembleia ou dos sócios que aprova o investimento, a dívida e as garantias | o banco exige; os sócios precisam saber o que assinam |
| 4 | Título do terreno ou cessão registrada | banco e licença pedem |
| 5 | Licença prévia e licença de instalação do IMAC | obra sem licença é embargada |
| 6 | Resposta escrita do Ministério da Agricultura sobre o enquadramento | evita refazer planta depois da vistoria |
| 7 | Parecer de acesso da distribuidora de energia para a carga pedida (225 kVA na B; 500 a 750 kVA na C) | sem rede, a linha não liga |
| 8 | Outorga ou dispensa do poço | a fábrica usa água potável |
| 9 | Contrato de crédito de investimento e de capital de giro | fábrica pronta sem dinheiro para grão não produz |
| 10 | Contrato ou carta de preço com dois fornecedores de milho e de farelo de soja, e com a fábrica de premix | o grão é o maior custo |
| 11 | Laudo do ensaio da fórmula em viveiro | prova que a ração local engorda igual |
| 12 | Contrato do responsável técnico e acordo com a instituição de pesquisa | exigência legal e segurança da fórmula |
| 13 | Três orçamentos de linha, com prazo de entrega, garantia, montagem e assistência no Acre | preço NE nesta ficha |
| 14 | Contrato de lenha ou cavaco de origem legal | caldeira parada para a linha |
Meta de 60%, a conta. B: 0,60 × 700 = 420 t por ano, arredondado para 400. C: 0,60 × 2.750 = 1.650, arredondado para 1.600 INF. Para comparar: um módulo associativo de 8 ha consome 106 t por ano e um viveiro familiar de 1 ha, 9,5 t (pasta 04). Os 400 t da escala B são 4 módulos de 8 ha, ou 42 hectares de viveiro familiar (400 ÷ 9,5). Os 1.600 t da escala C são 15 módulos ou 168 hectares.
Quem precisa estar junto
| Quem | Para quê | Quando |
|---|---|---|
| Responsável técnico (zootecnista, médico veterinário ou outro profissional com anotação no conselho) | fórmula, rótulo, boas práticas, registro; é obrigatório (art. 43) FV | do projeto em diante |
| Embrapa Acre, Ufac ou Ifac | formulação, ensaio em viveiro, análise de laboratório, ingrediente regional | passos 6 e 14, e depois |
| Fabricante da linha | projeto de fluxo, montagem, posta em marcha, treino, peças | passos 7, 11, 12 e 14 |
| Banco (Banco da Amazônia, Banco do Brasil, cooperativa de crédito) | investimento e giro | do passo 7 em diante |
| Superintendência do Ministério da Agricultura no Acre | consulta, vistoria, registro | passos 4 e 15 |
| IMAC, prefeitura, Corpo de Bombeiros | licenças e alvará | passos 4, 8 e 16 |
| Distribuidora de energia | parecer de acesso e ligação em média tensão | passos 4 e 10 |
| Sebrae e organização das cooperativas | plano de negócio, gestão, contabilidade | passos 1 a 3 e operação |
| Contador | regime de imposto, incentivo estadual, ato cooperativo | passo 3 em diante |
| Cooperativas e criadores compradores | contrato de compra; conselho de clientes | passo 2 e operação |
| Engenheiro responsável pela obra e pela caldeira | projeto, obra, inspeção de segurança da caldeira | passos 7, 10 e operação |
Calendário do ano que interessa à fábrica
| Época | O que acontece | O que fazer |
|---|---|---|
| Junho a agosto | colheita do milho de segunda safra no Centro-Oeste e em Rondônia; preço mais baixo do ano INF | comprar o estoque maior de milho; ter o giro liberado antes |
| Novembro a abril | chuva; a BR-364 depois de Sena Madureira piora INF (pasta 04) | não programar entrega de máquina nem de grão para o Juruá; grão no silo com aeração ligada |
| Maio a outubro | seca; obra anda; viveiros são povoados e a demanda de ração de recria sobe INF | obra e montagem; estoque de ração de 32% e 36% |
| O ano todo | a engorda come 70% da ração | a ração de 28% é o produto-base; produção contínua |
| Semana Santa | pico de venda de peixe; a ração de terminação é pedida de três a quatro meses antes INF | programar a ração de 28% a partir de dezembro |
O que não fazer
- Começar a obra sem os contratos de compra.
- Comprar a máquina antes do ensaio da fórmula.
- Montar a fábrica e deixar o registro para depois: sem registro não se vende.
- Entrar em todas as rações de uma vez. Começar por 28% e 32%.
- Contar com produção nominal no plano de pagamento. Usar a real (arquivo 01, seção 8).
- Deixar o capital de giro fora do pedido de crédito.